O mercado de ovos mostra recuperação em fevereiro, após cinco meses consecutivos de queda nos preços. O levantamento do Cepea indica alta superior a 40% sobre janeiro em algumas regiões. A média parcial considera os dados coletados até 18 de fevereiro.
Além disso, o equilíbrio entre oferta e demanda sustenta a valorização recente. Mesmo com a segunda quinzena, os preços seguem firmes no mercado. Tradicionalmente, as vendas perdem ritmo nesse período do mês. Ainda assim, as cotações continuam abaixo das registradas no mesmo período de 2025. Os valores acumulam retração real superior a 30% nas regiões acompanhadas.
Por outro lado, o setor acompanha o início da Quaresma com expectativa positiva. O período começou em 18 de fevereiro e deve elevar a demanda por ovos. Segundo os pesquisadores do Cepea, consumidores ampliam o consumo da proteína durante os 40 dias. Muitas pessoas substituem carnes por ovos por tradição religiosa. Com isso, agentes esperam que a demanda aquecida sustente preços mais elevados.
Frango
No mercado de frango, os preços seguem estáveis nesta semana de Carnaval. A demanda firme mantém as cotações no atacado. Apesar disso, o valor médio mensal recua em fevereiro.
A carne de frango congelada no atacado da Grande São Paulo registra média de R$ 7/kg. O indicador considera dados até 18 de fevereiro. Em termos reais, o valor é o menor desde agosto de 2023. Naquele mês, o preço médio foi de R$ 6,91/kg.
Os cálculos utilizam valores deflacionados pelo IPCA de dezembro. As quedas intensas no início do ano pressionaram as médias mensais. O movimento de baixa já dura pouco mais de três meses. Esse cenário gera cautela entre agentes do setor.
De modo geral, colaboradores do Cepea projetam reação apenas em março. Eles apostam no aquecimento típico da demanda no início do mês. Para a segunda quinzena de fevereiro, a liquidez deve seguir estável. Assim, o ritmo atual tende a limitar avanços mais intensos nos preços do frango.
O mercado de ovos mantém ritmo aquecido neste início de mês. Os preços avançam pela segunda semana consecutiva nas regiões pesquisadas. As altas chegam a 28%, segundo dados divulgados pelo Cepea. O aumento ocorre por causa do maior fluxo de vendas. Além disso, o recebimento de salários impulsiona o consumo da população. Como resultado, os produtores registram crescimento na procura pelo produto.
Em algumas regiões, granjas enfrentam dificuldade para atender pedidos. A oferta interna fica limitada e a demanda segue elevada. Esse cenário permite novos reajustes nos valores dos ovos. Os pesquisadores apontam recuperação nos preços da proteína. Os valores vinham em queda desde setembro do ano passado. A desvalorização ficou mais intensa em dezembro e janeiro.
O preço do frango congelado recua pelo terceiro mês seguido. Em janeiro, o produto voltou a níveis observados em 2025. A baixa demanda interna pressiona as cotações do frango. Por outro lado, as exportações permanecem firmes no período. Mesmo assim, o mercado doméstico define a tendência de queda.
Na Grande São Paulo, o frango congelado fechou janeiro mais barato. O produto registrou média de R$ 7,36 por quilo. O valor caiu 4,5% em relação ao mês de dezembro. O preço atual se aproxima do patamar de junho de 2025. Naquele período, o frango foi negociado a R$ 7,47. Os números também fazem parte do levantamento do Cepea.
Janeiro tradicionalmente apresenta consumo mais fraco de frango. A população enfrenta despesas extras no começo do ano. Esse fator reduz o poder de compra e limita as vendas.
Levantamento do Cepea mostra que os preços médios dos ovos caíram ao menor nível para janeiro desde 2020. Em diversas regiões monitoradas, o Centro de Pesquisas identificou forte retração nas cotações ao longo do mês. Até o dia 28, as médias de janeiro ficaram até 17% abaixo das registradas em dezembro de 2025.
Além disso, os valores ficaram até 27% menores que os de janeiro do ano passado, em termos reais. O Cepea deflacionou os dados pelo IGP-DI de dezembro de 2025. Na região de Bastos, em São Paulo, o ovo branco tipo extra apresentou forte desvalorização. A cotação média foi de R$ 105,57 por caixa com 30 dúzias, retirada na granja. Esse valor representou queda real de 12% frente a dezembro e de 24,8% no comparativo anual.
Para o ovo vermelho negociado na mesma praça, o preço médio também recuou de forma expressiva. O produto foi cotado a R$ 118,76 por caixa, com redução de 11% no mês. Na comparação anual, a queda real chegou a 27,3%. Segundo o Cepea, ambas as médias são as menores para janeiro em seis anos.
Carne de frango perde espaço para suína e ganha frente à bovina
Em janeiro, a carne de frango perdeu competitividade frente à suína, aponta levantamento do Cepea. Por outro lado, a proteína avícola ganhou competitividade em relação à carne bovina. O Centro de Pesquisas analisou os preços no atacado da Grande São Paulo.
Segundo os pesquisadores, a carne suína se desvalorizou de forma mais intensa que a de frango. Enquanto isso, a carne bovina registrou leve valorização no período. Esse movimento, porém, não foi uniforme ao longo do mês.
O Cepea explica que a queda nos preços do frango e do suíno é comum no início do ano. Nesse período, a demanda interna enfraquece e amplia a oferta no mercado. Para a carne bovina, as altas até meados de janeiro elevaram a média mensal. Contudo, desde a última semana, o ritmo de negócios diminuiu no atacado.
São Paulo consolidou sua posição como maior produtor de ovos do Brasil em 2025. O estado produziu cerca de 16,7 bilhões de unidades e gerou um faturamento de R$ 7,2 bilhões, segundo dados preliminares do Valor da Produção Agropecuária (VPA) Paulista, que o Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) divulgou.
A produção paulista cresceu 7% em relação ao ano anterior. No mercado externo, o desempenho superou as expectativas: as exportações de ovos avançaram 19%, conforme mostram os números do IEA-APTA.
São Paulo domina mercado nacional de ovos
O estado detém 35% da produção nacional de ovos, posição que o coloca bem à frente dos concorrentes. Minas Gerais ocupa a segunda posição com 10% do mercado, seguido por Espírito Santo (9%) e Pernambuco (7%).
São Paulo comercializou mais de 15 mil toneladas de ovos no mercado internacional em 2025, com faturamento de US$ 60,2 milhões. O Japão lidera a lista de destinos com 3,52 mil toneladas, seguido pelos Estados Unidos (3,17 mil toneladas) e México (3,14 mil toneladas).
Setor enfrenta dois grandes desafios
Cristina Nagano, presidente da Câmara Setorial de Ovos e Derivados, identifica o equilíbrio de mercado como primeiro obstáculo. “Com um alojamento elevado, a oferta é alta e segue imprevisível. As exportações brasileiras podem aumentar e ajudar a equilibrar o mercado, mas existe o risco de sobrar ovos no comércio interno, o que pressiona os preços”, explica.
Presidente da Câmara Setorial de Ovos e Derivados, Cristina Nagano, em sua granja em Bastos(SP)
A influenza aviária representa a segunda grande preocupação. “A doença é uma ameaça constante. Os produtores vêm investindo de forma contínua em biosseguridade, com controles rigorosos, protocolos preventivos e monitoramento permanente, justamente para garantir que a região continue livre da enfermidade”, afirma Nagano.
Produtores otimistas com 2026
Sérgio Kakimoto, diretor técnico da Granja Kakimoto em Bastos, avalia positivamente o ano de 2025. “O ano foi muito bom para nós, pois os preços estavam bem firmes durante o período todo. Para 2026, a expectativa é ainda melhor, com o maior desafio de cuidar das aves e não deixar que elas adoeçam. Por isso, ficamos bastante apreensivos com a biossegurança da produção”, destaca.
A Secretaria de Agricultura e Abastecimento mantém o Programa de Sanidade Avícola para preservar a saúde do plantel avícola paulista. O programa controla enfermidades de interesse tanto para a avicultura quanto para a saúde pública.
“Em relação às granjas comerciais, a Defesa Agropecuária ressalta a necessidade de reforçarem as medidas de biosseguridade em grau máximo nas unidades produtivas, visando a proteção sanitária das aves do plantel comercial paulista”, comenta Paulo Blandino, médico-veterinário e chefe do Programa Estadual de Sanidade Avícola (PESA).
Pesquisa e inovação impulsionam qualidade
O Laboratório de Qualidade de Aves e Ovos (LAAVIZ) do Instituto de Zootecnia (IZ-APTA) desenvolve estudos nas áreas de nutrição, manejo, etologia, ambiência, bem-estar animal, fisiologia e qualidade de ovos. O laboratório valida e transfere tecnologias que contribuem para toda a cadeia produtiva.
O LAAVIZ também presta serviço de avaliação de ovos para outras instituições e empresas. O laboratório realiza avaliações qualitativas (peso, cor de gema, espessura de casca, resistência de casca, unidade Haugh), centesimal (porcentagem de casca, gema, albúmen) e de casca (pigmentação, espessura, porosidade e densidade).
Governo premia excelência na produção
A Secretaria de Agricultura premia os melhores produtores de ovos do estado através do Concurso Estadual de Qualidade de Ovos. A primeira edição aconteceu em Bastos, a Capital do Ovo, em 2024. O certame reconhece a excelência na produção e incentiva a melhoria dos processos para atender as exigências do mercado.
A edição 2024 premiou os três melhores ovos do estado nas categorias: ovos brancos, vermelhos e de codorna.
“Os resultados da cadeia de ovos em São Paulo refletem uma política pública consistente, baseada em sanidade, pesquisa, inovação e valorização do produtor. Esse conjunto de ações garante competitividade, segurança ao consumidor e sustentabilidade ao setor”, destacou José Carlos Faria Jr., chefe da Assessoria Técnica do Gabinete.
A avicultura baiana encerrou 2025 em forte crescimento e inicia 2026 com perspectivas otimistas. A produção de ovos no estado cresceu 16,3%, enquanto o setor de frango de corte alojou mais de 152 milhões de pintinhos. Livre de focos de Influenza Aviária (gripe aviária), a Bahia lidera a produção no Nordeste e ocupa a 9ª posição no ranking nacional.
O desempenho robusto reflete o compromisso dos criadores com controle de qualidade, segurança sanitária e rastreabilidade. A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri) prioriza a sanidade animal por meio da Agência de Defesa Agropecuária (Adab), em sintonia com o Programa Nacional de Sanidade Avícola (PNSA).
Sanidade e parceria público-privada alavancam o setor
O secretário da Seagri, Pablo Barrozo, credita os resultados à atuação integrada. “A Bahia se manteve livre da gripe aviária graças ao trabalho conjunto entre poder público, produtores e o sistema de defesa agropecuária. Investir em prevenção protege nossos produtores e garante competitividade”, destaca.
A presidente da Associação Baiana de Avicultura (ABA), Kesley Jordana, reforça a importância do diálogo. “Os governos estadual e federal trabalham em parceria. Nosso diálogo com a Seagri busca soluções estratégicas para fortalecer a avicultura baiana”, afirma.
Perspectivas positivas e agenda de oportunidades para 2026
A retomada das importações pela China e União Europeia abre uma janela de oportunidade para 2026. “Esse movimento beneficia diretamente a Bahia, pois reduz a concorrência de produtos de outros estados no mercado interno e fortalece nossa produção”, explica o secretário Pablo Barrozo.
Foto: Secom/BA
Para consolidar o crescimento, a ABA discute uma agenda com prioridades claras: financiamento acessível para modernização de granjas, incentivos fiscais, programas de crédito para pequenos e médios produtores e campanhas para aproximar o consumidor baiano da produção local.
Brasil Bate recorde de exportações e fortalece credibilidade
O cenário nacional também impulsiona o otimismo baiano. Em 2025, as exportações brasileiras de frango atingiram um recorde histórico: 5,324 milhões de toneladas, consolidando o país como o maior exportador mundial. Os dados são da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
“É uma conquista de toda a cadeia produtiva, das entidades do setor e do poder público comprometido com o agronegócio”, comemora Paulo Emílio Torres, assessor técnico da Seagri. O desempenho reforça a credibilidade sanitária e a competitividade do produto brasileiro no exterior.
A inflação de alimentos perdeu força em 2025, mas deve mostrar comportamentos distintos em 2026 no Brasil.
Após alta de 7% em 2024, os alimentos fecharam 2025 com avanço de 2,9%, segundo o IBGE. Enquanto arroz e feijão ficaram mais baratos, as proteínas mantiveram preços elevados e devem pressionar a inflação neste ano.
Dados divulgados na sexta-feira (9) mostram que o clima mais estável impulsionou a produção agrícola e aliviou parte dos preços. Por outro lado, fatores de oferta e demanda devem elevar os custos das carnes ao longo de 2026.
O preço da carne bovina desacelerou em 2025, sustentado por uma produção recorde no país. A inflação do contrafilé ficou em 1,3% em 2025, após disparar 20% no ano anterior. Já a picanha teve desaceleração de 8,7% para 2,8% no mesmo período. Mesmo assim, a expectativa é de nova alta da carne bovina em 2026.
Em 2025, o Brasil registrou abate recorde de fêmeas, superando o de machos pela primeira vez desde 1997. Esse movimento elevou o preço do bezerro e incentivou pecuaristas a priorizarem a reprodução. Além disso, o período seco do segundo semestre reduz pastagens e limita a oferta de animais para abate.
China não deve aliviar preços no Brasil
As restrições impostas pela China às exportações brasileiras não devem gerar excesso de carne no mercado interno. Além disso, o consumo doméstico tende a crescer, o que reforça a pressão sobre os preços.
Ovos e frango seguem pressionados
Os preços dos ovos dispararam no início de 2025, impulsionados pelo milho caro, calor intenso e maior demanda. Em fevereiro, o valor do ovo chegou a subir 40% no atacado. Apesar da desaceleração posterior, os ovos fecharam 2025 com alta de 4%, após queda em 2024.
O frango também manteve inflação elevada, embora tenha desacelerado de 10,3% para 6%, segundo o IBGE. Com a demanda aquecida, dificilmente os preços dessas proteínas recuarão em 2026.
Feijão tem cenário mais equilibrado
O feijão preto registrou queda de preço mais intensa do que o carioca em 2025. Já o feijão carioca teve redução de 10% na safra, compensada por consumo estável. Para 2026, analistas indicam possibilidade de leve recuperação dos preços, mas sem grandes oscilações.
Arroz deve seguir estável
O arroz ficou mais barato em 2025, impulsionado pela forte expansão da produção nacional. A safra 2024/25 cresceu 20,6%, conforme dados da Conab. Como os preços caíram mais ao produtor do que ao consumidor, ainda há espaço para novas quedas no curto prazo.
Para 2026, a expectativa é de uma colheita menor, com leve recuperação dos preços no campo.
Mesmo assim, não são esperados aumentos significativos ao consumidor.
As exportações brasileiras de ovos alcançaram 40,9 mil toneladas em 2025 e estabeleceram um recorde histórico. O volume considera ovos in natura e processados, segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
O total embarcado superou em 121,4% o registrado em 2024, quando o país exportou 18.469 toneladas. Além disso, a receita também atingiu patamar inédito no comércio exterior do setor. O faturamento somou US$ 97,240 milhões ao longo do ano, crescimento de 147,5% frente a 2024. No ano anterior, a receita das exportações ficou em US$ 39,282 milhões.
Em dezembro, os embarques mantiveram trajetória positiva e somaram 2.257 toneladas. O volume mensal cresceu 9,9% em comparação com dezembro de 2024. Naquele mês, o Brasil havia exportado 2.054 toneladas de ovos. A receita de dezembro alcançou US$ 5,110 milhões, alta de 18,4% na comparação anual. Em dezembro de 2024, o faturamento foi de US$ 4,317 milhões.
Principais destinos
Entre os destinos, os Estados Unidos lideraram as compras em 2025. O país importou 19.597 toneladas, avanço de 826,7% sobre o volume de 2024. Na sequência, o Japão somou 5.375 toneladas, crescimento de 229,1%. O Chile importou 4.124 toneladas, com queda de 40% no comparativo anual. O México adquiriu 3.195 toneladas, alta expressiva de 495,6%. Já os Emirados Árabes Unidos fecharam o ano com 3.097 toneladas, aumento de 31,5%.
Segundo o presidente da ABPA, Ricardo Santin, o desempenho refletiu forte avanço nos embarques aos Estados Unidos. Entretanto, a imposição de tarifas reduziu o ritmo das vendas ao longo do ano. Com isso, o setor se reorganizou e novos mercados ganharam protagonismo, como o Japão. O país asiático é considerado um mercado de alto valor agregado para os exportadores brasileiros. Nos últimos meses de 2025, o Japão passou a liderar os embarques nacionais de ovos.
Mercados externo e interno
Com os volumes registrados, as exportações superaram 1% da produção nacional, marco relevante para o setor. Apesar disso, o abastecimento interno permaneceu preservado e absorveu cerca de 99% da produção brasileira. De acordo com a ABPA, a consolidação da cultura exportadora sustenta perspectivas positivas para 2026.
Além disso, o clima quente no início do ano e a proximidade da quaresma devem influenciar o mercado.
Esses fatores tendem a contribuir para o equilíbrio da oferta de ovos no mercado interno.
O mercado de ovos caipiras no Brasil vive um dos períodos de maior expansão. Nos últimos cinco anos, o consumo de produtos proteicos no país cresceu 28%, de acordo com dados do Euromonitor de 2024. A busca por mais disposição, uma rotina equilibrada e, principalmente, ingredientes com origem confiável, está por trás deste movimento.
Este novo comportamento do consumidor aumenta a demanda por alimentos com transparência total na origem, compromisso com o bem-estar animal e processos de produção sustentáveis. Esses fatores agora direcionam as decisões de compra no setor, colocando o ovo caipira em posição de destaque.
Brasil rumo ao top 10 mundial no consumo de ovos
Projeções da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) indicam um futuro ainda mais promissor. O Brasil deve atingir o consumo médio de 306 ovos por habitante em 2026. Se confirmada, a marca colocará o país, pela primeira vez, entre os dez maiores consumidores mundiais do produto.
O avanço se sustenta em tendências robustas: a valorização da alimentação natural, a procura por proteínas de alta qualidade e preço acessível, o crescente interesse em sustentabilidade e um consumidor cada vez mais crítico e informado sobre a origem do que leva para a mesa.
Cláudio Rodrigues, da Label Rouge, comentou os números. “O mercado de proteína passa por uma transformação profunda, guiada por escolhas mais conscientes. Temos que unir tecnologia, responsabilidade e conveniência para entregar um produto que atende às novas expectativas do consumidor”.
Dados do IBGE analisados pelo Cepea mostram que a oferta interna de carne de frango caiu entre agosto e setembro. O volume voltou aos níveis registrados antes da confirmação da gripe aviária no país. A retomada gradual das exportações reduziu a disponibilidade doméstica e sustentou a alta dos preços.
A disponibilidade interna somou 111 milhões de quilos no período, número próximo aos 110 milhões de quilos verificados entre janeiro e abril de 2025. Esses dados antecedem o caso de gripe aviária. Em maio, durante o pico das restrições às exportações, a oferta interna superou 123 milhões de quilos. Os números se referem ao estado de São Paulo.
Os levantamentos do Cepea mostram que os preços da carne de frango sobem há meses. A menor oferta e o avanço dos embarques sustentam as cotações no mercado paulista.
Ovos: produção perde ritmo, mas preços continuam fracos
A produção brasileira de ovos perdeu ritmo no terceiro trimestre, mas manteve crescimento no acumulado do ano. Dados do IBGE analisados pelo Cepea indicam que o país produziu 1,02 bilhão de dúzias entre julho e setembro. O volume caiu 1,4% frente ao trimestre anterior, mas avançou 2,5% na comparação com igual período de 2024.
No ano, a produção soma 3,04 bilhões de dúzias, recorde para o período na série histórica iniciada em 2012. Mesmo assim, os preços seguiram enfraquecidos no terceiro trimestre.
O Cepea aponta que a média dos ovos brancos tipo extra, FOB em Bastos (SP), ficou em R$ 149,15 por caixa de 30 dúzias, queda real de 14%. O cálculo considera deflação pelo IGP-DI de novembro de 2025. Para os ovos vermelhos, a desvalorização real foi de 16%, com média de R$ 164,45 por caixa na região paulista.
As galinhas ocupam quintais e granjas ao redor do mundo há milhares de anos, mas muitas pessoas as subestimam. Pesquisas recentes revelam que essas aves domésticas escondem capacidades cognitivas notáveis e comportamentos sofisticados que rivalizam com outros animais considerados mais inteligentes. Descubra 10 fatos surpreendentes sobre as galinhas que transformarão sua percepção sobre essas aves fascinantes.
Visão tetracromática: galinhas enxergam mais cores que humanos
As galinhas possuem uma capacidade visual extraordinária que supera a dos seres humanos. Enquanto nós enxergamos apenas três cores básicas (vermelho, verde e azul), as galinhas são tetracromáticas e conseguem detectar luz ultravioleta, o que proporciona uma percepção do mundo muito mais colorida e detalhada.
Cientistas descobriram que suas retinas têm cinco cones sensíveis à cor, incluindo um cone para violeta e comprimentos ultravioleta, além de um quinto receptor ainda pouco compreendido pela ciência. Os olhos das galinhas representam cerca de 10% da massa da cabeça, enquanto nos humanos essa proporção é de apenas 1%, demonstrando como a visão é central em sua sobrevivência.
Essa visão superior permite que as galinhas detectem predadores com muito mais eficiência e identifiquem alimentos de forma mais precisa. As galinhas percebem frequências de até 105 Hz, enquanto humanos alcançam apenas 60 Hz, o que significa que uma lâmpada que parece contínua para nós pode parecer tremeluzente para elas.
Banho de terra: o spa natural das galinhas
Pode parecer estranho, mas galinhas sentem muito prazer em cavar um buraco raso no chão, onde abrem suas asas e rolam sobre ele. Esse comportamento, conhecido como banho de poeira ou banho de areia, é essencial para a saúde e o bem-estar dessas aves.
Banhos de poeira ajudam as galinhas a manter adequado o isolamento de suas penas e afastar parasitas. Durante o banho, a poeira penetra nas penas e, ao ser eliminada, leva consigo o excesso de óleo e outras substâncias que deixam a plumagem oleosa ou emaranhada. Além disso, células mortas, piolhos, ácaros e outros detritos também são eliminados nesse processo natural de higiene.
Foto: Reprodução
A cama deve ter espessura mínima entre 10 a 15 cm, com área suficiente para que as aves expressem o seu comportamento natural de banho de poeira, segundo normas de bem-estar animal. Esse comportamento é tão motivacional para as galinhas que sua ausência pode causar estresse e problemas de saúde.
Memória impressionante: galinhas reconhecem mais de 100 rostos
Uma pesquisa recente mostrou que as galinhas podem distinguir entre mais de 100 faces de sua própria espécie e de seres humanos. Isso significa que elas sabem quem você é e vão lembrar de você se você tratá-las mal – ou bem.
Essa capacidade de reconhecimento facial não é apenas impressionante por si só, mas também revela a complexidade social dessas aves. Esses animais desenvolvem laços e reconhecem as pessoas com quem interagem regularmente, demonstrando níveis de inteligência social comparáveis a alguns mamíferos.
A memória das galinhas também se estende a outras áreas. Elas conseguem lembrar de rotas, localização de alimentos e até mesmo de experiências negativas, adaptando seu comportamento de acordo com essas memórias para aumentar suas chances de sobrevivência.
Comunicação sofisticada: mais de 30 sons diferentes
O cacarejo não é aleatório. A galinha pode emitir sons que podem chegar até a 30 tipos de expressões podendo ter diversos significados dentro da sua comunidade. Cada som transmite uma mensagem específica para outras galinhas do grupo.
Especialistas dizam que, além de dizer “cacarejar” galinhas podem gritar e alertar seus companheiros do perigo. Os sons produzidos estão relacionados ao seu ambiente com o intuito de informar para as outras galinhas o que está acontecendo, desde alertas sobre predadores até expressões de contentamento.
Reprodução: Criatório Paloschi
A comunicação entre mães e filhotes é particularmente sofisticada. Muito antes de os pintainhos saírem do ovo, já estão a comunicar com a mãe. As galinhas emitem sons específicos que os pintinhos reconhecem e aos quais começam a responder ainda dentro da casca, fortalecendo o vínculo familiar desde cedo.
Cor da casca: uma questão de genética, não de qualidade
Muitas pessoas acreditam que ovos marrons são mais saudáveis que os brancos, mas a ciência mostra o contrário. A cor da casca do ovo é determinada pela raça da galinha que o põe, e não tem qualquer relação com o valor nutricional do alimento.
As aves de plumagem branca colocam ovos brancos, enquanto as vermelhas (ou amarronzadas) põem ovos nesses tons. Esses pigmentos são produzidos pelas células das aves e depositados sobre a casca enquanto o ovo passa pelo oviduto.
Do ponto de vista nutricional, não há diferença entre ovos brancos ou marrons. Ambos contêm a mesma quantidade de proteínas, vitaminas e minerais. Carolina Covre, coordenadora técnica da Associação dos Avicultores do Estado do Espírito Santo, confirma que as galinhas de raças específicas produzem ovos com cascas de diferentes cores, mas isso não altera a qualidade ou os nutrientes presentes no ovo.
Ovos com duas gemas: um fenômeno natural
Encontrar um ovo com duas gemas sempre causa surpresa, mas esse fenômeno é completamente natural e seguro para consumo. O que acontece é simples: a galinha libera dois óvulos ao mesmo tempo, e eles acabam sendo encapsulados pela mesma casca.
Nas aves jovens podem se desprender duas ao invés de apenas uma gema, explica a especialista. A principal causa do ovo com duas gemas é uma disfunção hormonal passageira, principalmente em galinhas no início do ciclo de postura. Nessa fase, o sistema reprodutivo ainda está se ajustando, o que favorece a liberação de dois óvulos de uma só vez.
O ovo de duas gemas é apenas uma variação natural, não representa risco à saúde e, ainda por cima, é mais nutritivo, com maior concentração de proteína, gordura boa e micronutrientes. O aparecimento de ovos com duas gemas não tem relação com uso de antibióticos ou outros medicamentos.
Campo de visão de 360 graus: vigilância total
Com apenas 60 graus de ponto cego atrás delas, o estudo mostra que as galinhas movimentam a cabeça constantemente para mapear todo o ambiente. Essa adaptação aumenta suas chances de escapar de ataques de predadores.
A visão quase panorâmica das galinhas é uma herança evolutiva crucial para sua sobrevivência. Com olhos posicionados nas laterais da cabeça, elas podem detectar ameaças vindas de quase todas as direções simultaneamente. Essa característica explica por que as galinhas parecem sempre alertas e curiosas sobre seu entorno.
Além disso, graças aos cones duplos em seus olhos, as galinhas têm maior capacidade de detectar movimentos. Isso é essencial para reagirem rapidamente a ameaças no ambiente, tornando-as muito mais preparadas para o dia a dia do que imaginamos.
Inteligência social: hierarquia e amizades
As galinhas vivem em sociedades complexas com estruturas hierárquicas bem definidas. Cada ave estabelece seu lugar no grupo através de interações sociais, influenciando quem se alimenta primeiro e quem tem prioridade em diversos aspectos da vida no galinheiro.
Cientistas determinaram que eles são mais espertos do que crianças e o comportamento de comunicação são parecidos com primatas. Pesquisas demonstram que galinhas formam laços sociais fortes e estabelecem amizades dentro do bando, preferindo interagir com indivíduos específicos.
O pesquisador britânico Jo Edgar determinou que as galinhas experimentam a empatia uma pelas outras. Elas mostram sinais de depressão quando um indivíduo do grupo é removido e apresentam comportamento de luto quando outra galinha do galinheiro morre.
Visão noturna limitada: por que galinhas dormem cedo
Apesar da vantagem em ambientes claros, as galinhas quase não conseguem enxergar no escuro. Isso ocorre porque possuem poucos bastonetes, células responsáveis pela visão noturna.
Essa limitação explica por que as galinhas naturalmente se recolhem aos poleiros quando anoitece. Elas se sentem vulneráveis na escuridão e buscam locais elevados e seguros para passar a noite. As galinhas têm uma fase do sono chamada de USWS (unihemispheric slow-wave sleep), em que uma metade do cérebro está em repouso, enquanto a outra metade está acordado. É por isso que podem ser vistas dormindo com um olho aberto e um olho fechado. Uma adaptação evolutiva que lhes permite manter vigilância contra predadores enquanto descansam.
Identificação de pintinhos saudáveis por luz ultravioleta
Uma das descobertas mais fascinantes sobre a visão das galinhas envolve o cuidado parental. A pesquisa indica que os pintinhos refletem luz ultravioleta, criando um “brilho” que permite às galinhas-mães identificar quais estão mais saudáveis.
Essa capacidade de detectar luz ultravioleta não é apenas uma curiosidade científica – ela tem função prática na sobrevivência da espécie. As galinhas-mães usam essa informação visual para priorizar cuidados e recursos aos filhotes com melhores chances de sobrevivência, otimizando o sucesso reprodutivo.
Além disso, a visão ultravioleta ajuda as galinhas a encontrar alimentos, identificar parceiros saudáveis e detectar sinais ambientais que são invisíveis ao olho humano. Essa vantagem sensorial demonstra como essas aves são muito mais sofisticadas do que aparentam.
As galinhas são muito mais do que simples aves domésticas. Com capacidades cognitivas impressionantes, sistemas de comunicação sofisticados e habilidades sensoriais que superam as nossas, essas aves merecem reconhecimento pela complexidade de seu comportamento e inteligência.
Compreender essas curiosidades não apenas enriquece nosso conhecimento sobre o reino animal, mas também nos convida a repensar nossa relação com essas aves tão presentes em nosso cotidiano. Seja em granjas ou quintais, as galinhas demonstram diariamente que a natureza reserva surpresas até nas espécies mais familiares.