O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) instituiu oficialmente o Plano Nacional de Prevenção e Vigilância de Cydia pomonella, praga conhecida como traça-da-maçã. Isso conforme Portaria SDA/Mapa nº 1.369/25 publicada no Diário Oficial da União (DOU). A iniciativa visa reforçar o monitoramento e a vigilância fitossanitária para manter o Brasil livre dessa ameaça desde 2014, segundo reconhecimento internacional.
A Cydia pomonella representa uma das principais ameaças à produção de maçã e pera. E pode gerar prejuízos econômicos graves caso seja detectada no país. Para impedir sua entrada, o Mapa, em parceria com órgãos estaduais de defesa vegetal, intensifica o monitoramento nos pontos de acesso e áreas produtoras.
A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) já instalou mais de 100 armadilhas para rastrear a presença da praga em municípios estratégicos como Vacaria, Caxias do Sul, Bom Jesus, Arvorezinha e Anta Gorda.
Ricardo Felicetti, diretor do Departamento de Defesa Vegetal da Seapi, ressalta a relevância da cooperação entre produtores, setor público e privados no combate à traça: “A erradicação da Cydia pomonella foi um exemplo mundial de sucesso. Esse controle fitossanitário fortaleceu a exportação brasileira de maçã e pera.”
Diretrizes
O Plano Nacional de Prevenção estabelece diretrizes importantes. Entre elas a instalação e monitoramento contínuo de armadilhas com feromônio em regiões de risco. E também a fiscalização rigorosa em pontos de ingresso de produtos vegetais e ações educativas para prevenção. Além de formação técnica para agentes de defesa agropecuária e protocolos emergenciais para contenção e erradicação da praga caso detectada.
A traça-da-maçã, uma mariposa originária da Europa, é considerada uma praga quarentenária ausente no Brasil. Mas já está presente em países vizinhos como Chile, Argentina e Uruguai. No Brasil, as regiões da Serra Gaúcha, Planalto de Santa Catarina e Sul do Paraná concentram a maior parte da produção nacional de maçã e pera, culturas mais vulneráveis à praga.
Além dos danos diretos causados pelas lagartas, que perfuram os frutos e comprometem a qualidade, a introdução da Cydia pomonella poderia provocar restrições às exportações brasileiras, afetando a competitividade do setor no mercado internacional.
O que antes era descartado como bagaço da produção de sucos agora vira farinha, farelo e chips crocantes de maçã. A inovação é fruto de um projeto da Cooperserra, de São Joaquim (SC), que inaugurou uma moderna unidade de processamento com apoio do Programa Financia Agro SC – Arranjos Produtivos Locais (APL), da Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária.
A iniciativa contou com financiamento de R$ 1 milhão do Fundo Estadual de Desenvolvimento Rural (FDR). O projeto foi elaborado pela Epagri em parceria com a equipe técnica da cooperativa e aprovado pelo Conselho de Desenvolvimento Rural (Cederural).
A unidade de processamento funciona há três meses. O secretário de Agricultura e Pecuária, Carlos Chiodini, visitou a estrutura para acompanhar os resultados. Ele afirma que ao transformar o que iria para o lixo em novos produtos, há criação de oportunidades reais de crescimento para os agricultores familiares. Portanto, esse projeto é um exemplo de como as políticas públicas podem impulsionar a geração de renda, segundo o secretário.
De acordo com o gerente regional da Epagri em São Joaquim, Marlon Couto, a iniciativa nasceu de um estudo de mercado. “Em apenas 12 meses, confirmamos o retorno econômico e mostramos como a parceria entre pesquisa, extensão e agroindústria gera inovação, sustentabilidade e renda para os produtores”, afirmou.
Cooperativa fortalece agricultura familiar
Fundada em 1977, a Cooperserra reúne 115 sócios, dos quais 66% são agricultores familiares. Para o presidente da entidade, Mariozan Correa, os novos produtos abrem novos mercados.
“Nós tínhamos a matéria-prima e agora aproveitamos tudo com valor agregado. A farinha e os chips de maçã trazem um diferencial para a agricultura familiar”, destacou.
O que é o Programa APL
O Financia Agro SC – Arranjos Produtivos Locais (APL) apoia investimentos coletivos de cooperativas e associações ligadas à agricultura, pesca e aquicultura.
O objetivo é fortalecer cadeias produtivas locais, ampliar a geração de renda e superar gargalos logísticos e comerciais.
Grupos de agricultores, pescadores ou aquicultores com participação mínima de 10 famílias, podem solicitar o financiamento. Eles poderão pagar em até cinco anos, sem juros e com parcelas anuais.
Os projetos têm limite de até R$ 500 mil, podendo chegar a R$ 1 milhão por Unidade de Gestão Técnica da Epagri.
A produção de maçã no Sul de Minas Gerais deve registrar um crescimento expressivo em 2025. Segundo estimativas de produtores e técnicos, a área plantada, atualmente de 7,2 hectares, deve saltar para 10,2 hectares no segundo semestre. Ou seja, um aumento de quase 42%. O avanço é impulsionado pelo bom desempenho da fruta na região e pelo interesse crescente dos agricultores locais.
O crescimento se deve, principalmente, à aquisição conjunta de 2 mil mudas de maçã por um grupo de 20 produtores dos municípios de Arceburgo, Areado, Alfenas, Botelhos, Bom Jesus da Penha, Carvalhópolis, Cássia, Guaranésia, Guaxupé, Itamogi, Machado, Monte Santo de Minas, Paraguaçu, Poço Fundo e São Pedro da União. As mudas, provenientes de viveiros do Sul do país, chegam em julho e têm previsão de início de produção em dois anos.
Com a nova área de três hectares, a expectativa é alcançar uma produção de até 60 toneladas de maçã por ano, quando as árvores estiverem em pleno desenvolvimento. O projeto visa abastecer o mercado regional com frutas frescas, reduzindo a dependência de maçãs vindas de outros estados.
Expansão
A introdução da cultura de maçã no Sul de Minas é recente. Mas ganhou força a partir de 2022, quando a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG) implantou unidades demonstrativas em propriedades da região. Os resultados positivos animaram os produtores, que viram na fruta uma alternativa de renda e diversificação agrícola. Especialmente em áreas onde o café não é viável devido às geadas.
Nas primeiras colheitas das unidades demonstrativas, mesmo com plantas ainda jovens, os produtores colheram 30 toneladas de maçã. As variedades Eva e Princesa, desenvolvidas pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), mostraram boa adaptação ao clima local — com inverno menos rigoroso do que o das tradicionais regiões produtoras do Sul do Brasil — e, por isso, foram escolhidas para o cultivo.
Além do mercado consumidor regional, os produtores miram o fornecimento para programas institucionais, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), que tem alta demanda pela fruta. “É uma boa oportunidade para os produtores de Minas conquistarem este mercado. Mercado que ainda depende da maçã vinda de outros estados”, destaca Deny Sanábio, coordenador estadual de Fruticultura da Emater-MG.
Outro diferencial da cultura é o período de produção, que ocorre fora da safra do café. Portanto, possibilitando melhor distribuição da renda ao longo do ano. “A maçã é uma alternativa para diversificação, inclusive em áreas onde não se planta café. Mas é uma cultura técnica, que exige atenção especial com podas e tratos culturais”, explica Geraldo José Rodrigues, técnico da Emater-MG em Guaranésia.
As abelhas fazem mais do que produzir mel: elas polinizam 73% das espécies agrícolas cultivadas no mundo, garantindo a alimentação da humanidade. No Brasil, o trabalho das abelhas gera um impacto econômico de R$43 bilhões na produção de alimentos. Um exemplo claro está na produção de maçã, cultura altamente dependente da polinização. Em 2023, Santa Catarina, maior produtor brasileiro da fruta, colheu 628 mil toneladas, somando R$1 bilhão. Desse total, R$988 milhões resultam diretamente da ação das abelhas.
A importância da polinização faz com que a presença de colmeias cresça nos pomares catarinenses. Alguns fruticultores investem em apiários próprios próximos às plantações, enquanto outros alugam colmeias durante o período de floração. Essa prática, chamada apicultura migratória, gera renda extra para os apicultores, que recebem em média R$125 por colmeia alugada.
Segundo a Epagri, das 358 mil colmeias em produção no estado, cerca de 51,9 mil servem para polinizar macieiras. Esse serviço movimenta aproximadamente R$6,4 milhões por ano e beneficia tanto apicultores quanto produtores de maçã. Rodrigo Durieux da Cunha, coordenador de apicultura da Epagri, explica que apicultores do Litoral Sul levam suas colmeias para a serra durante a floração das macieiras, aproveitando para gerar renda extra em períodos em que a produção de mel no litoral diminui. Em anos com clima seco ou chuvoso, o aluguel das colmeias ajuda a compensar perdas na safra de mel.
Polinização e qualidade da maçã
A polinização influencia diretamente a qualidade e simetria das maçãs. André Sezerino, pesquisador da Epagri na Estação Experimental de Caçador, destaca que maçãs bem polinizadas apresentam de oito a dez sementes, são mais redondas e alcançam classificações superiores.
Os fruticultores confirmam que o investimento no aluguel de colmeias traz ganhos financeiros, melhora a produtividade e aumenta a durabilidade dos frutos. Rodrigo ressalta ainda que a prática reduz o uso de agrotóxicos, já que os produtores passam a aplicar esses insumos de forma correta para proteger os polinizadores.
Renan Lima Pereira, fruticultor de São Joaquim, iniciou na apicultura em 2019 após perceber a importância da polinização para a maçã. Antes, ele contava com oito colmeias naturais, sem manejo específico. Após orientação da Epagri, passou a usar de 8 a 10 colmeias por hectare, seguindo recomendações técnicas.
Além de produzir mel e maçã, Renan aluga colmeias para polinização
Renan observa que a produtividade aumenta entre 20% e 25% com a polinização adequada, além de obter maçãs mais simétricas e com maior resistência a podridões durante o armazenamento. Ele e o irmão Breno também mantêm o Apiário Flor de Altitude, com 450 colmeias que produzem cerca de 8 toneladas de mel por ano. Além disso, alugam entre 250 e 300 colmeias anualmente para produtores da região, faturando cerca de R$47 mil por ano com o serviço.
Antes de instalar as colmeias, Renan realiza mapeamento aéreo e planeja a distribuição, considerando que as abelhas atuam melhor num raio de 300 metros. O aluguel varia entre R$150 e R$175 por colmeia, que permanece no pomar durante um mês. Ele destaca o apoio técnico da Epagri, fundamental para o sucesso do manejo.
Apoio técnico e políticas públicas
A Epagri promove capacitações e assistência técnica para apicultores e fruticultores, reforçando a importância da polinização. Em 2024, a instituição realizou 2.073 atendimentos nas regiões produtoras de maçã em Santa Catarina, como Lages, São Joaquim e Videira.
Em 2023, Santa Catarina lançou o programa Poliniza SC, a primeira política pública estadual para incentivar a polinização migratória. O programa oferece crédito de até R$10 mil para fruticultores alugarem colmeias, com prazo de pagamento de cinco anos e sem juros. A Epagri elabora os projetos de crédito nos municípios para facilitar o acesso das famílias rurais.
André Sezerino ressalta que o manejo da polinização deve começar antes da implantação do pomar, envolvendo escolha das variedades, preparo do solo, arranjo das plantas e tratos culturais até a época da floração e manejo das abelhas.
A polinização cruzada, que transfere pólen entre variedades como Fuji e Gala, é essencial para a qualidade da maçã. Por isso, recomenda-se plantar cultivares diferentes próximos uns dos outros.
A pesquisa indica o uso mínimo de seis colmeias com abelhas com ferrão por hectare. Abelhas nativas complementam a polinização, especialmente porque voam melhor sob as telas antigranizo usadas nos pomares. Usar de 10 a 12 colmeias de abelhas nativas por hectare pode aumentar a produção em até 5 toneladas por hectare comparado a áreas sem telas e sem abelhas sem ferrão.
O manejo correto do pomar e das colmeias gera mais renda e contribui para o meio ambiente. Mais abelhas significam mais polinização nos pomares e nas matas próximas, pois esses insetos buscam fontes variadas de alimento e resinas para seus enxames. Com a parceria dos agricultores, as abelhas fortalecem sua missão essencial de alimentar o planeta.
A Hippomane mancinella, conhecida como mancenilheira, manzanillo ou “árvore da morte”, é um perigo letal disfarçado de paisagem tropical. Presente em regiões costeiras da Mesoamérica e Caribe, essa espécie é considerada a árvore mais tóxica do planeta, segundo o Guinness World Records. Sua combinação de beleza e toxicidade extrema desafia até os mais experientes exploradores da natureza.A manzanillo é uma armadilha natural completa. Cada parte da árvore carrega riscos mortais:
Frutos enganosos: Parecem pequenas maçãs suculentas, mas são bombas tóxicas. A ingestão de apenas um fruto causa queimaduras na boca, úlceras no trato digestivo e desidratação extrema, podendo levar à morte em poucas horas.
Fruto parece maçã, mas mortal. Foto: Hans Hillewaert
Seiva assassina: O látex leitoso contém forbol, uma substância que provoca queimaduras químicas na pele. Relatos históricos do século XVI contam que indígenas do Caribe usavam a seiva para envenenar flechas contra colonizadores espanhóis.
Sombra venenosa: Abrigar-se sob a árvore durante a chuva é um erro fatal. A água que escorre das folhas dissolve toxinas, causando irritações graves na pele e até cegueira temporária se atingir os olhos.
História e mitos: da maldição caribenha aos alerta modernos
Os povos originários da América Central já temiam a mancenilheira. Cristóvão Colombo registrou em seus diários (1493) que marinheiros morreram após comer seus frutos, confundindo-os com maçãs europeias. No século XVIII, piratas do Caribe usavam a seiva para torturar prisioneiros. Hoje, em praias como as do Parque Nacional Manuel Antonio (Costa Rica), placas vermelhas com caveiras alertam: “¡Peligro! Manzanilla – Árbol Muy Venenoso”.
Apesar do risco humano, a mancenilheira tem papel ecológico crucial:
Estabilizadora de dunas: Suas raízes profundas protegem o solo da erosão em regiões costeiras.
Abrigo para fauna: Lagartos e aves se alimentam de seus frutos sem sofrer danos, graças a adaptações evolutivas.
Farmacologia secreta: Estudos da Universidade da Flórida investigam compostos da seiva para possíveis usos em medicamentos contra câncer.
Para turistas em áreas de risco, especialistas recomendam:
Evite contato físico: Não toque em folhas, frutos ou tronco.
Observe placas: Em parques como Manuel Antonio, as árvores são marcadas com fitas vermelhas.
Em caso de exposição: Lave a área com água corrente imediatamente e busque atendimento médico.
Aparência Enganosa
A mancenilheira pode alcançar até 20 metros de altura e oferece sombra generosa com seu tronco ramificado e folhagem verdejante. Seus pequenos frutos verdes, semelhantes a maçãs, exalam um aroma tentador. No entanto, essa aparência esconde uma toxicidade extrema.
A seiva leitosa da mancenilheira queima a pele, causa bolhas dolorosas e, em contato com os olhos, provoca cegueira temporária. Queimar a árvore libera uma fumaça tóxica, igualmente perigosa para os olhos. Ingerir o fruto leva a vômitos, diarreia severa e desidratação, com risco de morte.
Utilidade Surpreendente
Apesar de sua toxicidade, a mancenilheira tem utilidade na fabricação de móveis. O processo de secagem ao sol neutraliza a seiva venenosa da madeira. No entanto, o manuseio requer extremo cuidado para evitar reações alérgicas.
O Brasil celebra uma importante conquista na agricultura: a erradicação da Cydia pomonella, conhecida como traça da maçã, que foi oficialmente declarada livre do país em 2014. A data marca o décimo aniversário desse marco significativo, conforme anunciado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi).
A erradicação da praga foi formalizada através da Instrução Normativa Nº 10, publicada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A solenidade de comemoração ocorreu em Vacaria, no Rio Grande do Sul, com a presença de autoridades, produtores e técnicos do setor. A chefe da Divisão de Defesa Sanitária Vegetal da Seapi, Rita Antochevis, ressaltou a importância dessa conquista: “É um motivo de orgulho para todos nós e reforça nossa responsabilidade em manter esse status fitossanitário.”
Monitoramento contínuo
Apesar do sucesso na erradicação, o monitoramento da praga continua sendo uma prioridade. Atualmente, a Seapi mantém mais de 100 armadilhas instaladas em pomares nas regiões de Vacaria, Caxias do Sul, Bom Jesus, Arvorezinha e Anta Gorda. O objetivo é garantir que a Cydia pomonella não retorne ao país.
O pesquisador e entomologista da Embrapa Uva e Vinho, Adalecio Kovaleski, destacou que a Cydia pomonella é uma das principais pragas que afetam maçãs e peras nas principais regiões produtoras do mundo. Ele lembrou que a primeira detecção no Brasil ocorreu em 1991, em armadilhas na área urbana de Vacaria.
Programa nacional de erradicação
O Mapa iniciou o Programa Nacional de Erradicação da Cydia pomonella em 1993, logo após a detecção inicial da praga. A Embrapa fornece suporte técnico, enquanto diversas associações e órgãos estaduais colaboram na execução do programa. “A erradicação foi uma decisão conjunta entre produtores, Mapa, Embrapa e os órgãos estaduais de defesa fitossanitária”, afirmou Kovaleski.
O monitoramento intensificado identificou focos da praga em várias localidades, mas as ações coordenadas eliminaram a infestação. A captura do último exemplar ocorreu em novembro de 2011.
Benefícios econômicos
A erradicação da Cydia pomonella trouxe ganhos significativos para a competitividade da maçã brasileira. A redução dos custos de produção, diminuição do uso de inseticidas e menor contaminação ambiental são alguns dos benefícios observados. Além disso, o status livre da praga facilita a abertura de mercados exigentes em relação a pragas quarentenárias e resíduos de pesticidas.
A erradicação da Cydia pomonella no Brasil é um exemplo notável de sucesso na proteção fitossanitária e na colaboração entre diferentes setores. Com um monitoramento contínuo e ações preventivas, o país se posiciona para manter sua liderança na produção de maçãs e garantir a saúde das lavouras para as futuras gerações.
O acordo entre Mercosul e União Europeia (UE), firmado nesta sexta-feira (6) após 25 anos de negociações, manteve as condições originais para o comércio de produtos agropecuários. Ao mesmo tempo, o governo brasileiro esclareceu que não houve mudanças em relação ao texto de 2019.
Porém, a decisão contraria países como França e Polônia, que buscavam restringir produtos sul-americanos para proteger seus mercados. Além disso, ainda há resistência de Itália, Países Baixos e Áustria, que podem se opor à ratificação do tratado.
Produtos com tarifas zeradas e cotas definidas
Conforme o documento divulgado pelo governo brasileiro, café e sete tipos de frutas do Mercosul poderão entrar na UE sem tarifas nem cotas. Ou seja, as frutas beneficiadas incluem abacate, limão, lima, melão, melancia, uva de mesa e maçã.
Por outro lado, produtos como carne, etanol e açúcar terão tarifas reduzidas gradualmente e estarão sujeitos a cotas específicas. Portanto, se as exportações ultrapassarem essas cotas, pagarão as alíquotas atuais.
Café e frutas
Café: tarifas entre 7,5% e 11% serão eliminadas em até sete anos.
Uvas de mesa: tarifa de 11% será zerada imediatamente.
Abacate: tarifa de 4% deixará de existir em quatro anos.
Limões e limas: alíquota de 14% cairá em até sete anos.
Melão e melancia: tarifa de 9% chegará a zero em sete anos.
Maçã: alíquota de 10% será eliminada em dez anos.
Produtos agropecuários com tarifas e cotas
Etanol industrial: cota inicial de 450 mil toneladas isenta de tributos.
Etanol combustível: cota de 200 mil toneladas com tarifa reduzida, expandindo ao longo de cinco anos.
Açúcar: cota inicial de 180 mil toneladas sem tarifas; excedentes pagarão até €98 por tonelada.
Carne bovina: cota de 99 mil toneladas com tarifa reduzida para 7,5%.
Carne de aves: cota de 180 mil toneladas isenta, dividida entre cortes com osso e desossados.
Carne suína: cota inicial de 25 mil toneladas com tarifa reduzida de €83 por tonelada.
Suco de laranja: o acordo prevê alíquota zerada em até 10 anos.
Cachaça: o acordo eliminará as tarifas para garrafas de até 2 litros em quatro anos.
Queijos: cota de 30 mil toneladas com tarifa decrescente em 10 anos.
Mel: cota inicial de 45 mil toneladas sem tributos, ampliando em cinco anos.
Impacto econômico e equilíbrio
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, o acordo beneficiará 95% dos bens exportados pelo Mercosul, representando 92% do valor das exportações brasileiras à UE. Contudo, 3% dos produtos, principalmente agrícolas, continuarão sujeitos a barreiras ambientais e sanitárias.
Em resumo, o governo brasileiro destacou que o tratado busca equilibrar a abertura de mercados com a proteção de setores sensíveis, preservando os interesses de ambas as partes.
O governo brasileiro recebeu com entusiasmo a autorização do governo do Peru para a exportação de maçãs brasileiras para o país. Esta é a oitava abertura de mercado no Peru para produtos agrícolas brasileiros em 2024, seguindo as liberações anteriores que beneficiaram os produtores de erva-mate, farelo de mandioca, fibra de coco, flor seca de cravo-da-índia, feno e hemoderivados de bovinos e suínos.
As exportações agrícolas do Brasil para o Peru superaram US$ 724 milhões em 2023, com destaque para produtos florestais, carnes e soja. Entre janeiro e setembro de 2024, esse valor foi de US$ 548 milhões. Em 2023, o Brasil exportou mais de US$ 30 milhões em maçãs para cerca de cem destinos.
Com essa nova autorização, o agronegócio brasileiro alcança a marca de 194 aberturas de mercado neste ano, totalizando 272 aberturas em 61 destinos desde o início de 2023. Esses resultados são fruto do trabalho conjunto entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE).
Produção nacional
Em relação à produção de maçãs no Brasil, o país se destaca como um dos principais produtores da fruta na América Latina. Em 2023, a produção brasileira de maçãs foi estimada em aproximadamente 1,5 milhão de toneladas, com os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul liderando a produção. A expectativa para 2024 é que essa produção continue a crescer, especialmente com a abertura de novos mercados como o peruano.
O ministro Carlos Fávaro ressaltou a importância dessas aberturas para fortalecer as relações comerciais do Brasil no exterior. “Nosso foco é ampliar as relações comerciais da agropecuária brasileira. Com essa nova autorização, estamos não apenas vendendo nossos produtos, mas também fortalecendo laços comerciais com o Peru”, afirmou Fávaro.
A abertura do mercado peruano representa uma oportunidade significativa para os produtores brasileiros, que agora podem expandir suas exportações e aumentar sua presença no mercado internacional.
Uma maçã perfeita com casca 100% vermelha. Essa é a Purple Gala, uma nova variedade de maçã, lançada oficialmente durante a 47ª Expointer, no Rio Grande do Sul. “A Purple Gala é o sonho dos consumidores brasileiros que ‘compram com os olhos’ e sempre buscam uma fruta toda vermelha,” afirma Valdir Andrade, gerente comercial da empresa responsável pela comercialização.
Características da Purple Gala
O vermelho intenso da Purple Gala apresenta um recobrimento compacto da epiderme, em primeiro lugar, com coloração uniforme e sem estrias. Essa característica, portanto, é uma tendência mundial em termos de diferencial organoléptico e de preferência dos consumidores.
“Ela é uma mutação natural que mantém todas as características positivas e a alta aceitação das maçãs Gala, além de ter uma cor de casca excepcional”, destaca Paulo Ricardo Oiveira, pesquisador da área de melhoramento genético da Embrapa Uva e Vinho (RS).
Aceitação no Mercado
Valdir Andrade ressalta que a Purple Gala está obtendo sucesso nos mercados avaliados. Desde o primeiro contato com os compradores, por meio de imagens, até a comercialização nos pontos de venda, a qualidade da fruta tem sido elogiada. “Selecionamos clientes premium em diferentes pontos de venda das Centrais de Abastecimento no Nordeste, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Se tivéssemos, portanto, uma quantidade maior da Purple Gala, teríamos ampliado o mercado. Registramos um valor por caixa 10% superior em comparação aos clones tradicionais, devido à apresentação da nova maçã”, avalia.
Foto: Maçã Purple Gala – Divulgação – Embrapa/Fábio Ribeiro dos Santos
Com experiência na área desde o fim da década de 1980, Andrade vê grande potencial na Purple Gala, especialmente por ser a primeira cultivar Gala totalmente vermelha que está dando certo no Brasil. “É uma maçã que chama a atenção. Sendo assim, todos querem comprar. Ela vende rápido e por um preço 10% superior em relação às cultivares disponíveis no mercado brasileiro hoje. Com certeza será uma ótima opção para abastecer o mercado interno e alavancar as exportações”, pondera.
Fernando Soldatelli, produtor responsável pela avaliação agronômica do novo clone, afirma que a Purple Gala tem se mostrado estável ao longo das safras. “Ela segue se mostrando estável”, diz. Ou seja, a nova maçã perfeita também se destaca pela qualidade e homogeneidade no tamanho, o que lhe rendeu a classificação de CAT 1, a mais valorizada.
Foto: Divulgação – O produtor Fernando Soldatelli e família em produção de maçã purple gala
Diego Zamban, da empresa Agroban, responsável pela classificação e embalagem, relata: “Cerca de 90% da Purple Gala foi classificada como CAT 1, enquanto que o mais comum das galas brasileiras é de 55%. É uma fruta que, tanto pelo tamanho quanto pela coloração, irá garantir o escoamento da produção e lucro para o produtor.”
A História da “Maçã Perfeita”
A nova cultivar foi inicialmente identificada em 2013 pelo engenheiro-agrônomo João Zuanazzi, a partir de uma mutação em um pomar da cultivar Royal Gala em Vacaria (RS). A Embrapa foi convidada por um grupo de produtores a participar da avaliação do novo clone, que apresentava a coloração 100% vermelha e elevado potencial agronômico e comercial. Assim, foi estabelecida uma parceria de cooperação técnica para o desenvolvimento da cultivar.
Pesquisadores da Embrapa Uva e Vinho realizaram avaliações agronômicas, de qualidade e de armazenamento dos frutos, além disso atenderam aos requisitos legais de proteção e registro da cultivar junto ao Ministério da Agricultura. Portanto, o novo clone, registrado no RNC e protegido no SNPC como BRS Gala JVZ64, é um verdadeiro produto brasileiro, reconhecido pela intensa pigmentação em diferentes órgãos vegetais.
Brasil no Mercado Global de Maçãs
O Brasil é um dos dez maiores produtores mundiais de maçãs, concentrando sua produção na Região Sul. A neozelandesa Gala representa 60% da produção, enquanto a japonesa Fuji corresponde a 35%.
Em 2020, o Brasil produziu 938 mil toneladas de maçãs, tornando-se, desse modo, fornecedor internacional, com os principais destinos sendo Rússia, Bangladesh e Índia. Por fim, a busca por novas alternativas no setor inclui a identificação e seleção de mutações naturais promissoras, que podem oferecer opções interessantes aos produtores.
A safra catarinense de maçã encerrou com uma produção de cerca de 423 mil toneladas em 2023/2024, a menor já registrada pelo Observatório Agro Catarinense. A queda é de quase 24% em relação à safra anterior, que atingiu 555,2 mil toneladas, segundo o Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa).
A colheita da maçã em Santa Catarina terminou em junho. Problemas climáticos afetaram a produtividade dos pomares, especialmente dos cultivares Gala e Fuji, que representam 98% da produção no estado. Rogério Goulart Júnior, analista da Epagri/Cepa, explicou que o excesso de chuvas durante a floração reduziu a produtividade e causou problemas fitossanitários.
Queda na produção da maçã Gala
A maçã Gala teve a maior redução de produtividade. Em 2023/2024, a produtividade média foi de 27,9 toneladas por hectare, uma queda de 27,35% em comparação com as 38,4 toneladas por hectare de 2022/2023. Além disso, a produção total de maçã Gala ficou em 195,6 mil toneladas, uma redução de 26,43% em relação à safra anterior. Os dados estão disponíveis nos sites do Observatório Agro Catarinense e do Infoagro.
Desempenho da maçã Fuji
A maçã Fuji também registrou uma redução de produtividade de 26% na safra 2023/2024. A produtividade média foi de 25,7 toneladas por hectare, comparada com 34,7 toneladas por hectare no ano agrícola anterior. A área colhida aumentou 5,7%, passando de 8 mil hectares para 8,5 mil hectares, o que impactou menos a produção total. No total, os agricultores colheram 218 mil toneladas de maçãs Fuji, uma queda de 21,79% em relação ao ano anterior.
Redução na produção de maçãs precoces
A produção de maçãs precoces também diminuiu, mas devido à redução da área colhida. Em 2022/2023, foram colhidos 363 hectares dessa variedade, enquanto em 2023/2024, a área foi de 308 hectares, uma redução de 15,15%. A produtividade, contudo, cresceu 5,66%, atingindo 30,7 toneladas por hectare. Ou seja, o volume total de maçãs precoces foi de 9,45 mil toneladas, uma redução de 10,35% em relação à safra anterior.