Tag: rastreabilidade

  • Nova regra do MPF aperta controle sobre origem do gado na Amazônia

    Nova regra do MPF aperta controle sobre origem do gado na Amazônia

    O Ministério Público Federal (MPF) adiou para janeiro de 2027 o início de uma nova etapa de controle da origem do gado comercializado por frigoríficos na Amazônia.

    A medida amplia o alcance do TAC da Carne Legal para os chamados fornecedores indiretos, propriedades que vendem bovinos a fazendas que, posteriormente, fornecem os animais aos frigoríficos.

    A mudança busca aumentar a rastreabilidade da cadeia bovina e identificar gado proveniente de propriedades com irregularidades socioambientais, como desmatamento ilegal, embargos ambientais ou sobreposição com áreas protegidas.

    O cronograma inicialmente divulgado pelo MPF previa o início da contabilização dessas operações em julho de 2026. A implementação, porém, foi prorrogada em seis meses para ampliar o período de adaptação dos produtores e frigoríficos.

    O que são fornecedores indiretos de gado?

    O foco inicial será nos chamados fornecedores indiretos de primeiro nível.

    São propriedades rurais que movimentaram bovinos ou bubalinos para um fornecedor direto nos 24 meses anteriores à aquisição do lote pelo frigorífico.

    Na prática, o fornecedor direto é a fazenda que vende os animais ao frigorífico. Já o indireto aparece em uma etapa anterior da cadeia, fornecendo animais para essa propriedade.

    Esse elo é considerado um dos principais desafios para a rastreabilidade da pecuária porque um bovino pode passar por diferentes propriedades entre as fases de cria, recria e engorda antes de chegar ao abate.

    Como será feito o controle?

    O sistema deverá cruzar informações relacionadas à movimentação e à situação socioambiental das propriedades rurais.

    Entre as bases utilizadas no controle estão informações das Guias de Trânsito Animal (GTAs), do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e de outras bases públicas.

    O desenvolvimento técnico da solução conta com participação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e de outras instituições que apoiam o TAC da Carne Legal.

    Pela metodologia apresentada pelo MPF, um fornecedor direto poderá receber um alerta quando tiver adquirido volume considerado significativo de animais provenientes de fornecedores indiretos em desacordo com os critérios socioambientais.

    Inicialmente, esse limite foi estabelecido em:

    • mais de 30% do total adquirido pelo fornecedor direto na janela analisada;
    • 50 cabeças de gado, quando esse número representar um limite menor.

    O protocolo prevê a redução gradual dessa tolerância ao longo da implementação do sistema.

    Controle começa de forma gradual

    A implementação não significa que os frigoríficos passarão imediatamente a bloquear produtores em janeiro de 2027.

    A primeira etapa será destinada à contabilização das movimentações entre fornecedores indiretos e diretos, criando uma base para as análises posteriores.

    Segundo o cronograma divulgado após o adiamento:

    • janeiro de 2027: início da contabilização das transações dos fornecedores indiretos;
    • janeiro de 2028: início das análises e emissão de relatórios preliminares, inicialmente informativos;
    • julho de 2028: previsão de início dos Relatórios de Alerta sobre Fornecedores Indiretos, que poderão gerar consequências comerciais para fornecedores em situação irregular.

    O calendário deve ser acompanhado porque o protocolo está sendo implantado de maneira gradual e pode receber novos ajustes.

    Frigorífico poderá bloquear fornecedor direto

    Quando as regras de bloqueio estiverem em vigor, o impacto comercial recairá inicialmente sobre o fornecedor direto.

    Caso o sistema identifique volume relevante de gado proveniente de propriedades indiretas fora dos critérios estabelecidos pelo TAC, o frigorífico poderá deixar de comprar animais daquele fornecedor até que a situação seja justificada ou regularizada.

    Entre os mecanismos previstos pelo MPF para permitir a retomada das negociações estão a comprovação de que o fornecedor indireto voltou a atender aos critérios socioambientais ou a apresentação de documentos e certidões que demonstrem sua regularidade na data da operação.

    TAC da Carne já controla compras diretas

    O TAC da Carne Legal estabelece compromissos socioambientais para frigoríficos que atuam na Amazônia e já é utilizado para avaliar as compras diretas de bovinos.

    As empresas participantes devem adotar mecanismos para evitar a aquisição de animais provenientes de propriedades relacionadas a desmatamento ilegal, embargos ambientais, invasão de áreas protegidas ou outras irregularidades previstas no protocolo.

    O desafio dos fornecedores indiretos é maior porque frigoríficos normalmente têm acesso direto aos dados da propriedade responsável pela venda final do animal, mas não necessariamente a todas as fazendas pelas quais o bovino passou anteriormente.

    Dados divulgados pelo próprio MPF em 2025 indicaram que frigoríficos participantes do TAC e submetidos a auditorias independentes registraram nível significativamente menor de irregularidades em comparação com empresas avaliadas por verificações automáticas.

  • Estudo propõe protocolo nacional único para soja e carne bovina

    Estudo propõe protocolo nacional único para soja e carne bovina

    Um estudo do WRI Brasil propõe a criação de um protocolo unificado para as cadeias brasileiras de soja e carne bovina. A iniciativa pretende integrar ferramentas já existentes de monitoramento e rastreabilidade para facilitar o comércio internacional, especialmente com a China, sem estabelecer novas exigências para os produtores.

    Segundo o instituto, o Brasil já dispõe de instrumentos capazes de monitorar o desmatamento e acompanhar a origem da produção agropecuária. No entanto, esses sistemas funcionam de forma isolada e adotam critérios diferentes, o que dificulta sua compreensão por compradores e investidores internacionais.

    Estudo aponta diferenças entre protocolos existentes

    A pesquisa analisou 21 iniciativas, entre protocolos, certificações, acordos voluntários, plataformas públicas e sistemas de rastreabilidade utilizados nas cadeias de soja e carne bovina.

    O levantamento identificou divergências em aspectos como:

    • datas de corte para desmatamento;
    • critérios de avaliação;
    • monitoramento de fornecedores indiretos;
    • auditorias e processos de verificação.

    De acordo com o WRI Brasil, essas diferenças reduzem a credibilidade dos sistemas brasileiros e tornam mais difícil para importadores identificar quais padrões devem ser seguidos.

    Objetivo é integrar regras já existentes

    O estudo reforça que a proposta não cria novas normas para o setor.

    A recomendação é harmonizar os critérios técnicos atualmente utilizados, integrar bases de dados e simplificar os processos de auditoria, criando um referencial único para as cadeias produtivas.

    Na avaliação do instituto, essa integração pode fortalecer a rastreabilidade, reduzir riscos reputacionais e aproximar os sistemas brasileiros das exigências internacionais, incluindo as previstas no Regulamento da União Europeia sobre Desmatamento (EUDR).

    China é apontada como parceira estratégica

    O relatório destaca que a China permanece como o principal destino das commodities agropecuárias brasileiras.

    Para os pesquisadores, Brasil e China têm condições de liderar a construção de um padrão internacional voltado para cadeias produtivas livres de desmatamento.

    O documento, intitulado Tracing Responsibility: Strengthening Deforestation Monitoring in Brazil’s Soy and Beef Supply Chains, foi desenvolvido pelo WRI Brasil com apoio da BV Rio, Amigos da Terra, Principles for Responsible Investment (PRI), WRI China e Proforest.

    Recomendações

    No setor pecuário, o estudo recomenda acelerar o monitoramento dos fornecedores indiretos, sem aguardar a implementação completa da identificação individual obrigatória dos animais.

    Além disso, a proposta prevê a migração gradual para sistemas individuais de rastreabilidade, ampliando a transparência da cadeia produtiva.

    Para a cadeia da soja, o estudo recomenda fortalecer a rastreabilidade desde a fazenda de origem. Entre as medidas sugeridas estão a integração de tradings, cooperativas e plataformas estaduais, além da conexão de informações fiscais para tornar os registros mais confiáveis.

  • Rastreabilidade impulsiona exportação de frutas brasileiras

    Rastreabilidade impulsiona exportação de frutas brasileiras

    O avanço das exportações de frutas brasileiras tem acelerado a adoção de tecnologias de rastreabilidade e gestão no campo e no pós-colheita. Apenas no primeiro trimestre de 2026, o setor exportou 330,6 milhões de quilos e faturou US$ 351,1 milhões, alta de 13% em volume e 25% em valor na comparação anual, segundo a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas).

    Manga, melão e limão lideram os embarques e sustentam o desempenho positivo. Ao mesmo tempo, produtores e exportadores ampliam investimentos em controle operacional para atender às exigências do mercado internacional.

    Importadores passaram a exigir mais do que qualidade do produto. Hoje, demandam transparência, padronização e comprovação de origem em todas as etapas da cadeia produtiva. Nesse contexto, a rastreabilidade se consolidou como requisito estratégico para acesso aos principais mercados globais.

    A tecnologia permite registrar e acompanhar processos como beneficiamento, armazenagem, transporte e expedição. Com isso, empresas aumentam a segurança das operações e melhoram a previsibilidade das entregas.

    Crescimento das exportaçõe

    O crescimento das exportações reforça essa tendência. Em 2025, o Brasil alcançou US$ 1,45 bilhão em vendas externas de frutas, o terceiro recorde anual consecutivo. O resultado posiciona o país entre os principais fornecedores globais e destaca o papel da gestão de dados na competitividade do setor.

    A digitalização do pós-colheita ganhou força nesse cenário. Produtores substituem controles manuais por sistemas integrados que monitoram, em tempo real, etapas como recebimento, classificação, embalagem e expedição.

    Segundo Gustavo Almeida, head de Agronegócio da Senior, o movimento reflete uma mudança estrutural no mercado. “A rastreabilidade deixou de ser diferencial e passou a ser condição de acesso aos mercados mais exigentes. Ela garante conformidade e permite respostas rápidas às demandas dos compradores”, afirma.

    Empresas têm adotado soluções específicas para packing houses com o objetivo de integrar operações e ampliar a visibilidade da cadeia produtiva. Dados da Senior indicam forte presença dessas tecnologias em culturas relevantes para exportação.

    Companhias que utilizam sistemas da empresa respondem por cerca de 39% das exportações de manga, 28% de banana, 11% de melancia, 9% de melão e 8% de uva fresca, com base nos dados de 2025.

    Ferramenta de gestão

    Além de atender exigências regulatórias, produtores utilizam a rastreabilidade como ferramenta de gestão. O monitoramento detalhado ajuda a reduzir perdas, identificar gargalos e melhorar o aproveitamento dos lotes, o que aumenta a eficiência logística e a competitividade.

    O avanço também aparece em culturas em expansão. No primeiro trimestre de 2026, empresas atendidas pela Senior concentraram 58% das exportações brasileiras de abacate, além de 14% de melão e 15% de melancia.

    A tendência, segundo o executivo, é de intensificação da demanda por transparência. “O mercado global exige cada vez mais confiabilidade das informações. A rastreabilidade gera valor, fortalece a cadeia e amplia a competitividade da fruticultura brasileira”, conclui.

  • Gestão da pecuária de corte ganha sistema com rastreabilidade

    Gestão da pecuária de corte ganha sistema com rastreabilidade

    O Broto e a agtech iRancho lançaram o Broto Gestão Pecuária, novo sistema de gestão da pecuária de corte. A plataforma oferece rastreabilidade individual dos animais e uma visão completa da produção. A solução permite ao pecuarista controlar o rebanho com mais eficiência. Além disso, melhora a produtividade e apoia decisões baseadas em dados confiáveis.

    Segundo empresas responsáveis pelo sistema, clientes relatam redução de até 50% no tempo dedicado ao manejo. Além disso, informam aumento de até duas vezes no giro de caixa com o abate precoce. De acordo com o CEO da iRancho, Thiago Parente, a ferramenta busca transformar a gestão da pecuária brasileira.

    Segundo ele, o sistema ajuda o produtor a identificar perdas financeiras. Também permite conhecer os custos reais e tomar decisões baseadas em informações concretas. Ainda conforme Parente, muitos pecuaristas movimentam altos valores. No entanto, enfrentam dificuldades para acompanhar a gestão interna da propriedade.

    Para Alberto Martinhago, diretor de Agronegócios e Agricultura Familiar do Banco do Brasil, o Broto Gestão Pecuária fortalece o ecossistema de inovação no campo. Ele afirma que sistemas de gestão ajudam a reduzir riscos na atividade rural. Além disso, incentivam uma pecuária mais rentável, eficiente e sustentável.

    José Evaldo Gonçalo, presidente do Broto, destaca que a plataforma amplia o acesso dos pecuaristas à tecnologia. Segundo ele, a gestão eficiente e a rastreabilidade definirão o futuro da pecuária brasileira. A integração da tecnologia da iRancho amplia esse acesso.

    Sistema organiza dados da fazenda

    O Broto Gestão Pecuária reúne informações que antes permaneciam dispersas na propriedade. Assim, o produtor consegue organizar melhor a gestão da fazenda.

    A plataforma funciona mesmo sem conexão com a internet. Dessa forma, o manejo e a coleta de dados podem ocorrer totalmente offline. Além disso, o sistema apresenta interface simples. Com isso, equipes de diferentes tamanhos podem adotar a gestão digital com facilidade.

    Rastreabilidade bovina avança no Brasil

    O lançamento ocorre em um momento de mudanças na pecuária. A rastreabilidade deixa de ser diferencial e passa a integrar as exigências do mercado. Em 2025, a Federação Brasileira de Bancos publicou norma para impedir o financiamento de atividades ligadas ao desmatamento ilegal.

    Além disso, a Lei Antidesmatamento da União Europeia proibirá, a partir de dezembro de 2026, produtos provenientes de áreas desmatadas após 31 de dezembro de 2020. Ao mesmo tempo, o Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos estabelece a identificação individual obrigatória dos animais até 2032. A iniciativa, criada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, busca ampliar a rastreabilidade dos bovinos e búfalos em todo o país.

  • Brasil busca acordo com a UE para manter exportações de carne bovina

    Brasil busca acordo com a UE para manter exportações de carne bovina

    A indústria frigorífica acredita que as negociações entre Brasil e União Europeia permitirão a retomada das exportações de carne ao bloco antes da entrada em vigor das novas restrições sobre antimicrobianos, prevista para setembro.

    A expectativa do setor se apoia no avanço das negociações sobre um protocolo para segregação de animais livres dos antimicrobianos vetados e na possível concessão de um período de transição pela UE.

    Outro fator considerado relevante é a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas negociações diplomáticas, movimento que pode contribuir para acelerar as tratativas.

    Na quinta-feira (18), o CEO da Friboi e presidente do conselho da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Renato Costa, reconheceu que houve certa demora na reação da cadeia produtiva e do próprio governo diante das exigências europeias, já que a regulamentação não é recente.

    Segundo ele, o cenário também exige maior participação da indústria farmacêutica veterinária para ampliar a oferta de alternativas aos antimicrobianos proibidos no mercado europeu.

    “Estamos confiantes. Teve que ter uma escalada política para ver se acelerava isso [negociações]. O presidente Lula agora, no G7, apresentou não só o nosso pleito. E [tem] também o trabalho que o Ministério da Agricultura está fazendo para convencer a comunidade europeia a aceitar o protocolo”, afirmou.

    Avanços sanitários

    De acordo com o executivo, o reconhecimento do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação, além de outros avanços sanitários conquistados recentemente, pode reforçar os argumentos brasileiros nas negociações.

    A proposta de transição permitiria a implementação gradual do protocolo de rastreabilidade exigido pela UE, incluindo a comprovação da ausência dos antimicrobianos durante todo o ciclo produtivo do animal. Atualmente, o setor estima que esse monitoramento precisaria abranger cerca de 30 meses, período que vai do nascimento ao abate dos bovinos.

    No entanto, o Brasil ainda não dispõe dessas informações de forma ampla e estruturada para atender às exigências até setembro.

    Setor cobra medidas mais rápidas

    Na semana passada, a Abiec e a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) solicitaram ao governo federal a ampliação das restrições ao uso de determinados antimicrobianos. Até o momento, segundo a indústria, não houve resposta oficial.

    Costa afirmou que a proposta teve como objetivo chamar atenção para a necessidade de ações mais efetivas diante do risco de perda de um mercado considerado estratégico para a rentabilidade das exportações brasileiras.

    No entanto, a iniciativa recebeu críticas de pecuaristas e empresas do setor de saúde animal. Um dos principais questionamentos envolve a disponibilidade limitada de produtos substitutos no mercado brasileiro.

    1,2 mil fazendas estão habilitadas para exportação

    Renato Costa destacou que cerca de 1,2 mil fazendas brasileiras estão habilitadas a exportar carne bovina à União Europeia por meio da Lista Traces, cumprindo exigências de rastreabilidade, mas ainda sem atender às novas regras sobre medicamentos veterinários. Segundo Damian Lluna, representante da UE no Brasil, essas exigências já são conhecidas pelo setor há anos.

    “A União Europeia tem, desde o início dos anos 2000, regras de proibição desses produtos. Já é obrigação a todos os produtores europeus desde 2022, e agora tem para países terceiros que queiram exportar para lá”, afirmou.

    Mercado europeu tem alto valor agregado

    Embora a União Europeia tenha absorvido apenas 3,5% das exportações brasileiras de carne bovina em 2025, o mercado possui grande relevância econômica devido à compra de cortes de maior valor agregado.

    Neste ano, as vendas ao bloco somaram US$ 1 bilhão e 128 mil toneladas de carne bovina.

    Por isso, um eventual bloqueio poderia reduzir a rentabilidade das operações exportadoras. Ainda assim, Costa avalia que os volumes embarcados poderiam ser redirecionados para outros mercados compradores, minimizando os impactos sobre o setor.

  • Consumidor brasileiro exige carne sustentável e aceita pagar mais por procedência

    Consumidor brasileiro exige carne sustentável e aceita pagar mais por procedência

    Os hiper e supermercados consolidaram-se como o principal canal de compra de carne bovina no Brasil, concentrando 69% da preferência dos consumidores. Mais do que um ponto logístico, o varejo tornou-se a “vitrine decisiva” onde o cliente busca alinhar o desejo por qualidade com exigências crescentes de sustentabilidade e rastreabilidade.

    O levantamento nacional, encomendado pelo movimento A Carne do Futuro é Animal e realizado pelo Instituto Qualibest, ouviu 1.021 pessoas entre o final de 2025 e o início de 2026. Os dados revelam que o balcão e a gôndola são os locais onde o público espera encontrar informações claras sobre a origem do produto e o bem-estar animal.

    Hábito de consumo e critérios de escolha

    A carne bovina permanece como um item essencial na rotina das famílias. Segundo a pesquisa, 63% dos entrevistados consomem a proteína duas ou mais vezes por semana, enquanto 21% a consomem semanalmente. O almoço em casa é a principal ocasião de consumo para 73% dos brasileiros, seguido pelo tradicional churrasco, citado por 62%.

    Na hora da compra, o bolso e o olhar atento ditam a regra:

    • Preço: Prioridade para 66% dos consumidores.
    • Frescor: Fator decisivo para 45%.
    • Validade: Citada por 40%.

    Apesar do foco no custo-benefício, a responsabilidade ambiental ganha força. Para 78% dos participantes, é fundamental que a carne tenha produção sustentável.

    Valor agregado e certificações

    A confiança na pecuária nacional segue alta, com 80% dos brasileiros avaliando a qualidade da carne como boa ou ótima. Além disso, 91% reconhecem os benefícios do alimento para a saúde, destacando-o como fonte de proteína (82%), ferro e vitaminas (57%).

    Essa percepção positiva reflete na disposição financeira do consumidor em pagar por garantias verificáveis:

    Sustentabilidade: 73% aceitariam pagar mais ou um pouco a mais por certificações.

    Bem-estar animal: 73% também investissem mais em produtos com este selo.

    Origem: 63% pagariam um valor adicional para conhecer a procedência exata da carne.

    Tendências e novas proteínas

    No quesito preferência de raças, a Angus lidera com 37% da predileção dos entrevistados. O mercado de proteínas alternativas também desperta curiosidade, embora ainda enfrente resistência. Sobre a carne cultivada (laboratório), 37% já conhecem o conceito, e uma parcela relevante demonstra abertura para experimentar o produto no futuro. Já a carne vegetal divide opiniões: 24% consomem ocasionalmente, enquanto 26% não têm interesse.

    Nicholas Vital, coordenador do movimento A Carne do Futuro é Animal, destaca que o protagonismo dos supermercados aumenta a responsabilidade dos varejistas. “O desafio é combinar operação impecável e comunicação simples, visível e verificável sobre sustentabilidade e bem-estar animal”, afirma. Portanto, para o especialista, o ponto de venda é o local onde a credibilidade da categoria é construída por meio de evidências concretas.

  • Nova regra reforça rastreabilidade e segurança jurídica na cadeia do pescado

    Nova regra reforça rastreabilidade e segurança jurídica na cadeia do pescado

    Os Ministérios da Pesca e Aquicultura (MPA) e da Agricultura e Pecuária (Mapa) oficializaram a Portaria Interministerial nº 54, que define a Nota Fiscal como documento obrigatório para comprovar a origem do pescado proveniente da pesca e da aquicultura. A decisão inaugura uma nova etapa de modernização regulatória e de fortalecimento da rastreabilidade na cadeia produtiva nacional.

    A norma substitui a Instrução Normativa Interministerial nº 4/2014, atualizando mecanismos de controle e fiscalização. Segundo os ministérios, a medida amplia a segurança jurídica, garante maior previsibilidade nas operações comerciais e reforça a conformidade com as práticas atuais do setor pesqueiro e aquícola brasileiro.

    Com a adoção da Nota Fiscal como documento oficial, o governo busca elevar a transparência nas transações, valorizar o pescado nacional e aprimorar as etapas de monitoramento da produção. A nova portaria foi construída em parceria entre o MPA e o Mapa, com participação ativa de representantes da Câmara Setorial da Produção e Indústria de Pescados e auditores fiscais do Mapa, para assegurar que a regulamentação atenda às necessidades operacionais do setor de forma efetiva e uniforme em todo o país.

    Inovações

    Entre as principais inovações, o texto traz o anexo “Autodeclaração de Solicitação de Atualização de Dados junto ao MPA”. Ela permite ao proprietário de embarcação comprovar sua regularidade enquanto aguarda análise de pedido no Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP). O mecanismo evita interrupções produtivas e garante previsibilidade administrativa durante o processo de atualização cadastral.

    Imagem gerada por IA

    De acordo com as pastas, a iniciativa integra a agenda de modernização administrativa e inovação regulatória. Promovendo maior eficiência na gestão pública e tutorando os direitos dos usuários dos sistemas oficiais. A regulamentação reforça o compromisso do governo federal com o desenvolvimento sustentável da pesca e da aquicultura. E consolida a Nota Fiscal como peça central na comprovação da origem e no controle das atividades do setor.

  • Conab lança plataforma para certificar café brasileiro como livre de desmatamento

    Conab lança plataforma para certificar café brasileiro como livre de desmatamento

    Na manhã da última terça-feira (24/02), a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) lançou, em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Plataforma Parque Cafeeiro para certificar o café brasileiro como livre de desmatamento. A Conab apresentou a ferramenta em cerimônia na sede da estatal, em Brasília (DF), com autoridades do Governo Federal e lideranças do setor cafeeiro.

    ​A plataforma apoia o cumprimento do Regulamento (UE) 2023/1115, conhecido como EUDR, que exige comprovação de que produtos como o café não venham de áreas com desmatamento após 31 de dezembro de 2020. Com isso, o sistema busca ampliar a rastreabilidade do café nacional e dar mais segurança para produtores, cooperativas, exportadores e importadores.

    Com chancela do Governo Federal, a ferramenta permite que produtores emitam uma declaração de conformidade ao não-desmatamento quando atendem às diretrizes europeias. Outros elos da cadeia também podem acessar relatórios para comprovar aos compradores europeus a origem regular dos lotes.

    ​Diferencial

    A Conab destacou como diferencial a arquitetura tecnológica baseada em integração com bases governamentais oficiais por meio de APIs. Isso viabiliza atualização quase em tempo real, acompanhamento contínuo e consistência dos dados. A plataforma também verifica informações ambientais e territoriais para apoiar o alinhamento às regras nacionais e internacionais.

    No monitoramento, o sistema utiliza dados do PRODES e checa se áreas de café cadastradas no CAR registraram desmatamento superior a meio hectare após 2020, além de identificar sobreposições com Terras Indígenas, Territórios Quilombolas e Unidades de Conservação, segundo a Conab.

    ​O mapeamento das lavouras ocorreu entre 2021 e 2025 com uso de inteligência artificial aplicada a imagens de satélites de alta resolução, de acordo com a estatal. A Conab informou que estruturou o sistema com articulação interministerial e apoio de órgãos vinculados para fortalecer a credibilidade da solução.

    ​A Plataforma Parque Cafeeiro já está em funcionamento e pode ser acessada em https://sistemas.conab.gov.br/conab_parque_cafe.

  • Artigo: O papel do consultor na rastreabilidade da cadeia de carne

    Artigo: O papel do consultor na rastreabilidade da cadeia de carne

    A rastreabilidade na cadeia frigorífica se tornou um pilar essencial não apenas para a segurança alimentar e a credibilidade do setor, mas também para a sustentabilidade e a agenda ESG (Ambiental, Social e Governança). Em um mercado cada vez mais regulado, globalizado e atento à origem dos alimentos, garantir o controle do campo ao consumidor final é um desafio estratégico para a competitividade do setor de carnes no Brasil. Nesse cenário, o papel do consultor especializado se torna fundamental.

    A cadeia da carne envolve múltiplos elos, desde a produção animal, passando pelo transporte, abate, processamento, armazenamento e distribuição. Cada etapa exige controle rigoroso de dados, cumprimento de normas sanitárias, ambientais e trabalhistas, além de padrões de qualidade cada vez mais exigentes pelos mercados interno e internacional. A rastreabilidade, portanto, vai muito além da adoção de sistemas tecnológicos. Ela depende de processos bem estruturados, pessoas capacitadas e de uma visão sistêmica orientada à sustentabilidade.

    Sob a ótica ambiental, a rastreabilidade é uma ferramenta estratégica no combate ao desmatamento ilegal, um dos principais desafios do setor pecuário. Por meio do monitoramento da origem dos animais e da qualificação dos fornecedores, é possível cruzar dados produtivos, geográficos e ambientais, garantindo que a produção não esteja associada a áreas irregulares.

    O consultor atua de forma decisiva ao mapear riscos, orientar adequações e assegurar conformidade com a legislação ambiental e com compromissos de desmatamento zero, reduzindo riscos reputacionais e comerciais.

    Monitoramento de emissões

    Outro aspecto cada vez mais relevante é o monitoramento das emissões de carbono ao longo da cadeia produtiva. Com dados confiáveis e bem estruturados, frigoríficos e indústrias conseguem identificar etapas mais intensivas em emissões, apoiar inventários de gases de efeito estufa e desenvolver estratégias de mitigação. Nesse contexto, o consultor contribui para transformar informações operacionais em inteligência estratégica, apoiando decisões alinhadas às metas climáticas e às exigências de investidores e mercados internacionais.

    A rastreabilidade também favorece o uso racional de recursos naturais, como água, energia e insumos produtivos. Ao acompanhar cada etapa do processo, torna-se possível identificar desperdícios, padronizar operações e adotar práticas mais eficientes. A atuação consultiva auxilia na implementação de controles e tecnologias que promovem ganhos ambientais e econômicos, fortalecendo a eficiência operacional da cadeia.

    No eixo social, o tema do bem-estar animal ganha cada vez mais relevância no debate público e no consumo consciente. A rastreabilidade assegura registros sobre manejo, transporte e abate, garantindo conformidade com protocolos técnicos e normas nacionais e internacionais. O consultor especializado orienta a adoção de boas práticas, o treinamento das equipes e a preparação para auditorias. Assim, contribuindo para elevar os padrões do setor e agregar valor ao produto final.

    Agente integrador

    Nesse cenário complexo, o consultor atua como um agente integrador. Ele é responsável por mapear processos, identificar riscos, corrigir falhas e orientar a implementação de práticas que garantam uma rastreabilidade efetiva. Seu trabalho começa no diagnóstico da operação, avaliando desde a origem da matéria-prima até os registros finais de expedição. Assegurando que as informações sejam confiáveis, auditáveis e alinhadas às exigências legais, ambientais e de mercado.

    Além disso, a crescente demanda por tecnologias aplicadas à cadeia da carne, como sistemas de gestão integrados, automação de registros, códigos de identificação e soluções digitais de monitoramento em tempo real, reforçam o papel estratégico do consultor. Mais do que indicar ferramentas, ele garante que essas soluções sejam corretamente implementadas, integradas aos processos existentes e compreendidas pelas equipes envolvidas.

    Por fim, a rastreabilidade se consolida como um pilar de transparência para investidores, clientes e consumidores. Dados claros e auditáveis fortalecem a governança corporativa, ampliam o acesso a mercados e permitem uma comunicação mais consistente sobre compromissos ESG. O consultor especializado atua como elo entre a indústria, os órgãos reguladores e o mercado. Ajudando empresas a se posicionarem de forma responsável, competitiva e preparada para o futuro.

    Quando bem estruturada, a rastreabilidade fortalece a reputação da marca, amplia oportunidades comerciais e contribui para uma cadeia da carne mais segura, sustentável, transparente e eficiente para todos os envolvidos.

    Paulo Duque, é consultor na área frigorífica e CEO do Rei da Linguiça

    Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente a opinião do Agro em Campo e de seus editores.

  • Paraná bloqueia uso de leite em pó importado reconstituído

    Paraná bloqueia uso de leite em pó importado reconstituído

    O Governo do Paraná publicou nesta quarta-feira (10) o decreto que regulamenta a proibição de reconstituir leite em pó e outros derivados lácteos importados para consumo no estado. A medida fortalece a legislação estadual e estabelece regras rigorosas de fiscalização para as indústrias do setor.

    O secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Marcio Nunes, afirmou que a ação protege a produção local e aumenta a renda dos produtores. “Esse decreto prova que o Governo do Estado está do lado de quem produz. Nosso compromisso principal é colocar dinheiro no bolso do produtor rural”, declarou Nunes.

    O que a nova regra proíbe?

    A regulamentação veta operações industriais que adicionem água ou outros líquidos a leite em pó, compostos lácteos ou soro de leite de origem importada, quando o produto final for para consumo no Paraná. A proibição não se aplica a produtos importados já embalados para o varejo e com rótulo aprovado pela Anvisa.

    Órgãos de licenciamento e vigilância sanitária farão a fiscalização. As ações incluem inspeções surpresa, auditorias documentais e coleta de amostras para análise.

    As empresas devem manter um rígido controle de documentos por, no mínimo, dois anos. A lista inclui notas fiscais que comprovem a origem da matéria-prima, certificados sanitários internacionais e registros detalhados de produção que garantam a rastreabilidade total desde a compra até o uso industrial.

    Penalidades para o descumprimento

    Em casos de irregularidades, os fiscais podem apreender produtos, interditar setores ou estabelecimentos inteiros. Após a confirmação da infração, as empresas enfrentarão penalidades da legislação estadual, além de responder a processos cíveis e criminais.

    A norma representa um esforço do estado para proteger a cadeia produtiva do leite paranaense frente à concorrência de importados, priorizando o mercado interno e os produtores locais.