Tag: Cacau

  • Cacau surge como nova aposta agrícola de Minas Gerais, revela levantamento inédito

    Cacau surge como nova aposta agrícola de Minas Gerais, revela levantamento inédito

    Com uma área plantada de 480 hectares e produção estimada em 161 toneladas, a cultura do cacau ganha espaço no território mineiro, com forte concentração na região Norte do estado. É o que aponta o primeiro levantamento realizado neste ano pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG).

    A Emater-MG incluiu o cacau em seu estudo de safra anual após demandas de suas equipes no interior, que identificaram um número crescente de produtores iniciando o plantio. A empresa monitora mais de 40 frutas, mas ainda não tinha o cacau em seu acompanhamento oficial.

    “O levantamento nos ajuda na formulação de políticas públicas e a identificar a localização da produção para possíveis compradores”, explica o coordenador técnico de Fruticultura da Emater-MG, Deny Sanábio. Ele ressalta que os números atuais, 480 hectares e 161 toneladas, ainda podem crescer, pois novas áreas de plantio continuam sendo identificadas pelos técnicos.

    O Norte de Minas consolida-se como o coração da cacauicultura no estado. O município de Jaíba lidera o cultivo, com 256 hectares plantados, respondendo sozinho por 53,3% da área estadual. Na sequência, aparecem Janaúba (120 hectares), Bandeira (64 hectares) e Matias Cardoso (25 hectares).

    Clima do Norte de Minas e irrigação são chave para o cultivo

    Deny Sanábio detalha que o cacaueiro se desenvolve bem em regiões de alta temperatura e baixa umidade, desde que haja irrigação. Muitos produtores da região iniciam o plantio consorciado com bananais, que já contam com a infraestrutura de irrigação.

    “O cacau não tolera ventos fortes nem frio. Já áreas com umidade muito alta favorecem doenças como a vassoura-de-bruxa. As áreas irrigadas do Norte de Minas são, portanto, muito propícias”, afirma o coordenador. Ele faz um alerta: a cultura exige investimento e conhecimento técnico, e a oferta de mudas no mercado ainda é reduzida, exigindo planejamento de longo prazo do produtor.

    Empresa aposta no cacau e projeta futuro promissor para a região

    Em Janaúba, a Rimo Agroindustrial Ltda. investiu forte e já cultiva cacau em mais de 100 hectares. A estratégia da empresa é substituir gradualmente seus bananais pela nova cultura.

    “Com as mudanças climáticas, deixamos de ser uma área exclusiva no cultivo de banana. O cacau, por ser uma commodity, não sofre a mesma guerra de preços. Você pode armazenar e o mercado é totalmente diferente”, analisa o gestor da empresa, Geraldo Pereira da Silva.

    Ele já comercializa sua produção para indústrias da Bahia e de Minas Gerais e faz uma projeção ousada: “Acreditamos que num espaço de sete a dez anos, o Norte de Minas terá entre 8 mil e 12 mil hectares de cacau. Seremos um grande polo produtor com qualidade e produtividade”.

  • Brasil inclui cacau entre os melhores do mundo pelo terceiro ano consecutivo

    Brasil inclui cacau entre os melhores do mundo pelo terceiro ano consecutivo

    Pelo terceiro ano consecutivo, o Brasil consolidou espaço entre os 50 melhores produtores de cacau do mundo, segundo o ranking do Cacao of Excellence (CoEx) 2025, principal competição global dedicada à avaliação da qualidade da amêndoa. A lista foi divulgada na noite de 22 de setembro, após a seleção rigorosa entre 191 amostras originárias de 45 países.

    Os três representantes brasileiros classificados são frutos da 6ª edição do Concurso Nacional de Cacau Especial, realizado em 2024, que selecionou nove amostras para a etapa internacional. Destas, três conquistaram vaga entre as melhores amêndoas do planeta e agora disputam medalhas de ouro, prata e bronze no 10º Prêmio Cacao of Excellence, com cerimônia marcada para fevereiro de 2026 em Amsterdã, Holanda.

    O destaque brasileiro inclui um blend de cacau de Itacaré (BA), produzido por Cláudia Sá, vencedora da categoria ‘Mistura’ no concurso nacional.

    Do Pará, classificaram-se um blend de Uruará, cultivado por Gilmar Batista de Souza, e uma amêndoa da variedade Alvorada01 produzida por Leomar Silva Vieira, de Medicilândia, região histórica na produção de cacau amazônico.

    Produtora de cacau na Bahia, Cláudia Sá ficou em primeiro lugar na categoria Mistura do Concurso Nacional de Cacau Especial de 2024, evento que a classificou para a disputa mundial. Foto: Carlos Borges

    Cláudia Sá celebrou o resultado: “Estar entre os 50 melhores do mundo é uma honra e uma grande felicidade. Essa conquista mostra que o Brasil produz cacau de alta qualidade e tem potencial para ser referência global”. O blend premiado é composto principalmente pela variedade PS1319, apelidada pela produtora de ‘Encantada’. Ela ainda reforçou seu sonho de tornar o cacau brasileiro o mais desejado mundialmente, destacando a importância da qualidade aliada à responsabilidade social e ambiental.

    Posição do país no mercado internacional

    Para Adriana Reis, gerente de qualidade do Centro de Inovação do Cacau (CIC) e especialista em análise sensorial, a presença brasileira no CoEx fortalece a posição do país no mercado internacional. “O CoEx reconhece a diversidade, dedicação e excelência que transformam o cacau em uma joia rara,” afirmou. “É uma vitrine global para produtores que dominam todas as etapas, do cultivo ao beneficiamento, entregando amêndoas de altíssima qualidade.”

    O Concurso Nacional de Cacau Especial, maior certame de qualidade do país, chega em 2025 à sua 7ª edição, reunindo 108 amostras de cinco estados (Alagoas, Bahia, Espírito Santo, Pará e Rondônia). A disputa oferece R$ 100 mil em prêmios e distribui reconhecimentos nas categorias Mistura/Blend e Varietal. Os vencedores serão anunciados em 6 de dezembro, em Cacoal (RO), após avaliações criteriosas que incluem sustentabilidade da produção, análises físico-químicas, testes sensoriais e transformações em chocolate para prova de paladar por júri especializado.

    O evento é promovido pelo CIC em parceria com a Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC), Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab) e, este ano, conta com apoio do Governo de Rondônia.

  • Primavera transforma o cenário agrícola nacional de norte a sul

    Primavera transforma o cenário agrícola nacional de norte a sul

    A chegada da primavera 2025, iniciada nesta segunda-feira (22) às 15h19, marca um divisor de águas para a agricultura brasileira. Conhecida como a estação das flores, a primavera marca transição entre o inverno seco e o verão chuvoso no Brasil, trazendo oportunidades e desafios únicos para diferentes regiões produtoras do país.

    No Espírito Santo, a transição promete ser especialmente significativa. Após um inverno caracterizado por tempo seco e temperaturas amenas, a Coordenação de Meteorologia do Incaper projeta cenário otimista com aumento gradual das temperaturas e retomada das chuvas, principalmente a partir de outubro.

    “Este é o momento de os agricultores se prepararem para essa estação. Independentemente do volume de chuvas, é essencial revisar equipamentos, planejar o uso eficiente da água e adotar boas práticas de manejo”, destaca o secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli.

    A cafeicultura arábica capixaba, cultivada em regiões de altitude, enfrenta momento crucial. A irregularidade das chuvas no início da primavera pode comprometer a uniformidade da florada – fator determinante para a produtividade futura. Produtores devem intensificar práticas que reduzam impactos de períodos curtos de estiagem.

    No cultivo do conilon, predominante no Norte e áreas de baixada no Sul do estado, a irrigação eficiente torna-se essencial. Com temperaturas mais altas previstas, o manejo hídrico adequado garantirá boa frutificação e evitará perdas significativas.

    Culturas tropicais demandam atenção redobrada

    O mamão, cultivado principalmente no Norte capixaba, pode enfrentar maior susceptibilidade à antracnose e mosca-das-frutas com o aumento da umidade. A pimenta-do-reino está mais vulnerável à fusariose, demandando manejo fitossanitário rigoroso. O cacau requer atenção especial contra a vassoura-de-bruxa, enquanto a banana necessita monitoramento constante contra sigatoka-negra e nematoides.

    Para a pecuária de corte e leite, a primavera apresenta cenário duplo. Enquanto as condições favorecem o crescimento das pastagens, melhorando a oferta de alimento, o calor acima da média pode gerar estresse térmico nos animais, reduzindo produtividade leiteira e comprometendo ganho de peso.

    O Incaper recomenda reforçar acesso dos animais à água de qualidade, disponibilizar áreas de sombra e adotar suplementação mineral adequada.

    Rio Grande do Sul: normalidade com variações sazonais

    No Rio Grande do Sul, a primavera 2025 tende a seguir padrão próximo da normalidade, segundo Flávio Varone, coordenador do Simagro-RS. “A primavera vai começar com condição bem típica da estação, com passagem de sistemas meteorológicos que provocam chuva regular e grande amplitude térmica”, explica.

    A previsão indica outubro úmido, com chuvas dentro ou acima da média na metade Norte do estado, seguido por novembro mais seco. As temperaturas devem apresentar grande amplitude térmica no início, com noites frias e tardes quentes, evoluindo para temperaturas mais elevadas em novembro e dezembro.

    Norte do Brasil: protagonismo na bioeconomia nacional

    A região Norte, responsável por significativa parcela da produção agrícola nacional, enfrenta cenários específicos durante a primavera. A primavera 2024 traz temperaturas acima da média e secas intensas, especialmente nas regiões Norte e Centro-Oeste, demandando estratégias adaptadas para cultivos regionais.

    O Estado comemora, por exemplo, a liderança na produção de açaí e dendê, respondendo por 90% do volume nacional. O Pará mantém posição de destaque, com 95% da produção do açaí se concentra no estado do Pará. A primavera representa período crucial para a safra, exigindo monitoramento constante das condições hídricas.

    A produção de 100% da área nacional de guaraná, 75% de açaí, 24% de cacau e 56% do dendê estão dentro do Bioma amazônico. R$ 24,4 bilhões (20,5%) foram gerados pela produção de açaí, mandioca, café, cacau, banana, cana, dendê, abacaxi, arroz, feijão e outros produtos da região, segundo estudos da Fundação Getúlio Vargas.

    Desafios climáticos regionais

    No entanto, em áreas do Matopiba, a expectativa de precipitação abaixo da média eleva o risco de dificuldades para a implantação da soja, conforme previsões do Inmet. A região Norte deve enfrentar chuvas irregulares e abaixo da média, dificultando o abastecimento hídrico e pressionando setores como agricultura e geração de energia.

    O Inmet afirma que o período é de “transição entre as estações seca e chuvosa no setor central do Brasil”, marcado pela convergência de umidade vinda da Amazônia. A ausência de influência significativa dos fenômenos El Niño ou La Niña mantém cenário de neutralidade climática, mas com variações regionais importantes.

    Temperaturas e precipitações previstas

    No Espírito Santo, as temperaturas máximas médias devem variar entre 24°C e 26°C na Região Serrana e entre 28°C e 30°C nas demais regiões. As mínimas ficam entre 15°C e 16°C na Serrana e cerca de 19°C nas outras áreas. O volume de precipitação deve ultrapassar 400mm no Caparaó, Grande Vitória e leste da Região Serrana.

    Hugo Ramos, coordenador de Meteorologia do Incaper, enfatiza: “O produtor rural deve adotar estratégias de manejo hídrico eficiente, intensificar o monitoramento fitossanitário e investir em práticas de bem-estar animal”.

    A primavera 2025 exige planejamento estratégico, aproveitando oportunidades de crescimento das lavouras e recuperação de pastagens, enquanto minimiza riscos de doenças, pragas e estresse térmico.

  • Café sobe em NY com clima adverso no Brasil

    Café sobe em NY com clima adverso no Brasil

    O café avançou quase 3% nesta sexta-feira (12/9) na bolsa de Nova York. O movimento refletiu preocupações climáticas no Brasil e a valorização do real.

    Os contratos para dezembro subiram 2,78%, fechando a US$ 3,9685 por libra-peso. O arábica atingiu o maior nível em quatro meses. A alta foi impulsionada pela falta de chuvas nas regiões produtoras, às vésperas da floração dos cafezais.

    Algodão estável em Nova York

    O algodão registrou variação leve no mercado internacional. Os contratos para dezembro subiram 0,16%, a 66,83 centavos de dólar por libra-peso.

    O USDA elevou em 0,1% a projeção da safra americana, estimada agora em 2,88 milhões de toneladas no ciclo 2025/26. As exportações ficaram em 2,61 milhões de toneladas. No cenário global, a previsão de colheita cresceu 0,9%, para 25,62 milhões de toneladas.

    Suco de laranja recupera parte das perdas

    Após queda de quase 5% na véspera, o suco de laranja voltou a subir. Os contratos para novembro avançaram 1,67%, fechando a US$ 2,4635 por libra-peso.

    Açúcar registra leve valorização

    O açúcar demerara também encerrou em alta. Os contratos para março de 2026 subiram 0,12%, cotados a 16,52 centavos de dólar por libra-peso.

    Cacau mantém volatilidade

    O cacau seguiu com forte oscilação em Nova York. Os contratos para dezembro recuaram 1,43%, para US$ 7.420 a tonelada.

  • Cooperativa de Tomé-Açu impulsiona agrofloresta sustentável

    Cooperativa de Tomé-Açu impulsiona agrofloresta sustentável

    O cooperativismo na Amazônia assume múltiplas faces e mostra que há caminhos possíveis para conciliar produção agrícola, inclusão social e preservação ambiental. Enquanto na comunidade de Anã, em Santarém, o turismo ecológico fortalece famílias ribeirinhas e protege o ecossistema; em Tomé-Açu, no nordeste do Pará, agricultores encontraram na agrofloresta a resposta para frear a degradação causada pela expansão da pecuária e da soja. Neste município, a Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu (CAMTA) se tornou símbolo de inovação, tradição e desenvolvimento sustentável — um modelo replicável para toda a Amazônia.

    Quase um século de cooperação

    Fundada em 1929 por imigrantes japoneses, a cooperativa nasceu em meio ao desafio de adaptar cultivos tropicais ao clima e ao solo amazônicos. Com o tempo, consolidou-se como protagonista na difusão de técnicas agrícolas e na criação de alternativas sustentáveis para crises enfrentadas pela região. Hoje, reúne mais de 600 famílias cooperadas e alcança um faturamento anual superior a R$ 124 milhões.

    Alberto Oppata, Presidente da CAMTA – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Seu parque agroindustrial permite beneficiamento e exportação de cacau, açaí, pimenta-do-reino, cupuaçu, maracujá e outras frutas tropicais. Os produtos chegam a mercados como da Europa, Ásia e América do Norte. Cada um leva consigo não apenas qualidade e rastreabilidade, mas também a marca de uma agricultura que respeita o meio ambiente e valoriza a diversidade cultural local.

    “Estamos celebrando também os 96 anos da imigração japonesa, que trouxe conhecimento agrícola e visão de comunidade para esta região”, recorda o presidente da cooperativa, Alberto Oppata. Para ele, o segredo da longevidade está na resiliência: depois da praga que dizimou a pimenta-do-reino nos anos 1960, os produtores aprenderam que diversificação e inovação eram o único caminho.

    Agrofloresta como alternativa de futuro

    O grande diferencial da cooperativa está na difusão dos Sistemas Agroflorestais (SAFs), em que culturas agrícolas se misturam com espécies nativas da floresta. Essa integração recupera áreas degradadas, melhora o microclima, protege a biodiversidade e garante renda contínua ao agricultor.

    Ernesto Suzuki, Cooperado CAMTA/ CEO Casa Suzuki – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Um exemplo emblemático é o SAF dendê, conduzido pelo cooperado Ernesto Suzuki. Desde 2008, em parceria com a Natura, a Embrapa e instituições de pesquisa, ele testa técnicas de cultivo sustentável da palmeira, combinada a espécies como cacau, açaí e andiroba. O resultado é produção sem queimadas, com adubação orgânica e baixo custo de manutenção. “Hoje, conseguimos produzir dendê, cacau, açaí e andiroba juntos, mantendo equilíbrio ecológico e garantindo receita desde o primeiro ano”, explica Suzuki.

    Além da produção agrícola, Suzuki criou a Casa Suzuki em 2023, espaço dedicado à valorização da biodiversidade. Lá, cacau é transformado em chocolates finos, pesquisas com cogumelos avançam em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e turistas vivenciam experiências únicas, como o banho de floresta.

    Histórias que preservam a memória e a floresta

    A diversidade também marca a trajetória da família Mineshita, que há mais de três décadas aposta no sistema consorciado como forma de enfrentar pragas e garantir renda estável. Em 20 hectares, sendo 15 cultivados, o engenheiro agrônomo Armando Tamotsu Mineshita produz cacau, açaí, cupuaçu, banana, pitaya, rambutan e mangostão.

    Armando Mineshita, agricultor e cooperado CAMTA – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    O modelo adotado cria um microclima que mantém a umidade, reduz o uso de adubos químicos e proporciona conforto até na hora da colheita. “Trabalhar no sol é difícil, mas aqui, pela manhã ou à tarde, a temperatura é sempre agradável”, comenta o agricultor. A produção atual chega a 10 toneladas de cacau, 7 de açaí e 7 de cupuaçu por ano.

    Para Mineshita, a grande lição é que a diversificação gera riqueza. “Aqui, aprendemos que é possível produzir em grande escala e, ao mesmo tempo, cuidar da floresta. A diversidade protege e fortalece a produção.”

    Inovação, inclusão e bioeconomia

    A Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu não é apenas uma associação de produtores. É também espaço de pesquisa, formação técnica e valorização social. A organização promove cursos de capacitação, mantém parcerias com universidades e empresas privadas e incentiva a participação feminina na gestão, com um comitê voltado para mulheres cooperadas.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Com esse trabalho, a cooperativa se tornou exemplo da bioeconomia amazônica, em que biodiversidade e conhecimento científico se transformam em geração de renda e oportunidades. Reconhecida nacional e internacionalmente, a experiência de Tomé-Açu é estudada por universidades e organismos multilaterais como modelo de agricultura tropical sustentável.

    Símbolo da Amazônia que dá certo

    As histórias de Oppata, Suzuki e Mineshita mostram que o futuro da Amazônia pode ser construído com base em tradição, ciência e cooperação. Mais que produzir alimentos, a cooperativa e seus associados criam uma narrativa de resistência e esperança: a de que é possível conciliar floresta em pé, qualidade de vida no campo e desenvolvimento econômico.

    Com quase um século de história, a Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu permanece como símbolo vivo de que a agricultura amazônica não precisa repetir o modelo predatório. Ao contrário: pode ser inspiração para o Brasil e para o mundo.

  • Brasil aproveita crise mundial do cacau para retomar liderança

    Brasil aproveita crise mundial do cacau para retomar liderança

    A crise mundial na produção de cacau está criando uma oportunidade histórica para o Brasil retomar sua posição de destaque no mercado internacional. Enquanto os principais produtores mundiais enfrentam problemas estruturais, estados como o Ceará apostam em tecnologias inovadoras para revolucionar o cultivo da cultura no país.

    A Páscoa de 2025 registrou os preços mais altos do chocolate dos últimos anos. Segundo a Organização Internacional do Cacau (ICCO), os valores aumentaram 66% em Londres entre outubro e dezembro de 2024, saltando de US$ 6.896 para US$ 11.441 por tonelada. Em Nova York, o crescimento foi similar, atingindo 64% no mesmo período.

    Costa do Marfim e Gana, responsáveis pela maior parte da oferta mundial, enfrentam uma combinação de fatores críticos:

    • Eventos climáticos extremos
    • Aumento das infestações do vírus CSSV (Cacao Swollen Shoot Virus)
    • Lavouras envelhecidas com baixa produtividade

    Oportunidade histórica para o Brasil

    “Com essa quebra de produção no mundo, o Brasil tem a chance de suprir essa demanda”, explica Adolfo Moura, engenheiro agrônomo especialista em pesquisas de cacau há mais de 10 anos. Para ele, o cultivo nacional precisa expandir áreas plantadas para primeiro atender a demanda interna e depois pensar em exportação.

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    O país tem experiência no setor. Entre as décadas de 1930 e 1980, o cacau brasileiro foi símbolo de riqueza, especialmente na Bahia. Porém, a chegada da doença Vassoura-de-bruxa em 1989 devastou a produção, reduzindo-a de 400 mil para 123 mil toneladas anuais em menos de uma década.

    Irrigação por gotejamento: a revolução tecnológica

    A irrigação localizada emerge como protagonista da retomada cacaueira brasileira. A técnica permite aplicação precisa de água e nutrientes, com eficiência superior a 90% e aumento de produtividade de até 150% comparado a sistemas não irrigados.

    Carlos Barh, engenheiro agrônomo da Rivulis com mais de 50 anos de experiência, destaca: “O cacau nasceu para ser irrigado por gotejamento, pois a técnica não aumenta umidade, evitando o desenvolvimento de fungos.”

    Em áreas irrigadas com manejo intensivo, é possível atingir produtividades acima de 2.000 kg/ha/ano – quase quatro vezes a média de países africanos.

    Ceará: o novo eldorado do cacau

    O cacau cearense já é realidade. Desde 2010, um projeto de cooperação entre Associação Univale, Frutacor, CEPLAC e Embrapa, liderado pelo engenheiro Diógenes Henrique Abrantes Sarmento, revoluciona o cultivo no Vale do Jaguaribe.

    Foto: Divulgação Rivulis

    “Testamos várias culturas na região. Após anos de estudos, o cacau foi o que melhor se adaptou”, conta Sarmento. A primeira área de quatro hectares consolidada em 2010 utilizou 12 clones, com destaque para as variedades CCN51 e PS319, que atingem produção de 2,5 a 3 toneladas por hectare.

    Para resolver desafios logísticos, os produtores cearenses verticalizaram a produção. Em 2018, foi fundada a Cacau do Ceará, primeira indústria a usar matéria-prima exclusiva de produtores locais em Limoeiro do Norte.

    O projeto evoluiu para consórcio com outras culturas como coco e banana, maximizando a renda por área. Atualmente, mais de 300 hectares de produtores cearenses apostam no cultivo, com meta de atingir 400 hectares até janeiro.

    Potencial econômico e expansão

    O retorno financeiro do cacau é atrativo. Com bom manejo, produtores conseguem atingir 3 mil kg de amêndoa por hectare. Considerando o preço atual de R$ 50 por kg, a renda bruta chega a R$ 150 mil por hectare, com custeio de cerca de R$ 22 mil.

    A cultura apresenta vantagens competitivas:

    • Baixa demanda de mão de obra
    • Adaptação a épocas quentes
    • Facilidade de consórcio com outras culturas
    • Viabilidade para todos os portes de produtores

    Para expandir a produção cacaueira brasileira, o setor busca:

    • Parcerias público-privadas para pesquisas
    • Financiamentos e linhas de crédito específicas
    • Capacitação técnica especializada
    • Ampliação de viveiristas para produção de mudas

    Com qualidade comprovada dos clones atuais, o cultivo de cacau tem potencial para expansão por todo o Ceará, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste, posicionando o Brasil novamente como protagonista mundial no setor.

    A crise mundial do cacau representa uma janela de oportunidade única para o agronegócio brasileiro. Com tecnologia, manejo adequado e investimentos estruturantes, o país pode reconquistar sua posição histórica no mercado internacional da cultura.

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  • Cacau – tarifaço ameaça exportações com prejuízo de R$ 190 milhões

    Cacau – tarifaço ameaça exportações com prejuízo de R$ 190 milhões

    O recente tarifaço comercial imposto pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos importados do Brasil coloca em grave risco o setor brasileiro de cacau, que ficou fora da lista de exceções anunciada pela Casa Branca. A sobretaxa de 50%, que combina uma taxa adicional de 40% com uma anterior de 10%, ameaça inviabilizar as exportações brasileiras de derivados do cacau para o mercado americano, segundo avaliação da Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC).

    Estima-se que, apenas em 2025, as perdas possam alcançar US$ 36 milhões (aproximadamente R$ 190 milhões na cotação atual). A taxa impacta diretamente itens como manteiga de cacau, pasta, pó e amêndoas in natura, sendo que os Estados Unidos respondem por cerca de 18% das exportações brasileiras do setor. Em 2024, as vendas para os EUA somaram US$ 72,7 milhões e só no primeiro semestre deste ano ultrapassaram US$ 64,8 milhões.

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    A AIPC alerta que a tarifa elevada tornará os produtos brasileiros proibitivos no mercado americano, levando os importadores a buscarem fornecedores alternativos. Isso deve refletir em uma redução de quase 10% na moagem nacional do cacau, aumento da ociosidade da indústria para até 37% e comprometimento de aproximadamente 70 mil empregos diretos e indiretos, especialmente nas regiões produtoras da Bahia, Pará e São Paulo.

    Até o momento, empresários do setor mantêm negociações com autoridades brasileiras para pressionar por uma negociação que inclua o cacau na lista de exceções, buscando minimizar os danos. O governo dos EUA já sinalizou para a possibilidade de criar uma lista de isenções para produtos agrícolas que não são produzidos em grande escala no país, como café, manga e cacau, fato que poderia representar um alívio para o agronegócio brasileiro.

    Impactos

    Porém, enquanto a definição desta lista é aguardada, a indústria nacional enfrenta o impacto severo da sobretaxa, que compromete a competitividade das exportações e ameaça o desenvolvimento sustentável da cadeia produtiva do cacau. O cenário também traz consequências para os pequenos agricultores familiares, que formam a base da produção e podem sofrer com a redução dos preços pagos e desestímulo ao cultivo.

    Em meio a este contexto, o setor brasileiro de cacau busca apoio junto ao governo federal para fortalecer a diplomacia e negociar a reversão da tarifação, preservando a estabilidade econômica e os postos de trabalho que dependem dessa importante atividade agroindustrial.

    Este tarifaço de 50% entrou em vigor em 6 de agosto de 2025, impactando cerca de 36% da pauta exportadora brasileira para os Estados Unidos, enquanto produtos como suco de laranja, petróleo, aeronaves e celulose foram incluídos em uma lista de exceções à sobretaxa.

    A continuidade das negociações e a possível inclusão do cacau na lista de exceções são acompanhadas com expectativa pelo setor, que visa garantir a manutenção das exportações para o mercado americano e a sustentabilidade da cadeia produtiva nacional.

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  • Câmara dos Deputados aprova medidas de incentivo ao setor cacaueiro brasileiro

    Câmara dos Deputados aprova medidas de incentivo ao setor cacaueiro brasileiro

    A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que estabelece novas medidas de incentivo ao setor cacaueiro nacional. O texto prevê investimentos em pesquisa, aprimoramento da cadeia produtiva e estímulo ao consumo de chocolate. Inclusive na merenda escolar, visando fortalecer a produção e ampliar o consumo interno do cacau brasileiro.

    Entre as estratégias propostas estão:

    • Criação de um fundo nacional dedicado à pesquisa, extensão agrícola e promoção do cacau.
    • Estabelecimento de uma linha de crédito pública para apoiar produtores de cacau.
    • Novas atribuições para a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), incluindo a elaboração de um planejamento estratégico quinquenal para o setor.

    O projeto altera a Lei 13.710/18, que instituiu a Política Nacional de Incentivo à Produção de Cacau de Qualidade, e busca fortalecer a Ceplac, órgão vinculado ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, reconhecendo sua importância para a assistência técnica e desenvolvimento do setor.

    Cenário atual da produção de cacau no Brasil

    O Brasil ocupa atualmente a quinta posição entre os maiores produtores mundiais de cacau, com produção estimada em 300 mil toneladas em 2025, segundo o IBGE, um aumento de 4% em relação ao ano anterior. A meta do setor é atingir 400 mil toneladas até 2030, impulsionada por investimentos em tecnologia, manejo e expansão de áreas cultivadas. Os estados do Pará e da Bahia concentram a maior parte da produção nacional, sendo responsáveis por mais de 80% do total.

    O setor também conta com iniciativas privadas e fundos de investimento, como o fundo Kawá, que pretende levantar R$ 1 bilhão até 2030 para beneficiar pequenos produtores, principalmente na Bahia e no Pará, promovendo agricultura familiar e regenerativa.

    Tramitação e próximos passos

    O projeto de lei, relatado pelo deputado Albuquerque (Republicanos-RR), segue agora para análise conclusiva da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). Se aprovado, será encaminhado ao Senado e, posteriormente, para sanção presidencial.

    Segundo Albuquerque, a aprovação sem alterações é fundamental para evitar atrasos na reestruturação da assistência técnica ao setor. Especialmente na Ceplac, que enfrenta desafios de orçamento e estrutura nos últimos anos.

    Com a aprovação das novas medidas, o setor cacaueiro brasileiro espera recuperar protagonismo no cenário global, impulsionando a geração de emprego e renda, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. A valorização do preço internacional do cacau e a busca por práticas sustentáveis também contribuem para o otimismo dos produtores e investidores.

    O fortalecimento da Ceplac e o acesso facilitado a crédito e tecnologia são considerados essenciais para que o Brasil avance em produtividade e qualidade. E consolide sua posição entre os maiores produtores e exportadores de cacau do mundo.

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  • Mercado global de cacau enfrenta volatilidade

    Mercado global de cacau enfrenta volatilidade

    O mercado internacional de cacau permanece sob forte volatilidade em 2025. Os preços da commodity atingiram patamares historicamente altos devido à quebra de safra nos principais países produtores da África Ocidental, região responsável por quase 70% da produção mundial. A escassez de oferta e as incertezas climáticas têm elevado o risco de um novo déficit no balanço global. E podem configurar o quarto ano consecutivo de saldo negativo.

    A safra 2024/25 na Costa do Marfim e em Gana, líderes globais na produção de cacau, foi impactada por condições climáticas adversas, resultando na menor oferta dos últimos oito anos. Estimativas apontam que a produção marfinense deve ficar entre 1,75 e 1,80 milhão de toneladas, patamar semelhante ao ciclo anterior e bem abaixo dos recordes históricos. O clima seco e as chuvas insuficientes limitaram o desenvolvimento das lavouras, frustrando expectativas de recuperação para a safra intermediária de 2025.

    Com a oferta restrita, os preços futuros do cacau dispararam. Ele chegou a  superar US$ 11 mil por tonelada em 2024 e permanecendo acima de US$ 8 mil em 2025, um aumento de 180% em dois anos. Apesar de uma leve queda recente, as cotações seguem significativamente acima da média histórica, pressionando a indústria global de chocolates e derivados.

    Novos players ganham espaço, mas não compensam queda africana

    A alta nos preços tem estimulado o crescimento da produção em países como Equador, Indonésia e Nigéria, que apresentam exportações mais robustas em 2025. No entanto, o avanço desses mercados ainda não é suficiente para suprir a lacuna deixada pela queda africana, mantendo o cenário global de oferta apertada.

    Outro fator de instabilidade é o ritmo mais lento das vendas antecipadas da safra 2025/26 por parte das entidades estatais de comercialização da Costa do Marfim e Gana, fundamentais para a definição de preços ao produtor e para sinalizar expectativas de produção. O atraso nas negociações reforça a percepção de risco sobre a próxima colheita.

    Apesar de alguns indicadores climáticos apontarem chuvas próximas à normalidade para o início da nova safra, analistas recomendam cautela. Caso o clima favorável se mantenha e os preços elevados incentivem investimentos em manejo, há potencial para recuperação. Mas ainda é cedo para prever uma reversão do quadro atual.

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  • Altamira: conheça a maior cidade do Brasil

    Altamira: conheça a maior cidade do Brasil

    Altamira, localizada no sudoeste do Pará, é um fenômeno geográfico e social que impressiona tanto pelo tamanho quanto pelas peculiaridades. Com uma área de mais de 159 mil km², o município é o maior do Brasil e da América Latina em extensão territorial, superando países inteiros como Portugal, Coreia do Sul, Grécia, Suíça, Hungria, Islândia e Áustria. Para efeito de comparação, Altamira é maior do que dez estados brasileiros e o Distrito Federal juntos. Além disso, é maior que os estados americanos da Flórida e do Missouri.

    Apesar da imensidão territorial, Altamira abriga uma população relativamente pequena: eram cerca de 126 mil habitantes em 2022, segundo o IBGE. Isso significa uma das menores densidades populacionais do país, com vastas áreas de florestas primárias, reservas ambientais e terras indígenas ainda preservadas.

     

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    O gigantismo do município traz desafios únicos. Um dos seus distritos, Castelo dos Sonhos, está a aproximadamente 1.000 km de distância da sede municipal, uma distância maior do que muitos trajetos interestaduais brasileiros.

    Foto: Secom Altamira

    Em Altamira, é comum que bairros e comunidades estejam localizados a dezenas ou até centenas de quilômetros do centro urbano. Assim, isso torna a administração pública e o acesso a serviços básicos um verdadeiro desafio logístico.

    Comparações

    • Extensão territorial: Altamira ocupa cerca de 12,8% do território do Pará, 1,8% do Brasil e 0,8% de toda a América do Sul.
    • Comparação internacional: a área do município supera a de 104 países, incluindo Portugal, Islândia, Irlanda, Suíça, Hungria, Áustria e Grécia.
    • Divisão administrativa: além do centro urbano, Altamira possui dezenas de bairros e dois distritos principais: Cachoeira da Serra e Castelo de Sonhos. Ambos distantes do centro da cidade.
    • História: fundada oficialmente em 1911, Altamira tem raízes históricas ligadas à extração da borracha e à navegação pelo rio Xingu, que corta a cidade e é um dos principais afluentes do Amazonas.
    • Desafios sociais e ambientais: O município enfrenta problemas estruturais crônicos, como falta de infraestrutura, conflitos fundiários, desmatamento e dificuldades no acesso à saúde e educação.

    Até 2009, Altamira era considerada o maior município do mundo em extensão territorial. Atualmente, ocupa a terceira posição, atrás de Qaasuitsup e Sermersooq, ambos na Groenlândia. Mesmo assim, Altamira permanece como o maior município do Brasil e um dos maiores do planeta, sendo uma verdadeira “cidade-país” dentro do território nacional.

    Foto: Secom Altamira

    O agronegócio em Altamira

    Altamira, no Pará, é um importante município agropecuário, com uma produção diversificada e um forte destaque para o cacau. A região é responsável por cerca de 6.000 toneladas anuais desse produto, contribuindo significativamente para o mercado nacional. A área de Altamira e seus municípios vizinhos, como Medicilândia e Uruará, responde por 55% da produção brasileira de cacau. A qualidade do cacau local é tão reconhecida que já ganhou prêmios internacionais, como no Salão do Chocolate de Paris.

    Além do cacau, Altamira também investe na produção de chocolate e derivados, com fábricas locais e iniciativas como a Rota do Cacau ao Chocolate, que atrai turistas e fortalece a economia. Empresas como a Abelha Cacau já foram premiadas por seus chocolates artesanais, mostrando o potencial de verticalização da produção.

    Na agricultura familiar, destaca-se o cultivo de mandioca, com produtores que trabalham em larga escala e contam com apoio da prefeitura para industrialização, como na produção de farinha. Além disso, há um crescimento na produção de hortaliças orgânicas, como abobrinha, rúcula e couve, cultivadas sem agrotóxicos por agricultores que utilizam técnicas sustentáveis.

    Embora não seja o principal produto, soja e milho têm avançado na região, especialmente com a chegada de produtores do Sul do Brasil que arrendam terras para cultivo em grande escala. Essa expansão levou até mesmo a grandes distribuidoras de insumos, como a Agro Amazônia, a abrir filiais em Altamira.

    Pecuária

    A pecuária também tem peso relevante, com um rebanho bovino estimado em 2,1 milhões de cabeças, e algumas propriedades adotam sistemas de integração lavoura-pecuária para otimizar o uso da terra. Outras culturas, como bananeiras (usadas para sombreamento em plantações de cacau) e açaí, também fazem parte da produção local, embora em menor escala.

    A cidade ainda aproveita seu potencial agroindustrial para impulsionar o turismo, como no Festival de Chocolate e Cacau, que em 2023 movimentou R$ 5 milhões e atraiu 150 mil visitantes. No entanto, a região enfrenta desafios, como o uso excessivo de agrotóxicos em algumas lavouras e a preocupação com a expansão da soja, que pode trazer impactos ambientais e fundiários.

    Altamira é um exemplo extremo das contradições brasileiras. Um território colossal, com riquezas naturais e culturais, mas que ainda enfrenta grandes desafios sociais e de infraestrutura. Um município que, literalmente, faz fronteira com o impossível, abrigando bairros a centenas de quilômetros de distância e uma população que convive diariamente com a grandiosidade da Amazônia.

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