Tag: produtores

  • Falta de silos força produtor brasileiro a vender safra mais barato

    Falta de silos força produtor brasileiro a vender safra mais barato

    Empresas e produtores enfrentam um gargalo estrutural que vem redesenhando a comercialização de grãos no Brasil: a falta de silos. O descompasso entre a capacidade estática de armazenagem e o volume total colhido a cada safra consolidou-se como um dos principais fatores de instabilidade do setor.

    O problema ganha contornos mais críticos no segundo semestre, quando milho e algodão escoam simultaneamente e disputam espaço nos armazéns disponíveis.

    Enquanto os Estados Unidos guardam 65% de sua produção dentro das propriedades rurais, o Brasil armazena apenas 15% na origem, afirma a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Essa escassez empurra o produtor para uma venda compulsória logo após a colheita, o que pressiona as cotações internas e reduz o poder de negociação do produtor.

    Franklin Oliveira, diretor comercial da AGI Brasil, fornecedora de soluções em armazenamento e movimentação de grãos, defende que o cenário exige uma análise que vai além do espaço físico disponível.

    “O déficit mensurado é mais agudo em regiões de expansão agrícola no segundo semestre, como o Matopiba e o norte de Mato Grosso. O armazenamento planejado protege o produtor contra a oscilação de preços. Mas demanda superar barreiras regulatórias locais, garantir eficiência energética e manter a estrita conformidade com as exigências técnicas de certificação”, explica o executivo.

    Gargalos regulatórios travam novos investimentos

    Atualmente, os produtores que querem investir em armazenagem própria esbarram em uma série de exigências. Precisam obter licenças ambientais estaduais, atender à Lei nº 9.973 que regulamenta o Sistema de Certificação de Armazéns do país e adequar as plantas às normas de segurança do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), caso da NR-33, voltada ao trabalho em espaços confinados.

    Nesse ambiente restritivo, o acesso a materiais de alta especificação passou a fazer diferença direta na viabilidade dos projetos. Silos construídos com aços de alta resistência estrutural e revestimentos galvanizados superiores suportam melhor a carga dinâmica de carregamentos contínuos, segundo Oliveira.

    “No entanto, para combater o estresse térmico severo no interior do silo, a engenharia de proteção do grão precisa ir além da barreira física do aço”, alerta o diretor.

    Projetos de alta performance, segundo ele, já integram sistemas de termometria digital e ventilação automatizada, capazes de controlar a temperatura e a umidade da massa de grãos.

    Essa combinação preserva as características físicas, sanitárias e comerciais do produto e atende aos padrões exigidos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e pelo mercado exportador.

    Diante de safras que testam anualmente a eficiência logística nacional, a expansão tecnológica da armazenagem surge como o elo regulador capaz de proteger as margens do agronegócio.

    “A sustentabilidade financeira da porteira para dentro depende da autonomia de comercialização. E ela só se alcança quando o produtor dispõe de uma estrutura robusta e capaz de preservar a integridade biológica do seu patrimônio por longos períodos”, conclui o diretor comercial.

  • Medida provisória autoriza renegociação de até R$ 100 bilhões em dívidas rurais

    Medida provisória autoriza renegociação de até R$ 100 bilhões em dívidas rurais

    O governo federal publicou a Medida Provisória 1376/26, que cria linhas de crédito rural para produtores e cooperativas afetados por eventos climáticos adversos ou pela queda nos preços agrícolas. A medida também destrava a renegociação de dívidas no setor e amplia o acesso a condições especiais de financiamento.

    O texto resulta de um acordo entre governo, parlamentares e representantes do agronegócio, anunciado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta.

    Prorrogação imediata de parcelas

    A MP autoriza bancos a prorrogarem por até 30 dias o vencimento das parcelas de crédito rural, incluindo principal e juros. A regra vale para produtores que estavam adimplentes até 14 de julho.

    Segundo o governo, a iniciativa busca mitigar impactos de mudanças climáticas, calamidades públicas e instabilidade geopolítica sobre a produção agropecuária.

    Renegociação de dívidas rurais

    O Ministério da Fazenda estima que a medida permitirá renegociar mais de R$ 100 bilhões em dívidas rurais. O impacto anual nas contas públicas deve ficar abaixo de R$ 4 bilhões.

    A União poderá participar como cotista de um fundo garantidor para viabilizar as operações. Estados e municípios também poderão aderir ao mecanismo.

    Além das linhas tradicionais de crédito rural, como custeio, investimento, comercialização e industrialização, os bancos poderão renegociar Cédulas de Produto Rural (CPRs) com liquidação financeira em atraso, com prazo de pagamento de até oito anos.

    Regras para acesso ao crédito

    Produtores rurais e cooperativas precisarão comprovar perdas em pelo menos duas safras entre 2019 e 2025, com redução mínima de 30% na renda bruta esperada. Um profissional habilitado deverá emitir laudo técnico para validação.

    Os limites de crédito seguem o perfil do produtor:

    • Até R$ 400 mil para agricultores do Pronaf
    • Até R$ 2 milhões para produtores do Pronamp
    • Até R$ 4 milhões para demais produtores

    As taxas de juros serão de:

    • 6% ao ano para Pronaf
    • 9% ao ano para Pronamp
    • 12% ao ano para os demais

    O prazo de pagamento chega a oito anos, com carência de dois anos para o início da amortização.

    Condições especiais para perdas severas

    Produtores que registrarem perdas em três ou mais safras, com redução mínima de 40% na renda, terão acesso a condições ampliadas.

    Os limites sobem para:

    • R$ 500 mil no Pronaf
    • R$ 2,5 milhões no Pronamp
    • R$ 8 milhões para os demais

    As taxas caem para 5%, 8% e 11% ao ano, respectivamente, e o prazo de pagamento poderá chegar a dez anos.

    Penalidades por fraude

    A MP prevê punições para fraudes na comprovação de perdas. Produtores e profissionais envolvidos responderão solidariamente por danos ao erário.

    Quem apresentar informações falsas perderá o benefício, deverá devolver os recursos e ficará impedido de contratar crédito subvencionado por até cinco anos.

    A medida já está em vigor, mas precisa de aprovação do Congresso Nacional em até 120 dias para se tornar lei definitiva.

  • Preços da mandioca seguem em alta no mercado

    Preços da mandioca seguem em alta no mercado

    Os preços da mandioca seguem firmes no mercado brasileiro, conforme apontam dados recentes do setor. Na semana passada, a maioria das empresas reduziu os dias de trabalho por causa do feriado da Paixão de Cristo.

    Ao mesmo tempo, produtores limitaram a comercialização, seja pela rentabilidade, seja pelo recesso no período. Segundo os pesquisadores do Cepea, esse movimento reduziu o volume de esmagamento nas indústrias. Como resultado, os preços da mandioca permaneceram praticamente estáveis ao longo do período analisado.

    Além disso, muitos produtores buscam capitalização e sinalizam uma retomada mais intensa das vendas no curto prazo. Por outro lado, o Inmet prevê a volta das chuvas já nesta semana em várias regiões produtoras. Com isso, as precipitações podem dificultar a colheita em parte das áreas agrícolas.

    Esse cenário tende a manter a oferta abaixo das expectativas do mercado. Ao mesmo tempo, a demanda aquecida contribui para sustentar os preços da mandioca no país.

  • Produtores de citros devem entregar relatório sanitário obrigatório

    Produtores de citros devem entregar relatório sanitário obrigatório

    A Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) do Estado de São Paulo alerta os produtores de citros sobre o prazo final para entrega do relatório Cancro/HLB (Greening). Os citricultores devem enviar o documento até 15 de janeiro através do sistema GEDAVE (Gestão de Defesa Animal e Vegetal).

    O relatório precisa conter os resultados das vistorias trimestrais para Cancro Cítrico e Greening que os produtores realizaram entre 1º de julho e 31 de dezembro de 2025. A obrigatoriedade vale para todas as plantas cítricas da propriedade, independentemente da idade.

    Produtores devem informar resultados de vistorias realizadas no segundo semestre de 2025

    “As informações contidas no relatório orientam as ações de Defesa Agropecuária e balizam as políticas públicas do Estado. O objetivo é garantir a sustentabilidade sanitária do agronegócio paulista”, explica Veridiana Zocoler, engenheira agrônoma e gerente do Programa Estadual de Sanidade dos Citros.

    A Portaria MAPA nº 1.326, de 04 de julho de 2025, instituiu o Programa Nacional de Prevenção e Controle ao HLB (PNCHLB) e estabeleceu as medidas de prevenção e controle da doença. No estado de São Paulo, a Resolução SAA 88, de 07 de dezembro de 2021, torna obrigatória a eliminação de plantas sintomáticas em pomares com até oito anos de idade. O monitoramento e controle do Psilídeo devem ocorrer em todos os pomares, sem exceção de idade.

    O produtor que atrasar ou deixar de entregar o relatório fica sujeito às sanções previstas no Decreto Estadual Nº 45.211, de 19 de setembro de 2000.

    Cancro Cítrico: bactéria ataca todas as variedades e causa lesões em folhas e frutos

    A bactéria Xanthomonas citri pv. citri causa o Cancro Cítrico e ataca todas as variedades e espécies de citros. A doença provoca lesões em folhas, frutos e ramos. Quando atinge alta incidência, leva à desfolha e queda de frutos.

    Desde 2017, o MAPA reconhece São Paulo como área sob Sistema de Mitigação de Risco (SMR) para o Cancro Cítrico. Isso conforme estabelece a Resolução nº 4, de 22 de março. Este procedimento permite a adoção de medidas fitossanitárias que reduzem o potencial de inóculo da praga e mantêm um nível apropriado de proteção contra a doença. A medida viabiliza a comercialização de frutos sem sintomas tanto no mercado interno quanto no internacional.

    Greening ameaça citricultura mundial e não tem cura

    A bactéria Candidatus Liberibacter spp. causa o Greening, e o Psilídeo (Diaphorina citri) dissemina a doença. O Greening acomete todas as plantas cítricas e não tem cura. Uma vez contaminada, a planta não elimina a bactéria e passa a atuar como fonte de inóculo para contaminar outras plantas.

    Especialistas consideram o Greening a doença que mais ameaça a citricultura no mundo atualmente.

  • Paraná investe R$ 1,5 milhão para transformar a mandioca em inovação tecnológica

    Paraná investe R$ 1,5 milhão para transformar a mandioca em inovação tecnológica

    Na Feira Internacional da Mandioca (Fiman), realizada em Paranavaí, o Governo do Paraná apresentou uma aposta ambiciosa: transformar a mandioca em símbolo de inovação. Por meio da Secretaria da Inovação e Inteligência Artificial (Seia), o Estado confirmou nesta quarta-feira (26) um investimento de R$ 1,5 milhão para criar o Polo Tecnológico da Mandioca, que será desenvolvido pelo Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar).

    O objetivo vai além da ciência. O governo quer unir tecnologia, sustentabilidade e agricultura familiar em um projeto que consolide o Paraná como referência nacional no uso da mandioca para fins industriais.

    Ciência, campo e tecnologia de mãos dadas

    O secretário da Inovação e Inteligência Artificial, Alex Canziani, define o projeto como um divisor de águas para o setor.

    “Com esse polo, a mandioca ganha uma nova cara. Vamos modernizar e integrar toda a cadeia produtiva do Noroeste, criando um ambiente que combina inovação tecnológica, sustentabilidade e competitividade”, comentou ele durante o evento.

    A proposta é criar um ecossistema que ligue pequenos produtores, universidades e a indústria. Entre os planos, está a instalação de um laboratório de controle de qualidade e um núcleo de pesquisa focado em amidos modificados, alimentos funcionais e biotecnologia. A estrutura vai permitir estudos sobre o uso da mandioca em bioplásticos, bioenergia e farmacotécnica, além de possibilitar o desenvolvimento de produtos sem glúten e de rótulo limpo (“clean label”).

    Pesquisas e novos mercados

    De acordo com o diretor de Tecnologia e Inovação do Tecpar, Lanes Randal Prates Marques, o polo quer ampliar o valor da cadeia produtiva com novos produtos e a abertura de mercados.

    “A mandioca tem um potencial enorme. Pode gerar alimentos funcionais, produtos bioenergéticos e até insumos industriais. É um campo fértil para inovação”, afirmou.

    Foto: Gabriel Pires

    O projeto terá duração inicial de 14 meses e prevê parcerias com universidades e centros de pesquisa. O resultado esperado é fortalecer a produção regional, criar empregos e tornar o Noroeste do Paraná um polo de referência tecnológica.

    Impacto direto na vida no campo

    Além da pesquisa, o projeto aposta pesado em capacitação técnica. Pequenos e médios produtores receberão treinamento e assistência continuada, com incentivo a práticas mecanizadas e sustentáveis. A meta é aumentar a produtividade da cadeia da mandioca em até 20% e reduzir perdas e resíduos em 35%.

    Outros objetivos incluem elevar em 25% o faturamento das cooperativas locais e inserir cinco novos produtos no mercado, sendo três destinados ao consumo nacional e dois direcionados à exportação.

    Assim, a mandioca, que já molda a economia do interior paranaense, pode agora descobrir um novo destino: o da inovação científica e do valor agregado.

  • Como a cigarrinha das raízes impacta a rentabilidade da cana

    Como a cigarrinha das raízes impacta a rentabilidade da cana

    Nas últimas safras, o campo tem enfrentado um velho inimigo com uma intensidade nova. A cigarrinha das raízes, inseto pequeno e persistente, vem tirando o sono de quem vive da cana-de-açúcar no Brasil. Entre sol forte, umidade irregular e plantios cada vez mais exigentes, o desafio do momento virou proteger o canavial sem perder produtividade. Algo que, quando falha, pode cortar o rendimento pela metade.

    Em regiões como Ribeirão Preto, onde os números da produtividade falam alto, as perdas se transformam em prejuízos que passam de R$ 4.500 por hectare. E o impacto não fica só no campo. O açúcar extraído das moendas sente o golpe: colmos doentes, menos sacarose, mais fibra e até risco de contaminação durante o processamento industrial.

    “A cigarrinha compromete muito mais que a aparência da planta. Ela interfere na base do negócio, no TCH e na rentabilidade da safra”, comenta Marcos Vilhena, engenheiro agrônomo e gerente da IHARA. Ele explica que o controle precisa ser preciso e feito cedo. Um manejo atrasado ou mal feito abre espaço para perdas drásticas, às vezes chegando a 80% em áreas críticas.

    O problema, segundo Vilhena, ganhou força com as mudanças de manejo da cana crua. A colheita mecanizada, ao deixar a palha sobre o solo, mantém a umidade ideal para o desenvolvimento do inseto. Some-se a isso o uso de algumas variedades mais suscetíveis, e o cenário para a cigarrinha das raízes fica ainda mais favorável.

    Caminhos

    Mas há caminhos para conter o avanço da praga. Muitas usinas e produtores estão apostando em estratégias integradas, com monitoramento constante e rotação de moléculas. Uma medida essencial para evitar que o inseto crie resistência.

    “O segredo está em combinar modos de ação e atuar em todas as fases do ciclo da praga, ovos, ninfas e adultos. Isso reduz a pressão populacional agora e previne surtos nas próximas safras”, destaca Vilhena. Segundo ele, o foco deve ser manter a vitalidade do canavial e, claro, o bolso do produtor protegido.

    No fim, o desafio é como uma corrida de resistência: enquanto a cigarrinha não para de se adaptar, o produtor precisa estar sempre um passo à frente. E é nessa corrida silenciosa, entre praga e tecnologia, que se desenha o futuro dos canaviais brasileiros.

  • Colheita de mandioca avança em ritmo lento

    Colheita de mandioca avança em ritmo lento

    A colheita de mandioca retomou as atividades após as chuvas da semana passada, mas avançou lentamente nas principais regiões produtoras. O Cepea observou que muitos produtores mantiveram pouco interesse em acelerar os trabalhos, porque consideram baixa a atratividade da venda da raiz.

    Os mandiocultores afirmaram que a produtividade e o teor de amido seguem reduzidos, o que limita o avanço da colheita. Com isso, os preços da mandioca se sustentaram ao longo da semana.

    Levantamento do Cepea mostrou que, entre 10 e 14 de novembro, a tonelada de mandioca posta fecularia registrou média de R$ 565,81. O valor caiu 1,1% frente ao período anterior. A média parcial de novembro segue 0,6% acima da registrada em outubro.

  • Preços do café elevam poder de compra dos produtores

    Preços do café elevam poder de compra dos produtores

    Os preços do café seguem firmes e fortalecem o poder de compra dos produtores rurais. Segundo o Cepea, a saca de 60 quilos do arábica opera em torno de R$ 2.200, enquanto o robusta supera R$ 1.350.

    Com isso, o poder de compra dos cafeicultores frente aos principais fertilizantes é considerado favorável neste ano. Em outubro, produtores de São Paulo precisaram de 1,16 saca de arábica tipo 6 para adquirir uma tonelada do adubo formulado 20-00-20.

    O resultado mostra avanço frente às 1,44 sacas registradas no mesmo período de 2024 e à média histórica de 2,6 sacas, iniciada em 2011.

    Os pesquisadores destacam que a retomada das chuvas nas regiões produtoras favorece o início das adubações. Essa condição deve impulsionar o bom desenvolvimento das lavouras e garantir uma safra positiva em 2025/26.

  • Brasil inclui cacau entre os melhores do mundo pelo terceiro ano consecutivo

    Brasil inclui cacau entre os melhores do mundo pelo terceiro ano consecutivo

    Pelo terceiro ano consecutivo, o Brasil consolidou espaço entre os 50 melhores produtores de cacau do mundo, segundo o ranking do Cacao of Excellence (CoEx) 2025, principal competição global dedicada à avaliação da qualidade da amêndoa. A lista foi divulgada na noite de 22 de setembro, após a seleção rigorosa entre 191 amostras originárias de 45 países.

    Os três representantes brasileiros classificados são frutos da 6ª edição do Concurso Nacional de Cacau Especial, realizado em 2024, que selecionou nove amostras para a etapa internacional. Destas, três conquistaram vaga entre as melhores amêndoas do planeta e agora disputam medalhas de ouro, prata e bronze no 10º Prêmio Cacao of Excellence, com cerimônia marcada para fevereiro de 2026 em Amsterdã, Holanda.

    O destaque brasileiro inclui um blend de cacau de Itacaré (BA), produzido por Cláudia Sá, vencedora da categoria ‘Mistura’ no concurso nacional.

    Do Pará, classificaram-se um blend de Uruará, cultivado por Gilmar Batista de Souza, e uma amêndoa da variedade Alvorada01 produzida por Leomar Silva Vieira, de Medicilândia, região histórica na produção de cacau amazônico.

    Produtora de cacau na Bahia, Cláudia Sá ficou em primeiro lugar na categoria Mistura do Concurso Nacional de Cacau Especial de 2024, evento que a classificou para a disputa mundial. Foto: Carlos Borges

    Cláudia Sá celebrou o resultado: “Estar entre os 50 melhores do mundo é uma honra e uma grande felicidade. Essa conquista mostra que o Brasil produz cacau de alta qualidade e tem potencial para ser referência global”. O blend premiado é composto principalmente pela variedade PS1319, apelidada pela produtora de ‘Encantada’. Ela ainda reforçou seu sonho de tornar o cacau brasileiro o mais desejado mundialmente, destacando a importância da qualidade aliada à responsabilidade social e ambiental.

    Posição do país no mercado internacional

    Para Adriana Reis, gerente de qualidade do Centro de Inovação do Cacau (CIC) e especialista em análise sensorial, a presença brasileira no CoEx fortalece a posição do país no mercado internacional. “O CoEx reconhece a diversidade, dedicação e excelência que transformam o cacau em uma joia rara,” afirmou. “É uma vitrine global para produtores que dominam todas as etapas, do cultivo ao beneficiamento, entregando amêndoas de altíssima qualidade.”

    O Concurso Nacional de Cacau Especial, maior certame de qualidade do país, chega em 2025 à sua 7ª edição, reunindo 108 amostras de cinco estados (Alagoas, Bahia, Espírito Santo, Pará e Rondônia). A disputa oferece R$ 100 mil em prêmios e distribui reconhecimentos nas categorias Mistura/Blend e Varietal. Os vencedores serão anunciados em 6 de dezembro, em Cacoal (RO), após avaliações criteriosas que incluem sustentabilidade da produção, análises físico-químicas, testes sensoriais e transformações em chocolate para prova de paladar por júri especializado.

    O evento é promovido pelo CIC em parceria com a Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC), Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab) e, este ano, conta com apoio do Governo de Rondônia.

  • Descoberta genética promete transformar cultivo de tomate no Brasil

    Descoberta genética promete transformar cultivo de tomate no Brasil

    A Embrapa alcançou um marco na pesquisa agrícola. Cientistas da empresa mapearam o genoma do tomateiro e identificaram o gene que confere porte ereto às folhas. O estudo contou com parceria da Universidade de Brasília (UnB) e do Instituto Nacional de Investigación Agropecuaria (Inia) do Uruguai.

    A descoberta promete revolucionar o melhoramento genético do tomate. Os pesquisadores agora podem desenvolver novas cultivares usando marcadores moleculares e biotecnologia avançada.

    Maria Esther Fonseca, pesquisadora da Embrapa Hortaliças, explica o processo. “Observamos plantas com mutação natural em nossa coleção de germoplasma”, conta. “Essas plantas apresentavam folhas eretas.”

    Os cientistas cruzaram essas plantas mutantes com tomateiros normais. O mapeamento genético revelou um padrão específico. Toda planta com porte ereto apresentava o mesmo marcador molecular de DNA.

    “Conseguimos localizar o gene exato no cromossomo 10 do tomateiro”, destaca Fonseca.

    Tecnologia CRISPR comprova função do gene

    Francisco Aragão, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, liderou a validação. Sua equipe usou a ferramenta CRISPR-Cas9 para editar genes de plantas normais. O resultado confirmou as expectativas: plantas editadas desenvolveram folhas eretas.

    “Percorremos todas as etapas desta descoberta”, explica Leonardo Boiteux, da Embrapa Hortaliças. “Desde a observação no campo até a prova final da função do gene.”

    Conhecimento se aplica a outras culturas

    A descoberta vai além do tomate. Estudos filogenéticos mostram genes similares em outras espécies. Milho, pêssego e diversas plantas herbáceas possuem variações do mesmo gene.

    “Podemos editar e gerar plantas eretas em outras espécies vegetais”, projeta Boiteux. A técnica pode beneficiar hortaliças, cereais e frutíferas.

    Aragão reforça o potencial da descoberta. “A estratégia contribui para enfrentar desafios de segurança alimentar e sustentabilidade”, afirma.

    Folhas eretas oferecem proteção térmica

    A arquitetura da planta impacta diretamente a produtividade. Folhas eretas distribuem melhor a luz solar e oferecem maior conforto térmico. O ângulo vertical minimiza a incidência solar direta. As plantas sofrem menos estresse por calor e perdem menos água.

    Matias González-Arcos, pesquisador do Inia, compara os modelos. “Plantas convencionais sofrem estresse oxidativo intenso das 11h às 15h”, explica. “Folhas eretas reduzem a evapotranspiração e criam proteção térmica natural.”

    Maior densidade de plantio gera mais produtividade

    O principal benefício está no adensamento do plantio. Produtores podem cultivar mais plantas por hectare sem competição excessiva por luz. O tomate para processamento industrial apresenta maior potencial. A técnica permite otimizar áreas de produção significativamente.

    Folhas verticais facilitam o controle químico e biológico de doenças. O manejo de oídio e moscas-brancas torna-se mais eficaz. Pedro Brício Brito Fernandes, estudante da UnB, pesquisou o tema em sua dissertação. “Plantas editadas receberam 2,5 vezes menos moscas-brancas”, revela.

    A posição ereta expõe a superfície inferior das folhas. Essa área, preferida pelas pragas para postura, fica mais acessível a inimigos naturais e condições ambientais desfavoráveis.

    A descoberta representa um avanço significativo para a agricultura brasileira. Os pesquisadores estabeleceram base genética sólida para desenvolver cultivares mais adaptadas ao cultivo intensivo.