Tag: algodão

  • Dívida de R$ 1,12 bilhão: gigante do agro pede recuperação judicial

    Dívida de R$ 1,12 bilhão: gigante do agro pede recuperação judicial

    A Justiça de Mato Grosso deferiu o processamento da recuperação judicial do Grupo Lermen, conglomerado familiar do agronegócio sediado em Sorriso/MT. A decisão abrange cinco sociedades empresárias, entre transportadoras e agropecuárias,  e três produtores rurais do mesmo núcleo familiar. O passivo concursal indicado no processo soma R$ 1.125.328.266,68.

    Segundo a decisão judicial, existe um efetivo grupo econômico entre as empresas e os empresários rurais envolvidos, com unidade de direção e interdependência operacional e patrimonial. Por esse motivo, o juízo determinou a consolidação processual e substancial entre os recuperandos, o que exige a apresentação de um plano único de soerguimento e garante tratamento unificado a todos os credores.

    Da chegada a Nova Ubiratã à consolidação do agronegócio em Sorriso

    A história do Grupo Lermen remonta a 1977, quando o casal fundador da família chegou ao município de Nova Ubiratã, em Mato Grosso, então marcado por infraestrutura precária e intensa atividade madeireira. Originários do Rio Grande do Sul, os fundadores apostaram no potencial produtivo do Centro-Oeste e adquiriram as primeiras áreas rurais, que passaram a cultivar a partir da segunda metade dos anos 1980.

    Em 2004, o filho do casal, já formado em agronomia, assumiu a gestão técnica das terras da família e profissionalizou a estrutura produtiva, o que elevou a produtividade nos anos seguintes.

    Para sustentar a logística da produção agrícola, a família criou sua primeira transportadora em 2011, hoje Dalila Lermen Ltda, seguida pela Buritis Transportes Ltda, em 2015, e pela Transportes São Pedro Ltda, em 2020. Entre 2015 e 2017, porém, a inadimplência de um grande cliente somada a uma seca severa, que reduziu a produtividade da soja, obrigou o grupo a reorganizar suas operações.

    Entre 2018 e 2019, a família diversificou a produção com o cultivo de algodão em pluma e ampliou a área plantada até cerca de 18 mil hectares, distribuídos entre soja, milho safrinha e algodão. Para sustentar essa expansão, o grupo constituiu, em 2021, a Agropecuária Dona Hilda Ltda e a Agropecuária Campo Santo Ltda, responsáveis pela titularidade das principais áreas rurais e pela condução conjunta das atividades agrícolas.

    Quais empresas e produtores tiveram a recuperação judicial deferida

    A Justiça deferiu a recuperação judicial, sob regime de consolidação processual e substancial, para as sociedades Buritis Transportes Ltda, Transportes São Pedro Ltda, Agropecuária Dona Hilda Ltda, Agropecuária Campo Santo Ltda e Dalila Lermen Ltda, além dos produtores rurais Adriana Lermen Bedin, Alexandro Lermen e Oli Baltazar Lermen.

    A decisão, no entanto, indeferiu o pedido em relação às pessoas físicas de Dalila Lermen e Patrícia Aparecida Gotardi Lermen. O juízo entendeu que ambas não comprovaram, de forma individual e robusta, o exercício pessoal da atividade rural pelo prazo mínimo de dois anos exigido pela Lei 11.101/2005. As duas seguem, contudo, vinculadas ao grupo familiar por meio das demais empresas e produtores contemplados pela medida.

    O que levou o Grupo Lermen à recuperação judicial

    Uma combinação de fatores provocou a crise econômico-financeira do Grupo Lermen. O primeiro deles foi a retração do crédito bancário a partir do final de 2022, quando instituições financeiras passaram a dificultar a renovação de operações já existentes e estrangularam o capital de giro necessário à atividade agrícola. O quadro se agravou quando uma instituição financeira bloqueou um financiamento já negociado para a construção de um armazém. Obra em que o grupo já havia investido cerca de R$ 40 milhões de recursos próprios, sem a correspondente recomposição de caixa.

    A partir de 2023, mudanças nos procedimentos de terceiros ligados à cadeia de beneficiamento do algodão geraram problemas recorrentes na classificação e comercialização do produto. As irregularidades, que incluíram manipulação de registros, divergências de volumes e falsificação de documentos, deram origem à Operação Safra Desviada, deflagrada pelo Gaeco do Ministério Público de Mato Grosso. A investigação apura um esquema de desvio de grãos que teria causado prejuízo de aproximadamente R$ 140 milhões ao Grupo Lermen.

    A safra de soja 2023/2024 somou-se aos problemas: uma estiagem severa, uma das piores da década em Mato Grosso, reduziu a produtividade e provocou perda superior a 400 mil sacas de soja para os produtores do grupo.

    Qual o valor da dívida e quem são os maiores credores

    O passivo concursal sujeito à recuperação judicial totaliza R$ 1.125.328.266,68, conforme apurado na decisão que deferiu o processamento do pedido. Os autos apontam como principais credores, por volume de crédito:

    • Riza Securitizadora S.A. (atual denominação de Virgo Companhia de Securitização) — aproximadamente R$ 80 milhões
    • São Pedro Agropecuária e Participações Ltda — aproximadamente R$ 79,1 milhões
    • Banco Santander (Brasil) S.A. — aproximadamente R$ 77,1 milhões
    • Banco John Deere S.A. — aproximadamente R$ 76,4 milhões
    • Origeo Comércio de Produtos Agropecuários S.A. — aproximadamente R$ 34 milhões
    • Syngenta Proteção de Cultivos Ltda — aproximadamente R$ 33,9 milhões
    • Sagel Comércio de Cereais Ltda — aproximadamente R$ 29,3 milhões

    A dívida extraconcursal ainda não está definida

    Além do passivo concursal, os autos registram créditos de natureza extraconcursal, titularizados principalmente por instituições financeiras e fornecedoras de máquinas e equipamentos agrícolas com garantia de alienação fiduciária, caso de bancos ligados ao financiamento de tratores, colheitadeiras e implementos.

    A própria decisão que deferiu o processamento apontou, porém, inconsistências entre os valores informados pelos recuperandos e os registros contábeis do grupo, e determinou a reapresentação das listas de credores com a correta classificação de cada crédito. Por isso, o valor total consolidado da dívida extraconcursal segue indefinido nos autos e permanece sujeito à verificação da Administração Judicial.

    A recuperação judicial do Grupo Lermen tramita sob o número 1013072-04.2026.8.11.0015, na 4ª Vara Cível da Comarca de Sinop/MT. A empresa SCZ – Scalzilli Administração Judicial foi nomeada administradora judicial do processo.

    Os desafios do setor e do Grupo Lermen na recuperação judicial

    O agronegócio do médio-norte de Mato Grosso, região que concentra grande parte da produção nacional de soja, milho e algodão, atravessa um momento de particular sensibilidade financeira. Juros elevados, restrição de crédito bancário para o setor rural e uma volatilidade climática cada vez mais frequente, com safras marcadas por estiagens atípicas, têm elevado o endividamento de produtores e empresas do agronegócio em todo o estado. Esse cenário torna a recuperação judicial um instrumento cada vez mais recorrente entre grupos familiares tradicionais do setor.

    A esse quadro soma-se um desafio mais recente e específico da cadeia do algodão. Episódios de fraude e desvio de produção por agentes intermediários, como os investigados na Operação Safra Desviada, expõem a fragilidade dos mecanismos de controle e certificação de qualidade em elos que os produtores rurais, muitas vezes, não conseguem fiscalizar diretamente. A tendência é que esse risco exija maior rigor contratual e rastreabilidade em todo o setor nos próximos anos.

    Para o Grupo Lermen, o principal desafio será equacionar, em um único plano de recuperação judicial, os interesses de credores financeiros, fornecedores de insumos e instituições garantidas por alienação fiduciária sobre máquinas, veículos e imóveis rurais. Ao mesmo tempo em que preserva a atividade produtiva em mais de 18 mil hectares. O grupo também precisará esclarecer, no curso do processo, as inconsistências contábeis apontadas pela perícia judicial. E regularizar a documentação de Dalila Lermen e Patrícia Aparecida Gotardi Lermen, caso pretenda incluir ambas nos efeitos da recuperação. A efetividade da reorganização dependerá, sobretudo, da apresentação de um plano de recuperação judicial consistente no prazo de 60 dias fixado pela Justiça, sob pena de convolação em falência.

    Com informações do Empresa em Crise.com
  • Falta de silos força produtor brasileiro a vender safra mais barato

    Falta de silos força produtor brasileiro a vender safra mais barato

    Empresas e produtores enfrentam um gargalo estrutural que vem redesenhando a comercialização de grãos no Brasil: a falta de silos. O descompasso entre a capacidade estática de armazenagem e o volume total colhido a cada safra consolidou-se como um dos principais fatores de instabilidade do setor.

    O problema ganha contornos mais críticos no segundo semestre, quando milho e algodão escoam simultaneamente e disputam espaço nos armazéns disponíveis.

    Enquanto os Estados Unidos guardam 65% de sua produção dentro das propriedades rurais, o Brasil armazena apenas 15% na origem, afirma a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Essa escassez empurra o produtor para uma venda compulsória logo após a colheita, o que pressiona as cotações internas e reduz o poder de negociação do produtor.

    Franklin Oliveira, diretor comercial da AGI Brasil, fornecedora de soluções em armazenamento e movimentação de grãos, defende que o cenário exige uma análise que vai além do espaço físico disponível.

    “O déficit mensurado é mais agudo em regiões de expansão agrícola no segundo semestre, como o Matopiba e o norte de Mato Grosso. O armazenamento planejado protege o produtor contra a oscilação de preços. Mas demanda superar barreiras regulatórias locais, garantir eficiência energética e manter a estrita conformidade com as exigências técnicas de certificação”, explica o executivo.

    Gargalos regulatórios travam novos investimentos

    Atualmente, os produtores que querem investir em armazenagem própria esbarram em uma série de exigências. Precisam obter licenças ambientais estaduais, atender à Lei nº 9.973 que regulamenta o Sistema de Certificação de Armazéns do país e adequar as plantas às normas de segurança do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), caso da NR-33, voltada ao trabalho em espaços confinados.

    Nesse ambiente restritivo, o acesso a materiais de alta especificação passou a fazer diferença direta na viabilidade dos projetos. Silos construídos com aços de alta resistência estrutural e revestimentos galvanizados superiores suportam melhor a carga dinâmica de carregamentos contínuos, segundo Oliveira.

    “No entanto, para combater o estresse térmico severo no interior do silo, a engenharia de proteção do grão precisa ir além da barreira física do aço”, alerta o diretor.

    Projetos de alta performance, segundo ele, já integram sistemas de termometria digital e ventilação automatizada, capazes de controlar a temperatura e a umidade da massa de grãos.

    Essa combinação preserva as características físicas, sanitárias e comerciais do produto e atende aos padrões exigidos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e pelo mercado exportador.

    Diante de safras que testam anualmente a eficiência logística nacional, a expansão tecnológica da armazenagem surge como o elo regulador capaz de proteger as margens do agronegócio.

    “A sustentabilidade financeira da porteira para dentro depende da autonomia de comercialização. E ela só se alcança quando o produtor dispõe de uma estrutura robusta e capaz de preservar a integridade biológica do seu patrimônio por longos períodos”, conclui o diretor comercial.

  • Algodão em SP entra no vazio sanitário a partir de 1º de agosto

    Algodão em SP entra no vazio sanitário a partir de 1º de agosto

    O vazio sanitário do algodão começou neste sábado (1º) em todo o Estado de São Paulo. A medida segue até 30 de setembro e obriga os produtores a manterem as áreas livres de plantas e resíduos da cultura.

    A Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) instituiu a regra por meio da Resolução nº 30/2024. O objetivo é reduzir a população do bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis), uma das principais pragas da cultura.

    Durante o período, o produtor precisa eliminar completamente as plantas de algodão, incluindo a destruição das soqueiras. Também deve monitorar possíveis rebrotes, já que a planta apresenta alta capacidade de regeneração.

    O controle do bicudo depende diretamente da eliminação de sua fonte de alimento. Sem hospedeiro, a população do inseto cai, o que contribui para a sanidade da próxima safra.

    A medida segue as diretrizes do Programa Nacional de Prevenção e Controle do Bicudo do Algodoeiro, estabelecido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) por meio da Instrução Normativa nº 44/2008.

    Danos do bicudo-do-algodoeiro

    O bicudo apresenta alto potencial destrutivo. O inseto ataca principalmente as estruturas reprodutivas da planta. Ele perfura botões florais para alimentação e oviposição, provocando a queda dessas estruturas.

    Na fase de frutificação, com maior população, a praga atinge as maçãs do algodão. Nesse estágio, alimenta-se de fibras e sementes, o que reduz a produtividade e compromete a qualidade da produção.

    Cadastro obrigatório das áreas

    Além do vazio sanitário, o produtor paulista deve cadastrar as áreas de cultivo de algodão. O responsável pela propriedade precisa informar a data de plantio em até 15 dias após o término da operação.

    A Resolução SAA nº 30/2024 também definiu a regionalização do vazio sanitário no estado. Em 109 municípios paulistas, o período ocorre de 10 de setembro a 10 de novembro.

    Entre os municípios incluídos estão São José do Rio Preto, Votuporanga, Fernandópolis, Jales, Barretos e Olímpia, além de diversas outras cidades das regiões norte e noroeste do estado.

  • Arroz atinge maior preço desde setembro de 2025

    Arroz atinge maior preço desde setembro de 2025

    O mercado de arroz em casca no Rio Grande do Sul ampliou a recuperação dos preços nos últimos dias. Assim, o Indicador CEPEA/IRGA-RS alcançou o maior nível desde setembro de 2025. A oferta restrita de arroz, a recomposição dos estoques pelas indústrias e o aquecimento das exportações sustentam as cotações. Esses fatores mantêm o mercado firme.

    Segundo pesquisadores do Cepea, os produtores seguem seletivos e aguardam novas altas nos preços. Ao mesmo tempo, parte das indústrias elevou pontualmente as ofertas para garantir o abastecimento.

    Por outro lado, algumas indústrias reduziram as compras. Elas enfrentam dificuldades para repassar ao mercado de beneficiados o aumento dos custos da matéria-prima. Como consequência, o mercado de arroz registra liquidez moderada, mesmo com a valorização dos preços.

    Mercado de algodão mantém preços sustentados

    Foto: divulgação – Embrapa/Fabiano José Perina

    O mercado brasileiro de algodão em pluma continua com baixa liquidez. Ainda assim, os vendedores sustentam as cotações diante do impasse sobre preços e, em alguns casos, da qualidade dos lotes ofertados.

    De acordo com o Cepea, vendedores ativos mantêm posição firme, principalmente para lotes de melhor qualidade. Além disso, algumas indústrias realizam compras pontuais, o que ajuda a sustentar os preços.

    Enquanto isso, os agentes acompanham o avanço da colheita e do beneficiamento da safra 2025/26. Essas etapas são essenciais para cumprir contratos a termo destinados aos mercados interno e externo.

    Pelo lado da demanda, o setor ainda registra vendas moderadas de produtos manufaturados. No entanto, dados recentes do IBGE apontam uma leve reação do mercado, indicando possível recuperação da atividade.

  • Safra de grãos 2025/26 deve atingir 360,1 milhões de toneladas

    Safra de grãos 2025/26 deve atingir 360,1 milhões de toneladas

    A produção brasileira de grãos na safra 2025/2026 está estimada em 360,1 milhões de toneladas, segundo o 10º Levantamento divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) nesta terça-feira (14). Se confirmada, a projeção representa um crescimento de 2,2% em relação ao ciclo anterior, com acréscimo de 7,8 milhões de toneladas.

    O avanço é impulsionado, principalmente, pela expansão da área cultivada, estimada em 83,5 milhões de hectares. Já a produtividade média nacional deve permanecer estável, projetada em 4.311 quilos por hectare.

    Milho mantém volume elevado na safra 2025/26

    A produção total de milho está estimada em 141,7 milhões de toneladas, alta de 0,4% na comparação anual. A primeira safra, praticamente concluída, deve alcançar 29,6 milhões de toneladas.

    grãos de milho
    Foto: Seapa/MG

    Na segunda safra, a colheita atinge 38,9% da área, índice abaixo da média dos últimos cinco anos. Mato Grosso registra bom desempenho, favorecido por condições climáticas positivas. Por outro lado, estados como Goiás, Minas Gerais e Piauí enfrentaram veranicos entre abril e maio, impactando o potencial produtivo. A expectativa é de uma colheita de 109,43 milhões de toneladas nessa etapa.

    Já a terceira safra deve somar 2,7 milhões de toneladas, com impacto das baixas chuvas, especialmente em Sergipe e Alagoas.

    Soja bate recorde e arroz recua

    A soja alcançou produção recorde de 180,6 milhões de toneladas, alta de 5,3% frente à safra anterior. O resultado reflete o aumento de 2,7% na área plantada, aliado ao uso de tecnologia e condições climáticas favoráveis.

    Foto: Giovani Ruan Orso/AGCO

    Em contrapartida, o arroz registrou queda de 13,1%, com produção de 11,1 milhões de toneladas, impactado pela redução da área cultivada. O feijão também apresentou retração de 1,4%, com estimativa de 3 milhões de toneladas. Ainda assim, a Conab destaca que o abastecimento interno permanece garantido.

    Algodão ganha produtividade mesmo com menor área

    A produção de algodão em pluma está estimada em 4,06 milhões de toneladas. Apesar da redução de 3,2% na área plantada, o desempenho das lavouras foi favorecido pelo clima, resultando em aumento de 2,8% na produtividade média.

    Atualmente, 8,1% da área foi colhida, enquanto 78,4% das lavouras estão em fase de maturação e 13,5% em formação de maçãs.

    Trigo deve ter forte queda na produção

    O trigo, principal cultura de inverno, apresenta expectativa de retração significativa. A produção está estimada em 6 milhões de toneladas, queda de 23,5% em relação ao ciclo anterior.

    trator VALTRA BC6800 em uma plantação de trigo
    Foto: Nelson Konrad/AGCO

    O recuo é explicado tanto pela redução da área plantada quanto pela perspectiva de menor produtividade nas lavouras.

    Mercado e estoques

    A Conab revisou as projeções de estoque de milho para a safra 2025/26. Com a nova estimativa de produção, o estoque de passagem deve atingir cerca de 14,5 milhões de toneladas até 31 de janeiro de 2027.

    No algodão, a exportação pode chegar a 3,38 milhões de toneladas, com estoque final estimado em 2,67 milhões de toneladas.

    A Conab ajustou o estoque final de soja para 8,8 milhões de toneladas diante do aumento no processamento e nas exportações, que devem alcançar 62,57 milhões de toneladas e 116,3 milhões de toneladas, respectivamente.

  • Governo define preços mínimos para safra 2026/27 e 2027

    Governo define preços mínimos para safra 2026/27 e 2027

    O governo federal publicou nesta segunda-feira (13) a Portaria nº 934. Ela estabelece os preços mínimos para produtos de verão e regionais das safras 2026/27 e 2027. A medida saiu no Diário Oficial da União (DOU) e define os valores que vão orientar as operações da Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM).

    O Conselho Monetário Nacional (CMN) fixou os preços, que funcionam como referência para assegurar renda mínima aos produtores rurais em caso de queda nas cotações de mercado.

    Os preços mínimos terão vigência entre julho de 2026 e junho de 2028, conforme o produto. A lista inclui culturas estratégicas para o agronegócio brasileiro, como algodão (em caroço e pluma), arroz longo fino em casca, milho, soja e sorgo, além de feijão (cores e preto), mandioca (raiz, fécula e goma), cacau, borracha natural cultivada e leite.

    Também entram na relação produtos como caroço de algodão e juta/malva (embonecada e prensada). Além de derivados da borracha, como coágulo virgem a granel e látex de campo.

    Além dos produtos agrícolas, a portaria fixa os preços mínimos para sementes de culturas de verão e regionais, incluindo algodão, arroz, feijão, juta/malva, milho, soja e sorgo. Nesse caso, a vigência começa em novembro de 2026 e segue até junho de 2028.

    O que é a PGPM

    A Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM) busca proteger a renda do produtor rural diante das oscilações de mercado. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) elabora as propostas de preços com base em custos de produção e nas condições dos mercados interno e externo.

    De acordo com o Decreto-Lei nº 79/1966, os valores consideram fatores como oferta, demanda e variações nos preços agrícolas, garantindo maior previsibilidade ao setor.

  • Algodão mantém vantagem sobre exportação no Brasil

    Algodão mantém vantagem sobre exportação no Brasil

    Os preços do algodão em pluma seguem em queda no mercado interno. Mesmo assim, o produto continua mais vantajoso que a paridade de exportação. Segundo o Cepea, as cotações acumulam seis meses consecutivos de recuo. Ainda assim, os valores praticados no mercado doméstico permanecem acima dos níveis de exportação.

    Nesse cenário, parte dos vendedores mantém posição firme nas negociações. Muitos produtores estão capitalizados e priorizam o cumprimento de contratos a termo. Por outro lado, alguns agentes aproveitam o momento para liquidar os estoques remanescentes da safra 2024/25. Além disso, a queda dos preços internacionais estimula uma postura mais flexível entre participantes do mercado.

    Enquanto isso, lotes da safra 2025/26 começam a chegar ao mercado spot. As primeiras ofertas têm origem, principalmente, nos estados de São Paulo e Bahia.

    Indústrias pressionam preços

    Do lado da demanda, as indústrias seguem em busca de algodão a preços menores. Segundo o Cepea, a estratégia reflete o desempenho ainda fraco das vendas do setor. Já os comerciantes mantêm postura cautelosa. Por isso, realizam negociações pontuais e priorizam operações consideradas “casadas”, que reduzem riscos nas transações.

     

  • Safra de grãos deve bater novo recorde no Brasil

    Safra de grãos deve bater novo recorde no Brasil

    A produção brasileira de grãos pode alcançar 358,6 milhões de toneladas na safra 2025/26. A projeção representa um novo recorde histórico. A estimativa foi divulgada nesta quinta-feira (11) pela Companhia Nacional de Abastecimento no 9º Levantamento da Safra de Grãos. O volume previsto supera em 1,8% o resultado da temporada anterior.

    Segundo a Companhia, o aumento corresponde a 6,4 milhões de toneladas. Além disso, a área cultivada deve atingir 83,5 milhões de hectares. A Conab atribui o desempenho ao avanço da área plantada e às condições climáticas favoráveis. Com isso, a produtividade média nacional deve alcançar 4.295 quilos por hectare.

    Soja lidera crescimento da produção

    A soja apresenta o maior avanço entre as culturas analisadas. A produção está estimada em 180,3 milhões de toneladas. O volume supera em 8,8 milhões de toneladas o resultado da safra passada. Além disso, a colheita está praticamente concluída.

    A Conab destaca o crescimento da área destinada à oleaginosa. O uso de tecnologia e o clima favorável também impulsionaram a produtividade.

    Milho registra alta e pode alcançar 140,5 milhões de toneladas

    O milho deve somar 140,5 milhões de toneladas nas três safras do ciclo 2025/26. A colheita da primeira safra alcança 87,7% da área cultivada. A produção dessa etapa deve atingir 29,3 milhões de toneladas.

    O resultado representa alta de 17,7% frente à temporada anterior. Além disso, a produtividade média cresceu 7,6%. A expectativa é de rendimento médio de 7.110 quilos por hectare. O índice estabelece novo recorde histórico para a primeira safra.

    Já a segunda safra está em fase inicial de colheita. A produção prevista chega a 107,9 milhões de toneladas. Na terceira safra, o plantio se aproxima do encerramento. A expectativa é colher 3,3 milhões de toneladas.

    Algodão e sorgo apresentam cenários distintos

    A produção de algodão deve atingir cerca de 4 milhões de toneladas. O volume representa queda de 2,5% sobre a safra anterior. Segundo a Conab, a redução ocorre devido à menor área semeada.

    Por outro lado, o sorgo deve registrar forte crescimento. A colheita está estimada em 7,62 milhões de toneladas. O resultado supera em 24,9% o volume obtido na temporada passada. O aumento corresponde a 1,5 milhão de toneladas.

    Arroz e feijão devem garantir abastecimento interno

    A colheita de arroz está praticamente finalizada. A produção prevista alcança 11,1 milhões de toneladas. O volume fica 13,2% abaixo do registrado na safra passada. A redução reflete a menor área destinada ao cereal.

    No caso do feijão, a produção total das três safras deve ficar próxima de 3 milhões de toneladas. O resultado representa leve recuo de 0,5% frente ao ciclo anterior. Ainda assim, a estimativa garante o abastecimento do mercado interno.

    Trigo terá menor área plantada

    Entre as culturas de inverno, o trigo segue com o plantio em andamento. A semeadura já alcança 45,3% da área prevista. A Companhia projeta redução da área destinada ao cereal. Por isso, a produção deve ficar em torno de 6,3 milhões de toneladas.

    Exportações e estoques ganham reforço

    A safra recorde de soja deve ampliar as exportações brasileiras. A expectativa é embarcar 116,1 milhões de toneladas. Além disso, o processamento da oleaginosa pode alcançar 61,58 milhões de toneladas.

    Com esse cenário, o estoque de passagem da soja deve atingir 9,2 milhões de toneladas. A Conab também revisou as projeções para o milho. Os estoques finais do grão podem chegar a 13,25 milhões de toneladas em janeiro de 2027. Já o estoque final de feijão foi atualizado para 288,5 mil toneladas até dezembro deste ano.

  • Fiscalização em aeroporto barra praga capaz de devastar lavouras brasileiras

    Fiscalização em aeroporto barra praga capaz de devastar lavouras brasileiras

    Agentes da Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro), do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), interceptaram na última semana uma carga de aproximadamente uma tonelada de aspargos importados do Peru no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP). O motivo: a presença do inseto Prodiplosis longifila, praga quarentenária ausente no Brasil e com potencial de devastar culturas estratégicas do agronegócio nacional.

    A carga era composta por 200 caixas do produto. Equipes do Vigiagro identificaram o inseto durante a fiscalização de rotina e enviaram amostras ao laboratório no dia 8 de maio. O laudo conclusivo saiu na última quarta-feira (13) após análises que incluíram exame visual, morfologia em microscópio, consulta bibliográfica, PCR e sequenciamento genético.

    Uma praga com muitos nomes e um só problema

    Conhecida popularmente como mosca-dos-botões-florais, larva-fura-botão, mosquinha-do-tomate ou negrilla, a Prodiplosis longifila é um inseto de difícil controle. Segundo a Embrapa, suas larvas se desenvolvem no interior de tecidos vegetais (botões florais, brotos terminais e frutos jovens) provocando deformações, abortamento de flores e queda de produtividade. O inseto se adapta melhor a climas quentes e úmidos e consegue se dispersar por voo em até 300 metros.

    A espécie, classificada como praga quarentenária A1 no Brasil, já está presente na Colômbia e no Peru e representa uma das maiores preocupações fitossanitárias do país. Pesquisadores da Embrapa apontam que regiões de fronteira, sobretudo aquelas vizinhas a países onde a praga já ocorre, são os pontos de entrada mais vulneráveis ao território nacional.

    Impacto potencial sobre o agronegócio

    A lista de culturas em risco é extensa: tomate, aspargo, citros, pimentão, algodão, feijão, abacate, alcachofra, batata e cebola. Estudos publicados em periódico científico registram perdas de até 100% na produção de tomate na Colômbia e de até 60% no Equador. No Peru, o inseto também provoca prejuízos consideráveis nos cultivos de aspargo.

    Nos países onde a praga já está estabelecida, como Peru, Equador e Colômbia, sua chegada causou perdas volumosas nas principais zonas produtoras de tomate e pimentão. Em Manabí, no Equador, a Prodiplosis longifila ocupa o posto de praga mais importante do tomate desde 1996.

    Sem controle adequado, a praga pode provocar perdas de rendimento superiores a 50% em batata, aspargo e outras hortaliças. A maioria dos produtores afetados recorre ao uso intensivo de inseticidas sintéticos como única estratégia de combate. O que eleva custos de produção e gera riscos ambientais.

    No Brasil, uma eventual introdução do inseto poderia afetar diretamente as cadeias produtivas de citros e hortaliças, comprometer mercados de exportação e exigir gastos elevados com programas de contenção. A introdução de pragas quarentenárias, sem medidas fitossanitárias adequadas, provoca impactos sociais, ecológicos e econômicos. Portanto, com elevação dos custos de exportação por barreiras fitossanitárias e gastos com programas de controle oficial.

    O papel do Vigiagro na proteção das fronteiras

    O Vigiagro conta atualmente com 111 Serviços e Unidades de Vigilância Agropecuária distribuídos em portos, aeroportos, postos de fronteira e aduanas especiais. A estrutura realiza a fiscalização de cargas, produtos de origem vegetal e animal e bagagens em trânsito internacional, com o objetivo de impedir o ingresso de pragas ainda ausentes no território nacional.

    O caso de Guarulhos reforça a importância da vigilância ativa nas fronteiras,  especialmente em um país com um dos maiores agronegócios do mundo. A Embrapa coordena um arranjo de pesquisa com 40 projetos voltados à prevenção e ao manejo de pragas quarentenárias, envolvendo 25 centros de pesquisa e parceiros internacionais, com foco em reduzir riscos de entrada e os impactos econômicos dessas ameaças.

  • PIB do agronegócio brasileiro teve alta de 12,2%

    PIB do agronegócio brasileiro teve alta de 12,2%

    O agronegócio brasileiro fechou 2025 com um resultado que poucos setores da economia conseguiriam exibir. O PIB do setor avançou 12,20% em relação ao ano anterior, o segundo maior resultado da série histórica, movimentando R$ 3,20 trilhões. É um número impressionante. Só que, por baixo da euforia, existe um sinal que merece atenção.

    O crescimento foi sustentado, em grande parte, pela valorização de preços ao longo do período, um movimento que perdeu força no segundo semestre e já impacta o ritmo da atividade. Em outras palavras: o campo produziu bem e os preços ajudaram, mas essa combinação não vai durar para sempre.

    A pecuária que ninguém esperava ver tão forte

    Se há um protagonista claro de 2025, é a pecuária. O ramo pecuário fechou o ano com a maior expansão entre todos os recortes, crescendo 32,55% no acumulado. O número soa quase exagerado, mas os dados sustentam cada ponto percentual.

    A bovinocultura de corte foi o principal vetor, com o valor bruto da produção subindo 23,71% no ano, resultado de alta de 15,84% nos preços reais e expansão de 6,79% no volume. A agroindústria ligada ao setor foi ainda mais longe: a agroindústria pecuária disparou 36,54%, favorecida pela valorização dos produtos e aumento da produção.

    Foram exportações em volume recorde, preços em patamar historicamente alto e uma cadeia que entregou eficiência de ponta a ponta. O setor de carnes virou, na prática, o motor principal do agro em 2025.

    O lado agrícola cresceu, mas em ritmo diferente

    Enquanto a pecuária acelerava, a agricultura andou em passo mais moderado. O ramo agrícola avançou 3,40%, sustentado pela maior produção de milho, soja, algodão e café. Positivo, mas longe do destaque da pecuária.

    No setor primário como um todo, o crescimento foi de 17,06%, com destaque para as culturas de milho e café. Já a agroindústria de base agrícola contou uma história diferente: as atividades de base agrícola recuaram 3,33% devido à baixa nos preços industriais. Queda de produção industrial no campo agrícola, enquanto o lado pecuário disparava. O contraste é revelador de como 2025 distribuiu seus ganhos de forma desigual dentro do próprio setor.

    Um quarto da economia brasileira depende do campo

    O resultado de 2025 também consolidou algo que vai além dos números de curto prazo. A participação do agronegócio no PIB nacional subiu para 25,13%, ante 22,9% registrados em 2024. Um em cada quatro reais produzidos no Brasil em 2025 passou, de alguma forma, pelo campo.

    Sob a ótica dos segmentos, todos avançaram no acumulado: insumos (+5,37%), primário (+17,06%), agroindústria (+5,60%) e agrosserviços (+13,76%). O agronegócio não cresceu por um único ponto de pressão. Cresceu de forma ampla, o que dá consistência ao resultado, mesmo com as ressalvas sobre preços.

    O presidente do Instituto do Agronegócio, Isan Rezende, resume bem a tensão que fica para 2026: “O PIB cresce, mas isso não significa automaticamente mais rentabilidade no caixa de quem produz. O custo de produção segue pressionado, o crédito ficou mais caro e o risco aumentou.”

    O freio no final do ano e o que vem pela frente

    O quarto trimestre entregou um recado claro. O indicador recuou 1,11% frente ao terceiro trimestre, com recuo generalizado entre os segmentos, com destaque para a queda de 2,32% nos insumos. Não foi colapso, mas foi um aviso.

    Entre julho e dezembro, o PIB do agro entrou em trajetória de desaceleração, confirmando a perda de tração iniciada ainda no terceiro trimestre, à medida que o ciclo de alta de preços iniciado em 2024 se esgotou. O motor que moveu o crescimento ao longo do ano perdeu combustível justamente na reta final.

    Para 2026, a leitura muda de tom. O resultado passa menos pelo volume colhido e mais pela capacidade de sustentação de margens em um ambiente de preços menos pressionados, um ponto sensível em um setor que depende cada vez mais de custo, crédito e eficiência para manter o crescimento. Quem entrar neste ano com gestão apertada e tecnologia na ponta tem vantagem real. Quem depender apenas do ciclo favorável de preços vai sentir o terreno mudar.