Tag: cana de açúcar

  • Conab eleva previsão de etanol para 41,88 bilhões de litros na safra 2026/27

    Conab eleva previsão de etanol para 41,88 bilhões de litros na safra 2026/27

    A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) elevou para 41,88 bilhões de litros a estimativa de produção de etanol do Brasil na safra 2026/27. A projeção considera avanços tanto no biocombustível produzido a partir da cana-de-açúcar quanto no etanol de milho.

    O novo número representa um aumento de mais de 1 bilhão de litros em relação à estimativa divulgada em abril. Segundo a Conab, a produção total deve crescer 11,7% na comparação com a temporada anterior.

    Etanol de cana e de milho

    A produção de etanol de cana-de-açúcar está estimada em 29,98 bilhões de litros na safra 2026/27. O volume representa crescimento de 9,7% em relação ao ciclo anterior.

    Já a fabricação de etanol de milho deve alcançar 11,91 bilhões de litros, alta estimada em 17% na comparação anual.

    De acordo com a Conab, a perspectiva de um mercado mais favorável ao etanol em relação ao açúcar influencia a destinação da cana pelas usinas. Ao mesmo tempo, a produção de etanol de milho continua em expansão.

    Conab reduz estimativa para a cana

    Apesar da projeção maior para o etanol, a Conab revisou para baixo a estimativa de produção de cana-de-açúcar em 2026/27.

    O novo levantamento aponta para 705,2 milhões de toneladas, ante 709,1 milhões de toneladas previstos anteriormente.

    Mesmo com o corte em relação à projeção de abril, o volume representa uma alta de 4,7% sobre a safra anterior.

    O avanço esperado está relacionado à combinação entre maior área colhida e melhora da produtividade média nacional.

    Produção de açúcar também é revisada para baixo

    A revisão da produção de cana também aparece na estimativa para o açúcar.

    A Conab agora projeta uma produção de aproximadamente 42,9 milhões de toneladas de açúcar na safra 2026/27. Na estimativa anterior, o volume previsto era de 43,95 milhões de toneladas.

    Se confirmado, o novo número representará uma queda de 2,9% em relação à produção da temporada anterior.

    Assim, o levantamento mostra um cenário de aumento da produção de etanol, especialmente com a expansão do biocombustível de milho.

  • Produtores de cana do Nordeste receberão subvenção via Pix

    Produtores de cana do Nordeste receberão subvenção via Pix

    O governo federal regulamentou nesta terça-feira (11) a subvenção econômica destinada a produtores independentes de cana-de-açúcar da Região Nordeste afetados pela tributação adicional dos Estados Unidos sobre exportações brasileiras ou por eventos climáticos extremos.

    O benefício poderá chegar a R$ 270 milhões e foi autorizado pela Medida Provisória 1.374/2026, que tem como objetivo preservar a renda dos produtores, a produção de cana e os empregos do setor sucroenergético.

    O pagamento será feito pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), via Pix, após a comprovação das perdas e o atendimento aos critérios estabelecidos pelo governo.

    Quanto será pago aos produtores de cana

    A subvenção será de R$ 12 por tonelada de cana-de-açúcar comercializada durante a safra 2025/26.

    O período considerado vai de 1º de agosto de 2025 a 31 de julho de 2026.

    Quem poderá receber?

    Poderão ter acesso ao benefício:

    • Produtores rurais independentes, pessoas físicas ou jurídicas;
    • Cooperativas e associações, em relação à produção de seus cooperados ou associados que sejam produtores independentes.

    A regra, porém, não contempla produtores que tenham participação societária, direta ou indireta, nas usinas, destilarias ou cooperativas que recebem a cana fornecida.

    A MP 1.374/2026 estabelece que o apoio pode ser concedido diretamente aos produtores ou por meio de cooperativas e associações, conforme a quantidade de cana comercializada.

    Prazo para apresentar a documentação

    Os produtores deverão comprovar a comercialização da cana por meio de documentação fiscal eletrônica.

    Segundo o decreto, os documentos deverão ser encaminhados à Conab até 30 de outubro de 2026.

    Poderão ser utilizados documentos fiscais emitidos pelo próprio produtor ou pela unidade que adquiriu a cana, conforme as regras tributárias de cada Estado.

    Também serão consideradas operações realizadas por cooperativas ou associações.

    Como será feita a análise

    A Conab será responsável por receber e analisar a documentação apresentada pelos produtores.

    Caso sejam encontradas inconsistências, o beneficiário será notificado para fazer as correções necessárias.

    A estatal também deverá disponibilizar informações sobre o processo de operacionalização da subvenção, incluindo o endereço para envio dos documentos e a relação dos beneficiários, conforme os critérios estabelecidos no programa.

    Pagamento será feito via Pix

    Após a análise e aprovação da documentação, a Conab fará o pagamento da subvenção diretamente ao beneficiário por Pix.

    O valor será calculado de acordo com a quantidade de cana comercializada que estiver dentro dos critérios do programa.

    Produtores poderão ser fiscalizados

    O decreto também prevê a possibilidade de fiscalização dos produtores beneficiados pela Conab.

    A fiscalização poderá ocorrer a qualquer tempo e em qualquer fase da operação, segundo as regras estabelecidas pelo governo.

    O recebimento irregular do benefício poderá resultar na devolução integral dos valores, com atualização pela taxa Selic ou por outro índice que venha a substituí-la.

  • Estados Unidos ameaçam reter parte do açúcar brasileiro

    Estados Unidos ameaçam reter parte do açúcar brasileiro

    O açúcar brasileiro entrou no centro das negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

    O governo americano sinalizou que poderá redistribuir cerca de 56 mil toneladas da cota de açúcar destinada ao Brasil caso o país não apresente propostas comerciais consideradas satisfatórias por Washington.

    A declaração foi feita pelo subsecretário de Agricultura dos Estados Unidos, Stephen Vaden, durante um simpósio da American Sugar Alliance.

    A medida ocorre em meio à pressão dos produtores americanos por uma política mais restritiva para a entrada de açúcar estrangeiro no mercado dos Estados Unidos.

    Brasil pode perder parte da cota de açúcar

    Para entender a disputa, é preciso olhar para o sistema de cotas tarifárias, conhecido como TRQ.

    O mecanismo permite que determinados países exportem uma quantidade específica de açúcar para os Estados Unidos pagando uma tarifa reduzida.

    Para o Brasil, a cota tradicional fica em torno de 156 mil toneladas.

    No ano fiscal de 2027, que começa em 1º de outubro de 2026 e termina em 30 de setembro de 2027, os Estados Unidos estabeleceram uma cota global de aproximadamente 1,117 milhão de toneladas, distribuída entre 39 países.

    Até o momento, porém, apenas 100 mil toneladas foram destinadas ao Brasil.

    Outras 56 mil toneladas ainda não foram alocadas, o que corresponde a cerca de 36% da cota brasileira.

    Esse é justamente o volume que pode ser redistribuído para outros fornecedores caso as negociações entre os dois países não avancem.

    Por que a cota é importante?

    Em volume, o mercado americano representa uma parcela pequena das exportações brasileiras de açúcar.

    O Brasil deve exportar aproximadamente 35,7 milhões de toneladas de açúcar na safra 2025/26, segundo estimativa do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

    As 156 mil toneladas da cota americana representam menos de 0,5% das exportações brasileiras.

    Por isso, a eventual perda do volume não seria suficiente para alterar o destino da maior parte da produção nacional.

    O problema está principalmente na diferença entre as tarifas cobradas dentro e fora da cota.

    Tarifa pode mudar de US$ 14,60 para US$ 338,60 por tonelada

    O açúcar brasileiro que entra nos Estados Unidos dentro da cota recebe uma condição tarifária muito mais favorável.

    Para o açúcar bruto, a tarifa dentro da cota é de aproximadamente 0,66 centavo de dólar por libra.

    Quando o produto ultrapassa o limite, a tarifa sobe para cerca de 15,36 centavos de dólar por libra.

    Na conversão para toneladas, a diferença equivale a aproximadamente US$ 14,60 por tonelada dentro da cota contra US$ 338,60 fora dela, antes de eventuais tarifas adicionais.

    Por isso, embora as 56 mil toneladas representem uma parcela pequena da produção brasileira, o acesso a esse espaço tarifário possui valor comercial significativo.

    Produtores dos EUA pressionam por mais proteção

    A ameaça ao Brasil acontece paralelamente a uma mobilização dos produtores americanos de cana e beterraba.

    Representantes da American Sugar Alliance defendem mudanças nas regras de importação e a atualização da chamada tarifa tier 2, aplicada ao açúcar que entra no mercado americano acima das cotas.

    A tarifa foi criada em 2000 e, segundo representantes do setor e do USDA, perdeu parte da capacidade de desestimular as importações.

    A responsável pelo programa de açúcar do USDA, Carlann Unger, afirmou que a tarifa atual já não seria suficientemente alta para funcionar como uma barreira efetiva à entrada do produto estrangeiro.

    O argumento também está relacionado ao nível dos estoques americanos.

    Segundo Unger, os Estados Unidos começaram o ano fiscal de 2026 com os maiores estoques de açúcar já registrados.

    Importações são apontadas como pressão

    Os produtores dos Estados Unidos afirmam que o aumento das importações acima das cotas contribuiu para pressionar os preços domésticos.

    Um estudo do Centro de Políticas de Risco Agrícola da Universidade Estadual de Dakota do Norte (NDSU) estimou que o crescimento dessas importações provocou mais de US$ 3 bilhões em perdas aos produtores americanos nas duas últimas safras.

    O economista Shawn Arita, um dos autores da pesquisa, afirmou que o estudo encontrou efeito significativo das importações sobre os preços domésticos do açúcar.

    Disputa do açúcar amplia tensão comercial entre Brasil e EUA

    A discussão sobre a cota ocorre em um cenário mais amplo de tensão comercial entre os dois países.

    Em julho, os Estados Unidos anunciaram novas medidas tarifárias sobre produtos brasileiros. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), medidas publicadas em 15 e 23 de julho estabeleceram sobretaxas adicionais de 25% e 12,5% sobre parcelas das importações brasileiras, conforme os produtos e enquadramentos.

    No setor agropecuário, o açúcar se tornou mais um ponto de pressão nas negociações.

    Por enquanto, não há perda definitiva das 56 mil toneladas ainda não alocadas. O que existe é a sinalização de Washington de que o volume poderá ser redistribuído caso o Brasil não apresente propostas consideradas satisfatórias.

    Para o setor sucroenergético brasileiro, portanto, a disputa não está apenas relacionada à quantidade de açúcar exportada, mas principalmente às condições de acesso ao mercado americano.

  • Estudo revela que cana-de-açúcar remove mais carbono da atmosfera do que se pensava

    Estudo revela que cana-de-açúcar remove mais carbono da atmosfera do que se pensava

    Pesquisadores da Embrapa e colaboradores desenvolveram um método mais preciso para estimar os estoques de carbono na biomassa da cana-de-açúcar cultivada no Brasil. O estudo foi publicado na revista científica GCB Bioenergy. E propõe um fator de conversão específico para a cultura brasileira, capaz de calcular o carbono armazenado a partir da produtividade agrícola e de considerar diferenças regionais, temporais e de manejo entre as safras. A metodologia amplia a precisão das avaliações sobre o papel da bioenergia na mitigação das mudanças climáticas.

    Segundo Thayse Hernandes, bolsista da Embrapa Meio Ambiente, a proposta responde a uma limitação importante das avaliações internacionais. Os valores padrão (default) usados atualmente não captam a diversidade brasileira de solos, clima, sistemas de manejo e produtividade. “Ao incorporar dados nacionais, a metodologia reduz incertezas em estudos de mudança direta do uso da terra, conhecida pela sigla DLUC, e oferece base técnica mais robusta para inventários de gases de efeito estufa, avaliações de ciclo de vida e políticas públicas”, afirma a pesquisadora.

    Novo fator reduz incertezas nos cálculos

    Para chegar ao novo indicador, a equipe revisou a literatura científica sobre parâmetros de biomassa da cana-de-açúcar no Brasil. Nilza Patrícia Ramos, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente, explica que o principal resultado do trabalho foi a definição do CFSUG, fator de carbono da biomassa da cana, estimado em 0,133, com incerteza relativamente baixa.

    “O fator permite estimar o estoque de carbono ao multiplicá-lo pela produtividade da cultura, captando diferenças entre municípios, safras e regiões produtoras. Com base na média de produtividade de dez anos, o estudo estimou o estoque nacional de carbono na biomassa superior ao valor de referência do IPCC e com incerteza menor”, destaca Ramos.

    Aplicação do método aponta remoção líquida de carbono

    Ao aplicar o novo fator às mudanças diretas do uso da terra associadas à cana-de-açúcar entre 2000 e 2019, os pesquisadores identificaram um balanço negativo de CO₂, o que indica remoção líquida de carbono da atmosfera. A média estimada ficou em aproximadamente -4,8 milhões de toneladas de CO₂ por ano, com faixa de incerteza entre -9,1 e -0,5 milhões de toneladas anuais.

    Foto: Arquivo Agro em Campo

    Com o fator proposto, 62% dos municípios produtores de cana registraram remoção de carbono. Ou seja, uma proporção superior à observada em estudos anteriores, que usavam valores padrão internacionais. A diferença reforça a importância de dados regionalizados para evitar superestimações ou subestimações dos efeitos ambientais da expansão da cultura.

    Setor produtivo e formuladores de políticas podem usar os dados

    Os benefícios climáticos da bioenergia dependem de uma contabilização adequada das emissões e remoções ligadas à produção agrícola. Por isso, os autores recomendam o uso do CFSUG em cálculos de balanço de CO₂ associados à DLUC. Principalmente em inventários de gases de efeito estufa, estudos de avaliação do ciclo de vida, programas de certificação de biocombustíveis e políticas de descarbonização.

    Além dos inventários nacionais, as novas estimativas podem apoiar decisões de empresas, produtores rurais, certificadoras e formuladores de políticas públicas. Como o fator proposto se aplica diretamente à produtividade, a metodologia permanece flexível e admite atualizações conforme surgem novas informações de manejo e produção.

    Metodologia pode inspirar outros países produtores

    O estudo reforça que avaliações ambientais da cana-de-açúcar precisam considerar a realidade dos sistemas produtivos brasileiros. Ao substituir estimativas amplas por parâmetros ajustados ao contexto nacional, o trabalho amplia a compreensão sobre o papel da cultura na bioeconomia e na transição energética.

    Embora voltada ao Brasil, a abordagem pode inspirar metodologias semelhantes em outros países produtores de biomassa para energia. Com dados mais representativos, pesquisadores e formuladores de políticas conseguem avaliar de forma mais equilibrada os impactos da cana-de-açúcar sobre o clima, reconhecer situações de remoção líquida de carbono e orientar decisões mais consistentes para a transição energética.

  • Brasil libera R$ 13,3 bi ao agronegócio após tarifaço americano

    Brasil libera R$ 13,3 bi ao agronegócio após tarifaço americano

    O governo federal autorizou a liberação de quase R$ 13,3 bilhões em crédito para financiar programas de desenvolvimento rural, refinanciamento de dívidas e apoio a produtores de cana-de-açúcar. A medida busca amenizar os efeitos das novas tarifas anunciadas pelos EUA sobre produtos brasileiros.

    O crédito foi oficializado em edição extraordinária do Diário Oficial da União e já está em vigor.

    Pacote prioriza investimentos no setor rural

    A maior parte dos recursos vai para projetos que ampliam a produtividade e a competitividade do agronegócio brasileiro. Segundo o decreto, a distribuição será:

    • R$ 9 bilhões para desenvolvimento tecnológico no setor rural
    • R$ 3 bilhões para reequilíbrio financeiro e refinanciamento de dívidas de produtores e tomadores de crédito
    • R$ 270 milhões em subsídios a produtores independentes de cana-de-açúcar do Nordeste
    • R$ 1 bilhão para beneficiários de programas de financiamento estudantil
    • R$ 15 milhões para a contribuição voluntária do Brasil à Corte Interamericana de Direitos Humanos

    Produtores de cana recebem apoio específico

    Além disso, o governo reservou recursos exclusivos para produtores independentes de cana-de-açúcar do Nordeste, que também enfrentam perdas causadas por eventos climáticos extremos nos últimos meses.

    A expectativa é reduzir os efeitos econômicos sobre um dos elos mais importantes da cadeia sucroenergética brasileira.

    Tarifaço

    Na última quarta-feira, o governo do presidente Donald Trump anunciou tarifa de 25% sobre diversos produtos brasileiros.

    Segundo a Casa Branca, a medida responde a práticas comerciais consideradas desfavoráveis aos interesses americanos. A decisão atinge setores estratégicos da economia brasileira e amplia as preocupações com as exportações do agronegócio.

    O ministro interino da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo brasileiro pode anunciar até o início de agosto um novo conjunto de ações para os setores mais afetados pelas recentes medidas comerciais. Entre as alternativas em estudo estão novos mecanismos de crédito, apoio financeiro e iniciativas para preservar a competitividade das empresas brasileiras no mercado internacional.

  • VBP agropecuário atinge R$ 1,4 trilhão em junho

    VBP agropecuário atinge R$ 1,4 trilhão em junho

    O Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) brasileira foi estimado em R$ 1,4 trilhão em junho, segundo levantamento mensal divulgado pelo Ministério da Agricultura. O indicador mede o faturamento da produção agropecuária dentro dos estabelecimentos rurais e especialistas o consideram um dos principais termômetros do desempenho do setor.

    Do total estimado, R$ 893,1 bilhões são provenientes das lavouras, que respondem por 64% do VBP nacional. Já a pecuária representa R$ 511,1 bilhões, equivalente a 36% do faturamento agropecuário.

    Entre os principais produtos que impulsionam o VBP, a soja lidera com valor estimado de R$ 335,8 bilhões, representando 23,9% do total. Na sequência aparecem os bovinos, com R$ 249,5 bilhões (17,5%), seguidos pelo milho (R$ 155,3 bilhões), cana-de-açúcar (R$ 108,7 bilhões) e frangos (R$ 107,3 bilhões).

    Juntos, esses cinco segmentos concentram 68,3% do valor total da produção agropecuária brasileira, evidenciando a forte dependência do setor em relação às principais commodities.

    No recorte por estados, Mato Grosso lidera o ranking nacional, com VBP estimado em R$ 213,5 bilhões, o equivalente a 15,2% do total. Minas Gerais aparece na segunda posição, com R$ 167,8 bilhões (12%), seguido por São Paulo, com R$ 158,4 bilhões, representando 11,3% do indicador.

  • Projeto propõe apoio para produtores de cana do Nordeste

    Projeto propõe apoio para produtores de cana do Nordeste

    O Congresso Nacional analisa a Medida Provisória (MP) 1374/26, que cria uma subvenção econômica de R$ 12 por tonelada para produtores independentes de cana-de-açúcar do Nordeste. O governo federal direciona o apoio a agricultores afetados pela taxação adicional dos Estados Unidos e por eventos climáticos extremos.

    Publicada no Diário Oficial da União em 30 de junho de 2026, a medida abrange a produção da safra 2025/2026. O produtor precisa comprovar a entrega da cana a usinas, destilarias ou cooperativas da região por meio de nota fiscal eletrônica.

    O pagamento considera o volume efetivamente comercializado e pode ocorrer de forma direta ou por intermédio de cooperativas e associações.

    Quem pode receber

    A MP limita o benefício a produtores independentes do Nordeste que não possuem participação societária, direta ou indireta, em usinas, destilarias ou cooperativas que recebem a matéria-prima.

    O governo custeia a subvenção com recursos do Orçamento federal. A liberação depende da disponibilidade financeira e orçamentária do Executivo.

    Recursos para inovação agrícola

    Além do apoio aos canavieiros, a MP reserva até R$ 10 bilhões do superávit financeiro da União para financiar a adoção de tecnologias agrícolas. O foco recai sobre equipamentos inovadores desenvolvidos no Brasil.

    Instituições como agências de fomento, bancos de desenvolvimento e entidades de crédito credenciadas pela Finep vão operar os recursos. Produtores rurais e empresas do setor podem acessar o crédito, que tem origem no superávit de 2026.

    A medida provisória já tem força de lei desde a publicação, mas o Congresso precisa analisá-la em até 120 dias. Inicialmente, uma comissão mista de deputados e senadores avalia o texto e emite parecer. Em seguida, a proposta segue para votação no Plenário da Câmara dos Deputados.

  • Tecnologia reforça combate a incêndios em canaviais

    Tecnologia reforça combate a incêndios em canaviais

    As queimadas na cana representam um dos principais desafios para a produção sucroenergética. Além de comprometerem a produtividade, elas colocam em risco trabalhadores, comunidades vizinhas e o meio ambiente. Nesse cenário, investimentos em prevenção, monitoramento e resposta rápida ganham cada vez mais importância para reduzir os impactos do fogo nas lavouras.

    A bp bioenergy informou que, entre 2019 e 2025, reduziu em 50% o número de incêndios registrados nas regiões próximas às suas 11 unidades agrícolas. No mesmo período, a área atingida pelo fogo caiu 77%, enquanto o tempo médio de resposta às ocorrências foi reduzido em 66%.

    Segundo a empresa, os resultados são consequência do Programa Brigada 4.0, criado em 2019 para integrar ações de prevenção, detecção e combate a incêndios nas áreas agrícolas. Desde então, mais de R$ 100 milhões foram investidos na iniciativa.

    Tecnologia amplia prevenção contra queimadas na cana

    O combate às queimadas na cana começa antes mesmo do surgimento das chamas. Por isso, a bp bioenergy ampliou as tecnologias voltadas à identificação precoce dos focos de incêndio durante a safra 2025/26.

    Além disso, a empresa atualizou o sistema de monitoramento em oito unidades. A equipe revisou as áreas de cobertura e instalou novos equipamentos em pontos estratégicos. Com isso, aumentou a capacidade de detecção e reduziu áreas com baixa visibilidade.

    Segundo o diretor agrícola da bp bioenergy, Rogério Bremm, a empresa definiu as melhorias após analisar os aprendizados acumulados nas últimas safras.

    “Esse trabalho nos permitiu ampliar a cobertura das imagens, reduzir pontos com menor visibilidade e aumentar significativamente a confiabilidade das informações utilizadas pelas equipes em campo. Quanto mais rápida e precisa é a identificação de um foco, maior também é nossa capacidade de resposta”, afirma.

    O sistema combina inteligência artificial com câmeras térmicas de alta definição instaladas em torres de monitoramento distribuídas pelas 11 unidades. Os equipamentos identificam colunas de fumaça em poucos segundos e monitoram um raio de até 50 quilômetros. Além disso, funcionam durante a noite e também sob neblina.

    SmartHub, centro integrado de monitoramento da bp bioenergy em São José do Rio Preto (SP) – Foto: Divulgação/ bp bioenergy

    Em seguida, o sistema envia todas as informações ao SmartHub, centro integrado de monitoramento localizado em São José do Rio Preto (SP). A equipe acompanha a operação agrícola durante 24 horas por dia e aciona imediatamente as brigadas responsáveis pelo combate aos incêndios.

    Dessa forma, o tempo de resposta diminui. Ao mesmo tempo, a operação reduz os impactos ambientais e operacionais provocados pelo fogo.

    Conectividade fortalece o combate aos incêndios

    A conectividade também desempenha papel importante na estratégia de prevenção. Para isso, a empresa expandiu sua infraestrutura digital nas regiões onde atua.

    Hoje, o projeto utiliza a rede 4G da TIM por meio de 98 torres instaladas nas áreas agrícolas. Assim, as equipes acessam informações em tempo real e conseguem tomar decisões com mais rapidez durante as ocorrências.

    Segundo a companhia, a cobertura alcança aproximadamente 3 milhões de hectares. Além disso, o sinal permanece disponível para usuários da operadora nas regiões atendidas.

    Capacitação reforça a atuação das brigadas

    A tecnologia, sozinha, não resolve o problema. Por esse motivo, a empresa também investe na qualificação permanente das equipes de combate ao fogo.

    Desde o fim de 2025, a bp bioenergy passou a realizar internamente o treinamento dos brigadistas. Para isso, supervisores e lideranças operacionais participam de uma formação com cerca de 70 horas. O conteúdo reúne técnicas de prevenção, combate e condução dos treinamentos.

    Capacitação interna prepara brigadistas para atuar com mais agilidade e segurança na prevenção e no combate a incêndios – Foto: Divulgação/bp bioenergy

    Desde fevereiro deste ano, os 22 multiplicadores formados pela companhia já capacitaram mais de 750 brigadistas. Além disso, a expectativa é treinar aproximadamente 900 profissionais por ano.

    Segundo Bremm, essa mudança aproxima os treinamentos da realidade enfrentada pelas equipes.

    “Quando a formação é conduzida por profissionais que conhecem profundamente os desafios e procedimentos da própria operação, o aprendizado se torna mais aderente à prática. Isso fortalece a preparação das equipes e contribui para decisões mais rápidas e assertivas durante as ocorrências”, destaca.

    Programa reúne tecnologia, estrutura e equipes

    Atualmente, o Programa Brigada 4.0 conta com mais de 1.050 brigadistas. Além disso, a estrutura inclui 97 caminhões-bombeiro com jatos de água automatizados, 16 caminhões-pipa e 12 caminhões-tanque.

    Segundo a empresa, a combinação entre tecnologia, conectividade e capacitação fortalece a prevenção. Como resultado, a operação reduz a área atingida pelo fogo, acelera o combate aos incêndios e amplia a segurança no campo.

    Por fim, Bremm afirma que a prevenção precisa fazer parte da gestão permanente das operações agrícolas.

    “Cada melhoria implementada aumenta nossa capacidade de antecipar riscos e responder com mais precisão quando necessário. Esse é um trabalho permanente, que combina tecnologia, preparo das equipes e aprendizado em campo para tornar nossas operações cada vez mais seguras e responsáveis”, conclui.

  • Governo libera R$ 270 milhões para produtores de cana do Nordeste

    Governo libera R$ 270 milhões para produtores de cana do Nordeste

    O governo federal publicou, nesta quarta-feira (1), no Diário Oficial da União (DOU), a Medida Provisória (MP) 1.374, que autoriza a concessão de R$ 270 milhões em subvenções aos produtores de cana-de-açúcar do Nordeste. A iniciativa busca amenizar os impactos enfrentados pelo setor após o tarifaço imposto pelos Estados Unidos e a queda nos preços do açúcar.

    A medida foi assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na última terça-feira (1º), durante o lançamento do Plano Safra 2026/27 voltado à agricultura familiar.

    Pelas regras da MP, o governo poderá conceder R$ 12 por tonelada de cana-de-açúcar produzida e comprovadamente entregue a usinas, destilarias ou cooperativas localizadas na região Nordeste durante a safra 2025/26.

    Cerca de 16 mil produtores devem ser beneficiados

    Segundo a Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana), aproximadamente 16 mil agricultores serão contemplados pela medida. Atualmente, esse segmento gera cerca de 60 mil empregos na região Nordeste.

    Para a União dos Produtores de Cana do Nordeste (Unida), a subvenção chega em um momento decisivo para aliviar a pressão financeira enfrentada pelos produtores.

    Em nota, o presidente da entidade, Pedro Campos Neto, afirmou que o setor atravessa um período marcado pelo aumento dos custos de produção, pelos desafios climáticos e pela necessidade de manter a competitividade da atividade. Segundo ele, o auxílio contribui para preservar a sustentabilidade econômica de milhares de famílias que dependem da canavicultura.

    A Unida também destacou a expectativa de que os recursos sejam operacionalizados rapidamente para que o benefício chegue aos produtores o quanto antes.

    MP também libera recursos para inovação no campo

    Além do apoio aos produtores de cana, a Medida Provisória autoriza a destinação extraordinária de R$ 10 bilhões do superávit financeiro do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).

    Os recursos serão destinados ao financiamento de projetos voltados à disseminação de tecnologias e equipamentos nacionais para produtores rurais, com o objetivo de incentivar a modernização e aumentar a competitividade do agronegócio brasileiro.

  • El Niño ameaça produção global de açúcar e pode ampliar protagonismo do Brasil

    El Niño ameaça produção global de açúcar e pode ampliar protagonismo do Brasil

    Após um período de pressão provocado pelo aumento da oferta mundial, os preços do açúcar podem voltar a ganhar sustentação no mercado internacional. O motivo está nas crescentes preocupações com o avanço do El Niño e seus possíveis efeitos sobre a produção da commodity nos principais países produtores.

    De acordo com análise da Hedgepoint Global Markets, embora o Brasil, maior produtor e exportador global de açúcar, deva atravessar o fenômeno climático com impactos relativamente moderados, importantes países do Hemisfério Norte podem enfrentar um cenário mais seco nos próximos meses. Dessa forma, aumentam os riscos para a produtividade agrícola e para a disponibilidade de açúcar na próxima safra.

    No caso brasileiro, a consultoria destaca que a cana-de-açúcar já ultrapassou sua principal fase de desenvolvimento para a safra 2026/27. Além disso, os efeitos mais significativos do El Niño tendem a se concentrar na região Sul do país, área que possui participação limitada na produção nacional da cultura.

    Por outro lado, a Hedgepoint observa que um clima mais chuvoso, caso avance além do Centro-Sul, pode desacelerar o ritmo de moagem. Ainda assim, a avaliação para o setor segue positiva. A expectativa é que a produção brasileira de cana supere 600 milhões de toneladas pelo quarto ciclo consecutivo. Para a safra 2026/27, a estimativa alcança cerca de 635 milhões de toneladas.

    Mercado acompanha impactos nas próximas safras

    Enquanto o foco permanece na safra atualmente em desenvolvimento, agentes do mercado também observam os possíveis reflexos do fenômeno climático nos próximos ciclos produtivos.

    Caso o El Niño ganhe força durante o segundo semestre de 2026 e permaneça ativo ao longo de parte de 2027, os impactos poderão ultrapassar a temporada atual. Assim, o fenômeno poderá influenciar expectativas de oferta e decisões estratégicas do mercado global.

    “Um maior volume de chuvas na região Sul do Centro-Sul pode ser positivo para o desenvolvimento de 2027/28, apesar de ainda ser muito cedo para afirmar qualquer tendência”.

    Índia e Tailândia na mira

    Enquanto o Brasil tende a enfrentar efeitos mais limitados, a atenção dos participantes do mercado se concentra em importantes produtores do Hemisfério Norte.

    Índia e Tailândia figuram entre os países historicamente mais vulneráveis às condições climáticas associadas ao El Niño. Nesses locais, a redução das chuvas e o aumento das temperaturas podem elevar o risco de estresse hídrico nos canaviais.

    Como consequência, tanto a produtividade quanto a disponibilidade de matéria-prima para a fabricação de açúcar podem ser afetadas na safra 2026/27, cujo ciclo tem início em outubro de 2026.

    Dependência global do Brasil pode crescer

    Apesar do atual cenário de oferta global mais confortável, o mercado já começa a precificar os possíveis efeitos do fenômeno climático sobre as próximas temporadas.

    Historicamente, episódios de El Niño alteram os padrões de precipitação em diversas regiões produtoras de cana-de-açúcar, influenciando diretamente os índices de produtividade agrícola. Por isso, a intensidade e a duração do evento permanecem entre os principais fatores observados pelos agentes do setor.

    Se o fenômeno se intensificar ao longo da segunda metade de 2026 e avançar por 2027, o papel do Brasil poderá ganhar ainda mais relevância para o equilíbrio da oferta mundial.