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  • Brasil pode ter calor de 40 °C nesta terça-feira

    Brasil pode ter calor de 40 °C nesta terça-feira

    A terça-feira (18) será marcada por tempo seco, calor e baixa umidade do ar em grande parte do Norte, Centro-Oeste, Nordeste e Sudeste, segundo previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

    As temperaturas podem chegar a 39 °C em Cuiabá (MT). Ao mesmo tempo, áreas do Rio Grande do Sul concentram as principais condições para chuva, trovoadas e tempestades.

    Sul terá chuva e risco de tempestades

    No Rio Grande do Sul, as áreas de instabilidade permanecem concentradas principalmente no centro-sul do Estado. Nessas localidades, há condições para pancadas de chuva, trovoadas e tempestades.

    No norte gaúcho, em Santa Catarina e no centro-sul do Paraná, o céu fica mais nublado, com possibilidade de chuva isolada.

    Já no norte do Paraná, o tempo permanece mais estável.

    Sudeste terá calor e baixa umidade

    No Sudeste, o tempo fica mais nublado no leste de São Paulo e na faixa litorânea do Rio de Janeiro. Há possibilidade de chuva isolada no litoral sul paulista.

    No oeste de Minas Gerais, incluindo o Triângulo Mineiro, e no noroeste de São Paulo, a previsão indica baixa umidade do ar, com índices inferiores a 20% nas horas mais quentes.

    Essas áreas estão sob aviso laranja para baixa umidade, conforme a previsão citada do Inmet.

    Centro-Oeste concentra temperaturas elevadas

    O Centro-Oeste terá uma terça-feira de calor intenso e umidade baixa em grande parte da região.

    Há aviso laranja de perigo para baixa umidade em áreas de Goiás, do Distrito Federal, de Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul.

    Entre as capitais, a previsão indica máximas de:

    • 39 °C em Cuiabá (MT)
    • 38 °C em Campo Grande (MS)

    No noroeste de Mato Grosso, pode ocorrer chuva isolada durante a tarde.

    Nordeste terá contraste entre litoral e interior

    No litoral norte da Bahia, em Sergipe, Alagoas e no litoral sul de Pernambuco, há previsão de pancadas de chuva.

    Também existe possibilidade de chuva isolada no nordeste da Bahia, oeste de Alagoas, centro-leste de Pernambuco, noroeste do Maranhão, leste da Paraíba e litoral sul do Rio Grande do Norte.

    No interior nordestino, o predomínio será de tempo ensolarado, quente e seco.

    Há ainda aviso laranja para baixa umidade no sul do Maranhão, centro-sul do Piauí e oeste e noroeste da Bahia.

    Norte terá chuva em áreas isoladas

    No Norte, há previsão de chuva no Acre e no oeste do Amazonas.

    Também podem ocorrer chuvas isoladas no leste do Amapá e do Pará e no norte de Rondônia.

    Nas demais áreas, o tempo permanece mais estável. A baixa umidade do ar deve atingir pontos de Rondônia, sudeste do Amazonas, centro-sul do Pará e Tocantins.

    Calor e tempo seco exigem atenção no campo

    Para o setor agropecuário, períodos de calor elevado e baixa umidade merecem acompanhamento, principalmente em áreas sob aviso meteorológico.

    A condição do tempo pode influenciar o manejo das atividades rurais, a disponibilidade de água e as condições para trabalhos em campo. Por isso, produtores devem acompanhar as atualizações meteorológicas da região onde atuam.

     

  • Ventania e tempestades: os últimos eventos extremos do clima têm relação com o El Niño?

    Ventania e tempestades: os últimos eventos extremos do clima têm relação com o El Niño?

    Rajadas de vento acima de 120 km/h, enchentes, temporais e até um tornado chamaram a atenção dos brasileiros nos últimos dias. Diante da sequência de ocorrências, uma dúvida passou a ganhar força: tudo isso tem relação com o El Niño?

    A resposta dos especialistas é mais complexa do que parece.

    Segundo meteorologistas, o El Niño já está ativo no Oceano Pacífico, mas ainda não é o principal responsável pelos eventos registrados nesta semana no Sudeste. No entanto, o fenômeno pode aumentar o risco de extremos climáticos nos próximos meses.

    O que causou a ventania em São Paulo e no Rio de Janeiro?

    As rajadas que atingiram os dois estados foram provocadas principalmente pela chegada de uma frente fria após um período marcado por calor intenso e tempo seco.

    O contraste entre massas de ar com características muito diferentes gerou uma situação conhecida como frente de rajada, capaz de produzir ventos extremamente fortes.

    De acordo com especialistas do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), esse tipo de ocorrência é raro durante o inverno no Sudeste.

    Embora o El Niño esteja presente no Pacífico, os meteorologistas afirmam que não existe uma ligação direta entre o fenômeno e os ventos registrados recentemente.

    Onde o El Niño já influencia o clima?

    No Sul do Brasil, a situação é diferente.

    Os temporais que atingiram diversas cidades do Rio Grande do Sul ocorreram em um contexto climático mais favorável à atuação do El Niño.

    Historicamente, o fenômeno altera os padrões atmosféricos e aumenta a frequência de episódios de chuva acima da média na região.

    Além das enchentes, as condições mais quentes da atmosfera favorecem a formação de tempestades severas, granizo e até tornados.

    Alterações no clima

    O El Niño acontece quando as águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial ficam mais quentes do que o normal.

    Esse aquecimento modifica a circulação da atmosfera e afeta os regimes de chuva e temperatura em várias partes do planeta.

    Imagens do satélite mostram variações no nível do mar em junho de 2026; áreas em vermelho indicando águas mais elevadas no Pacífico equatorial, sinal típico associado ao desenvolvimento do El Niño — Foto: Sentinel-6 Michael Freilich/NASA/NOAA

    No Brasil, os principais impactos costumam incluir:

    Aumento das chuvas no Sul;

    Redução das precipitações em áreas do Norte e Nordeste;

    Maior irregularidade climática no Sudeste e Centro-Oeste.

    O que esperar nos próximos meses?

    A Organização Meteorológica Mundial (OMM) e a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) apontam que o El Niño deve ganhar força ao longo do segundo semestre.

    As projeções indicam que o aquecimento do Pacífico poderá atingir níveis compatíveis com um episódio forte, elevando o risco de secas, ondas de calor, enchentes e outros eventos extremos em diferentes regiões do mundo.

    “O El Niño já está em curso e deve se fortalecer rapidamente, transformando-se em um evento forte”, afirmou a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo.

    Especialistas ressaltam, porém, que o El Niño não atua sozinho.

    O aquecimento global continua sendo considerado o principal fator por trás do aumento da frequência e da intensidade dos eventos climáticos extremos observados nas últimas décadas.

    Histórico

    • 2006–2007: El Niño fraco a moderado.
    • 2009–2010: El Niño moderado.
    • 2014–2016: El Niño muito forte, ligado a recordes de calor e extremos mais frequentes.
    • 2018–2019: El Niño fraco a moderado, mais curto e com impactos mais limitados.
    • 2023–2024: El Niño forte, um dos mais intensos já registrados, associado a novos recordes de calor.
  • El Niño intensifica temporais no Sul neste fim de semana

    El Niño intensifica temporais no Sul neste fim de semana

    A atuação do El Niño já influencia o clima no Sul do Brasil e aumenta o risco de temporais neste fim de semana. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a umidade elevada e as áreas de instabilidade ganharam força desde quinta-feira (16).

    O Rio Grande do Sul deve registrar os maiores volumes de chuva nos próximos dias. Além disso, os temporais podem provocar ventos fortes, granizo, descargas elétricas e chuva intensa.

    De acordo com o Inmet, esse cenário ocorre porque o El Niño fortalece os Jatos de Baixos Níveis. Essas correntes transportam umidade da Amazônia para a Região Sul e favorecem a formação de nuvens carregadas.

    Ao mesmo tempo, uma área de alta pressão mantém um bloqueio atmosférico sobre parte do Centro-Oeste e do Sudeste. Por isso, as instabilidades não avançam para essas regiões. Com esse bloqueio, a umidade permanece concentrada no Sul. Como resultado, a chuva tende a ser persistente e acumular volumes elevados.

    A Defesa Civil do Rio Grande do Sul já emitiu alerta para tempo severo. O órgão prevê vários dias consecutivos com risco de temporais e outros fenômenos associados.

    Segundo o Inmet, as tempestades devem atingir maior intensidade durante o fim de semana. Além disso, as instabilidades podem continuar no início da próxima semana.

    A previsão também indica pancadas de chuva no centro-sul de Santa Catarina. Assim, o avanço das instabilidades amplia a área de atenção na Região Sul.

    Norte e Nordeste mantêm previsão de chuva

    No Nordeste, uma frente fria mantém condições para chuva entre o norte de Alagoas, o leste de Pernambuco, a Paraíba e o Rio Grande do Norte. Por outro lado, o oeste de Pernambuco, o sul de Sergipe e a Bahia devem continuar com tempo firme.

    Centro-Oeste e Sudeste continuam com tempo seco

    Enquanto isso, o bloqueio atmosférico mantém o predomínio de sol no Centro-Oeste e no interior do Sudeste. O tempo também segue firme em áreas do Paraná e de Santa Catarina. Esse padrão favorece o veranico durante o inverno. As tardes ficam mais quentes, enquanto as madrugadas permanecem frias devido ao forte resfriamento noturno.

    Minas Gerais, o leste de São Paulo e as serras do Rio de Janeiro continuam com amanhecer frio. Além disso, há previsão de geada entre o sul de Minas, São Paulo e a região serrana de Resende (RJ) no sábado e no domingo. Nessas áreas, as temperaturas podem atingir cerca de 4°C, segundo o Inmet.

     

  • El Niño pode ser o mais forte desde 1950, alerta NOAA

    El Niño pode ser o mais forte desde 1950, alerta NOAA

    O fenômeno El Niño ganhou força nas últimas semanas e agora tem 81% de probabilidade de atingir a categoria “muito forte” entre outubro e dezembro de 2026, segundo projeção divulgada nesta quinta-feira (9) pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), dos Estados Unidos.

    Caso a previsão se confirme, este poderá ser o episódio mais intenso desde 1950, quando começaram os registros históricos utilizados pela agência.

    A NOAA também estima 97% de chance de o El Niño permanecer ativo até junho de 2027, indicando impactos climáticos prolongados em diferentes regiões do planeta.

    O que é o El Niño?

    O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial.

    Esse aquecimento altera a circulação atmosférica global e influencia o regime de chuvas e temperaturas em diversos países, incluindo o Brasil.

    Embora seus efeitos variem de um evento para outro, episódios mais intensos costumam aumentar a probabilidade de extremos climáticos.

    Quais podem ser os impactos no Brasil?

    Segundo a NOAA, um El Niño muito forte pode provocar mudanças significativas no clima brasileiro.

    Entre os principais efeitos esperados estão:

    • aumento das chuvas no Centro-Sul;
    • períodos de seca mais prolongados no Norte;
    • redução das chuvas em áreas do Nordeste;
    • alterações nas condições de produção agrícola.

    A agência ressalta, porém, que nem todos os impactos ocorrem da mesma forma em cada episódio. Mesmo em anos de El Niño intenso, fatores regionais podem modificar os efeitos observados.

    China reforça medidas diante de eventos climáticos

    Enquanto acompanha a evolução do El Niño, a China intensifica ações preventivas diante da previsão de novos eventos climáticos severos.

    Cerca de 17 mil moradores foram retirados de áreas de risco na província de Zhejiang, enquanto Pequim e Tianjin reforçaram os sistemas de alerta para reduzir os riscos à população.

    O governo chinês enviou aproximadamente 50 mil itens de ajuda humanitária às províncias de Zhejiang e Fujian, incluindo camas dobráveis, cobertores e kits de emergência.

    O presidente Xi Jinping pediu empenho máximo nas operações de resgate e assistência às famílias afetadas, segundo informações divulgadas pela agência estatal Xinhua.

    Além disso, um tornado registrado na província de Hubei deixou 11 mortos e uma pessoa desaparecida, provocando destruição de residências, fábricas e infraestrutura.

    Fenômeno segue sendo monitorado

    Os próximos meses serão decisivos para confirmar a intensidade do El Niño prevista pela NOAA.

    Se o cenário se mantiver, o fenômeno poderá influenciar o clima global durante boa parte de 2027, afetando a agricultura, os recursos hídricos e a ocorrência de eventos climáticos extremos em diferentes regiões, inclusive no Brasil.

  • Super El Niño: saiba quais serão os impactos do fenômeno em São Paulo

    Super El Niño: saiba quais serão os impactos do fenômeno em São Paulo

    O avanço do El Niño de intensidade moderada a forte, conhecido como “Super El Niño”, tem gerado preocupação em diversos setores da economia. No campo, produtores acompanham atentamente os possíveis reflexos do fenômeno climático, que deve influenciar as condições meteorológicas em São Paulo.

    De acordo com a meteorologista Maria Clara Sassaki, da TempoOK, os principais efeitos esperados para o estado incluem o atraso na regularização das chuvas e a manutenção de temperaturas acima da média durante a primavera e o verão. Além disso, há potencial para a ocorrência de ondas de calor mais intensas, o que pode afetar atividades agrícolas, recursos hídricos e o planejamento das safras.

    O que é o El Niño?

    O El Niño é um fenômeno natural associado ao aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico. Esse processo ocorre devido ao enfraquecimento dos ventos alísios, responsáveis por influenciar a circulação atmosférica global. Como consequência, diferentes regiões do planeta registram alterações significativas nos padrões de chuva e temperatura.

    Enquanto áreas do sudeste da Ásia, Austrália, sul da África e parte das regiões Norte e Nordeste do Brasil costumam enfrentar condições mais secas, outras localidades registram aumento das precipitações. Esse é o caso da África Oriental, do sul dos Estados Unidos, do Peru e do Equador.

    Mais intenso já registrado

    O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) alerta que o El Niño 2026/2027 pode se tornar o mais intenso já registrado na história moderna.

    Segundo Maria Clara Sassaki, a distribuição das chuvas tende a ficar desequilibrada durante o fenômeno.

    “As chuvas ficam concentradas no Sul e demoram muito para avançar de forma continental, organizando o corredor de umidade que seria típico desta época: com o ar mais seco, a atmosfera mais aquecida e as temperaturas também ficam mais elevadas.”

    Dessa forma, produtores rurais devem acompanhar os boletins meteorológicos e reforçar estratégias de manejo para reduzir possíveis impactos provocados pela falta de chuva e pelo aumento do calor.

    Por outro lado, os efeitos do fenômeno também exigem atenção da população em geral. A especialista recomenda evitar longos períodos de exposição ao sol, manter a hidratação adequada e utilizar protetor solar com frequência.

    Além disso, os recursos hídricos também podem sofrer pressão adicional caso o período seco se prolongue.

    “O nível dos reservatórios pode ficar baixo, então os cuidados que normalmente são tomados no período de seca devem ser mantidos até a regularização do nível dos reservatórios”, afirmou Maria Clara.

    Assim, especialistas reforçam que o monitoramento constante das condições climáticas será fundamental para minimizar impactos sobre a produção agropecuária, o abastecimento de água e a rotina da população paulista.

  • Chuvas regulares impulsionam lavouras no Brasil em maio, aponta Conab

    Chuvas regulares impulsionam lavouras no Brasil em maio, aponta Conab

    A maior regularidade das chuvas em diferentes regiões do Brasil entre os dias 1º e 21 de maio favoreceu o desenvolvimento das lavouras da safra 2025/26. O cenário contribuiu para a recuperação da umidade do solo e beneficiou culturas de verão e inverno. Isso segundo o Boletim de Monitoramento Agrícola divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

    As precipitações se concentraram principalmente no norte da Região Norte, no leste do Nordeste e em áreas da Região Sul. Esse volume mais expressivo de chuvas estimulou o avanço do milho segunda safra no Pará e no Paraná. Além de viabilizar o início da semeadura do feijão e do milho terceira safra em áreas do Sealba (região que abrange Sergipe, Alagoas e Bahia).

    Em Mato Grosso do Sul, parte de Mato Grosso e São Paulo, a combinação entre chuvas e temperaturas mais amenas ajudou a manter a umidade do solo e sustentou o bom desenvolvimento das lavouras.

    Por outro lado, o tempo seco predominou na região central do país, incluindo áreas do Matopiba, o que manteve a restrição hídrica, especialmente para o milho segunda safra plantado fora da janela ideal.

    Indicadores vegetativos mostram recuperação

    De acordo com a Conab, os dados espectrais indicam condições satisfatórias na maior parte das regiões produtoras. O índice de vegetação evoluiu em linha com a safra anterior em diversas áreas e, em alguns casos, já supera os níveis registrados no ciclo passado.

    Estados como Mato Grosso do Sul e Paraná apresentaram recuperação significativa desses índices, impulsionados pela melhor distribuição das chuvas ao longo de maio.

    Trigo avança com clima favorável

    Para o trigo, as condições seguem positivas no Paraná, com destaque para a redução das temperaturas, que favorece o desenvolvimento da cultura. Em Mato Grosso do Sul e São Paulo, o clima também mantém um ambiente adequado para o avanço das lavouras.

    Já em Goiás e Minas Gerais, o cenário exige atenção. A combinação de temperaturas elevadas e baixa umidade do solo ainda limita o desenvolvimento das plantas.

  • Geadas e temperaturas negativas acendem alerta no campo

    Geadas e temperaturas negativas acendem alerta no campo

    A onda de frio que atingiu o Sul do Brasil nesta semana colocou o clima no centro das atenções do agronegócio e elevou o alerta sobre a safra de grãos 2025/26. A chegada de uma frente fria derrubou as temperaturas, provocou geadas e levou os termômetros a mínimas próximas de 3°C em áreas produtoras do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.

    Na Serra Gaúcha, as temperaturas ficaram abaixo de 0°C por vários dias consecutivos, o que aumentou o risco de danos em lavouras de milho, feijão e culturas de inverno em fase inicial de desenvolvimento.

    O cenário agrava uma situação já pressionada por irregularidade climática. A safra 2025/26 vinha enfrentando estiagem, oscilações térmicas e baixa umidade do solo em importantes regiões produtoras. Agora, as geadas adicionam um novo fator de risco ao ciclo agrícola.

    No Rio Grande do Sul, produtores aceleram a semeadura do milho em áreas menos suscetíveis ao frio para reduzir perdas. A estratégia busca escapar das janelas mais críticas de ocorrência de geadas.

    Manejo do solo

    Segundo Fellipe Parreira, da GIROAgro, o manejo do solo ganhou protagonismo diante do aumento da imprevisibilidade climática. “A inoculação de sementes com bactérias eficientes favorece o desenvolvimento radicular e pode elevar a produtividade. No entanto, o resultado depende de fatores como clima, solo, manejo e disponibilidade de nutrientes”, explica.

    Solos bem corrigidos, com boa estrutura física e fertilização equilibrada, aumentam a retenção de água, fortalecem o sistema radicular e ajudam na recuperação das plantas após estresse térmico. Em áreas com manejo técnico adequado, as lavouras tendem a apresentar maior resistência durante episódios de frio intenso e geadas.

    O avanço de práticas como agricultura regenerativa, adubação de precisão e conservação do solo reflete a resposta do setor aos eventos climáticos extremos. Produtores ampliam investimentos em manejo biológico, cobertura vegetal, retenção hídrica, preservação da microbiota do solo e monitoramento climático.

    Esse movimento acompanha a busca por produtividade com sustentabilidade, aliada ao uso de tecnologias mais eficientes e adaptadas às diferentes realidades do campo brasileiro.

    Impacto

    O impacto do frio não se limita ao Sul. O milho, cultura estratégica para o agronegócio, influencia diretamente cadeias como proteína animal, indústria de alimentos, exportações e logística. Quedas na produtividade podem gerar efeitos em toda a economia agrícola.

    O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) já indicava maio como um mês de forte contraste climático, com avanço de massas de ar frio e risco de geadas no Sul, além de pressão sobre áreas do Centro-Sul.

    Além das baixas temperaturas, técnicos monitoram o estresse hídrico em áreas de segunda safra, principalmente no Paraná e em Mato Grosso do Sul. Nessas regiões, milho e feijão enfrentam perdas causadas pela combinação de seca e frio.

    O cenário reforça uma mudança estrutural no campo. A produção agrícola passou a depender cada vez mais da adaptação às condições climáticas. Planejamento técnico, manejo eficiente do solo e estratégias de resiliência tornaram-se essenciais para sustentar a produtividade diante das mudanças do clima.

  • Risco de um super El Niño aumentou? Novas previsões indicam aumento do aquecimento no Pacífico

    Risco de um super El Niño aumentou? Novas previsões indicam aumento do aquecimento no Pacífico

    Novas previsões climáticas divulgadas em maio aumentaram a preocupação de especialistas sobre a formação de um El Niño forte nos próximos meses. Apesar disso, cientistas alertam que ainda é cedo para afirmar que o fenômeno atingirá níveis extremos, conhecidos informalmente como “super El Niño”.

    O Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos elevou o status para “alerta de El Niño” e apontou 82% de chance de o fenômeno surgir entre maio e julho de 2026. Além disso, a probabilidade de ele continuar ativo até o início de 2027 chega a 96%.

    Modelos meteorológicos internacionais também passaram a indicar um aquecimento mais intenso das águas do Pacífico tropical. Segundo análise da Climatempo, o fenômeno deve atingir pelo menos intensidade forte.

    Mesmo com os novos alertas, pesquisadores pedem cautela. A cientista atmosférica Kimberley Reid explicou que previsões feitas nesta época do ano ainda apresentam muitas incertezas.

    “O histórico mostra que previsões feitas nesta época do ano ainda carregam incertezas importantes”, afirmou à BBC.

    O que é o El Niño?

    O El Niño é um fenômeno climático natural marcado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Esse processo altera a circulação da atmosfera e influencia o clima em várias partes do planeta.

    Enquanto o El Niño aquece as águas do Pacífico, o La Niña provoca o efeito contrário, com temperaturas mais frias do que a média.

    Anomalia de temperatura no Oceano Pacífico. Valores em graus Celsius — (Dados divulgados pelo CPC/NOOA em 11/05/2026)

    Segundo especialistas, os sinais atuais já mostram um aquecimento consistente no oceano. A NOAA informou que o aquecimento das águas subsuperficiais aumentou pelo sexto mês consecutivo.

    O pesquisador José Marengo afirmou que o fenômeno realmente está se formando, mas destacou que ainda não é possível prever sua intensidade final.

    “Neste momento, o que podemos dizer é que o El Niño está se configurando, sim, e que esperamos talvez uma intensidade moderada a forte. Mas ainda é muito cedo para afirmar que será um super El Niño ou o pior do século”, disse.

    Possibilidade de “super El Niño”

    Meteorologistas monitoram especialmente a região chamada Niño 3.4, no Pacífico Equatorial. Quando as temperaturas permanecem mais de 1,5 °C acima da média durante vários meses, o evento costuma ser considerado muito forte.

    Modelos do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo já indicam possibilidade de aquecimento acima de 2,5 °C até o outono no hemisfério norte. Algumas projeções mais extremas sugerem temperaturas superiores a 3 °C.

    Mesmo assim, os cientistas reforçam que previsões feitas entre março e maio costumam apresentar maior margem de erro, fenômeno conhecido como “barreira de previsibilidade”.

    Quais podem ser os impactos?

    Especialistas alertam que um El Niño forte pode elevar ainda mais a temperatura global e aumentar o risco de recordes de calor em 2027.

    Além disso, o fenôeno costuma provocar secas severas em países como Austrália, Indonésia e Filipinas. Já regiões da América do Sul, especialmente Peru e Equador, podem enfrentar chuvas intensas e enchentes.

    No Brasil, os impactos variam conforme a região. Historicamente, o Sul registra aumento das chuvas, enquanto Norte e Nordeste enfrentam clima mais quente e seco.

    Segundo nota técnica do Cemaden, o fenômeno pode aumentar o risco de enchentes e deslizamentos no Sul do país. Ao mesmo tempo, Norte e Nordeste podem sofrer com seca e incêndios florestais.

    Marengo afirmou que autoridades já deveriam iniciar medidas preventivas: “Independentemente de o El Niño ser moderado, forte ou muito intenso, nós teremos impactos”, destacou. “Ainda não sabemos exatamente a magnitude, mas já conhecemos, com base em eventos anteriores, quais regiões podem ser mais afetadas.”

  • Você sabia? O canto dos sapos pode ajudar a prever o tempo

    Você sabia? O canto dos sapos pode ajudar a prever o tempo

    Quando o gelo começa a derreter nas regiões montanhosas da Califórnia, os sapos deixam a hibernação e seguem rapidamente para lagos e lagoas temporárias. Lá, os machos iniciam um verdadeiro coro para atrair as fêmeas antes que a água congele novamente.

    Mas os cientistas descobriram que esses sons servem para muito mais do que conquistar parceiras. Segundo um estudo publicado na revista Frontiers in Ecology and the Environment, a velocidade e a frequência do coaxar mudam conforme a temperatura da água. Em ambientes frios, os sons ficam lentos e espaçados. Já em águas mais quentes, os cantos se tornam rápidos e intensos.

    A ecologista Julianne Pekny explica que os anfíbios vivem em uma corrida contra o tempo. Em algumas áreas, os lagos formados pelo derretimento da neve permanecem descongelados por poucos meses, o que reduz drasticamente o período de reprodução.

    Coaxares funcionam como uma espécie de “previsão do tempo”

    Os pesquisadores acreditam que as fêmeas conseguem interpretar essas mudanças sonoras para escolher os melhores locais para colocar os ovos. Assim, os coaxares funcionariam como um “alerta climático” natural.

    Até então, os cientistas acreditavam que os cantos serviam apenas para demonstrar força e atratividade dos machos. Sapos maiores, por exemplo, costumam emitir sons mais graves e chamativos. Agora, o novo estudo sugere que os coaxares também carregam informações sobre o ambiente.

    A teoria surgiu durante pesquisas de campo no norte da Califórnia. Pekny percebeu diferenças claras nos coros dos sapos ao longo das estações e decidiu investigar o comportamento em laboratório. Ela analisou 35 sapos em aquários com diferentes temperaturas da água e registrou a frequência dos sons emitidos.

    Os testes mostraram que a água fria desacelera os coaxares, enquanto temperaturas mais altas deixam os sons mais rápidos. Essa informação pode ajudar as fêmeas a evitar locais inadequados para reprodução.

    Mudanças climáticas podem afetar reprodução dos anfíbios

    Especialistas afirmam que a descoberta ajuda a entender como os anfíbios reagem às mudanças climáticas. Embora pesquisadores ainda precisem realizar novos testes, o estudo reforça a relação entre comportamento animal e ambiente.

    Os cientistas alertam que alterações no clima podem desregular o período de reprodução dos sapos e rãs. Caso os animais se reproduzam cedo demais, os girinos podem nascer antes do momento ideal, quando ainda há pouca oferta de alimento.

    Hoje, os anfíbios estão entre os grupos mais ameaçados do planeta. Cerca de 41% das espécies enfrentam risco de extinção, o que aumenta a importância de pesquisas sobre adaptação climática e preservação dos habitats.

  • Frio intenso ameaça milho e feijão no Centro-Sul

    Frio intenso ameaça milho e feijão no Centro-Sul

    A queda acentuada das temperaturas aumenta os riscos para lavouras de segunda safra no Centro-Sul do Brasil. O cenário preocupa produtores do Paraná e Mato Grosso do Sul.

    O estresse térmico pode comprometer o desenvolvimento do milho e do feijão. Além disso, a estiagem recente agravou a vulnerabilidade das culturas.

    Impacto em dois estados

    As condições climáticas adversas já afetam a segunda safra nos dois estados. Em algumas regiões, o atraso da colheita prejudicou a janela ideal de semeadura.

    Com isso, produtores enfrentam menos chuvas e maior risco de massas de ar frio durante maio. Esse cenário afeta diretamente o desenvolvimento das lavouras.

    Durante a implantação do milho e do feijão, os volumes de chuva diminuíram. O problema atingiu principalmente o oeste do Paraná e o sul do Mato Grosso do Sul. As culturas entraram em fases críticas entre abril e início de maio. Nesse período, as plantas exigem maior disponibilidade de água.

    No entanto, a escassez hídrica provocou perdas significativas nas lavouras. Mesmo com a melhora das chuvas no fim de abril, os impactos persistem.

    Previsões meteorológicas

    As previsões meteorológicas indicam o avanço de uma forte massa de ar polar. O sistema deve atingir a Região Sul, o sul paulista e Mato Grosso do Sul.

    O cenário favorece a formação de geadas em grande parte do Sul do Brasil. Assim, o frio intenso amplia os riscos para milho e feijão.

    As lavouras nos estados do Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo seguem em fases sensíveis. Por isso, as baixas temperaturas preocupam produtores e técnicos.

    A região de Ponta Grossa, no Paraná, concentra importante área produtora de milho safrinha. Atualmente, o núcleo regional possui cerca de 33 mil hectares cultivados.

    Segundo o Departamento de Economia Rural do Paraná, 95% das áreas apresentam alta sensibilidade ao frio. Desse total, 25% estão em floração e 70% em frutificação. A previsão aponta temperatura mínima de 3,6 °C na terça-feira (12). Dessa forma, cresce o risco de impactos na floração e no enchimento dos grãos.

    As baixas temperaturas podem causar falhas na polinização. Além disso, o frio reduz a formação dos grãos e derruba a produtividade.

    A estiagem entre 10 e 26 de abril também aumentou a vulnerabilidade das plantas. O déficit hídrico intensificou os efeitos do estresse térmico.

    No feijão, os danos podem ser ainda maiores. A cultura apresenta elevada sensibilidade às baixas temperaturas.

    O frio pode provocar abortamento floral e reduzir a formação de vagens. Durante o enchimento dos grãos, a geada também pode causar enrugamento.

    Além disso, os grãos podem perder tamanho e peso. Isso compromete diretamente a produtividade das lavouras.

    Por outro lado, culturas de inverno apresentam menor risco neste momento. Trigo, aveia, canola e pastagens não devem sofrer impactos significativos.

    Previsão do tempo no Sul do Brasil

    O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê a passagem de uma frente fria pela Região Sul. O sistema deve provocar chuvas intensas e temporais.

    As áreas mais afetadas incluem o sudoeste e centro-sul do Paraná. O norte de Santa Catarina também deve registrar acumulados elevados.

    Segundo a previsão, os volumes de chuva podem superar 80 milímetros. Além disso, o frio continuará atuando durante o fim da semana.

    As temperaturas devem permanecer baixas em grande parte da Região Sul. O cenário inclui o sul gaúcho, oeste catarinense e oeste paranaense.

    O extremo sul do Mato Grosso do Sul também deve registrar temperaturas reduzidas. Em áreas serranas, os termômetros podem ficar abaixo de 2 °C.

    A possibilidade de geadas aumenta principalmente em áreas de maior altitude. Por isso, cresce o risco para lavouras em estágios sensíveis.

    Especialistas recomendam acompanhamento constante das atualizações meteorológicas. O monitoramento ajuda no manejo das lavouras e reduz riscos operacionais.