Tag: algodão

  • Robô brasileiro detecta doenças antes dos sintomas aparecerem

    Robô brasileiro detecta doenças antes dos sintomas aparecerem

    Um sistema robótico autônomo desenvolvido pela Embrapa Instrumentação promete transformar o combate a uma das principais ameaças às lavouras brasileiras de algodão e soja. Batizado de LumiBot, o equipamento é capaz de diagnosticar a presença de nematoides nas plantas antes mesmo do aparecimento dos sintomas visíveis, utilizando uma tecnologia baseada em luz ultravioleta.

    O protótipo, desenvolvido em parceria com a Cooperativa Mista de Desenvolvimento do Agronegócio (Comdeagro) de Mato Grosso, registra taxas de acerto superiores a 80% no diagnóstico de infecções por esses parasitas microscópicos, que causam prejuízos bilionários ao agronegócio nacional.

    Prejuízos bilionários motivam inovação

    Os nematoides, vermes microscópicos que variam entre 0,3 e 3 milímetros de comprimento, representam uma ameaça significativa para o agronegócio brasileiro. Na cultura da soja, os prejuízos chegam a R$ 27,7 bilhões anuais, segundo estudo da Sociedade Brasileira de Nematologia (SBN), Syngenta e consultoria Agroconsult. No algodão, as perdas superam R$ 4 bilhões por ano.

    “Existem vários exemplos de áreas de produção que se tornaram inviáveis pela infestação desses parasitas”, alerta Rafael Galbieri, pesquisador do Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt). Ele destaca que há relatos de perdas entre 50% e 60% em casos extremos, com média de 10% a 12% em determinadas regiões.

    A ameaça torna-se ainda mais relevante diante das perspectivas de safra recorde para 2025/26. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prevê produção de 4,09 milhões de toneladas de pluma de algodão e 177,67 milhões de toneladas de grãos de soja.

    Como funciona o diagnóstico por luz

    O LumiBot opera durante a noite, deslocando-se por trilhos instalados entre as fileiras de plantas. O equipamento emite luz ultravioleta-visível sobre as folhas e captura imagens da fluorescência emitida por meio de câmeras científicas. Todo o processo de captura leva apenas sete segundos por amostra.

    “A imagem obtida resulta da excitação das folhas com luz ultravioleta-visível, que induz compostos moleculares, como a clorofila e alguns metabólitos secundários, a emitirem luz por meio do processo de fluorescência”, explica Débora Milori, coordenadora do estudo e do Laboratório Nacional de Agrofotônica (Lanaf).

    O robô ilumina e fotografa ao mesmo tempo as folhas das plantas de algodão e soja em 7 segundos. Foto: Wilson Aiello/Embrapa

    A tecnologia embarcada no robô é chamada de Imagem de Fluorescência Induzida por LED (LIFI). Trata-se de um método não destrutivo que permite uma aquisição rápida de dados sobre processos fisiológicos das plantas. Algoritmos de aprendizado de máquina processam as imagens captadas e identificam padrões relacionados a doenças específicas.

    Um dos principais diferenciais da tecnologia é sua capacidade de diferenciar estresses bióticos, provocados por fungos, bactérias e vírus, de estresses abióticos, como deficiências nutricionais e falta de água. “Conseguimos gerar dados e modelos com taxas de acerto acima de 80%, além de diferenciar as doenças do estresse hídrico”, ressalta Milori.

    Redução no uso de defensivos químicos

    O método convencional de controle de nematoides baseia-se na aplicação de nematicidas no solo ou nas sementes antes do plantio. Esses produtos têm custo elevado, podem causar impacto ambiental e apresentam eficácia variável dependendo das condições do solo.

    O diagnóstico precoce e o mapeamento da infestação permitem a aplicação de defensivos químicos somente nas regiões infestadas, gerando economia e mais sustentabilidade. Foto: Wilson Aiello/Embrapa

    O diagnóstico precoce proporcionado pelo LumiBot permite uma abordagem diferente. Com a identificação precisa das áreas infestadas, os agricultores podem aplicar estratégias de controle apenas nas regiões efetivamente afetadas, evitando o uso excessivo de defensivos químicos.

    “O diagnóstico precoce de doenças é fundamental para que os agricultores possam agir rapidamente e de forma localizada. Com isso, evita-se o uso excessivo de defensivos químicos e a redução do impacto ambiental, um avanço importante para a agricultura de precisão no Brasil”, afirma Sérgio Dutra, consultor da Comdeagro.

    Resultados promissores em ambiente controlado

    O protótipo do LumiBot já passou por três anos de testes em casa de vegetação, com a coleta de aproximadamente sete mil imagens. Os experimentos foram conduzidos com 400 plantas em vasos, divididas em quatro grupos: controle, estresse hídrico, plantas inoculadas com o nematoide Aphelenchoides besseyi e plantas inoculadas com o Rotylenchulus reniformis.

    Essas duas espécies estão entre as mais comuns encontradas nas lavouras brasileiras. O Rotylenchulus reniformis é frequente em regiões tropicais e subtropicais, enquanto o Aphelenchoides besseyi, responsável por sintomas como haste verde e retenção foliar, prolifera em ambientes quentes e úmidos.

    “Os nematoides são um problema muito sério dentro do cultivo do algodão e resultam em muitas perdas para os agricultores. Principalmente para o Estado do Mato Grosso”, destaca Dutra.

    Próximos passos rumo ao campo

    Apesar dos resultados promissores, o LumiBot ainda é um protótipo de laboratório. A próxima etapa do projeto prevê o desenvolvimento de um equipamento adaptado para operação em campo, como a integração do aparato óptico em veículos agrícolas do tipo pulverizador gafanhoto ou veículos rover.

    O projeto conta com o suporte da Embrapii Itech-Agro (Integração de Tecnologias Habilitadoras no Agronegócio) da Embrapa Instrumentação, que busca minimizar custos e alavancar as cadeias produtivas da soja e do algodão. O projeto físico e de automação foi desenvolvido em parceria com a empresa Equitron Automação, de São Carlos (SP).

    A equipe apresentou o LumiBot publicamente durante o Simpósio Nacional de Instrumentação Agropecuária (Siagro). Ele foi realizado de 14 a 16 de outubro no Laboratório de Referência Nacional em Agricultura de Precisão (Lanapre), no Campo Experimental em Automação Agropecuária da Embrapa Instrumentação, em São Carlos.

    Equipe multidisciplinar

    O desenvolvimento do LumiBot reúne profissionais de diferentes áreas do conhecimento. Tiago Santiago, pós-doutorando, é responsável pela análise de dados e pelo treinamento dos modelos de aprendizado de máquina. Bianca Barreto, engenheira agrônoma, iniciou as pesquisas durante seu pós-doutorado supervisionado por Débora Milori.

    Foto: Wilson Aiello/Embrapa

    A equipe conta ainda com Vinícius Rufino, graduando em engenharia física que atua na instrumentação e análise de dados. Também com Julieth Onofre, doutora em Física responsável pela instrumentação óptica. Gabriel Lupetti é graduando em biotecnologia, e que acompanha o desenvolvimento dos nematoides e a inoculação. E Kaique Pereira, biólogo responsável pela manutenção das plantas e contagem de nematoides.

    Problema subestimado no agronegócio

    A presidente da Sociedade Brasileira de Nematologia, Andressa Cristina Zamboni Machado, alerta que o problema dos nematoides pode ser ainda maior do que os números oficiais indicam. “O Brasil abriga diversas espécies de nematoides altamente agressivas, disseminadas amplamente por todas as regiões agrícolas e responsáveis por extensas perdas econômicas no agronegócio. Entretanto, esses organismos nem sempre são corretamente diagnosticados ou manejados, o que agrava ainda mais seus efeitos sobre a produção”, afirma.

    Segundo ela, embora as perdas mais expressivas ocorram em culturas como soja e algodão, os patógenos já comprometem a produtividade de praticamente todas as lavouras do País, muitas vezes de forma ainda mais acentuada do que nas grandes culturas.

    Com o potencial de melhorar a qualidade da fibra, garantir maior rentabilidade para os produtores e promover uma agricultura mais sustentável, o LumiBot representa um avanço significativo na luta contra um dos maiores desafios fitossanitários do agronegócio brasileiro.

  • Algodão volta a operar abaixo da paridade de exportação

    Algodão volta a operar abaixo da paridade de exportação

    O Indicador do algodão em pluma CEPEA/ESALQ voltou a operar abaixo da paridade de exportação, fato inédito desde dezembro de 2024.

    Segundo o Cepea, tanto o Indicador quanto a paridade acumulam desvalorizações ao longo de 2025. A baixa na paridade reflete a queda do dólar frente ao real, além da desvalorização do Índice Cotlook A e do primeiro contrato na Bolsa de Nova York (ICE Futures).

    No mercado interno, as cotações sentiram o impacto do cenário externo. A instabilidade geopolítica e a maior oferta de pluma também pressionaram os preços.

    Nos últimos dias, contudo, o dólar voltou a se fortalecer frente ao real. Essa alta resultou em uma leve recuperação na paridade de exportação, ainda de acordo com os pesquisadores do Cepea.

  • Brasil fortalece aliança global em defesa do algodão

    Brasil fortalece aliança global em defesa do algodão

    Durante o ICA Trade Event 2025, em Dubai, o Brasil consolidou sua posição como voz influente na defesa do algodão natural. A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) liderou as discussões internacionais e reforçou parcerias estratégicas com os Estados Unidos e a Austrália.

    A delegação brasileira encerrou o evento com saldo positivo. Além das rodadas de negócios, a participação da Abrapa reforçou o compromisso global com a sustentabilidade da fibra natural.
    Segundo o diretor de Relações Internacionais da Abrapa, Marcelo Duarte, o encontro trilateral entre Brasil, Estados Unidos e Austrália marcou um novo capítulo de cooperação. “Os países discutiram estratégias conjuntas de promoção, comunicação e defesa institucional do algodão”, afirmou.

    Durante a reunião, os representantes abordaram iniciativas legislativas, como o Buy American Cotton Act (BACA), que oferece créditos tributários a empresas que usam algodão americano. Também discutiram propostas internacionais para reduzir a poluição causada por microplásticos.
    Duarte destacou que a disposição de trabalhar em conjunto, inclusive em temas de políticas públicas, fortalece a união entre os grandes exportadores.

    O presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli, ressaltou a importância dessa parceria. “Estamos construindo uma frente unificada para conscientizar governos e consumidores sobre a escolha por fibras naturais. O consumo de fibras sintéticas gera poluição e prejudica a saúde humana. Defender o algodão é defender o meio ambiente e a qualidade de vida”, disse.

    A presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), Alessandra Zanotto, avaliou o ICA Trade Event como um marco na união global do setor. “O evento destacou o desafio de ampliar o consumo mundial de algodão. A cooperação superou qualquer rivalidade comercial e uniu esforços em busca de soluções concretas”, concluiu.

    Cotton Brazil Luncheon reforça imagem positiva da fibra brasileira

    Pelo segundo ano consecutivo, a Abrapa organizou o Cotton Brazil Luncheon, encontro que reuniu cerca de 160 executivos e investidores no Dia Mundial do Algodão, 7 de outubro. O evento apresentou três painéis sobre safra, exportações e tendências de mercado. A delegação brasileira destacou avanços em qualidade, rastreabilidade e sustentabilidade do algodão nacional.

    Durante o encontro, os produtores brasileiros reafirmaram o compromisso com eficiência e inovação. O espaço “Sala Abrapa” serviu para aproximar tradings, corretores e importadores em rodadas de negócios.
    O presidente da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), Orcival Guimarães, afirmou que o evento trouxe lições importantes. “O mercado reconhece a qualidade do algodão brasileiro, mas precisamos buscar melhoria contínua. A reputação conquistada exige manutenção constante”, afirmou.

    O produtor e presidente do Conselho da SLC Agrícola, Aurélio Pavinato, destacou o papel de liderança do país. “O Brasil é hoje definidor de mercado e referência em qualidade. Essa posição aumenta nossa responsabilidade global”, observou.

    Já o vice-presidente da Abrapa, Celestino Zanella, apontou um novo desafio: ampliar o consumo global de algodão. “Estamos no caminho certo. A colaboração entre os países produtores vai impulsionar a demanda pela fibra natural”, disse.

    Ações internacionais ampliam presença do algodão brasileiro

    O ICA Trade Event marcou o início de uma série de ações globais da Abrapa em outubro. A promoção internacional da fibra é conduzida por meio do programa Cotton Brazil, desenvolvido em parceria com a ApexBrasil e com apoio da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea).
    Com foco em qualidade, sustentabilidade e cooperação internacional, o Brasil reforça sua liderança na defesa do algodão natural e sustentável no mercado global.

  • Algodão inicia outubro com queda nos preços

    Algodão inicia outubro com queda nos preços

    Os preços do algodão em pluma começaram outubro em queda, segundo levantamento do Cepea. A paridade de exportação atingiu o menor patamar nominal desde dezembro de 2020, pressionando os valores no mercado interno.

    Pesquisadores do Cepea explicam que os estoques globais elevados influenciam o cenário atual. A desvalorização do dólar, que chegou ao menor nível desde meados de 2024, intensificou a queda da paridade de exportação.

    A colheita recorde começa a chegar ao mercado spot, aumentando gradualmente a oferta. Parte dos vendedores reduziu os preços para fechar negócios, gerar caixa ou liquidar volumes específicos.
    Mesmo com essa estratégia, a demanda permanece contida, apontam os levantamentos do Cepea.

  • Dia Mundial do Algodão: Brasil lidera exportação e produção sustentável

    Dia Mundial do Algodão: Brasil lidera exportação e produção sustentável

    O algodão brasileiro se consolidou como referência mundial em produção em larga escala com respeito às pessoas e ao meio ambiente. Desde 2024, o Brasil ocupa o posto de maior exportador de algodão e o de terceiro maior produtor mundial da pluma. Na safra 2024/2025, o país produziu 4,11 milhões de toneladas e exportou 2,83 milhões de toneladas.

    Além do destaque no comércio exterior, o algodão brasileiro é essencial para a indústria nacional. A pluma é a principal matéria-prima do setor têxtil, que valoriza a qualidade e a sustentabilidade do produto. Esses resultados são fruto da organização do setor, que investe em produtividade, qualidade da fibra, sustentabilidade ambiental e desenvolvimento social.

    Campanha nacional celebra o Dia Mundial do Algodão

    Neste 7 de outubro, o Brasil celebra o Dia Mundial do Algodão. A data é marcada pela campanha “Não é só fibra. É propósito.”, promovida pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) e pelo movimento Sou de Algodão.
    A ação convida consumidores e produtores a enxergar o algodão além da fibra, como uma potência que movimenta a economia, inspira a criatividade e conecta pessoas.

    Brasil é líder em certificações socioambientais

    O Brasil é referência mundial em algodão certificado socioambientalmente. Atualmente, 83% das fazendas produtoras são certificadas pelos programas Algodão Brasileiro Responsável (ABR) e Better Cotton.

    Para obter o selo, as propriedades passam por auditoria externa com 195 critérios de conformidade socioambiental. São avaliados o uso da água, a conservação da biodiversidade, o manejo de pragas, a saúde do solo e o impacto climático.

    Na safra 2023/2024, o algodão brasileiro representou 48% das 5,47 milhões de toneladas certificadas no mundo, consolidando o país como líder global em produção responsável. O presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli, destaca que a fibra responsável é o grande diferencial do Brasil. “O consumidor exige práticas sustentáveis. O algodão brasileiro entrega qualidade com respeito ao meio ambiente”, afirma.

    Fibra rastreável agrega valor ao produto final

    As marcas que utilizam algodão brasileiro agregam valor aos produtos por causa da rastreabilidade e da certificação da pluma. Segundo Piccoli, o país oferece ao mercado, durante todo o ano, uma fibra com origem comprovada e controle em todas as etapas — da semente à confecção da roupa.

    Dois programas da Abrapa garantem a rastreabilidade: o Sistema Abrapa de Identificação (SAI) e o Sou ABR. A diretora de Relações Institucionais da Abrapa, Silmara Ferraresi, explica que cada fardo de algodão recebe uma etiqueta com informações sobre a fazenda, as certificações, os testes laboratoriais e o trajeto até as fiações ou portos.

    O programa Sou ABR amplia o controle, rastreando o algodão até o consumidor final por meio da tecnologia blockchain. “O sistema reúne dados do campo até a confecção, garantindo transparência em toda a cadeia”, diz Ferraresi.

    Algodão brasileiro gera emprego e desenvolvimento

    A cadeia do algodão movimenta a economia do campo ao varejo. Cada fazenda produtora gera, em média, 30 empregos diretos, e o setor têxtil emprega 1,34 milhão de pessoas, segundo dados da IEMI/ABIT.

    O diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, ressalta que o setor incentiva a profissionalização da mão de obra. “A Abrapa promove cursos em beneficiamento, laboratórios e produção, elevando o nível técnico do setor”, afirma.

    Nos últimos 20 anos, a revolução tecnológica transformou a cotonicultura brasileira. O país superou pragas, aumentou a produtividade e elevou a qualidade da fibra. Somente em 2025, 1.440 profissionais participaram de capacitações promovidas pela Abrapa nos principais polos produtores.

    O impacto vai além da geração de renda. Entre 2013 e 2023, as regiões produtoras de algodão tiveram alta de 21,3% no Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM), alcançando média superior à nacional.

    Inovação impulsiona o futuro da cotonicultura

    Desde o fim dos anos 1990, a inovação tecnológica tem sido o motor da expansão do algodão brasileiro. O melhoramento genético elevou a produtividade por hectare e reduziu a necessidade de novas áreas.
    Hoje, o algodão ocupa apenas 0,25% do território nacional, mantendo fibra de qualidade superior e atendendo aos mais altos padrões internacionais.

    O país conta com 14 laboratórios HVI, que analisam e certificam a qualidade da fibra. Eles integram o Programa Standard Brasil HVI (SBRHVI), desenvolvido pela Abrapa para garantir a precisão dos dados junto aos compradores internacionais.

    Outra inovação de destaque é o cultivo em sequeiro aliado ao plantio direto. Atualmente, os agricultores brasileiros produzem 92% do algodão com água da chuva, reduzindo desperdício e preservando o solo.
    Para Portocarrero, o futuro da cotonicultura nacional está claro: “Sustentabilidade, rastreabilidade e qualidade, com tecnologia e harmonia entre sociedade e meio ambiente.”

     

  • Algodão registra menor média de preço desde 2015

    Algodão registra menor média de preço desde 2015

    A colheita da safra 2024/25 de algodão está praticamente concluída no Brasil. O beneficiamento da pluma já alcança quase 50% da produção.

    Segundo o Cepea, o volume recorde mantém alta a oferta no mercado spot nacional. Por isso, vendedores mostram mais flexibilidade nos pedidos.

    Compradores ativos, porém, seguem ofertando valores ainda menores. Além disso, a queda internacional pressiona as cotações no mercado interno.

    Setembro marcou o quarto mês seguido de retração nos preços. A média do mês caiu 6,6% frente a agosto de 2025. Na comparação com setembro de 2024, a baixa foi de 8,26%. O valor médio ficou em R$ 3,5416 por libra-peso. Esse resultado representa o menor patamar real desde fevereiro de 2015, de acordo com os cálculos do Cepea ajustados pelo IGP-DI.

  • Egito amplia compras de algodão brasileiro

    Egito amplia compras de algodão brasileiro

    O Egito entrou no mapa do algodão brasileiro em 2023. Em pouco tempo, tornou-se um dos principais destinos da commodity. A relevância do mercado levou o projeto Cotton Brazil, parceria da Abrapa com a ApexBrasil, a incluir o país como prioritário.

    Egito busca fornecedor confiável

    O gestor do Cotton Brazil, Fernando Rati, afirma que o Egito é um dos maiores produtores e exportadores de têxteis do mundo. Apesar disso, o país não consegue atender sozinho à demanda da sua indústria e enfrenta limitações na produção.

    Rati lembra que o Egito é referência global na cotonicultura de fibras longas e de alta qualidade. Porém, sofre com baixa fertilidade do solo, escassez de água e produtividade reduzida. Para superar esses obstáculos, a indústria têxtil egípcia passou a investir em misturas de fibras. O movimento explica a crescente importação do algodão brasileiro.

    Negociações duraram quase 20 anos

    O diretor da Câmara de Comércio Árabe Brasileira no Cairo, Michael Gamal, destaca que as compras começaram em 2023 após longas negociações.
    Segundo ele, abrir um novo mercado exigiu parcerias locais, cadeias de suprimento seguras e adaptação às normas regulatórias egípcias. “Superados esses desafios, os resultados vieram rápido”, afirma. Nos primeiros oito meses da safra 2023/24, as importações cresceram 85 vezes.

    Produção mundial e espécies cultivadas

    Existem mais de 50 espécies de algodão, mas apenas duas dominam a produção global.
    O gossypium barbadense, conhecido como algodão egípcio ou pima, tem fibras extralongas usadas em tecidos finos. Responde por 3% da produção mundial. Já o gossypium hirsutum, ou upland, representa 95% da produção global. Ele permite até duas safras por ano e abastece a indústria de roupas em larga escala.

    Pesquisador da Embrapa, João Paulo Saraiva Morais explica que indústrias no Brasil e no Egito usam blends, misturas de fibras. Ele afirma que o Brasil pode produzir algodão egípcio, mas a baixa produtividade torna o upland mais viável.

    Brasil ocupa posição estratégica

    No Brasil, o algodão é cultivado em cerca de dois milhões de hectares, contra 44 milhões da soja.
    Mesmo assim, o País é o quarto maior produtor e o maior exportador mundial da pluma.
    A retomada da cotonicultura ocorreu nos anos 2000, após controle do bicudo-do-algodoeiro e desenvolvimento de novas cultivares.

    Comércio deve crescer nos próximos anos

    Na safra 2024/25, o Egito produziu 93 mil toneladas e importou 218 mil. A previsão do USDA indica queda na produção egípcia para 54 mil toneladas em 2025/26, com importações de 239 mil.

    O Brasil exportou 18 mil toneladas ao Egito em 2023/24. O volume subiu para 78 mil toneladas no ciclo seguinte, encerrado em julho.

    Atualmente, Vietnã, Paquistão, China, Bangladesh, Turquia, Indonésia e Índia compram mais algodão brasileiro que o Egito. Segundo Rati, o Egito deve manter alta nas importações nos próximos anos. Hoje, o Brasil já responde por 36% do market share.

    Complementaridade entre algodão brasileiro e egípcio

    O algodão brasileiro não compete com o egípcio. Pelo contrário, são complementares na indústria têxtil.
    Gamal avalia que companhias brasileiras precisam investir em promoção no Egito para ampliar o mercado.
    O polo de El-Mahalla, no norte do país, concentra empresários em busca de fornecedores brasileiros.
    “Com produção em queda e demanda crescente, o Egito representa grande oportunidade. Exportadores brasileiros devem investir em feiras e missões comerciais”, afirma Gamal.

  • Exportações de algodão superam vendas internas em setembro

    Exportações de algodão superam vendas internas em setembro

    Após cinco meses de liderança no mercado interno, as exportações de algodão voltaram a ganhar vantagem em setembro, segundo o Cepea.

    A média recebida pela pluma exportada alcançou R$ 3,9410/lp, conforme a Secex. Esse valor ficou 5,6% acima do mercado doméstico. No Brasil, a cotação do algodão foi de R$ 3,7322/lp.

    Com preços externos mais atrativos, os agentes priorizaram os embarques. A colheita em fase final e o avanço do beneficiamento aceleraram as exportações.

    Nos 15 primeiros dias úteis de setembro, o país exportou 104,6 mil toneladas de algodão.
    Esse volume representa alta de 79,3% frente a agosto, quando foram embarcadas 58,35 mil toneladas, segundo a Secex.

    Apesar da recuperação, as exportações seguem abaixo de 2024. Em setembro do ano passado, o Brasil embarcou 169,5 mil toneladas, 38,3% a mais.

  • Clima instável aumenta riscos de doenças nas lavouras de milho, feijão e algodão

    Clima instável aumenta riscos de doenças nas lavouras de milho, feijão e algodão

    A combinação de dias quentes, noites frias e a alternância entre períodos de seca e umidade tem criado um ambiente propício para o surgimento e o agravamento de doenças em lavouras de milho, feijão e algodão. Essas condições climáticas exigem maior vigilância dos produtores rurais para evitar prejuízos significativos.

    Conforme a professora Adriana Matos, do curso de Agronomia da Una Jataí, o clima atual favorece o desenvolvimento de patógenos que exploram o estresse das plantas. “Algumas doenças se instalam justamente quando a planta está mais vulnerável. A mancha branca no milho, por exemplo, é típica deste período com noites mais frias, especialmente em milhos semeados mais tarde”, explica.

    Entre as doenças mais frequentes na estação estão o mofo branco, que afeta feijão e algodão, e a mancha branca no milho. Outro alerta é a ramulária no algodão, que se desenvolve em condições de umidade noturna elevada causadas pelo orvalho e dias quentes. A doença começa na parte inferior da planta, local de difícil alcance para fungicidas, prejudicando a qualidade e a produtividade da fibra.

    As recentes chuvas salvaram muitas lavouras, porém aumentaram a umidade, favorecendo a proliferação de fungos e outras doenças. Além disso, o avanço do bicudo-do-algodoeiro tem causado estragos na safra atual, especialmente pela falta de controle das plantas tigueras, que funcionam como ponte para a praga. A ausência de manejo adequado no ano passado facilitou a chegada precoce e em grande número desse inseto.

    Foto: Adriana Matos/Divulgação

    Para minimizar prejuízos, a recomendação é atuar preventivamente, monitorando sinais iniciais nas lavouras. Conhecer o híbrido ou cultivar é fundamental, pois alguns são mais sensíveis a doenças. Aplicar defensivos antes do surgimento de sintomas visuais e acompanhar a evolução das infecções são medidas essenciais.

    A professora Matos reforça a importância do manejo integrado de pragas e doenças, destacando a rotação de técnicas e produtos para evitar resistência. “As mudanças climáticas têm antecipado o aparecimento das doenças e dificultam o controle, pois nem sempre o clima permite a aplicação ideal dos produtos”, alerta. A antecipação, o monitoramento constante com armadilhas e o manejo adaptado às condições são chave para garantir a saúde das plantas e a produtividade das lavouras.

  • Algodão tem cotações em queda no mercado brasileiro

    Algodão tem cotações em queda no mercado brasileiro

    Os preços do algodão em pluma seguem enfraquecidos no Brasil, segundo levantamento do Cepea. A pressão vem do mercado externo e do câmbio.

    Na Bolsa de Nova York (ICE Futures), os contratos estão em patamares baixos. Já o dólar registra a menor cotação desde meados de 2024.

    Além disso, a paridade de exportação recuou para níveis de dezembro de 2020. Pesquisadores destacam que esse cenário pressiona ainda mais os valores internos. A expectativa de safra recorde e a demanda doméstica limitada reforçam a tendência de queda. Assim, as cotações continuam em retração no mercado brasileiro.

    Na primeira quinzena de setembro, o Indicador CEPEA/ESALQ, com pagamento em oito dias, caiu 6% e fechou a R$ 3,6703 por libra-peso no dia 15. No dia 12, o indicador registrou R$ 3,6590 por libra-peso, o menor valor nominal desde 6 de julho de 2023.

    No campo, a colheita da safra 2024/25 caminha para o fim. Segundo a Conab, a produção deve atingir 4 milhões de toneladas, 9,7% acima da anterior.