Tag: soja

  • Guerra no Oriente Médio ameaça oferta de fertilizantes para a safra 2026/27

    Guerra no Oriente Médio ameaça oferta de fertilizantes para a safra 2026/27

    A guerra no Oriente Médio já começa a produzir reflexos concretos sobre o agronegócio brasileiro. Cinco meses após o início do conflito, empresas do setor de fertilizantes estimam uma redução de pelo menos 10% nas entregas para a safra 2026/27.

    Além dos impactos logísticos provocados pela instabilidade na região, produtores enfrentam um cenário marcado por crédito mais caro, aumento do endividamento rural e menor rentabilidade de culturas importantes como soja e milho.

    Compras seguem abaixo do ritmo esperado

    Para a próxima safra de soja, cujo plantio começa em setembro em algumas regiões do país, aproximadamente 80% das compras de fertilizantes já foram realizadas.

    O percentual está cinco pontos abaixo do registrado no mesmo período da safra anterior.

    No caso do milho de segunda safra, as aquisições alcançam 30%, contra 35% observados um ano atrás.

    Segundo Eduardo Monteiro, country manager da Mosaic Fertilizantes para Brasil e Paraguai, houve uma melhora recente no ritmo das negociações.

    Nas últimas três semanas, cerca de 3 milhões de toneladas de fertilizantes foram comercializadas no mercado brasileiro.

    A recuperação dos preços da soja ajudou a melhorar a relação de troca entre grãos e insumos, favorecendo novos negócios.

    “As últimas três semanas trazem uma dose de otimismo dentro desse contexto, mas não tiram toda a complexidade que temos ao navegar nesse cenário”, afirmou Monteiro.

    Mercado deve encolher em 2026

    Em 2025, o Brasil registrou recorde de aproximadamente 49 milhões de toneladas de fertilizantes entregues.

    Para este ano, empresas e consultorias projetam uma redução entre 5 milhões e 10 milhões de toneladas.

    As maiores quedas devem ocorrer nos fertilizantes nitrogenados e fosfatados.

    Apesar do cenário mais cauteloso, a Mosaic acredita que a retração poderá ficar próxima do limite inferior das projeções.

    Fertilizantes ficaram mais caros

    Um dos fatores que mais preocupa o setor é a disparada dos preços.

    Segundo a indústria, o produtor rural precisa desembolsar atualmente entre duas e quatro sacas adicionais de soja para adquirir a mesma quantidade de fertilizante em comparação ao ano passado.

    Guerra afeta preços globais

    Desde o início do conflito, os mercados internacionais de fertilizantes vêm registrando forte volatilidade.

    A situação no Estreito de Ormuz e em outras rotas estratégicas de transporte influencia diretamente os preços de matérias-primas essenciais para a produção de adubos.

    Dados da StoneX mostram que:

    • O enxofre passou de US$ 435 para US$ 1.152 por tonelada.
    • O MAP (fosfato monoamônico) subiu de US$ 635 para cerca de US$ 890 por tonelada.
    • A ureia avançou de US$ 404 para US$ 461 por tonelada.

    O aumento do preço do enxofre se tornou um dos principais desafios para fabricantes globais.

    Mosaic reduz operações temporariamente

    A escassez de enxofre levou a Mosaic a anunciar, em julho, uma nova redução temporária de operações no Brasil.

    Segundo a empresa, não existe prazo definido para retomada total das atividades.

    O retorno dependerá principalmente da evolução dos preços internacionais da matéria-prima.

    Concorrência com a indústria de baterias preocupa

    Outro fator de pressão é o crescimento da demanda global por enxofre para a fabricação de baterias.

    De acordo com Guilherme Schmitz, vice-presidente de marketing e agronomia da Yara Brasil, o segmento de baterias possui maior capacidade de pagamento e disputa o mesmo insumo utilizado na produção de fertilizantes.

    Logística internacional entra em alerta

    A indústria também acompanha com preocupação possíveis novos gargalos logísticos.

    Entre a importação da matéria-prima e o processamento dos fertilizantes no Brasil, o ciclo pode durar cerca de três meses.

    Nesse período entram etapas como embarque internacional, desembarque nos portos brasileiros, liberação aduaneira e distribuição interna.

    Por isso, empresas recomendam que produtores façam planejamento antecipado das compras.

    Importações atrasadas elevam preocupação

    A StoneX avalia que as importações brasileiras seguem abaixo do ritmo necessário para recompor estoques.

    Segundo o analista Tomás Pernías, o país precisará acelerar as compras nos próximos meses caso queira manter níveis adequados de abastecimento.

    Além do Estreito de Ormuz, o mercado monitora a possibilidade de interrupções no Estreito de Bab el-Mandeb, rota estratégica para exportações de fertilizantes provenientes da Arábia Saudita.

  • Estudo propõe protocolo nacional único para soja e carne bovina

    Estudo propõe protocolo nacional único para soja e carne bovina

    Um estudo do WRI Brasil propõe a criação de um protocolo unificado para as cadeias brasileiras de soja e carne bovina. A iniciativa pretende integrar ferramentas já existentes de monitoramento e rastreabilidade para facilitar o comércio internacional, especialmente com a China, sem estabelecer novas exigências para os produtores.

    Segundo o instituto, o Brasil já dispõe de instrumentos capazes de monitorar o desmatamento e acompanhar a origem da produção agropecuária. No entanto, esses sistemas funcionam de forma isolada e adotam critérios diferentes, o que dificulta sua compreensão por compradores e investidores internacionais.

    Estudo aponta diferenças entre protocolos existentes

    A pesquisa analisou 21 iniciativas, entre protocolos, certificações, acordos voluntários, plataformas públicas e sistemas de rastreabilidade utilizados nas cadeias de soja e carne bovina.

    O levantamento identificou divergências em aspectos como:

    • datas de corte para desmatamento;
    • critérios de avaliação;
    • monitoramento de fornecedores indiretos;
    • auditorias e processos de verificação.

    De acordo com o WRI Brasil, essas diferenças reduzem a credibilidade dos sistemas brasileiros e tornam mais difícil para importadores identificar quais padrões devem ser seguidos.

    Objetivo é integrar regras já existentes

    O estudo reforça que a proposta não cria novas normas para o setor.

    A recomendação é harmonizar os critérios técnicos atualmente utilizados, integrar bases de dados e simplificar os processos de auditoria, criando um referencial único para as cadeias produtivas.

    Na avaliação do instituto, essa integração pode fortalecer a rastreabilidade, reduzir riscos reputacionais e aproximar os sistemas brasileiros das exigências internacionais, incluindo as previstas no Regulamento da União Europeia sobre Desmatamento (EUDR).

    China é apontada como parceira estratégica

    O relatório destaca que a China permanece como o principal destino das commodities agropecuárias brasileiras.

    Para os pesquisadores, Brasil e China têm condições de liderar a construção de um padrão internacional voltado para cadeias produtivas livres de desmatamento.

    O documento, intitulado Tracing Responsibility: Strengthening Deforestation Monitoring in Brazil’s Soy and Beef Supply Chains, foi desenvolvido pelo WRI Brasil com apoio da BV Rio, Amigos da Terra, Principles for Responsible Investment (PRI), WRI China e Proforest.

    Recomendações

    No setor pecuário, o estudo recomenda acelerar o monitoramento dos fornecedores indiretos, sem aguardar a implementação completa da identificação individual obrigatória dos animais.

    Além disso, a proposta prevê a migração gradual para sistemas individuais de rastreabilidade, ampliando a transparência da cadeia produtiva.

    Para a cadeia da soja, o estudo recomenda fortalecer a rastreabilidade desde a fazenda de origem. Entre as medidas sugeridas estão a integração de tradings, cooperativas e plataformas estaduais, além da conexão de informações fiscais para tornar os registros mais confiáveis.

  • Soja dispara com demanda e fortalece mercado brasileiro

    Soja dispara com demanda e fortalece mercado brasileiro

    A demanda internacional pela soja brasileira fortaleceu os preços no mercado interno. Além disso, a alta dos prêmios de exportação impulsionou as negociações no país. Segundo o Cepea, o aumento das tensões no Oriente Médio elevou as cotações internacionais do petróleo. Como resultado, os preços globais da soja também ganharam sustentação.

    No Brasil, a valorização dos prêmios de exportação reforçou esse movimento. Ao mesmo tempo, o cenário geopolítico e a maior procura pela oleaginosa brasileira sustentaram a alta no mercado spot.

    El Niño aumenta preocupações com a safra de soja

    Os pesquisadores do Cepea afirmam que a previsão de intensificação do El Niño preocupa o mercado. O fenômeno pode afetar a produção mundial na safra 2026/27. Diante desse cenário, parte dos compradores antecipou as aquisições para reduzir riscos. Enquanto isso, vendedores diminuíram a oferta de grandes volumes.

    Os produtores aguardam condições mais favoráveis para comercializar a soja. Essa postura também contribui para a sustentação dos preços.

    Vendedores retraídos elevam preços do milho

    Os preços do milho avançaram em grande parte das regiões monitoradas pelo Cepea. O movimento ocorreu mesmo com o avanço da colheita da segunda safra. O volume disponível para negócios permanece limitado no mercado interno. Além disso, a média nacional da área colhida segue abaixo das temporadas anteriores.

    Os produtores também reduziram o ritmo das negociações nos últimos dias. Eles acompanham a valorização dos preços internacionais, que pode aumentar a paridade de exportação.

    Compradores priorizam estoques

    Na ponta compradora, os consumidores mantêm uma postura cautelosa. Eles preferem utilizar os estoques em vez de fechar novos negócios.

    De acordo com pesquisadores do Cepea, esses agentes esperam uma queda dos preços. A expectativa é de maior oferta após o avanço da colheita.

    Eles também acreditam que limitações nos armazéns e a necessidade de caixa dos produtores podem estimular novas vendas nos próximos meses.

     

     

     

  • El Niño pode gerar superoferta de grãos na América Latina

    El Niño pode gerar superoferta de grãos na América Latina

    O El Niño pode favorecer a produção agrícola brasileira nos próximos meses, mas seus efeitos positivos sobre as lavouras não devem representar, necessariamente, maior rentabilidade para o produtor rural. A expectativa é de aumento na oferta de grãos e café, cenário que tende a pressionar os preços das commodities e elevar os custos de armazenagem.

    A análise faz parte de um estudo divulgado pela Allianz Trade, que avaliou os impactos do fenômeno climático sobre a agricultura da América Latina, com destaque para Brasil e Argentina. Segundo a empresa, episódios anteriores mostram que o fenômeno costuma criar condições favoráveis para importantes culturas agrícolas, principalmente nas regiões produtoras do Sul do continente.

    Produção pode crescer, mas preços tendem a cair

    Os dados reunidos pela Allianz Trade indicam que, durante eventos anteriores de El Niño, a produção de soja no Brasil chegou a ficar até 4% acima da tendência observada nos cinco anos anteriores. No caso do café arábica, o avanço foi de até 5% em relação à média histórica.

    Embora o aumento da produtividade seja visto como um fator positivo para o agronegócio, ele também pode gerar um efeito contrário sobre a renda dos produtores. Com mais produtos disponíveis no mercado, a tendência é que os preços internacionais das commodities agrícolas recuem, reduzindo as margens de lucro ao longo da comercialização da safra.

    Além disso, uma colheita mais volumosa exige maior capacidade de armazenagem. O estudo destaca que esse cenário pode elevar significativamente os custos logísticos para produtores e tradings, especialmente em períodos de maior concentração da oferta.

    Impactos variam conforme a região do Brasil

    Os efeitos do El Niño não devem ocorrer de forma uniforme em todo o país. De acordo com a Allianz Trade, as regiões Sul e parte do Centro-Sul tendem a registrar aumento das chuvas, favorecendo o desenvolvimento de culturas como soja, milho e café.

    Já o Norte do Brasil e a região amazônica podem enfrentar condições mais secas. Esse cenário amplia os riscos para a produção de alimentos, dificulta a logística em algumas áreas e pode afetar até a geração de energia elétrica.

    Segundo o levantamento, essa assimetria coloca Brasil, Colômbia e Peru entre os países latino-americanos mais vulneráveis a impactos inflacionários provocados pelas alterações climáticas associadas ao fenômeno.

    Efeitos também podem alcançar o mercado internacional

    No cenário global, a expectativa é que o aumento da oferta de soja e milho produzido na América Latina contribua para aliviar parte das pressões sobre os preços mundiais dos alimentos.

    Ao mesmo tempo, outras regiões produtoras continuam enfrentando condições climáticas adversas. O estudo cita que países do Leste Asiático e da África Ocidental permanecem sob risco de seca, situação que pode comprometer culturas estratégicas, como cacau, óleo de palma e arroz.

    Exportadores podem sair fortalecidos

    A Allianz Trade avalia que exportadores agrícolas brasileiros poderão se beneficiar do maior volume de produção, fortalecendo suas operações e ampliando a capacidade de acesso ao crédito.

    Por outro lado, empresas ligadas ao processamento de alimentos e intermediários do mercado de commodities podem enfrentar um ambiente mais desafiador. A combinação entre excesso de oferta e queda nas cotações internacionais tende a aumentar a pressão sobre as margens financeiras do setor.

    Na avaliação da seguradora, o El Niño reforça que uma safra recorde nem sempre significa maior lucro para o agronegócio. Apesar do potencial de elevar a produtividade em diversas culturas, fatores como preços internacionais, custos de armazenagem e dinâmica do mercado continuarão sendo determinantes para o resultado financeiro dos produtores brasileiros.

  • Conheça a fazenda milionária que Tarcísio Meira deixou de herança

    Conheça a fazenda milionária que Tarcísio Meira deixou de herança

    Conhecido como um dos maiores atores da televisão brasileira, Tarcísio Meira também construiu uma sólida trajetória no agronegócio. Além da carreira artística, o ator investiu em uma grande propriedade rural no Pará, dedicada principalmente à pecuária de corte. Após sua morte, em 2021, a administração dos negócios passou para o filho, Tarcísio Filho.

    A principal propriedade da família é a Fazenda São Marcos, localizada na zona rural de Aurora do Pará, no leste do estado. Com mais de 10 mil hectares, a fazenda continua sendo uma referência entre as propriedades rurais.

    Como o ator entrou no agronegócio

    O interesse de Tarcísio Meira pela região começou na década de 1970. Durante uma viagem profissional a Manaus, o ator conheceu uma grande área disponível para compra e decidiu investir no local.

    Segundo relatos da época, ele costumava dizer que havia se tornado “quase um paraense”, demonstrando a forte ligação que criou com a região ao longo dos anos.

    Fazenda é voltada à pecuária e à produção agrícola

    A Fazenda São Marcos tem como principal atividade a pecuária de corte. Além da criação de gado, a propriedade também cultiva milho e soja, utilizados principalmente na alimentação do rebanho.

    Além disso, cerca de metade da área da fazenda permanece preservada como reserva ambiental.

    Tarcísio Meira passou a quarentena com a esposa em sua fazenda, antes de vir a óbito — Foto: Divulgação

    Investimentos também beneficiaram a comunidade

    Além da produção rural, o famoso também realizou investimentos voltados ao bem-estar dos funcionários e da população local.

    Na propriedade foram construídas moradias para os colaboradores, além da manutenção de uma escola gratuita destinada aos filhos dos trabalhadores, pequenos agricultores e colonos da região.

    Herança de família

    Em agosto de 2021, Tarcísio Meira morreu aos 85 anos em decorrência de complicações provocadas pela Covid-19. Nos últimos meses de vida, permaneceu isolado ao lado da esposa, Glória Menezes, em uma das propriedades da família.

    Desde então, Tarcísio Filho assumiu a administração da Fazenda São Marcos e dos demais negócios rurais, passando a dedicar parte de sua rotina à gestão do patrimônio construído pelo pai.

  • Farelo de soja dispara e sustenta preços no mercado

    Farelo de soja dispara e sustenta preços no mercado

    A demanda global por farelo de soja impulsionou as cotações no Brasil e nos Estados Unidos. Os dados são do Cepea. No mercado brasileiro, a disputa entre compradores internos e externos ganhou força. Com isso, os prêmios de exportação e os preços FOB avançaram.

    Além disso, a valorização do farelo elevou os preços da soja no mercado interno. Segundo os pesquisadores do Cepea, a maior oferta mundial de soja limitou altas mais expressivas do grão. Ainda assim, a expectativa de crescimento da demanda internacional pelo farelo mantém o mercado aquecido.

    A Argentina segue como principal exportadora mundial de derivados de soja. No entanto, o USDA destaca o avanço das exportações de farelo do Brasil e dos Estados Unidos.

    Preços do milho oscilam entre regiões produtoras

    Os preços do milho registram comportamentos diferentes nas regiões acompanhadas pelo Cepea. Em algumas praças, as cotações subiram devido à retração de vendedores. Além disso, o ritmo inicial da colheita da segunda safra permaneceu lento.

    Por outro lado, os preços recuaram em regiões produtoras. Nesses locais, o avanço da colheita ampliou a oferta do cereal.

    Parte dos consumidores continua atenta às oportunidades de compra. Outros adquiriram volumes no início da semana passada para reforçar os estoques. Mesmo assim, esses compradores aguardam maior disponibilidade de milho nas próximas semanas. A expectativa é de queda dos preços no mercado interno.

    Enquanto isso, produtores paulistas mantêm postura cautelosa. Eles esperam o avanço da colheita para negociar volumes maiores.

  • VBP agropecuário atinge R$ 1,4 trilhão em junho

    VBP agropecuário atinge R$ 1,4 trilhão em junho

    O Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) brasileira foi estimado em R$ 1,4 trilhão em junho, segundo levantamento mensal divulgado pelo Ministério da Agricultura. O indicador mede o faturamento da produção agropecuária dentro dos estabelecimentos rurais e especialistas o consideram um dos principais termômetros do desempenho do setor.

    Do total estimado, R$ 893,1 bilhões são provenientes das lavouras, que respondem por 64% do VBP nacional. Já a pecuária representa R$ 511,1 bilhões, equivalente a 36% do faturamento agropecuário.

    Entre os principais produtos que impulsionam o VBP, a soja lidera com valor estimado de R$ 335,8 bilhões, representando 23,9% do total. Na sequência aparecem os bovinos, com R$ 249,5 bilhões (17,5%), seguidos pelo milho (R$ 155,3 bilhões), cana-de-açúcar (R$ 108,7 bilhões) e frangos (R$ 107,3 bilhões).

    Juntos, esses cinco segmentos concentram 68,3% do valor total da produção agropecuária brasileira, evidenciando a forte dependência do setor em relação às principais commodities.

    No recorte por estados, Mato Grosso lidera o ranking nacional, com VBP estimado em R$ 213,5 bilhões, o equivalente a 15,2% do total. Minas Gerais aparece na segunda posição, com R$ 167,8 bilhões (12%), seguido por São Paulo, com R$ 158,4 bilhões, representando 11,3% do indicador.

  • Safra de grãos 2025/26 deve atingir 360,1 milhões de toneladas

    Safra de grãos 2025/26 deve atingir 360,1 milhões de toneladas

    A produção brasileira de grãos na safra 2025/2026 está estimada em 360,1 milhões de toneladas, segundo o 10º Levantamento divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) nesta terça-feira (14). Se confirmada, a projeção representa um crescimento de 2,2% em relação ao ciclo anterior, com acréscimo de 7,8 milhões de toneladas.

    O avanço é impulsionado, principalmente, pela expansão da área cultivada, estimada em 83,5 milhões de hectares. Já a produtividade média nacional deve permanecer estável, projetada em 4.311 quilos por hectare.

    Milho mantém volume elevado na safra 2025/26

    A produção total de milho está estimada em 141,7 milhões de toneladas, alta de 0,4% na comparação anual. A primeira safra, praticamente concluída, deve alcançar 29,6 milhões de toneladas.

    grãos de milho
    Foto: Seapa/MG

    Na segunda safra, a colheita atinge 38,9% da área, índice abaixo da média dos últimos cinco anos. Mato Grosso registra bom desempenho, favorecido por condições climáticas positivas. Por outro lado, estados como Goiás, Minas Gerais e Piauí enfrentaram veranicos entre abril e maio, impactando o potencial produtivo. A expectativa é de uma colheita de 109,43 milhões de toneladas nessa etapa.

    Já a terceira safra deve somar 2,7 milhões de toneladas, com impacto das baixas chuvas, especialmente em Sergipe e Alagoas.

    Soja bate recorde e arroz recua

    A soja alcançou produção recorde de 180,6 milhões de toneladas, alta de 5,3% frente à safra anterior. O resultado reflete o aumento de 2,7% na área plantada, aliado ao uso de tecnologia e condições climáticas favoráveis.

    Foto: Giovani Ruan Orso/AGCO

    Em contrapartida, o arroz registrou queda de 13,1%, com produção de 11,1 milhões de toneladas, impactado pela redução da área cultivada. O feijão também apresentou retração de 1,4%, com estimativa de 3 milhões de toneladas. Ainda assim, a Conab destaca que o abastecimento interno permanece garantido.

    Algodão ganha produtividade mesmo com menor área

    A produção de algodão em pluma está estimada em 4,06 milhões de toneladas. Apesar da redução de 3,2% na área plantada, o desempenho das lavouras foi favorecido pelo clima, resultando em aumento de 2,8% na produtividade média.

    Atualmente, 8,1% da área foi colhida, enquanto 78,4% das lavouras estão em fase de maturação e 13,5% em formação de maçãs.

    Trigo deve ter forte queda na produção

    O trigo, principal cultura de inverno, apresenta expectativa de retração significativa. A produção está estimada em 6 milhões de toneladas, queda de 23,5% em relação ao ciclo anterior.

    trator VALTRA BC6800 em uma plantação de trigo
    Foto: Nelson Konrad/AGCO

    O recuo é explicado tanto pela redução da área plantada quanto pela perspectiva de menor produtividade nas lavouras.

    Mercado e estoques

    A Conab revisou as projeções de estoque de milho para a safra 2025/26. Com a nova estimativa de produção, o estoque de passagem deve atingir cerca de 14,5 milhões de toneladas até 31 de janeiro de 2027.

    No algodão, a exportação pode chegar a 3,38 milhões de toneladas, com estoque final estimado em 2,67 milhões de toneladas.

    A Conab ajustou o estoque final de soja para 8,8 milhões de toneladas diante do aumento no processamento e nas exportações, que devem alcançar 62,57 milhões de toneladas e 116,3 milhões de toneladas, respectivamente.

  • Governo define preços mínimos para safra 2026/27 e 2027

    Governo define preços mínimos para safra 2026/27 e 2027

    O governo federal publicou nesta segunda-feira (13) a Portaria nº 934. Ela estabelece os preços mínimos para produtos de verão e regionais das safras 2026/27 e 2027. A medida saiu no Diário Oficial da União (DOU) e define os valores que vão orientar as operações da Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM).

    O Conselho Monetário Nacional (CMN) fixou os preços, que funcionam como referência para assegurar renda mínima aos produtores rurais em caso de queda nas cotações de mercado.

    Os preços mínimos terão vigência entre julho de 2026 e junho de 2028, conforme o produto. A lista inclui culturas estratégicas para o agronegócio brasileiro, como algodão (em caroço e pluma), arroz longo fino em casca, milho, soja e sorgo, além de feijão (cores e preto), mandioca (raiz, fécula e goma), cacau, borracha natural cultivada e leite.

    Também entram na relação produtos como caroço de algodão e juta/malva (embonecada e prensada). Além de derivados da borracha, como coágulo virgem a granel e látex de campo.

    Além dos produtos agrícolas, a portaria fixa os preços mínimos para sementes de culturas de verão e regionais, incluindo algodão, arroz, feijão, juta/malva, milho, soja e sorgo. Nesse caso, a vigência começa em novembro de 2026 e segue até junho de 2028.

    O que é a PGPM

    A Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM) busca proteger a renda do produtor rural diante das oscilações de mercado. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) elabora as propostas de preços com base em custos de produção e nas condições dos mercados interno e externo.

    De acordo com o Decreto-Lei nº 79/1966, os valores consideram fatores como oferta, demanda e variações nos preços agrícolas, garantindo maior previsibilidade ao setor.

  • Soja bate recorde de exportação e dispara no Brasil

    Soja bate recorde de exportação e dispara no Brasil

    A soja brasileira registrou recorde de exportação no primeiro semestre e voltou a ganhar força no mercado interno. A demanda internacional aquecida elevou os preços e reforçou o interesse dos compradores. Segundo os pesquisadores do Cepea, a valorização dos contratos futuros e a postura cautelosa dos vendedores impulsionaram as cotações da soja no mercado spot nacional.

    Além disso, a distribuição irregular das chuvas no Hemisfério Norte e o agravamento dos conflitos no Oriente Médio sustentaram a alta dos preços. Com esse cenário, a saca de 60 quilos da soja voltou a superar R$ 140 nos principais portos brasileiros. Esse valor nominal não era registrado desde janeiro, antes da entrada da safra 2025/26.

    O Cepea também destaca que a combinação desses fatores fortaleceu a demanda por embarques imediatos. Ao mesmo tempo, compradores anteciparam negociações dos prêmios de exportação para embarques previstos em 2028.

    Exportação de soja atinge maior volume da história

    A demanda mundial segue impulsionando as exportações de soja do Brasil. Dados da Secex mostram que o País embarcou 14,49 milhões de toneladas em junho. O volume representa um recorde para o mês desde o início da série histórica, em 1997.

    No acumulado do primeiro semestre, o Brasil exportou 69,57 milhões de toneladas de soja. O resultado supera em 35% o registrado no mesmo período de 2025. Além disso, o desempenho estabelece um novo recorde para os seis primeiros meses do ano e confirma a forte competitividade da soja brasileira no mercado internacional.

    Preço do milho permanece firme no mercado interno

    Os preços do milho seguem firmes na maior parte das regiões acompanhadas pelo Cepea. A baixa liquidez continua limitando os negócios no mercado spot.

    Enquanto produtores concentram esforços na colheita da segunda safra, compradores aguardam o aumento da oferta antes de fechar novos negócios. Ao mesmo tempo, valorização das cotações internacionais continua oferecendo sustentação ao mercado brasileiro.

    Segundo o Cepea, o mercado esperava queda dos preços durante a colheita. No entanto, as condições climáticas reduziram temporariamente a oferta disponível. A colheita avança em ritmo semelhante ao do ano passado. Porém, permanece abaixo da média das últimas cinco safras.

    A valorização da soja também influencia o mercado do milho. Muitos agricultores priorizam a comercialização da oleaginosa e adiam as vendas do cereal. Para as próximas semanas, a previsão indica menor volume de chuvas no Sudeste e no Centro-Oeste. Assim, a colheita deve acelerar.

    Com o avanço dos trabalhos, produtores poderão avaliar com mais precisão os impactos das geadas no Paraná, da seca em Goiás e das condições favoráveis registradas em Mato Grosso sobre a produtividade da segunda safra.