Tag: onça-pintada

  • Onça-pintada arrasta bezerra de 150 kg e deixa rastros impressionantes

    Onça-pintada arrasta bezerra de 150 kg e deixa rastros impressionantes

    Um vídeo gravado por moradores da zona rural de Buriti Alegre, no interior de Goiás, registrou o rastro devastador de uma onça de grande porte que invadiu uma propriedade rural e arrastou uma bezerra de aproximadamente 150 kg para o interior da mata. As imagens circulam nas redes sociais e reacendem o debate sobre a convivência entre a pecuária e a fauna selvagem no Cerrado.

    https://www.instagram.com/p/DVPsWqxkqOj/

    As gravações mostram o caminho percorrido pelo felino pela vegetação. Galhos deslocados, marcas em troncos caídos e um rastro contínuo levam até a área de mata mais fechada onde o animal escondeu a presa. A cena mais impactante revela a bezerra já movida pelo predador, evidenciando a força extraordinária do animal.

    Um predador de elite

    A onça-pintada (Panthera onca) é o maior felino das Américas e o terceiro maior do mundo, podendo atingir mais de 100 kg. Diferente de outros grandes felinos, ela não sufoca a presa, mas mata com uma mordida direta no crânio ou na coluna cervical. Sua força muscular permite arrastar presas muito maiores do que seu próprio peso por centenas de metros, inclusive morro acima.

    Ataques atingem bovinos adultos e bezerros com frequência em regiões de fronteira entre áreas de Cerrado preservado e propriedades rurais. No Mato Grosso do Sul, Pará e Goiás, o conflito entre onças e pecuaristas representa um dos principais obstáculos à conservação da espécie. Segundo o Instituto Onça-Pintada, o Brasil abriga a maior população do felino no mundo, estimada entre 10 mil e 15 mil indivíduos. Mas a pressão sobre habitats fragmentados empurra os animais cada vez mais para áreas habitadas.

    Ataques semelhantes no Brasil

    Casos como o de Buriti Alegre não são isolados. Em 2023, fazendeiros do município de Cocalinho (MT) relataram ataques sucessivos a bezerros e novilhas em pastagens próximas ao Pantanal. Em 2024, produtores do sul do Pará registraram perdas de animais de até 200 kg atribuídas a onças que avançaram sobre áreas desmatadas em busca de território.

    Especialistas apontam que o avanço do desmatamento reduz a área de caça natural do felino, tornando o gado uma alternativa alimentar mais acessível. Quando a onça aprende que o gado é presa fácil, o conflito se torna crônico.

    O que fazer diante do risco

    Criadores que atuam em regiões de ocorrência do felino podem adotar medidas preventivas como recolher o gado jovem ao anoitecer, utilizar cães de guarda de raças específicas, como o Kangal e o Pastor de Anatólia. E instalar câmeras de monitoramento nos corredores de vegetação próximos às pastagens.

    O episódio em Buriti Alegre serve de alerta para produtores da região. Mais do que um registro curioso da fauna local, o vídeo documenta a presença ativa de um predador de topo de cadeia e a necessidade urgente de estratégias que protejam tanto o rebanho quanto o animal.

  • De vilã à atração: a mudança na relação com as onças

    De vilã à atração: a mudança na relação com as onças

    A expansão agropecuária está colocando em risco a sobrevivência dos grandes felinos selvagens do Brasil. Uma pesquisa pioneira da Unesp mapeou mais de 14 mil observações de nove espécies de felinos para entender como esses predadores estão se adaptando à perda de habitat em biomas como Cerrado, Amazônia e Pantanal.

    O estudo, publicado na revista científica Biological Conservation, revela que onças-pintadas, suçuaranas e jaguatiricas enfrentam paisagens cada vez mais fragmentadas, o que os força a circular próximo de fazendas, estradas e áreas urbanas – situações frequentemente perigosas tanto para os animais quanto para os humanos.

    Desmatamento ameaça habitat de grandes felinos

    Os números são alarmantes. Segundo a ONG Global Witness, apenas nos estados do Pará e Mato Grosso, foram desmatados 27 milhões de hectares do habitat original das onças-pintadas, uma área superior ao território do Reino Unido.

    Vanesa Bejarano Alegre, autora principal do trabalho e doutora pelo Instituto de Biociências da Unesp de Rio Claro, explica que grandes carnívoros dependem de extensas áreas preservadas para caçar suas presas naturais, como capivaras e jacarés. Quando esses animais escasseiam devido à destruição ambiental, os felinos invadem propriedades rurais em busca de bezerros e aves domésticas.

    “O resultado são confrontos violentos com cães de guarda e fazendeiros armados”, destaca a pesquisadora.

    Três perfis ecológicos de felinos brasileiros

    O estudo propôs uma classificação inédita para os felinos nacionais, dividindo-os em três categorias conforme sua tolerância a ambientes modificados pelo homem:

    • Generalistas – Adaptam-se bem a áreas antropizadas. Incluem a onça-parda, o jaguarundi e o gato-do-mato-grande (embora este último tenha surpreendido os cientistas ao evitar fazendas).
    • Especialistas flexíveis – Toleram proximidade humana, mas preferem habitats naturais. Neste grupo estão a onça-pintada (Panthera onca) e a jaguatirica (Leopardus pardalis), que evitam estradas mas utilizam paisagens heterogêneas.
    • Especialistas estritos – Altamente dependentes de cobertura florestal densa. Espécies como L. wiedii, L. guttulus e L. tigrinus raramente são vistas em áreas abertas.

    A análise utilizou dados de câmeras automáticas (camera traps) instaladas em diversos biomas brasileiros, cruzados com informações de uso do solo fornecidas pela rede MapBiomas.

    Convivência entre fazendeiros e onças mostra sinais de melhora

    Raíssa Sepulvida Alves, bióloga de campo da Panthera Brasil e coautora do estudo, observa avanços na relação entre produtores rurais e grandes felinos nos últimos 15 anos.

    Foto: Ailton Lara/Instagram

    “Antigamente, qualquer morte de gado era automaticamente atribuída às onças, resultando em retaliação. Hoje, com manuais de boas práticas e técnicas de manejo, a situação melhorou”, afirma.

    Entre as medidas eficazes estão cercas elétricas, recolhimento noturno do gado para currais distantes da mata e proteção reforçada para bezerros. Além disso, o turismo de observação de onças em regiões como Porto Jofre, às margens do Rio Cuiabá, tem transformado a percepção local.

    “As pessoas perceberam que as onças valem mais vivas do que mortas. Elas geraram uma nova fonte de renda e deixaram de ser vilãs”, conta Sepulvida.

    Desafios para conservação em um país continental

    Bejarano ressalta que não existe uma solução única para todos os contextos brasileiros. “O Brasil é um continente. Existem inúmeras comunidades com perspectivas diferentes sobre a natureza. Algumas matam por matar, outras não. Esse é o maior desafio na preservação de grandes carnívoros”, analisa.

    O estresse causado por ruídos humanos e a necessidade de forragear em áreas perigosas têm consequências graves. Pesquisas mostram que os felinos apresentam níveis elevados de cortisol e se alimentam de forma apressada nesses ambientes, reduzindo sua expectativa de vida.

    Menos de 5% do Pantanal está protegido

    Um dado preocupante é que menos de 5% do Pantanal está dentro de unidades de conservação formalmente protegidas. A maior parte do bioma consiste em propriedades privadas, o que torna essencial o trabalho de coexistência desenvolvido por organizações como a Panthera.

    O estudo também destaca a importância do compartilhamento de dados científicos. Muitas câmeras instaladas para monitorar outras espécies acabam registrando felinos, e essas informações podem ser reaproveitadas em novas pesquisas.

    Foto: Italo Garcia Alves/ Roceiro Viajante/Redes Sociais

    “Há biomas enormes, como a Amazônia, sofrendo com a falta de dados abertos”, alerta Bejarano, que atualmente trabalha como pós-doutoranda no Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá.

    A pesquisa revela lacunas críticas no conhecimento científico sobre felinos brasileiros e oferece subsídios para políticas públicas de conservação adaptadas às necessidades específicas de cada espécie.

  • Flagrante: onça ataca família de capivaras no Pantanal

    Flagrante: onça ataca família de capivaras no Pantanal

    A cena começa tranquila. Quatro capivaras, dois adultos e dois filhotes, se aproximam da margem de um rio no Pantanal pra matar a sede depois de um dia quente. A água reflete o céu azul, e por alguns segundos, tudo parece apenas mais um momento rotineiro na vida selvagem. Mas a natureza nunca tira folga.

    Do meio da vegetação densa, uma onça pintada surge sorrateira. Os músculos tensos, o olhar fixo, cada passo calculado. O felino se move como sombra, aproveitando cada arbusto, cada tronco caído. As capivaras continuam bebendo, alheias ao perigo que se aproxima metros atrás delas.

    De repente, um dos adultos levanta a cabeça. Algo no ar mudou, talvez um cheiro, um som quase imperceptível, ou simplesmente aquele sexto sentido que a seleção natural aperfeiçoou durante milhões de anos. O animal emite um som agudo e cortante, um grito de alerta que congela o tempo por uma fração de segundo.

    https://www.instagram.com/p/DRI38cNAQXK

    As outras capivaras reagem instantaneamente. Os filhotes disparam em direção à água, seguidos pelos adultos. A onça explode da vegetação num salto poderoso, as garras estendidas, a boca aberta. Mas já era tarde, ou melhor, era cedo demais pro felino inexperiente.

    As capivaras mergulham na água com segundos de vantagem. A onça freia na beira, observa a presa nadando em segurança, e então recua. Sem feridos, sem sangue, só o coração acelerado de todos os envolvidos.

    O vídeo foi gravado por Gabriel Felipe, fotógrafo conhecido por suas fotos e vídeos da vida selvagem.

    A juventude salvou as capivaras

    Especialistas que analisam esse tipo de cena acreditam que a onça provavelmente ainda é jovem, talvez com menos de dois anos. Onças adultas experientes planejam ataques com mais precisão, esperando o momento exato onde a distância até a água seja grande demais pra presa escapar.

    Essa onça se aproximou, mas hesitou por milésimos de segundo cruciais. Esse tipo de erro acontece quando o predador ainda tá aprendendo os truques da caçada, quando calcular distâncias, tempo de aceleração e ângulos de ataque ainda não viraram segunda natureza.

    No mundo selvagem, aprender a caçar é questão de sobrevivência. Filhotes de onça acompanham suas mães por até dois anos, observando técnicas, praticando emboscadas, errando muito antes de acertar. Cada falha ensina algo novo. Essa onça vai lembrar dessa experiência e, na próxima vez, talvez espere alguns metros a mais, ou escolha uma presa mais isolada.

    Capivaras: os gigantes pacíficos

    As capivaras são os maiores roedores do planeta, podendo chegar a 60 quilos de peso. Apesar do tamanho impressionante, elas são herbívoras pacíficas que passam os dias comendo capim, plantas aquáticas e descansando em grupos familiares.

    Esses animais desenvolveram uma estratégia de sobrevivência simples mas eficaz: viver sempre perto da água. Capivaras são excelentes nadadoras e mergulhadoras, conseguindo ficar submersas por até cinco minutos quando necessário. Essa habilidade transforma qualquer lagoa ou rio numa fortaleza instantânea contra predadores terrestres.

    A comunicação entre capivaras é sofisticada. Além dos gritos de alerta, elas usam assobios, latidos e até roncos pra coordenar o grupo. Quando um adulto detecta perigo, todos reagem como uma unidade. Os filhotes aprendem desde cedo que esse som específico significa uma coisa: corra pra água, pergunte depois.

    Grupos de capivaras podem ter de 10 até 40 indivíduos, com um macho dominante, várias fêmeas e seus filhotes. Essa estrutura social oferece proteção, mais olhos vigiando significa mais chance de detectar uma onça se aproximando.

    Onças pintadas: os reis do pantanal

    A onça pintada é o maior felino das Américas e um dos predadores mais poderosos do mundo. Com mandíbulas capazes de perfurar até cascos de tartaruga, esses animais caçam praticamente qualquer coisa que se mova, de capivaras e jacarés até veados e queixadas.

    No Pantanal, as onças encontram um verdadeiro paraíso. O bioma oferece abundância de água, presas diversas e território extenso pra estabelecer seus domínios de caça. Cada onça adulta controla uma área que pode variar de 25 até 150 quilômetros quadrados, dependendo da disponibilidade de comida.

    Diferente dos leões africanos, onças são caçadoras solitárias. Elas dependem exclusivamente de emboscadas e surpreenderem suas presas. Uma onça adulta consegue arrastar um jacaré de 80 quilos pra dentro da mata, subir em árvores com a presa na boca e nadar atravessando rios largos.

    Mas todo esse poder precisa ser aprendido. Filhotes de onça nascem cegos e dependentes, ficando com a mãe por quase dois anos. Durante esse período, eles observam cada movimento dela, tentam imitar técnicas e cometem erros, exatamente como a onça desse vídeo.

    O pantanal: palco de encontros épicos

    O Pantanal brasileiro é a maior planície alagável do planeta, com 150 mil quilômetros quadrados distribuidos entre Brasil, Bolívia e Paraguai. Durante a época das cheias, entre novembro e março, até 80% da região fica submersa, transformando a paisagem num mosaico de rios, lagoas e ilhas temporárias.

    Essa dinâmica entre seca e cheia cria um dos ecossistemas mais ricos em biodiversidade do mundo. O Pantanal abriga mais de 650 espécies de aves, 260 de peixes, 50 de répteis e 95 de mamíferos. Incluindo a maior concentração de onças pintadas do planeta.

    É aqui que acontecem esses encontros dramáticos entre predadores e presas. Capivaras, jacarés, ariranhas, cervos, antas. Todos dividem o mesmo território com onças, sucuris e outros predadores. A cada dia, milhares dessas interações acontecem, algumas terminam em tragédia, outras em fuga bem-sucedida.

    Cenas como a do vídeo mostram porque o Pantanal atrai fotógrafos e documentaristas do mundo inteiro. Aqui, a vida selvagem acontece abertamente, sem a densa floresta amazônica pra esconder os dramas. É possível ver uma onça caçando em plena luz do dia, jacarés tomando sol nas margens e capivaras pastando tranquilamente, até o momento em que não estão mais tranquilas.

    O que podemos aprender

    Essa cena de poucos segundos resume perfeitamente o equilíbrio delicado da natureza. A onça precisa caçar pra sobreviver. As capivaras precisam beber água mas também precisam evitar virar comida. Nenhum dos lados é vilão ou herói, ambos só tentam continuar vivos em um mundo que não dá segundas chances.

    O fato das capivaras terem escapado não é vitória permanente. Amanhã elas voltarão pra beber água. E a onça voltará pra caçar, um pouco mais experiente, um pouco mais rápida. Esse ciclo continua desde que esses animais existem, moldando comportamentos, afiando instintos, selecionando os mais atentos e os mais habilidosos.

    Pra quem assiste de fora, é fácil torcer pras capivaras. Elas parecem inofensivas, os filhotes são adoráveis. Mas a onça jovem também é admirável — uma aprendiz solitária tentando dominar habilidades que vão determinar se ela sobrevive ou não. Ambas merecem nosso respeito.

    No final, todos saíram ilesos dessa vez. As capivaras nadaram tranquilamente pra longe do perigo. A onça voltou pra mata, carregando uma lição valiosa. E o Pantanal continua sendo o que sempre foi: um palco imenso onde a natureza escreve suas histórias mais impressionantes, uma caçada de cada vez.

  • Onça pintada atravessa rio com jacaré na boca após falhar em subir barranco

    Onça pintada atravessa rio com jacaré na boca após falhar em subir barranco

    A onça pintada Ousado voltou a impressionar nas redes sociais. O fotógrafo Arruda Branco publicou um vídeo que mostra o felino celebridade em mais uma demonstração de força e habilidade na vida selvagem.

    https://www.instagram.com/reel/DRKxTxFEWLQ/?igsh=a2pxY2xwcDVtZDV2

    No registro, Ousado tenta subir um barranco com um jacaré nas mandíbulas, mas não consegue completar a escalada. O predador então muda de estratégia: atravessa o rio nadando com a presa na boca até alcançar a outra margem.

    O momento captura a determinação do animal. Ousado mantém o jacaré firme entre os dentes enquanto cruza a água, exibindo a força característica da espécie. A cena reforça por que a onça pintada conquistou o título de maior predador das Américas.

    Arruda Branco, conhecido por seus registros da fauna brasileira, acompanha Ousado há tempos. O fotógrafo documenta o comportamento do felino e compartilha imagens que revelam o dia a dia desses animais no habitat natural.

    A onça pintada enfrenta ameaças na natureza, principalmente pela perda de território. Registros como esse ajudam a conscientizar o público sobre a importância da preservação ambiental e da proteção das espécies nativas.

    O vídeo rapidamente viralizou nas redes sociais. Usuários celebram a oportunidade de testemunhar um comportamento tão raro e poderoso do predador brasileiro.

  • Francês registra duelo na lama entre onça e jacaré de três metros no Pantanal

    Francês registra duelo na lama entre onça e jacaré de três metros no Pantanal

    A lama do Pantanal não escolhe lado. Nem perdoa. Ela suga tudo, faz barulho, pesa no corpo. E foi ali, no meio desse chão vivo, que o fotógrafo francês François Deymier topou com uma cena que parece exagero. Mas não é. Uma onça-pintada e um jacaré enorme brigando como dois mundos antigos que se encontram sem aviso.

    https://www.instagram.com/reel/DPrMV-Jjr5a/?igsh=MW1vM2FlcmlhdW1qZg%3D%3D

    Deymier já estava há três dias navegando. Três. Rios quietos, sol firme, barcos passando devagar. Nada acontecia. Até que aconteceu. A luta já rolava quando ele chegou. A onça, toda manchada de lama, parecia parte do território. O jacaré, pesado como um tronco molhado, tentava resistir às dentadas rápidas da felina.

    Silêncio. Depois um chup seco da lama. Os dois cansados. Quase parando.

    Cada movimento parecia custar mais do que podiam pagar. A onça buscava brechas, mordia onde dava. O jacaré revidava com a força velha da espécie, usando o corpo como muralha. Era uma cena crua, daquelas que o Pantanal entrega sem pedir licença.

    A paciência do Francês

    Fotografar um momento assim não é questão só de sorte. É teimosia. Deymier conhece o ritmo da região. Sabe ouvir. Sabe esperar. Ele já exibiu parte desse olhar no Museu de Arte do Rio, anos atrás. Mas aquela luta tinha outra energia. Tinha cheiro de coisa que não se repete.

    E então tudo virou. De repente. O jacaré escapou. Simples. Imperfeito. Real.

    Arrastou-se para longe. A onça, ofegante, deixou ir. Não valia brigar mais. Não houve vencedor. Só sobreviventes cansados, cobertos de barro.

    O Pantanal vive um tempo difícil. Seca, queimadas, pressões por toda parte. Registrar uma cena dessas significa lembrar que o ecossistema ainda respira — mesmo ofegante.

    As fotos rodaram o mundo. A lama virou narrativa. Virou memória. E, enquanto houver alguém disposto a remar dias por um instante raro, histórias assim ainda encontram caminho pra aparecer. Sem roteiro. Sem glamour. Só natureza pura.

  • Dois por um: onça-pintada caça jacaré e pesca piranhas no Pantanal

    Dois por um: onça-pintada caça jacaré e pesca piranhas no Pantanal

    Uma onça-pintada estava predando um jacaré quando de repente algumas piranhas começam a “atacar” a presa. E como a onça é o predador principal dessa cadeia, ela aproveitou pra incrementar a refeição. E “pescar” uma piranha.

    https://www.instagram.com/reel/DQ4V4qVEcFb/?igsh=amk0OWs0NjJyZjV2

    No vídeo, o jacaré foi atacado por uma onça-pintada. Enquanto ela se alimentava, algumas piranhas começam a disputar a presa, e uma delas vira presa do felino. O registro impressionante mostra um comportamento oportunista característico da espécie: quando piranhas começaram a se aproximar do jacaré, a onça aproveitou a movimentação dos peixes e capturou uma piranha durante a cena.

    Comportamento das onças

    Onças-pintadas no Pantanal são conhecidas por sua capacidade de caçar jacarés, uma de suas principais presas na região. O comportamento demonstrado neste registro exemplifica o que especialistas chamam de estratégia oportunista.

    Piranhas geralmente atacam animais feridos ou em situações de estresse, especialmente durante períodos de seca quando os recursos alimentares são escassos. A presença de sangue ou agitação na água pode desencadear um comportamento de ataque coletivo desses peixes.

    Técnicas de caça no Pantanal

    Algumas onças do Pantanal desenvolveram técnicas únicas de caça, como o ataque submarino utilizado pelo famoso macho Ousado, que submerge e ataca presas de surpresa. A força de mordida da onça-pintada está entre as mais fortes de todos os mamíferos, permitindo-lhes esmagar ossos e perfurar o couro blindado de jacarés.

    A estratégia da onça envolve abocanhar o pescoço ou a parte de trás da cabeça do jacaré, onde as escamas são menos protetoras, garantindo um ataque eficaz mesmo contra a “armadura” natural do réptil.

    Importância da conservação

    O Parque Estadual Encontro das Águas é reconhecido como um dos maiores santuários de onças-pintadas no mundo, com 108 mil hectares de extensão. Durante o período de seca, entre julho e setembro, as onças ficam mais próximas dos rios em busca de água e alimento, facilitando a observação desses comportamentos naturais.

    Cenas de embates entre onças e jacarés são comuns na região do parque, porém fazer bons registros desses momentos não é fácil e exige estar no lugar certo na hora certa. E o perfil que divulgou esse vídeo, o Pantanal Oficial tem um histórico de ótimas capturas.

    Registros como este reforçam a importância do ecoturismo responsável e da preservação do Pantanal, permitindo que pesquisadores e visitantes observem esses comportamentos únicos sem interferir no habitat natural dessas espécies.

  • Onça-pintada é gravada deitada em árvore no Pantanal e vídeo encanta

    Onça-pintada é gravada deitada em árvore no Pantanal e vídeo encanta

    A turista Eunyce Ribeiro compartilhou um registro raro de duas onças-pintadas descansando em uma árvore às margens de um rio no Pantanal mato-grossense. A criadora de conteúdo, que acumula mais de 100 mil seguidores no Instagram, publicou o vídeo essa semana em seus stories e reels.

    As imagens mostram a onça deitada sobre um galho, observando o movimento ao redor. Eunyce narra a cena com entusiasmo e afirma que chegou “na hora certa” para registrar o felino. O animal aparece tranquilo e atento à margem do rio durante o passeio de barco.

    “A onça no Pantanal! É lógico que a blogger aqui não poderia deixar de fazer esse registro lindo, né?”, escreveu a influenciadora na legenda. O vídeo recebeu centenas de comentários em poucas horas.

    Fêmea famosa e filhote conhecidos na região

    Pesquisadores e fotógrafos que atuam no Pantanal identificaram as duas onças como Patrícia e seu filhote Makala. A fêmea se destaca como uma das mais famosas da região e serve como referência de maternidade entre os felinos. Makala, por sua vez, herdou o território da mãe e aparece com frequência em avistamentos feitos por guias e biólogos.

    O Parque Estadual Encontro das Águas, onde Eunyce fez o registro, concentra a maior população de onças-pintadas do planeta. Especialistas consideram a presença de fêmeas com filhotes, como Patrícia, um indicador positivo para a conservação da espécie. O cenário demonstra estabilidade populacional e abundância de alimento no bioma pantaneiro.

    Internautas encheram a publicação de elogios. “Que linda, nossa blog arrasa”, comentou uma seguidora. Outra brincou com a situação: “Nyce, minha filha, cuidado com essas onças, são lindas demais, mas vem embora menina”.

  • Onça-pintada ataca anta e filhote em mina de ferro na Amazônia

    Onça-pintada ataca anta e filhote em mina de ferro na Amazônia

    Uma equipe rodando no complexo minerário S11D, em Canaã dos Carajás (PA), capturou um momento impressionante da vida selvagem amazônica. As imagens mostram uma onça-pintada perseguindo uma anta e seu filhote dentro de uma das maiores minas de ferro do mundo. As imagens foram feitas por Wânderson Lima.

    O vídeo registra a anta-mãe e seu filhote caminhando pela área quando o felino aparece subitamente. O predador investe contra os animais em uma tentativa de caça típica do comportamento da espécie. A fêmea imediatamente muda de direção e corre com o filhote em meio à vegetação, enquanto a onça mantém a perseguição.

    A cena expõe o poderoso instinto de proteção materno da anta e revela a dura realidade da cadeia alimentar na floresta amazônica.

    Onça-pintada: o maior felino das américas

    A onça-pintada (Panthera onca) domina o topo da cadeia alimentar amazônica como o maior felino do continente americano. O animal pode pesar entre 56 e 96 quilos, chegando a 158 quilos em casos excepcionais. Sua mandíbula possui a mordida mais forte entre todos os felinos do planeta, capaz de perfurar até casco de tartaruga.

    O felino caça principalmente mamíferos de médio e grande porte, incluindo antas, capivaras, veados e queixadas. A espécie enfrenta ameaça de extinção devido à perda de habitat e à caça ilegal. O Brasil concentra aproximadamente 50% da população mundial de onças-pintadas, com a Amazônia abrigando a maior parte desses indivíduos.

    Anta: gigante herbívoro da floresta tropical

    A anta (Tapirus terrestris) figura como o maior mamífero terrestre do Brasil, pesando entre 150 e 300 quilos e medindo até 2 metros de comprimento. O animal herbívoro desempenha papel fundamental na dispersão de sementes pela floresta, contribuindo para a regeneração da vegetação amazônica.

    As antas vivem principalmente próximas a cursos d’água e demonstram excelente habilidade de natação. Animais solitários por natureza, as fêmeas desenvolvem forte vínculo com seus filhotes durante os primeiros meses de vida. A espécie também enfrenta pressão por perda de habitat e caça predatória.

    Vida selvagem persiste em área de mineração

    O flagrante aconteceu na região de Carajás, município localizado na Amazônia paraense. O complexo S11D opera como uma das maiores minas de ferro do planeta, mas as imagens comprovam que a fauna silvestre continua presente na área.

    O registro raro documenta comportamentos naturais de predador e presa, mostrando como os animais mantêm suas rotinas mesmo em regiões impactadas pela atividade humana. Além disso, a cena reforça a importância da preservação dos habitats naturais para garantir a sobrevivência dessas espécies emblemáticas da Amazônia brasileira.

  • Onça-pintada arrasta jacaré para o topo de árvore no Pantanal

    Onça-pintada arrasta jacaré para o topo de árvore no Pantanal

    Na manhã da última quarta-feira (23/10/25), o guia e fotógrafo Bruno Jacob documentou um comportamento extraordinário no Parque Estadual Encontro das Águas (MT): a onça-pintada Jaju, uma fêmea conhecida na região, escalou uma árvore carregando a carcaça de um jacaré. Especialistas consideram o registro possivelmente inédito para a espécie.

    Jaju havia capturado o jacaré no dia anterior (22/10/25). O momento em que ela arrasta a presa para o alto da árvore representa um comportamento atípico para onças-pintadas, que normalmente arrastam suas presas aquáticas para a vegetação densa nas margens dos rios.

    Enquanto leopardos africanos frequentemente armazenam suas presas em árvores para protegê-las de competidores como leões e hienas, as onças-pintadas do Pantanal raramente adotam essa estratégia. O registro oferece aos pesquisadores uma valiosa oportunidade para estudar a flexibilidade comportamental desses predadores de topo da cadeia alimentar.

    Turismo fotográfico impulsiona conservação no Pantanal

    O Parque Estadual Encontro das Águas se consolidou como um dos principais destinos mundiais para turismo fotográfico de vida selvagem. A região abriga a maior concentração de onças-pintadas do planeta, atraindo fotógrafos profissionais e entusiastas da natureza de diversos países.

    O turismo de observação de fauna movimenta a economia local e fortalece iniciativas de conservação. Guias especializados como Bruno Jacob acompanham visitantes em embarcações pelos rios do Pantanal, proporcionando encontros seguros com a vida selvagem e documentando comportamentos raros.

    Onças-pintadas: predadores de topo do Pantanal

    As onças-pintadas (Panthera onca) dominam o topo da cadeia alimentar pantaneira. Esses felinos poderosos desenvolveram habilidades únicas de caça aquática, destacando-se como excelentes nadadoras. O Pantanal oferece condições ideais para a espécie, com abundância de presas como jacarés, capivaras e peixes.

    A mordida da onça-pintada figura entre as mais potentes do reino animal. O felino perfura diretamente o crânio de suas presas, uma técnica diferente da maioria dos grandes felinos que sufocam suas vítimas pela garganta.

    Jacarés: presas abundantes nos rios pantaneiros

    O Pantanal abriga duas espécies de jacarés: o jacaré-do-pantanal (Caiman yacare) e o jacaré-açu (Melanosuchus niger). O jacaré-do-pantanal, mais comum na região, representa uma fonte importante de alimento para as onças.

    Estimativas indicam que milhões de jacarés habitam os rios e lagoas do bioma. Durante a seca, quando os corpos d’água diminuem, as onças encontram condições ideais para caçar esses répteis, que ficam concentrados em espaços menores.

    Importância científica do registro

    Pesquisadores da vida selvagem celebram registros como o de Bruno Jacob. Cada documentação de comportamentos incomuns amplia o conhecimento científico sobre a espécie e pode revelar adaptações comportamentais ainda não descritas pela literatura especializada.

    O Parque Estadual Encontro das Águas, criado em 2004, protege mais de 108 mil hectares de áreas úmidas. A unidade de conservação permite estudos de longo prazo sobre onças-pintadas e outras espécies pantaneiras, contribuindo para estratégias efetivas de preservação do bioma.

  • Litoral do Paraná luta para salvar espécies ameaçadas

    Litoral do Paraná luta para salvar espécies ameaçadas

    O programa Biodiversidade Litoral do Paraná (BLP) financia projetos estratégicos que monitoram espécies terrestres e marinhas ameaçadas na região. As iniciativas fortalecem Unidades de Conservação e ampliam o conhecimento científico sobre a biodiversidade local.

    O MegaCoast-PR, que a Associação MarBrasil coordena, acompanha a megafauna marinha, incluindo golfinhos, baleias, tartarugas, aves e tubarões. O projeto One Blue Health avalia a saúde dos ecossistemas através de análises integradas de fauna, ambiente e seres humanos. Em terra, o Monitora Serra do Mar observa grandes mamíferos e aves ameaçadas, como onça-pintada, anta, queixada, puma, veado, cateto, macuco, inhambus, urus e jacutinga, além de monitorar o ecossistema de Floresta Atlântica.

    Região abriga patrimônio natural da humanidade

    O litoral paranaense representa uma das regiões mais singulares do Brasil. A Unesco reconhece a área como Patrimônio Natural da Humanidade. O território abriga áreas Ramsar, sítios de relevância internacional para conservação de áreas úmidas, e integra a Grande Reserva Mata Atlântica — maior remanescente protegido do bioma no mundo, com quase 3 milhões de hectares de áreas naturais, florestas, manguezais e águas costeiras preservadas no Paraná, Santa Catarina e São Paulo.

    A região funciona como berçário, área de alimentação e rota migratória para espécies raras, endêmicas e ameaçadas.

    “A região abriga espécies que só ocorrem aqui, como o papagaio-de-cara-roxa, uma ave endêmica do litoral norte do Paraná e sul de São Paulo. Também serve de rota para baleias-francas, golfinhos, tubarões-martelo, raias-manta e aves migratórias que vêm da Antártica e da Europa”, explica Camila Domit, pesquisadora do Laboratório de Ecologia e Conservação (LEC) da UFPR e da Associação MarBrasil, coordenadora do projeto MegaCoast-PR.

    A Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) protege o papagaio-de-cara-roxa há mais de 20 anos e conseguiu reverter a tendência de desaparecimento da espécie.

    DNA ambiental revoluciona monitoramento marinho

    O projeto MegaCoast emprega DNA ambiental, metodologia inovadora que revoluciona o monitoramento de espécies marinhas. Os pesquisadores coletam amostras de água e identificam, por meio de fragmentos genéticos presentes no líquido, quais espécies de animais ou microrganismos circulam naquele ecossistema.

    O método já detectou bactérias que sinalizam riscos não apenas para a fauna, mas também para a saúde humana.

    “Detectamos bactérias com alta resistência a antibióticos, o que levanta questões sobre a relação entre saúde do ecossistema, da fauna e dos humanos. Golfinhos compartilham conosco a cadeia alimentar e funcionam como sentinelas da saúde ambiental. Quando eles adoecem, nós também ficamos vulneráveis”, afirma Camila Domit.

    Rastreamento acústico conecta Paraná a rede nacional

    O MegaCost-PR inova também com rastreamento acústico de animais marinhos, em parceria com o LEC/UFPR e o Projeto Meros do Brasil. A iniciativa conecta o Paraná a uma rede de telemetria que se estende do Norte ao Sul do país.

    Foto: Divulgação

    O sistema permite identificar áreas prioritárias para conservação e acompanhar trajetos de espécies migratórias ameaçadas, como peixes ósseos, tubarões, raias e tartarugas marinhas. Essas informações subsidiam políticas públicas brasileiras e convenções internacionais das quais o Brasil participa, como a Comissão de Espécies Migratórias (CMS).

    Ciência cidadã aproxima comunidade da conservação

    O projeto incentiva a participação popular no monitoramento. “Qualquer pessoa pode contribuir registrando avistagens de golfinhos, baleias e tartarugas em nosso site ou comunicando via perfil de mídia social @lecufpr. A ciência cidadã colabora com o monitoramento e aproxima comunidades pesqueiras e litorâneas do processo de construção do conhecimento regional da biodiversidade”, completa a pesquisadora.

    O diálogo com comunidades tradicionais e pescadores artesanais locais também ajuda a mitigar conflitos pelo uso de áreas comuns entre espécies ameaçadas e atividades econômicas. “As mesmas áreas de alta produtividade pesqueira servem de alimentação para fauna marinha. Mapeamos essas sobreposições e construímos, junto com as comunidades, soluções que conciliem direitos e usos, integrando conservação, aspectos culturais e segurança alimentar”, explica Camila.

    Grandes mamíferos desaparecem da Mata Atlântica

    A floresta litorânea também emite sinais de alerta. O Programa Grandes Mamíferos da Serra do Mar, que reúne diferentes iniciativas voltadas à conservação de espécies-chave da Mata Atlântica, inclui o projeto Monitora Serra do Mar. O BLP apoia a iniciativa, que o IPeC – Instituto de Pesquisas Cananeia executa com o Instituto Manacá.

    O projeto acompanha quatro espécies emblemáticas: onça-pintada, onça-parda, anta e queixada. Todas enfrentam ameaças na Mata Atlântica, sendo que três delas já aparecem classificadas como “criticamente ameaçadas” no Paraná.

    “A anta praticamente desapareceu das florestas de terras baixas do litoral, e a onça-pintada mantém hoje uma população muito baixa, restrita a áreas remotas da Serra do Mar”, alerta Roberto Fusco, coordenador do projeto Monitora Serra do Mar.

    Espécies funcionam como sentinelas ambientais

    Especialistas consideram essas espécies como sentinelas ambientais. Por serem mais vulneráveis à caça e à perda de habitat, esses animais desaparecem primeiro, indicando assim a qualidade de conservação de uma floresta. Além disso, são espécies-guarda-chuva: sua proteção garante a conservação de diversos outros organismos e do próprio habitat.

    Apesar do cenário crítico, Fusco vê sinais de esperança. “Em áreas com fiscalização intensiva, identificamos indícios de recuperação. Esses dados nos permitem recomendar regiões estratégicas para reforço populacional, com solturas de antas e queixadas. No caso da onça-pintada, os desafios logísticos e genéticos são maiores, mas não descartamos essa possibilidade”.

    Plataforma SMART digitaliza monitoramento

    As novas ferramentas de monitoramento formam parte central da estratégia de conservação que o BLP apoia. Uma delas é o SMART (Spatial Monitoring and Reporting Tools), plataforma que dezenas de países usam e que digitaliza e padroniza dados de campo. O sistema permite que patrulhas registrem em tempo real desde avistamentos de fauna até atividades ilícitas como caça e extração de palmito.

    Foto: Divulgação

    No Paraná, essa tecnologia se integrou ao Programa Monitora, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), iniciativa nacional que coleta e analisa informações sobre biodiversidade em UCs de todo o país. Em parceria com o Programa Grandes Mamíferos da Serra do Mar, gestores de UCs da região receberam treinamento para aplicar o SMART, utilizar armadilhas fotográficas e sistematizar dados na produção de indicadores sobre médios e grandes mamíferos ameaçados de extinção e alvos de caça ilegal.

    Comunidades locais reforçam fiscalização

    Essa integração fortaleceu a fiscalização e o manejo da biodiversidade e abriu espaço para o engajamento da sociedade. “Ao capacitar comunidades locais para usar essas ferramentas, consolidamos Agentes de Monitoramento que reforçam a fiscalização, ampliam a intolerância à caça ilegal e ainda geram renda”, explica Roberto Fusco.

    Para Camila Domit, o diálogo que nasce a partir desses resultados também é político. “Os dados do projeto devem orientar gestores públicos, empreendedores e órgãos licenciadores. Trata-se de qualificar as metodologias de monitoramento, reduzir custos e, sobretudo, harmonizar os diferentes usos do território sem perder de vista a vida que depende dele”.

    Programa transforma passivo ambiental em investimento

    O Programa Biodiversidade Litoral do Paraná surgiu em 2021 e promove conservação, pesquisa e uso responsável dos recursos naturais, fortalecendo Unidades de Conservação e impulsionando o desenvolvimento sustentável do litoral paranaense.

    O Termo de Acordo Judicial (TAJ), firmado após o vazamento de óleo ocorrido em 2001, financia o Programa. A iniciativa transformou um passivo ambiental em investimento histórico em conservação: mais de R$ 110 milhões destinados a iniciativas estratégicas ao longo de dez anos.