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  • Clima no Mato Grosso inspira cautela, mas Bahia favorece safra de algodão

    Clima no Mato Grosso inspira cautela, mas Bahia favorece safra de algodão

    A StoneX, empresa global de serviços financeiros, manteve em março a estimativa para a produção brasileira de algodão na safra 2025/26 em 3,74 milhões de toneladas. A consultoria, no entanto, recomenda cautela. As condições climáticas e o estágio inicial das lavouras em regiões importantes ainda podem afetar o resultado final.

    No Mato Grosso, maior produtor nacional da fibra, as lavouras apresentam desenvolvimento satisfatório, porém ainda incipiente. A regularidade das chuvas em abril será decisiva para os rendimentos, especialmente nas áreas de plantio tardio.

    “O clima nas próximas semanas será decisivo para consolidar o potencial produtivo da safra”, afirma Raphael Bulascoschi, analista de Inteligência de Mercado da StoneX. “As áreas plantadas mais tardiamente exigem atenção redobrada.”

    Na Bahia, o cenário se mostra mais favorável. As chuvas acima da média histórica aceleraram o desenvolvimento das lavouras. Com isso, a consultoria sustenta a projeção de produtividade em 1,97 tonelada por hectare no estado.

    “O clima colaborou de forma bastante positiva na Bahia. As lavouras estão mais adiantadas”, destaca Bulascoschi.

    Exportação sobe 3,3% com safra anterior aquecida

    A consultoria elevou a estimativa para as exportações brasileiras de algodão em 2026 para 3,1 milhões de toneladas. O número representa alta de 3,3% ante a projeção de fevereiro. O volume colhido no ciclo anterior ampliou a oferta para o mercado externo.

    Assim, a demanda mais aquecida em grandes compradores, como China e Paquistão, especialmente no primeiro semestre, também deve favorecer os embarques brasileiros.

    “A combinação entre oferta robusta e demanda internacional mais firme tende a sustentar um bom desempenho das exportações no primeiro semestre”, explica Bulascoschi. “Mas o mercado seguirá atento ao potencial produtivo da safra atual e a como isso influenciará os embarques na segunda metade do ano.”

    Segundo a StoneX, o comportamento da produção ao longo do ciclo determinará não apenas o balanço entre oferta e demanda, mas também a competitividade do algodão brasileiro no mercado internacional em 2026.

  • Jaca vira “artigo de luxo” e some das feiras

    Jaca vira “artigo de luxo” e some das feiras

    Quem foi à feira livre na Bahia nas últimas semanas se deparou com uma cena inédita. A jaca, tradicional símbolo de fartura nos quintais e bancas do estado, praticamente desapareceu das prateleiras. E quando aparece, custa até R$ 70 a unidade. O que sempre foi fruta de “fundo de quintal”, muitas vezes doada entre vizinhos, agora pesa no bolso. E virou motivo de reclamação entre consumidores e feirantes.

    A disparada de preços reflete uma combinação de alta procura e escassez de oferta. Inclusive nos pés domésticos, que historicamente garantiam jaca abundante em bairros e comunidades rurais. Em algumas feiras, a fruta sumiu completamente das bancas, enquanto em outras aparece em quantidades limitadas, negociada como um verdadeiro “ouro verde” pelos comerciantes.

    Oferta e procura

    Feirantes relatam que, para conseguir manter alguma oferta, precisam rodar o interior, negociar diretamente com donos de propriedades e disputar cada fruto com atravessadores. Segundo comerciantes ouvidos em feiras de Salvador, muitos proprietários já conhecem o novo valor de mercado e só aceitam vender a jaca por preços considerados altos, o que pressiona ainda mais o valor repassado ao consumidor final.

    Levantamento em feiras da capital e do interior mostra que a jaca inteira grande, que em safras normais custava entre R$ 15 e R$ 20, hoje alcança R$ 70. O que representa alta de até 366%. A bandeja com gomos preparados, alternativa para quem não quer levar a fruta inteira, também encareceu. E passou de cerca de R$ 5 para valores entre R$ 15 e R$ 20, variação próxima de 300%. Até a chamada “jaca de quintal”, antes colhida sem grandes critérios e distribuída gratuitamente ou vendida por valores simbólicos, agora rende de R$ 30 a R$ 50 por unidade.

    Motivos do preço

    Além da entressafra e de fatores climáticos que reduziram a produtividade em algumas regiões produtoras da Bahia, especialistas e agentes do setor apontam outro vetor importante. A nova onda de consumo da fruta verde pela gastronomia e pela indústria de alimentos vegetais. A “carne de jaca” ganhou espaço em restaurantes, lanchonetes e produtos congelados voltados ao público vegano e flexitariano. E isso ampliou a demanda por frutos ainda verdes, antes mesmo de amadurecerem nos pés.

    ​Com isso, parte da produção que antes abastecia o consumo tradicional da fruta madura hoje segue direto para processadoras, cozinhas profissionais e fábricas de alimentos congelados. Essa disputa entre o consumo in natura e o uso industrial ajuda a explicar por que a jaca sumiu dos quintais para virar produto raro nas feiras. Isso em um momento em que a Bahia já discute a fruta como ativo agroecológico e de geração de renda para pequenos agricultores.

    ​Pequenos proprietários que nunca enxergaram na jaqueira uma fonte relevante de renda começam a rever a estratégia. Com a valorização recente, famílias negociam a produção doméstica de jaca por valores que, até pouco tempo atrás, seriam impensáveis. O que transforma o antigo “excesso de quintal” em complemento de orçamento.

    Enquanto a próxima safra não normaliza a oferta e não reduz a pressão sobre os preços, o consumidor baiano precisa escolher. Ou abre mais o bolso ou reduz o consumo de jaca, seja no doce caseiro, seja na fruta fresca. Nas feiras, a tendência imediata é a manutenção de preços altos e a venda fracionada em bandejas, estratégia que tenta conciliar o novo status de “artigo de luxo” da jaca com o poder de compra das famílias.

  • Ibama apreende quase 2 toneladas de lagosta

    Ibama apreende quase 2 toneladas de lagosta

    O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) intensificou a fiscalização do período de defeso da lagosta no litoral norte da Bahia. Entre os dias 5 e 11 de fevereiro, agentes federais apreenderam quase duas toneladas do crustáceo comercializadas irregularmente, além de diversas espécies da fauna silvestre.

    O defeso da lagosta, estabelecido pela Portaria SAP/MAPA nº 221/2021, permanece em vigor até 30 de abril. A medida protege as espécies durante a fase reprodutiva e assegura a reposição dos estoques naturais, a sustentabilidade da pesca e a renda das comunidades costeiras.

    Parte da lagosta apreendida foi destinada ao Programa Sesc Mesa Brasil, que combate a fome e apoia pessoas em situação de vulnerabilidade. Outra parte seguiu para uma associação local que atende crianças carentes, garantindo o aproveitamento social do alimento e evitando desperdício.

    Além das infrações envolvendo o defeso, a operação resultou na apreensão de 22 passeriformes, dois psitacídeos, um quelônio e dois artefatos indígenas feitos com partes de animais silvestres. Os espécimes foram encaminhados ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) para receber cuidados. E também passar por reabilitação antes de uma possível reintegração à natureza.

    De acordo com o Decreto nº 6.514/2008 e a Lei nº 9.605/1998, a comercialização e criação de animais silvestres sem autorização configuram crime ambiental. O descumprimento das normas do defeso também está sujeito a autuações e penalidades previstas na legislação.

    O Ibama reforça que a participação da sociedade é essencial no enfrentamento aos crimes ambientais. Denúncias anônimas podem ser registradas pela plataforma Fala.BR ou pelo telefone 0800 061 8080.

  • Defeso do caranguejo-uçá começa no Norte e Nordeste

    Defeso do caranguejo-uçá começa no Norte e Nordeste

    O período de defeso do caranguejo-uçá (Ucides cordatus) terá início em 17 de fevereiro de 2026, terça-feira de Carnaval. E se estenderá até 22 de fevereiro, informou o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Pará.

    A medida protege a reprodução da espécie e garante a manutenção dos estoques naturais nos manguezais das regiões Norte e Nordeste. O defeso vale para Amapá, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia.

    O Ibama também definiu as próximas etapas do defeso. De 3 a 8 e de 18 a 23 de março, e também dos períodos de 1º a 6 e de 17 a 22 de abril.

    Durante o defeso, os caranguejos saem das tocas para acasalar e liberar ovos, fase essencial para a continuidade da espécie. Por isso, ficam proibidas a captura, o transporte, o beneficiamento, a industrialização e a comercialização do caranguejo-uçá, tanto por pessoas físicas quanto jurídicas.

    Regras

    A proibição vale para animais vivos, congelados ou processados, inteiros ou em partes. Quem desrespeitar as normas está sujeito às sanções previstas na Lei nº 9.605/1998 e no Decreto nº 6.514/2008, que incluem multas e demais penalidades civis e administrativas.

    A comercialização da espécie durante o defeso só é permitida a quem apresentar a Declaração de Estoque registrada no Ibama até o último dia útil antes do início do período. Neste ciclo, o prazo é 13 de fevereiro de 2026. O documento deve detalhar os estoques de caranguejos vivos, congelados, pré-cozidos, cozidos, inteiros ou em partes, conforme o formulário anexo à portaria do instituto.

    Segundo o Ibama, o respeito ao defeso é essencial para a sustentabilidade da atividade extrativista e para a preservação dos manguezais, ecossistemas fundamentais ao equilíbrio ambiental e à subsistência de comunidades tradicionais.

  • Bahia se consolida como potência na produção de queijos de qualidade

    Bahia se consolida como potência na produção de queijos de qualidade

    A Bahia vem se destacando no cenário nacional pela excelência e diversidade de seus queijos, conquistando prêmios dentro e fora do país. Com uma tradição que remonta ao século XVI, quando os colonizadores europeus introduziram as primeiras técnicas de produção, o estado mantém viva a herança artesanal ao mesmo tempo em que impulsiona a modernização do setor de laticínios.

    Em 2024, a Bahia produziu cerca de 1,3 bilhão de litros de leite, volume que alimenta uma cadeia diversificada de agroindústrias e produtores artesanais. A variedade de biomas, como a Mata Atlântica, a Caatinga e o Cerrado, também contribui para a ampla gama de queijos baianos, que incluem desde tipos tradicionais — como requeijão, queijo coalho, de cabra e muçarela de búfala — até criações inovadoras com insumos locais, como umbu, araçá e licuri.

    Leite e derivados: base da agroindústria baiana

    Segundo Paulo Emílio Torres, assessor técnico da Seagri (Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura), a cadeia do leite é uma das mais robustas da Bahia. O estado conta com 185 agroindústrias de beneficiamento de leite e derivados. Número que supera segmentos como o de carne, ovos, pescado e produtos de abelhas.

    “O setor demonstra a força da agroindustrialização do leite e o papel estratégico do queijo na geração de renda e na valorização das economias locais”, explica Torres. Ele destaca que essas unidades operam sob inspeção sanitária formal, principalmente através do Serviço de Inspeção Estadual (SIE), garantindo padrões de qualidade e segurança alimentar.

    Queijo artesanal ganha espaço e valor cultural

    Além das indústrias, a produção artesanal de queijo cresce como uma alternativa de inclusão social e valorização cultural. De acordo com Torres, essa produção se consolida como política pública de fortalecimento da agricultura familiar, preservando saberes tradicionais e resgatando identidades territoriais.

    “O movimento mostra a evolução técnica, o reconhecimento do saber fazer local e a consolidação da identidade gastronômica dos queijos baianos”, afirma o gestor.

    Tradição milenar e curiosidades sobre o queijo

    A origem do queijo remonta a um acaso histórico. Acredita-se que pastores descobriram o alimento ao armazenar leite em recipientes feitos com o estômago de animais, onde o líquido se transformava naturalmente em massa sólida e soro. Desde então, o produto evoluiu com o avanço científico e cultural, tornando-se um dos alimentos mais consumidos do mundo.

    Hoje, há queijos de alto valor, como o Pule, feito com leite de jumentas da raça Balkan, na Sérvia. São necessários mais de 25 litros de leite para produzir apenas 1 quilo da iguaria, que pode custar até 5 mil euros.

    Produção nacional em expansão

    No Brasil, a produção de queijo começou no período colonial, com a chegada de vacas leiteiras à Bahia, trazidas das ilhas de Cabo Verde por Tomé de Sousa, em meados de 1550. O queijo surgiu como método de conservação do leite em regiões sem refrigeração e se transformou em alimento essencial da culinária brasileira.

    Atualmente, o país produz cerca de 1 milhão de toneladas de queijo por ano, segundo a Embrapa. Portanto ficando atrás apenas da União Europeia, Estados Unidos e Rússia. Com ampla presença regional e diversidade de sabores, o queijo brasileiro e especialmente o queijo baiano continua a ganhar espaço nas mesas e premiações do mundo.

  • Produção de ovos na Bahia cresce 16,3%

    Produção de ovos na Bahia cresce 16,3%

    A avicultura baiana encerrou 2025 em forte crescimento e inicia 2026 com perspectivas otimistas. A produção de ovos no estado cresceu 16,3%, enquanto o setor de frango de corte alojou mais de 152 milhões de pintinhos. Livre de focos de Influenza Aviária (gripe aviária), a Bahia lidera a produção no Nordeste e ocupa a 9ª posição no ranking nacional.

    O desempenho robusto reflete o compromisso dos criadores com controle de qualidade, segurança sanitária e rastreabilidade. A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri) prioriza a sanidade animal por meio da Agência de Defesa Agropecuária (Adab), em sintonia com o Programa Nacional de Sanidade Avícola (PNSA).

    Sanidade e parceria público-privada alavancam o setor

    O secretário da Seagri, Pablo Barrozo, credita os resultados à atuação integrada. “A Bahia se manteve livre da gripe aviária graças ao trabalho conjunto entre poder público, produtores e o sistema de defesa agropecuária. Investir em prevenção protege nossos produtores e garante competitividade”, destaca.

    A presidente da Associação Baiana de Avicultura (ABA), Kesley Jordana, reforça a importância do diálogo. “Os governos estadual e federal trabalham em parceria. Nosso diálogo com a Seagri busca soluções estratégicas para fortalecer a avicultura baiana”, afirma.

    Perspectivas positivas e agenda de oportunidades para 2026

    A retomada das importações pela China e União Europeia abre uma janela de oportunidade para 2026. “Esse movimento beneficia diretamente a Bahia, pois reduz a concorrência de produtos de outros estados no mercado interno e fortalece nossa produção”, explica o secretário Pablo Barrozo.

    Foto: Secom/BA

    Para consolidar o crescimento, a ABA discute uma agenda com prioridades claras: financiamento acessível para modernização de granjas, incentivos fiscais, programas de crédito para pequenos e médios produtores e campanhas para aproximar o consumidor baiano da produção local.

    Brasil Bate recorde de exportações e fortalece credibilidade

    O cenário nacional também impulsiona o otimismo baiano. Em 2025, as exportações brasileiras de frango atingiram um recorde histórico: 5,324 milhões de toneladas, consolidando o país como o maior exportador mundial. Os dados são da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

    “É uma conquista de toda a cadeia produtiva, das entidades do setor e do poder público comprometido com o agronegócio”, comemora Paulo Emílio Torres, assessor técnico da Seagri. O desempenho reforça a credibilidade sanitária e a competitividade do produto brasileiro no exterior.

  • Produção de sorgo cresce 400% em dez anos

    Produção de sorgo cresce 400% em dez anos

    A cultura do sorgo granífero consolida sua posição estratégica no agronegócio brasileiro, especialmente nas regiões do Oeste da Bahia e de Balsas, no Maranhão. A Embrapa e a empresa Inpasa Brasil realizaram dois eventos técnicos em dezembro para capacitar produtores, técnicos e profissionais do setor sobre as oportunidades que a cultura oferece, principalmente para a produção de bioetanol.

    O Simpósio do Sorgo aconteceu em 2 de dezembro, em Luís Eduardo Magalhães, no Clube Rio das Pedras, em parceria com a Círculo Verde. Já o Seminário da Cultura do Sorgo – a escolha certa para sua safrinha ocorreu em 4 de dezembro, na sede do Sindicato dos Produtores Rurais de Balsas (Sindibalsas).

    Crescimento expressivo na produção nacional

    Os dados da Conab revelam um crescimento robusto: entre as safras 2015/16 e 2024/25, a produção nacional de sorgo aumentou mais de 400%. O engenheiro agrônomo Frederico Botelho, chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Milho e Sorgo, coordena o projeto de cooperação técnica entre Embrapa e Inpasa, que visa o desenvolvimento sustentável da produção de sorgo.

    “O sorgo desponta como uma cultura complementar aos sistemas de produção brasileiros, principalmente por sua resiliência e adequação às demandas crescentes frente às mudanças climáticas e à necessidade de diversificação da matriz energética”, explica Botelho.

    Bioetanol transforma sorgo em matéria-prima estratégica

    A demanda por etanol de cereais elevou o sorgo de cultura secundária a matéria-prima estratégica. Usinas localizadas no Mato Grosso do Sul, Goiás, Mato Grosso e Maranhão fomentam o cultivo e compram o grão para impulsionar a produtividade industrial.

    Foto: Sandra Brito/Embrapa

    Irineu Piaia Junior, gerente comercial da Inpasa, destacou a importância da produção de sorgo na segunda safra. “A Inpasa, juntamente com demais consumidores, contribui para que o produtor encaixe a cultura no melhor cenário. O simpósio traz debates técnicos fundamentais para o crescimento sustentável”, afirma.

    Produtividades recordes no Oeste da Bahia

    Celito Breda, sócio proprietário da Círculo Verde, comenta os resultados obtidos na região. “Estamos com média de produção em torno de 85 sacas por hectare na segunda safra porque investimos e plantamos em áreas muito férteis”, relata.

    As perspectivas são ainda mais otimistas. “Daqui a cinco anos, as fazendas produzirão 140 sacas por hectare. Para os pivôs plantados em fevereiro, a perspectiva é de 200 sacas por hectare nos próximos 3 a 5 anos”, projeta Breda, atribuindo esses resultados à parceria com pesquisadores da Embrapa.

    O produtor rural Haroldo Uemura, que possui fazendas nas regiões Oeste da Bahia, extremo Sul do Piauí e no Maranhão, alcançou média de 90 sacas na segunda safra de 2025, com picos de 120 sacas por hectare nas áreas de maior produção. “O sorgo oferece boa margem de rentabilidade. Hoje temos mais segurança de liquidez, com a destinação dos grãos para a produção de etanol”, celebra.

    Região Oeste da Bahia amplia área cultivada

    A Região Oeste da Bahia abrange 31 municípios em 14,5 milhões de hectares. A Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) prevê 200 mil hectares de sorgo para a safra 2025/26, junto com 2,218 milhões de hectares de soja, 403 mil de algodão e 195 mil de milho.

    Jaime Aroldo Cappelesso, Secretário de Agricultura de Luís Eduardo Magalhães, mostra confiança no futuro da cultura. “O sorgo é uma cultura rústica em termos de manejo de água e de pragas. Tenho certeza de que, no máximo em cinco anos, o sorgo será a segunda cultura em área. Para esta safra 2025/2026, prevemos aumentar 25% da área”, projeta.

    Maranhão registra expansão na segunda safra

    No Maranhão, a Conab estima 54,1 mil hectares de sorgo para a safra 2025/2026, com produtividade de 2.465 kg/ha, totalizando 1.271 mil toneladas.

    Jean Henrique Martins, proprietário da Imperial Agro-Nutrição e produtor de grãos, ressalta os benefícios. “Com o sorgo, conquistamos a diversificação de culturas, o aproveitamento da janela de plantio e o aumento de área plantada. Quanto mais áreas cultivadas, maior a receita.”

    Cleonésio Luís Marques, sócio proprietário da Setor Agro e agricultor nas regiões do Maranhão e do Pará, planeja expandir. “O sorgo aguenta mais o tempo de estiagem na minha região. Consigo aproveitar a janela para fazer a safrinha. Pretendo, com o consorciamento de braquiária e sorgo, fazer a terceira safra para produção de proteína animal.”

    Adubação adequada garante altas produtividades

    A pesquisadora Flávia Cristina dos Santos, da Embrapa Milho e Sorgo, abordou a adubação do sorgo em Luís Eduardo Magalhães. “É preciso considerar o balanço de nutrientes. Em termos de solo de fertilidade construída, devemos considerar o que os grãos exportam durante a colheita”, orienta.

    Em Balsas, o pesquisador Álvaro Vilela de Resende explicou que as exigências nutricionais do sorgo granífero são similares às do milho. “O fornecimento de nutrientes deve ser concluído em até 30 dias após a semeadura, realizando todas as adubações no início da fase vegetativa. Quanto maior a expectativa de produtividade, maior deve ser o nível de adubação”, ensina.

    Manejo de pragas e doenças requer atenção constante

    A pesquisadora Simone Mendes apresentou as principais pragas da cultura. “No início do desenvolvimento, destaca-se o percevejo Barriga Verde, que requer cuidado até os 25 dias após a germinação. Em seguida, a lagarta-do-cartucho e o pulgão do sorgo, uma praga específica dessa cultura”, alerta.

    Dagma Silva abordou as estratégias de manejo de doenças. “O controle pode ser realizado com práticas integradas. Híbridos com genética resistente, controle químico e época de plantio garantem uma boa produção. Associar o controle químico ao nível de resistência é parte do manejo integrado”, recomenda.

    Controle de plantas daninhas exige planejamento estratégico

    O pesquisador Alexandre Ferreira da Silva enfatizou a importância do manejo preventivo. “É uma estratégia simples que busca evitar a introdução e a dispersão de plantas daninhas em áreas ainda não infestadas”, explica.

    Silva destaca práticas essenciais: controle de áreas adjacentes, limpeza minuciosa de colheitadeiras entre talhões e uso de sementes certificadas. “Muitos produtores deixam a desejar no controle de áreas adjacentes, o que causa transtornos muito grandes”, alerta.

    O efeito “carryover” — residual de herbicidas da cultura anterior — representa um dos maiores desafios. “É muito importante conhecer os herbicidas residuais na soja que podem prejudicar o sorgo semeado em sucessão. O planejamento é a palavra-chave”, adverte Silva.

    “Um dos grandes segredos para o sucesso é realizar o plantio de sorgo no limpo. Este é o primeiro passo para o sucesso da lavoura”, conclui o pesquisador.

    Perspectivas favoráveis impulsionam investimentos

    Luiz Antônio Pradella, diretor vice-presidente da Cooperfarms e da Federação Brasileira do Sistema Plantio Direto, destacou o papel do sorgo na diversificação do sistema de produção. “O consórcio com sorgo é uma alternativa para intensificar de forma sustentável o sistema, produzindo grãos e forragem em duplo propósito, o que melhora a qualidade do sistema de plantio direto.”

    Claudio Zago, gerente comercial da Helix Sementes, confirma o interesse crescente. “Esta região apresenta uma das maiores taxas de crescimento dessa cultura em comparação a todas as regiões do Brasil. Temos um programa de melhoramento, híbridos prontos e muito interesse em participar comercialmente da cultura do sorgo.”

    O sorgo consolida sua posição como cultura estratégica, oferecendo rentabilidade, segurança hídrica e sustentabilidade para os sistemas de produção do Maranhão e do Oeste da Bahia

  • Milho, feijão e cacau puxam alta da produção agrícola baiana em 2026

    Milho, feijão e cacau puxam alta da produção agrícola baiana em 2026

    A produção agrícola da Bahia deve crescer em 2026, impulsionada principalmente pelas safras de milho, feijão e cacau, segundo projeção divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O órgão estima aumento em 15 das 26 culturas acompanhadas no estado, na comparação com 2025.

    O milho deve registrar expansão de 8,1%, alcançando 156 mil toneladas adicionais. O feijão deve ter o maior avanço percentual, com alta de 35,3% — equivalente a 116,9 mil toneladas. Já o cacau deve somar 6,3 mil toneladas a mais, crescimento de 5,3% em relação ao ano anterior.

    A Bahia deve continuar como o segundo maior produtor de algodão do Brasil, representando 17% da produção nacional, atrás apenas do Mato Grosso. Os dados fazem parte do segundo prognóstico do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado pelo IBGE em dezembro.

    Para o secretário da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri), Pablo Barrozo, o resultado reforça a força do agronegócio baiano. “A previsão do IBGE, com aumento da produção em 15 das 26 safras, reflete o trabalho contínuo de fortalecimento da agricultura baiana. Esses resultados são fruto de investimentos, inovação e apoio aos produtores rurais, consolidando a Bahia como um dos principais polos agrícolas do Brasil”, destacou.

    Safra recorde em 2025 prepara cenário para 2026

    De acordo com o IBGE, a estimativa de novembro manteve em 2025 o recorde histórico da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas na Bahia, com 12,8 milhões de toneladas — alta de 12,8% frente a 2024. Entre as culturas destacadas estão arroz, milho, feijão, algodão, soja e girassol.

    Na comparação com outubro, a produção total de grãos cresceu 0,1%, e o volume colhido representa alta de 18,2% sobre novembro de 2024. O Brasil deve alcançar o recorde nacional de 345,9 milhões de toneladas em 2025. Nesse contexto, a Bahia mantém a 7ª posição entre os maiores produtores de grãos, com 3,7% da produção nacional.

    O levantamento de novembro aponta ainda que 18 das 26 safras investigadas no estado devem encerrar 2025 com crescimento em relação ao ano anterior. A soja lidera em volume absoluto, com acréscimo de 1,07 milhão de toneladas (+14,3%), seguida pela cana-de-açúcar (+699 mil t; +12,6%) e pelo milho da primeira safra (+380,9 mil t; +24,6%).

  • Bahia Farm Show: maior feira de tecnologia agrícola do Nordeste é lançada

    Bahia Farm Show: maior feira de tecnologia agrícola do Nordeste é lançada

    A maior feira de tecnologia agrícola do Norte e Nordeste acaba de ganhar data marcada. A 20ª edição da Bahia Farm Show foi lançada oficialmente neste domingo (30), durante a abertura da Fenagro 2025, em Salvador, e já promete fazer história. Marcado para junho de 2026, o evento reuniu o governador Jerônimo Rodrigues, secretários estaduais e as principais lideranças do agronegócio baiano em um momento que celebra duas décadas de transformação no campo.

    Entre os dias 8 e 13 de junho do próximo ano, a região MATOPIBA,que engloba Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, vai receber milhares de produtores, empresários e técnicos em busca das últimas novidades em máquinas agrícolas, sementes, insumos e soluções em agricultura de precisão. A expectativa dos organizadores é superar a marca de mil marcas expositoras, consolidando ainda mais o evento como uma das plataformas de negócios mais relevantes do Brasil.

    Feira que nasceu pequena e virou gigante

    Quando a primeira edição aconteceu em 2004, ninguém imaginava o tamanho que a Bahia Farm Show iria alcançar. Naquele ano, cerca de 20 mil visitantes e 200 expositores compareceram ao evento. Vinte anos depois, os números impressionam: a edição de 2025 bateu recorde histórico com 162.370 visitantes, 434 expositores e mais de 1.000 marcas presentes.

    “Chegamos aos 20 anos com uma feira consolidada, tradicional e de grande alcance em todo o MATOPIBA”, comemorou Moisés Schmidt, presidente da Aiba (Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia). Segundo ele, a edição de 2026 vai trazer ainda mais inovação e tecnologia, contribuindo para aumentar a produtividade e gerar oportunidades no agro baiano.

    Alessandra Zanotto Costa, presidente da Abapa (Associação Baiana dos Produtores de Algodão), também participou do lançamento, reforçando o alinhamento entre as entidades que sustentam o evento.

    Governador destaca impacto econômico da feira

    O governador Jerônimo Rodrigues não economizou elogios ao falar sobre a importância da Bahia Farm Show para o estado. “A feira fortalece o agronegócio, gera emprego, renda e contribui para o desenvolvimento da Bahia”, afirmou Rodrigues durante o lançamento. Ele destacou que o governo estadual apoia o evento porque reconhece seu papel transformador na economia regional.

    Foto: Divulgação

    Pablo Barrozo, secretário estadual de Agricultura, também reafirmou o compromisso da Seagri com a feira. “A Bahia Farm Show é fundamental para a economia do Estado, e a Seagri se mantém parceira desse evento tão importante”, disse o secretário.

    O reconhecimento oficial mostra como a feira deixou de ser apenas um evento do setor privado para se tornar uma estratégia de desenvolvimento regional apoiada pelo poder público.

    Seis dias de tecnologia, conhecimento e oportunidades

    A Bahia Farm Show 2026 vai funcionar como uma verdadeira vitrine tecnológica do agronegócio. Durante seis dias, produtores rurais vão poder ver demonstrações práticas de máquinas e equipamentos em campo, participar de palestras com especialistas e conhecer lançamentos de produtos que prometem revolucionar a produção agrícola.

    Além das grandes empresas, a feira também abre espaço para agricultura familiar, mostrando que inovação não é privilégio apenas dos grandes produtores.

    Compromisso com o meio ambiente

    Durante a Fenagro, a Aiba mostrou que tecnologia e sustentabilidade podem caminhar juntas. A associação manteve um estande com materiais educativos, quiz sobre o agronegócio e até os mascotes Emilho e Sojita, que fizeram sucesso com o público, principalmente as crianças.

    Mas o destaque ficou por conta da entrega de 1.000 mudas de árvores nativas à Secretaria Estadual de Meio Ambiente (SEMA). As mudas vão integrar o programa Bahia Mais Verde, reforçando o compromisso ambiental do setor. Durante o evento, os visitantes também receberam mudas de espécies nativas do Cerrado, em uma ação que busca conscientizar sobre a importância da preservação.

    Oeste da Bahia consolida posição estratégica

    A escolha do Oeste baiano como sede permanente da Bahia Farm Show não é por acaso. A região se transformou em um dos principais polos do agronegócio brasileiro nas últimas décadas, atraindo investimentos bilionários e gerando milhares de empregos diretos e indiretos.

    Foto: Divulgação

    Com a 20ª edição programada para 2026, a feira consolida sua trajetória de crescimento. E reafirma a capacidade da região de sediar eventos de grande porte. A movimentação econômica gerada pela Bahia Farm Show beneficia não apenas os produtores rurais. Mas toda a cadeia produtiva, incluindo hotéis, restaurantes, transportadoras e prestadores de serviços locais.

    Para quem trabalha no campo ou acompanha o setor, a Bahia Farm Show 2026 já entrou no calendário como um evento imperdível. Afinal, são duas décadas construindo uma história de sucesso que coloca o agronegócio baiano no mapa nacional.

  • Ibama autua influenciador digital por divulgar caça ilegal na Bahia

    Ibama autua influenciador digital por divulgar caça ilegal na Bahia

    Uma operação do Ibama no sertão da Bahia resultou na autuação de um influenciador digital por divulgar vídeos de caça ilegal em suas redes sociais. O homem, com mais de 180 mil seguidores, foi identificado após fiscalização e monitoramento das publicações que exibiam práticas ilegais contra a fauna silvestre. A abordagem ocorreu no município de Canarana (BA).

    Durante a ação, os fiscais não encontraram armas nem animais silvestres com o influenciador, mas o multaram por promover e incentivar a caça, proibida pela legislação ambiental brasileira. As multas somaram R$ 11,5 mil. Após a notificação, o infrator removeu todas as publicações relacionadas. O caso segue para as autoridades competentes, que conduzirão as investigações.

    Foto: Tadeu da Costa Silva/Ibama

    Em uma ação paralela na mesma região, fiscais do Ibama atenderam denúncias sobre a manutenção ilegal de animais silvestres em cativeiro. Em duas residências distintas, eles encontraram 12 pássaros engaiolados, entre eles 2 periquitos-da-caatinga, 2 galos-de-campina, 2 coleirinhos, 2 periquitões, 1 baiano, 1 bigodinho, 1 sofrê e 1 tico-tico-rei cinza.

    O Ibama devolveu parte dessas aves à natureza em áreas específicas de soltura. Equipes do órgão ambiental encaminharam as aves feridas ou em reabilitação ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) de Salvador (BA). As multas aplicadas, considerando caça ilegal, manutenção em cativeiro e maus-tratos, totalizaram R$ 24 mil.