Tag: seca

  • Gene silvestre fortalece defesa do amendoim contra seca e pragas

    Gene silvestre fortalece defesa do amendoim contra seca e pragas

    Pesquisas da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia revelam que genes de parentes silvestres do amendoim aumentam a resistência agrícola. O estudo contou com colaboração de instituições nacionais e internacionais e usou espécies nativas da América do Sul. A abordagem é inédita e amplia estratégias de melhoramento genético com base na biodiversidade regional.

    Gene ativa defesa sem custo produtivo

    Um dos genes estudados é o AdEXLB8, isolado da espécie silvestre Arachis duranensis. Essa planta é ancestral do amendoim cultivado e apresenta alta rusticidade natural. Segundo os pesquisadores, o gene ativa mecanismos de defesa contra seca, nematoides e fungos.

    A pesquisa mostrou que o gene não gera resistência direta. Ele aciona um processo chamado priming de defesa, que mantém a planta em estado de alerta. Assim, a resposta a estresses ocorre mais rápido e com menor gasto energético.

    Resultados comprovados em várias culturas

    Plantas de tabaco, soja e amendoim receberam o gene em testes experimentais. Os materiais apresentaram maior tolerância à seca e a doenças agrícolas. Em raízes analisadas, a infecção por nematoides caiu até 60%.
    Mesmo com maior proteção, as plantas não tiveram perdas de produtividade. A qualidade final dos produtos também foi preservada, segundo a Embrapa.

    Origem está na biodiversidade silvestre

    O estudo partiu da observação de espécies silvestres do gênero Arachis. Essas plantas enfrentam há milênios estresses bióticos e abióticos variados. Por isso, desenvolveram genes associados à resiliência ambiental.
    Grande parte desse material é conservada pela Embrapa em bancos de germoplasma. O trabalho de coleta é liderado pelo pesquisador José Valls, há décadas.

    Biotecnologia acelera o melhoramento genético

    No passado, melhoristas evitavam espécies silvestres em cruzamentos agrícolas. Isso ocorria porque características indesejadas vinham junto com os genes úteis. Com a biotecnologia, foi possível superar esse obstáculo. Ferramentas genômicas permitem transferir genes específicos para culturas comerciais. Dessa forma, a resistência é incorporada sem afetar produção ou qualidade.

    Pesquisa pioneira explica mecanismo molecular

    O gene AdEXLB8 pertence à família das expansinas, ligadas à parede celular. Inicialmente, os cientistas não esperavam resistência a pragas e fungos. No entanto, testes revelaram proteção ampla e simultânea. A explicação está na pré-ativação das vias de defesa da planta. Hormônios e sistemas antioxidantes ficam prontos para agir rapidamente.

    Tecnologia pode reduzir uso de defensivos

    Segundo a Embrapa, o gene pode diminuir a dependência de fungicidas e nematicidas. Isso contribui para uma agricultura mais sustentável e com menor impacto ambiental. A tecnologia está em processo de patenteamento e testes em outras culturas.

    Conservação garante inovação no campo

    O gene veio de uma espécie coletada pela primeira vez em 1905, na Argentina. As sementes só ficaram disponíveis para pesquisa a partir de 1953. Desde 1977, a Embrapa preserva o material no Brasil.
    Hoje, o banco reúne cerca de 1.500 acessos de espécies silvestres de Arachis. O Brasil concentra a maior diversidade genética desse gênero no mundo.

    Conhecimento indígena sustenta a diversidade

    A domesticação do amendoim envolveu povos indígenas sul-americanos. Eles selecionaram, cultivaram e espalharam diferentes tipos da planta. Evidências arqueológicas indicam cultivo há mais de cinco mil anos.
    Atualmente, comunidades como os Kayabi mantêm dezenas de variedades tradicionais. Esse manejo preserva genes valiosos para a pesquisa e a agricultura moderna.

    Biodiversidade como base do futuro agrícola

    Para os pesquisadores, o estudo comprova o valor da conservação genética.
    A biodiversidade armazenada pode gerar soluções para desafios climáticos e produtivos.
    Assim, ciência, tecnologia e conhecimento tradicional seguem conectados no campo.

  • Estudo prevê clima de deserto em metade do Nordeste até 2100

    Estudo prevê clima de deserto em metade do Nordeste até 2100

    Um estudo apresentado pelo Centro Estratégico de Excelência em Políticas de Águas e Secas (CEPAS), em parceria com a Secretaria de Recursos Hídricos do Ceará, projeta que até o final do século o Nordeste brasileiro poderá ter até 99% de seu território sob condições áridas e semiáridas. O levantamento, divulgado no Boletim CEPAS na COP30, indica que o fenômeno da desertificação tende a se intensificar nas próximas décadas, especialmente no interior cearense, caso as emissões de gases de efeito estufa sigam em alta.

    Projeções alarmantes

    Com base em 19 modelos climáticos globais (CMIP6), o estudo avaliou a evolução das classes climáticas de Thornthwaite — que medem o equilíbrio entre temperatura e umidade — sob dois cenários de emissões: o intermediário (SSP2-4.5) e o de altas emissões (SSP5-8.5).

    Os resultados mostram que, mesmo com ações moderadas de mitigação, a área classificada como árida deve saltar de 3% para 26% do Nordeste até 2100, enquanto o semiárido avançará de 43% para quase 60%. Em um cenário extremo, de altas emissões, o quadro é ainda mais grave: o território árido pode alcançar 56,7% da região, e o semiárido, 42,4% — o que representa 99% da área total.

    “O futuro está sob disputa e a COP30 é uma arena importantíssima desta batalha”, afirma o relatório. “O planeta e o semiárido nordestino podem ser diferentes, com menos estresse hídrico, dependendo das decisões tomadas pelos Estados e coletivos humanos.”

    Impactos no Ceará e no semiárido

    O Ceará deve sentir os efeitos antes do restante da região. O estudo aponta que áreas hoje subúmidas — como os sertões dos Inhamuns, o Cariri e o médio Jaguaribe — tendem a se tornar semiáridas já nas próximas duas décadas. “O Ceará apresenta antecipação e intensificação da aridização em relação ao conjunto do Nordeste”, destaca o documento. “Os refúgios altimétricos e litorâneos resistem por mais tempo, mas encolhem e se fragmentam até 2100.”

    Entre as consequências diretas estão a redução da recarga subterrânea, o aumento da intermitência dos rios, a pressão sobre reservatórios. Por fim, a queda na produtividade agrícola. O avanço do clima seco também ameaça a biodiversidade e amplia a vulnerabilidade de comunidades rurais.

    Voz dos cientistas

    Para o professor Alexandre Araújo Costa, da Universidade Estadual do Ceará, o quadro exige urgência. “Identificar as possibilidades e limites de adaptação dos sistemas humanos e naturais em nosso semiárido é uma tarefa urgente”, afirma.

    Foto: Wilson Dias – Agência Brasil

    O engenheiro José Kerlly Soares de Araújo, pesquisador do grupo de risco climático da Universidade Federal do Ceará, reforça a gravidade das projeções: “O avanço da aridez, mesmo sob cenários moderados, evidencia a necessidade de fortalecer políticas públicas antecipatórias e inovar em tecnologias de uso eficiente da água.”

    Chamado à ação

    Além disso, na avaliação do diretor do CEPAS, Francisco de Assis de Souza Filho, o Nordeste é hoje “a fronteira climática do Brasil”. Ele defende que a gestão hídrica precisa se tornar adaptativa, integrando ciência, políticas públicas e comunidades locais.

    O boletim encerra, portanto, com três recomendações principais para os debates da COP30, que será realizada em Belém:

    1. Reconhecer que o processo de aridização é antecipado e amplamente corroborado por evidências científicas;

    2. Basear as respostas em ciência e gestão integrada dos recursos hídricos;

    3. Planejar a adaptação de forma territorial, com foco especial no semiárido nordestino.

    “Os sistemas de recursos hídricos devem se preparar para maior pressão de escassez”, conclui o estudo. Ou seja, “A adaptação precisa ser rápida, integrada e territorialmente focalizada.”

  • Seca grave atinge 37% dos municípios do Rio Grande do Norte

    Seca grave atinge 37% dos municípios do Rio Grande do Norte

    Dados do Monitor de Secas referentes a setembro de 2025 revelam um cenário de estiagem extensa no Rio Grande do Norte. O fenômetro atinge 83,83% dos municípios potiguares, com a Seca Grave sendo a categoria mais frequente no estado.

    A seca de intensidade grave impacta 37,13% das cidades, concentrando-se principalmente nas regiões do Alto Oeste e do Seridó. Enquanto isso, a Seca Fraca (23,95%) e a Seca Moderada (22,75%) apresentam percentuais próximos, somando outros 46,7% do território afetado. O estudo não registrou ocorrência de Seca Extrema ou Excepcional no período.

    Apenas 16,17% dos municípios permanecem na classificação de “Sem Seca Relativa”, um indicativo do alcance significativo do fenômeno no estado.

    Municípios em alerta

    A lista de cidades em situação de Seca Grave inclui Acari, Caicó, Caraúbas, Ipueira, Jardim de Piranhas, Jucurutu, Marcelino Vieira, Martins, Olho d’Água do Borges, Parelhas, Patu, Pau dos Ferros, São Fernando, São João do Sabugi, Timbaúba dos Batistas e Umarizal, entre outras.

    Na categoria de Seca Moderada, encontram-se municípios como Apodi, Assu, Currais Novos, Felipe Guerra, Ipanguaçu, Macau, Mossoró, Santa Cruz e Tibau.

    Já entre os afetados por Seca Fraca, estão Areia Branca, Baía Formosa, Ceará-Mirim, Extremoz, Goianinha, Natal, Nova Cruz, Parnamirim, São Gonçalo do Amarante, São José de Mipibu e Tibau do Sul.

    Os dados consolidam um panorama de atenção para o estado, exigindo monitoramento contínuo e políticas públicas para mitigar os efeitos da estiagem na população e na economia potiguar.

  • Como a cana-de-açúcar pode garantir energia limpa durante a seca

    Como a cana-de-açúcar pode garantir energia limpa durante a seca

     

    A bioeletricidade produzida a partir do bagaço de cana-de-açúcar emerge como alternativa estratégica para garantir o abastecimento energético brasileiro durante períodos críticos de estiagem. Estudo coordenado pela Embrapa, em parceria com instituições internacionais, demonstra que essa fonte renovável pode complementar as hidrelétricas justamente quando os reservatórios atingem níveis alarmantes.

    Durante a estação seca, quando a geração hidrelétrica despenca devido à queda nos níveis dos reservatórios, a energia da cana entra em cena para suprir o sistema elétrico nacional. O diferencial está no timing: a colheita da cana coincide exatamente com o período de estiagem no Centro-Sul do país.

    Além disso, a bioeletricidade pode ser gerada durante a noite, complementando a energia solar fotovoltaica, que tem seu pico de produção apenas durante o dia. Essa sinergia fortalece a matriz energética brasileira e reduz o risco de instabilidade no fornecimento.

    Emissões baixíssimas em ciclo renovável

    Pesquisa publicada na revista científica Renewable Energy revela que a bioeletricidade do bagaço apresenta pegada de carbono de aproximadamente 0,227 kg de CO₂ equivalente por kWh. O número é significativamente inferior ao das termelétricas a diesel, que podem emitir até 1,06 kg de CO₂ equivalente por kWh.

    O aspecto mais relevante é que essas emissões não adicionam carbono novo à atmosfera. A cana absorve CO₂ durante a fotossíntese, transformando-o em biomassa. Quando o bagaço é queimado para gerar energia, libera apenas parte do carbono previamente capturado, enquanto novas plantações já reiniciam o ciclo de absorção.

    “A bioeletricidade do bagaço se mostra uma fonte renovável de baixíssimo impacto em emissões, ao mesmo tempo em que fortalece a diversificação e a resiliência da matriz elétrica brasileira”, afirma Vinicius Bufon, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente (SP).

    Alerta: vulnerabilidades ameaçam potencial estratégico

    Apesar do potencial promissor, o estudo internacional publicado na revista Environmental Advances, conduzido pela Embrapa em parceria com a Universidade das Nações Unidas e a Universidade de Bonn, identifica gargalos estruturais que podem comprometer a contribuição da bioeletricidade em momentos críticos.

    Entre os principais desafios estão:

    • Infraestrutura hídrica insuficiente: a escassez de barragens para armazenamento de água da chuva limita a capacidade de enfrentar estiagens prolongadas, resultado de falta de crédito e dificuldades no licenciamento ambiental.
    • Baixo investimento em irrigação: a dependência excessiva das chuvas aumenta a vulnerabilidade dos canaviais em regiões cada vez mais afetadas por variações climáticas.
    • Seguros agrícolas frágeis: a proteção contra secas não reflete os riscos reais enfrentados pelos produtores, deixando-os expostos a prejuízos severos.
    • Ausência de sistemas de alerta precoce: a falta de mecanismos robustos de monitoramento impede respostas rápidas e eficazes diante de cenários de risco.

    “A bioeletricidade da cana tem um papel único porque sua produção coincide exatamente com o período de estiagem, quando a geração hidrelétrica cai. Mas, para mantermos essa contribuição estável, precisamos enfrentar as fragilidades estruturais e institucionais que ainda limitam o setor”, defende Bufon.

    Soluções para fortalecer o setor sucroenergético

    A pesquisa aponta caminhos concretos para reduzir riscos e aumentar a resiliência do setor:

    • Expansão da irrigação em áreas estratégicas
    • Modernização e digitalização dos sistemas de irrigação existentes
    • Aprimoramento de estratégias de manejo hídrico integrado
    • Fomento a políticas públicas de incentivo ao setor
    • Estímulo à inovação e difusão tecnológica
    Foto: Leandro dos Santos Morais/Embrapa

    Bufon ressalta que muitas dessas soluções já estão em desenvolvimento nas pesquisas da Embrapa. “Nosso foco é contribuir para uma agricultura climaticamente inteligente, que não apenas aumente a produtividade, mas também fortaleça a capacidade de adaptação às mudanças climáticas e contribua para a redução das emissões de gases de efeito estufa”, explica.

    Bioeletricidade e agricultura climaticamente inteligente

    As medidas propostas se alinham ao conceito de Agricultura Climaticamente Inteligente, que busca conciliar três objetivos: elevar de forma sustentável a produtividade agrícola, fortalecer a resiliência dos sistemas produtivos e reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

    A bioeletricidade da cana vai além do setor energético, conectando-se a uma agenda mais ampla de sustentabilidade e segurança alimentar. Ao utilizar resíduos agrícolas para gerar energia, o setor contribui para a economia circular e fortalece a bioeconomia, reduzindo a dependência de fontes fósseis.

    Como um dos maiores produtores de cana-de-açúcar do mundo, o Brasil possui vantagens comparativas únicas para consolidar a bioeletricidade como parte central da matriz elétrica. O avanço dependerá, no entanto, de investimentos contínuos em infraestrutura, inovação tecnológica e políticas públicas integradas de longo prazo.

    “Quando as hidrelétricas reduzem sua geração, as termelétricas a biomassa de cana assumem papel decisivo para garantir a estabilidade do sistema elétrico. É um recurso firme, capaz de oferecer suporte confiável justamente nos períodos mais críticos do ano”, reforça Bufon.

    Para o pesquisador, o setor sucroenergético pode desempenhar papel decisivo não apenas no fornecimento de energia, mas também na transição para uma economia de baixo carbono. “Se conseguirmos fortalecer a resiliência da bioeletricidade, estaremos dando um passo importante para garantir a segurança energética do País e para cumprir os compromissos internacionais de mitigação climática”, conclui.

    O estudo foi desenvolvido pela Embrapa em parceria com a Universidade das Nações Unidas (Alemanha) e a Universidade de Bonn. O trabalho também integrou o doutorado de Jasmim Zevallos, com participação de Zita Sebesvari e Jakob Rhyner. Os resultados foram publicados na revista científica Environmental Advances (Elsevier).

  • São Paulo segue em alerta máximo para queimadas

    São Paulo segue em alerta máximo para queimadas

    O clima seco continua pressionando a capital e o interior de São Paulo. A Defesa Civil do Estado mantém alerta máximo para queimadas. A combinação de baixa umidade e ventos fortes mantém o risco elevado em quase todo o território paulista. Regiões como Ribeirão Preto, Bauru, Araraquara e Presidente Prudente estão em nível de emergência.

    O Vale do Paraíba, a Região Metropolitana de São Paulo e o litoral sul concentram o alerta vermelho. Nessas áreas, o fogo se propaga com facilidade devido às condições climáticas extremas. Segundo a Defesa Civil, o período de estiagem exige atenção redobrada das equipes municipais e estaduais. O órgão alerta que o cenário deve piorar até hoje (6).

    A faixa leste do estado, que inclui o Vale do Ribeira e o litoral norte, deve entrar em situação de emergência nesta segunda. A previsão indica melhora gradual a partir de quarta-feira (8).
    Neste domingo (5), grandes incêndios atingiram Presidente Venceslau, Presidente Prudente, Espírito Santo do Pinhal e Itapura, sem registro de vítimas.

    Reservatórios operam próximos do limite crítico

    A seca intensa também afeta o abastecimento de água. Os reservatórios paulistas perdem cerca de 0,3% das reservas por dia.
    Neste domingo (5), o nível médio estava em 30,3%, valor considerado crítico. O Sistema Cantareira, maior do estado, já está em situação emergencial desde 1º de outubro.

    Maranhão lidera queimadas no país

    Em nível nacional, o Maranhão ultrapassou o Mato Grosso e agora lidera os registros de queimadas em 2025. O estado soma 11.511 focos, número 4% menor que o de 2024. Entre os grandes estados com queimadas, o Maranhão é o único sem queda significativa nos últimos três anos.

    O Mato Grosso, destaque negativo em 2024, reduziu 80% dos focos, mas continua em segundo lugar, com 9.399 registros. O Tocantins aparece em terceiro, com 8.849 focos e queda de 42%.

    Até outubro, o Brasil contabilizou 81.374 focos de incêndio, redução de 62% frente a 2024. É o menor número da década, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

  • Piauí decreta emergência em 119 municípios pela seca

    Piauí decreta emergência em 119 municípios pela seca

    Governo do Piauí decretou situação de emergência em 119 municípios afetados pela seca prolongada. Publicada no Diário Oficial do Estado nesta terça-feira (30), a medida tem validade de 180 dias. E permite a mobilização rápida de órgãos estaduais para ações emergenciais em apoio às populações mais impactadas pela estiagem.

    O decreto leva em consideração o agravamento do fenômeno climático, que atinge praticamente todo o território piauiense. O primeiro episódio de seca extrema foi registrado em julho de 2025 com expansão para outras regiões em agosto. A Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) projeta chuvas abaixo da média e temperaturas elevadas até novembro, reduzindo a recarga dos reservatórios e agravando a crise hídrica.

    A falta de chuvas causou exaustão dos poços artesianos, especialmente em solos cristalinos, comprometendo o abastecimento de água para consumo humano até em áreas urbanas. A estiagem também traz prejuízos significativos para a agropecuária, com prejuízo ao rebanho e à produção agrícola.

    Integrando o Sistema de Proteção e Defesa Civil, a secretaria estadual de Defesa Civil acionou órgãos para distribuição emergencial de água potável, cestas básicas, insumos agrícolas e apoio logístico nos municípios afetados. O prazo para os municípios solicitarem o reconhecimento federal da emergência é de 10 dias, condição que abre acesso a diversos benefícios federais, como perfuração de poços e auxílio alimentar.

    Investimentos

    O combate à seca conta ainda com investimentos superiores a R$ 500 milhões desde 2023. Isso incluindo recursos do Governo estadual e da concessionária Águas do Piauí. Esses valores financiam a Operação Água e Vida, que inclui perfuração e revitalização de poços, instalação de dessalinizadores, entrega de cisternas, caminhões-pipa, revitalização de reservatórios e estações de tratamento, além de programas de assistência alimentar.

    Agricultor Marcos Felipe Viana, de Floriano, perdeu quase tudo que plantou. Foto: Geirlys Silva /SAF

    Para 2026, o Governo prevê a construção de mais de 9 mil cisternas, implantação de quintais produtivos, barragens subterrâneas, sistemas de reúso e poços tubulares. Além da instalação de 29 sistemas simplificados de abastecimento e demais obras para fortalecer a segurança hídrica nos municípios. O investimento previsto é de cerca de R$ 7 milhões, com foco também em capacitação para produção de alimentos e irrigação por gotejamento.

    Essas ações buscam mitigar os impactos da seca e garantir a segurança hídrica e alimentar no semiárido piauiense. E promover resiliência das comunidades diante das mudanças climáticas.

  • Rio Grande do Norte registra seca grave em 37% dos municípios em agosto

    Rio Grande do Norte registra seca grave em 37% dos municípios em agosto

    O Rio Grande do Norte enfrentou uma seca grave em agosto de 2025, com 37,12% dos municípios atingidos por esta condição, segundo dados da EMPARN e da ANA. No total, 83,84% das cidades do estado tiveram algum nível de seca, em um cenário que demanda atenção especial.

    A seca grave (S2) foi a categoria mais presente no estado. A seca fraca (S0) e a seca moderada (S1) estiveram em patamares próximos, com 23,95% e 22,75% dos municípios, respectivamente. Não houve registro de seca extrema (S3) ou excepcional (S4) neste período. Apenas 16,16% dos municípios ficaram livres da seca relativa.

    O fenômeno afetou principalmente o Alto Oeste e o Seridó, regiões em que predomina a seca grave. O leste do estado apresentou melhora, com chuvas acima da média que reduziram os níveis das secas fraca e moderada.

    O Monitor de Secas, publicado mensalmente pela EMPARN, divulga esses dados com base na análise da Agência Nacional de Águas (ANA). O informe está disponível no site da EMPARN, na seção de Publicações.

    Municípios com seca grave

    Acari, Água Nova, Alexandria, Almino Afonso, Antônio Martins, Apodi, Caicó, Campo Grande, Caraúbas, Carnaúba dos Dantas, Cruzeta, Coronel João Pessoa, Encanto, Equador, Florânia, Francisco Dantas, Frutuoso Gomes, Ipueira, Itajá, Itaú, Janduís, Jardim de Piranhas, Jardim do Seridó, João Dias, José da Penha, Jucurutu, Lucrécia, Luís Gomes, Major Sales, Marcelino Vieira, Martins, Messias Targino, Olho-d’Água do Borges, Ouro Branco, Paraná, Parelhas, Patu, Paraú, Pau dos Ferros, Pilões, Portalegre, Rafael Fernandes, Rafael Godeiro, Riacho da Cruz, Riacho de Santana, Santana do Matos, Santana do Seridó, São Fernando, São Francisco do Oeste, São João do Sabugi, São José do Seridó, São Rafael, São Vicente, Serra Negra do Norte, Serrinha dos Pintos, Taboleiro Grande, Tenente Ananias, Tenente Laurentino Cruz, Timbaúba dos Batistas, Triunfo Potiguar, Umarizal e Viçosa.

    Municípios com seca moderada

    Afonso Bezerra, Alto do Rodrigues, Angicos, Areia Branca, Assu, Baraúna, Bodó, Campo Redondo, Carnaubais, Cerro Corá, Coronel Ezequiel, Currais Novos, Doutor Severiano, Felipe Guerra, Fernando Pedroza, Governador Dix-Sept Rosado, Grossos, Ipanguaçu, Jaçanã, Lagoa Nova, Lajes, Lajes Pintadas, Macau, Mossoró, Pedro Avelino, Pendências, Porto do Mangue, Rodolfo Fernandes, Santa Cruz, São Bento do Trairi, São Miguel, São Tomé, Serra do Mel, Severiano Melo, Tibau, Upanema e Venha-Ver.

    Municípios com seca fraca

    Barcelona, Bento Fernandes, Boa Saúde, Bom Jesus, Galinhos, Guamaré, Caiçara do Norte, Caiçara do Rio do Vento, Ielmo Marinho, Jandaíra, Monte das Gameleiras, Jardim de Angicos, Japi, João Câmara, Lagoa d’Anta, Lagoa de Pedras, Lagoa Salgada, Lagoa de Velhos, Passa-e-Fica, Parazinho, Pedra Grande, Pedra Preta, Poço Branco, Pureza, Riachuelo, Ruy Barbosa, Santo Antônio, São Miguel do Gostoso, São Bento do Norte, São José do Campestre, São Paulo do Potengi, São Pedro, Santa Maria, Senador Elói de Souza, Serra Caiada, Serra de São Bento, Serrinha, Sítio Novo, Tangará, Taipu e Touros.

     

  • Falta de chuva ameaça lavouras no Brasil

    Falta de chuva ameaça lavouras no Brasil

    O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê seca em grande parte do país entre setembro e novembro. O alerta veio em boletim climático divulgado em parceria com o CPTEC/INPE e a Funceme, durante evento da Conab.

    Regiões com falta de chuva

    O relatório indica déficit hídrico no Norte, Nordeste, Centro-Oeste e parte do Sudeste. Esse cenário ameaça culturas em maturação e o início do plantio da safra de verão. O Inmet relaciona o quadro ao rápido resfriamento do oceano Pacífico. O fenômeno pode indicar transição para La Niña nos próximos meses.

    Norte

    No Norte, o Pará e o Amazonas terão chuvas abaixo da média, com déficit superior a 100 mm em setembro. A umidade do solo será baixa no Acre, Rondônia e sul do Amazonas. A agricultura familiar deve enfrentar mais dificuldades.

    Nordeste

    No Nordeste, a seca se intensifica no Maranhão, Piauí, Ceará e interior da Bahia. A umidade deve cair abaixo de 30%, e as chuvas ficam escassas até outubro. As culturas não irrigadas serão as mais afetadas.

    Centro-Oeste

    No Centro-Oeste, setembro e outubro terão temperaturas acima da média e solo seco. As áreas mais críticas ficam no leste do Mato Grosso e oeste de Goiás. O milho pode perder produtividade, e o plantio da soja tende a atrasar.

    Sudeste

    No Sudeste, o norte de Minas, oeste paulista e norte do Espírito Santo enfrentam risco de escassez hídrica. O quadro ameaça o início da safra de grãos e a florada do café. A umidade só deve se recuperar em novembro.

    Sul

    A Região Sul mostra realidade oposta. As chuvas acima da média e a boa umidade favorecem trigo, aveia e cevada.

    Diante do cenário climático, o Inmet recomenda planejamento no calendário agrícola. A instituição também orienta adotar estratégias de manejo hídrico para reduzir perdas produtivas.

  • Seca grave atinge 20% do Rio Grande do Norte

    Seca grave atinge 20% do Rio Grande do Norte

    O Rio Grande do Norte enfrenta um agravamento crítico da seca, com 20,4% dos municípios em condição de seca grave, segundo o Mapa de Secas de maio de 2025, divulgado pela Empresa de Pesquisa Agropecuária do RN (EMPARN). O fenômeno avança no Oeste Potiguar, enquanto o Centro do estado registra situação moderada, e apenas o Leste apresenta alívio devido a chuvas acima da média.

    Os dados são alarmantes: 88% dos municípios são afetados:

    • 34,7% com seca fraca
    • 32,9% com seca moderada
    • 20,4% com seca grave (34 municípios)
    • Apenas 11,9% sem seca relativa.

    Principais cidades em situação crítica:

    Caicó, Patu, Jucurutu, Caraúbas, Umarizal, São João do Sabugi e Santana do Seridó estão entre as 34 localidades onde a disponibilidade hídrica e a agricultura sofrem impactos severos.

    Enquanto o Centro-Oeste e Norte registram melhora, o Nordeste concentra 39% das áreas com seca grave no país, segundo a Agência Nacional de Águas (ANA). O Rio Grande do Norte está entre os estados onde o fenômeno se intensificou, ao lado do Piauí e Pernambuco.

    Operação Carro-Pipa

    O Exército Brasileiro está em alerta para ampliar a Operação Carro-Pipa, que já atende 61 municípios potiguares.

    Acari e Paraú aguardam contratação de pipeiros, enquanto Lagoa D’Anta e Senador Elói de Souza estão em processo de inclusão no programa.

    A situação compromete a agricultura, o abastecimento humano e a economia local, exigindo políticas de gestão hídrica e investimentos em infraestrutura. A EMPARN disponibiliza atualizações no Monitor de Secas, ferramenta essencial para ações governamentais.

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  • Drones revolucionam melhoramento genético de milho para tolerância à seca

    Drones revolucionam melhoramento genético de milho para tolerância à seca

    09Pesquisadores brasileiros adotaram drones para acelerar o melhoramento genético de milho resistente à seca, reduzindo custos e otimizando resultados. Em resumo, a técnica usa câmeras RGB para capturar imagens de campo, que são convertidas em índices que medem a saúde das plantas. Ou seja, com essas informações, é possível selecionar rapidamente as variedades mais promissoras e simular seu desempenho em diferentes condições climáticas.

    O Centro de Genômica Aplicada às Mudanças Climáticas (GCCRC), liderou o estudo, em parceria com Embrapa, Unicamp e apoio da Fapesp, e publicou os resultados na revista The Plant Phenome Journal.

    Nova tecnologia supera métodos tradicionais

    Os métodos tradicionais de avaliação em campo são caros e demorados. “Nos processos convencionais, é necessário esperar o ciclo completo da planta e realizar medições manuais, o que demanda tempo e equipamentos caros”, afirma Juliana Yassitepe, pesquisadora da Embrapa Agricultura Digital e autora do estudo.

    Portanto, a nova metodologia reduziu significativamente o tempo de coleta de dados. “Antes, levaríamos dias para medir a produção de grãos, altura das plantas e tempo até a floração. Agora, drones e processamento de imagens realizam essas tarefas em poucas horas”, destaca Yassitepe.

    Experimentos comprovam eficiência

    Durante a estação seca de 2023, pesquisadores realizaram dois experimentos em Campinas (SP) ao longo de cinco meses. Os cientistas testaram 21 variedades de milho, incluindo 18 geneticamente modificadas para tolerância à seca e três variedades sem alterações, usadas como controle.

    As plantas foram divididas em dois grupos: um recebeu irrigação contínua, enquanto o outro enfrentou condições de seca. Além disso, os drones realizaram voos semanais, capturando imagens com câmeras RGB e multiespectrais. Em geral, os resultados mostraram que as câmeras RGB, mais acessíveis, oferecem dados confiáveis para o melhoramento genético em larga escala.

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    Menores custos e maior abrangência

    A nova abordagem reduz custos e permite realizar estudos em áreas menores. “Nem sempre os grupos de pesquisa têm muitas sementes viáveis para testar grandes áreas. Com imagens de alta resolução captadas por drones, podemos analisar mais variedades em espaços menores”, explica Helcio Pereira, pesquisador de pós-doutorado no GCCRC e coautor do estudo.

    Além disso, a metodologia também possibilita acompanhar o desenvolvimento das plantas ao longo de todo o ciclo. “A análise temporal contínua foi crucial para entender como as plantas reagem ao estresse hídrico”, complementa Pereira.

    Modelos preditivos otimizam seleção

    Pesquisadores usaram os dados captados pelos drones para criar modelos preditivos que identificam variedades adaptadas a diferentes condições climáticas. “Com esses modelos, podemos prever o comportamento das variedades sem medições manuais frequentes, tornando o processo mais rápido e acessível”, afirma Pereira.

    O estudo completo, intitulado “Temporal field phenomics of transgenic maize events subjected to drought stress: cross-validation scenarios and machine learning models”, está disponível aqui.

    O GCCRC, uma iniciativa conjunta da Embrapa e Unicamp com apoio da Fapesp, foca em soluções inovadoras para adaptar cultivos aos desafios impostos pelas mudanças climáticas.