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  • Mapeamento inédito revela geografia do cacau na Amazônia

    Mapeamento inédito revela geografia do cacau na Amazônia

    Um novo estudo técnico mapeou 121 mil hectares de cacau plantados nos estados do Pará e Rondônia. E traçou pela primeira vez um retrato detalhado da produção cacaueira na Amazônia brasileira. O levantamento multitemporal combina sensoriamento remoto, imagens de radar, inteligência computacional e auditoria em campo para qualificar a expansão da cultura sob a ótica da sustentabilidade, da restauração ambiental e da rastreabilidade exigida pelos mercados internacionais.

    Cacau em área de sistemas agroflorestais (SAF). Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

    A equipe responsável atualizou os dados do Pará para 2024, já que o último levantamento datava de 2022. Em Rondônia, o estudo estabeleceu a primeira linha de base territorial da cacauicultura estadual. Pesquisadores cruzaram as informações geográficas do cacau com as bases do TerraClass e do Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). E concluíram que o avanço do cacaueiro não derruba floresta nativa: ele ocupa principalmente pastagens e vegetação secundária já alteradas no passado.

    Pesquisadores apresentam resultados na ExpoCacau 2026

    A equipe apresentará os resultados completos em 26 de agosto, durante a ExpoCacau 2026, em Ilhéus (BA). O evento reúne mais de 6 mil participantes e cerca de 60 expositores entre produtores, técnicos, especialistas, empresas e organizações da cadeia do cacau.

    Adriano Venturieri, pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental (PA) e autor principal do trabalho, defende que a cacauicultura ocupa papel estratégico na Amazônia contemporânea. Segundo ele, a cultura gera renda para milhares de famílias rurais e recupera solos alterados, devolvendo produtividade a paisagens antes ocupadas por pastagens degradadas.

    Norte concentra metade da produção nacional de cacau

    Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a região Norte responde por 50% de toda a safra nacional de cacau, com produção regional de aproximadamente 148 mil toneladas em um total de 297 mil toneladas colhidas no país. O Pará lidera a produção nacional com cerca de 137,5 mil toneladas de amêndoas secas, volume que representa 46% do cacau brasileiro e 92% do total produzido na região Norte.

    Rondônia ocupa a segunda posição na região Norte e a quarta no país, com colheita estimada em 8,6 mil toneladas de amêndoas. Embora cultive uma área menor que o Pará, o estado se destaca pela eficiência técnica. Sua produtividade média supera 1.250 kg por hectare, uma das maiores do Brasil.

    Metodologia combina satélites, radar e validação em campo

    Mapear cacaueiros em meio à densa vegetação amazônica representa um desafio para a ciência geoespacial, já que as copas das plantas, especialmente em sistemas sombreados, apresentam semelhança espectral com florestas nativas ou vegetações secundárias.

    infográfico

    Para superar essa barreira, a equipe técnica estruturou uma metodologia híbrida de alta precisão, combinando imagens e dados de múltiplos satélites. Imagens com resolução de 50 centímetros permitiram identificar detalhes de meio metro no terreno, diferenciando o cacau cultivado a pleno sol daquele integrado em Sistemas Agroflorestais (SAFs).

    Para confirmar as informações extraídas das imagens, os pesquisadores realizaram expedições de campo em dez municípios das regiões da Transamazônica e Nordeste Paraense, além de municípios de Rondônia. Venturieri explica que a integração entre imagens de radar, satélites de alta resolução e validação em solo gerou informações georreferenciadas de elevada acurácia.

    Pará registra salto de 33% na área plantada

    O mapeamento de 2024 identificou 116.436 hectares cultivados com cacau no Pará, distribuídos em 61 municípios. Em comparação com a linha de base de 2022, que somava 87.309 hectares, a área cultivada cresceu 33,26%, um incremento líquido de 29.128 hectares em apenas dois anos.

    O estudo, no entanto, alerta para a composição tecnológica desse crescimento. Do total expandido entre 2022 e 2024, os produtores implantaram 63% (18.350 hectares) em sistemas de monocultivo a pleno sol. E apenas 37% (10.777 hectares) em Sistemas Agroflorestais, que consorciam o cacaueiro com espécies florestais e frutíferas.

    Venturieri pondera que ambos os sistemas fortalecem a economia rural, mas a maior expansão do cultivo a pleno sol indica que os produtores têm respondido a estímulos econômicos de curto prazo. Para o pesquisador, esse cenário reforça a necessidade de ampliar incentivos públicos para os Sistemas Agroflorestais, que garantem maior diversificação e serviços ecossistêmicos.

    A agricultura familiar sustenta a cacauicultura paraense. O mapeamento identificou 31.843 áreas produtivas, das quais 84,65% têm até 5 hectares e 74,55% não ultrapassam 50 hectares. Medicilândia lidera a produção municipal com 35.203 hectares, seguida por Uruará (17.024 hectares), Brasil Novo (10.162 hectares) e Altamira (7.301 hectares), todos no eixo da Transamazônica e Oeste do Pará. Tomé-Açu, com 6.981 hectares, se consolida como polo de referência em Sistemas Agroflorestais no nordeste paraense.

    Rondônia surge com vocação natural para agrofloresta

    Rondônia passa a contar, pela primeira vez, com um mapeamento territorial completo de sua cacauicultura. O estudo estabeleceu a linha de base estadual em 5.340 hectares cultivados em 51 municípios.

    Diferentemente do Pará, Rondônia concentra sua produção em Sistemas Agroflorestais. Nas áreas antropizadas mapeadas com cacau no estado,  que somam 5.339,83 hectares, os produtores cultivam 62% (3.310 hectares) em SAFs e 38% (2.029 hectares) a pleno sol.

    Foto: Adriano Venturieri/Embrapa

    A cacauicultura rondoniense também se apoia fortemente na agricultura familiar: o levantamento identificou 38.108 áreas produtivas, e 75% delas ocupam até 5 hectares. Jaru lidera a produção estadual com 832,13 hectares, seguido por Porto Velho (352,87 hectares), Theobroma (305,43 hectares), Ouro Preto do Oeste (297,41 hectares) e Mirante da Serra (260,28 hectares). Juntos, 11 municípios respondem por 62,6% da área cultivada no estado.

    Para Venturieri, Rondônia trilha uma trajetória singular e promissora. O mapeamento mostra que sistemas agroflorestais sob gestão da agricultura familiar sustentam mais de 60% da cacauicultura estadual. O pesquisador considera esse cenário um ativo estratégico para estruturar uma cadeia produtiva orientada por padrões socioambientais desde sua origem.

    Dados reforçam conformidade com regras ambientais internacionais

    Bases de monitoramento ambiental mostram que 96% das áreas cultivadas no Pará e 98% em Rondônia ocupam locais desflorestados antes de 2020. Venturieri destaca que essa informação ganha relevância diante da legislação da União Europeia, já que o cacau é uma commodity sujeita a controles rígidos de origem.

    O Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR) proíbe a importação de commodities provenientes de áreas desmatadas após 31 de dezembro de 2020. O mapeamento identificou que produtores implantaram apenas 3,9% do cacau antropizado no Pará e 2% em Rondônia em áreas desmatadas após 2021, dados que permitem aos exportadores gerenciar riscos e comprovar conformidade socioambiental.

    O levantamento ainda identificou 11.444 hectares no Pará e 148,78 hectares em Rondônia de cacau cultivado sob cobertura de florestas nativas, aproveitadas como sombreamento natural.

    Foto: Adriano Venturieri/Embrapa

    Venturieri conclui que a expansão do cacau na Amazônia não impulsiona novo desmatamento. Ela representa, segundo ele, uma solução concreta para reabilitar terras alteradas e gerar renda. O pesquisador define o mapeamento como instrumento indispensável de rastreabilidade para atender tanto à legislação brasileira quanto às exigências do mercado internacional. Para a Amazônia, ele defende que o desafio estratégico não está apenas em ampliar a área cultivada. Mas em garantir que essa expansão ocorra com qualidade territorial, sustentabilidade e competitividade.

    Vitor Stella, do CocoaAction Brasil, reforça que entender a dinâmica de expansão da cacauicultura na Amazônia ajuda a antecipar o futuro da cadeia produtiva. Segundo ele, conhecer para onde a cultura avança, em quais sistemas produtivos e sob quais condições permite identificar gargalos, orientar políticas públicas e direcionar investimentos e assistência técnica para onde são mais necessários. Stella destaca que o objetivo final é fazer a expansão do cacau acontecer de forma sustentável, com mais produtividade, conservação e geração de renda para o produtor rural.

  • Chocolate vai ficar mais caro? Super El Niño preocupa produtores

    Chocolate vai ficar mais caro? Super El Niño preocupa produtores

    O avanço do El Niño voltou a colocar a produção de cacau no radar de produtores e fabricantes de chocolate. Apesar dos riscos climáticos, representantes do setor avaliam que a expansão do cultivo para novas áreas pode ajudar a reduzir os efeitos de uma eventual quebra de safra sobre a oferta da matéria-prima.

    Para Arcelia Gallardo, fundadora da Mission Chocolate, uma repetição da forte escalada de preços observada anteriormente não é inevitável.

    “No Equador, os produtores plantaram milhares de pés de cacau há quatro anos porque eles estavam entendendo o que iria acontecer. Por causa dos efeitos do clima, agora temos cacau também em São Paulo”, afirma. “Onde antes não tinha cacau, agora tem.”

    A avaliação de Gallardo é que a ampliação das regiões produtoras pode funcionar como um contraponto aos problemas provocados pelo clima. Isso, porém, não elimina os riscos que o El Niño representa para a cultura.

    Alta do cacau já mudou os chocolates

    Filha de agricultores mexicanos e nascida na Califórnia, nos Estados Unidos, Gallardo trabalha com o modelo bean-to-bar, expressão usada para fabricantes que compram os grãos de cacau e controlam sua transformação até a produção das barras.

    Com a forte valorização do cacau registrada no fim de 2024, a Mission Chocolate precisou rever parte de sua estratégia. Segundo Gallardo, algumas fórmulas foram modificadas e determinados produtos passaram a ter versões menores para absorver parte do aumento dos custos.

    Arcelia Gallardo é fundadora da Mission Chocolate (Foto: Divulgação)

    Além disso, outra alternativa foi aumentar a variedade do portfólio.

    “Conseguimos pensar em outros produtos que poderíamos fazer, como confeitos banhados em chocolate, que deram muito certo.”

    Segundo a empresária, essas mudanças ajudaram a evitar que toda a elevação dos custos fosse repassada ao consumidor.

    Caso uma nova onda de valorização da matéria-prima aconteça, a Mission também aposta em cookies e produtos banhados, que demandam uma quantidade menor de chocolate do que as barras tradicionais.

    Nestlé aposta em manejo para diminuir perdas

    Entre as grandes indústrias, uma das estratégias para reduzir a vulnerabilidade da cadeia está no preparo das propriedades rurais.

    A diretora de marketing de chocolates da Nestlé, Paula Munhoz, afirma que a prevenção de perdas passa pela adoção de melhores práticas pelos fornecedores de cacau.

    Entre as medidas mencionadas estão:

    • melhoria da gestão da água;
    • distribuição de mudas com maior potencial produtivo;
    • adoção correta de técnicas de poda;
    • orientação técnica aos produtores.

    Essas ações fazem parte da estratégia da empresa para aumentar a resiliência das propriedades diante de condições climáticas adversas.

    Por meio do Nestlé Cocoa Plan, a companhia mantém uma rede de mais de 6,5 mil fazendas parceiras no Brasil, com iniciativas de assistência técnica, capacitação e adoção de práticas agrícolas mais sustentáveis.

    Com o El Niño no radar, produtores e fabricantes passam a acompanhar não apenas as cotações do cacau, mas também a distribuição das chuvas e o comportamento das lavouras nas principais regiões produtoras.

  • Oscar do Chocolate: Brasil conquista 32 medalhas na competição

    Oscar do Chocolate: Brasil conquista 32 medalhas na competição

    Dez marcas brasileiras foram premiadas na etapa das Américas do International Chocolate Awards, competição internacional dedicada a chocolates artesanais e produtos feitos no modelo bean-to-bar e craft chocolatier.

    Na relação apresentada para a edição, os chocolates brasileiros aparecem com medalhas de ouro, prata e bronze em diferentes categorias, incluindo produtos com ingredientes como cupuaçu, coco, café, queijo Canastra, doce de leite, açaí, castanha-do-pará e castanha de baru.

    A competição reúne produtores da América Latina e do Caribe. Os vencedores das categorias regionais seguem para a etapa mundial do prêmio.

    https://www.instagram.com/p/Db_s2AAJgsK/?igsh=NWVtbzZ3bjB5dWph

    Cacau Dourado conquista os dois ouros

    Entre os produtos brasileiros premiados, a Cacau Dourado, de Minas Gerais, conquistou os dois ouros relacionados ao Brasil na lista apresentada.

    Os vencedores foram o Chocolate 70% Cacau com Cupuaçu, na categoria de barras de chocolate amargo com inclusões ou pedaços, e o Chocolate Branco Caramelo com Coco, na categoria de barras de chocolate branco com inclusões ou pedaços.

    Segundo Marcilia Vitória Martins Araújo, proprietária da marca mineira, a criação do chocolate branco foi inspirada em uma memória familiar.

    A empresária contou que o produto foi desenvolvido para lembrar o sabor do doce de leite preparado pela mãe durante sua infância.

    Chocolate brasileiro valoriza ingredientes nacionais

    A relação de premiados mostra a presença de ingredientes associados à biodiversidade e à produção brasileira.

    Entre os produtos reconhecidos aparecem combinações com cupuaçu, açaí, castanha-do-pará, castanha de baru, milho, banana, maracujá e café.

    A presença desses ingredientes também aproxima a premiação do setor de agronegócio, já que o chocolate depende de uma cadeia que começa na produção do cacau e envolve processamento, indústria e agregação de valor.

    Além disso, o movimento também reforça o espaço ocupado pelo chocolate artesanal e pelo modelo bean-to-bar, no qual o produtor controla diferentes etapas da transformação do cacau até a fabricação do chocolate.

    Veja os sabores premiados

    Medalhas de ouro

    Chocolate 70% Cacau com Cupuaçu
    Marca: Chocolates Cacau Dourado
    Categoria: Barras de chocolate amargo com inclusões ou pedaços

    Chocolate Branco Caramelo com Coco
    Marca: Chocolates Cacau Dourado
    Categoria: Barras de chocolate branco com inclusões ou pedaços

    Medalhas de prata

    Variedade Catongo 80% Chocolate Amargo
    Marca: Chocolates Cacau do Céu
    Categoria: Barra de chocolate amargo simples/de origem

    Chocolate Branco ao Leite Caramelizado
    Marca: DoSemente Cacau
    Categoria: Barras de chocolate branco simples/de origem

    Chocolate Branco 35% Cacau Doce de Leite
    Marca: Chocolates Mendoá
    Categoria: Barras de chocolate branco simples/de origem

    Chocolate amargo intenso com especiarias suaves
    Marca: Chocolates Cacau do Céu
    Categoria: Barras de chocolate amargo com infusão ou aromatizante

    Hojicha Razuberi
    Marca: Velmont
    Categoria: Barras de chocolate amargo com infusão ou aromatizante

    Chocolate ao Leite com Café Blum’s
    Marca: Miroh! Fabricantes de Chocolate
    Categoria: Barras de chocolate ao leite com infusão ou aromatizante

    Chocolate com Queijo Canastra e Doce de Leite
    Marca: Chocolates Cacau do Céu
    Categoria: Barras de chocolate ao leite com inclusões ou pedaços

    Mel & Baru 50% ao Leite
    Marca: Chocolates Mestiço
    Categoria: Barras de chocolate ao leite com inclusões ou pedaços

    Chocolate 33% Milho
    Marca: Jucolatte
    Categoria: Barras de chocolate branco com infusão ou aromatizante

    Banana de Ouro
    Marca: Velmont
    Categoria: Barras de chocolate branco com infusão ou aromatizante

    Chocolate Branco com Maracujá Liofilizado
    Marca: Chocolates Cacau do Céu
    Categoria: Barras de chocolate branco com inclusões ou pedaços

    Dragée Coffee Beans
    Marca: Nugali
    Categoria: Drageias de chocolate amargo, nozes inteiras cobertas

    Bombom de Cupuaçu com Cumaru
    Marca: Miroh! Fabricantes de Chocolate
    Categoria: Pastas de frutas cobertas com chocolate branco, geleias/gelées

    Medalhas de bronze

    Chocolate Amargo 70% Cacau – Cacau em Flor
    Marca: Nugali
    Categoria: Barras de chocolate amargo simples/de origem

    Catongo Varietal Intenso 67%
    Marca: Chocolates Mestiço
    Categoria: Micro-lotes – Barras de chocolate amargo simples/de origem

    Chocolate ao Leite 40% Cacau Do Céu
    Marca: Chocolates Cacau do Céu
    Categoria: Barras de chocolate ao leite simples/de origem

    Chocolate ao Leite 45% Cacau
    Marca: Nugali
    Categoria: Barras de chocolate ao leite simples/de origem

    Chocolate 41% Cacau ao Leite
    Marca: Cacau Dourado Chocolates
    Categoria: Micro-lotes – Barras de chocolate ao leite simples/de origem

    Chocolate ao Leite 55% Cacau
    Marca: DoSemente Cacau
    Categoria: Micro-lotes – Barras de chocolate ao leite simples/de origem

    Chocolate Branco 35%
    Marca: Chocolates Mestiço
    Categoria: Barras de chocolate branco simples/de origem

    Café con Ron
    Marca: Mission Chocolate
    Categoria: Barras de chocolate amargo com infusão ou aromatizante

    Chocolate Amargo 70% com Açaí Frágil
    Marca: Nugali
    Categoria: Barras de chocolate amargo com inclusões ou pedaços

    45% ao Leite, Banana e Castanha de Caju
    Marca: Miroh! Fabricantes de Chocolate
    Categoria: Barras de chocolate ao leite com inclusões ou pedaços

    Chocorock
    Marca: Cacau Dourado Chocolates
    Categoria: Barras de chocolate ao leite com inclusões ou pedaços

    Chocolate ao leite 45% cacau com castanha-do-pará
    Marca: Nugali
    Categoria: Barras de chocolate ao leite com inclusões ou pedaços

    Chocolate 50% Cacau ao Leite com Cupuaçu
    Marca: Chocolates Mendoá
    Categoria: Barras de chocolate ao leite com inclusões ou pedaços

    Coquito
    Marca: Mission Chocolate
    Categoria: Barras de chocolate branco com infusão ou aromatizante

    Chocolate Branco e ao Leite com Queijo Azul
    Marca: Chocolates Cacau do Céu
    Categoria: Barras de chocolate combinadas com inclusões ou pedaços

    Dragée Cocoa Nibs
    Marca: Nugali
    Categoria: Drageias de chocolate amargo, nozes inteiras cobertas

    Drageado Cupuaçu 65%
    Marca: Chocolates Mestiço
    Categoria: Fruta inteira coberta com chocolate amargo

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  • Preço do cacau cai, mas gigantes do chocolate ainda enfrentam impactos

    Preço do cacau cai, mas gigantes do chocolate ainda enfrentam impactos

    Apesar da recente queda nas cotações internacionais do cacau, as maiores fabricantes de chocolate do mundo ainda enfrentam dificuldades para recuperar as margens de lucro. Empresas como Barry Callebaut, Lindt e Nestlé afirmam que a alta histórica registrada nos últimos anos continua pressionando os resultados financeiros e alterando o comportamento dos consumidores.

    Os reajustes de preços aplicados pelas fabricantes reduziram o volume de vendas em diversos mercados, enquanto fatores como inflação, conflitos geopolíticos e mudanças climáticas seguem influenciando a cadeia global do cacau.

    Lindt registra queda nas vendas

    A Lindt informou que aumentou os preços em 11,8% no primeiro semestre. Como consequência, o volume de chocolates vendidos caiu 7,5%.

    Segundo o CEO da companhia, Adalbert Lechner, os preços recordes do cacau obrigaram todo o setor a realizar reajustes sem precedentes. Além disso, inflação, incertezas econômicas e conflitos internacionais reduziram o consumo.

    A empresa também destacou que a crise no Oriente Médio diminuiu o fluxo de turistas asiáticos e do Oriente Médio para a Europa, afetando o segmento de varejo voltado aos viajantes.

    Barry Callebaut amplia vendas de cacau

    A Barry Callebaut, maior fabricante mundial de produtos derivados de cacau e chocolate, informou que o consumo de chocolate caiu 4,4% no terceiro trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior.

    Mesmo assim, o volume total comercializado pela empresa cresceu 5,7%, encerrando uma sequência de mais de dois anos de retração.

    As vendas globais de cacau avançaram 18%, impulsionadas pela correção do mercado ocorrida no início do ano.

    Nestlé também sente os efeitos

    A Nestlé informou que a valorização do cacau e do café reduziu em 2,8% seu lucro operacional subjacente no primeiro semestre.

    A área de confeitaria representa quase 10% do faturamento da companhia. A expectativa é de recuperação gradual das margens conforme os preços da matéria-prima continuem se estabilizando.

    El Niño e mudanças climáticas explicam a crise

    A forte valorização do cacau teve origem principalmente nas perdas de safra registradas na África Ocidental.

    Segundo pesquisadores da Oxford Martin School, o fenômeno El Niño provocou períodos prolongados de calor, estiagem e chuvas irregulares na Costa do Marfim e em Gana, responsáveis por cerca de 60% a 70% da produção mundial de cacau.

    Além do El Niño, o avanço das mudanças climáticas agravou ainda mais o cenário, reduzindo a produtividade das lavouras e elevando os preços internacionais da commodity.

    Mercado segue atento ao clima

    Embora haja expectativa de excedente na safra 2025/2026, a Barry Callebaut alertou que um novo episódio forte de El Niño previsto para 2026 e 2027 pode voltar a pressionar a oferta mundial.

    Analistas também afirmam que a Lindt conseguiu realizar operações de proteção de preços para 2027, estratégia que pode reduzir significativamente seus custos nos próximos anos.

    Geopolítica influencia o mercado

    Além das questões climáticas, fatores geopolíticos continuam interferindo na cadeia do cacau.

    As tarifas comerciais anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, provocaram oscilações temporárias nos preços e interrupções na logística internacional.

    Chocolate premium

    Enquanto aguardam uma recuperação mais consistente do mercado, as fabricantes investem em inovação para atrair consumidores.

    A Lindt ampliou sua presença nas redes sociais após o sucesso da barra de chocolate inspirada no chamado “Chocolate Dubai”, lançada em dezembro de 2024 e rapidamente transformada em tendência mundial.

    Segundo Adalbert Lechner, a estratégia busca aproximar a marca dos consumidores mais jovens e transformar as redes sociais em um canal permanente de descoberta e compra.

    A Nestlé segue caminho semelhante. O CEO Philipp Navratil afirmou que a companhia ampliará os investimentos em marketing de influência, priorizando campanhas digitais, conteúdo orgânico e formatos voltados ao público jovem.

    Empresas evitam novos reajustes

    Apesar da pressão sobre os custos, as fabricantes têm buscado preservar o posicionamento premium sem depender exclusivamente de novos aumentos de preços.

    A Lindt reduziu valores de forma seletiva em mercados como Alemanha e Suíça durante o período de Natal para estimular o consumo.

    Já a Barry Callebaut aposta na expansão do segmento Gourmet, direcionado a chefs e confeiteiros, além de ampliar sua linha de chocolates especiais de maior valor agregado.

    Com a acomodação dos preços do cacau, o setor espera recuperar gradualmente a demanda. Ainda assim, especialistas alertam que eventos climáticos extremos e tensões geopolíticas continuarão sendo fatores determinantes para o mercado global da commodity.

  • Cacau já foi usado como dinheiro pelos astecas; entenda

    Cacau já foi usado como dinheiro pelos astecas; entenda

    Você sabia que, muito antes de ser associado ao chocolate, o cacau já possuía um enorme valor econômico na Mesoamérica? Para os astecas, seus grãos não eram apenas um alimento precioso, mas também uma moeda utilizada nas transações do dia a dia.

    A semente servia para comprar alimentos, pagar trabalhadores, quitar tributos ao império e até calcular o valor de diferentes mercadorias.

    Cacau movimentava a economia asteca

    Os registros históricos mostram que os grãos de cacau eram amplamente aceitos nos mercados astecas. Eles funcionavam como unidade de valor e facilitavam o comércio entre diferentes regiões do império.

    Alguns relatos da época indicam que um tomate podia custar um único grão de cacau. Três ou quatro grãos eram suficientes para comprar um coelho, e 100 grãos valiam um escravo.

    Além das compras cotidianas, cidades submetidas ao domínio asteca enviavam grandes carregamentos de cacau como forma de tributo para a capital, Tenochtitlán.

    Por que tinha tanto valor?

    Os astecas acreditavam que o fruto era um presente de Quetzalcoatl, divindade associada à sabedoria. Por isso, o alimento possuía um importante significado religioso e cultural.

    Ilustração da antiga cidade de Calakmul representa o preparo e o consumo do cacau, fruto precioso para os maias e astecas — (Foto: Reprodução/Nat Geo Image Collection)

    Outro fator era a dificuldade de produção. O cacaueiro exige temperaturas elevadas, alta umidade, chuvas frequentes e solos específicos. Essas condições limitavam o cultivo a poucas regiões da Mesoamérica.

    Segundo estudos, o cultivo do cacaueiro existe na região desde aproximadamente 1900 a.C.. No entanto, o uso das sementes como moeda consolidou-se apenas séculos depois, por volta do século VII.

    Moeda que também podia ser consumida

    O cacau fazia parte do grupo conhecido como dinheiro-mercadoria. Diferentemente das moedas atuais, seu valor estava no próprio produto.

    As sementes podiam ser guardadas, utilizadas em trocas comerciais ou transformadas em bebidas apreciadas pelas elites mesoamericanas.

    Existiam falsificações de grãos

    Assim como acontece com outras moedas ao longo da história, o cacau também foi alvo de fraudes. Alguns comerciantes produziam sementes falsas utilizando barro ou cera pintada para imitar os grãos verdadeiros.

    Para evitar prejuízos, compradores inspecionavam cuidadosamente cada semente durante as negociações, verificando o peso, a aparência e o estado de conservação.

    Queda da doce moeda

    Apesar de sua importância, o sistema apresentava limitações.

    As sementes eram perecíveis e, normalmente, conservavam sua qualidade por cerca de um ano. Além disso, períodos de seca reduziam a produção, comprometendo a oferta disponível para circulação.

    Com o passar do tempo, os astecas começaram a adotar outros meios de pagamento. Entre eles estavam peças de cobre em formato semelhante ao de um machado, que passaram a funcionar como uma moeda padronizada.

  • Projeto de lei propõe preço mínimo para o cacau brasileiro

    Projeto de lei propõe preço mínimo para o cacau brasileiro

    Produtores de cacau podem ganhar uma rede de proteção contra as oscilações do mercado internacional. O Projeto de Lei 954/26, em tramitação na Câmara dos Deputados, institui um preço mínimo para o cacau produzido no Brasil, a ser calculado pelo governo federal com base nos custos reais de produção.

    O texto determina que o governo leve em conta despesas como mão de obra, insumos, colheita, infraestrutura e uso da terra ao definir o valor mínimo. A proposta também garante aos produtores uma margem de lucro de, no mínimo, 15%.

    O deputado Félix Mendonça Junior (PDT-BA), autor do projeto, aponta que os produtores de cacau convivem com forte instabilidade nos preços internacionais. E não contam, diferentemente do que ocorre com o café, com uma política permanente de garantia de preços.

    Deputado Félix Mendonça Junior (PDT-BA), autor do projeto de lei. Foto: Renato Araújo/Câmara dos Deputados

    Segundo o parlamentar, a proposta preenche uma lacuna histórica ao criar um sistema de preço mínimo baseado no custo real de produção, com margem de viabilidade econômica garantida e um fundo de intervenção financiado, em parte, por contribuição sobre as importações.

    Conab define parâmetros e pode intervir no mercado

    Um levantamento anual da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) sobre os custos de produção do cacau servirá de base para o cálculo do governo. O valor mínimo, pela proposta, nunca poderá ficar abaixo do custo total de produção.

    Produtores que possuírem o Selo Verde Cacau,concedido a empresas com práticas sustentáveis, receberão um adicional de 10% sobre o preço mínimo estabelecido.

    Sempre que o preço de mercado permanecer abaixo do mínimo por mais de 30 dias consecutivos, a Conab deverá adotar uma de duas medidas para atender os produtores familiares. Primeiro, comprar a produção pelo preço mínimo, via Aquisição do Governo Federal (AGF). Ou conceder empréstimos com juros de 1% ao ano, com prazo de até 12 meses, usando as amêndoas de cacau como garantia.

    Fundo de estabilização reunirá recursos públicos e privados

    A proposta também cria o Fundo de Estabilização da Cacauicultura (FEC), destinado a financiar essas intervenções e a apoiar programas de melhoria da produção e da comercialização do cacau.

    O fundo reunirá recursos de quatro origens:

    • dotações do Orçamento da União
    • contribuição de 0,5% sobre as importações de amêndoas e produtos semielaborados de cacau
    • repasses de estados produtores aderentes ao programa
    • e doações e acordos internacionais.

    O projeto ainda prevê que o Banco do Brasil e o Banco da Amazônia ofereçam instrumentos de proteção cambial a produtores e cooperativas exportadoras, com custo máximo de 1% ao ano.

    O projeto tramita em caráter conclusivo. E passará pelas comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para se tornar lei, a proposta ainda precisa da aprovação da Câmara e do Senado.

    Fonte: Agência Câmara de Notícias

  • Maior produtora de cacau do mundo atrai US$ 80 bilhões em investimentos

    Maior produtora de cacau do mundo atrai US$ 80 bilhões em investimentos

    A Costa do Marfim garantiu mais de US$ 80 bilhões em compromissos de financiamento durante uma mesa-redonda com doadores realizada em Abidjan, nos dias 8 e 9 de julho. O encontro reuniu grandes instituições internacionais e financiadores globais com o objetivo de acelerar o desenvolvimento econômico do país.

    O volume final de promessas superou significativamente as metas que o governo havia estabelecido inicialmente. O resultado reforça a posição da Costa do Marfim como uma das economias de crescimento mais rápido da África Ocidental.

    O país mantém uma taxa média de crescimento anual de 6,5% desde que superou a crise pós-eleitoral de 2011. E esse novo influxo de capital deve dar suporte à continuidade dessa expansão. A estratégia nacional de desenvolvimento aposta fortemente em investimentos de infraestrutura de grande escala e em reformas que tornem o ambiente de negócios doméstico mais atrativo ao capital internacional.

    Governo prioriza infraestrutura e segurança energética

    O capital recém-garantido deve financiar áreas estruturais consideradas críticas para sustentar o crescimento econômico de longo prazo e ampliar a capacidade industrial do país. A participação de grandes instituições internacionais na mesa-redonda sinaliza forte confiança na estabilidade macroeconômica e no caminho de reformas que a Costa do Marfim vem adotando.

    A infraestrutura continua no topo das prioridades, mas o setor de energia local também ganha espaço relevante entre os investimentos públicos e privados. O governo pretende usar parte dos recursos para melhorar a segurança energética e construir redes domésticas confiáveis, capazes de sustentar o crescimento industrial do país.

    Segundo reportagem da Africanews, o setor energético desempenha papel essencial para garantir a sustentabilidade das elevadas taxas de crescimento econômico da Costa do Marfim e sua capacidade de atrair capital.

    Empresas locais ganham protagonismo no setor de energia

    À medida que a economia se transforma, empresas locais e campeãs nacionais assumem papel cada vez mais relevante na condução do crescimento industrial, especialmente no setor de energia. Essas empresas expandem redes de distribuição e constroem a infraestrutura necessária para abastecer as indústrias emergentes de manufatura e processamento agrícola.

    pé de cacau
    Foto: Wenderson Araujo/Sistema CNA/Senar

    A Costa do Marfim consolidou-se como líder global absoluto na produção de cacau. O país colhe consistentemente mais que o dobro do volume do segundo maior produtor mundial. Essa posição dominante no setor agrícola construiu uma base sólida de estabilidade econômica e receitas de exportação confiáveis. Um fator que provavelmente contribuiu para o elevado nível de confiança dos investidores e viabilizou os históricos US$ 80 bilhões em compromissos.

    O país francófono também assinou recentemente um acordo em Abuja que o compromete a exportar cacau processado, em vez de grãos in natura. A medida representa um passo significativo rumo ao desenvolvimento industrial e econômico da Costa do Marfim.

  • Oferta de cacau cresce, mas demanda limita recuperação do setor

    Oferta de cacau cresce, mas demanda limita recuperação do setor

    A oferta de cacau no Brasil apresentou recuperação no primeiro semestre de 2026. No entanto, a demanda por derivados ainda limita o avanço da indústria. Dados do SindiDados – Campos Consultores, divulgados pela Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC), mostram esse cenário.

    O recebimento de amêndoas alcançou 95.108 toneladas no semestre. O volume cresceu 63,4% frente ao mesmo período de 2025. Além disso, o resultado praticamente igualou o nível registrado em 2023, antes da crise de oferta. O segundo trimestre impulsionou esse desempenho. Entre abril e junho, o recebimento atingiu 66.503 toneladas. O volume representou alta de 64,5% na comparação anual.

    Segundo a presidente-executiva da AIPC, Anna Paula Losi, a produção brasileira voltou a mostrar sinais positivos. Ela afirma que o desafio agora consiste em consolidar esse crescimento nos próximos ciclos.  Além disso, ela destaca que a expansão precisa aumentar o processamento, fortalecer a competitividade e gerar mais valor para toda a cadeia.

    Moagem cresce pouco apesar da maior oferta de cacau

    Apesar da recuperação da oferta, a atividade industrial avançou em ritmo bem menor. A moagem totalizou 101.426 toneladas no primeiro semestre. O volume cresceu apenas 3,6% em relação a 2025. Mesmo assim, o resultado permaneceu 19,8% abaixo do registrado no primeiro semestre de 2023.

    O segundo trimestre repetiu essa tendência. Entre abril e junho, a moagem somou 49.711 toneladas. O volume aumentou 8,6% sobre igual período de 2025. Entretanto, ficou 20,4% abaixo do processamento registrado no segundo trimestre de 2023.

    A comparação entre recebimento e moagem evidencia o momento da cadeia produtiva. Enquanto a oferta de amêndoas cresceu mais de 63%, a moagem avançou somente 3,6%. Segundo Anna Paula Losi, produzir mais cacau representa apenas o primeiro passo. Ela ressalta que a geração de valor depende da transformação dessa produção em produtos industrializados. Além disso, ela afirma que, sem essa conversão, parte dos ganhos da safra deixará de gerar renda, empregos e competitividade.

    Importações de cacau caem com maior produção nacional

    A recuperação da safra também reduziu a necessidade de importações. O Brasil importou 18,1 mil toneladas de amêndoas no primeiro semestre. O volume foi o menor da série recente. Além disso, caiu 57,1% em comparação ao mesmo período de 2025. No segundo trimestre, o país não precisou importar amêndoas pela primeira vez em quatro anos.

    Apesar disso, a AIPC recomenda cautela na interpretação desse resultado. Segundo a entidade, a queda das importações combina maior oferta nacional com demanda mais moderada por derivados. Por isso, o cenário ainda não indica autossuficiência estrutural na produção brasileira de cacau.

    Exportações de derivados seguem abaixo do esperado

    As exportações brasileiras de derivados de cacau somaram 26.739 toneladas no primeiro semestre. O volume recuou 7% frente ao mesmo período de 2025. Embora o segundo trimestre tenha registrado crescimento de 13% sobre o primeiro, o avanço não compensou as perdas acumuladas.

    A Argentina permaneceu como principal destino dos derivados brasileiros. O país respondeu por 45% do volume exportado. Na sequência apareceram os Estados Unidos, com 19%, e o Chile, com 9%.

    As importações de derivados também diminuíram. O volume totalizou 23.336 toneladas, queda de 8,1% na comparação anual. Segundo a AIPC, esse resultado reflete um mercado ainda moderado para produtos processados.

    As exportações de amêndoas permaneceram reduzidas. O Brasil embarcou apenas 274 toneladas durante o semestre. Segundo a entidade, esse resultado confirma que a competitividade brasileira está concentrada na industrialização e na exportação de produtos com maior valor agregado.

    Anna Paula Losi afirma que a próxima etapa da recuperação dependerá da expansão do consumo de derivados. Segundo ela, essa demanda impulsionará a moagem, reduzirá a ociosidade industrial e fortalecerá toda a cadeia produtiva.

    Bahia lidera produção, enquanto Pará amplia participação

    A recuperação da oferta ocorreu de forma desigual entre os estados produtores. A Bahia permaneceu como principal origem das amêndoas recebidas pela indústria. O estado respondeu por 56,8% do volume nacional no primeiro semestre. Mesmo assim, sua participação diminuiu em relação aos anos anteriores.

    O Pará ampliou sua participação para 38,8%. Com isso, o estado reforçou o avanço da produção na Região Norte e diversificou a oferta nacional. O Espírito Santo respondeu por 3,1% do recebimento nacional. Já Rondônia alcançou 1,2% de participação e manteve a trajetória de crescimento observada nos últimos anos.

  • Governo define preços mínimos para safra 2026/27 e 2027

    Governo define preços mínimos para safra 2026/27 e 2027

    O governo federal publicou nesta segunda-feira (13) a Portaria nº 934. Ela estabelece os preços mínimos para produtos de verão e regionais das safras 2026/27 e 2027. A medida saiu no Diário Oficial da União (DOU) e define os valores que vão orientar as operações da Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM).

    O Conselho Monetário Nacional (CMN) fixou os preços, que funcionam como referência para assegurar renda mínima aos produtores rurais em caso de queda nas cotações de mercado.

    Os preços mínimos terão vigência entre julho de 2026 e junho de 2028, conforme o produto. A lista inclui culturas estratégicas para o agronegócio brasileiro, como algodão (em caroço e pluma), arroz longo fino em casca, milho, soja e sorgo, além de feijão (cores e preto), mandioca (raiz, fécula e goma), cacau, borracha natural cultivada e leite.

    Também entram na relação produtos como caroço de algodão e juta/malva (embonecada e prensada). Além de derivados da borracha, como coágulo virgem a granel e látex de campo.

    Além dos produtos agrícolas, a portaria fixa os preços mínimos para sementes de culturas de verão e regionais, incluindo algodão, arroz, feijão, juta/malva, milho, soja e sorgo. Nesse caso, a vigência começa em novembro de 2026 e segue até junho de 2028.

    O que é a PGPM

    A Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM) busca proteger a renda do produtor rural diante das oscilações de mercado. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) elabora as propostas de preços com base em custos de produção e nas condições dos mercados interno e externo.

    De acordo com o Decreto-Lei nº 79/1966, os valores consideram fatores como oferta, demanda e variações nos preços agrícolas, garantindo maior previsibilidade ao setor.

  • Cacau vira aliado da recuperação ambiental

    Cacau vira aliado da recuperação ambiental

    Desde meados da década de 1990, produtores paraenses recuperam terras degradadas por meio do plantio de cacau em Sistema Agroflorestal (SAF). Um levantamento da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), compartilhado com a Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), revela que o estado já recuperou 165 mil hectares até o ano passado. Ou seja, uma área equivalente a 231 mil campos de futebol.

    Cacau
    Foto: Secom – RO/Robson Paiva

    Municípios como Tomé-Açu, na região de integração do Rio Capim, e cidades sob influência da Rodovia Transamazônica (BR-230), como Altamira, Medicilândia e Brasil Novo, concentram parte relevante dessa expansão. Tomé-Açu, inclusive, desenvolveu um modelo próprio de manejo, batizado de Safta (Sistema Agroflorestal de Tomé-Açu).

    Novas lavouras evitam áreas de floresta primária

    Uma pesquisa da Universidade Federal do Pará (UFPA), conduzida pelo campus de Altamira, na região do Xingu, identifica uma mudança de padrão na cacauicultura paraense. Os produtores implantam as novas lavouras predominantemente em áreas já alteradas, e não mais em terrenos de floresta nativa, como ocorria no passado.

    O estudo abrangeu todos os municípios cortados pela BR-230 e reforça as diretrizes do governo estadual, que nos últimos anos concentra esforços em ações de preservação ambiental por meio de culturas agroflorestais.

    O professor Miquéias Calvi, da Faculdade de Engenharia Florestal da UFPA, coordenou o trabalho ao lado da equipe da Faculdade de Engenharia Agronômica da instituição. Segundo ele, a cacauicultura paraense estabelece um ciclo virtuoso: os produtores reaproveitam majoritariamente pastagens degradadas, áreas em estágio inicial de degradação e zonas de sucessão secundária.

    “Isso é importante, pois mostra que as novas lavouras de cacau não estão avançando sobre as áreas de florestas primárias; o componente ambiental é muito interessante nestes sistemas de produção. Identificamos que 81% das novas lavouras de cacau a partir do ano de 2021 estão sendo implantadas em áreas alteradas ou degradadas. Estamos com padrão diferente do que comumente tem sido reportado em outras regiões do Brasil e do mundo”, explica Calvi.

    Terras degradadas voltam a gerar renda

    Para o pesquisador, o reaproveitamento dessas áreas traz ganhos diretos aos produtores rurais, já que solos improdutivos passam a gerar renda em pouco tempo. “Áreas que não estão trazendo nenhum tipo de rendimento ao produtor, em um curto espaço de tempo se tornarão produtivas. Isso mostra uma potencialidade ambiental e econômica da lavoura cacaueira”, defende.

    Calvi alerta, no entanto, para um risco:. Sem apoio de órgãos públicos na distribuição de mudas e sementes florestais, essas lavouras tendem a se converter em monocultivo a pleno sol. Já que solos degradados perdem parte da capacidade de regenerar árvores espontaneamente.

    Foto: Frank Nery /Secom – Governo de Rondônia

    “Órgãos como a Sedap, Seaf (Secretaria de Estado de Agricultura Familiar), Ideflor-Bio (Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará) e secretarias municipais de meio ambiente têm um papel fantástico de fomentar a produção e a distribuição de mudas e sementes florestais para que os agricultores implantem os seus sistemas agroflorestais”, afirma o professor.

    Legislação estadual exige plantio em sistema agroflorestal

    O engenheiro agrônomo Ivaldo Santana, coordenador do Programa de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva do Cacau (Procacau), destaca que a Lei estadual nº 7.093, de 16 de janeiro de 2008, criou o Funcacau (Fundo de Apoio à Cacauicultura do Pará) e determina o plantio de cacau exclusivamente em Sistema Agroflorestal, priorizando áreas já alteradas em vez de florestas nativas.

    Segundo Santana, o estado recuperou 165 mil hectares degradados com plantio de cacau em SAF desde 1996 até o ano passado. “É a prioridade da legislação que cria o PAC [Programa de Aceleração do Crescimento e Consolidação da Cacauicultura] e do Fundo Cacau. Trabalhar o cacau com Sistemas Agroflorestais e em áreas alteradas. E nós estamos cumprindo essa orientação da legislação e do governo do estado do Pará”, destaca o coordenador.

    Governo distribui 13,5 milhões de sementes por ano

    A Sedap, por meio do Funcacau, injeta recursos na produção e aquisição de sementes híbridas fornecidas pela Ceplac, que são distribuídas a produtores que ampliam áreas plantadas e a novos cacauicultores. “Em média, a gente distribui 13,5 milhões de sementes por ano aos produtores. O Pará todo ano cresce em termos de 9 mil hectares com novas áreas de cacau. E mil produtores se incorporam à cadeia produtiva do cacau todos os anos”, complementa Santana.

    O Ideflor-Bio também contribui com o processo. A instituição produz e distribui gratuitamente mudas de espécies florestais para o sombreamento das lavouras de cacau, elemento essencial para a formação do SAF. O programa também distribui mudas de bananeira aos agricultores, usadas para o sombreamento provisório da cultura cacaueira.

    Programa Territórios Sustentáveis amplia ação em 45 municípios

    O Programa Territórios Sustentáveis (PTS), um dos eixos do Plano Estadual Amazônia Agora (PEAA), soma-se às iniciativas de incentivo à produção sustentável em regiões pressionadas pelo desmatamento e com potencial de restauração florestal. Mais de 45 municípios paraenses já aderiram ao programa, conduzido pela Sedap.

    Na fase inicial, o programa prevê a implantação de um hectare de Sistema Agroflorestal em áreas antes degradadas ou desmatadas, com aporte de insumos e serviços às propriedades rurais por meio de convênios firmados com as prefeituras municipais.