O vazio sanitário da soja no Paraná para a safra 2025/26 terá início em 2 de junho, conforme cronograma escalonado definido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A medida, que proíbe o cultivo e a manutenção de plantas vivas de soja por pelo menos 90 dias, é fundamental para conter a proliferação do fungo Phakopsora pachyrhizi, causador da ferrugem asiática, principal doença da oleaginosa no Brasil.
O escalonamento dos períodos leva em conta os diferentes microclimas do estado, permitindo maior precisão no controle fitossanitário e na redução da pressão de inóculo do fungo. Durante o vazio, qualquer planta de soja encontrada no campo deve ser eliminada, incluindo áreas de pousio, cultivos de inverno e margens de estradas, para evitar que sirvam de hospedeiras ao patógeno.
Fiscalização
A fiscalização do cumprimento do vazio sanitário cabe à Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar). Ela pode aplicar penalidades aos produtores que descumprirem as normas. “A prática do vazio sanitário da soja beneficia o agricultor, que terá essa doença cada vez mais tarde, necessitando menos aplicações de fungicidas. Além de auxiliar na manutenção da eficácia desses produtos para o controle da ferrugem”, destaca Paulo Roberto de Paula Brandão, chefe do Departamento de Sanidade Vegetal da Adapar.
Os períodos definidos para o vazio sanitário no Paraná são:
Região 1 (Sul, Leste, Campos Gerais e Litoral): 21 de junho a 19 de setembro. Plantio permitido de 20 de setembro de 2025 a 20 de janeiro de 2026.
Região 2 (Norte, Noroeste, Centro-Oeste e Oeste): 2 de junho a 31 de agosto. Plantio permitido de 1º de setembro a 31 de dezembro de 2025.
Região 3 (Sudoeste): 12 de junho a 10 de setembro; plantio permitido de 11 de setembro a 10 de janeiro de 2026.
A antecipação do início do vazio na Região 3 foi um pedido do setor produtivo e da Adapar. E foi atendido pelo Mapa para aprimorar o controle da doença. O respeito ao calendário é essencial para garantir a sanidade das lavouras e a sustentabilidade da produção de soja no estado.
Uma mandioca de 2,80 metros colhida no sítio da família Bitencourt, em Cianorte, no noroeste do Paraná, chamou a atenção de moradores e especialistas. O caso ocorreu quando o agricultor Gonçalves Bitencourt, acompanhado do filho Geovan, foi buscar raízes para o preparo de um bolo e se deparou com a mandioca de tamanho incomum, que rapidamente se tornou assunto na região.
A raiz, cultivada sem adubação química e destinada apenas ao consumo familiar, destaca a força da agricultura tradicional e o potencial do solo local. Segundo o técnico em agropecuária Marcos Batista, do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR), fatores como solo arenoso e profundo, clima estável, variedade da mandioca, espaço livre e tempo prolongado de cultivo favorecem o crescimento de raízes gigantes.
Cianorte, cidade com cerca de 80 mil habitantes, tem na agricultura familiar uma de suas principais atividades econômicas, sendo o cultivo da mandioca tradição entre os produtores locais. A mandioca, também conhecida como aipim ou macaxeira, é base da alimentação na região e aparece em diversas formas nos mercados e feiras.
No mesmo dia da colheita da mandioca de 2,80 metros, outra raiz de quase 20 kg foi retirada da mesma lavoura. O que reforça a importância das boas práticas agrícolas mesmo em pequenas propriedades. O episódio ganhou destaque nas redes sociais, programas de televisão e grupos de mensagens, tornando-se motivo de orgulho para a comunidade.
O caso evidencia o potencial da agricultura familiar no Paraná. E mostra que, com solo fértil, tempo e dedicação, a terra pode surpreender, mesmo sem o uso intensivo de insumos químicos
Localizada em Carambeí, Paraná, a Fazenda Melkland, referência em automação no setor leiteiro da América Latina, anuncia a construção de uma nova unidade de produção que contará com oito robôs de ordenha Astronaut, além dos sistemas Juno e Collector para manejo alimentar e limpeza automatizada.
Atualmente, a propriedade possui 1.800 vacas da raça holandesa, com 800 em lactação, e desde outubro de 2022 vem investindo em tecnologias avançadas para aumentar a eficiência, o bem-estar animal e a sustentabilidade da produção. A nova estrutura permitirá acomodar mais 480 vacas em lactação, elevando o total para cerca de 1.200 animais ordenhados.
Para Lorena Delezuk, economista e sócia-proprietária da Melkland, a automação é fundamental para garantir a sustentabilidade e atrair a nova geração ao campo. Especialmente diante da escassez de mão de obra na região, dominada por indústrias. “A tecnologia facilita a gestão, melhora o bem-estar animal e torna a rotina dos funcionários mais eficiente e menos desgastante, o que é essencial para manter jovens motivados na atividade”, afirma.
Início da experiência com robôs
A experiência prática da fazenda começou com a instalação de dois robôs Lely em 2022, que atenderam 120 vacas, enquanto 600 continuaram na ordenha convencional. O sucesso dessa fase levou à decisão de manter esses robôs na sede e adquirir oito novos para a expansão. Desde a adoção da ordenha automatizada, a produção média por vaca aumentou em cerca de sete litros diários. O resultado é atribuído ao manejo cuidadoso, nutrição adequada e maior conforto proporcionado pela automação. Que permite às vacas decidir quando ordenhar, se alimentar e descansar.
Além dos robôs de ordenha, a Melkland utiliza o robô Juno, que mantém o alimento sempre próximo às vacas, incentivando a alimentação frequente por meio de um apito sonoro. E o robô Collector, pioneiro no Brasil, que limpa automaticamente os corredores, contribuindo para a higiene e saúde dos animais.
A nova unidade está prevista para entrar em operação no segundo semestre de 2025. “Continuaremos investindo em automação para facilitar o trabalho e motivar as novas gerações. A tecnologia é um pilar essencial para a evolução da pecuária leiteira”, conclui Lorena Delezuk.
O Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná — Iapar-Emater (IDR-Paraná) lançou o aplicativo IDR MIP Feijão, uma ferramenta inovadora para auxiliar os produtores do estado, líder nacional na produção de feijão. O aplicativo foi desenvolvido para atender às necessidades de técnicos e produtores que enfrentavam desafios no controle de pragas.
Desenvolvido pela equipe técnica do IDR-Paraná, o aplicativo permite:
Cadastro de múltiplos talhões, inclusive de diferentes propriedades.
Orientação para coleta de amostras nas lavouras.
Avaliação da necessidade de controle de pragas.
Lista de inseticidas registrados pela Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar).
Um dos diferenciais do aplicativo é o histórico de intervenções, que ajuda os produtores a evitar o uso repetido de uma mesma substância, reduzindo o risco de resistência das pragas.
Manejo Integrado de Pragas
O aplicativo integra-se ao Manejo Integrado de Pragas (MIP), uma estratégia que combina controle químico, biológico e práticas culturais. Em vez de depender exclusivamente de inseticidas, o MIP valoriza o monitoramento constante, o uso de cultivares resistentes, a rotação de culturas, o manejo do solo e o plantio em épocas adequadas. O objetivo é reduzir perdas, proteger o meio ambiente e diminuir os custos de produção.
O aplicativo está disponível na App Store e no Google Play, oferecendo uma solução prática que substitui planilhas e anotações em papel. “É uma solução prática que substitui pranchetas e planilhas complicadas. Tudo está na palma da mão”, destaca o pesquisador Humberto Godoy Androcioli.
Produção de feijão no Paraná
A colheita da segunda safra de feijão no Paraná está em andamento, com 3% da área semeada já colhida. Apesar da redução de 24% na área em relação à safra anterior, a produção deve alcançar 610,6 mil toneladas, superando a primeira safra que rendeu 339,2 mil toneladas. O Paraná deve manter sua posição como principal produtor de feijão no Brasil.
O lançamento do aplicativo IDR MIP Feijão reflete o compromisso do IDR-Paraná em apoiar os produtores do estado, garantindo uma produção mais eficiente e sustentável. A tecnologia se apresenta como uma ferramenta crucial para enfrentar os desafios climáticos e econômicos que afetam o setor agrícola.
A conexão entre o agronegócio e o varejo brasileiro é mais do que estratégica — é vital para o funcionamento do mercado de alimentos no país. Essa relação, construída ao longo do tempo, é baseada em uma interdependência sólida: o agronegócio precisa do varejo para chegar ao consumidor final, enquanto o varejo depende da produção agrícola para manter suas gôndolas abastecidas com produtos frescos e de qualidade. Ainda que esse elo esteja cada vez mais fortalecido, ele enfrenta uma série de desafios estruturais, logísticos e culturais que impactam diretamente o dia a dia tanto de produtores quanto de supermercadistas.
Entre os principais pontos positivos dessa relação, destaca-se o estreitamento de parcerias, sobretudo com pequenos produtores. Mercados menores, como redes regionais, muitas vezes encontram nesses fornecedores locais uma forma de garantir produtos mais frescos, preços mais competitivos e até mais agilidade no abastecimento. O contato direto elimina intermediários, o que pode beneficiar tanto o produtor — que recebe melhor remuneração — quanto o varejista, que reduz custos e fortalece a economia local. Isso é particularmente importante em estados como o Paraná, onde a força do agronegócio regional contribui significativamente para a cadeia de abastecimento dos supermercados. Uma relação de confiança e proximidade é essencial para garantir não só o fluxo contínuo de mercadorias, mas também a manutenção de padrões de qualidade. No entanto, o caminho entre o campo e a gôndola está longe de ser simples.
Logística
A logística ainda representa um gargalo significativo. Embora algumas regiões do Brasil contem com infraestrutura de transporte mais adequada, o cenário nacional é desigual. Em muitas áreas do país, a precariedade das estradas, a distância entre centros produtores e consumidores e a falta de alternativas modais encarecem o frete e comprometem o abastecimento.
Empresário Pedro Della’Nora
Dados da CNT (Confederação Nacional do Transporte) apontam que cerca de 65% das cargas no Brasil ainda são transportadas por rodovias, sendo que muitas delas estão em estado crítico de conservação. Isso faz com que o frete pese no bolso do consumidor e limite a competitividade do pequeno varejista.
Armazenagem
A situação se agrava com a falta de capacidade de armazenagem. Segundo levantamento da FAO(Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), o Brasil só tem capacidade para armazenar cerca de 65% da sua produção agrícola, quando o ideal seria 120%. Isso obriga os produtores a escoarem sua produção imediatamente após a colheita. Pressionando ainda mais a logística e gerando perdas de qualidade e aumento de custos. Em produtos perecíveis, como frutas, legumes e verduras, isso pode ser fatal para o varejo, que depende da entrega diária e da qualidade visual dos alimentos para conquistar o consumidor.
Nesse sentido, a proximidade entre lavoura e ponto de venda torna-se um fator estratégico. Quanto mais local for o produtor, menores os custos com transporte, menores os riscos de perda e maior o frescor dos produtos. Essa lógica tem impulsionado redes regionais a investirem em relações mais próximas com produtores locais, muitas vezes de pequeno porte, capazes de abastecer com regularidade e flexibilidade. Para garantir que os alimentos cheguem em boas condições, também é necessário o uso de caminhões climatizados e investimentos em logística de refrigeração — outro desafio especialmente para redes menores ou mais afastadas dos grandes centros.
Além dos obstáculos operacionais, o setor também enfrenta um consumidor em transformação. Nos últimos anos, houve um crescimento evidente da demanda por produtos agroecológicos, sustentáveis e saudáveis. Uma pesquisa da Organis (Associação de Promoção dos Orgânicos) apontou que 36% dos brasileiros já consomem produtos orgânicos. E que o setor movimentou ao menos R$ 7 bilhões em 2024. Esse comportamento reflete uma nova consciência alimentar, ligada à saúde e ao bem-estar, e que exige do varejo — e, por consequência, do agronegócio — mais responsabilidade, rastreabilidade e qualidade.
Desafios
Essa mudança de mentalidade vem acompanhada do desafio de manter o abastecimento em um cenário de alta demanda. Para o varejo, isso significa ter uma oferta constante de alimentos frescos e saudáveis. Para o produtor, principalmente o pequeno, representa a oportunidade de diversificar sua produção e acessar mercados mais exigentes. O problema é que ainda faltam políticas públicas e incentivos que favoreçam essa integração produtiva e comercial. Incentivar o microdesenvolvimento agrícola pode ser uma alternativa para fortalecer a cadeia de abastecimento, promover a inclusão produtiva e combater os efeitos da inflação de alimentos.
É inegável que o Brasil tem potencial para tornar essa relação entre o campo e o varejo ainda mais eficiente e equilibrada. Mas para isso, será preciso investir de forma contínua em infraestrutura, reduzir a burocracia nas relações comerciais, criar políticas de fomento à produção local e apoiar iniciativas de inovação tecnológica tanto no campo quanto nas lojas.
Em um país de dimensões continentais, onde o agronegócio é um dos principais pilares da economia, garantir o bom funcionamento da ponte entre o campo e o varejo é, antes de tudo, uma questão de soberania alimentar. O que está em jogo não é apenas a logística ou o custo do frete. Mas a forma como o alimento chega à mesa do brasileiro.
*Pedro Della’Nora é empresário do setor supermercadista, fundador do Ideal Supermercado, que conta com duas lojas no estado do Paraná.
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A comercialização de ostras, mexilhões, vieiras e berbigões em Guaratuba (PR) foi liberada nesta semana pela Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar). A decisão ocorreu após novos testes comprovarem que os índices da toxina ácido ocadáico – associada à maré vermelha – estão dentro dos limites seguros para consumo humano.
Os resultados das análises, realizadas em amostras coletadas em 31 de março e 3 de abril, foram divulgados em Nota Técnica da Adapar. A interdição, imposta no fim de março, exigia dois testes consecutivos com resultados negativos para a toxina. A agência reforçou que seguirá monitorando a região para garantir a qualidade dos produtos.
O que é a ficotoxina ácido ocadáico?
Produzida por microalgas marinhas, a substância se acumula em moluscos filtradores (como ostras e mexilhões) que se alimentam desses organismos. Embora não cause danos aos animais, em humanos pode provocar:
Náuseas e vômitos;
Dores abdominais;
Diarreia intensa.
A contaminação ocorre principalmente durante o fenômeno da maré vermelha, quando as algas tóxicas se proliferam em excesso, mudando a coloração da água para tons avermelhados ou alaranjados.
Maré vermelha: entenda o fenômeno
A maré vermelha é um evento natural temporário, associado a mudanças nas correntes marítimas, temperatura da água e condições climáticas. No litoral paranaense, o monitoramento constante da Adapar é essencial para evitar riscos à saúde pública e prejuízos aos produtores.
Em 2023, por exemplo, o estado registrou 12 interdições em áreas de cultivo de moluscos devido a surtos de toxinas.
A Adapar mantém o programa de vigilância ativa em Guaratuba e outras regiões do litoral. Produtores e consumidores podem acompanhar atualizações no site oficial da agência.
O plantio do milho 2ª safra foi concluído em todo o estado do Paraná, com cerca de 2,6 milhões de hectares semeados. A previsão inicial do Departamento de Economia Rural (Deral), vinculado à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), estima uma produção próxima a 15,9 milhões de toneladas. O governo divulgará uma nova estimativa no final deste mês.
De acordo com o boletim “Condições de Tempo e Cultivo”, divulgado pelo Deral nesta terça-feira (8), as lavouras apresentam diferentes estágios de desenvolvimento:
46% estão na fase vegetativa;
40% em floração;
13% em frutificação;
1% ainda em germinação.
As chuvas recentes beneficiaram 65% das lavouras, especialmente aquelas em floração. No entanto, as precipitações continuam insuficientes para as áreas que estão entrando na fase de frutificação. O boletim classifica 23% das lavouras em condições médias e 12% como ruins.
Colheitas da 1ª safra e outras culturas
A colheita dos grãos da 1ª safra 2024/25 está quase concluída no estado. Até o momento, a soja atingiu 97% de área colhida, enquanto o milho alcançou 96%. A colheita do feijão 2ª safra foi iniciada, com apenas 3% dos 332 mil hectares já colhidos. A falta de chuvas em fases críticas do desenvolvimento impactou negativamente a produção, e os produtores enfrentam queda nos preços, especialmente do feijão preto.
Outras culturas também seguem em colheita no estado:
Arroz irrigado: colheita em andamento na região Noroeste, com previsão de duração por mais alguns meses.
Mandioca: colheita adiantada, satisfazendo os produtores.
Frutas: banana, goiaba e maracujá estão sendo colhidas na mesma região.
Preparativos para novos ciclos
Os cafeicultores já se preparam para iniciar a colheita no próximo mês. Além disso, foi liberada a retirada, armazenamento e comercialização do pinhão maduro. Contudo, a expectativa é que a produtividade seja menor nesta safra em comparação à anterior.
Os triticultores devem começar o plantio ainda em abril, mas enfrentam desafios como redução na área plantada devido às taxas de seguro e menor cobertura contra intempéries. Parte dessas áreas será convertida para forrageiras.
O Paraná registrou o maior crescimento em conectividade rural no Brasil entre junho de 2023 e junho de 2024, segundo o mais recente levantamento da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Nesse período, a cobertura de internet nas áreas rurais do Estado saltou de 51,73% para 62,21%, um avanço de 9,48 pontos percentuais — o maior entre todas as unidades federativas do país.
Esse resultado é reflexo direto do programa Conectividade Rural, iniciativa do Governo do Estado coordenada pela Secretaria da Inovação e Inteligência Artificial (SEIA). O projeto reúne esforços de 17 órgãos públicos, 15 empresas privadas (incluindo operadoras de telefonia e empresas de tecnologia) e seis entidades da sociedade civil, com o objetivo de universalizar o acesso à internet no campo paranaense.
Estratégia ampla acelera expansão da cobertura
O plano contempla 15 ações estruturadas de curto, médio e longo prazo. Entre as principais estratégias estão os estudos para parcerias público-privadas, a utilização de créditos de ICMS para a instalação de torres de telecomunicação, a redução do custo de aluguel de postes e a realização de testes de conexão via satélite em áreas de difícil acesso.
Com área territorial de 199 mil km², o Paraná tem apenas cerca de 4 mil km² em zonas urbanas, enquanto os demais 195 mil km² compreendem regiões rurais. Atualmente, o Estado ocupa a sétima posição no ranking nacional de conectividade no campo.
Segundo o secretário de Inovação e Inteligência Artificial, Alex Canziani, o objetivo é alcançar 100% de cobertura de internet nas áreas rurais até o fim de 2026. “Estamos trabalhando com cooperativas, operadoras, a Assembleia Legislativa e diversas instâncias do governo para ampliar ainda mais o acesso à internet em regiões historicamente desassistidas. Isso representa mais qualidade de vida, mais eficiência para o agronegócio e maior desenvolvimento para o Paraná”, afirmou durante reunião do grupo de trabalho do projeto, realizada nesta semana na sede da Ocepar, em Curitiba.
ICMS impulsiona instalação de novas torres
Um dos destaques da estratégia paranaense é a autorização para que operadoras utilizem créditos acumulados de ICMS, conforme previsto no Sistema de Controle da Transferência e Utilização de Créditos Acumulados (Siscred) da Receita Estadual. A medida já possibilitou acordos com as operadoras TIM e Claro para a instalação de 502 torres de transmissão de sinal em áreas rurais.
Dessas, 116 torres da TIM já foram concluídas até dezembro de 2024. No caso da Claro, 44 das 386 torres previstas já estão em funcionamento, com expectativa de conclusão do projeto até junho de 2026. De acordo com Julio César Oliveira, coordenador da SEIA e do programa, boa parte dessas torres ainda não entrou na contagem oficial da Anatel. O que indica, portanto, que a cobertura real já pode ter ultrapassado 70% das áreas rurais do Estado.
Conectividade reforça segurança na fronteira com o Paraguai
Além dos benefícios à produção agrícola e à inclusão digital, a expansão da conectividade também reforça a segurança pública. Um dos pontos críticos é a região da fronteira com o Paraguai, ao longo dos 200 quilômetros do Lago de Itaipu, em Foz do Iguaçu. Onde a ausência de sinal compromete tanto o desenvolvimento econômico quanto o combate a crimes transfronteiriços, como o tráfico e o contrabando.
A solução virá com a instalação de 24 torres da Claro até março de 2026. Posicionadas em áreas estratégicas de cooperativas como a Lar, parceira da iniciativa. “Sem conectividade, não há interoperabilidade entre as instituições. Essa é uma demanda histórica”, destacou o agente da Polícia Federal em Foz do Iguaçu, Rogério Prates.
Internet via satélite será testada na Patrulha Rural
Outra frente de atuação do programa envolve a segurança pública no campo. Assim, a Polícia Militar do Paraná vai testar, ainda este mês, um sistema de internet via satélite para as viaturas da Patrulha Rural. O teste terá duração de 30 dias e avaliará a viabilidade técnica para uso permanente do serviço em regiões remotas, onde a cobertura terrestre ainda é limitada.
Transformação digital no campo paranaense
Com ações articuladas entre governo, empresas e sociedade, o Paraná vem consolidando um modelo de conectividade rural que pode servir de referência para outros estados. O avanço registrado no último ano demonstra não apenas a viabilidade técnica do plano, mas também seus impactos sociais, econômicos e ambientais.
A meta de alcançar cobertura total até 2026 é ambiciosa. Mas segundo os responsáveis pela execução do projeto, é plenamente factível diante do ritmo atual de expansão e do engajamento das instituições envolvidas.
Nesta quinta-feira, 3 de abril, o governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Junior, lançou na B3, em São Paulo, o primeiro fundo estadual do Brasil voltado ao agronegócio. O Fundo de Investimento em Direitos Creditórios nas Cadeias Produtivas do Agro (FIDC Agro Paraná) pretende alavancar cerca de R$ 2 bilhões para financiar a expansão das atividades de produtores agrícolas vinculados a cooperativas e empresas integradoras nos 399 municípios paranaenses.
O FIDC Agro Paraná atuará como um “guarda-chuva” para as cooperativas e empresas integradoras do estado, oferecendo condições facilitadas de financiamento para a compra de máquinas, equipamentos, sistemas de irrigação e logística. O governo estadual aportou inicialmente R$ 150 milhões por meio da Fomento Paraná, que também dispõe de outros R$ 200 milhões para alavancar fundos semelhantes.
Alternativa ao Plano Safra
A iniciativa busca oferecer uma alternativa ao Plano Safra e outros recursos de crédito rural, que têm sido insuficientes para atender à demanda nacional e estadual. Diferentemente do programa federal, que foca no custeio e comercialização da produção, o FIDC Agro Paraná prioriza a oferta de crédito para melhorias e ampliação das atividades agrícolas.
A gestão do fundo será feita pela Suno Asset, escolhida por meio de chamada pública. A empresa buscará atrair mais investidores privados para alavancar o negócio. O foco inicial será nas cooperativas e empresas integradoras paranaenses, que possuem uma estrutura financeira mais robusta.
A expectativa é que o fundo impulsionará o crescimento econômico do Paraná, fortalecendo sua posição como um dos principais polos agroindustriais do país. Além disso, a iniciativa promoverá a sustentabilidade e o desenvolvimento das comunidades rurais.
O Governo do Paraná oficializa nesta quinta-feira (3) o lançamento do primeiro fundo de investimento estatal voltado ao agronegócio do Brasil. A iniciativa ocorre na B3 (Bolsa do Brasil) e busca captar cerca de R$ 2 bilhões, com apenas R$ 300 milhões em recursos públicos.
O novo modelo usa o conceito de blended finance, combinando recursos do Governo com investimentos privados. O objetivo é alavancar os valores estatais e acelerar o fomento ao agronegócio, garantindo maior capilaridade e eficiência na distribuição dos recursos.
O Paraná criou o fundo para oferecer alternativas ao financiamento do Plano Safra e outras linhas de crédito rural, cuja demanda supera a oferta. Com isso, o Paraná pretende impulsionar o setor agropecuário local de forma estratégica e sustentável.
O Governo vai destinar os recursos do Fiagro à expansão da produção, sistemas de irrigação, armazenagem e compra de equipamentos agrícolas. Além disso, a indústria que atende o setor também poderá acessar o fundo para investimentos em tratores e maquinários.
Outros estados brasileiros acompanham o lançamento e já estudam a criação de fundos semelhantes. Ou seja, a iniciativa se destaca pela alavancagem dos recursos estatais na proporção de 1 para 7. Além disso, permite a concessão de crédito a juros mais baixos, em torno de 9% ao ano, bem abaixo da taxa Selic, atualmente próxima de 14,25%.
Em resumo, a proposta busca atrair investimentos privados, ampliar o acesso ao crédito rural e fortalecer o desenvolvimento sustentável do setor agropecuário no Brasil.