Tag: Lula

  • Lula diz a Trump que tarifas contra o Brasil são infundadas

    Lula diz a Trump que tarifas contra o Brasil são infundadas

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone com Donald Trump nesta sexta-feira (21). O diálogo entre os presidentes durou 1 hora e 20 minutos. Segundo o Palácio do Planalto, a conversa teve tom amistoso e cordial. Durante o telefonema, Lula afirmou que as alegações dos Estados Unidos para impor tarifas ao Brasil são “infundadas”.

    As novas barreiras comerciais foram definidas após investigações do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). O governo norte-americano citou diferentes questões para justificar as medidas comerciais contra produtos brasileiros. Entre elas, estão o desmatamento, o combate à corrupção e o funcionamento do PIX.

    Os Estados Unidos também mencionaram o mercado de etanol e supostas importações ligadas ao trabalho forçado. Segundo o Planalto, Lula rebateu integralmente esses argumentos durante a conversa com Trump. O presidente brasileiro afirmou ainda que as tarifas prejudicam as economias dos dois países.

    Por isso, Lula defendeu a continuidade das negociações como melhor caminho para as relações bilaterais. Segundo o Planalto, Trump concordou sobre a necessidade de preservar as relações comerciais entre os países. O presidente norte-americano também sugeriu uma nova reunião entre as equipes técnicas dos dois governos.Trump pediu que os representantes retomem as tratativas o mais rapidamente possível.

    Brasil oferece cooperação contra o crime organizado

    Durante a ligação, Lula também reiterou o interesse brasileiro em cooperar com Washington contra o crime organizado. O presidente explicou a visão do governo brasileiro sobre a atuação das facções criminosas. Segundo Lula, esses grupos aterrorizam diariamente as populações mais vulneráveis, mas não são organizações terroristas. O presidente afirmou que o Brasil possui instrumentos legais para combater as facções sem classificações especiais.

    O Planalto informou que Lula apresentou a estratégia de estrangulamento financeiro das organizações criminosas. Essa estratégia já resultou na apreensão de cerca de R$ 17 bilhões, segundo o governo. Lula também citou o plano para transformar 138 unidades prisionais em presídios de segurança máxima. Além disso, mencionou a aprovação da Lei Antifacção e uma proposta de emenda à Constituição. A PEC, atualmente em análise no Congresso, amplia a atuação da União na segurança pública. A proposta prevê atuação conjunta entre o governo federal e os estados.

    Lula também citou o Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus. A estrutura reúne autoridades policiais de todos os países que integram a bacia amazônica. Trump, por sua vez, demonstrou disposição para ampliar a cooperação entre os dois governos. O presidente norte-americano também indicou que funcionários de alto escalão participarão das próximas tratativas.

    Lula e Trump discutem conflitos internacionais

    Os presidentes também abordaram conflitos internacionais durante a conversa desta sexta-feira. Segundo o Planalto, Lula e Trump concordaram sobre a urgência de negociar uma saída para a guerra. O conflito entre Rússia e Ucrânia já se aproxima de cinco anos de duração.

    Trump também apresentou considerações sobre as perspectivas de solução para as tensões envolvendo o Irã. Lula, por outro lado, criticou a atuação do Conselho de Segurança das Nações Unidas. O presidente brasileiro propôs uma reunião extraordinária do órgão para buscar soluções diplomáticas. A proposta já havia sido apresentada por Lula aos presidentes Xi Jinping, da China, e Vladimir Putin, da Rússia. Segundo o Palácio do Planalto, Lula defendeu a atuação dos grandes líderes pela paz. Para o presidente brasileiro, grandes líderes devem buscar o fim dos conflitos, e não iniciar guerras.

  • Governo amplia regras para estoques de alimentos diante do risco do El Niño

    Governo amplia regras para estoques de alimentos diante do risco do El Niño

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta terça-feira (18) uma nova legislação que amplia os instrumentos do governo para enfrentar os impactos do El Niño no campo e reforçar os estoques públicos de alimentos.

    Entre as principais mudanças está a possibilidade de o governo comprar determinados produtos agrícolas por valores até 25% superiores ao preço mínimo estabelecido para a safra.

    A medida abre caminho para ampliar os estoques administrados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em um período de preocupação com os possíveis efeitos do fenômeno climático sobre a produção e o abastecimento.

    A estratégia do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) prevê a compra de até 310 mil toneladas de arroz e 180 mil toneladas de milho.

    Caso seja necessário para viabilizar a formação dos estoques, o governo poderá pagar acima do preço mínimo, respeitando o limite estabelecido pela nova legislação.

    O que muda nas compras da Conab

    Até então, a legislação condicionava a aquisição para formação de estoques à situação em que os produtos estivessem negociados abaixo do preço mínimo.

    O mecanismo funcionava principalmente como instrumento de sustentação de preços e renda do produtor. Entretanto, essa condição restringia a atuação da Conab quando os preços estavam acima desse patamar, mesmo diante da necessidade de recompor estoques.

    Com a mudança, o governo ganha maior margem para realizar compras públicas voltadas ao abastecimento.

    Na prática, a alteração permite que a política de estoques seja utilizada não apenas quando há pressão de baixa sobre os preços recebidos pelos produtores, mas também diante da necessidade de garantir disponibilidade de produtos para períodos posteriores.

    El Niño aumenta preocupação com abastecimento

    A mudança ocorre em meio à preparação do governo para os possíveis impactos do El Niño sobre a produção agropecuária brasileira.

    O fenômeno altera os padrões de chuva e temperatura e pode produzir efeitos diferentes entre as regiões produtoras. Por isso, eventuais impactos sobre as safras dependem da intensidade do fenômeno, da época do ano e da localização das lavouras.

    Nesse cenário, a formação de estoques de arroz e milho funciona como instrumento adicional da política de abastecimento.

    Os estoques públicos podem ser utilizados pelo governo para aumentar a disponibilidade de determinados produtos no mercado quando houver necessidade, dentro das regras estabelecidas para cada programa.

    Mais produtos entram no programa para pequenos criadores

    A nova legislação também amplia a cesta de produtos que poderá ser adquirida pela Conab e posteriormente comercializada pelo Programa de Venda em Balcão (ProVB).

    O programa atende principalmente pequenos criadores de animais, facilitando o acesso a produtos destinados à alimentação dos rebanhos.

    Até agora, o ProVB disponibilizava milho. Com as novas regras, a Conab poderá trabalhar também com:

    • sorgo;
    • caroço de algodão;
    • farelo de soja;
    • farelo de milho;
    • outros produtos destinados à alimentação animal.

    A diversificação pode ampliar as alternativas disponíveis aos pecuaristas, especialmente em períodos de pressão sobre a oferta ou os preços dos insumos utilizados na alimentação animal.

    Cooperativas poderão comprar até 80 toneladas por mês

    O limite mensal para os pequenos criadores permanece em até 27 toneladas.

    A legislação também passa a contemplar cooperativas e associações, que poderão adquirir até 80 toneladas por mês, conforme as regras do programa.

    Outra mudança importante é o fim do limite de 200 mil toneladas anuais que existia para o abastecimento do ProVB.

    A partir de agora, o volume destinado ao programa deverá ser estabelecido conjuntamente pelo MDA, Ministério da Agricultura e Pecuária e Ministério da Fazenda, considerando a disponibilidade orçamentária e financeira.

    Esses ministérios também ficarão responsáveis por estabelecer as condições para as vendas destinadas às cooperativas de produção agropecuária e associações da agricultura familiar, em articulação com a Conab.

    Estoques também poderão abastecer programas sociais

    A nova legislação ainda autoriza a venda direta de produtos dos estoques públicos da Conab para atender programas sociais, ações de abastecimento e iniciativas relacionadas à segurança alimentar.

    Entre os beneficiários previstos estão micro e pequenas indústrias de alimentos, micro e pequenas empresas do varejo alimentar, cooperativas e associações.

    A regulamentação dessa modalidade ficará a cargo dos ministérios do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar; do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome; e da Fazenda.

    Já a Conab deverá estabelecer os critérios de adesão e credenciamento dos beneficiários, além da metodologia para definição dos preços.

     

  • Lula sanciona lei que proíbe produção e venda de foie gras no Brasil

    Lula sanciona lei que proíbe produção e venda de foie gras no Brasil

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta sexta-feira (24) o projeto de lei que proíbe a produção e a venda de produtos obtidos por meio da alimentação forçada de animais no Brasil. A medida atinge diretamente o foie gras, iguaria da culinária francesa preparada com fígado gordo de pato ou ganso.

    Foto: Reprodução/Senado Federal

    A nova norma, publicada no Diário Oficial da União (DOU), veda a produção e a comercialização do foie gras tanto in natura quanto enlatado. O texto define alimentação forçada como qualquer método, mecânico ou manual, que force a ingestão de alimento além do limite natural de saciedade do animal, por meio de instrumentos que despejam a ração diretamente na garganta, no esôfago, no papo ou no estômago.

    Quem descumprir a proibição estará sujeito a prisão de três meses a um ano e ao pagamento de multa, penalidades já previstas na Lei de Crimes Ambientais para casos de maus-tratos a animais.

    Como funciona a técnica do gavage

    A produção tradicional de foie gras depende do gavage, procedimento que obriga o animal a ingerir quantidades de alimento muito superiores às que consumiria espontaneamente, com o objetivo de aumentar o tamanho do fígado. Um tubo metálico entra pela garganta da ave até o esôfago e despeja a ração diretamente no órgão.

    Produtores costumam repetir o procedimento duas vezes por dia, durante as duas a quatro semanas que antecedem o abate.

    Isso gera uma série de lesões na garganta, no esôfago ou até na face e no bico do animal. O fígado das aves submetidas à técnica pode crescer até dez vezes além do tamanho normal, o que provoca dor, altera o metabolismo e gera estresse térmico. Falhas na aplicação do procedimento agravam ainda mais os ferimentos nos animais.

    O deputado Fred Costa (PRD-MG), relator do projeto, aponta que a técnica pode elevar em até 25 vezes a taxa de mortalidade das aves. Até o momento, nenhuma alternativa comercialmente viável substitui o método sem o uso da alimentação forçada. Pesquisadores estudam o cultivo de células em laboratório e produtos à base de plantas como possíveis substitutos.

    Brasil se junta à Índia na proibição

    Com a sanção, o Brasil passa a ser o segundo país do mundo a proibir a produção e a comercialização de produtos feitos com alimentação forçada de animais. A Índia foi a pioneira na medida.

    Outros países já restringem a produção por meio de regras semelhantes, entre eles Reino Unido, Alemanha, Itália, Austrália e Argentina.

    Tramitação do projeto e reação do setor

    Apresentado no Senado há seis anos, o projeto tramitou em caráter conclusivo pelas comissões, sem necessidade de votação em plenário. No cenário interno, o projeto avançou sem grandes obstáculos, já que o país conta com apenas três produtores que utilizam a técnica de gavage.

    Organizações de proteção animal apoiam a medida porque a produção do foie gras utiliza a alimentação forçada de patos e gansos. Segundo a presidente da Animal Equality, Sharon Núñez, a aprovação representa um avanço importante.

    “Em um país com enorme relevância na indústria agropecuária global, este avanço envia uma mensagem poderosa: o sofrimento animal não pode ser tratado como ingrediente de luxo.”

  • Brasil evita retaliação imediata ao tarifaço dos EUA

    Brasil evita retaliação imediata ao tarifaço dos EUA

    O governo brasileiro decidiu não responder imediatamente ao novo tarifaço dos Estados Unidos. A tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros entrou em vigor nesta quarta-feira (22).

    Após a confirmação da medida pelo governo norte-americano, o Palácio do Planalto classificou a decisão como um “marco lastimável”. Além disso, informou que iniciaria os trâmites para aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica.

    Apesar do anúncio, o governo ainda não apresentou medidas concretas com base na legislação. Por enquanto, a estratégia prioriza a avaliação do cenário político e econômico.

    Governo adota cautela antes de reagir

    Na terça-feira (21), o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que a Lei da Reciprocidade não representa uma retaliação aos Estados Unidos. Segundo ele, o objetivo é corrigir uma situação considerada injusta para o Brasil.

    “A ideia não é retaliação. Diz que olho por olho pode acontecer de os dois ficarem cegos. A reciprocidade é: nós estamos sendo injustiçados e queremos corrigir isso”, afirmou Alckmin.

    O vice-presidente concedeu entrevista ao lado do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. Ambos participaram de uma reunião com representantes dos setores atingidos pela nova tarifa.

    Empresários defendem solução diplomática

    Nos últimos dias, entidades empresariais demonstraram preocupação com possíveis respostas comerciais do Brasil. Por isso, defenderam cautela nas decisões do governo.

    A postura adotada pelo Planalto segue a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Assim, o governo busca preservar o diálogo antes de adotar medidas previstas na Lei da Reciprocidade.

    Durante as reuniões com o governo, representantes do setor de máquinas agrícolas também descartaram medidas de reciprocidade. Em vez disso, eles defenderam a resolução do impasse por meio de negociações diplomáticas e empresariais.

    Tarifa dos EUA atinge setores estratégicos

    A nova tarifa norte-americana exclui uma ampla lista de produtos brasileiros. Entre eles estão petróleo, café e carne bovina. Por outro lado, segmentos como etanol, máquinas agrícolas e papel sofrerão impactos com a cobrança adicional.

  • Conheça o foie gras, prato francês que pode ser proibido no Brasil

    Conheça o foie gras, prato francês que pode ser proibido no Brasil

    O projeto de lei que proíbe a produção e a comercialização de foie gras no Brasil seguiu, nesta terça-feira (7), para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Antes disso, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou a proposta. Agora, o texto reacende o debate sobre bem-estar animal e os métodos utilizados para produzir a tradicional iguaria francesa.

    Organizações de proteção animal apoiam a medida porque a produção do foie gras utiliza a alimentação forçada de patos e gansos. Segundo a presidente da Animal Equality, Sharon Núñez, a aprovação representa um avanço importante.

    “Em um país com enorme relevância na indústria agropecuária global, este avanço envia uma mensagem poderosa: o sofrimento animal não pode ser tratado como ingrediente de luxo.”

    Além disso, a entidade afirma que, caso o presidente sancione o projeto, o Brasil será o primeiro país da América Latina a proibir, por lei federal, tanto a produção quanto a comercialização do foie gras.

    Como o foie gras é produzido?

    Foie gras significa “fígado gordo” em francês. Os produtores obtêm a iguaria a partir do fígado de patos ou gansos submetidos a um processo de alimentação intensiva.

    Para isso, os criadores utilizam uma técnica conhecida como gavage.

    A imagem mostra um prato típico francês, o Foie Gras.
    O órgão animal aumenta diversas vezes de tamanho e adquire a textura característica do produto — Foto: Reprodução/PUC

    Durante esse processo, eles introduzem um tubo no esôfago da ave e fornecem grandes quantidades de alimento altamente energético. Em geral, essa etapa dura entre duas e três semanas e ocorre duas ou três vezes por dia.

    Impactos para as aves

    Em 1998, o Comitê Científico de Saúde e Bem-Estar Animal da União Europeia publicou um relatório sobre os efeitos da produção do foie gras.

    Segundo o documento, muitas aves evitam o contato com os tratadores durante o período de alimentação forçada. Além disso, o aumento do fígado compromete a postura e dificulta a locomoção. Em alguns casos, os animais permanecem sentados durante boa parte do dia.

    O relatório também informa que a introdução repetida do tubo pode provocar dor e lesões no esôfago. Ao mesmo tempo, o crescimento exagerado do fígado caracteriza uma condição patológica capaz de causar desconforto e alterações fisiológicas.

    Outro ponto destacado envolve o comportamento natural das aves. Normalmente, patos e gansos procuram alimento, exploram o ambiente e vivem em grupos. Entretanto, sistemas intensivos de criação podem limitar ou impedir esses comportamentos.

    A história do foie gras

    Embora muitos associem o foie gras à gastronomia francesa, sua origem é muito mais antiga.

    Pesquisadores encontraram registros da prática no Egito Antigo, há cerca de 4.500 anos. Pinturas da época mostram gansos sendo alimentados intensivamente, o que indica que os egípcios já conheciam técnicas semelhantes.

    Os egípcios observaram que aves migratórias acumulavam gordura no fígado antes de longas viagens — Foto: Reprodução/The Archaeologist

    Posteriormente, autores como Heródoto e Homero também citaram métodos de engorda de aves.

    Com o passar dos séculos, a técnica se espalhou pela Europa. No século XVII, ela ganhou força no sudoeste da

    Proibição

    Diversos países já proibiram a produção de foie gras por considerarem a alimentação forçada incompatível com normas de bem-estar animal. Ainda assim, muitos deles continuam permitindo a venda e o consumo da iguaria.

    No Brasil, a cidade de São Paulo aprovou uma lei com esse objetivo em 2015. No entanto, o Tribunal de Justiça declarou a norma inconstitucional porque entendeu que o município não tinha competência para regulamentar a comercialização do produto.

    Enquanto isso, Nova York aprovou uma lei em 2019 para proibir a venda de foie gras. Em 2026, a Justiça autorizou sua aplicação. Mesmo assim, disputas judiciais ainda podem influenciar a implementação definitiva da medida.

  • Governo libera R$ 270 milhões para produtores de cana do Nordeste

    Governo libera R$ 270 milhões para produtores de cana do Nordeste

    O governo federal publicou, nesta quarta-feira (1), no Diário Oficial da União (DOU), a Medida Provisória (MP) 1.374, que autoriza a concessão de R$ 270 milhões em subvenções aos produtores de cana-de-açúcar do Nordeste. A iniciativa busca amenizar os impactos enfrentados pelo setor após o tarifaço imposto pelos Estados Unidos e a queda nos preços do açúcar.

    A medida foi assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na última terça-feira (1º), durante o lançamento do Plano Safra 2026/27 voltado à agricultura familiar.

    Pelas regras da MP, o governo poderá conceder R$ 12 por tonelada de cana-de-açúcar produzida e comprovadamente entregue a usinas, destilarias ou cooperativas localizadas na região Nordeste durante a safra 2025/26.

    Cerca de 16 mil produtores devem ser beneficiados

    Segundo a Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana), aproximadamente 16 mil agricultores serão contemplados pela medida. Atualmente, esse segmento gera cerca de 60 mil empregos na região Nordeste.

    Para a União dos Produtores de Cana do Nordeste (Unida), a subvenção chega em um momento decisivo para aliviar a pressão financeira enfrentada pelos produtores.

    Em nota, o presidente da entidade, Pedro Campos Neto, afirmou que o setor atravessa um período marcado pelo aumento dos custos de produção, pelos desafios climáticos e pela necessidade de manter a competitividade da atividade. Segundo ele, o auxílio contribui para preservar a sustentabilidade econômica de milhares de famílias que dependem da canavicultura.

    A Unida também destacou a expectativa de que os recursos sejam operacionalizados rapidamente para que o benefício chegue aos produtores o quanto antes.

    MP também libera recursos para inovação no campo

    Além do apoio aos produtores de cana, a Medida Provisória autoriza a destinação extraordinária de R$ 10 bilhões do superávit financeiro do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).

    Os recursos serão destinados ao financiamento de projetos voltados à disseminação de tecnologias e equipamentos nacionais para produtores rurais, com o objetivo de incentivar a modernização e aumentar a competitividade do agronegócio brasileiro.

  • Sem Lula, Plano Safra 2026/27 será lançado amanhã

    Sem Lula, Plano Safra 2026/27 será lançado amanhã

    O governo federal lançará nesta terça-feira (30) o Plano Safra 2026/27 da agricultura empresarial, principal política de crédito para produtores rurais do país. A cerimônia, marcada para as 10h no Palácio do Planalto, acontecerá sem a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que cumprirá agenda oficial no Paraguai durante a reunião da Cúpula do Mercosul.

    Quem representará o governo será Geraldo Alckmin, em uma situação pouco comum para o lançamento de um dos programas mais importantes da política agrícola brasileira.

    Ainda na terça-feira, às 17h, está previsto o anúncio do Plano Safra 2026/27 destinado à agricultura familiar. A expectativa é que Lula consiga retornar a Brasília a tempo de participar dessa segunda cerimônia, embora sua presença ainda dependa da agenda oficial.

    Dificuldades no Planalto

    A ausência do presidente no lançamento voltado à agricultura empresarial ocorre em meio às dificuldades do Palácio do Planalto para conciliar os compromissos presidenciais com o calendário do programa. Tradicionalmente, o Plano Safra é anunciado antes do início de sua vigência, marcada para 1º de julho.

    Nos bastidores do governo, a definição da data passou por diferentes avaliações. Chegou a ser considerada a possibilidade de adiar o anúncio para o dia 3 de julho, mas a proximidade do período de restrições previsto na legislação eleitoral levou o Executivo a manter a divulgação ainda em junho.

    Leia mais: Conheça “Isis Valverde”, a vaca de R$ 4 milhões

    Lançamento do Plano Safra

    Enquanto isso, o Ministério do Desenvolvimento Agrário prepara uma estrutura semelhante à dos últimos anos para o lançamento do Plano Safra da agricultura familiar. A ideia é promover uma feira com agricultores familiares nas proximidades do Palácio do Planalto. Além disso, a pasta pretende reunir produtores rurais no Salão Nobre para acompanhar a cerimônia.

    Na elaboração do Plano Safra 2026/27, Lula não participou diretamente das discussões. Desta vez, as equipes técnicas conduziram as negociações sob coordenação da Casa Civil e dos ministérios envolvidos. Assim, o governo não precisou levar ao presidente decisões sobre os principais pontos da política agrícola.

    Com o lançamento marcado para esta terça-feira, o setor agora aguarda os detalhes oficiais do programa. Entre as principais expectativas estão o volume de recursos para o crédito rural, as taxas de juros e as demais regras que vão orientar o financiamento da próxima safra.

  • Plano Safra 2026/27 será lançado sem presença de Lula

    Plano Safra 2026/27 será lançado sem presença de Lula

    O governo federal lançará o Plano Safra 2026/27 da agricultura empresarial na próxima terça-feira (30), sem a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A cerimônia ocorrerá às 10h, no Palácio do Planalto, em Brasília. Lideranças e entidades do agronegócio receberam os convites para o evento nesta sexta-feira (26). No entanto, Lula participará da Cúpula do Mercosul, no Paraguai, durante a cerimônia.

    O presidente em exercício, Geraldo Alckmin, representará o governo no lançamento. A ausência de Lula rompe uma tradição recente nas apresentações da principal política agrícola do país. Já o Plano Safra 2026/27 da agricultura familiar será anunciado às 17h da mesma terça-feira. O governo espera que Lula retorne a tempo para participar dessa cerimônia.

    Ausência de Lula pode gerar repercussão política

    A dificuldade para conciliar compromissos criou uma situação inédita. Pela primeira vez em anos, o governo anunciará o Plano Safra empresarial sem o chefe do Executivo. Nos bastidores de Brasília, a avaliação é que a ausência de Lula reduz o peso político do evento.

    Além disso, a decisão pode provocar críticas da oposição e de representantes do agronegócio. Segundo essa leitura, o episódio também pode enfraquecer o ministro André de Paula. O ministro ainda busca ampliar o diálogo com lideranças do setor agropecuário.

    Agenda presidencial definiu lançamento do Plano Safra 2026/27

    A equipe da Presidência enfrentou dificuldades para ajustar a agenda presidencial. O Plano Safra entra em vigor em 1º de julho e, tradicionalmente, o governo anuncia o programa antes dessa data. Lula permanecerá em Brasília na segunda-feira (29). Entretanto, o jogo da seleção brasileira na Copa do Mundo inviabilizou novas agendas públicas.

    Na terça-feira (30), o presidente seguirá para o Paraguai, onde participará da reunião do Mercosul. Em seguida, na quarta-feira (1º), viajará ao Nordeste para compromissos no Ceará, Bahia e Rio Grande do Norte até quinta-feira (2).

    Até esta sexta-feira, o governo ainda avaliava anunciar o Plano Safra na sexta-feira (3). Essa data representa o último prazo permitido pela legislação eleitoral para divulgar programas governamentais.

    A Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997) proíbe a publicidade institucional dos órgãos públicos a partir de 4 de julho de 2026. O prazo corresponde aos três meses anteriores ao primeiro turno das eleições.

    Plano Safra da agricultura familiar

    A participação de Lula no lançamento do Plano Safra da agricultura familiar ainda depende da agenda presidencial. Mesmo assim, o governo trabalha para garantir sua presença.

    O Ministério do Desenvolvimento Agrário pretende repetir a estratégia adotada em anos anteriores. A pasta planeja promover uma feira com agricultores familiares nas proximidades do Palácio do Planalto. Além disso, o ministério pretende reunir pequenos produtores rurais e apoiadores do governo no Salão Nobre durante a cerimônia.

    Elaboração do Plano Safra ficou em nível técnico

    Segundo informações de bastidores, Lula não participou diretamente da elaboração do Plano Safra 2026/27. Diferentemente de anos anteriores, o debate permaneceu no nível técnico. As discussões envolveram poucas reuniões ministeriais ampliadas. A Casa Civil coordenou os trabalhos para definir a nova política agrícola.

  • Brasil busca acordo com a UE para manter exportações de carne bovina

    Brasil busca acordo com a UE para manter exportações de carne bovina

    A indústria frigorífica acredita que as negociações entre Brasil e União Europeia permitirão a retomada das exportações de carne ao bloco antes da entrada em vigor das novas restrições sobre antimicrobianos, prevista para setembro.

    A expectativa do setor se apoia no avanço das negociações sobre um protocolo para segregação de animais livres dos antimicrobianos vetados e na possível concessão de um período de transição pela UE.

    Outro fator considerado relevante é a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas negociações diplomáticas, movimento que pode contribuir para acelerar as tratativas.

    Na quinta-feira (18), o CEO da Friboi e presidente do conselho da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Renato Costa, reconheceu que houve certa demora na reação da cadeia produtiva e do próprio governo diante das exigências europeias, já que a regulamentação não é recente.

    Segundo ele, o cenário também exige maior participação da indústria farmacêutica veterinária para ampliar a oferta de alternativas aos antimicrobianos proibidos no mercado europeu.

    “Estamos confiantes. Teve que ter uma escalada política para ver se acelerava isso [negociações]. O presidente Lula agora, no G7, apresentou não só o nosso pleito. E [tem] também o trabalho que o Ministério da Agricultura está fazendo para convencer a comunidade europeia a aceitar o protocolo”, afirmou.

    Avanços sanitários

    De acordo com o executivo, o reconhecimento do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação, além de outros avanços sanitários conquistados recentemente, pode reforçar os argumentos brasileiros nas negociações.

    A proposta de transição permitiria a implementação gradual do protocolo de rastreabilidade exigido pela UE, incluindo a comprovação da ausência dos antimicrobianos durante todo o ciclo produtivo do animal. Atualmente, o setor estima que esse monitoramento precisaria abranger cerca de 30 meses, período que vai do nascimento ao abate dos bovinos.

    No entanto, o Brasil ainda não dispõe dessas informações de forma ampla e estruturada para atender às exigências até setembro.

    Setor cobra medidas mais rápidas

    Na semana passada, a Abiec e a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) solicitaram ao governo federal a ampliação das restrições ao uso de determinados antimicrobianos. Até o momento, segundo a indústria, não houve resposta oficial.

    Costa afirmou que a proposta teve como objetivo chamar atenção para a necessidade de ações mais efetivas diante do risco de perda de um mercado considerado estratégico para a rentabilidade das exportações brasileiras.

    No entanto, a iniciativa recebeu críticas de pecuaristas e empresas do setor de saúde animal. Um dos principais questionamentos envolve a disponibilidade limitada de produtos substitutos no mercado brasileiro.

    1,2 mil fazendas estão habilitadas para exportação

    Renato Costa destacou que cerca de 1,2 mil fazendas brasileiras estão habilitadas a exportar carne bovina à União Europeia por meio da Lista Traces, cumprindo exigências de rastreabilidade, mas ainda sem atender às novas regras sobre medicamentos veterinários. Segundo Damian Lluna, representante da UE no Brasil, essas exigências já são conhecidas pelo setor há anos.

    “A União Europeia tem, desde o início dos anos 2000, regras de proibição desses produtos. Já é obrigação a todos os produtores europeus desde 2022, e agora tem para países terceiros que queiram exportar para lá”, afirmou.

    Mercado europeu tem alto valor agregado

    Embora a União Europeia tenha absorvido apenas 3,5% das exportações brasileiras de carne bovina em 2025, o mercado possui grande relevância econômica devido à compra de cortes de maior valor agregado.

    Neste ano, as vendas ao bloco somaram US$ 1 bilhão e 128 mil toneladas de carne bovina.

    Por isso, um eventual bloqueio poderia reduzir a rentabilidade das operações exportadoras. Ainda assim, Costa avalia que os volumes embarcados poderiam ser redirecionados para outros mercados compradores, minimizando os impactos sobre o setor.

  • Governo usará dados de desmatamento em negociações com os EUA; entenda

    Governo usará dados de desmatamento em negociações com os EUA; entenda

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (11) que o governo brasileiro enviará aos EUA os dados mais recentes sobre a redução do desmatamento no país. A medida ocorre em meio às discussões envolvendo uma possível ampliação de tarifas sobre produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano.

    Durante visita ao Observatório Regional Amazônico (ORA), da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), em Brasília, Lula disse que as informações serão encaminhadas ao representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer.

    Segundo o presidente, o governo pretende apresentar os avanços ambientais alcançados pelo Brasil para contestar argumentos utilizados por autoridades americanas ao defenderem medidas tarifárias contra o país.

    “Vamos ter que pegar esses dados e mandar para o cidadão do comércio dos Estados Unidos, que coloca a questão do desmatamento como justificativa para punir o Brasil com uma taxação maior”, declarou.

    Além disso, Lula afirmou que o governo fará comparações entre os indicadores ambientais brasileiros e os resultados registrados pelos Estados Unidos.

    “Agora é a hora da comparação. Eles mentiram na primeira vez que taxaram o Brasil em 50%, dizendo que tinha déficit comercial. Nós provamos que tiveram superávit muito alto em 15 anos”, pontuou.

    “É muito mais barato a gente trabalhar para evitar o desmatamento”, afirma o presidente — Foto: Ricardo Stuckert/PR

    Dados ambientais

    De acordo com o presidente, parte das críticas feitas pelos Estados Unidos ao Brasil estaria baseada no desconhecimento das políticas implementadas para combater o desmatamento.

    O tema ganhou ainda mais relevância após o governo americano recomendar, na semana passada, a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. A medida foi sugerida com base em investigações conduzidas pela Seção 301 do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).

    Entre os pontos analisados pelo órgão estão questões relacionadas ao desmatamento, ao etanol, ao sistema de pagamentos Pix e ao comércio popular da Rua 25 de Março.

    Na quarta-feira (10), durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), conhecido como Conselhão, Lula voltou a criticar as medidas protecionistas adotadas pelo governo de Donald Trump e questionou as críticas feitas ao desempenho ambiental brasileiro.

    “Quero saber quais são os direitos que os trabalhadores [dos EUA] têm para vir um tal de diretor financeiro impor multa por causa do desmatamento. Será que eles não percebem que eles já estão carecas?”, afirmou durante discurso.

    Desmatamento em queda

    Segundo um levantamento divulgado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o desmatamento registrou queda tanto no Cerrado quanto na Amazônia em maio deste ano, na comparação com o mesmo período de 2025.

    No Cerrado, a redução foi de 12,2%. Já na Amazônia, a retração alcançou 61,4%.

    Lula classificou os números como um resultado “extraordinariamente positivo” e destacou a importância da cooperação entre governos federal, estaduais e municipais. Além disso, defendeu o fortalecimento da estrutura dos órgãos responsáveis pela fiscalização ambiental.

    Ministério do Meio Ambiente descarta motivação política

    O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, afirmou que a divulgação dos indicadores ambientais não teve o objetivo de responder diretamente ao governo americano.

    Segundo ele, a publicação dos dados segue uma política de transparência adotada pelo Brasil há anos.

    Ao comentar os resultados, entretanto, o ministro afirmou que a redução do desmatamento enfraquece as acusações feitas pelos americanos.

    “Põe por terra definitivamente a acusação injusta e improcedente dos Estados Unidos”, declarou, ao se referir ao uso da questão ambiental como justificativa para a adoção de tarifas.

    Capobianco também rebateu críticas relacionadas à exportação de madeira brasileira. De acordo com o ministro, toda a madeira destinada ao mercado externo passa por sistemas de monitoramento.

    “O Brasil não está promovendo desmatamento ilegal; Brasil não está exportando madeira ilegal”, afirmou.


    A rastreabilidade da madeira é uma exigência crescente dos mercados internacionais e tem ganhado importância nas exportações brasileiras — Foto: Ibama

    Dados devem subsidiar negociações comerciais

    As informações divulgadas pelo Ministério do Meio Ambiente poderão servir como base técnica para as negociações conduzidas pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE) com autoridades norte-americanas.

    Com isso, o governo espera utilizar os resultados ambientais mais recentes como argumento para fortalecer a posição brasileira nas discussões comerciais e reduzir pressões sobre as exportações do país, especialmente de setores ligados ao agronegócio, à bioenergia e às commodities agrícolas.