Tag: Bahia

  • Chocolate vai ficar mais caro? Super El Niño preocupa produtores

    Chocolate vai ficar mais caro? Super El Niño preocupa produtores

    O avanço do El Niño voltou a colocar a produção de cacau no radar de produtores e fabricantes de chocolate. Apesar dos riscos climáticos, representantes do setor avaliam que a expansão do cultivo para novas áreas pode ajudar a reduzir os efeitos de uma eventual quebra de safra sobre a oferta da matéria-prima.

    Para Arcelia Gallardo, fundadora da Mission Chocolate, uma repetição da forte escalada de preços observada anteriormente não é inevitável.

    “No Equador, os produtores plantaram milhares de pés de cacau há quatro anos porque eles estavam entendendo o que iria acontecer. Por causa dos efeitos do clima, agora temos cacau também em São Paulo”, afirma. “Onde antes não tinha cacau, agora tem.”

    A avaliação de Gallardo é que a ampliação das regiões produtoras pode funcionar como um contraponto aos problemas provocados pelo clima. Isso, porém, não elimina os riscos que o El Niño representa para a cultura.

    Alta do cacau já mudou os chocolates

    Filha de agricultores mexicanos e nascida na Califórnia, nos Estados Unidos, Gallardo trabalha com o modelo bean-to-bar, expressão usada para fabricantes que compram os grãos de cacau e controlam sua transformação até a produção das barras.

    Com a forte valorização do cacau registrada no fim de 2024, a Mission Chocolate precisou rever parte de sua estratégia. Segundo Gallardo, algumas fórmulas foram modificadas e determinados produtos passaram a ter versões menores para absorver parte do aumento dos custos.

    Arcelia Gallardo é fundadora da Mission Chocolate (Foto: Divulgação)

    Além disso, outra alternativa foi aumentar a variedade do portfólio.

    “Conseguimos pensar em outros produtos que poderíamos fazer, como confeitos banhados em chocolate, que deram muito certo.”

    Segundo a empresária, essas mudanças ajudaram a evitar que toda a elevação dos custos fosse repassada ao consumidor.

    Caso uma nova onda de valorização da matéria-prima aconteça, a Mission também aposta em cookies e produtos banhados, que demandam uma quantidade menor de chocolate do que as barras tradicionais.

    Nestlé aposta em manejo para diminuir perdas

    Entre as grandes indústrias, uma das estratégias para reduzir a vulnerabilidade da cadeia está no preparo das propriedades rurais.

    A diretora de marketing de chocolates da Nestlé, Paula Munhoz, afirma que a prevenção de perdas passa pela adoção de melhores práticas pelos fornecedores de cacau.

    Entre as medidas mencionadas estão:

    • melhoria da gestão da água;
    • distribuição de mudas com maior potencial produtivo;
    • adoção correta de técnicas de poda;
    • orientação técnica aos produtores.

    Essas ações fazem parte da estratégia da empresa para aumentar a resiliência das propriedades diante de condições climáticas adversas.

    Por meio do Nestlé Cocoa Plan, a companhia mantém uma rede de mais de 6,5 mil fazendas parceiras no Brasil, com iniciativas de assistência técnica, capacitação e adoção de práticas agrícolas mais sustentáveis.

    Com o El Niño no radar, produtores e fabricantes passam a acompanhar não apenas as cotações do cacau, mas também a distribuição das chuvas e o comportamento das lavouras nas principais regiões produtoras.

  • Brasil pode se tornar exportador de fruta típica do Oriente Médio

    Brasil pode se tornar exportador de fruta típica do Oriente Médio

    O governo da Bahia e os Emirados Árabes Unidos assinaram uma parceria de cooperação técnica para viabilizar um novo cultivo no semiárido baiano: o de tamareiras, palmeira que produz as tâmaras, fruta típica do Oriente Médio. O acordo prevê investimento estimado de US$ 4 milhões ao longo de cinco anos.

    O plano prevê o plantio inicial de cerca de 10 mil mudas de Phoenix dactylifera, espécie cultivada tradicionalmente no norte da África e no sudoeste da Ásia e que já avança na Bahia graças ao clima quente e seco da região. Municípios como Juazeiro, Uauá, Casa Nova e Riachão das Neves devem concentrar a produção, com ciclo médio de três anos até a primeira colheita.

    Os produtores vão importar as mudas diretamente dos Emirados Árabes. Cada palmeira madura pode gerar até 70 kg de tâmaras por ano.

    Quem está por trás do projeto

    A Secretaria da Agricultura da Bahia (Seagri) e a Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab) assinaram o acordo em parceria com a Fundação Zayed, entidade que reúne organizações filantrópicas de sustentabilidade dos Emirados, e com a Al Foah Company, estatal de Abu Dhabi especializada na produção de tâmaras e considerada uma das maiores produtoras globais do setor.

    tamaras em um recipiente
    Foto de Amy Vann na Unsplash

    A cooperação técnica inclui a transferência de tecnologia, treinamento de agricultores e assistência contínua, com base na experiência acumulada pelos Emirados na produção da fruta. O objetivo imediato é estruturar uma cadeia produtiva capaz de abastecer o mercado nacional. E no médio prazo, a Bahia pretende transformar as tâmaras em produto de exportação.

    Clima semiárido favorece a adaptação da espécie

    Estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) mostram que a tamareira se desenvolve melhor em regiões com temperaturas elevadas, baixa umidade relativa do ar, alta incidência solar e irrigação controlada, condições que o oeste e o norte da Bahia reúnem. A palmeira exige bastante água durante o desenvolvimento dos frutos, mas seu sistema radicular profundo permite que ela resista a longos períodos de seca.

    Outras iniciativas semelhantes já avançam pelo Nordeste, com projetos e testes de adaptação também em estados como Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará. Todos com clima quente e seco favorável à cultura.

    Primeiras mudas chegam ao Brasil e passam por quarentena

    Em julho de 2026, o Brasil recebeu as primeiras 100 mudas importadas dos Emirados Árabes, com 12 variedades diferentes da espécie. A Embrapa enviou o material para quarentena no Centro Nacional de Pesquisa de Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen), em Brasília. Uma etapa que pode durar meses e que visa proteger os futuros plantios de pragas e doenças exóticas, seguindo protocolos rigorosos de manejo sanitário.

    Dados do Ministério da Agricultura mostram que as importações brasileiras de tâmaras saltaram de 776 toneladas para mais de 4,3 mil toneladas anuais na última década, alta superior a 450%. Hoje, países árabes como os próprios Emirados, a Tunísia, Israel, a Arábia Saudita e o Egito atendem praticamente toda a demanda nacional. O Egito, aliás, lidera a produção mundial da fruta, com cerca de 1,8 milhão de toneladas por ano.

    A tâmara reúne alta longevidade de cultivo e alto valor agregado, características que despertam o interesse do agronegócio brasileiro em internalizar essa produção.

    Conheça melhor a tamareira e a tâmara

    A tamareira (Phoenix dactylifera) pertence à família Arecaceae e tem origem no norte da África e no Oriente Médio, onde produtores cultivam a espécie há pelo menos 8 mil anos. A planta pode atingir até 20 ou 30 metros de altura na fase adulta e viver por mais de 60 anos, com folhas longas e pinadas de até 5 metros. Trata-se de uma espécie dióica, ou seja, existem plantas macho e fêmea separadas, e a polinização cruzada é necessária para a frutificação.

    Tâmaras na tamareira
    Foto de Alireza Dashtestani na Unsplash

    O fruto, a tâmara, concentra carboidratos na forma de açúcares naturais (glicose, frutose e sacarose). Além de fibras, vitaminas do complexo B e vitamina K, e minerais como potássio, magnésio, cobre e manganês. Compostos antioxidantes presentes na fruta também despertam interesse nutricional. Além do consumo in natura, a indústria utiliza a tâmara na produção de doces, barras energéticas e outros alimentos.

    Se os testes agronômicos confirmarem o bom desempenho das variedades introduzidas, a Bahia poderá inaugurar a primeira cadeia produtiva de tâmaras em escala comercial do Brasil. Um passo que pode reposicionar o país, hoje importador, como futuro fornecedor da fruta árabe também para outros mercados.

  • Avistamento de onças-pardas cresce na Bahia

    Avistamento de onças-pardas cresce na Bahia

    A Reserva Ecológica Michelin (REM), no sul da Bahia, registrou o maior número de avistamentos de suçuaranas desde o início do monitoramento em 2018. No último mês, câmeras captaram 49 registros em vídeo do felino, também conhecido como onça-parda, indicando avanço consistente na recuperação da biodiversidade local.

    Considerada quase ameaçada no Brasil, a suçuarana ocupa o topo da cadeia alimentar e atua como indicador-chave da saúde ambiental. A presença frequente do predador revela equilíbrio ecológico e qualidade do habitat na área protegida.

    Os dados mostram que ao menos cinco indivíduos utilizam atualmente a reserva, que possui cerca de 4 mil hectares. Entre eles, três machos e duas fêmeas. A concentração de animais em uma área relativamente limitada reforça a eficácia das ações de conservação e restauração da Mata Atlântica conduzidas pela REM.

    Segundo Kevin Flesher, diretor da Reserva Ecológica Michelin, o resultado reflete mais de duas décadas de trabalho contínuo. “Esse recorde mostra que o ecossistema funciona como deveria. Ele confirma que as ações de proteção e restauração da Mata Atlântica criam condições reais para a biodiversidade prosperar”, afirma.

    Criada em 2004, a Reserva Ecológica Michelin protege quase 4 mil hectares de Mata Atlântica no sul da Bahia. A iniciativa atua com base em seis pilares: proteção, restauração, pesquisa, ecoturismo, educação ambiental e empoderamento feminino.

    Desde a fundação, a reserva reduziu em 96% a pressão de caça na região e ampliou em 117% a abundância de fauna silvestre. O projeto também expandiu as áreas ocupadas por diferentes espécies e contribuiu para a conservação de animais criticamente ameaçados.

  • Dia Mundial do Chocolate: conheça o doce que conquistou o mundo

    Dia Mundial do Chocolate: conheça o doce que conquistou o mundo

    O Dia Mundial do Chocolate, celebrado em 7 de julho, homenageia um dos alimentos mais consumidos do planeta. A data faz referência à chegada do chocolate à Europa, em 1550. Desde então, o produto conquistou espaço em diferentes culturas e, ao longo dos séculos, tornou-se um dos doces mais apreciados do mundo.

    No entanto, muito antes disso, o cacau já fazia parte da rotina das civilizações maias e astecas. Esses povos consumiam a bebida conhecida como xocoatl, utilizada em rituais sagrados e considerada um símbolo de grande valor cultural. Posteriormente, com a colonização europeia, a semente atravessou o oceano e ganhou novos usos. Mais tarde, durante a Revolução Industrial, surgiram processos que popularizaram o tradicional chocolate em barra.

    Brasil se tornou referência na produção de cacau

    No Brasil, o cacau encontrou condições ideais para o cultivo, principalmente na Bahia, que se consolidou como uma das principais regiões produtoras ao longo do século XX. Apesar da crise provocada pela vassoura-de-bruxa, o setor se reinventou ao investir em chocolates premium e na valorização do cacau de origem.

    Como resultado, o chocolate brasileiro conquistou reconhecimento no mercado internacional. Um dos nomes ligados a esse movimento é o empresário Marco Lessa, criador do Chocolat Festival e da Origem Week, iniciativas voltadas à promoção do cacau nacional em diversos países.

    Cacau representa uma atividade sustentável, rentável e com grande potencial de crescimento — Foto: Reprodução/MAPA

    Esse avanço também foi reconhecido internacionalmente. A Organização Internacional do Cacau (ICCO) passou a classificar o Brasil como exportador de 100% de cacau fino e de aroma. Além disso, entre 2021 e 2025, as exportações brasileiras de chocolate, cacau e derivados superaram US$ 1 bilhão.

    Reconhecimento internacional fortalece o futuro do setor

    Outro passo importante foi a sanção da Lei 15.404/2026, que estabelece percentuais mínimos de cacau nos chocolates comercializados no país. Dessa forma, a legislação amplia a transparência para o consumidor e valoriza ainda mais a matéria-prima brasileira.

    Além disso, em dezembro de 2026, Salvador receberá a primeira edição completa do Salon du Chocolat no Brasil, considerado o maior evento mundial do setor. A expectativa é fortalecer a imagem do país como produtor de cacau de excelência e ampliar sua presença no mercado internacional.

    Assim, o Dia Mundial do Chocolate vai muito além de celebrar um doce. A data também evidencia a importância do cacau para a economia, a cultura e a sustentabilidade, reforçando o protagonismo do Brasil em uma cadeia produtiva que une tradição, inovação e desenvolvimento sustentável.

  • Graviola e morango passarão a integrar levantamento do IBGE

    Graviola e morango passarão a integrar levantamento do IBGE

    A Bahia passará a contar com um monitoramento mais detalhado de duas culturas que vêm ganhando força no estado. A partir da edição de 2026 da Produção Agrícola Municipal (PAM), levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a graviola e o morango passarão a integrar oficialmente a pesquisa, prevista para ser divulgada em agosto.

    A novidade foi anunciada durante uma reunião realizada nesta quarta-feira (20), que reuniu representantes da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri), do IBGE e de outras instituições ligadas ao setor agropecuário baiano.

    A inclusão atende a uma demanda apresentada pela Seagri e por produtores rurais do estado. Atualmente, a graviola possui forte presença no Baixo Sul da Bahia, enquanto o cultivo do morango avança principalmente na Chapada Diamantina e no Sudoeste baiano.

    De acordo com a assessora técnica da Seagri, Kátia Correia Lima, o crescimento dessas cadeias produtivas reforçou a necessidade de incorporar as culturas ao levantamento nacional.

    “O morango e a graviola são culturas que vêm crescendo bastante no estado, e os próprios produtores já reivindicavam essa inclusão no levantamento do IBGE. A Seagri formalizou a solicitação e, com esses dados, será possível acompanhar melhor o desenvolvimento dessas cadeias produtivas, subsidiando políticas públicas voltadas ao fortalecimento da produção, à geração de emprego e renda e ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos municípios e do estado”, destacou.

    Cenoura também está na mira do governo

    Além da inclusão das duas culturas, o encontro também discutiu a possibilidade de incorporar novos produtos agrícolas à PAM futuramente, como a cenoura. Os participantes ainda avaliaram melhorias nas fontes utilizadas e nos métodos de coleta de dados da produção agrícola no estado.

    Segundo Luís Alberto Pacheco, da Supervisão de Agropecuária do IBGE na Bahia, as informações repassadas pelas instituições parceiras ajudam a aprimorar a pesquisa e ampliar a precisão dos dados.

    “O IBGE realiza o levantamento e os ajustes metodológicos a partir das informações compartilhadas pelas instituições parceiras, como a Seagri. No caso da graviola, por exemplo, os dados da produção baiana são obtidos por meio de levantamentos da Adab (Agência de Defesa Agropecuária da Bahia). Essa reunião teve como objetivo avaliar os dados disponíveis, discutir melhorias metodológicas e identificar novas demandas que possam ser incorporadas ao estudo”, explicou.

    A inclusão da graviola e do morango também deve fortalecer os indicadores econômicos da Bahia. Para o coordenador de Contas Regionais da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), João Paulo Caetano, a medida permitirá mensurar de forma mais precisa a relevância dessas culturas para a economia estadual.

    “A graviola e o morango são culturas relevantes para a produção baiana, mas ainda não havia dados consolidados sobre sua contribuição econômica. Com a inclusão na PAM, será possível mensurar o valor da produção e da comercialização dessas culturas, fortalecendo os indicadores do PIB baiano”, afirmou.

    Com isso, o estado deve ampliar a capacidade de planejamento para o setor agropecuário. Além disso, os dados poderão orientar novas políticas públicas e incentivar investimentos em cadeias produtivas que seguem em expansão na Bahia.

  • Empresa seleciona jovens líderes para indústria com vagas em São Paulo

    Empresa seleciona jovens líderes para indústria com vagas em São Paulo

    Termina no dia 22 de maio o prazo de inscrição para o programa Friboi Desenvolve, iniciativa da JBS voltada à formação de jovens lideranças industriais. No interior de São Paulo, a empresa oferece quatro vagas nas unidades de Lins e Barretos.

    O programa busca profissionais com até dois anos de formação em nível superior para atuar nas áreas de produção e manutenção.

    Ao todo, a JBS disponibiliza 62 vagas em diversas regiões do país, incluindo Bahia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará e Rondônia.

    Formação com foco prático e liderança

    Os selecionados participarão de uma jornada de desenvolvimento com duração de 18 meses. O programa inclui 12 meses de atuação prática nas operações industriais, seguidos por seis meses em regime de supervisão compartilhada. Ao final, os participantes podem assumir cargos efetivos de liderança.

    A capacitação segue o modelo 70-20-10, que prioriza o aprendizado prático. Nesse formato, 70% do conhecimento ocorre na rotina de trabalho e em job rotation, 20% vem da troca com equipes e lideranças, e 10% envolve treinamentos estruturados e workshops.

    Cursos elegíveis para cada área

    Para as vagas na área de produção, a empresa busca profissionais formados em:

    Engenharia de Alimentos, Agronômica ou de Produção

    • Zootecnia
    • Medicina Veterinária
    • Gestão Industrial

    Já para a área de manutenção, podem se candidatar graduados em:

    • Engenharia Elétrica
    • Engenharia Mecânica
    • Engenharia Mecatrônica
    • Engenharia Química
    • Automação ou Manutenção Industrial

    Segundo Wanderson Costa, diretor de Recursos Humanos da Friboi, o programa reforça a estratégia de desenvolvimento interno da companhia. “Buscamos acelerar talentos com alto potencial e formar líderes preparados para atuar com excelência e contribuir de forma sustentável para o futuro do negócio”, afirma.

    Setor de proteína animal impulsiona empregos

    O programa surge em um contexto de alta demanda por profissionais qualificados no setor de alimentos. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) indicam que o segmento emprega cerca de 10,6 milhões de pessoas, o equivalente a 10,3% da força de trabalho nacional.

    Nesse cenário, a formação de lideranças se torna estratégica para sustentar o crescimento e a competitividade da cadeia de proteína animal no Brasil.

    Etapas do processo seletivo

    A seleção inclui seis fases, com testes online, avaliações técnicas voltadas à resolução de problemas industriais e entrevistas com comitês locais e corporativos.

    Os interessados devem se inscrever até 22 de maio de 2026 pelo site oficial: https://friboidesenvolve.gupy.io/.

  • Ranking revela estados mais procurados para compra de terras rurais no Brasil

    Ranking revela estados mais procurados para compra de terras rurais no Brasil

    O mercado de terras rurais no Brasil começou 2026 aquecido, com forte demanda por propriedades em diferentes regiões do país. Levantamento do portal Chãozão, plataforma de anúncios do segmento, registrou mais de 500 mil buscas por imóveis rurais à venda no primeiro trimestre.

    Minas Gerais liderou o ranking dos estados mais procurados, concentrando 19,58% das consultas. Rio Grande do Sul aparece na sequência, com cerca de 13%, seguido pela Bahia, que respondeu por 9,98% das buscas. O resultado evidencia a diversidade regional do interesse por terras agrícolas, impulsionado tanto por produtores quanto por investidores.

    Segundo Geórgia Oliveira, CEO do Chãozão, fatores como clima, tipo de solo, logística e vocação produtiva explicam a atratividade de cada estado. “Minas Gerais se destaca pela diversidade de culturas e localização estratégica. Já o Rio Grande do Sul atrai pela tradição agrícola, enquanto a Bahia ganha força com o avanço de novas fronteiras produtivas”, afirma.

    A executiva também aponta que o cenário macroeconômico tem incentivado a busca por ativos reais, como a terra rural. Investidores têm ampliado sua atuação geográfica para diversificar riscos e aproveitar oportunidades específicas em diferentes regiões.

    O levantamento também revela de onde parte o interesse pelos imóveis rurais. São Paulo lidera com folga, somando cerca de 36 mil buscas entre janeiro e março. Minas Gerais aparece em segundo lugar, com mais de 13 mil consultas, seguido por Goiás, com 9.069.

    Para Geórgia Oliveira, esse movimento indica a consolidação de um novo perfil de comprador, que inclui investidores de grandes centros econômicos. Ainda assim, o produtor tradicional segue relevante no mercado. “Estados como Mato Grosso, Paraná, Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul continuam com forte presença de compradores ligados diretamente à produção, o que reforça o papel do agro como um dos principais motores do PIB brasileiro”, destaca.

    Estados mais buscados por terras rurais (1º trimestre)

    1. Minas Gerais: 95.532 buscas
    2. Rio Grande do Sul: 67.378
    3. Bahia: 51.293
    4. Paraná: 26.216
    5. Paraíba: 26.091
    6. Rio Grande do Norte: 21.348
    7. São Paulo: 21.215
    8. Maranhão: 21.177
    9. Pará: 19.489
    10. Piauí: 19.404

    Origem das buscas por imóveis rurais

    1. São Paulo: 35.973
    2. Minas Gerais: 13.399
    3. Goiás: 9.069
    4. Paraná: 8.122
    5. Rio Grande do Sul: 5.180
    6. Santa Catarina: 3.835
    7. Rio de Janeiro: 3.775
    8. Mato Grosso: 3.725
    9. Distrito Federal: 3.142
    10. Mato Grosso do Sul: 3.102
  • Nova lei do cacau pode aumentar renda e consumo no mercado brasileiro

    Nova lei do cacau pode aumentar renda e consumo no mercado brasileiro

    O Senado Federal aprovou na última semana o Projeto de Lei nº 1.769/2019, que define regras para a produção e comercialização de derivados do cacau no Brasil. O texto já seguiu para sanção presidencial e deve impulsionar a cacauicultura na Bahia, um dos principais polos produtores do país.

    Foto: Fernando Vivas / GOVBA

    A proposta, construída com apoio do Governo da Bahia, reuniu representantes da Secretaria da Agricultura (Seagri), produtores e entidades do setor. O objetivo é fortalecer a produção nacional, ampliar a renda no campo e garantir mais qualidade aos produtos à base de cacau.

    A nova legislação estabelece critérios técnicos para derivados do cacau. O chocolate em pó, por exemplo, deverá conter pelo menos 32% de sólidos totais de cacau. Já o cacau em pó precisa ter no mínimo 10% de manteiga de cacau e até 9% de umidade. Produtos como achocolatados e coberturas sabor chocolate deverão apresentar ao menos 15% de sólidos ou manteiga de cacau.

    Outro ponto importante é a obrigatoriedade de informar, nos rótulos e nas peças publicitárias, o percentual de cacau presente nos produtos, sejam eles nacionais ou importados. A medida amplia a transparência e permite que o consumidor identifique a qualidade dos itens com mais facilidade.

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    Avanço estratégico

    Para o secretário da Seagri, Vivaldo Gois, a aprovação representa um avanço estratégico para o setor. Segundo ele, a medida valoriza o cacau baiano, reconhecido pela qualidade, pelo rigor fitossanitário e pelo sistema cabruca, modelo que preserva a Mata Atlântica. O secretário também destacou o impacto positivo para milhares de famílias que dependem da cadeia produtiva.

    Atualmente, o Brasil ocupa a sexta posição na produção mundial de cacau. A Bahia se destaca no cenário nacional, com mais de 137 mil toneladas colhidas. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima que o valor bruto da produção alcance R$ 6,5 bilhões em 2025.

    As projeções indicam crescimento contínuo. Em 2026, a produção de cacau deve avançar 5,3% na Bahia. Somente em março deste ano, o volume chegou a 125.360 toneladas, aumento de 5,6% em relação ao mesmo período de 2025.

    O sul do estado mantém a tradição na cultura do cacau, enquanto o oeste baiano desponta como nova fronteira agrícola, com ganhos de produtividade impulsionados pela irrigação e pela integração com lavouras como soja e algodão. A região sul também avança nas discussões para obter a Indicação Geográfica (IG) do cacau Cabruca.

    Além disso, no mercado interno, o consumo de chocolate segue elevado. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab) mostram que o brasileiro consumiu, em média, 3,9 kg de chocolate por habitante em 2024.

  • Como o cacau cabruca pode salvar a Mata Atlântica  e triplicar a renda de 3 mil famílias

    Como o cacau cabruca pode salvar a Mata Atlântica  e triplicar a renda de 3 mil famílias

    Um bioma que já perdeu 87,6% de sua cobertura original acaba de ganhar um reforço estratégico de escala global. Ilhéus, no sul da Bahia, sediou o lançamento do projeto “Conservação da Mata Atlântica por meio do manejo sustentável das paisagens agroflorestais cacaueiras”. A iniciativa aposta no cultivo tradicional do cacau cabruca para frear o desmatamento, restaurar a biodiversidade e melhorar a renda de milhares de famílias produtoras.

    Foto: FAO no Brasil/Divulgação

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), por meio da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), executa o projeto com apoio técnico da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). O Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) financia a iniciativa, e a Sitawi Finanças do Bem atua como parceira operacional.

    O que é o sistema cabruca e por que ele importa

    A cabruca é uma técnica secular de cultivo do cacau sob o dossel de árvores nativas da Mata Atlântica. Em vez de desmatar para plantar, o produtor mantém a floresta em pé e introduz o cacaueiro à sua sombra. O resultado é um sistema que forma corredores biológicos, regula o ciclo hídrico local e aumenta a resiliência ecológica da região. Tudo isso enquanto gera renda.

    “A Mata Atlântica é um bioma de importância mundial. O projeto será um exemplo notável de conservação produtiva, onde a agricultura sustentável coexiste com a preservação de espécies nativas e endêmicas”, afirma Jorge Meza, representante da FAO no Brasil.

    Metas ambiciosas: floresta, clima e economia

    O projeto estabelece objetivos concretos para os próximos anos: restaurar 12.000 hectares de cacau em sistema cabruca; melhorar a gestão de mais de 203 mil hectares de áreas protegidas, incluindo as APAs Pratigi e Baía de Camamu; e mitigar 3,72 milhões de toneladas de gases de efeito estufa.

    Imagem gerada por IA

    No campo econômico, a iniciativa quer triplicar a produtividade média do cacau cabruca e elevar em 30% a renda das famílias beneficiárias, por meio de assistência técnica e acesso a mercados de cacau premium.

    Três mil produtores organizados nos consórcios CIAPRA, CIMA e CDS-LS participam do projeto. O compromisso é que ao menos 50% dos beneficiários sejam mulheres e jovens.

    Tecnologia, governança e formação

    Além das ações de campo, o projeto propõe revisão de marcos legais e novos mecanismos de política pública para o manejo sustentável em uma escala de 1,6 milhão de hectares. Garantindo ao produtor rural retorno econômico sem abrir mão da conservação florestal.

    Entre as inovações planejadas estão o uso de blockchain para rastreabilidade total do cacau, a criação da Escola do Cacau para formação de técnicos e produtores, e um Centro de Inteligência Territorial (CIT) para monitoramento da paisagem e da biodiversidade em tempo real. Os produtores também ganham acesso a um modelo de crédito rural sustentável, o CRA Sustentável, e a redes de comercialização nacionais e internacionais.

    “O que estamos lançando na Bahia vai além de um projeto ambiental ou produtivo. É um modelo concreto de inovação no campo”, diz Thiago Guedes, diretor da Ceplac. “Estamos posicionando a cacauicultura agroflorestal como um ativo estratégico para o futuro da agricultura mundial.”

    Para quem vive da terra, o significado é direto. “Trazer o processo de transição agroecológica para esse espaço de produção permite produzir uma amêndoa de cacau melhor, com mais qualidade, agregando valor ao produto para que as famílias possam melhorar sua qualidade de vida”, conta Luciano Ferreira, assentado da reforma agrária e produtor de cacau.

  • Ibama multa empresas cosméticas e farmacêuticas por uso irregular de saberes indígenas

    Ibama multa empresas cosméticas e farmacêuticas por uso irregular de saberes indígenas

    O Ibama multou empresas cosméticas e farmacêuticas em R$ 2,2 milhões por explorar ilegalmente conhecimentos tradicionais de povos indígenas e comunidades tradicionais sobre o uso da biodiversidade. A Operação Guardiões da Biodiversidade, iniciada em março, fiscalizou 47 empresas em 12 estados e resultou em 51 autos de infração.

    Agentes do Ibama verificam estoque de insumos de indústria cosmética. Foto: Divulgação/Ibama

    Os agentes ambientais atuaram no Amazonas, Amapá, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. Fabricantes de pigmentos, saneantes e fitoterápicos estão entre os estabelecimentos notificados para se regularizar perante a Lei da Biodiversidade.

    “O foco da operação foi o desenvolvimento irregular de produtos cosméticos e farmacêuticos que utilizaram conhecimento tradicional de povos indígenas e comunidades tradicionais sobre o uso da biodiversidade, sem o devido consentimento prévio informado”, explicou Igor de Brito, coordenador de Fiscalização da Biodiversidade do Ibama.

    O que as empresas fizeram de errado

    As empresas autuadas acessaram conhecimento tradicional de origem identificável sem obter consentimento prévio informado. E deixaram de indicar a origem desse conhecimento em explorações econômicas ou pedidos de patentes. São condutas previstas nos artigos 83 e 84 do Decreto nº 8.772/2016.

    Entre os conhecimentos acessados irregularmente estão aqueles sobre o uso tradicional de espécies nativas como o urucum (Bixa orelana), a aroeira (Schinus terebinthifolia), o jagube (Banisteriopsis caapi) e a chacrona (Psychotria viridis).

    Outras infrações incluíram a exploração econômica de produtos acabados sem notificação prévia ao SisGen, o Sistema Nacional de Gestão do Patrimônio Genético e do Conhecimento Tradicional Associado. As multas previstas pelo Decreto nº 8.772/2016 variam de R$ 1 mil a R$ 10 milhões. Isso conforme a gravidade da conduta e a capacidade econômica do infrator.

    Por que essa lei existe

    O agente ambiental federal Isaque Siqueira, coordenador nacional da operação, destaca que a legislação reconhece formalmente povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares como guardiões da biodiversidade e de saberes ancestrais que impulsionam a inovação científica e industrial.

    “Ao garantir o direito de participação desses grupos na tomada de decisões e ao condicionar o acesso aos seus conhecimentos à obtenção de consentimento prévio informado, a lei protege sua integridade cultural e assegura que os lucros gerados retornem em forma de desenvolvimento sustentável”, afirmou Siqueira.

    Para as comunidades detentoras do conhecimento, o cumprimento das normas representa proteção contra a exploração indevida. E uma oportunidade de protagonismo na celebração de acordos que valorizam seus modos de vida e garantem recursos para a manutenção de seus territórios.

    O que diz a legislação

    A Lei da Biodiversidade (Lei nº 13.123/2015), referência internacional entre os países signatários da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), estabelece o marco regulatório nacional para o acesso e uso do patrimônio genético e do conhecimento tradicional associado no Brasil.

    Entre as principais obrigações para pesquisadores e indústrias estão o cadastro obrigatório de todas as atividades de acesso no SisGen e a notificação prévia à comercialização de produtos desenvolvidos a partir desses recursos.

    Empresas de médio e grande porte também devem repartir parte da receita gerada com a exploração econômica da biodiversidade. Esses recursos vão ao Fundo Nacional de Repartição de Benefícios (FNRB), que os aplica na conservação ambiental e na proteção do conhecimento tradicional.

    Nos casos em que a origem do conhecimento é identificável, a lei exige ainda a celebração de acordos específicos de repartição de benefícios, em formato monetário ou não monetário, diretamente com os detentores desses saberes, salvo exceções previstas na norma.