A demanda internacional pela soja brasileira fortaleceu os preços no mercado interno. Além disso, a alta dos prêmios de exportação impulsionou as negociações no país. Segundo o Cepea, o aumento das tensões no Oriente Médio elevou as cotações internacionais do petróleo. Como resultado, os preços globais da soja também ganharam sustentação.
No Brasil, a valorização dos prêmios de exportação reforçou esse movimento. Ao mesmo tempo, o cenário geopolítico e a maior procura pela oleaginosa brasileira sustentaram a alta no mercado spot.
Os pesquisadores do Cepea afirmam que a previsão de intensificação do El Niño preocupa o mercado. O fenômeno pode afetar a produção mundial na safra 2026/27. Diante desse cenário, parte dos compradores antecipou as aquisições para reduzir riscos. Enquanto isso, vendedores diminuíram a oferta de grandes volumes.
Os produtores aguardam condições mais favoráveis para comercializar a soja. Essa postura também contribui para a sustentação dos preços.
Vendedores retraídos elevam preços do milho
Os preços do milho avançaram em grande parte das regiões monitoradas pelo Cepea. O movimento ocorreu mesmo com o avanço da colheita da segunda safra. O volume disponível para negócios permanece limitado no mercado interno. Além disso, a média nacional da área colhida segue abaixo das temporadas anteriores.
Os produtores também reduziram o ritmo das negociações nos últimos dias. Eles acompanham a valorização dos preços internacionais, que pode aumentar a paridade de exportação.
Compradores priorizam estoques
Na ponta compradora, os consumidores mantêm uma postura cautelosa. Eles preferem utilizar os estoques em vez de fechar novos negócios.
De acordo com pesquisadores do Cepea, esses agentes esperam uma queda dos preços. A expectativa é de maior oferta após o avanço da colheita.
Eles também acreditam que limitações nos armazéns e a necessidade de caixa dos produtores podem estimular novas vendas nos próximos meses.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu a venda, a distribuição e o consumo da Ricota Fresca da marca Vaidosa. A decisão integra uma sequência de ações que a agência tomou nas últimas duas semanas contra alimentos, cosméticos e produtos de limpeza com irregularidades. E reforça o alerta sobre os riscos de consumir itens sob suspeita.
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A empresa Vaidosa Indústria e Comércio de Alimentos Ltda. informou à Anvisa que recolherá voluntariamente os lotes 148, 153, 166 e 167 da Ricota Fresca. A companhia não comprovou documentalmente que o hidróxido de sódio usado no processo de fabricação atende à especificação de grau alimentício.
A substância funciona como coadjuvante de tecnologia para corrigir o pH durante a produção do queijo. E o uso de um insumo fora do padrão adequado pode representar risco à saúde do consumidor.
Anvisa também mirou azeite, doces e cosméticos
A ricota não é o único produto que a Anvisa retirou de circulação recentemente. Na quarta-feira (22/7), a agência determinou o recolhimento de todos os lotes do Azeite de Oliva Extra Virgem da marca San Oliveto. Ele apresentou resultado insatisfatório em teste de índice de refração, parâmetro que avalia a qualidade e a autenticidade do produto. No mesmo dia, a Anvisa apreendeu os produtos da Indústria e Comércio de Doces Fatti a Mano. Os itens não possuíam registro nem regularização junto ao órgão. E eram fabricados em local sem licença de funcionamento.
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Também na semana, a agência publicou a Resolução-RE nº 2.895/2026 e proibiu a comercialização de cinco produtos, entre eles um cosmético à base de cúrcuma e itens das empresas Biopharcos e Aptos Brasil, por veicularem alegações terapêuticas irregulares. Em todos esses casos, a empresa responsável e o CNPJ aparecem como desconhecidos, e a motivação da proibição é a venda sem registro ou notificação junto à Anvisa.
A lista de recalls recentes inclui ainda dez produtos de limpeza e um purificador de ar sem autorização de fabricação, retirados do mercado por meio de cinco novas resoluções publicadas no Diário Oficial da União. A Anvisa orienta consumidores e comerciantes a interromperem imediatamente a comercialização e o uso desses itens.
Quais riscos o consumo de produtos suspeitos representa
Produtos recolhidos por falhas de composição, ausência de registro ou irregularidades no processo produtivo podem conter substâncias tóxicas, contaminantes ou concentrações fora do permitido pela legislação sanitária. No caso de insumos como o hidróxido de sódio fora da especificação alimentícia, a exposição pode causar irritação ou lesões no trato digestivo, dependendo da concentração residual no produto final.
Casos anteriores mostram a gravidade do problema: a Anvisa já recolheu fórmulas infantis por risco de contaminação por toxina bacteriana e um lote de molho de tomate importado após a identificação de fragmentos de vidro na composição. Por isso, a agência recomenda que o consumidor nunca ignore um alerta de recall, mesmo que o produto pareça normal.
O que fazer com um produto recolhido em casa
O consumidor que tiver em casa qualquer item incluído em uma resolução de recolhimento deve parar de usá-lo ou consumi-lo imediatamente. A orientação da Anvisa é verificar o número do lote na embalagem, guardar o produto em local seco e fechado até descartá-lo corretamente. Além de buscar o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) do fabricante para solicitar troca ou reembolso. Denúncias e dúvidas também podem ser registradas diretamente no site da Anvisa.
Pesquisadores paulistas testaram com sucesso uma nova estratégia de combate ao coral-sol, espécie invasora que ameaça a biodiversidade marinha em diversos pontos da costa brasileira. Com um jato de ar comprimido, a equipe removeu o tecido vivo de colônias de coral-sol no arquipélago de Alcatrazes, área protegida no litoral norte de São Paulo, e não observou regeneração dos organismos. Um resultado que contrasta com o método convencional de remoção mecânica, feito com marreta e talhadeira.
Os resultados apontam o jateamento como alternativa mais prática e eficaz para o manejo do coral-sol, segundo os cientistas, que buscam conter a disseminação da espécie em áreas prioritárias de conservação no litoral brasileiro. Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) lideraram o estudo, realizado com apoio da FAPESP e publicado em abril na revista Ecological Solutions and Evidence.
Uma pistola de jato acopla-se a um cilindro de ar comprimido. É o mesmo equipamento usado por mergulhadores para respirar debaixo d’água. O mergulhador segura o cilindro sob um braço e aciona a pistola bem próxima às colônias, com a outra mão livre. O jato remove o tecido mole do coral e deixa apenas o esqueleto poroso no lugar.
Segundo os autores, o novo método resolve dois problemas comuns do processo tradicional. A dificuldade de acesso a locais como fendas, tocas e grutas, e o risco de sobra de tecido vivo capaz de se regenerar. No método físico convencional, mergulhadores usam marreta e talhadeira,ou martelete pneumático, para destacar as colônias do substrato marinho, geralmente costões rochosos.
“Nossos experimentos mostraram a eficácia do método numa comunidade desses corais. Ao remover o tecido, o nosso método lida com pelo menos duas fragilidades de outros: não promove a fragmentação da colônia e, portanto, evita a sua propagação involuntária. Além disso, elimina a necessidade de descartar a colônia removida. O esqueleto sem o tecido se mantém no ambiente e é rapidamente colonizado por espécies nativas do local”, afirma Gustavo Piazzaroli, primeiro autor do estudo, desenvolvido como parte de uma iniciação científica com bolsa da FAPESP no Instituto do Mar (IMar) da Unifesp, em Santos.
Uma observação em mergulho originou a ideia
A ideia de usar ar comprimido surgiu quase por acaso para o coordenador do estudo, Guilherme Pereira-Filho, professor do IMar-Unifesp, durante mergulhos no Refúgio de Vida Silvestre do Arquipélago de Alcatrazes. A unidade de conservação marinha, gerida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), utiliza a remoção física há mais de dez anos para combater a disseminação do coral-sol em seus ecossistemas. Duas espécies invasoras ocorrem na região, Tubastraea tagusensis e Tubastraea coccínea, ambas originárias do Indo-Pacífico e introduzidas por atividades humanas no Caribe e na costa brasileira.
Esqueleto de coral-sol logo após tratamento com ar comprimido (à esq.), depois de 30 dias (centro) e 180 dias (à dir.), quando já está colonizado por algas. Foto: LabecMar-Unifesp
“Os corais-sol ocorrem mais em rochas com orientação negativa, como fendas, tocas e grutas, difíceis de serem acessadas pela remoção física. Observamos que em alguns locais, onde mergulhadores passavam e deixavam bolhas de ar aprisionadas sob rochas submersas, as colônias branqueavam. Pensei se não seriam as bolhas de ar exaladas por nós que estariam causando esse efeito. E se algum método que envolvesse ar não seria uma possibilidade de remoção”, relata Pereira-Filho, que hoje coordena três projetos apoiados pela FAPESP, entre eles um vinculado ao Programa BIOTA. Pesquisadores do Centro de Biologia Marinha (Cebimar) da Universidade de São Paulo (USP) também integraram o trabalho.
Vantagens
Piazzaroli explica uma das vantagens práticas do novo processo: “Na remoção física, algum tecido pode ficar na rocha e se regenerar. Além disso, ainda que ele seja totalmente extraído, as colônias removidas têm de ser levadas para fora da água salgada, tratadas com água doce para matar o coral e só então o esqueleto pode ser devolvido para o mar, a fim de que o carbonato de cálcio que o compõe possa ser utilizado em outros processos naturais.”
Quando expostas à água do mar, as colônias extraídas podem liberar células reprodutivas como resposta ao estresse causado pela remoção. Por isso, o mergulhador que realiza a remoção física precisa carregar as colônias em um saco ou recipiente fechado durante todo o trabalho. Um cuidado que o jateamento dispensa, já que o método destrói o tecido do coral de imediato. Qualquer fragmento de tecido que permaneça preso ao substrato no método convencional também pode originar uma nova colônia, dada a alta capacidade de regeneração do coral-sol. Esse risco cai bastante com o jateamento, segundo os autores.
Colônia de coral-sol: metade (à esq.) não recebeu jateamento de ar comprimido, enquanto a da direita passou pelo procedimento. Foto: Gustavo Piazzaroli/LabecMar-Unifesp
Os pesquisadores reforçam que a técnica ainda é experimental. Até agora, os testes cobriram apenas algumas dezenas de colônias em uma área restrita do arquipélago, enquanto as invasões de coral-sol costumam se estender por áreas muito maiores, com milhares de colônias.
Do laboratório para o mar
Ao ouvir o insight do orientador, Piazzaroli pesquisou a literatura científica e encontrou referências ao uso de jateamento de ar comprimido para separar tecido mole do esqueleto de corais, mas apenas em experimentos de laboratório, nunca em campo. “Eram estudos sobre estresse oxidativo e utilizavam aquele jato de ar e água usado por dentistas, conhecido como ‘water pik’. Não havia nada publicado sobre manejo de corais invasores por esse método”, conta o estudante de biologia e mergulhador. Ele participa como voluntário de ações de remoção de coral-sol em Ilha Grande (RJ) desde a adolescência.
A equipe adaptou a técnica para uso com cilindros de mergulho. Ea testou em 48 colônias de coral-sol em Alcatrazes, deixando outras 14 sem tratamento como grupo de controle. As colônias passaram por análise logo após o jateamento, depois de 30 dia. E por fim, depois de 180 dias, com medição da área ocupada e contagem do número de colônias a cada visita.
Na área sem remoção, a cobertura de coral-sol aumentou ao longo do tempo; na área tratada com ar comprimido, ela diminuiu. O número de colônias cresceu nos dois cenários, mas de forma bem mais lenta onde houve jateamento. Algas colonizaram rapidamente os esqueletos jateados em até 30 dias, o que dificulta a recolonização ou regeneração dos corais invasores.
Testes em aquário confirmam ausência de regeneração
Restava uma dúvida: será que o tecido removido pelo jato de ar poderia recolonizar os esqueletos ou se regenerar em outro lugar? Para responder a essa pergunta, os pesquisadores conduziram experimentos em aquários por nove dias. Tempo mais do que suficiente para o tecido se regenerar ou morrer.
Em um dos tratamentos, um esqueleto já jateado foi fervido para eliminar qualquer possibilidade de tecido vivo ou células reprodutivas remanescentes. Depositado em um aquário com água do local de origem da remoção, portanto, com possíveis células de coral-sol em suspensão, o esqueleto foi observado pelos nove dias seguintes, sem apresentar recolonização.
Em outro tratamento, além do esqueleto e da água do mesmo local, os pesquisadores adicionaram pedaços de tecido de coral-sol removidos por ar comprimido. Após nove dias, quando o mau cheiro indicava que o tecido já estava morto, também não houve recolonização do esqueleto.
Cada tratamento foi replicado quatro vezes. Análises de amostras de água ao microscópio não encontraram células reprodutivas nem tecidos vivos, com exceção de uma réplica, em que um pedaço de tecido vivo apareceu no primeiro dia e uma única célula reprodutiva, no último.
Próximos passos
“Os resultados são bastante promissores para aplicarmos o método numa área maior e obter uma validação ainda mais robusta”, comemora Pereira-Filho. Ele pondera, porém, que ainda é necessário desenvolver soluções para escalonar o método em grandes áreas, já que o jateamento consome rapidamente o ar comprimido dos cilindros. O grupo já conversa com gestores de outra área de proteção marinha para conduzir um novo estudo em escala ampliada.
O governo dos Estados Unidos ampliou as restrições comerciais contra o Brasil. A medida entrou em vigor nesta sexta-feira (24). O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) concluiu as investigações da Seção 301 sobre trabalho forçado.
Como resultado, o órgão aplicou uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros. O USTR avaliou 60 parceiros comerciais, responsáveis por 99,4% das importações norte-americanas. Segundo o governo americano, o Brasil não proíbe nem aplica de forma efetiva restrições à importação de bens produzidos com trabalho forçado. A decisão prevê exceções para determinados produtos e situações específicas.
O USTR inaugurou uma nova estratégia ao relacionar o acesso ao mercado americano ao combate ao trabalho forçado. Diferentemente da investigação encerrada em 15 de julho, a nova medida alcança 60 economias. A tarifa aplicada exclusivamente ao Brasil permanece válida e continua produzindo efeitos.
Brasil integra grupo de países com maior tarifa
O USTR classificou o Brasil entre 54 economias que, segundo sua avaliação, não aplicam proibição efetiva às importações ligadas ao trabalho forçado. Outras seis economias possuem mecanismos de controle, mas ainda não os aplicam plenamente. Entre elas estão Canadá, México, União Europeia, Equador, Indonésia e Paquistão. O órgão estabeleceu tarifas de 10% para alguns países e de 12,5% para os demais, incluindo o Brasil.
Produtos poderão acumular tarifas de até 37,5%
A nova medida difere da tarifa adicional de 25% aplicada ao Brasil em outra investigação da Seção 301.
As listas de exceções das duas decisões não são iguais. Por isso, alguns produtos antes isentos da tarifa de 25% agora pagarão a nova alíquota de 12,5%.
Quando um produto estiver sujeito às duas medidas, as tarifas serão cumulativas. Nesse caso, a taxação adicional chegará a 37,5%. Entre os exemplos estão café solúvel sem adição de sabor, mel orgânico, tilápia, produtos específicos de madeira, couros e peles.
Mais da metade das exportações do agro segue isenta
A análise da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) mostra impactos distintos sobre o agronegócio. Segundo a entidade, 53,14% das exportações agropecuárias brasileiras para os Estados Unidos permanecem isentas das duas medidas. Outros 12,34% pagarão apenas a nova tarifa de 12,5%.
Já 32,91% das exportações enfrentarão a tributação acumulada de 37,5%. Além disso, 1,61% dos produtos continuam sujeitos exclusivamente às medidas da Seção 232.
Café e carne seguem protegidos
Entre os principais produtos exportados aos Estados Unidos, o café em grão continua totalmente isento das novas medidas. A carne bovina congelada também permanece fora das tarifas adicionais da Seção 301.
Por outro lado, parte dos produtos de madeira poderá enfrentar tributação de até 37,5%. Alguns sucos também passam a recolher a nova tarifa de 12,5%.
CNA critica decisão dos Estados Unidos
A CNA informou que acompanhou toda a investigação iniciada em março de 2026. A entidade apresentou contribuições técnicas, participou das audiências públicas e coordenou o setor agropecuário durante o processo.
Nas manifestações enviadas ao USTR, a confederação afirmou que o Brasil possui uma legislação robusta contra o trabalho análogo à escravidão.
Segundo a CNA, o país adota regras mais amplas que as convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT). A entidade destacou que o sistema brasileiro inclui prevenção, fiscalização, responsabilização e transparência. Além disso, a CNA argumentou que as tarifas não fortalecem a proteção aos trabalhadores.
Para a confederação, a medida penaliza produtores que cumprem a legislação e reduz a competitividade do agronegócio brasileiro.
Medida poderá sofrer alterações
O USTR encerrou a fase ordinária das investigações abertas em março deste ano.
Mesmo assim, o governo americano poderá alterar as listas de exceções ou promover novos ajustes nas tarifas.
A CNA informou que continuará acompanhando o tema e defenderá os interesses dos produtores rurais brasileiros.
As tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras podem gerar impactos além do comércio exterior. Especialistas afirmam que pizzarias, padarias, restaurantes e pequenos negócios também podem sentir os efeitos indiretos da medida.
O governo federal anunciou um pacote de R$ 18,5 bilhões para apoiar empresas afetadas pelo tarifaço. Apesar disso, alimentos como café, carne bovina e suco de laranja ficaram fora da lista de produtos tarifados.
O contador, advogado e especialista em tributação empresarial Felipe Oliveira afirma que guerras comerciais afetam toda a economia. Segundo ele, empresas reorganizam fornecedores, renegociam contratos e absorvem novos custos quando grandes economias alteram regras do comércio internacional.
“Quando uma grande economia muda as regras do comércio internacional, empresas precisam reorganizar fornecedores, renegociar contratos e absorver novos custos. Esse movimento acaba chegando ao pequeno empresário e, muitas vezes, ao consumidor”, explica.
Pizza pode refletir impactos indiretos
Uma pizzaria ilustra como os efeitos podem atingir negócios voltados apenas ao mercado interno. Embora não importe ingredientes diretamente, o estabelecimento depende de embalagens, energia elétrica, combustíveis, transporte, equipamentos e produtos de limpeza.
Além disso, parte da farinha de trigo utilizada pela indústria alimentícia brasileira depende do mercado internacional. Assim, oscilações cambiais e mudanças no fluxo global de comércio podem pressionar o custo da matéria-prima. Como consequência, produtos derivados podem ficar mais caros.
“Nem sempre o aumento acontece imediatamente nem pode ser atribuído a um único fator. O que ocorre é uma soma de pressões sobre custos que, em algum momento, pode exigir reajustes para manter a operação financeiramente saudável”, afirma o especialista.
Pequenos negócios também podem ser afetados
Felipe Oliveira ressalta que o mesmo cenário pode atingir padarias, hamburguerias, supermercados, restaurantes e pequenos comércios. Segundo ele, a economia global conecta diferentes cadeias de fornecimento. Por isso, decisões tomadas por grandes economias influenciam custos operacionais até de empresas que atuam somente no mercado interno.
Diante desse cenário, o especialista orienta empresários a monitorarem os impactos econômicos sobre o caixa das empresas. Ele recomenda revisar contratos, controlar despesas e acompanhar a evolução da carga tributária para preservar a competitividade.
Para os consumidores, a recomendação é evitar conclusões precipitadas. O tarifaço não significa aumento imediato no preço da pizza. No entanto, a medida evidencia como decisões tomadas no exterior podem provocar efeitos graduais sobre os custos e chegar ao bolso dos brasileiros.
O governo federal autorizou a liberação de quase R$ 13,3 bilhões em crédito para financiar programas de desenvolvimento rural, refinanciamento de dívidas e apoio a produtores de cana-de-açúcar. A medida busca amenizar os efeitos das novas tarifas anunciadas pelos EUA sobre produtos brasileiros.
O crédito foi oficializado em edição extraordinária do Diário Oficial da União e já está em vigor.
A maior parte dos recursos vai para projetos que ampliam a produtividade e a competitividade do agronegócio brasileiro. Segundo o decreto, a distribuição será:
R$ 9 bilhões para desenvolvimento tecnológico no setor rural
R$ 3 bilhões para reequilíbrio financeiro e refinanciamento de dívidas de produtores e tomadores de crédito
R$ 270 milhões em subsídios a produtores independentes de cana-de-açúcar do Nordeste
R$ 1 bilhão para beneficiários de programas de financiamento estudantil
R$ 15 milhões para a contribuição voluntária do Brasil à Corte Interamericana de Direitos Humanos
Produtores de cana recebem apoio específico
Além disso, o governo reservou recursos exclusivos para produtores independentes de cana-de-açúcar do Nordeste, que também enfrentam perdas causadas por eventos climáticos extremos nos últimos meses.
A expectativa é reduzir os efeitos econômicos sobre um dos elos mais importantes da cadeia sucroenergética brasileira.
Tarifaço
Na última quarta-feira, o governo do presidente Donald Trump anunciou tarifa de 25% sobre diversos produtos brasileiros.
Segundo a Casa Branca, a medida responde a práticas comerciais consideradas desfavoráveis aos interesses americanos. A decisão atinge setores estratégicos da economia brasileira e amplia as preocupações com as exportações do agronegócio.
O ministro interino da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo brasileiro pode anunciar até o início de agosto um novo conjunto de ações para os setores mais afetados pelas recentes medidas comerciais. Entre as alternativas em estudo estão novos mecanismos de crédito, apoio financeiro e iniciativas para preservar a competitividade das empresas brasileiras no mercado internacional.
Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira uma sobretaxa de 12,5% sobre produtos brasileiros. O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) justifica a medida pela suposta falha do Brasil em fiscalizar a importação de bens fabricados com trabalho forçado.
O USTR atribui a taxação à falha do Brasil em proibir e fiscalizar a entrada, no mercado doméstico, de produtos feitos total ou parcialmente com trabalho forçado em outros países. A cobrança abrange a totalidade das exportações brasileiras, sem isenções, diferentemente da tarifa de 25% aplicada por “práticas desleais”, que reserva uma lista de 2.100 exceções.
A nova alíquota substitui a taxa adicional de 10% prevista na Seção 122 da legislação comercial americana, que expirava justamente nesta data.
Países afetados
O governo dos Estados Unidos also aplicou sobretaxas a outros parceiros comerciais. Cinquenta e quatro países receberam a taxação de 12,5%. Enquanto outros cinco países e o bloco da União Europeia, formado por 27 nações, sofreram tarifa de 10% por terem adotado proibições ao trabalho forçado, ainda que com fiscalização considerada insuficiente. A investigação que embasou a medida seguiu a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
O representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, classificou a situação como inaceitável. “A falha de nossos parceiros comerciais em lidar com a importação de bens fabricados com trabalho forçado é inaceitável. Isso força os trabalhadores norte-americanos a competir em um campo desigual”, declarou.
A CNI (Confederação Nacional da Indústria) estima que a medida pode afetar 4.187 produtos brasileiros. Os setores atingidos somam US$ 14,9 bilhões em vendas anuais aos Estados Unidos. Segundo a entidade, a combinação das duas tarifas pode adicionar 37,5 pontos percentuais sobre esses bens, dos quais 62% funcionam como insumos intermediários em processos produtivos.
USTR aponta indícios de trabalho forçado na pecuária brasileira
O relatório do USTR reconhece as medidas adotadas pelo governo brasileiro para inibir a compra de bens produzidos com trabalho forçado. Mas classifica como “injustificada” a dificuldade do país em implementar compromissos assumidos em acordos de livre comércio.
O documento aponta indícios de trabalho forçado na produção de carne no Brasil e associa a prática ao crescimento das exportações do setor na última década. “É notório que o trabalho forçado é utilizado na produção de gado no Brasil”, registra o relatório.
China entra no radar do governo americano
O relatório do USTR também destaca a relação comercial entre Brasil e China. As vendas de carne bovina congelada para o mercado chinês saltaram de 94 mil toneladas para 1,65 milhão de toneladas entre 2015 e 2025. Ou seja, um salto de mais de 17 vezes, enquanto as exportações americanas para a China registraram tendência de queda no mesmo período.
“A falha da China em impor e aplicar efetivamente uma proibição de importação de carne bovina congelada do Brasil com base em trabalho forçado conferiu uma vantagem de custo à carne bovina brasileira e distorceu a concorrência”, diz o relatório.
Governo brasileiro rebate a decisão
O Itamaraty já havia criticado a possibilidade de sanções antes do anúncio oficial. Em comunicado, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, alertou que a investigação da Seção 301 pode prejudicar políticas internas de combate ao trabalho escravo.
“Esta investigação da Seção 301, e quaisquer ações dos Estados Unidos que possam dela resultar, ameaçam minar o progresso alcançado por tais iniciativas brasileiras. E portanto, comprometer os objetivos do USTR ao iniciar esta investigação”, afirmou Vieira.
O Itamaraty sustenta que a cobrança contraria as normas de comércio da OMC (Organização Mundial do Comércio). E defende o sistema brasileiro de combate ao trabalho escravo, que nos últimos anos aprimorou o conceito de “condição análoga à de escravo” no Código Penal e criou a chamada “lista suja” do trabalho escravo.
O governo brasileiro decidiu não responder imediatamente ao novo tarifaço dos Estados Unidos. A tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros entrou em vigor nesta quarta-feira (22).
Após a confirmação da medida pelo governo norte-americano, o Palácio do Planalto classificou a decisão como um “marco lastimável”. Além disso, informou que iniciaria os trâmites para aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica.
Apesar do anúncio, o governo ainda não apresentou medidas concretas com base na legislação. Por enquanto, a estratégia prioriza a avaliação do cenário político e econômico.
Governo adota cautela antes de reagir
Na terça-feira (21), o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que a Lei da Reciprocidade não representa uma retaliação aos Estados Unidos. Segundo ele, o objetivo é corrigir uma situação considerada injusta para o Brasil.
“A ideia não é retaliação. Diz que olho por olho pode acontecer de os dois ficarem cegos. A reciprocidade é: nós estamos sendo injustiçados e queremos corrigir isso”, afirmou Alckmin.
O vice-presidente concedeu entrevista ao lado do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. Ambos participaram de uma reunião com representantes dos setores atingidos pela nova tarifa.
Empresários defendem solução diplomática
Nos últimos dias, entidades empresariais demonstraram preocupação com possíveis respostas comerciais do Brasil. Por isso, defenderam cautela nas decisões do governo.
A postura adotada pelo Planalto segue a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Assim, o governo busca preservar o diálogo antes de adotar medidas previstas na Lei da Reciprocidade.
Durante as reuniões com o governo, representantes do setor de máquinas agrícolas também descartaram medidas de reciprocidade. Em vez disso, eles defenderam a resolução do impasse por meio de negociações diplomáticas e empresariais.
Tarifa dos EUA atinge setores estratégicos
A nova tarifa norte-americana exclui uma ampla lista de produtos brasileiros. Entre eles estão petróleo, café e carne bovina. Por outro lado, segmentos como etanol, máquinas agrícolas e papel sofrerão impactos com a cobrança adicional.
O Brasil colocou em operação o Banco Nacional de Antígenos para Febre Aftosa, instalado em Garín, na Argentina. A medida reforça a resposta do país diante de emergências sanitárias e fortalece a proteção do rebanho nacional.
O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, participou da entrega da estrutura. Segundo ele, a iniciativa amplia a credibilidade da defesa agropecuária brasileira. O banco armazenará antígenos usados na produção de vacinas contra a febre aftosa. Assim, o país poderá reagir rapidamente caso registre um foco da doença.
A estrutura integra o plano de contingência brasileiro. O projeto ganhou importância após o reconhecimento, em 2025, de país livre de febre aftosa sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). Esse status é estratégico para manter o acesso aos principais mercados importadores de proteína animal.
Segundo o ministro, o governo escolheu a Biogénesis Bagó pela experiência internacional na produção de imunobiológicos para saúde animal. Além disso, André de Paula afirmou que o banco representa mais um avanço na consolidação da defesa sanitária brasileira.
O ministro destacou que o reconhecimento internacional resultou de décadas de trabalho conjunto entre produtores, governos e serviços de defesa agropecuária. “O reconhecimento foi a coroação de muitos anos de esforço”, afirmou.
Banco reforça confiança na carne brasileira
André de Paula também comentou as restrições impostas pela União Europeia às exportações brasileiras de produtos de origem animal. Segundo ele, a criação do banco comprova o compromisso do Brasil com a sanidade animal. Além disso, fortalece a confiança internacional no sistema brasileiro de fiscalização. “Ninguém se torna o maior exportador de proteína animal do mundo sem ser muito rigoroso”, disse.
O ministro afirmou ainda que a defesa sanitária exige aperfeiçoamento contínuo para acompanhar as exigências dos mercados internacionais. “Esse é um processo de evolução. Vamos trabalhar sempre com novas exigências e nos adaptar”, declarou.
Reino Unido mantém compras brasileiras
André de Paula informou que o Reino Unido continua importando produtos brasileiros normalmente. Segundo ele, essa decisão demonstra confiança na produção nacional, apesar das discussões envolvendo parte do mercado europeu.
O ministro também afirmou que o Brasil trabalha para solucionar as divergências com a União Europeia. Sobre as cotas de exportação sem tarifas para o bloco, ele avaliou que conflitos fazem parte das negociações comerciais. “É natural que existam conflitos de interesse. Para isso existem as negociações”, afirmou. Ele acrescentou que o governo acredita em uma solução capaz de atender todas as partes.
China e Estados Unidos permanecem no foco
Ao comentar o mercado chinês, André de Paula afirmou que o governo busca ampliar as exportações brasileiras. Segundo ele, as oscilações nas compras da China refletem a dinâmica daquele mercado. O ministro ressaltou que essas mudanças não estão relacionadas à qualidade da carne brasileira. “O importante é a credibilidade da nossa carne”, afirmou.
Questionado sobre as tarifas anunciadas pelos Estados Unidos, André de Paula disse que o governo continuará apoiando os setores mais afetados pelas restrições comerciais.
Estrutura acelera resposta sanitária
O Banco Nacional de Antígenos figura entre os principais instrumentos de contingência para países livres de febre aftosa sem vacinação. Em caso de emergência sanitária, o estoque permitirá acelerar a produção de vacinas.
Com isso, as autoridades reduzirão o tempo de resposta e preservarão a sanidade do rebanho brasileiro. Além disso, a estrutura ajudará a manter o acesso da proteína animal brasileira aos mercados internacionais.
A carne bovina brasileira enfrenta um novo obstáculo no principal mercado internacional. A China passou a cobrar tarifa total de 67% sobre embarques acima da cota anual. O Brasil esgotou integralmente esse limite no início deste mês. Com isso, as exportações excedentes passaram a pagar uma sobretaxa de 55%. Além disso, permanece a tarifa de importação de 12% já aplicada pelo governo chinês.
Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), o novo cenário inviabiliza economicamente os embarques. O presidente da entidade, Roberto Perosa, afirmou que não existem negociações entre Brasil e China. Ele fez a declaração durante cerimônia na unidade industrial da Biogénesis Bagó, em Garín, na Argentina.
Segundo Perosa, o governo chinês não sinalizou mudanças nas medidas adotadas. “As notícias que vêm da China e do governo chinês não são de nenhum tipo de negociação.” “Sempre aguardamos as negociações entre os governos e, neste momento, não há”, afirmou.
Anúncio das salvaguardas
A China anunciou as salvaguardas em dezembro de 2025. A decisão ocorreu após investigação sobre o aumento das importações de carne bovina. O governo chinês estabeleceu cota anual de 1,106 milhão de toneladas para o Brasil.
Os embarques acima desse volume passaram a sofrer tributação adicional. Pelas regras definidas por Pequim, as salvaguardas permanecerão por três anos. Mesmo assim, o governo poderá revisar as medidas durante esse período.
Até a mudança, a China liderava as compras de carne bovina brasileira. O país respondia por mais da metade das exportações do setor. Agora, as indústrias deverão ampliar as vendas para outros mercados. Além disso, buscarão fortalecer negócios com países que já importam carne bovina brasileira.
A Abiec afirma que qualquer mudança dependerá de negociações entre os governos. Enquanto isso, as empresas seguirão operando sob as novas regras chinesas.
Impacto no mercado brasileiro
A entidade também prevê reflexos no mercado brasileiro. A redução das exportações pode elevar a oferta de carne bovina no país. Inicialmente, esse movimento tende a pressionar os preços da arroba do boi gordo.
Além disso, os preços da carne no atacado também podem recuar. No entanto, a Abiec acredita que esse efeito poderá ser temporário. A expectativa é redirecionar parte da produção para novos mercados e reduzir os impactos das restrições chinesas.