Tag: trigo

  • Oferta restrita sustenta alta do trigo no Brasil

    Oferta restrita sustenta alta do trigo no Brasil

    Os preços do trigo seguem em alta no Brasil, mesmo com quedas no mercado externo. Além disso, o dólar mais fraco frente ao real não impede o avanço interno. Segundo o Cepea, a reposição de estoques impulsiona os preços no país. Ao mesmo tempo, a oferta limitada no mercado spot reforça o movimento.

    Durante a entressafra, a disponibilidade reduzida pressiona ainda mais as cotações. Além disso, vendedores mantêm postura retraída e priorizam a safra de verão.

    No cenário internacional, as cotações futuras recuam nas bolsas norte-americanas. Esse movimento ocorre devido ao aumento dos estoques globais. Além disso, chuvas recentes nas Grandes Planícies do sul dos Estados Unidos influenciam o mercado externo.

    Derivados

    No segmento de derivados, o farelo de trigo registra queda nos preços. O aumento da oferta e a menor demanda explicam esse recuo.

    Os consumidores já abastecidos reduzem compras e buscam substitutos na ração animal. Com isso, os preços seguem pressionados. Por outro lado, as farinhas de trigo apresentam valorização no período. O encarecimento da matéria-prima sustenta esse avanço.

    Além disso, a necessidade de reposição contribui para a alta dos preços das farinhas. Moinhos também enfrentam dificuldades logísticas no transporte. A colheita da soja limita a disponibilidade de frete, segundo o Cepea.

  • Antigos agricultores criaram sem querer o “trigo guerreiro”

    Antigos agricultores criaram sem querer o “trigo guerreiro”

    Um estudo internacional revelou que os primeiros agricultores podem ter criado, sem perceber, variedades de trigo altamente competitivas, apelidadas de “trigo guerreiro”. A descoberta ajuda a entender como a domesticação da planta transformou sua estrutura e comportamento, influenciando até o melhoramento genético moderno.

    Pesquisadores da Universidade de Sheffield, no Reino Unido, em parceria com universidades da Espanha e da Holanda, analisaram como o cultivo humano alterou o trigo selvagem ao longo de milhares de anos. Segundo o professor Colin Osborne, líder da pesquisa, o simples ato de plantar sementes em campos organizados criou um ambiente competitivo intenso, onde apenas as plantas mais rápidas e vigorosas prosperavam.

    Com o tempo, essa seleção natural favoreceu trigos capazes de crescer mais rápido e sombrear vizinhas, garantindo mais luz e nutrientes. As plantas desenvolveram folhas maiores, caules mais retos e crescimento vertical, traços típicos do que os cientistas chamaram de “trigo guerreiro”.

    Por que o trigo antigo era mais agressivo

    Para entender essa transformação, os cientistas usaram um modelo computacional chamado FSP (modelo funcional-estrutural de planta), que simula o crescimento do trigo sob diferentes condições. O estudo mostrou que o ângulo das folhas foi decisivo: plantas com folhas mais verticais conseguiam captar mais luz solar, superando as concorrentes nas fases iniciais do desenvolvimento.

    Essas características, ideais para lavouras antigas, contrastam com as exigências da agricultura moderna. Hoje, o foco está em produtividade cooperativa, e não em competição entre plantas.

    Do trigo guerreiro ao trigo moderno

    Com o avanço das técnicas agrícolas e o uso de fertilizantes e herbicidas, os produtores não dependem mais de plantas naturalmente competitivas. O melhoramento genético passou a priorizar variedades com folhas menores e caules curtos, capazes de investir mais energia na formação de grãos.

    “O cultivo moderno exige plantas que cooperem, não que disputem entre si”, destacou Osborne. “Precisamos reverter os efeitos indesejáveis da evolução para otimizar os rendimentos atuais.”

    O estudo, publicado na revista Current Biology, sugere que a evolução inicial do trigo foi marcada por uma espécie de “corrida por luz e espaço”. Essa descoberta mostra como práticas agrícolas do passado moldaram uma das culturas mais importantes do planeta e oferece novas pistas para desenvolver cultivares mais eficientes e adaptadas ao clima atual.

  • Alta do trigo pressiona alimentos

    Alta do trigo pressiona alimentos

    O preço da farinha de trigo deve subir em abril em São Paulo. A alta já começa a se formar com o aumento dos custos ao longo da cadeia, especialmente no transporte e na compra da matéria-prima.

    Frete mais caro pressiona cadeia

    Nos últimos meses, o aumento do diesel elevou o custo do frete. Como resultado, o transporte do trigo e da farinha ficou mais caro.

    Além disso, esse impacto se espalha por toda a cadeia, já que o cereal percorre longas distâncias até chegar aos moinhos e, depois, ao varejo. Por isso, o custo logístico ganha peso direto no preço final.

    Cenário internacional amplia pressão

    Ao mesmo tempo, o mercado global também pressiona os preços. A cotação do trigo segue sensível a fatores climáticos e geopolíticos. Problemas como seca em regiões produtoras e tensões internacionais afetam tanto a oferta quanto os custos de produção.

    Além disso, a disponibilidade de fertilizantes ainda enfrenta incertezas, o que pode impactar a produtividade nas próximas safras.

    Produção pode cair

    Outro ponto de atenção está na intenção de plantio. Produtores já sinalizam possível redução da área cultivada no próximo ciclo.

    Com isso, a oferta pode diminuir nos próximos anos. Dessa forma, o mercado tende a trabalhar com maior volatilidade, o que mantém os preços pressionados.

    Mudança tributária eleva custos

    Além dos fatores externos, mudanças na tributação também aumentam o custo da matéria-prima.

    A nova legislação reduz créditos fiscais e altera a cobrança sobre produtos importados. Como resultado, o trigo comprado no exterior fica mais caro para os moinhos. Assim, o impacto se soma aos demais custos e reforça a tendência de alta.

    Impacto chega ao consumidor

    Com todos esses fatores combinados, a alta da farinha tende a chegar ao consumidor final.

    Produtos como pão, massas e biscoitos devem sentir o impacto, já que dependem diretamente do trigo. Ao mesmo tempo, a pressão sobre os alimentos pode influenciar os índices de inflação.

    Setor busca equilíbrio

    Diante desse cenário, o setor acompanha de perto os custos e tenta evitar repasses mais bruscos.

    Ainda assim, a combinação entre frete elevado, custo global e tributação mantém o mercado em alerta. Por isso, os próximos meses devem ser marcados por ajustes nos preços e maior atenção à oferta.

  • Crise global eleva custos e ameaça cadeia do trigo no Brasil, alerta Abitrigo

    Crise global eleva custos e ameaça cadeia do trigo no Brasil, alerta Abitrigo

    A Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) alertou para os efeitos da atual crise global sobre a cadeia do trigo no Brasil, que já enfrenta forte alta de custos e riscos de impacto nos preços da farinha e de derivados como pão, massas e biscoitos.

    Segundo a entidade, o agravamento das condições econômicas internacionais, impulsionado pelas consequências do conflito no Irã, vem elevando despesas em toda a cadeia de produção. A alta do petróleo impulsiona o preço do diesel e dos fretes, enquanto as cotações do trigo sobem no Brasil e no exterior. Somam-se a isso o encarecimento de insumos, embalagens e seguros internacionais, criando um cenário de forte pressão sobre a indústria moageira.

    Além do contexto externo, o setor enfrenta fatores internos que agravam o cenário. A aplicação de alíquotas de PIS e COFINS sobre o trigo importado, com redução de benefícios fiscais, aumentou a carga tributária de produtos básicos, como a farinha de trigo. Essa mudança limita a capacidade da indústria de absorver custos e aumenta o risco de repasse parcial ao consumidor.

    Medidas pra evitar o pior cenário

    Mesmo diante desse quadro desafiador, a Abitrigo destaca que as empresas do setor têm buscado medidas de mitigação. Entre as ações estão a diversificação de origens de trigo e fornecedores, a otimização de estoques, o replanejamento logístico e o uso de instrumentos de gestão de risco de preços. A entidade também mantém diálogo constante com autoridades e formuladores de políticas públicas. Para também defender medidas que assegurem a competitividade do setor e a estabilidade do abastecimento.

    “Nosso compromisso é garantir o fornecimento estável da farinha de trigo. Que é essencial na mesa dos brasileiros, mesmo em um ambiente de instabilidade global”, afirmou o presidente-executivo da Abitrigo, Rubens Barbosa.

  • Algas marinhas podem ajudar grãos do Cerrado a resistirem à seca

    Algas marinhas podem ajudar grãos do Cerrado a resistirem à seca

    Pesquisadores da Embrapa Agroenergia, em Brasília (DF), estão avaliando o potencial de algas marinhas brasileiras como base para um bioestimulante agrícola capaz de aumentar a tolerância de culturas como trigo e canola ao estresse hídrico. Em testes realizados em casa de vegetação, os cientistas observaram incrementos de até 160% na formação de síliquas da canola. E crescimento radicular até 12% maior no trigo, características essenciais para a manutenção da produtividade em períodos de seca.

    O projeto, chamado Algoj, conta com parceria da CBKK e recebe apoio da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii). As pesquisadoras Simone Mendonça e Patrícia Abrão coordenam a iniciativa desde 2023 e consideram os resultados preliminares promissores. A próxima etapa prevê testes em campo, onde fatores ambientais não sofrem controle.

    Algas brasileiras: bioinsumo e geração de renda

    Além do impacto agronômico, o projeto busca valorizar a biodiversidade marinha nacional. As algas utilizadas são cultivadas em diferentes pontos da costa brasileira, contribuindo para a geração de emprego e renda a comunidades pesqueiras. “É uma oportunidade para unir sustentabilidade, adaptação climática e valorização de recursos naturais do Brasil”, destaca Mendonça.

    Nos dois primeiros anos de pesquisa, os cientistas analisaram quatro espécies de algas e selecionaram três com maior potencial biotecnológico. O foco foi extrair metabólitos secundários, conhecidos como fitormônios, que atuam como sinalizadores químicos capazes de estimular respostas benéficas nas plantas.

    Após vários testes de secagem e extração, quatro extratos foram selecionados a partir de ensaios com mudas de tomate da variedade BRS Zamir, desenvolvida pela própria Embrapa.

    Resultados positivos em grãos do Cerrado

    Em seguida, o projeto avançou para experimentos com trigo e canola, culturas de inverno em expansão no Cerrado, bioma que enfrenta estiagens cada vez mais severas.

    Canola em casa de vegetação. Foto: Agnaldo Chaves/Embrapa

    Nos testes com canola, uma das formulações de algas antecipou o florescimento e aumentou a produtividade sob limitação de água, resultados superiores aos obtidos com produtos comerciais de referência. No trigo de sequeiro, a aplicação promoveu crescimento de raízes até 12% maior, favorecendo o aproveitamento de água no solo.

    O pesquisador Agnaldo Chaves ressalta que os dados referem-se a condições controladas. “Se conseguirmos replicar de 5% a 10% desses resultados em lavouras comerciais, será um avanço importante para a produtividade”, avalia.

    Inovação no transporte e conservação do bioinsumo

    Outro desafio enfrentado pelo grupo foi desenvolver uma formulação que garantisse estabilidade e baixo custo de transporte. Para isso, a equipe criou um extrato seco em pó, obtido pelo processo de spray dryer, com apenas 1,5% de umidade. A técnica preserva os fitormônios sensíveis ao calor e aumenta o rendimento da produção em até 80%.

    Com a fase de testes em casa de vegetação concluída em janeiro de 2026, o projeto busca renovar a parceria e levar os experimentos para o campo experimental e áreas de produtores. Lá, serão definidas doses ideais, épocas de aplicação e a viabilidade comercial do bioestimulante.

    Ainda há pontos em estudo, como a combinação ideal de diferentes espécies de algas e o desempenho do extrato em regiões com regimes de chuva distintos. “Somente os testes em campo vão mostrar o real potencial do produto e sua adaptação às condições climáticas brasileiras”, afirma Mendonça.

    A expectativa é que a tecnologia resulte em um bioinsumo sustentável, produzido com recursos da biodiversidade nacional, capaz de fortalecer a resiliência das lavouras brasileiras à seca e apoiar a adaptação da agricultura às mudanças climáticas.

  • Abóbora movimenta R$ 106 milhões e ganha espaço no Paraná

    Abóbora movimenta R$ 106 milhões e ganha espaço no Paraná

    A abóbora se consolida como uma das principais culturas da olericultura paranaense. Em 2025, o Valor Bruto da Produção (VBP) da cultura alcançou R$ 106,5 milhões, segundo o boletim conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab). O cultivo está presente em 330 dos 399 municípios do estado, com produção de 50,7 mil toneladas em 2,8 mil hectares.

    Experimento no Oeste apresenta resultados 50% acima da média em produção de abóboras e contribui para a segurança alimentar da região. Foto: IDR-Paraná

    A região de Curitiba lidera os indicadores estaduais com 33,9% do total, seguida por Jacarezinho (12,6%) e União da Vitória (9,5%). No atacado da Ceasa Curitiba, o quilo da abóbora seca custa em média R$ 2,50, alta de 25% em relação a março de 2025.

    Para o agrônomo Paulo Andrade, do Deral, o cultivo da abóbora fortalece a renda de pequenos e médios produtores e amplia a diversificação das propriedades rurais. “O produto mantém preços estáveis e atende diferentes usos, especialmente na culinária”, explica.

    Milho e trigo mantêm ritmo de produção

    A colheita da primeira safra de milho 2025/26 alcança 54% da área total de 341 mil hectares, com expansão de 21,5% na área plantada em relação ao ciclo anterior. O Sudoeste do Paraná se destaca com alta de 55,1% no cultivo.

    Já o trigo reforça sua importância industrial: o estado possui capacidade de moagem de 4 milhões de toneladas, com 87% desse potencial utilizado em 2024 para atender à forte demanda interna.

    Proteínas e lácteos em ritmos distintos

    A suinocultura brasileira fechou 2025 com recorde histórico de 5,598 milhões de toneladas produzidas e exportadas. Em contrapartida, o setor lácteo paranaense enfrenta queda nos preços: o litro pago ao produtor atingiu média de R$ 2,11 em fevereiro.

    A pesca também mostra sinais de retomada, com a normalização das atividades após o fim do período de defeso (Piracema) em 28 de fevereiro.

    Mel paranaense lidera exportações

    O Paraná iniciou 2026 como o maior exportador nacional de mel “in natura”, com receita de US$ 1,608 milhão em janeiro. O setor de apicultura busca recuperação após o fim das tarifas recíprocas de 50% impostas pelos Estados Unidos. Com a taxa global reduzida para 15%, o mel paranaense volta a ganhar competitividade no mercado internacional.

    Segundo o Deral, o agronegócio do Paraná mantém projeções otimistas para 2026, com novos recordes esperados na produção de carnes e avanço da segunda safra de milho, que já cobre 62% da área estimada. O estado aposta no fortalecimento do parque moageiro e na expansão de mercados de nicho hortifrutigranjeiros para compensar a redução da área de culturas de inverno como o trigo.

  • USDA amplia estimativas de oferta e estoques de soja, milho e trigo em 2026

    USDA amplia estimativas de oferta e estoques de soja, milho e trigo em 2026

    O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) surpreendeu o mercado ao divulgar, em 12 de janeiro, o primeiro relatório WASDE de 2026 com fortes revisões de alta na produção e nos estoques de grãos. A Hedgepoint Global Markets analisou o documento e destacou o viés baixista que deve dominar as cotações de soja, milho e trigo nos próximos meses.

    Segundo a consultoria, os ajustes indicam uma oferta mais robusta do que a esperada, tanto nos Estados Unidos quanto em grandes produtores do hemisfério Sul, ampliando o cenário de pressão sobre os preços internacionais.

    Soja: aumento de produção e estoques reforça tendência de baixa

    O USDA elevou a produção norte-americana de soja para 116 milhões de toneladas, acima dos 115,7 milhões estimados em dezembro. A área colhida e a produtividade também subiram, alcançando 3.564 kg/ha.

    Nos estoques, o avanço foi expressivo: os Estados Unidos devem encerrar o ciclo com 9,5 milhões de toneladas, alta de 20,7% em relação ao mês anterior.

    No Brasil, a projeção subiu de 175 para 178 milhões de toneladas, configurando uma oferta global mais ampla. O conjunto desses fatores consolidou o viés baixista para o mercado de soja.

    Milho: revisões reforçam pressão sobre preços

    O relatório também trouxe revisões importantes para o milho. A produção norte-americana agora soma 432,4 milhões de toneladas, ante 425,5 milhões no mês passado. A produtividade média subiu para 11.707 kg/ha, enquanto a área colhida foi revisada para 36,9 milhões de hectares.

    Os estoques finais dos Estados Unidos atingiram 56,6 milhões de toneladas, alta de 9,8%. Os dados indicam que o mercado segue com fundamentos de oferta fortes e tendência de baixa sustentada.

    Trigo: movimentos leves, mas com viés negativo

    No caso do trigo, as alterações foram menores, mas mantêm o sinal de pressão. Os estoques finais norte-americanos subiram para 25,2 milhões de toneladas, enquanto os estoques mundiais chegaram a 278,3 milhões. Ambos acima das expectativas de estabilidade. Mesmo discretos, esses ajustes reforçam um cenário levemente baixista para o cereal.

    Para Thais Italiani, gerente de Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets, o relatório de janeiro trouxe surpresas relevantes, especialmente para soja e milho. “O aumento inesperado na produção e nos estoques reforça a pressão sobre os preços no curto prazo”, afirma.

    O coordenador de Inteligência de Mercado da Hedgepoint, Luiz Roque, avalia que as revisões indicam fundamentos consistentes de oferta. “Esse quadro deve manter o viés baixista predominante e serve de alerta para produtores e indústrias ajustarem suas estratégias de hedge”, orienta.

  • Importação de trigo atinge maior nível em 12 anos

    Importação de trigo atinge maior nível em 12 anos

    As importações brasileiras de trigo alcançaram, em 2025, o maior volume desde 2013, apontam dados da Secex analisados pelo Cepea. Os embarques cresceram devido aos baixos preços externos e à ampla oferta mundial do cereal.

    Em dezembro, os portos brasileiros receberam 698,74 mil toneladas de trigo. O volume foi o segundo maior do ano, atrás apenas de janeiro, com 717 mil toneladas importadas. Além disso, dezembro registrou o maior volume mensal desde 2016.

    No acumulado de 2025, o Brasil importou 6,894 milhões de toneladas de trigo. O total representou alta de 3,7% em relação a 2024.

    Com estoques internos confortáveis, empresas iniciaram 2026 com baixa atuação no mercado doméstico. Diante da menor demanda, os preços pagos ao produtor caíram na maioria das regiões acompanhadas pelo Cepea.

    Por outro lado, no mercado de lotes, as cotações subiram, com exceção do Paraná. O movimento reflete a retração dos vendedores, que aguardam preços mais atrativos com o avanço da entressafra.

     

     

     

  • Commodities: Brasil, guerra comercial e clima definem preços em 2026

    Commodities: Brasil, guerra comercial e clima definem preços em 2026

    O mercado global de commodities enfrentará em 2026 um cenário de incertezas políticas e climáticas que definirão os preços de produtos agrícolas essenciais. A Hedgepoint Global Markets lançou seu relatório anual “Mercado de Commodities: Retrospectiva 2025 e Perspectivas 2026”, que identifica os principais riscos e oportunidades para o setor.

    As políticas tarifárias do governo americano devem redesenhar fluxos comerciais globais, com a relação EUA-China mantendo-se como epicentro das tensões geopolíticas. No Brasil, as eleições presidenciais e legislativas de outubro surgem como o principal vetor de volatilidade em mercados emergentes, segundo o documento.

    Juros e política monetária impactam commodities

    Bancos centrais buscarão equilibrar controle inflacionário e estímulo ao crescimento. O Federal Reserve e o Banco Central Europeu devem estabilizar taxas após os cortes realizados em 2025. No Brasil, a Selic pode encerrar 2026 em torno de 12%, com espaço para reduções condicionadas à ancoragem das expectativas de inflação.

    “Esse pano de fundo macroeconômico e geopolítico será determinante para os mercados de commodities, que também enfrentam desafios próprios ligados à oferta, demanda e clima”, ressalta Thais Italiani, gerente de Inteligência de Mercado na Hedgepoint.

    Açúcar

    O mercado de açúcar registrou tendência baixista em 2025. O Centro-Sul brasileiro apresentou bons resultados de moagem com mix açucareiro elevado, gerando produção robusta. No Hemisfério Norte, perspectivas positivas de produção reforçaram o sentimento de baixa.

    O clima durante o desenvolvimento da safra 26/27 no Brasil será determinante para moagem e qualidade. A paridade entre etanol e açúcar pode alterar o mix das usinas, elevando ou reduzindo a produção conforme a rentabilidade de cada produto.

    A colheita 25/26 no Hemisfério Norte e, principalmente, as decisões da Índia sobre cotas de exportação serão cruciais para os fluxos comerciais no início do ano.

    “Entramos 2026 com um balanço confortável, mas altamente sensível ao mix no Brasil e às decisões da Índia. Uma leitura fina de paridade etanol-açúcar será essencial para mapear preços e janelas de hedge”, diz Carlos Murilo Mello, Head de Açúcar e Etanol da Hedgepoint.

    Cacau mantém volatilidade com oferta incerta

    O mercado de cacau registrou forte volatilidade em 2025. A safra 24/25 sofreu com restrições de produção na África Ocidental, associadas a clima adverso e problemas estruturais. Preços elevados reduziram a moagem, principal indicador de consumo.

    Apesar da perspectiva de superávit em 25/26, o clima na África Ocidental continuará crítico. Períodos sem chuva entre abril e junho de 2026 podem afetar volume e qualidade na transição entre a safra principal e a intermediária, sustentando preços.

    “O cacau permanece um mercado muito sensível. Melhora de produção em África Ocidental e Equador aponta para superávit, mas o clima e a elasticidade da demanda ao preço exigem cautela”, avalia Carolina França, analista de Inteligência de Mercado da Hedgepoint.

    Café: volatilidade extrema e recordes de preço

    O café enfrentou um ano desafiador em 2025, com volatilidade extrema e recordes de preço no primeiro semestre. Menor produção brasileira e estoques globais apertados pressionaram cotações. As tarifas americanas em julho adicionaram incerteza ao mercado.

    A partir de janeiro de 2026, a chegada ao mercado da safra 25/26 de América Central, Oeste Africano, Vietnã e Colômbia tende a aumentar a oferta, permitindo leve recomposição dos estoques e trazendo possível pressão nas cotações.

    A colheita brasileira 26/27, prevista para meados de 2026, deve registrar provável aumento de produção, ampliando estoques e trazendo pressão baixista. O mercado seguirá atento ao ritmo de comercialização do Brasil e a eventuais desafios climáticos.

    “A recomposição de estoques no início do ano não elimina a volatilidade. Brasil continua sendo o pêndulo, e qualquer surpresa climática pode reprecificar rapidamente a curva”, afirma Laleska Moda, analista de Inteligência de Mercado da Hedgepoint.

    Soja: China e biodiesel americano no radar

    O complexo soja (grão, farelo e óleo) registrou mercado lateralizado em 2025 por forças opostas de oferta e demanda. Safra recorde na América do Sul contrastou com tendência de safra menor nos EUA. A menor demanda pela soja americana durante a guerra comercial competiu com o crescimento do esmagamento e a perspectiva de aumento da mistura de biocombustíveis.

    O volume que a China comprará de soja norte-americana na temporada 25/26 define parte importante do mercado, após o compromisso de compras de pelo menos 25 milhões de toneladas ao longo do ano.

    A indefinição sobre biodiesel nos EUA em 2025 empurra efeitos para 2026, com impacto estrutural sobre óleos vegetais e farelo. Clima irregular em momentos de plantio e desenvolvimento em Brasil e Argentina gera dúvidas sobre o potencial real de produção sul-americana.

    “A dinâmica do complexo soja em 2026 vai depender especialmente de três engrenagens: China, biodiesel nos EUA e clima na América do Sul e EUA. O timing de cada uma pode trazer um ambiente diferente da lateralidade registrada na maior parte de 2025”, diz Luiz Roque, coordenador de Inteligência de Mercado da Hedgepoint.

    Milho e trigo: produções crescentes pressionam cotações

    Os EUA colheram em 2025 a maior safra de milho da história, resultado de aumento de área e clima favorável. As exportações superaram expectativas pela competitividade de preço. No trigo, grandes produtores ampliaram produção, elevando a oferta global a níveis recordes.

    Se o clima ajudar na América do Sul, Brasil e Argentina podem elevar produção de milho na safra 25/26. O fenômeno La Niña traz risco, sobretudo para a safra argentina entre janeiro e fevereiro.

    No Brasil, atrasos no plantio da soja no quarto trimestre de 2025 podem postergar o milho safrinha no primeiro trimestre de 2026, elevando risco climático. Ainda assim, a tendência aponta aumento de área, potencialmente resultando em nova grande produção.

    Margens apertadas do algodão podem levar a migrações de áreas para o milho na segunda safra. A demanda por etanol de milho ganha tração com novas plantas previstas para 2026.

    “O binômio clima-área segue no comando. O avanço do etanol de milho no Brasil adiciona um novo piso de demanda, enquanto o mix de culturas nos EUA será decidido pelo pulso de preços até março”, explica Luiz Roque.

    Óleo de palma: Indonésia e Malásia elevam produção

    Indonésia e Malásia registraram grandes produções em 2025. China e Índia reduziram importações, pressionando os preços e invertendo o spread frente ao óleo de soja.

    China e Índia devem reacelerar importações em 2026, dando suporte aos preços. A Indonésia pode implementar B50 (mistura de biodiesel a 50%), elevando consumo doméstico e reduzindo oferta exportável.

    O fenômeno La Niña com chuvas acima da média no Sudeste Asiático pode atrapalhar logística até fevereiro, afetando prêmios e disponibilidade.

    Geopolítica adiciona risco a logística e energia

    Tensões geopolíticas voltaram a ganhar destaque em 2025 e adicionaram volatilidade ao petróleo. O conflito entre Israel e Irã elevou o risco de escalada militar para além do Oriente Médio.

    No leste europeu, a continuidade do conflito Rússia-Ucrânia reabriu o debate sobre financiamento europeu ao lado ucraniano, enquanto os EUA recuaram na busca por um acordo definitivo.

    O mapa de risco permanece ativo em 2026, com custos logísticos, prêmios de risco e fluxos alternativos no radar de tradings e indústrias.

  • Produção de grãos no Brasil deve atingir 354,4 milhões de toneladas

    Produção de grãos no Brasil deve atingir 354,4 milhões de toneladas

    A produção brasileira de grãos deve alcançar 354,4 milhões de toneladas na safra 2025/26, segundo o terceiro levantamento divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) nesta quinta-feira (11). O volume representa um crescimento modesto de 0,6% em relação ao ciclo anterior, com 2,2 milhões de toneladas a mais do que as 352,2 milhões colhidas em 2024/25.

    O aumento na produção resulta da expansão de 3% na área cultivada, que passa de 81,7 milhões de hectares para 84,2 milhões de hectares. No entanto, esse crescimento é parcialmente compensado pela redução na produtividade média nacional, que cai de 4.310 quilos por hectare em 2024/25 para 4.210 quilos por hectare na atual temporada.

    Soja encaminha-se para novo recorde histórico

    A cultura da soja, principal commodity agrícola brasileira cultivada na primeira safra, já alcançou 90,3% da área de plantio prevista. Em Mato Grosso, líder nacional na produção do grão, a semeadura está completamente finalizada, conforme dados do Progresso de Safra publicado pela Conab.

    As condições climáticas marcaram o ritmo do plantio nas diferentes regiões do país. Na primeira quinzena de novembro, chuvas regulares impulsionaram o avanço da semeadura na Região Sul. Enquanto isso, produtores do Centro-Oeste, Norte, Nordeste e Minas Gerais enfrentaram atrasos devido à irregularidade das precipitações. A partir da segunda quinzena de novembro, a normalização do regime de chuvas permitiu a retomada dos trabalhos de campo nessas áreas.

    Para a safra 2025/26, a Conab estima que 48,9 milhões de hectares serão destinados ao cultivo da oleaginosa, gerando uma produção de 177,1 milhões de toneladas. Se confirmado, o resultado representará um aumento de 3,3% sobre o ciclo anterior e estabelecerá um novo recorde nacional.

    Arroz registra queda expressiva; feijão mantém estabilidade

    A produção de arroz deve sofrer retração significativa de 12,4%, com colheita prevista de 11,2 milhões de toneladas. A redução é atribuída às condições mercadológicas desfavoráveis do cereal, que resultaram em menor área cultivada, estimada em 1,62 milhão de hectares.

    No Rio Grande do Sul, maior produtor nacional de arroz, a semeadura atingiu 98% da área destinada à cultura. Em Santa Catarina, segundo principal estado produtor, o plantio já foi concluído.

    Já a produção de feijão permanece estável. Somando as três safras anuais da leguminosa, a Conab projeta aproximadamente 3 milhões de toneladas, volume similar ao ciclo passado e suficiente para garantir o abastecimento interno. O plantio da primeira safra foi finalizado no Paraná e em São Paulo, enquanto avança em outros estados: 93,8% da área em Minas Gerais e 67% na Bahia.

    Milho apresenta leve recuo na produção total

    A produção de milho, considerando as três safras anuais, está estimada em 138,9 milhões de toneladas, queda de 1,5% em relação ao ciclo anterior. Na primeira safra, a semeadura já atingiu 71,3% dos 4 milhões de hectares destinados ao cereal, com produção prevista de 25,9 milhões de toneladas, alta de 3,9% sobre a safra anterior.

    Trigo fecha safra de inverno com resultado positivo

    Entre as culturas de inverno da safra 2025, o trigo se destaca como principal produto. A colheita já alcançou 98% da área plantada, com produção estimada em 8 milhões de toneladas. O volume supera em 0,9% o registrado no ciclo anterior, reflexo das condições climáticas predominantemente favoráveis durante o desenvolvimento da cultura, apesar de adversidades pontuais em algumas regiões.

    Exportações batem recordes e impulsionam economia

    Neste levantamento, a Conab manteve praticamente estáveis as projeções de suprimentos da safra 2024/25 para a maioria dos produtos. Com ajustes pontuais baseados nas atualizações de produção e nas condições de mercado.

    Uma das mudanças significativas refere-se às exportações da safra 2024/25, com incremento de 313 mil toneladas. O total de embarques deve atingir cerca de 106,97 milhões de toneladas até o final de 2025. Porém, esse número ainda pode ser ajustado no próximo levantamento.

    Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações de soja em grãos somaram 104,79 milhões de toneladas entre janeiro e novembro de 2025, volume que estabelece um novo recorde nacional. O volume supera as 101,87 milhões de toneladas vendidas ao mercado internacional durante todo o ano de 2021. As vendas externas registradas nos 11 meses de 2025 geraram receita de US$ 42 bilhões para o país.