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  • Caminho Verde Brasil destina R$ 3 bi à Caatinga para integrar pequenos produtores ao milho e fortalecer avicultura

    Caminho Verde Brasil destina R$ 3 bi à Caatinga para integrar pequenos produtores ao milho e fortalecer avicultura

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) destinou R$ 3 bilhões do Programa Caminho Verde Brasil para impulsionar o desenvolvimento sustentável na Caatinga, com foco na integração de pequenos produtores rurais à cadeia produtiva do milho e no fortalecimento da avicultura nordestina. A medida foi anunciada durante reunião estratégica realizada na quinta-feira (26), no Recife (PE).

    Do total de R$ 30 bilhões previstos no programa nacional, 10% serão aplicados exclusivamente no bioma, que abrange estados como Pernambuco, Bahia, Ceará e Piauí. A iniciativa reuniu representantes da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), produtores rurais, avicultores, Banco do Brasil, Embrapa, Corteva e assessores do gabinete ministerial.

    (Imagem/Reprodução: Guilherme Martimon/MAPA)

    Milho local para reduzir custos da avicultura

    O abastecimento de milho representa um dos principais gargalos da avicultura nordestina. Por isso, a indústria busca o insumo a mais de 1.000 quilômetros de distância, o que eleva significativamente os custos de produção das aves. Diante desse cenário, o Caminho Verde Brasil propõe estruturar a produção do grão no entorno direto dos polos avícolas da região, aproximando a oferta da demanda e reduzindo a dependência logística.

    “Estamos buscando uma solução para a produção de milho nos arredores das avícolas, utilizando recursos do programa”, afirmou Carlos Augustin, coordenador do Caminho Verde Brasil e assessor especial do gabinete do ministro da Agricultura.

    A estratégia prevê a transição de pequenos agricultores, hoje voltados majoritariamente para a subsistência, para uma agricultura comercial integrada à indústria. Segundo Edival Veras, representante da Associação Avícola de Pernambuco (Avipe), os recursos poderão viabilizar o preparo de até 400 mil hectares para a produção sustentável de milho, dentro dos critérios ambientais do programa.

    Impacto social e econômico avaliado positivamente pelo setor

    Para o diretor de Relações Institucionais da ABPA, Marcelo Osório, o programa combina desenvolvimento regional com responsabilidade ambiental. “O programa tem um importante caráter social e de desenvolvimento regional, e houve consenso entre os participantes. Agora, avançamos para os detalhes de implementação”, destacou.

    Próximos passos: reunião em abril definirá cronograma

    Os participantes estabeleceram uma agenda de trabalho para estruturar as parcerias entre produtores rurais e indústria. Um novo encontro está previsto para abril, quando serão apresentados os avanços das ações e definido o cronograma de execução.

    Sobre o Caminho Verde Brasil

    Coordenado pelo Mapa, o programa tem como meta restaurar até 40 milhões de hectares de áreas degradadas em todo o território nacional, integrando-as a sistemas produtivos sustentáveis. O projeto busca equilibrar segurança alimentar, transição energética e proteção ambiental, posicionando o Brasil como referência global em agropecuária sustentável.

  • Cultivo de palma forrageira avança no Nordeste

    Cultivo de palma forrageira avança no Nordeste

    A expansão do cultivo de palma forrageira ganha força no Semiárido nordestino com o apoio da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e do Instituto Nacional do Semiárido (Insa). A iniciativa integra as ações da Rede Palma e do Programa Inova Palma. E pretende implantar 18 unidades de multiplicação da cultura e distribuir até 18 milhões de raquetes-semente para pequenos e médios produtores rurais.

    Os primeiros plantios começaram em fevereiro nos municípios de São José do Seridó, Apodi e Equador, no Rio Grande do Norte, e em Quixeramobim, no Ceará. Novas áreas estão sendo implantadas em Iguatu (CE). Cada unidade terá 0,75 hectare, com distribuição prevista em diferentes regiões do Nordeste e norte de Minas Gerais.

    A palma forrageira desempenha papel essencial na alimentação animal no Semiárido, especialmente em períodos de estiagem, devido à sua alta resistência e capacidade de armazenar água. Segundo a pesquisadora do Instituto Nacional do Semiárido e coordenadora do projeto, Jucilene Araújo, a equipe escolheu a variedade Orelha de Elefante Mexicana (Opuntia stricta) por sua resistência à cochonilha-do-carmim, praga que historicamente prejudica o cultivo.

    “Duas unidades já foram concluídas, com o plantio de 165 mil raquetes-semente. Após o desenvolvimento das áreas, a produção será distribuída entre agricultores locais, ampliando gradualmente o cultivo. A meta é distribuir até 18 milhões de raquetes ao longo do projeto”, afirma Jucilene.

    Demanda por sementes

    O engenheiro agrônomo José Aíldo, coordenador do Inova Palma, explica que a Sudene já havia identificado a demanda por sementes de palma. “Selecionamos áreas com condições ideais para garantir a produção contínua e sustentável da cultura”, ressalta.

    Além da multiplicação das áreas plantadas, o projeto prevê capacitação técnica e ações de difusão tecnológica, como dias de campo, cursos e visitas orientadas. Os agricultores beneficiados deverão devolver parte das raquetes recebidas, assegurando a autossuficiência e continuidade da ação.

    Com investimento de R$ 2,6 milhões, a iniciativa reforça o compromisso da Sudene com o desenvolvimento sustentável do Semiárido. Fortalecendo a agropecuária regional, garantindo a segurança alimentar animal e contribuindo para a convivência produtiva com o clima seco.

  • Mudanças climáticas ameaçam futuro do caju no Nordeste brasileiro

    Mudanças climáticas ameaçam futuro do caju no Nordeste brasileiro

    O avanço do aquecimento global representa uma ameaça crescente para a agricultura do Nordeste brasileiro, região que pode enfrentar transformações drásticas em suas principais culturas até 2070. Pesquisas desenvolvidas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em parceria com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) indicam que culturas tradicionais da região, incluindo o caju, enfrentarão cenários climáticos cada vez mais desafiadores nas próximas décadas.

    Caju no pé

    Segundo estudos do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), ligado ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Nordeste sofrerá impactos significativos com o aumento das temperaturas. As projeções climáticas simularam cenários futuros para 2020, 2050 e 2070, revelando um quadro preocupante para a agricultura regional.

    Agricultura nordestina sob pressão climática

    A região do agreste nordestino, responsável pela maior parte da produção regional de milho, e a área dos cerrados nordestinos — sul do Maranhão, sul do Piauí e oeste da Bahia — poderão estar entre as mais atingidas, conforme apontam os dados da Embrapa.

    O Nordeste sofrerá perda significativa na produção de milho, arroz, feijão e algodão, alterando profundamente a geografia agrícola da região. A mandioca, cultura essencial para a alimentação local, corre o risco de desaparecer do Semiárido nordestino devido ao aumento das temperaturas.

    Resiliência do cajueiro em questão

    Paradoxalmente, o cajueiro tem demonstrado características de resiliência que podem ajudá-lo a enfrentar parte desses desafios. Durante a seca severa que afetou o Nordeste entre 2012 e 2017, o cajueiro-anão desenvolvido pela Embrapa mostrou resistência à escassez hídrica e ao ataque de pragas como a mosca-branca.

    Gustavo Saavedra, chefe-geral da Embrapa Agroindústria Tropical, explica que enquanto outras frutíferas necessitam de altas quantidades de água, o cajueiro consegue produzir bem com uma precipitação anual entre 600 e 800 milímetros.

    A planta possui mecanismos fisiológicos únicos. Diferente de muitas espécies cujas folhas caem para evitar perda de água, o cajueiro mantém a folhagem verde, reduzindo a transpiração sem interromper a fotossíntese.

    Desafios recentes já impactaram produção

    Os últimos anos já demonstraram a vulnerabilidade do setor. Nos últimos dez anos, a produção brasileira anual de caju declinou a uma taxa de 4,96%. Entre 2012 e 2018, houve uma redução da área colhida de cerca de 20%, em função da deficiência hídrica causada por uma estiagem histórica no Nordeste.

    A cultura do cajueiro é explorada por aproximadamente 170 mil produtores, em mais de 53 mil propriedades, dos quais 70% são pequenos agricultores com áreas inferiores a 20 hectares. A atividade gera em torno de 250 mil empregos diretos e indiretos na região.

    Tecnologia como solução

    Para enfrentar os desafios climáticos, a Embrapa desenvolveu 13 clones de cajueiro, sendo 11 voltados especificamente para sistemas de cultivo sem irrigação. O clone CCP 76, mais utilizado no Nordeste, produz até 1.200 kg de castanha e 9.600 kg de pedúnculo por hectare. Enquanto o BRS 226 e o Embrapa 51 podem ultrapassar 1.600 kg/ha em condições ideais de manejo.

    O pesquisador Saavedra destaca que no contexto das mudanças climáticas, onde a tendência é que algumas regiões tenham maior redução de chuvas, o cajueiro se sobressai como uma planta resiliente e bem adaptada.

    Zoneamento como ferramenta de planejamento

    Reconhecendo os riscos climáticos, o cultivo do caju passou a contar com o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), publicado no Diário Oficial da União. A ferramenta indica, por município, os períodos mais adequados para o plantio, considerando características do clima, tipo de solo e ciclo de desenvolvimento da planta.

    Marlos Bezerra, coordenador do Zarc Caju, explica que pela primeira vez foi utilizada uma metodologia padrão para identificar as regiões aptas para o cultivo do caju, demonstrando inclusive a possibilidade de cultivo em novas áreas, como nos estados de Mato Grosso e Tocantins.

    Banco genético como seguro para o futuro

    Em Pacajus, no Ceará, o Banco Ativo de Germoplasma de Cajueiro (BAG Caju) é mantido há mais de 50 anos. E concentra a maior coleção de variabilidade genética da espécie no mundo, com mais de 700 acessos. Esse acervo funciona como um seguro para o futuro. Conservando material genético que permite ao Brasil desenvolver variedades mais resistentes a pragas, doenças e mudanças ambientais.

    Um estudo publicado na revista PLOS One analisou como as condições de cultivo de café, castanha de caju e abacate mudarão nos próximos 30 anos. A pesquisa indicou um cenário complexo, com algumas regiões perdendo aptidão para essas culturas enquanto outras podem se tornar mais favoráveis.

    Para o café, a área potencial de cultivo deve reduzir de 11% a 12% até 2050. E de 22% a 30% até 2070, considerando os cenários de menor e maior aumento nas temperaturas do planeta.

    A adaptação do setor agrícola às mudanças climáticas exigirá investimentos em pesquisa, desenvolvimento de novas variedades, adoção de técnicas de manejo sustentável e planejamento estratégico de longo prazo. O futuro da cajucultura e da agricultura nordestina como um todo dependerá da capacidade de combinar tradição com inovação científica.

  • Produção de ovos na Bahia cresce 16,3%

    Produção de ovos na Bahia cresce 16,3%

    A avicultura baiana encerrou 2025 em forte crescimento e inicia 2026 com perspectivas otimistas. A produção de ovos no estado cresceu 16,3%, enquanto o setor de frango de corte alojou mais de 152 milhões de pintinhos. Livre de focos de Influenza Aviária (gripe aviária), a Bahia lidera a produção no Nordeste e ocupa a 9ª posição no ranking nacional.

    O desempenho robusto reflete o compromisso dos criadores com controle de qualidade, segurança sanitária e rastreabilidade. A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri) prioriza a sanidade animal por meio da Agência de Defesa Agropecuária (Adab), em sintonia com o Programa Nacional de Sanidade Avícola (PNSA).

    Sanidade e parceria público-privada alavancam o setor

    O secretário da Seagri, Pablo Barrozo, credita os resultados à atuação integrada. “A Bahia se manteve livre da gripe aviária graças ao trabalho conjunto entre poder público, produtores e o sistema de defesa agropecuária. Investir em prevenção protege nossos produtores e garante competitividade”, destaca.

    A presidente da Associação Baiana de Avicultura (ABA), Kesley Jordana, reforça a importância do diálogo. “Os governos estadual e federal trabalham em parceria. Nosso diálogo com a Seagri busca soluções estratégicas para fortalecer a avicultura baiana”, afirma.

    Perspectivas positivas e agenda de oportunidades para 2026

    A retomada das importações pela China e União Europeia abre uma janela de oportunidade para 2026. “Esse movimento beneficia diretamente a Bahia, pois reduz a concorrência de produtos de outros estados no mercado interno e fortalece nossa produção”, explica o secretário Pablo Barrozo.

    Foto: Secom/BA

    Para consolidar o crescimento, a ABA discute uma agenda com prioridades claras: financiamento acessível para modernização de granjas, incentivos fiscais, programas de crédito para pequenos e médios produtores e campanhas para aproximar o consumidor baiano da produção local.

    Brasil Bate recorde de exportações e fortalece credibilidade

    O cenário nacional também impulsiona o otimismo baiano. Em 2025, as exportações brasileiras de frango atingiram um recorde histórico: 5,324 milhões de toneladas, consolidando o país como o maior exportador mundial. Os dados são da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

    “É uma conquista de toda a cadeia produtiva, das entidades do setor e do poder público comprometido com o agronegócio”, comemora Paulo Emílio Torres, assessor técnico da Seagri. O desempenho reforça a credibilidade sanitária e a competitividade do produto brasileiro no exterior.

  • Delta do Parnaíba impulsiona economia do litoral

    Delta do Parnaíba impulsiona economia do litoral

    O Delta do Parnaíba, no Piauí, fechou 2025 com um marco histórico: mais de 100 mil visitantes exploraram sua rede de rios, manguezais e dunas. Dados da Secretaria Municipal de Turismo de Ilha Grande mostram um crescimento sólido de 25% no fluxo de turistas, consolidando a região como um motor do ecoturismo sustentável no Nordeste.

    O Porto dos Tatus, em Ilha Grande, funciona como principal porta de entrada para o único delta em mar aberto das Américas. Somente por este terminal, embarcaram 70 mil pessoas no ano – 14 mil a mais que em 2024. Este movimento responde por 70% de todos os acesso à região.

    Conectividade e hospedagem no limite

    A retomada dos voos entre Parnaíba e Fortaleza fortaleceu a integração do Piauí à famosa “Rota das Emoções”. A melhor conectividade aérea trouxe turistas em busca de comodidade e rapidez para conhecer as paisagens únicas.

    A alta demanda aquece toda a cadeia local. A Associação Luís Correia de Turismo (ALCTUR) informa que a rede hoteleira do município de Luís Correia opera com ocupação superior a 90% durante o período de Réveillon. A taxa reflete o prestígio do destino na alta temporada.

    Experiências únicas atraem visitantes

    O recorde vai além dos números. A combinação de natureza, cultura e gastronomia explica a atração:

    Paisagens icônicas: a Revoada dos Guarás, os labirintos de manguezais do delta, as águas cristalinas da Lagoa do Portinho e monumentos naturais como o Cajueiro Rei.

    Sabores locais: pratos com o caranguejo “Toc-Toc” e camarão seguem como destaques da culinária regional.

    Investimentos colhem frutos

    Para o secretário de Turismo, Daniel Oliveira, o momento celebra o resultado de um planejamento estratégico. “Este crescimento de 25% reflete nossos investimentos diretos em promoção e infraestrutura. Consolidamos o Piauí como um destino de natureza sustentável e de alto valor, provando que nosso litoral, ainda que menor, oferece experiências grandiosas e hospitalidade única”, afirmou o gestor.

    Com infraestrutura reforçada e promoção contínua, o Delta do Parnaíba se firma não apenas como um cartão-postal do Piauí, mas como um dos destinos de ecoturismo mais vibrantes e procurados do Brasil.

  • Estudo prevê clima de deserto em metade do Nordeste até 2100

    Estudo prevê clima de deserto em metade do Nordeste até 2100

    Um estudo apresentado pelo Centro Estratégico de Excelência em Políticas de Águas e Secas (CEPAS), em parceria com a Secretaria de Recursos Hídricos do Ceará, projeta que até o final do século o Nordeste brasileiro poderá ter até 99% de seu território sob condições áridas e semiáridas. O levantamento, divulgado no Boletim CEPAS na COP30, indica que o fenômeno da desertificação tende a se intensificar nas próximas décadas, especialmente no interior cearense, caso as emissões de gases de efeito estufa sigam em alta.

    Projeções alarmantes

    Com base em 19 modelos climáticos globais (CMIP6), o estudo avaliou a evolução das classes climáticas de Thornthwaite — que medem o equilíbrio entre temperatura e umidade — sob dois cenários de emissões: o intermediário (SSP2-4.5) e o de altas emissões (SSP5-8.5).

    Os resultados mostram que, mesmo com ações moderadas de mitigação, a área classificada como árida deve saltar de 3% para 26% do Nordeste até 2100, enquanto o semiárido avançará de 43% para quase 60%. Em um cenário extremo, de altas emissões, o quadro é ainda mais grave: o território árido pode alcançar 56,7% da região, e o semiárido, 42,4% — o que representa 99% da área total.

    “O futuro está sob disputa e a COP30 é uma arena importantíssima desta batalha”, afirma o relatório. “O planeta e o semiárido nordestino podem ser diferentes, com menos estresse hídrico, dependendo das decisões tomadas pelos Estados e coletivos humanos.”

    Impactos no Ceará e no semiárido

    O Ceará deve sentir os efeitos antes do restante da região. O estudo aponta que áreas hoje subúmidas — como os sertões dos Inhamuns, o Cariri e o médio Jaguaribe — tendem a se tornar semiáridas já nas próximas duas décadas. “O Ceará apresenta antecipação e intensificação da aridização em relação ao conjunto do Nordeste”, destaca o documento. “Os refúgios altimétricos e litorâneos resistem por mais tempo, mas encolhem e se fragmentam até 2100.”

    Entre as consequências diretas estão a redução da recarga subterrânea, o aumento da intermitência dos rios, a pressão sobre reservatórios. Por fim, a queda na produtividade agrícola. O avanço do clima seco também ameaça a biodiversidade e amplia a vulnerabilidade de comunidades rurais.

    Voz dos cientistas

    Para o professor Alexandre Araújo Costa, da Universidade Estadual do Ceará, o quadro exige urgência. “Identificar as possibilidades e limites de adaptação dos sistemas humanos e naturais em nosso semiárido é uma tarefa urgente”, afirma.

    Foto: Wilson Dias – Agência Brasil

    O engenheiro José Kerlly Soares de Araújo, pesquisador do grupo de risco climático da Universidade Federal do Ceará, reforça a gravidade das projeções: “O avanço da aridez, mesmo sob cenários moderados, evidencia a necessidade de fortalecer políticas públicas antecipatórias e inovar em tecnologias de uso eficiente da água.”

    Chamado à ação

    Além disso, na avaliação do diretor do CEPAS, Francisco de Assis de Souza Filho, o Nordeste é hoje “a fronteira climática do Brasil”. Ele defende que a gestão hídrica precisa se tornar adaptativa, integrando ciência, políticas públicas e comunidades locais.

    O boletim encerra, portanto, com três recomendações principais para os debates da COP30, que será realizada em Belém:

    1. Reconhecer que o processo de aridização é antecipado e amplamente corroborado por evidências científicas;

    2. Basear as respostas em ciência e gestão integrada dos recursos hídricos;

    3. Planejar a adaptação de forma territorial, com foco especial no semiárido nordestino.

    “Os sistemas de recursos hídricos devem se preparar para maior pressão de escassez”, conclui o estudo. Ou seja, “A adaptação precisa ser rápida, integrada e territorialmente focalizada.”

  • La Niña exige preparo de produtores do Norte e Nordeste

    La Niña exige preparo de produtores do Norte e Nordeste

    A confirmação oficial da formação do fenômeno La Niña em 2025 coloca produtores das regiões Norte e Nordeste do Brasil em estado de atenção. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) e a Organização Meteorológica Mundial (OMM) atestaram a ocorrência, que tem 71% de probabilidade de persistir até fevereiro de 2026.

    Apesar da intensidade classificada como fraca, a La Niña deve elevar o volume de chuvas acima da média histórica durante a safra 2025/26. O cenário, que beneficia a disponibilidade hídrica, também exige manejo rigoroso para evitar prejuízos significativos.

    Riscos e estratégias para o agricultor

    Frederico Dellano, Consultor de Desenvolvimento de Produtos da TMG (Tropical Melhoramento & Genética), alerta que os produtores não podem ignorar os impactos do fenômeno. “O produtor precisa antecipar e planejar o manejo para lidar com a maior umidade. Essa condição pode intensificar a ocorrência de nematoides, favorecer doenças fúngicas e comprometer a qualidade dos grãos na colheita”, explica Dellano.

    O especialista lista medidas críticas para a safra:

    • Escolha de cultivares: selecionar sementes adaptadas às condições da região e com resistência a doenças recorrentes é o primeiro passo.
    • Preparo e logística: organizar a logística de insumos e realizar a manutenção de máquinas com antecedência são ações essenciais para aproveitar os breves intervalos entre as chuvas, sem perder a janela ideal de plantio.
    • Cuidados com o solo: Dellano adverte contra o plantio em solos encharcados. “Isso aumenta o risco de compactação e prejudica o desenvolvimento da lavoura. Sempre que possível, o produtor deve utilizar cultivares com maior tolerância ao acamamento, problema agravado pelo excesso de chuva.”
    • Proteção da colheita: o período de colheita exige cuidado redobrado. A umidade elevada pode causar a germinação dos grãos ainda nas vagens, perda de qualidade e o surgimento de doenças de final de ciclo. “Buscar cultivares com melhor tolerância a essas condições é uma forma direta de reduzir os impactos”, completa o consultor.

    Aspecto positivo

    Apesar dos desafios, Dellano ressalta um aspecto positivo: os anos de La Niña costumam ser mais favoráveis para o Norte do Brasil em comparação com os períodos de El Niño, marcados pela escassez de chuvas.

    “O excesso de água exige cuidados adicionais, mas com planejamento e uso de cultivares mais adaptadas, o produtor pode manter bons resultados. Este La Niña, mesmo sendo fraco, merece atenção redobrada principalmente nos períodos críticos da cultura”, conclui o especialista.

  • Nordeste leva agricultura familiar à maior feira mundial de alimentos

    Nordeste leva agricultura familiar à maior feira mundial de alimentos

    Agricultores familiares do Nordeste participam da Anuga 2025, a maior feira internacional de alimentos e bebidas do mundo. O evento ocorre até 7 de outubro, em Colônia, na Alemanha.

    A iniciativa é do Consórcio Nordeste, em parceria com ApexBrasil e Sebrae, e busca ampliar o acesso dos produtores nordestinos ao mercado europeu. A região concentra quase 50% da agricultura familiar do país, com destaque para a diversidade e a qualidade dos alimentos.

    Missão promove produtos e amplia conexões

    A comitiva apresenta produtos de cerca de 30 agricultores. Entre os destaques estão cafés e chocolates especiais, mel da Caatinga, amêndoas de castanha de caju, tapioca, feijão, óleo de coco, farinha de babaçu, cajuína e flores tropicais.

    A Anuga é realizada a cada dois anos. Na edição anterior, em 2023, o evento movimentou US$ 530 milhões em negócios. Neste ano, as cooperativas nordestinas ganham um espaço exclusivo no estande da ApexBrasil. Além da exposição, os agricultores participam de visitas guiadas e rodas de networking, com o objetivo de trocar experiências e firmar novas parcerias.

    Agenda segue com rodada de negócios em Portugal

    Após a feira, a missão segue para Portugal, entre 7 e 10 de outubro. A delegação visitará Lisboa, onde haverá rodadas de negócios e capacitação sobre exportações.
    A programação inclui um workshop sobre comércio internacional e uma apresentação dos produtos a importadores portugueses.

    Além dos produtores, participam secretários estaduais, diretores de empresas públicas, representantes de cooperativas de Minas Gerais e do Distrito Federal e membros do Consórcio Nordeste. Ou seja, com essa ação, o grupo busca abrir novos mercados, fortalecer a imagem da agricultura familiar brasileira e impulsionar exportações sustentáveis para a Europa.

  • Brasil é 4º maior produtor mundial de tilápia

    Brasil é 4º maior produtor mundial de tilápia

    O Brasil ocupa a quarta posição no ranking mundial de produção de tilápia, segundo a Associação Brasileira de Piscicultura. A espécie representa 63,5% de toda a produção nacional de peixes cultivados e conquista cada vez mais espaço no mercado brasileiro.

    O cultivo comercial de tilápias ganhou força no Nordeste durante a década de 90. O Ceará lidera o consumo da espécie na região, beneficiado pela produção natural nos reservatórios públicos estaduais. O Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) realiza o povoamento desses reservatórios.

    “A primeira tilápia que trouxemos para nossa região veio do Sudeste do país, mas ela não crescia muito e nem era produtiva”, conta Pedro Eymard, chefe do Centro de Pesquisas em Aquicultura Rodolpho von Ihering. Em 2002, Eymard e o engenheiro de pesca José Ilton Moura viajaram até a Tailândia, onde passaram 18 dias em treinamento com técnicos japoneses e tailandeses. “Trouxemos de lá a tilápia nilótica com um material genético mais preservado e que cresce bem mais que as outras”, explica.

    O Centro de Pesquisas mantém uma unidade de reversão de sexo de tilápia e outra para preservação da linhagem tailandesa.

    Propriedades nutricionais atraem consumidores conscientes

    A tilápia apresenta sabor suave, cor branca, ausência de odor forte e baixo teor de gordura. O peixe contém alta quantidade de proteínas e mínima presença de carboidratos, características que o tornam aliado de quem busca ganhar massa magra e perder peso.

    A espécie também fornece vitaminas A, B e D, além de minerais como cálcio, ferro e zinco. Esses nutrientes melhoram a saúde de dentes e ossos, ajudam a prevenir doenças cardiovasculares, oferecem ação antioxidante e regeneram músculos e tecidos.

    O peixe possui ainda ácido DHA, um ácido graxo tipo ômega-3 que beneficia a saúde cerebral e protege contra a ação degenerativa de radicais livres. A tilápia também facilita a digestão, previne inflamações e combate a prisão de ventre.

    Pele de tilápia revoluciona tratamento de queimaduras

    Em 2015, médicos e pesquisadores cearenses descobriram que a pele da tilápia funciona como curativo para queimaduras de 2º e 3º graus. O tratamento acelera o processo de cicatrização e diminui a dor dos pacientes.

    “A grande vantagem da pele da tilápia, em relação ao tratamento convencional da rede pública brasileira, é que essa pele adere ao leito da ferida, evitando contaminação do meio externo para a lesão”, explica o médico Edmar Maciel Lima Júnior, coordenador geral da pesquisa. “Isso impede que o paciente perca líquido e fique desidratado. Com a pele, os profissionais também evitam as trocas diárias de curativo que são extremamente dolorosas pro paciente.”

    O material passa por um processo de preparo e esterilização com enzimas. “A pele é desidratada, embalada a vácuo e radiada em São Paulo, em um aparelho gama cobalto”, detalha Edmar. Após os testes, o produto fica pronto para uso na pesquisa e possui validade de dois anos e meio.

    Paciente relata recuperação completa sem cicatrizes

    O caseiro Pedro Silva vivenciou os benefícios do tratamento há cerca de sete anos. Ele sofreu uma queimadura grave na perna esquerda durante um acidente doméstico. “Eu estava preparando a janta, escutei um barulho de gás saindo no botijão e fui olhar, daí começou a sair fogo”, relembra.

    Pedro recebeu atendimento hospitalar e conheceu o médico Edmar, que aplicou as peles de tilápia na região afetada. “Fui pra casa e me recuperei totalmente. Hoje não tenho nenhuma sequela e nem cicatriz”, comemora.

    O coordenador da pesquisa revela que a pele de tilápia liofilizada apresenta sucesso em diversos tratamentos. “Funciona em queimaduras e feridas em animais, já usamos na odontologia para lesões de cavidade oral e obtivemos sucesso total na ginecologia, na reconstrução de pacientes que nascem sem vagina, além de várias outras áreas que já estudamos”, enumera Edmar.

    A tilápia comprova que seus benefícios vão muito além do valor nutricional, estabelecendo-se como uma solução inovadora na medicina brasileira.

  • Capital do Mel: Piauí lidera produção de mel no Nordeste

    Capital do Mel: Piauí lidera produção de mel no Nordeste

    Conhecida como a “Capital do Mel”, a cidade de Picos tornou-se um polo de pesquisas acadêmicas que impulsionam a apicultura e a preservação de abelhas no estado. Estudos conduzidos no Campus Professor Barros Araújo, da Universidade Estadual do Piauí (UESPI), mapeiam espécies nativas e desenvolvem estratégias para fortalecer a produção e a biodiversidade no semiárido.

    Coleta de abelhas. Foto: Ascom Uespi

    A polinização por abelhas é fundamental para a reprodução de grande parte das plantas e para a manutenção da biodiversidade. Esses insetos são responsáveis pela polinização de 73% das plantas cultivadas que compõem a alimentação humana em escala global.

    Esse serviço ambiental tem reflexo direto na economia. Em 2024, o Piauí consolidou sua liderança regional no Nordeste, com uma produção de 8.614,2 toneladas de mel. Isso de acordo com a Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

    Pesquisas preenchem lacuna sobre abelhas no estado menos amostrado do país

    A professora Dra. Milena Vaz, do curso de Agronomia da UESPI, explica que o estado é um dos menos estudados do Brasil em diversidade de abelhas. “Levantamentos da fauna local são fundamentais para subsidiar planos de manejo e estratégias de conservação”, destaca a pesquisadora, que estuda o tema desde sua graduação em Agronomia na universidade.

    Triagem e identificação das abelhas no Laboratorio de Biologia da Uespi. Foto: Ascom Uespi

    Sob sua orientação, cinco trabalhos investigaram a diversidade de abelhas nativas em áreas de cultivo de caju e em sistemas de agricultura familiar, além de ambientes urbanos. Uma dessas pesquisas em Picos registrou cinco gêneros de abelhas nativas, como Centris spp. e Xylocopa spp.. Esse trabalho expandiu-se em sua tese de doutorado, que catalogou 432 tipos diferentes de abelhas.

    “A partir das informações obtidas, podemos orientar políticas públicas de proteção e manejo adequadas aos ambientes agrícolas do semiárido”, afirmou a professora Milena Vaz. Mesmo sem uma disciplina específica sobre polinizadores na grade de Agronomia, docentes abordam o tema em aulas de Agroecologia e Animais Não Ruminantes, enriquecendo a formação acadêmica com um debate de relevância social e ambiental.