Tag: Ovos

  • Frango perde força e reduz poder de compra do avicultor

    Frango perde força e reduz poder de compra do avicultor

    O poder de compra do avicultor paulista frente ao milho e ao farelo de soja recua em agosto. Este é o segundo mês consecutivo de queda. Segundo o Cepea, o movimento ocorre devido à desvalorização do frango vivo e à alta dos principais insumos.

    No início de agosto, a oferta interna elevada de frango vivo pressionou as cotações. Entretanto, os preços começaram a se estabilizar com a redução do excedente. Enquanto isso, os preços do milho e do farelo de soja avançaram no mercado.

    Segundo a Equipe de Grãos do Cepea, o farelo apresentou a alta mais expressiva. O movimento reflete a maior disputa entre consumidores internos e externos. Além disso, a valorização do dólar frente ao real influenciou os preços.

    Ovos recuam na segunda quinzena de agosto

    Após permanecerem estáveis na primeira quinzena, os preços dos ovos recuaram na segunda metade de agosto. A desaceleração das vendas, típica deste período, pressionou as cotações. Com a demanda mais fraca, atacadistas e varejistas aumentaram a pressão por descontos.

    Diante desse cenário, produtores reduziram os preços nas negociações para garantir o giro dos estoques nas granjas. No entanto, a oferta controlada em diversas praças limitou as quedas em algumas regiões. O Cepea também registrou recuos nas regiões produtoras e nos atacados dos principais centros consumidores.

  • Aquisição de leite cresce no Brasil e chega a 6,61 bilhões de litros

    Aquisição de leite cresce no Brasil e chega a 6,61 bilhões de litros

    A aquisição de leite cru por estabelecimentos que operam sob algum tipo de inspeção sanitária chegou a 6,61 bilhões de litros no segundo trimestre de 2026.

    O volume representa uma alta de 1% em relação ao mesmo período de 2025, segundo os primeiros resultados das Pesquisas Trimestrais da Produção Animal divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

    A pesquisa considera estabelecimentos submetidos à inspeção sanitária federal, estadual ou municipal.

    Apesar do crescimento na comparação anual, o resultado foi menor do que o observado nos três primeiros meses deste ano.

    Aquisição de leite recua frente ao primeiro trimestre

    Na comparação com o primeiro trimestre de 2026, a aquisição de leite apresentou queda de 2,5%.

    Nos primeiros três meses do ano, o IBGE havia registrado aquisição de aproximadamente 6,78 bilhões de litros de leite cru por estabelecimentos inspecionados.

    A diferença entre as duas comparações é importante: enquanto o setor apresentou crescimento em relação ao segundo trimestre do ano passado, houve redução na passagem de um trimestre para o outro.

    Os números fazem parte das pesquisas do IBGE sobre abate de animais, leite, couro e produção de ovos de galinha, que acompanham trimestralmente alguns dos principais segmentos da produção pecuária brasileira.

    Produção de ovos chega a 1,25 bilhão de dúzias

    A produção de ovos de galinha também apresentou crescimento no segundo trimestre de 2026.

    Segundo o IBGE, foram produzidas 1,25 bilhão de dúzias de ovos no período. O resultado corresponde a uma alta de 0,3% em relação ao segundo trimestre de 2025.

    Na comparação com os três primeiros meses de 2026, o crescimento foi mais expressivo, de 2,6%.

    No primeiro trimestre, a produção havia alcançado cerca de 1,21 bilhão de dúzias, segundo os dados divulgados anteriormente pelo instituto.

    Os resultados são preliminares e integram o acompanhamento trimestral realizado pelo IBGE sobre a atividade pecuária brasileira.

  • Brasil pode voltar à lista de exportadores da UE em 2026

    Brasil pode voltar à lista de exportadores da UE em 2026

    O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, afirmou nesta terça-feira (18) que acredita que o Brasil será reincluído ainda em 2026 na lista de países autorizados a exportar proteínas animais e derivados para a União Europeia (UE).

    A expectativa ocorre após o bloco europeu retirar o Brasil da relação de países autorizados a fornecer determinados produtos de origem animal. A medida, relacionada às exigências sobre o controle do uso de antimicrobianos nas cadeias produtivas, está prevista para entrar em vigor em 3 de setembro de 2026.

    No entanto, a eventual reinclusão na lista não significa que todas as cadeias voltarão a exportar imediatamente.

    Carne bovina pode demorar mais para retornar

    André de Paula explicou que o prazo para a retomada dos embarques dependerá do ciclo de produção de cada cadeia animal.

    No caso da carne bovina, por exemplo, o ministro afirmou que não há expectativa de retorno imediato, porque o ciclo de produção do gado é mais longo.

    “O que nós estamos brigando é para que nós sejamos reincluídos na lista porque na lista, quando inclui um país, não quer dizer que vai comprar do país, quer dizer que o país está habilitado a lhe fornecer. Se voltarmos, como vamos voltar à lista, aí você terá a sinalização para que, em tendo a carne nas condições em que o mercado europeu exige, você fornece”, afirmou em entrevista à rádio Nova Brasil Recife.

    O ministro também destacou que a reinclusão depende da adequação dos produtos brasileiros às exigências sanitárias europeias.

    “A luta no primeiro momento, que estamos trabalhando e tenho certeza que vamos ter sucesso, é para realistar o Brasil. No segundo momento, vamos ter o produto de acordo com as exigências colocadas pelo mercado europeu e vamos voltar a fornecer nossa carne bovina, nossas aves, nosso pescado, nosso mel, nossos ovos”, acrescentou.

    Exigências sobre antimicrobianos

    A retirada do Brasil da lista europeia está relacionada à necessidade de comprovação de que os requisitos do bloco sobre antimicrobianos são cumpridos ao longo da cadeia produtiva.

    A questão envolve mecanismos de controle, certificação e rastreabilidade capazes de demonstrar a conformidade dos produtos destinados ao mercado europeu. A decisão europeia não equivale, por si só, à constatação de contaminação da carne brasileira.

    Além disso, o ministro salientou que ficar fora da lista pode gerar impactos além do mercado europeu.

    Outros países podem seguir exigências da UE

    Segundo André de Paula, entre 10 e 18 países também seguem exigências sanitárias baseadas nas regras europeias e poderiam adotar medidas semelhantes.

    “A União Europeia é um mercado importante e muitos países regulam as exigências sanitárias que fazem a partir da regulação da UE. Não poder fornecer para a UE tem como implicação também não fornecer para [uma lista de] 10 a 18 países que seguem essas regras. Ainda não estão definidos, mas como seguem as regras, podem seguir no mesmo caminho”, afirmou André de Paula.

    Recentemente, a Noruega decidiu acompanhar a decisão europeia e não comprar os produtos a partir de 3 de setembro.

    Governo espera retomar fornecimento

    Questionado sobre o restabelecimento do fornecimento, o ministro disse que a normalização do comércio pode demorar para algumas cadeias.

    “Trabalhamos para realistar, sim, nesse semestre. O fornecimento depende muito do período da cadeia”, completou.

    “Imagino que a carne bovina não [volte em setembro] porque temos um ciclo do boi muito maior que o da ave. Essas pactuações permitem que rapidamente, como o ciclo da ave é 45 dias, possamos ter aves que estejam aptas a voltar a ter o status de estar na lista de países que fornecem a Europa”, explicou.

    Negociações envolvem diferentes áreas do governo

    André de Paula afirmou que o governo brasileiro trabalha em diferentes frentes para tentar solucionar a questão.

    Segundo ele, a Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura participa das negociações técnicas, enquanto o chanceler Mauro Vieira atua na frente diplomática e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa das negociações em nível de Estado.

    “Estamos trabalhando intensamente para que isso [interrupção no fornecimento] não ocorra. Tenho expectativa favorável em relação a essa questão”, disse.

    “É uma questão tão importante que envolve todos os níveis do governo (…) Tem a esfera diplomática, e o chanceler Mauro Vieira está envolvido, e próprio presidente Lula participa dessas questões com negociações diretas com as maiores autoridades da comunidade europeia. É um esforço que envolve o país todo”, completou.

    Ministro cita interesses comerciais nas negociações

    André de Paula disse ainda que “por trás das questões técnicas tem questões econômicas e políticas” e, por isso, as negociações são intensas.

    “A carne bovina brasileira tem competitividade enorme. Muitos países da Europa têm carne oito vezes mais cara que a nossa. É evidente que por trás de exigências sanitárias também existem interesses que a gente compreende. Todo país luta para proteger seus produtores e isso exige diálogo”, explicou.

    O ministro também lembrou que há interesses de países europeus em manter o comércio de seus produtos com o Brasil e afirmou que o governo brasileiro possui “instrumentos importantes” nas negociações.

    “A França tem interesse na exportação de vinho, a Espanha do azeite. Todos têm seu interesse. É uma pactuação que envolve o governo todo”, concluiu.

  • Ovos registram menor preço para julho desde 2019

    Ovos registram menor preço para julho desde 2019

    Os preços dos ovos atingiram, em julho, o menor patamar real para o mês desde 2019. Nas regiões acompanhadas pelo Cepea, as cotações caíram mais de 15% em relação a junho. Além disso, recuaram até 18% frente a julho do ano passado. A queda resulta da combinação entre demanda enfraquecida e elevada oferta interna.

    Os produtores já esperavam menor ritmo de vendas durante julho, comportamento típico do período. No entanto, a pressão sobre os preços superou a observada em anos anteriores.

    Ainda conforme o Cepea, a produção permaneceu elevada. Como resultado, o mercado registrou maior desequilíbrio entre oferta e demanda.

    Carne de frango encerra julho com preços estáveis

    Enquanto os ovos perderam valor, a carne de frango apresentou estabilidade na maioria das regiões acompanhadas pelo Cepea. O equilíbrio entre oferta e demanda sustentou as cotações no mercado doméstico ao longo de julho.

    A oferta ficou limitada devido à leve redução no alojamento das aves. Ao mesmo tempo, a demanda perdeu força na segunda quinzena do mês. As férias escolares também reduziram o consumo e limitaram novas oscilações nos preços.

    Apesar disso, colaboradores do Cepea relataram melhora nas vendas nos últimos dias. Além disso, o setor demonstra otimismo com a virada do mês e o fim das férias escolares. Esses fatores podem fortalecer a demanda pela carne de frango nas próximas semanas.

  • Brasil deve exportar quase 6 milhões de toneladas de frango em 2026

    Brasil deve exportar quase 6 milhões de toneladas de frango em 2026

    A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) projeta um novo avanço da produção e das exportações brasileiras de proteínas animais nos próximos anos. As estimativas, divulgadas nesta terça-feira (28), indicam crescimento para os setores de frango, carne suína e ovos, reforçando a posição do Brasil entre os maiores fornecedores mundiais de alimentos.

    No caso da carne de frango, a expectativa é que o país exporte até 5,875 milhões de toneladas em 2026, volume 10,3% superior ao embarcado no ano anterior, quando foram exportadas 5,324 milhões de toneladas.

    Segundo a entidade, as vendas externas deverão continuar avançando em 2027, embora em ritmo mais moderado, alcançando 6,050 milhões de toneladas, alta de 3%.

    Produção de frango também deve crescer

    A ABPA estima que a produção brasileira de carne de frango fique entre 16 milhões e 16,150 milhões de toneladas em 2026, representando crescimento de até 5,6% em relação ao ano anterior.

    Para 2027, a previsão é de nova expansão, desta vez de 2,8%, elevando a produção para aproximadamente 16,6 milhões de toneladas.

    No mercado interno, a disponibilidade de carne de frango também deve aumentar. A projeção é de 10,275 milhões de toneladas em 2026, alta de 3,1%. Em 2027, a oferta pode atingir 10,550 milhões de toneladas, avanço de 2,7%.

    Carne suína mantém trajetória de expansão

    As perspectivas também são positivas para a carne suína.

    A produção brasileira deve chegar a 5,870 milhões de toneladas em 2026, crescimento de 5% sobre o ano anterior. Em 2027, a expectativa é de aumento de 3,1%, totalizando cerca de 6,050 milhões de toneladas.

    Nas exportações, a ABPA projeta embarques de 1,6 milhão de toneladas em 2026, resultado 5,9% superior ao registrado anteriormente.

    Para 2027, a previsão é de novo avanço, com exportações próximas de 1,7 milhão de toneladas, crescimento estimado em 6,3%.

    Produção de ovos continua em alta

    A produção brasileira de ovos deverá alcançar 64,8 bilhões de unidades em 2026, volume 4,1% maior que o registrado no ano anterior.

    Em 2027, a ABPA prevê novo crescimento, desta vez de até 2,6%, levando a produção para aproximadamente 66,5 bilhões de unidades.

    Exportações de ovos devem se recuperar em 2027

    Ao contrário do desempenho esperado para frango e carne suína, as exportações de ovos devem recuar em 2026.

    A associação estima embarques de 30 milhões de unidades, queda de 26,6% em relação ao ano anterior.

    Para 2027, entretanto, a expectativa é de recuperação. A ABPA projeta crescimento de 15% nas exportações, que poderão atingir cerca de 64,5 milhões de unidades.

    O que indicam as projeções da ABPA

    As estimativas reforçam a expectativa de continuidade da expansão da proteína animal brasileira nos mercados nacional e internacional. O avanço da produção e das exportações de frango e carne suína demonstra a competitividade do setor, enquanto o mercado de ovos deve recuperar parte das perdas registradas em 2026, segundo as projeções apresentadas pela ABPA.

  • Competitividade do frango frente ao suíno cai quase 70%

    Competitividade do frango frente ao suíno cai quase 70%

    A carne de frango perdeu competitividade frente à suína no mercado atacadista da Grande São Paulo. O movimento ocorreu após a queda dos preços das duas proteínas na primeira quinzena de julho, segundo dados do Cepea.

    Entre os dias 1º e 15 de julho, as cotações da carne suína, representada pela carcaça especial, e do frango resfriado recuaram em relação às médias de junho. Ainda assim, a proteína de frango perdeu espaço diante da carne suína.

    Competitividade do frango frente ao suíno

    Os pesquisadores do Cepea destacam que a diferença se torna ainda mais evidente na comparação anual. Entre as médias de julho de 2026 e julho de 2025, a competitividade do frango frente ao suíno caiu quase 70%. Esse desempenho resulta da forte desvalorização da carne de frango. Atualmente, a carcaça acumula queda real de 33,2% em relação a julho do ano passado.

    Mercado de ovos

    No mercado de ovos, a demanda enfraquecida também provocou mudanças nos preços. As vendas mais lentas reduziram a diferença entre as cotações dos ovos brancos e vermelhos nas regiões acompanhadas pelo Cepea.

    Em Maria de Jetibá (ES), a diferença entre os dois produtos atingiu o menor nível do ano. Na parcial de julho, até o dia 15, o intervalo médio ficou em R$ 15,22 por caixa. Esse valor representa queda de 38,6% frente a junho. Além disso, ficou 24,4% abaixo do registrado em julho de 2025, em termos reais, considerando a inflação medida pelo IGP-DI.

    De acordo com os pesquisadores do Cepea, o movimento reflete o desequilíbrio entre a oferta interna e a demanda por ovos. Como consequência, a menor liquidez elevou os estoques nas granjas. Diante desse cenário, os produtores passaram a conceder descontos nas negociações. A estratégia busca acelerar o escoamento da produção e reduzir a pressão sobre os preços.

  • Menino de sete anos vende ovos para pagar escola

    Menino de sete anos vende ovos para pagar escola

    Uma conversa difícil dentro de casa acabou despertando uma atitude surpreendente de um menino de apenas sete anos. Morador de Gaspar, em Santa Catarina, José Pedro Pereira decidiu criar um pequeno negócio para vender ovos e ajudar a família a pagar a mensalidade da escola onde estuda.

    A iniciativa nasceu depois que os pais explicaram que, por causa das dificuldades financeiras, talvez fosse necessário transferi-lo da escola particular. Sem querer deixar o colégio, José perguntou se poderia fazer alguma coisa para ajudar.

    A ideia surgiu dentro da própria família

    Segundo a mãe, Vamila Pereira, José Pedro sempre demonstrou muito interesse pelos estudos e ficou bastante abalado com a possibilidade de mudar de escola.

    Na época, ele tinha apenas seis anos e insistia em encontrar uma forma de contribuir financeiramente.

    Durante uma conversa em família, o menino lembrou que a avó criava galinhas no sítio e costumava vender os ovos excedentes para vizinhos. Foi então que surgiu uma pergunta inesperada: por que ele também não poderia vender ovos?

    A ideia foi aprovada pelos pais e deu início a um pequeno empreendimento rural.

    Pequena criação virou fonte de renda

    O que começou com apenas 15 galinhas cresceu rapidamente.

    Hoje, a família mantém cerca de 80 aves, entre galinhas caipiras e brancas, que produzem aproximadamente 60 ovos por dia.

    No início, a renda obtida com as vendas era suficiente para pagar entre 40% e 50% da mensalidade escolar, já que parte do dinheiro era reinvestida na compra de ração, novas aves e na construção de outro galinheiro.

    Atualmente, a comercialização dos ovos já cobre cerca de 85% da mensalidade.

    O sucesso chamou atenção dos clientes

    Com a divulgação da história, a procura pelos ovos aumentou significativamente.

    As dúzias são vendidas por R$ 15 e chegaram a formar fila de espera entre os compradores.

    O sucesso também rendeu um apelido ao garoto: “Zé dos Ovos”.

    Além de participar das decisões, ele ajuda diariamente na alimentação das aves e na coleta dos ovos.

    Família pretende manter a produção

    Apesar da boa repercussão, a família prefere manter o negócio no tamanho atual.

    Segundo Vamila, ampliar a produção exigiria novos investimentos e elevaria os custos da criação.

    Por enquanto, o objetivo permanece o mesmo: utilizar a renda obtida com a venda dos ovos para garantir que José Pedro continue estudando na escola que tanto gosta.

    A história do menino mostra como uma iniciativa simples, ligada à avicultura e à agricultura familiar, pode gerar renda, incentivar o empreendedorismo desde cedo e reforçar a importância do agronegócio na vida de milhares de famílias brasileiras.

  • IA pode evitar descarte de pintinhos machos na produção de ovos

    IA pode evitar descarte de pintinhos machos na produção de ovos

    Uma tecnologia desenvolvida por pesquisadores da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, pode transformar a avicultura ao analisar ovos sem romper a casca. O sistema combina imagens hiperespectrais e inteligência artificial (IA) para identificar, nos primeiros dias de incubação, se o embrião está vivo, qual é a probabilidade de sobrevivência e até mesmo o sexo do futuro pintinho.

    Além de ampliar a eficiência dos incubatórios, a inovação busca reduzir perdas produtivas e melhorar o manejo das aves. Dessa forma, a tecnologia também pode contribuir para tornar a cadeia avícola mais sustentável.

    Tecnologia enfrenta desafios dos incubatórios

    Os pesquisadores desenvolveram o sistema para solucionar problemas recorrentes da produção. Entre eles estão a mortalidade embrionária, que reduz a produtividade, e a necessidade de encontrar alternativas para o descarte de pintinhos machos das linhagens destinadas à produção de ovos.

    Segundo a equipe, a mortalidade embrionária pode ultrapassar 10% dos ovos incubados em algumas operações. Além do prejuízo econômico, ovos com embriões mortos favorecem a proliferação de microrganismos. Por isso, eles aumentam os riscos sanitários e exigem monitoramento constante dentro dos incubatórios.

    Atualmente, a indústria utiliza principalmente a ovoscopia para identificar esses ovos. A técnica emprega uma fonte de luz para observar o desenvolvimento embrionário. No entanto, o processo exige inspeções frequentes e depende de mão de obra especializada.

    Sistema alcança 97% de precisão

    Durante o estudo, a equipe analisou 300 ovos antes e nos primeiros dias de incubação. Em seguida, sensores captaram imagens além da faixa de luz visível. Com essas informações, modelos de inteligência artificial aprenderam a reconhecer padrões associados a embriões viáveis e inviáveis.

    Como resultado, o sistema atingiu 97% de precisão na identificação da mortalidade embrionária já no quarto dia de incubação. Assim, a tecnologia pode antecipar decisões importantes e reduzir desperdícios nos incubatórios.

    Leia mais: Carinho em pintinhos pode ser chave para bem-estar nas granjas

    IA também identifica o sexo dos embriões

    Os pesquisadores ampliaram o estudo para identificar o sexo dos embriões antes da incubação. Esse avanço atende a uma demanda importante da produção de ovos.

    Nas linhagens poedeiras, os pintinhos machos não possuem aproveitamento comercial. Eles não produzem ovos e também não apresentam desempenho adequado para a produção de carne. Estima-se que cerca de 6 bilhões sejam descartados todos os anos em todo o mundo.

    Para enfrentar esse desafio, a equipe utilizou a mesma combinação de imagens hiperespectrais e inteligência artificial. Em seguida, treinou algoritmos para diferenciar embriões machos e fêmeas com base nas características registradas nas imagens.

    Os testes alcançaram aproximadamente 75% de precisão na identificação do sexo antes mesmo do início da incubação.

    Sensores avaliam qualidade dos ovos

    Além das análises embrionárias, a pesquisa avaliou o uso de sensores ópticos para medir características físicas dos ovos sem quebrar a casca.

    Entre os parâmetros analisados estão a espessura da casca, a resistência e a proporção de gema. Essas informações podem fortalecer o controle de qualidade e aumentar a eficiência dos processos produtivos.

    Próximo passo é automatizar a classificação

    Os pesquisadores esperam integrar sensores, inteligência artificial e automação em um único sistema. Com isso, incubatórios poderão classificar ovos em larga escala com mais rapidez e precisão.

    Além disso, a equipe já desenvolve equipamentos equipados com braços robóticos. Esses dispositivos deverão separar automaticamente os ovos conforme os resultados obtidos durante as análises, tornando o processo ainda mais eficiente para a avicultura.

     

  • Frango tem alta de preços e produção recorde

    Frango tem alta de preços e produção recorde

    A carne de frango registra alta de preços desde o início de junho em todo o Brasil. O movimento ocorre mesmo na segunda quinzena do mês, período que costuma apresentar demanda mais fraca. Segundo o Cepea, a valorização reflete a retomada gradual do consumo e a oferta interna ajustada. O cenário foi observado em todas as regiões acompanhadas pela instituição.

    Ao mesmo tempo, a produção nacional de carne de frango alcançou recorde para um primeiro trimestre. Os dados são do IBGE e consideram a série histórica iniciada em 1997. Entre janeiro e março de 2026, a avicultura de corte produziu 3,734 milhões de toneladas. O volume superou em 2,2% o registrado no último trimestre de 2025.

    Além disso, a produção cresceu 6,9% em comparação com as 3,492 milhões de toneladas obtidas no primeiro trimestre de 2025.

    Produção de ovos inicia 2026 em ritmo moderado

    A produção brasileira de ovos para consumo começou 2026 com desempenho mais contido. Dados do IBGE, analisados pelo Cepea, mostram redução no volume produzido. De janeiro a março, o país produziu 995,5 milhões de dúzias de ovos para consumo. O resultado ficou 0,5% abaixo do registrado no mesmo período de 2025. Na comparação com o último trimestre do ano passado, a queda foi mais intensa, atingindo 3,8%.

    Menor oferta impulsiona preços dos ovos

    Com menor disponibilidade no mercado interno, os preços dos ovos avançaram no primeiro trimestre deste ano. A média do ovo branco tipo extra, posto em Bastos (SP), atingiu R$ 147,20 por caixa com 30 dúzias. O valor representa alta real de 8,7% frente ao trimestre anterior.

    Já os ovos vermelhos registraram valorização real de 11,5% no mesmo período. A média alcançou R$ 167,04 por caixa na praça paulista. O comportamento dos preços reforça o impacto da oferta mais restrita sobre o mercado brasileiro de ovos no início de 2026.

     

  • Exportação de ovos processados atinge recorde histórico

    Exportação de ovos processados atinge recorde histórico

    As exportações brasileiras de ovos processados registraram o melhor desempenho para o período desde 2006. O resultado ocorreu mesmo com a queda dos embarques totais de ovos em 2026.

    Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), compilados pelo Cepea, mostram que o Brasil exportou 12,39 mil toneladas de ovos in natura e processados entre janeiro e maio. O volume ficou 32,5% abaixo das 18,36 mil toneladas embarcadas no mesmo período de 2025.

    Em maio, o país exportou 2,18 mil toneladas. O resultado representou recuo de 5,7% em relação a abril. Na comparação com maio do ano passado, a queda chegou a 59%.

    Apesar da retração nos embarques totais, os ovos processados ganharam espaço nas vendas externas brasileiras. Entre janeiro e maio, o segmento respondeu por 3,99 mil toneladas exportadas. Esse volume representou 32% de todas as exportações nacionais de ovos no período. Segundo pesquisadores do Cepea, a participação da categoria atingiu o maior patamar para os cinco primeiros meses do ano desde 2006.

    Além disso, o resultado indica uma mudança gradual no perfil das exportações brasileiras do setor. Com isso, os ovos processados ampliam sua relevância na pauta exportadora da avicultura nacional.