Tag: morango

  • Cientistas usam veneno de rã brasileira para conservar morango por mais tempo

    Cientistas usam veneno de rã brasileira para conservar morango por mais tempo

    Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) descobriram que um peptídeo extraído da pele de uma rã do Cerrado brasileiro consegue aumentar significativamente a vida de prateleira do morango.

    O estudo, conduzido no Laboratório de Equipamentos Multiusuários da Faculdade de Engenharia e Ciências (Lemu-FCE) da Unesp-Tupã e financiado pela FAPESP, comprovou que apenas cinco minutos de contato entre a fruta e a molécula bastam para preservar suas características por dias.

    Cinco minutos de imersão prolongam o frescor da fruta

    A equipe mergulhou morangos da variedade Oso Grande em uma solução contendo o peptídeo Ctx(Ile21)-Ha por apenas cinco minutos. O experimento surpreendeu os próprios cientistas: a molécula manteve as características da fruta madura por até cinco dias, um período considerado longo para um produto tão perecível.

    “Somente o peptídeo, sem nenhum outro tipo de componente, manteve as características da fruta madura após cinco dias, o que, para um morango, é um tempo longo de armazenamento. Não esperávamos tanto”, afirma Eduardo Festozo Vicente, coordenador do laboratório onde o estudo foi realizado.

    Foto: Arquivo Agro em Campo

    Vicente estuda essa molécula há quase 20 anos, desde o mestrado. Peptídeos são moléculas semelhantes a proteínas, porém menores e mais simples, que desempenham diversas funções biológicas, entre elas, ação antimicrobiana.

    Molécula preserva sabor e composição química do morango

    Publicado na revista científica Applied Food Research, o estudo analisou os parâmetros físico-químicos da fruta tratada com o peptídeo. Os pesquisadores constataram que o tratamento não alterou o sabor do morango nem comprometeu de forma significativa os compostos fenólicos e os sólidos solúveis totais. Indicadores que revelam se a composição química da fruta permanece estável.

    “O estudo mostra que o peptídeo retarda [a degradação natural do morango], aumentando relativamente a vida de prateleira e mantendo as características físico-químicas da fruta. A análise mostrou que os sólidos solúveis, que são os açúcares altamente degradáveis por microrganismos, permaneceram nas frutas que tiveram contato com o peptídeo. A textura também se manteve preservada”, explica Vicente.

    Segundo o pesquisador, o grupo ainda não realizou testes microbiológicos para confirmar a ação antimicrobiana da molécula sobre o morango. Mas já formula uma hipótese para investigações futuras: a possível redução de microrganismos causada pelo peptídeo.

    Como funcionou o experimento

    Os cientistas solubilizaram o peptídeo em água em três concentrações diferentes e submergiram 300 gramas de morango em cada solução por cinco minutos. Um grupo-controle recebeu apenas água, para efeito de comparação.

    Depois de secar as frutas, a equipe as armazenou em bandejas de PET sanitizadas com etanol, cobertas com papel-filme, a 5°C, dentro de uma incubadora com controle preciso de temperatura, reproduzindo o processo que um vendedor de morangos realizaria ao guardar o produto na geladeira.

    As amostras permaneceram na incubadora por seis dias. Os pesquisadores avaliaram parâmetros físico-químicos (pH, sólidos solúveis, textura e taxa respiratória) e bioquímicos (ácido ascórbico, fenóis totais, açúcares e atividade enzimática) nos dias 0, 1, 2, 3, 4 e 5, sempre em triplicata, método que reduz a variabilidade e o grau de erro dos resultados.

    Rã brasileira produz arsenal químico de defesa

    A equipe da professora Mariana de Souza Castro, da Universidade de Brasília (UnB), isolou e extraiu o peptídeo Ctx(Ile21)-Ha em 2006 a partir da pele de uma rã do Cerrado (Boana albopunctata). Assim, segundo Vicente, essa substância integra o sistema de defesa do anfíbio.

    “Essa substância faz parte de uma gama de defesas do anfíbio. Como ele tem uma respiração cutânea, possui um arsenal de moléculas que formam um sistema defensivo eficiente, pois está em contato direto com os patógenos do ambiente”, descreve o pesquisador.

    rã do cerrado
    Foto: Fundação Grupo Boticário

    Inicialmente, o grupo pretendia aplicar o peptídeo como aditivo zootécnico, substituindo antibióticos convencionais na nutrição animal. Uma alternativa relevante diante do avanço da resistência antimicrobiana. O projeto avançou em três frentes: os estudos biofísicos da molécula, a aplicação em nutrição animal (incluindo ruminantes, gado leiteiro, aves poedeiras, frangos de corte e suínos) e, por fim, o uso em alimentos para aumentar sua vida útil.

    FAPESP financia síntese de alta pureza

    Vicente destaca o papel da FAPESP no avanço da pesquisa, inclusive na obtenção do peptídeo. A Fundação apoiou o trabalho por meio de três projetos (21/06706-9, 19/07438-8 e 16/00446-7).

    “Somos um dos poucos laboratórios do Brasil em que se consegue sintetizar, purificar e caracterizar esse peptídeo e qualquer outro de interesse biológico”, afirma o pesquisador. A equipe atingiu grau de pureza superior a 95% na síntese da molécula, composta por aminoácidos. E garante que ela pode ser ingerida com segurança, já que o estômago a degrada normalmente, como ocorre com qualquer derivado de proteína.

    “Claro, estamos ainda em uma prova de conceito, inclusive para uso como aditivo para alimentação animal. Mas sabemos agora que o peptídeo tem um grande potencial para ser usado como tratamento pós-colheita em frutas altamente perecíveis, como o morango”, completa Vicente.

    Grupo já busca patentes e produção em larga escala

    O Ctx(Ile21)-Ha ainda não possui regulamentação de uso no Brasil. Mas Vicente acredita que a aprovação não deve enfrentar grandes obstáculos, já que outros peptídeos comerciais já circulam legalmente no país. O grupo já protocolou um pedido de patente para uso em aves poedeiras e prepara outro para aplicação em ruminantes.

    Os próximos passos da pesquisa incluem os testes microbiológicos ainda pendentes e a produção do peptídeo em larga escala, utilizando modelos já consolidados na literatura científica, como leveduras. A equipe também planeja desenvolver um filme comestível para envolver frutas com casca, já que a legislação brasileira proíbe o uso de películas comestíveis em frutas consumidas sem casca.

    A Instrução Normativa nº 211/2023 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) regula os limites máximos e as condições de uso de aditivos alimentares e coadjuvantes de tecnologia autorizados no país.

    Karina Ninni | Agência FAPESP

  • Geada é o novo desafio do morango brasileiro em ano de produção recorde

    Geada é o novo desafio do morango brasileiro em ano de produção recorde

    O Brasil ocupa a posição de maior produtor de morango da América Latina. E o avanço da cultura no país reacende a discussão sobre um dos principais riscos climáticos da atividade: as geadas de inverno. Levantamentos recentes do setor mostram trajetória de crescimento contínuo, puxada pela tecnificação das lavouras, pela chegada de novas cultivares nacionais e pelo ganho de produtividade nas regiões produtoras.

    O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística projeta que a produção brasileira de morango cresça 2,6% em 2026. Portanto, alcançando 200 mil toneladas, com destaque para Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul. Minas Gerais concentra a maior parte desse volume. O estado deve colher cerca de 190 mil toneladas na safra recente, distribuídas por 3,6 mil hectares, consolidando a liderança que mantém desde 2019.

    Paraná e Espírito Santo completam o mapa dos principais polos produtores. No caso capixaba, a agricultura familiar respondeu por uma colheita de 32.884 toneladas em 2024, segundo dados do Incaper, reforçando o papel da fruta como fonte de renda para pequenas propriedades rurais em diferentes regiões do país.

    Genética nacional reduz dependência de mudas importadas

    Parte do salto de produtividade tem relação direta com o trabalho de melhoramento genético conduzido pela Embrapa. A cultivar BRS DC25, batizada de Fênix e lançada pela Embrapa Clima Temperado em 2023, retomou um programa de pesquisa iniciado ainda nas décadas de 1960 e 1980. E hoje figura como a principal aposta do país para reduzir a dependência de material importado. O setor importa cerca de 98% das mudas plantadas no Brasil, vindas principalmente de Chile, Argentina e Espanha. Portanto, com custos cotados em dólar que encarecem toda a cadeia produtiva.

    Foto: Arquivo Agro em Campo

    A Fênix já reverte parte desse cenário. O número de viveiristas licenciados para reproduzir a cultivar dobrou em dois anos, somando pelo menos 54 produtores autorizados. E a produção de mudas ultrapassou 5 milhões de unidades até 2025. A expectativa é que esse volume avance ainda mais em 2026. Além da resistência a variações de temperatura, a cultivar entrega frutas de calibre elevado e sabor equilibrado: com manejo adequado, cada planta pode produzir até 1,2 quilo de morango em campo aberto, ou cerca de 900 gramas em sistema semi-hidropônico.

    O morango e sua sensibilidade ao frio

    O morangueiro é uma planta de clima temperado, adaptada a estações com dias mais curtos e temperaturas amenas. São características que favorecem a floração e o enchimento dos frutos. Justamente por isso, episódios de frio intenso, comuns durante o inverno nas regiões Sul e Sudeste, representam risco direto à produção. Geadas atingem primeiro as flores e os frutos em formação, que são as partes mais sensíveis da planta. E podem comprometer também o desenvolvimento vegetativo como um todo. Como cada ciclo produtivo demanda investimento contínuo em mudas, insumos, mão de obra e estrutura. E uma quebra de safra provocada pelo frio afeta diretamente a rentabilidade do produtor. Especialmente entre as famílias que dependem da cultura como principal fonte de renda.

    Foto: Wenderson Araujo/Sistema CNA/Senar

    O desafio climático não se limita ao frio. Levantamentos recentes do setor também apontam calor atípico e irregularidades climáticas durante a janela de plantio, entre abril e maio, como fatores que podem reduzir o vigor das lavouras, além da pressão crescente do pulgão-da-raiz, praga que ataca o sistema radicular e pode transmitir o vírus do mosqueado-do-morangueiro. O cenário reforça que o manejo climático e fitossanitário caminha junto com o avanço tecnológico da cultura.

    Manejo preventivo reduz impacto das baixas temperaturas

    Diante da recorrência de geadas nas principais regiões produtoras, especialistas defendem que a melhor estratégia é agir antes da chegada do frio intenso, e não depois. Francisco de Carvalho, gerente comercial da Hydroplan-EB, explica que o produtor não controla a geada, mas pode preparar a planta para enfrentá-la melhor. Segundo ele, quando o manejo nutricional acontece de forma preventiva, a cultura responde com mais equilíbrio fisiológico e ganha maior capacidade de suportar o estresse térmico.

    Entre as estratégias adotadas para essa preparação está a combinação de Lannoite PLUS com potássio. Isso fortalece as plantas e melhora a resposta ao estresse causado pelas baixas temperaturas, conforme aponta Carvalho. Para ele, esperar a geada ocorrer para só então agir significa lidar com um dano que já se instalou. O manejo preventivo, ao contrário, deixa a planta mais preparada para enfrentar essas condições e reduz os impactos sobre a produtividade e a qualidade dos frutos.

    Boas práticas sustentam a expansão da cultura

    Pesquisadores da Embrapa reforçam que a combinação entre genética adaptada, manejo técnico e acompanhamento constante é o que sustenta o crescimento da cultura no Brasil. Entre as recomendações práticas para o produtor estão o uso de mudas certificadas por viveiros licenciados e o plantio dentro da janela , geralmente entre o fim do verão e o início do outono. Também a  adequação correta do sistema de cultivo escolhido, seja no solo ou fora dele, e o acompanhamento técnico do plantio até a colheita, incluindo análise de solo e manejo preventivo de doenças.

    Com a produção brasileira em trajetória de crescimento e as geadas seguindo como um dos principais riscos do inverno nas regiões produtoras, o manejo preventivo ganha cada vez mais espaço entre os produtores. Mais do que proteger a lavoura pontualmente, a antecipação de boas práticas contribui para preservar a produtividade e garantir a sustentabilidade econômica de uma atividade que já consolidou o Brasil como referência na América Latina.

  • Graviola e morango passarão a integrar levantamento do IBGE

    Graviola e morango passarão a integrar levantamento do IBGE

    A Bahia passará a contar com um monitoramento mais detalhado de duas culturas que vêm ganhando força no estado. A partir da edição de 2026 da Produção Agrícola Municipal (PAM), levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a graviola e o morango passarão a integrar oficialmente a pesquisa, prevista para ser divulgada em agosto.

    A novidade foi anunciada durante uma reunião realizada nesta quarta-feira (20), que reuniu representantes da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri), do IBGE e de outras instituições ligadas ao setor agropecuário baiano.

    A inclusão atende a uma demanda apresentada pela Seagri e por produtores rurais do estado. Atualmente, a graviola possui forte presença no Baixo Sul da Bahia, enquanto o cultivo do morango avança principalmente na Chapada Diamantina e no Sudoeste baiano.

    De acordo com a assessora técnica da Seagri, Kátia Correia Lima, o crescimento dessas cadeias produtivas reforçou a necessidade de incorporar as culturas ao levantamento nacional.

    “O morango e a graviola são culturas que vêm crescendo bastante no estado, e os próprios produtores já reivindicavam essa inclusão no levantamento do IBGE. A Seagri formalizou a solicitação e, com esses dados, será possível acompanhar melhor o desenvolvimento dessas cadeias produtivas, subsidiando políticas públicas voltadas ao fortalecimento da produção, à geração de emprego e renda e ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos municípios e do estado”, destacou.

    Cenoura também está na mira do governo

    Além da inclusão das duas culturas, o encontro também discutiu a possibilidade de incorporar novos produtos agrícolas à PAM futuramente, como a cenoura. Os participantes ainda avaliaram melhorias nas fontes utilizadas e nos métodos de coleta de dados da produção agrícola no estado.

    Segundo Luís Alberto Pacheco, da Supervisão de Agropecuária do IBGE na Bahia, as informações repassadas pelas instituições parceiras ajudam a aprimorar a pesquisa e ampliar a precisão dos dados.

    “O IBGE realiza o levantamento e os ajustes metodológicos a partir das informações compartilhadas pelas instituições parceiras, como a Seagri. No caso da graviola, por exemplo, os dados da produção baiana são obtidos por meio de levantamentos da Adab (Agência de Defesa Agropecuária da Bahia). Essa reunião teve como objetivo avaliar os dados disponíveis, discutir melhorias metodológicas e identificar novas demandas que possam ser incorporadas ao estudo”, explicou.

    A inclusão da graviola e do morango também deve fortalecer os indicadores econômicos da Bahia. Para o coordenador de Contas Regionais da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), João Paulo Caetano, a medida permitirá mensurar de forma mais precisa a relevância dessas culturas para a economia estadual.

    “A graviola e o morango são culturas relevantes para a produção baiana, mas ainda não havia dados consolidados sobre sua contribuição econômica. Com a inclusão na PAM, será possível mensurar o valor da produção e da comercialização dessas culturas, fortalecendo os indicadores do PIB baiano”, afirmou.

    Com isso, o estado deve ampliar a capacidade de planejamento para o setor agropecuário. Além disso, os dados poderão orientar novas políticas públicas e incentivar investimentos em cadeias produtivas que seguem em expansão na Bahia.

  • A preço de banana: como o morango egípcio derrubou os preços no Sul de Minas

    A preço de banana: como o morango egípcio derrubou os preços no Sul de Minas

    O Brasil importou morango em volume 868% maior nos últimos quatro anos, e o principal fornecedor é o Egito. O avanço do produto estrangeiro já pressiona os preços pagos ao produtor nacional e ameaça a viabilidade econômica de pelo menos 11 mil agricultores familiares, concentrados principalmente no Sul de Minas Gerais e na região do Campo das Vertentes.

    Os dados são da analista de agronegócio do Sistema Faemg Senar, Mariana Marotta, e foram apresentados em audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Segundo ela, o salto nas importações tem raiz em um acordo comercial assinado há mais de uma década.

    “Parte desse avanço está ligada ao acordo firmado em 2010 entre o Mercosul e o Egito para ampliar o comércio bilateral. O processo foi regulamentado em 2017, pelo Decreto nº 9.229, que estabeleceu a redução gradual das tarifas de importação. A partir de 2022, o morango passou a entrar no mercado brasileiro com preços ainda mais competitivos”, explica Marotta.

    Preço do produto importado é quase metade do custo de produção no Brasil

    A distorção de preços é o centro do problema. No mercado interno egípcio, o quilo do morango é comercializado por cerca de 90 libras egípcias, o equivalente a aproximadamente R$ 15. Para exportação, porém, o valor despenca para pouco mais de R$ 7,50 por quilo. No Brasil, o custo médio de produção gira em torno de R$ 8,50 por quilo. A diferença torna a competição, na prática, insustentável para o produtor brasileiro.

    Especialistas apontam indícios de dumping, prática em que empresas vendem um produto no mercado externo por valor inferior ao preço praticado no próprio país de origem, situação que o comércio internacional considera concorrência desleal.

    Minas Gerais: maior produtor de morango da América Latina

    Minas Gerais responde pela maior produção de morango da América Latina. Em 2023, o estado colheu cerca de 190 mil toneladas da fruta em aproximadamente 4.800 hectares, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). A produção se concentra no Sul de Minas, especialmente na microrregião de Pouso Alegre, mas também tem expressão significativa no Campo das Vertentes.

    A cadeia tem forte perfil social: 98% dos produtores são da agricultura familiar, o que torna o setor especialmente vulnerável à pressão externa.

    Apesar disso, as importações seguem crescendo. Em 2025, Minas Gerais importou cerca de US$ 2,3 milhões em morangos e derivados,aproximadamente 2 mil toneladas, segundo dados da Agrostat, sistema de estatísticas de comércio exterior do agronegócio brasileiro. No ano anterior, as compras externas somaram US$ 658 mil e 743 toneladas, o que representa crescimento de 164% em volume em apenas 12 meses.

    “Neste caso, o preço passou de R$ 17 para R$ 8 em fevereiro”

    No município de Ipuiuna, no Sul de Minas, a produtora Solange de Oliveira Paiva cultiva 140 mil pés de morango e sente diretamente os efeitos da concorrência estrangeira. Ela afirma que o chamado “morango de fábrica” registrou a queda mais acentuada. Esse tipo de fruta segue para a fabricação de polpa e suco, setor que mais absorve o produto importado congelado.

    Foto: Wenderson Araujo/Sistema CNA/Senar

    “O preço passou de R$ 17, no fim do ano passado, para R$ 8 em fevereiro deste ano. A gente tem que vender a preço de banana”, lamenta Solange. Ela relata também perdas no morango de bandeja, a variedade com frutos maiores, produzida no período mais frio. Na última comercialização, em 2025, recebeu R$ 7 por caixa com quatro cumbucas. No mesmo período do ano anterior, o valor variava entre R$ 10 e R$ 13.

    Campo das Vertentes também sente o impacto

    A pressão não se limita ao Sul do estado. Em Alfredo Vasconcelos, no Campo das Vertentes, 75% dos pouco mais de 7 mil habitantes são produtores rurais. A cidade conta com mais de cem hectares plantados com morango e produção anual de 6 mil toneladas, segundo a prefeitura local.

    Iasmin Ribeiro e Silva, que trabalha com o pai no cultivo da fruta, viu o faturamento da família despencar sete meses após concluir o programa Gestão com Qualidade em Campo (GQC), oferecido pelo Sistema Faemg Senar em parceria com o Sicoob Credivertentes, iniciativa voltada justamente para melhorar a gestão e a competitividade das propriedades rurais.

    “Parte da produção era vendida congelada e nós perdemos esse mercado. Para tentar escapar dos baixos preços na Ceasa, estamos negociando diretamente com os supermercados”, conta Iasmin. Ela ressalta ainda o peso dos insumos e o avanço de pragas e doenças cada vez mais resistentes, que elevam os custos de produção e reduzem ainda mais a margem do agricultor.

  • Clima ameno impulsiona safra de morango e aumenta produção

    Clima ameno impulsiona safra de morango e aumenta produção

    O clima das últimas semanas deu uma forcinha extra para as lavouras de morango no Rio Grande do Sul. Com a safra se estendendo até abril, as condições climáticas favoráveis impulsionaram o desenvolvimento da cultura em diversas regiões do Estado.

    De acordo com a Emater/RS-Ascar, as temperaturas amenas e a alta amplitude térmica estimularam a emissão de flores. Isso indica uma perspectiva de aumento na produção nas próximas semanas.

    Mosca-da-asa-manchada preocupa produtores

    Apesar do cenário positivo, os produtores gaúchos ainda enfrentam desafios no manejo da cultura, especialmente no controle da mosca-da-asa-manchada (Drosophila suzukii). A situação se complicou porque o inseticida à base de fenpropatrina, utilizado no combate à praga, não está mais disponível no mercado.

    A retirada do produto gera preocupação, principalmente entre os produtores da região administrativa da Emater/RS-Ascar de Caxias do Sul, que agora buscam alternativas para proteger as lavouras.

    Nova Petrópolis e Canela apostam em inovação

    Em Nova Petrópolis, o baixo volume de chuvas combinado com as noites mais frescas favoreceu a emissão floral. Muitos produtores aproveitam o momento para realizar a poda drástica de renovação das plantas, técnica que estimula novos ciclos produtivos.

    Já em Canela, os agricultores realizaram os primeiros plantios de mudas importadas de Segóvia, na Espanha. As plantas com um ou dois anos apresentam floração e frutificação adequadas para o verão, período de maior colheita.

    A tecnologia também ganha espaço na região. Cresce o interesse por sistemas de produção que utilizam a recirculação da solução nutritiva, e novas unidades produtivas já estão em construção com essa inovação.

    Calor intenso reduz produção em Pelotas

    Na região de Pelotas, o cenário apresenta particularidades. As cultivares de dias curtos já encerraram o ciclo produtivo. Já as variedades de dias neutros sofreram com o calor intenso, que inibe a floração e reduziu a produção.

    Em resposta, os produtores realizaram podas de limpeza para melhorar as condições sanitárias das plantas e preparar um novo ciclo. As áreas entram agora em fase inicial de floração, com expectativa de colheita entre o final de março e abril. Apesar da menor disponibilidade atual, ainda há oferta de frutos de menor calibre no mercado.

    Soledade comemora floração atípica

    Na região de Soledade, as condições climáticas também jogaram a favor da cultura. As temperaturas amenas e a alta amplitude térmica, consideradas atípicas para o período, impulsionaram a emissão floral. Com isso, a expectativa dos produtores locais é de incremento na produção nas próximas semanas.

    Apesar da relevância da cultura no Sul do país, especialistas apontam que a produção brasileira de morango ainda tem espaço para crescer no mercado interno. O Brasil ocupa atualmente a nona posição entre os maiores produtores mundiais, mas o consumo da fruta continua baixo.

    Dados recentes da Embrapa mostram que o país produziu 187,8 mil toneladas de morango em 2023. No entanto, o consumo médio anual por pessoa é de apenas 925 gramas, número considerado baixo e que indica potencial de expansão para o setor.

  • Por que o Brasil, 9º maior produtor de morango do mundo, ainda precisa importar a fruta?

    Por que o Brasil, 9º maior produtor de morango do mundo, ainda precisa importar a fruta?

    O Brasil produz morango em escala suficiente para figurar entre os dez maiores produtores mundiais. Mas não o suficiente para saciar o próprio mercado interno. Em 2023, o país colheu 187,8 mil toneladas da fruta, segundo dados da Embrapa, com consumo per capita de apenas 925 gramas por brasileiro ao ano. Para efeito de comparação, nos Estados Unidos o morango representa 60% da cesta de frutas. E no Brasil, apenas 3%.

    O diagnóstico é do engenheiro agrônomo e consultor Ronaldo Herculano de Lima, especialista em cultivo de morango, que participou do Podcast Ascenza. Segundo ele, o setor vive um momento de transição importante e deve passar por mudanças expressivas nos próximos três a cinco anos, impulsionadas pela chegada de novas variedades ao mercado nacional. “O Brasil ainda não produz o que o mercado interno demanda. Os produtores trabalham muito com variedades antigas, mas novos cultivares estão surgindo, com mais sabor e um pós-colheita mais resistente”, diz o especialista

    Variedades antigas dominam, mas mudança está a caminho

    Hoje, cerca de 85% das lavouras de morango no Brasil são ocupadas pela variedade San Andreas, a mais resistente, mas não a mais doce. A Camarosa aparece em produções de Brasília, e a Albion, mais saborosa e mais sensível, começa a ganhar espaço entre produtores que apostam em qualidade.

    De acordo com Lima, novas variedades importadas de viveiros do Chile, da Espanha e da Flórida devem chegar ao Brasil e reconfigurar o mapa da produção nos próximos anos. A referência internacional para o produtor brasileiro são o Sul da Espanha e o Sul da Itália, regiões com características climáticas relativamente próximas às de algumas áreas produtoras nacionais.

    Os maiores produtores mundiais de morango em 2023, segundo dados da FAOSTAT, banco de dados da FAO/ONU, são: China, Estados Unidos, Egito, Turquia, México, Espanha, Rússia, Polônia e Brasil, nessa ordem.

    Mudas piratas: um risco escondido nas lavouras

    Um dos maiores gargalos da produção nacional é o uso disseminado de mudas não certificadas. Estima-se que cerca de 80% das mudas plantadas no Brasil sejam chamadas de “piratas”. Elas são replicadas e comercializadas pelos próprios produtores, sem controle de sanidade ou genética.

    “Essas mudas produzem normalmente, mas não há garantias em relação a riscos. Sanidade e genética são muito importantes para obter maior e melhor produtividade”, alerta Lima. A adoção de cultivares certificados, associada à diversificação de variedades dentro da mesma lavoura, é apontada como caminho para aumentar a competitividade do produtor brasileiro.

    Colheita antecipada prejudica o sabor

    O morango ideal é doce, grande, firme e bem vermelho, mas esse padrão raramente chega à mesa do consumidor brasileiro. A principal razão é a colheita precoce: no Brasil, a média de maturação no momento da colheita é de 50%. Quando a fruta atinge 80% ou 85% de maturação, o sabor muda completamente.

    “Há muito trabalho a ser feito e há muito espaço para crescer”, diz Lima. Para ele, o investimento em qualidade “é um caminho sem volta”: com variedades mais doces e manejos adequados, o consumo nacional pode crescer exponencialmente. E o Brasil pode até se tornar exportador da fruta, desde que resolva primeiro a logística e amplie o mercado interno.

    “Antes de exportar, ainda há muito para crescer no mercado interno. É preciso arrumar a casa, melhorar a qualidade e ampliar o consumo. Área e mão de obra são grandes desafios do produtor”, diz Ronaldo Lima

    A revolução semi-hidropônica

    A produção de morango no Brasil passou por uma transformação significativa nas últimas duas décadas. Há 20 anos, o cultivo era exclusivamente no solo, sem cobertura ou irrigação por gotejamento. Hoje, cerca de 40% da produção nacional já é feita em sistema semi-hidropônico, uma técnica que utiliza substratos em estufas e permite maior controle das condições de cultivo.

    O modelo se expandiu especialmente no Sul do país, onde é predominante. No Sudeste, a maioria dos produtores ainda usa o plantio convencional no solo. A semi-hidroponia permite maior densidade de plantas, até 80 mil por hectare, contra 50 mil no solo, e melhor pós-colheita. Embora exija mais atenção nutricional e investimento inicial entre R$ 15 e R$ 25 por planta.

    No cultivo convencional, o investimento médio é de R$ 14 por planta, com custo operacional de R$ 7 a R$ 8. Em ambos os sistemas, o retorno do investimento ocorre, em média, em três anos.

    Morango no Brasil: do Ceará ao Rio Grande do Sul

    Com o avanço das tecnologias( irrigação por gotejamento, túneis de proteção contra chuva, estufas e novas variedades), o morango chegou a regiões que não eram tradicionais na produção da fruta. Metade da produção nacional ainda se concentra em São Paulo e Minas Gerais, mas há produtores ativos no Rio Grande do Sul, Paraná, Espírito Santo, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, norte da Bahia, serra fluminense e até na serra do Ceará.

    “Com as tecnologias disponíveis e novas variedades, é possível produzir o ano todo no Brasil”, afirma o especialista.

    O estigma dos agrotóxicos e a realidade atual

    Nos anos 2010, o morango ficou conhecido como a fruta com maior índice de resíduos de defensivos agrícolas, após análises divulgadas pela Anvisa. Esse estigma persiste no imaginário do consumidor, mas a realidade das lavouras mudou.

    “Hoje muitos produtores não usam defensivos em suas lavouras de morango e, quando necessário, o uso é pontual. Há muitos produtos registrados para a cultura, de baixa toxicidade, inclusive biológicos”, afirma Lima. A engenheira agrônoma Patrícia Cesarino, gerente da Ascenza Brasil, reforça o ponto: “O produtor está cada vez mais focado em qualidade e consciência. Mas essa informação não chega ao consumidor”.

    Para Lima, maior transparência sobre os processos produtivos poderia ampliar significativamente o consumo. “O brasileiro pode consumir morango sem medo”, conclui.

    Pragas, polinização e manejo integrado

    As principais ameaças às lavouras de morango no Brasil são o ácaro, o oídio, o fungus gnats (larva que ataca o substrato) e a mosca da fruta. Mais recentemente, o besouro prateado tem causado problemas em diversas regiões, com menor incidência no Sul.

    Foto Divulgação Ascenza

    O manejo integrado é apontado como estratégia-chave: identificar pragas, criar armadilhas e agir no momento certo. Uma prática ainda pouco explorada no Brasil é a polinização por abelhas, que pode ampliar a produtividade em até 30%. O desafio é que as abelhas africanas, as mais eficientes na polinização e as mais comuns no país possuem ferrão, o que exige maior proteção para os trabalhadores.

    Planejamento: a palavra-chave para quem quer entrar no setor

    Para quem deseja iniciar na produção de morango, Lima é categórico: o segredo está no planejamento. Variedades, diversificação, época de plantio, clima, manejo, qualidade na colheita e cuidados no pós-colheita, tudo exige organização prévia.

    “Uma hora do morango fora da câmara fria é um dia a menos de vida na prateleira”, avisa. A colheita deve acontecer nos horários mais frescos do dia; as cestas não podem ficar sobrecarregadas; o manuseio precisa ser delicado. Com embalagem adequada, o morango pode durar até 15 dias na prateleira, contra apenas três dias em embalagens comuns.

    Os números recentes mostram que o setor está em expansão: em dez anos, o Brasil aumentou em 37% a área plantada de morango e ampliou a produção em 68%, saindo de 3,5 mil hectares e 112 mil toneladas em 2014 para 4,8 mil hectares e 187,8 mil toneladas em 2023, segundo a Embrapa. A próxima virada, segundo os especialistas, pode ser ainda maior.

  • Verão aquece mercado de frutas com melancia, morango e abacaxi

    Verão aquece mercado de frutas com melancia, morango e abacaxi

    O verão impulsiona o consumo de frutas frescas no Rio Grande do Sul. Agricultores familiares assistidos pela Emater/RS-Ascar cultivam melancia, morango, abacaxi, uva, pêssego e outras variedades que abastecem feiras e mercados em todo o Estado. Os consumidores buscam essas frutas in natura, em sucos, sobremesas e smoothies durante a temporada de calor, que se estende até 20 de março.

    “O Rio Grande do Sul produz uma diversidade de frutas que colorem as mesas e o dia a dia de quem produz, mas também dos consumidores”, destaca Luis Bohn, gerente técnico estadual e diretor técnico em exercício da Emater/RS-Ascar. Ele observa aumento na procura durante o verão, especialmente nas feiras realizadas em quase todos os municípios gaúchos, com destaque para o Litoral.

    Clima desafia produtores e beneficia culturas específicas

    As temperaturas elevadas e a baixa umidade relativa do ar prejudicaram algumas culturas, como melancia e melão, mas beneficiaram as videiras, o abacaxi e o morango, segundo o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar. Bohn ressalta que a irrigação se tornou fundamental para os produtores enfrentarem períodos de seca.

    “A irrigação nesse momento, em especial para a viticultura ou mesmo as melancias e melões, é fundamental, pela necessidade fisiológica dessas frutíferas, pois permite que as frutas se desenvolvam a um tamanho de boa aparência”, avalia o diretor técnico.

    Abacaxi de Terra de Areia conquista pelo sabor único

    Terra de Areia, município tradicional na produção de abacaxi no Litoral gaúcho, cultiva a fruta em 360 hectares com 120 famílias. A variedade Pérola se diferencia pelo sabor sempre doce, resultado de uma característica especial: os produtores colhem o abacaxi bem maduro.

    “O abacaxi é uma fruta não climatéria, ou seja, colhemos ele bem maduro. Depois de desconectado da planta-mãe, ele pode mudar de cor, mas não acrescenta mais açúcares”, explica o extensionista Wolnei Marcio Fenner. Essa particularidade impede o transporte de longa distância, diferentemente do abacaxi de outros estados, colhido verde e com sabor inferior.

    A safra 2025/2026 prevê colheita de 7,5 milhões de frutos. “O clima neste ano tem sido muito favorável. Quem comprar não vai se arrepender”, garante Fenner.

    Morango gaúcho atinge pico de qualidade

    O Rio Grande do Sul cultiva morango em 588 hectares com 2.631 famílias de agricultores. O Levantamento Frutícola de 2025 da Emater/RS-Ascar identifica a Serra, o Vale do Caí e Pelotas como principais regiões produtoras.

    No Vale do Caí e em Pelotas, os produtores comercializam morango entre outubro e dezembro. Na Serra, o auge ocorre do final de dezembro até fevereiro. As cultivares de dias neutros, como San Andrés e Álbio, ocupam maior área, enquanto as variedades de dias curtos — Fênix, Fronteiras e Caminho Real — se destacam pela precocidade.

    “As frutas deste ano estão com ótima qualidade, demonstrando uma excelente safra, com colaboração do clima”, destaca o extensionista Thompsson Benhur Didoné. Ele menciona pequeno atraso no início da safra devido a fortes geadas, mas a produção se recuperou completamente.

    Em Pelotas, a cultura mantém plena produção com frutos de excelente qualidade, calibre, coloração e sabor. Bom Princípio, conhecido como Terra do Moranguinho, celebra anualmente a Festa Nacional do Moranguinho em setembro e mantém colheita com boa qualidade e demanda satisfatória.

    Melancia amplia área cultivada no Estado

    A colheita de melancia atinge o auge no Rio Grande do Sul. Os bons preços na safra anterior motivaram produtores da região de Pelotas a aumentar a área plantada. Na região de Soledade, municípios como Rio Pardo, General Câmara e Encruzilhada do Sul intensificam a colheita em área estimada de 1.800 hectares.

    Foto: Wenderson Araujo/Sistema CNA/Senar

    São Jerônimo concentra 60 produtores que cultivam 800 hectares de melancia, com expectativa de produtividade de 35 toneladas por hectare. “Porém a falta de chuvas afeta algumas lavouras que não têm sistema de irrigação”, ressalta o extensionista Marcelo da Silva Fortes. Ele também atende 35 produtores em Arroio dos Ratos, onde cultivam 350 hectares.

    As variedades Manchester, Braba, Karistan, Top Gun e Talismã dominam a produção nos dois municípios, basicamente através do sistema convencional com aração e gradagem.

    Irrigação multiplica produtividade por cinco

    Fortes identifica tendência de aumento da área cultivada com melancia em plantio consorciado com florestas de acácia-negra e eucalipto, fomentadas por empresas florestais. Alguns produtores de soja migraram para a melancia devido à descapitalização, atraídos pela rentabilidade em área menor.

    O uso de tecnologias como irrigação por aspersão e fertirrigação por gotejamento aumenta significativamente a produtividade. Atualmente, os produtores irrigam 60% das áreas de melancia em São Jerônimo e Arroio dos Ratos. “Temos exemplos bem claros das vantagens de irrigar, com um produtor produzindo 15 toneladas por hectare e outro, do outro lado da estrada, produzindo 75 toneladas por hectare”, compara Fortes.

    Os produtores também adotam outras técnicas, como protetor solar à base de caulim, que evita queimaduras e escaldaduras nas frutas. “Hoje o pessoal é adepto e já inclui o protetor solar no seu orçamento”, afirma. Ele desmistifica a mancha branca na casca: “Não é veneno. É efeito do protetor solar, à base de caulim, uma rocha, sendo, portanto, um produto natural”.

    “O Rio Grande do Sul tem a fruticultura como uma de suas vocações produtivas, uma das suas grandes tradições, com característica a produção dentro de uma diversidade, diante do clima que temos nas regiões. A safra de verão de 2026 está ofertando frutas com sensacional aparência, qualidade e sabor”, conclui Bohn.

  • Conheça a cultivar que dobra produção de mudas de morangueiro

    Conheça a cultivar que dobra produção de mudas de morangueiro

    Em apenas dois anos, a cultivar Fênix consolidou seu avanço no mercado nacional de morangos. Desenvolvida pela Embrapa Clima Temperado, a variedade dobrou a produção de mudas e reduziu a dependência de importações.

    Quando foi lançada, em 2023, apenas 18 viveiristas licenciados multiplicavam a Fênix. Em 2024, o número subiu para 22. Agora, em 2025, são 14 novos contratos formalizados, confirmando o interesse crescente pela tecnologia. A produção saltou de 2,5 milhões para mais de 5 milhões de mudas, e a expectativa é ultrapassar 10 milhões em 2026.
    Segundo o pesquisador Sandro Bonow, da Embrapa Clima Temperado, o crescimento se explica pela falta de cultivares nacionais acessíveis. “A Embrapa veio contribuir para mudar esse cenário, oferecendo uma cultivar com qualidade e preço justo. Hoje, o produtor tem acesso à muda certa, na época ideal para o plantio”, explica.

    Redução da dependência externa e custo mais competitivo

    Atualmente, cerca de 98% dos morangos produzidos no Brasil vêm de cultivares estrangeiras, principalmente dos Estados Unidos. As mudas, em grande parte, são importadas do Chile, Argentina e Espanha, com preços entre R$ 2,30 e R$ 3,60, cotados em dólar.
    Com a Fênix, esse cenário começa a mudar. O custo das mudas nacionais varia conforme o nível tecnológico do viveiro e o tipo de muda (fresca ou envasada), mas o valor é mais acessível e as entregas ocorrem no período ideal para o plantio em cada região.
    “A Fênix é precoce e permite ao produtor colher antes do pico da safra, aumentando os lucros”, afirma Bonow.

    Alta produtividade e aceitação no mercado

    A cultivar Fênix se destaca pela precocidade, produtividade e excelente conservação pós-colheita, o que garante maior durabilidade nas prateleiras. “Ela caiu no gosto do consumidor. É saborosa, tem bom calibre, equilíbrio entre açúcar e acidez, aroma marcante e cor intensa”, ressalta Bonow.
    O rendimento pode chegar a 1,6 kg por planta, em cultivo tradicional sob túnel baixo, e a 900 g em sistema semi-hidropônico. O plantio entre março e abril permite iniciar a colheita em maio, com safra que pode durar até sete meses.
    “O fato de a cultivar ser precoce e resistente permite ao produtor antecipar a colheita e aproveitar melhores preços”, explica o pesquisador Luís Eduardo Antunes. “A combinação entre qualidade, precocidade e resiliência faz da Fênix uma aliada para a soberania nacional na produção de mudas.”

    Expansão nacional e interesse internacional

    Apresentada ao público durante a Expointer 2023, a cultivar Fênix teve início com 20 mil matrizes, gerando 2,5 milhões de mudas. Em 2025, a produção supera 5 milhões de unidades por ano, concentradas no Sul e Sudeste, com destaque para Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Minas Gerais.
    Antunes projeta alcançar 10 milhões de mudas em 2026, impulsionado pela adesão de novos produtores. “Um hectare comporta cerca de 50 mil mudas. Com 7 mil hectares de morango no país, o potencial é de 350 milhões de mudas por ano”, exemplifica.
    Atualmente, cerca de 70 milhões de mudas ainda são importadas anualmente, mas a Fênix vem ganhando espaço. “Empresários europeus já demonstraram interesse em levar a genética brasileira para países do Mediterrâneo, afetados pelas mudanças climáticas”, afirma Antunes.

    Programa de melhoramento genético retomado

    O programa de melhoramento do morangueiro da Embrapa foi retomado em 2010, após uma pausa nos anos 1990. O foco passou a ser o desenvolvimento de cultivares adaptadas ao clima brasileiro, resistentes a pragas e com qualidade superior.
    A equipe iniciou o trabalho com a formação de um banco genético e testes em diversas regiões do país. O resultado foi a BRS Fênix, primeira cultivar comercial dessa nova fase do programa.
    Inicialmente recomendada para o Sul e Sudeste, a Fênix recebeu em 2025 a aprovação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para cultivo também em Brazlândia (DF). Pesquisas em andamento avaliam sua adaptação a novas regiões, como a Chapada Diamantina (BA).

    Produtores confirmam desempenho no campo

    Foto: divulgação – Embrapa

    O casal Darceli e Ilóivia Chassot, de Cerro Largo (RS), participa do projeto da Embrapa desde o início. Eles cultivam 12 mil mudas de morangueiro na propriedade e afirmam que a Fênix superou expectativas.
    “Testamos a cultivar no sistema fora do solo e tivemos 100% de pegamento das mudas. O florescimento começou em 45 dias, e as frutas mantiveram tamanho e sabor estáveis durante toda a safra”, relatam.
    Com os bons resultados, o casal decidiu trabalhar apenas com a Fênix. “Mesmo com variações de temperatura, ela mantém o calibre, a firmeza e a qualidade dos morangos. É precoce e resistente”, destacam.

    Atibaia transforma a Fênix em símbolo local

    Em Atibaia (SP), a cultivar Fênix virou referência entre os produtores e ganhou apoio do poder público. A Prefeitura firmou parceria com a Embrapa, adquirindo matrizes para o Viveiro Municipal.
    “O município já produziu cerca de 400 mil mudas em 2025, distribuídas aos produtores locais”, explica o engenheiro agrônomo Marco Albertini. “Ampliamos o viveiro e despertamos o interesse de novos agricultores.”
    O produtor José Roque Doratioto, do Sítio Serrano, cultiva cinco alqueires de morango e destaca o desempenho da Fênix. “A produtividade é alta, o sabor é intenso e a durabilidade excelente. Só é preciso combater a pirataria de mudas”, alerta.
    Albertini reforça que a procura cresce a cada safra. “Mesmo fora do período de distribuição, os produtores já estão reservando mudas para 2026”, afirma.

    Fênix: símbolo da nova fase do morango nacional

    Com alta produtividade, sabor marcante e boa adaptação ao clima brasileiro, a cultivar Fênix representa uma nova era para o morangueiro nacional.
    A variedade reduz a dependência externa, estimula a produção local e impulsiona o desenvolvimento tecnológico no campo. Para os pesquisadores da Embrapa, a Fênix é mais que uma cultivar — é um passo firme rumo à autossuficiência brasileira na produção de mudas de morango.

     

  • Programa transforma agricultor em produtor de morango orgânico no Sul de Minas

    Programa transforma agricultor em produtor de morango orgânico no Sul de Minas

    O agricultor familiar José Lucas Faria Corrêa, de 26 anos, está colhendo os frutos de uma nova aposta em sua propriedade rural, localizada em Seritinga, no Sul de Minas Gerais. Após anos dedicados ao cultivo de hortaliças, o jovem produtor decidiu inovar e investir na produção agroecológica de morangos, com o suporte técnico do programa Futuro no Campo, da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG).

    A primeira safra de morangos começou a ser colhida neste ano, resultado de um projeto iniciado em maio de 2025 em uma área de 500 m². A mudança representa não apenas a diversificação da produção familiar, mas também a busca por novos mercados e o aumento da geração de renda na propriedade.

    Do sonho à realidade: assistência técnica faz a diferença

    Acompanhado pela Emater-MG desde 2021, quando realizou o Cadastro de Agricultor Familiar (CAF), José Lucas já fornecia hortaliças para escolas municipais por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae). No entanto, foi a partir da participação no Futuro no Campo que o jovem encontrou o incentivo necessário para realizar um antigo sonho.

    “Com o Futuro no Campo, eu estou aprendendo muita coisa que eu não sabia, um sonho que eu tenho há muito tempo. A Emater me mostrou que é possível trabalhar com orgânicos, basta saber o que está fazendo. Então eu comecei a buscar conhecimentos para poder plantar o morango”, conta o produtor.

    Segundo a extensionista da Emater-MG, Milene da Silva Soares, o acompanhamento próximo foi fundamental para encorajar a inovação. “O apoio contínuo da Emater com os jovens do Futuro no Campo foi o que animou o produtor a tentar essa cultura nova. Já que ele sempre plantou hortaliças”, explica.

    Planos de expansão e certificação orgânica

    Com expectativas positivas para a safra atual, José Lucas já planeja os próximos passos. Entre os objetivos estão a expansão da área cultivada, a comercialização dos morangos em feiras regionais e, futuramente, o investimento em processamento e certificação orgânica dos produtos.

    José Lucas, produtor rural. Foto: Divulgação/Emater-MG

    Como participante do Futuro no Campo, o agricultor recebe acompanhamento técnico contínuo e participa de visitas técnicas especializadas. E também será contemplado com um kit de ferramentas, sementes de hortaliças e sistema de irrigação fornecidos pelo programa.

    Futuro no Campo: investindo na juventude rural

    Desenvolvido pela Emater-MG, o programa Futuro no Campo tem como foco principal a sucessão familiar rural e a valorização dos jovens agricultores. A iniciativa atende jovens com idade entre 16 e 29 anos, oferecendo acompanhamento técnico, incentivo à inovação e capacitações práticas para estimular a permanência no meio rural.

    O programa reúne três projetos principais: Jovens do Café, Jovens do Leite e Jovem Empreendedor Rural. Com ações voltadas para avicultura de postura, apicultura, fruticultura e olericultura.

    Atualmente, 506 jovens participam da iniciativa em todo o estado. A seleção dos beneficiários ocorreu por meio de edital público, que considerou critérios sociais, produtivos e educacionais. Além da assistência técnica especializada, os participantes também recebem capacitação virtual e presencial, além de kits para implantação das atividades.

    O investimento inicial no Futuro no Campo foi de R$ 1,9 milhão, com recursos próprios da Emater-MG.

  • Loucura – morango do amor vira bebida

    Loucura – morango do amor vira bebida

    A destilaria brasileira Weber Haus lançou um licor exclusivo inspirado na febre das redes sociais: o Licor Morango do Amor. A bebida exclusiva traz o sabor marcante do morango fresco, combinado com rum e um toque de caramelo, reinterpretando a famosa sobremesa viral. A novidade entra em edição limitada e promete agradar paladares com uma combinação doce, cremosa e crocante.

    O Licor Morango do Amor é ideal para ser servido puro e gelado, além de ser a base perfeita para coquetéis criativos. A inspiração veio do doce que conquistou milhões nas plataformas TikTok, Instagram e YouTube, com camadas de morango fresco envolto em brigadeiro branco e finalizado com uma calda crocante vermelha.

    Licor Morango do Amor Weber Haus . Foto: Divulgação

    “O licor representa nossa habilidade em transformar tendências digitais em produtos com alma brasileira”, explica Evandro Weber, CEO da destilaria. Segundo ele, o resultado é um produto com identidade, afetivo e saboroso, perfeito para momentos especiais.

    Febre

    O morango do amor domina as redes sociais e esquenta o mercado, beneficiando produtores e pontos de venda. Enquanto a fruta desaparece rapidamente das prateleiras, a oferta ainda não consegue acompanhar a demanda crescente. Confeiteiros aproveitam o momento para lucrar com a alta procura pelos doces. Lojas enfrentam filas e muitos consumidores aguardam ansiosos para garantir seus pedidos, que batem recordes de encomendas.

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    No Brasil, a produção de morangos concentra-se principalmente em regiões específicas. Minas Gerais e São Paulo somam 66% da produção nacional. Quatro estados — Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Santa Catarina — respondem por cerca de 80% da fruta produzida no país.

    O Sul de Minas destaca-se como o maior polo produtor de morango. A região responde por aproximadamente 90% da produção mineira, sendo Pouso Alegre responsável por 87,5% da safra estadual. Para 2024, a previsão é que o Sul de Minas atinja 173 mil toneladas.

    O cultivo do morangueiro cresce no Brasil e representa uma importante alternativa de renda para a agricultura familiar, apesar da produção ser dispersa em pequenas propriedades. A colheita ocorre entre 50 e 100 dias após o plantio. Além disso, o cultivo atrai jovens para a agricultura, estimulando a sucessão rural em diversas regiões do país.

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