Tag: leilão

  • Leilões de fazendas disparam no Brasil com avanço da inadimplência rural

    Leilões de fazendas disparam no Brasil com avanço da inadimplência rural

    O número de propriedades rurais levadas a leilão cresce de forma acelerada no Brasil, impulsionado pelo aumento da inadimplência no crédito rural. Dados recentes mostram que as operações problemáticas já se aproximam de um quinto do total de financiamentos no setor.

    A combinação de fatores econômicos e climáticos tem pressionado os produtores. A queda nos preços dos grãos, os juros elevados e o aumento dos custos de insumos reduzem margens e comprometem a capacidade de pagamento. Ao mesmo tempo, eventos climáticos extremos e cada vez mais imprevisíveis afetam diretamente a produtividade.

    O cenário tende a se agravar com a possibilidade de um “super El Niño”, que pode impactar ainda mais as lavouras e a renda agrícola. Além disso, a alta nos preços de fertilizantes, influenciada por tensões geopolíticas, já leva produtores a reduzir investimentos e área plantada.

    No Rio Grande do Sul, um dos estados mais atingidos pela inadimplência, eventos climáticos severos causaram prejuízos expressivos nos últimos anos. Enchentes recentes reforçam a vulnerabilidade da produção diante das mudanças climáticas.

    O volume de dívidas problemáticas no crédito rural cresceu rapidamente e já ultrapassa R$ 170 bilhões. Esse montante inclui atrasos, inadimplência, renegociações e reestruturações. Em dois anos, a participação dessas dívidas no total de crédito saltou de pouco mais de 5% para quase 20%.

    Especialistas apontam que o setor enfrenta um momento crítico, com risco elevado de novos desequilíbrios financeiros.

    Aumento dos leilões de propriedades

    Instituições financeiras intensificaram a execução de garantias, o que elevou o número de imóveis rurais disponíveis em leilão. O total de propriedades leiloadas superou 14 mil em 2025, registrando crescimento expressivo em relação ao ano anterior.

    Os leilões extrajudiciais, que seguem processos mais rápidos, também avançaram e quase dobraram no período recente. A tendência indica maior pressão sobre produtores endividados.

    Regiões com forte presença na produção de soja e grãos concentram os maiores impactos. Nessas áreas, a combinação de custos elevados e preços mais baixos reduz a rentabilidade e amplia o risco financeiro.

    O número de pedidos de recuperação judicial no agronegócio também cresce. Após forte alta em 2024, os registros voltaram a avançar em 2025, sinalizando deterioração nas condições econômicas do setor.

    Clima e juros pressionam o agro

    Produtores ainda tentam se recuperar de sucessivos choques econômicos e climáticos. A instabilidade do clima, com períodos de seca e excesso de chuva, compromete safras e aumenta a incerteza no planejamento agrícola.

    Ao mesmo tempo, a taxa básica de juros no Brasil subiu de forma significativa nos últimos anos, encarecendo o crédito e dificultando o refinanciamento das dívidas.

    A perspectiva para o curto prazo permanece desafiadora. A volatilidade dos preços das commodities e o risco de novos eventos climáticos extremos mantêm o nível de incerteza elevado no campo.

    Em diversas regiões, produtores já enfrentam dificuldades para manter suas propriedades. Em alguns casos, perdas sucessivas de safra e custos financeiros elevados resultam na perda de parte ou de toda a área produtiva.

    As mudanças climáticas, cada vez mais evidentes, reforçam esse cenário. A irregularidade das chuvas e o aumento de eventos extremos impactam diretamente a produção e contribuem para o agravamento da crise no setor.

  • Conab movimenta R$ 21 milhões em leilão de arroz e setor comemora

    Conab movimenta R$ 21 milhões em leilão de arroz e setor comemora

    A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) realizou nesta terça-feira (26) um leilão de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro) que negociou cerca de 119,7 mil toneladas de arroz em casca. A operação movimentou pouco mais de R$ 21 milhões em dois lotes comercializados. O volume representa parte das mais de 144 mil toneladas ofertadas.

    A Federarroz (Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul) avaliou o resultado como positivo. O presidente da entidade, Denis Dias Nunes, afirmou que o índice de comercialização ficou entre os melhores já registrados nesse tipo de leilão. Diferentes regiões produtoras do Estado participaram da operação.

    Ágio nas negociações

    Nunes destacou que a Zona Sul do Rio Grande do Sul apresentou ágio nas negociações. O cenário reflete a expectativa do setor em relação ao mecanismo como alternativa para garantir o escoamento da produção e o acesso ao prêmio. A Federarroz avalia que a ferramenta ajuda a reduzir estoques e melhora as condições de comercialização ao produtor.

    O dirigente também ressaltou a importância do Prêmio para Escoamento de Produto (PEP), mecanismo utilizado principalmente nas regiões da Campanha e da Depressão Central. “O prêmio permite que a indústria pague o preço mínimo ao produtor e depois seja remunerada pelo PEP. Isso ajuda a melhorar a remuneração em um momento em que o mercado interno ainda apresenta preços abaixo do ideal”, afirmou Nunes.

    Segundo o presidente da Federarroz, os mecanismos buscam reduzir os estoques elevados de arroz, principalmente no Rio Grande do Sul, maior produtor nacional, apesar das críticas sobre possível interferência na dinâmica do mercado interno. “O cenário atual exige medidas de apoio ao setor para garantir liquidez e evitar maiores perdas financeiras aos arrozeiros, diante da pressão dos preços no mercado interno”, concluiu.

  • Chapecó Alimentos: Justiça coloca marcas históricas em leilão milionário

    Chapecó Alimentos: Justiça coloca marcas históricas em leilão milionário

    A Justiça de Santa Catarina determinou o leilão das marcas da extinta Chapecó Alimentos, uma das empresas mais tradicionais da indústria alimentícia brasileira. O valor inicial do certame é de R$ 82 milhões, com envio de propostas exclusivamente online pela plataforma Positivo Leilões desde 21 de maio.

    O leilão inclui 55 registros ativos no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O principal ativo é a marca “Chapecó”, avaliada em R$ 68,7 milhões, que abrange categorias como carnes, aves e embutidos. Já a marca “Prenda”, estimada em R$ 13,8 milhões, contempla laticínios, pescados e alimentos industrializados.

    A Vara Regional de Falências, Recuperação Judicial e Extrajudicial de Concórdia (SC) autorizou o processo. O leilão ocorre em três etapas: na primeira, os ativos são ofertados pelo valor integral. Caso não haja lances, a segunda fase aplica desconto de 50%. Na terceira etapa, o deságio pode chegar a 70%.

    Segundo o leiloeiro judicial Erick Soares Teles, a força da marca ainda representa valor de mercado. Ele destaca que o reconhecimento nacional da Chapecó abre espaço para relançamento de produtos e novos modelos de negócio.

    A juíza Aline Mendes de Godoy afirma que a venda das marcas marca um avanço relevante no processo falimentar, que já dura mais de duas décadas. De acordo com a magistrada, o Judiciário busca garantir transparência, eficiência e respeito à relevância econômica e social da empresa para Santa Catarina.

    Os interessados encontram editais, documentos e regras de habilitação diretamente na plataforma da leiloeira, onde também ocorre o envio dos lances.

    Histórico da Chapecó Alimentos

    Fundada em 1952, no Oeste de Santa Catarina, a Chapecó Alimentos ganhou destaque nacional ao longo de cinco décadas. No auge, a empresa alcançou cerca de 30 mil pontos de venda e exportou para 37 países.

    A crise se intensificou no início dos anos 2000. No pedido de concordata preventiva, em 2004, a empresa apontou fatores como queda nos preços do frango e do suíno, retração do mercado internacional, restrições de crédito e impactos da crise argentina sobre o Grupo Macri, então controlador.

    Com dívidas superiores a R$ 1 bilhão, a companhia não conseguiu recuperar a operação. A Justiça decretou a falência em 2005, citando prejuízos recorrentes, paralisação das atividades e deterioração patrimonial.

    Desde então, a liquidação da massa falida já movimentou mais de R$ 1,5 bilhão com a venda de ativos. Entre as principais operações, destaca-se a aquisição de unidades industriais pela Aurora Coop.

  • Fazendas do Grupo Bertolo vão a leilão em SP para pagar dívida

    Fazendas do Grupo Bertolo vão a leilão em SP para pagar dívida

    A Justiça determinou o leilão de três propriedades rurais pertencentes à massa falida da Floralco Açúcar e Álcool, empresa do extinto Grupo Bertolo, localizadas em Santa Adélia, no interior de São Paulo. Juntas, as áreas somam cerca de 109,8 hectares e estão avaliadas em aproximadamente R$ 8,7 milhões.

    A plataforma Teza Leilões realizará o leilão de forma online com o objetivo principal de arrecadar recursos para pagar parte da dívida da companhia, atualmente estimada em R$ 2,11 bilhões.

    Etapas

    O processo será dividido em três etapas. A primeira fase começa em 8 de maio, com lances a partir do valor total de avaliação dos imóveis. Caso não haja propostas, a segunda etapa será iniciada em 12 de maio, permitindo descontos de até 50%. Se ainda assim não houver arremates, uma terceira fase ocorrerá entre 27 de maio e 11 de julho, com lances mínimos a partir de R$ 1 mil.

    As propriedades estão organizadas em três lotes distintos. O maior deles possui 58,08 hectares, avaliado em R$ 4,6 milhões, com infraestrutura completa que inclui casa-sede com 12 cômodos, imóveis de apoio, residências para funcionários, energia elétrica e abastecimento de água.

    O segundo lote conta com 38,39 hectares e está avaliado em R$ 3,07 milhões. A área tem localização estratégica às margens da Rodovia Washington Luís (SP-310), um dos principais corredores logísticos do estado de São Paulo.

    Já o terceiro lote possui 13,35 hectares, com valor estimado em R$ 1,06 milhão. A propriedade inclui casa-sede, pomar com árvores frutíferas e área destinada à produção agrícola, sendo uma opção atrativa para pequenos e médios produtores.

    Os interessados devem acessar o portal da Teza Leilões, onde estão disponíveis os editais, documentos e orientações para habilitação e envio de propostas.

    Crise e falência do Grupo Bertolo

    Fundado na década de 1930 como um negócio familiar voltado à produção artesanal de rapadura e cachaça, o Grupo Bertolo se consolidou como um dos principais nomes do setor sucroalcooleiro no Brasil. A empresa expandiu suas operações com as usinas Bertolo e Floralco, atuando na produção de açúcar, etanol, energia e comercialização agrícola.

    A crise financeira teve início em 2007, agravada pela queda nos preços do setor e pela crise econômica global de 2008. Que reduziu o crédito e pressionou os preços internacionais. Em 2010, o grupo entrou com pedido de recuperação judicial, apontando fatores como alto endividamento, dificuldades operacionais, vendas antecipadas e falta de capital de giro.

    Sem conseguir reverter o cenário, a empresa acumulou prejuízos, interrompeu atividades e deixou de cumprir obrigações financeiras, levando à decretação da falência em 2017.

    Desde então, a empresa vendeu diversos ativos, incluindo imóveis, áreas agrícolas e equipamentos industriais.Um dos principais negócios foi a venda da Usina Floralco, em 2019, por R$ 54 milhões. Até o momento, a liquidação de ativos já arrecadou mais de R$ 197 milhões.

  • Fêmea Dorper atinge R$ 165 mil e quebra recorde nacional em leilão da Cabanha Kaiowas

    Fêmea Dorper atinge R$ 165 mil e quebra recorde nacional em leilão da Cabanha Kaiowas

    O leilão comemorativo de 20 anos da Cabanha Kaiowas, tradicional criadora de Dorper e White Dorper, alcançou resultados inéditos no último dia 31 de março. O evento, organizado e transmitido pelo MF Leilões, registrou recorde de audiência e faturamento: R$ 806 mil. A negociação também estabeleceu um novo recorde nacional para fêmeas Dorper.

    Os organizadores comercializaram 29 lotes com 100% de liquidez. O índice evidencia a força da marca e a qualidade genética dos animais ofertados. A fêmea KAIOWAS VIXXEN TE 2362 protagonizou o grande momento do leilão. O animal atingiu R$ 165 mil, o valor mais alto já registrado no país para fêmeas da raça Dorper. Márcio Afonso Cordeiro vendeu o animal, e Wederson Soares Pereira, da Dorper King, realizou a compra.

    VIXXEN acumula títulos de destaque nas pistas: Grande Campeã na Coopershow’2026, Reservada Grande Campeã na Facilpa’2025 e premiações em duas edições nacionais.

    Os participantes elogiaram a seleção apresentada no leilão. Segundo os promotores, a qualidade dos lotes impulsionou a valorização e a disputa entre os compradores. A Cabanha Kaiowas está sediada em Itatinga (SP). Márcio Afonso Cordeiro e seu pai, Armando Cordeiro Filho, comandam a propriedade. O que começou como um hobby em 2005 se transformou em referência nacional em melhoramento genético.

    A raça

    A raça Dorper foi desenvolvida na África do Sul na década de 1930, resultado do cruzamento entre o Dorset Horn (originário da Inglaterra) e o Blackhead Persian (ovino de cauda gorda adaptado às condições áridas africanas). O objetivo dos criadores e do Departamento de Agricultura sul-africano era criar um ovino especializado para produção de carne, capaz de prosperar nas regiões áridas e semiáridas do país. O nome “Dorper” une as primeiras sílabas de Dorset e Persian.

    Os ovinos Dorper apresentam porte médio a grande, com corpo compacto e musculoso. Existem duas variedades principais: Dorper de cabeça preta e White Dorper (cabeça totalmente branca). Uma característica distintiva é a pele coberta por uma mistura de pelos e lã curta, que cai naturalmente na primavera e verão — o que elimina a necessidade de tosquia. Os machos adultos pesam entre 90-110 kg e as fêmeas entre 70-90 kg.

  • Justiça leiloa complexo industrial de grãos em Mato Grosso

    Justiça leiloa complexo industrial de grãos em Mato Grosso

    A Justiça de São Paulo determinou o leilão de um complexo industrial de processamento e armazenamento de grãos localizado em Diamantino (MT). A propriedade, com 58 mil m² de área total, tem lance inicial de R$ 23 milhões. O pregão acontece pela plataforma Positivo Leilões a partir de segunda-feira (16).

    Foto: Divulgação

    A venda do ativo busca quitar uma dívida de aproximadamente R$ 6,4 milhões da empresa TB Indústria e Comércio de Cereais. A 3ª Vara Cível do Foro Regional II de Santo Amaro, em São Paulo, autorizou o leilão.

    O certame ocorre em duas etapas. A primeira fase vai de 16 a 19 de março, com lance mínimo equivalente a 100% do valor de avaliação. A segunda rodada acontece de 19 de março a 8 de abril, com desconto de 50% e preço inicial de R$ 11,5 milhões.

    “É um ativo de grande porte e estrategicamente posicionado em um dos maiores polos agrícolas do país”, afirma o leiloeiro Erick Teles, responsável pelo certame. “Um complexo dessa dimensão, em Diamantino, representa uma oportunidade rara para investidores e empresas que buscam expandir sua capacidade de processamento e armazenagem de grãos”, ressalta.

    Estrutura

    A estrutura conta com três barracões de aproximadamente 3.300 m² cada. O complexo inclui balança rodoviária, escritório, almoxarifado, depósito e sistema fotovoltaico com capacidade de produção mensal de 12,5 mil kw/h.

    O imóvel possui ainda conjunto de descarregamento, edificação tipo moega, sistema de recepção e equipamentos para movimentação e elevação de grãos. Completam a estrutura sistema de limpeza e secagem, quatro silos “pulmão” e área para carregamento de grãos de 3.200 m². A área construída total ultrapassa 9 mil m².

    A propriedade fica a apenas 6,5 km do centro de Diamantino, próximo à Rodovia Senador Roberto Campos, que conecta à BR-364. A região se destaca como polo estratégico do agronegócio brasileiro, com forte presença de concessionárias de maquinário agrícola e multinacionais do setor.

    Diamantino ocupou o 6º lugar no ranking nacional de maior valor de produção agrícola em 2023, segundo a Pesquisa Agrícola Municipal (PAM) do IBGE.

    O pregão ocorre totalmente pelo site da plataforma, permitindo a participação de pessoas físicas e empresas de qualquer região do mundo. Os interessados encontram na plataforma informações completas, incluindo editais, fotos, documentos e orientações sobre o processo de habilitação e envio de lances.

  • Atum bluefin: conheça o peixe mais caro e valorizado do mundo

    Atum bluefin: conheça o peixe mais caro e valorizado do mundo

    O atum bluefin, também conhecido como atum azul ou atum-rabilho, conquistou o título de peixe mais caro do mundo. Um exemplar de 275,7 kg alcançou US$ 1,3 milhão em leilão tradicional no Mercado Toyosu, em Tóquio, no ano passado. Esse valor representa aproximadamente R$ 8 milhões e demonstra o prestígio que a espécie alcançou na alta gastronomia internacional.

    O peixe se destaca pelo porte robusto, podendo atingir até 3 metros de comprimento e pesar mais de 600 quilos. Chefs renomados e restaurantes de alto padrão disputam essa iguaria por causa da textura macia, da cor intensa e do alto teor de gordura da carne.

    O que torna o Bluefin tão especial

    A carne do bluefin possui textura que derrete na boca e teor de gordura mais elevado que outros atuns, o que intensifica o sabor e confere acidez sutil à experiência culinária. Especialistas comparam o peixe ao wagyu bovino, famoso pela gordura entremeada e suculência.

    O Thunnus thynnus acumula gordura principalmente na barriga. O corte conhecido como otoro apresenta marmoreio intenso e coloração rosada. Esse “pneuzinho” representa o corte mais nobre e cobiçado do peixe inteiro.

    Outros cortes também atraem consumidores. O akami, localizado próximo à espinha dorsal, apresenta cor vermelha intensa e menos gordura. Já o chutoro oferece equilíbrio entre gordura e carne magra, com características intermediárias.

    Onde o atum azul vive e como se comporta

    A espécie habita o Atlântico Norte e o Mar Mediterrâneo, sendo que a população do Mar Negro está extinta. O peixe prefere águas com temperaturas em torno dos 20°C, mas suporta variações entre 5°C e 30°C.

    O atum-rabilho se agrega em cardumes pequenos, geralmente em águas pouco profundas, e desce a maiores profundidades durante o dia. Os peixes se movem em altas velocidades, com registros de 80 a 90 km/h durante curtos períodos.

    A espécie cresce lentamente e possui vida longa, de até 20 anos ou mais. Os peixes geralmente só desovam aos 8 anos de idade, entre meados de abril e junho, principalmente no Golfo do México. As fêmeas podem produzir até 10 milhões de ovos por ano.

    Leilões históricos e recordes de valor

    Os leilões japoneses transformaram o bluefin em símbolo de status. Em 2019, a rede de restaurantes Onodera arrematou um exemplar de 278 kg por US$ 3,1 milhões, estabelecendo o recorde desde o início dos leilões em 1999.

    O pescador Masahiro Takeuchi, de 73 anos, capturou o exemplar de 2025 usando métodos tradicionais de pesca com vara e linha. Ele relatou que o atum estava “tão gordo quanto uma vaca”. O método artesanal preserva a qualidade do peixe e é considerado sustentável.

    O atum azul do Pacífico capturado em Oma é especialmente procurado por sua dieta única de lula e peixe saury gordo, combinada com as águas frias da região.

    Quanto custa o bluefin no Brasil

    No mercado brasileiro, o bluefin chega por valores mais acessíveis, mas ainda elevados. No restaurante Atsui, no Jardim Paulista, em São Paulo, o sashimi de barriga de bluefin custa R$ 56 por fatia. E no Aima, no shopping Iguatemi, o par de sushis com o mesmo corte sai por R$ 136.

    Já no varejo, o filé de atum bluefin da barriga em bandeja com 900 gramas custa R$ 639. O lombo deve chegar ao consumidor final por R$ 550 o quilo, enquanto a barriga custa cerca de R$ 900 o quilo.

    A importação da Espanha representa a principal fonte de bluefin para o Brasil. Restaurantes de luxo oferecem o peixe em porções pequenas. O alto custo e a dificuldade de acesso explicam essa exclusividade.

    A situação ambiental preocupa especialistas

    O atum bluefin está classificado como espécie vulnerável pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Práticas de pesca intensiva, especialmente com redes de cerco, reduziram drasticamente as populações globais.

    Em 2017, o Japão e outros países pesqueiros impuseram cotas rigorosas após a sobrepesca reduzir a população a menos de 3% dos níveis históricos. Em 2022, a população havia se recuperado para quase 25% dos níveis sem pesca, superando a meta de 20% estabelecida para 2034.

    A Comissão Internacional para Conservação dos Tunídeos do Atlântico (ICCAT) determina cotas anuais para cada país e fiscaliza a pesca no Mediterrâneo. No Brasil, uma portaria de 2014 do Ministério do Meio Ambiente proíbe a pesca do bluefin do Atlântico por regulamentação interna.

    A diferença entre bluefin e outros atuns

    Enquanto o salmão mantém popularidade no consumo diário, o atum bluefin ocupa patamar diferente. No Brasil, as espécies yellowfin e mebachi (big-eyed) dominam o mercado de restaurantes japoneses por oferecerem qualidade com preços mais acessíveis.

    Especialistas alertam que fraudes são comuns no mercado, já que o produto chega ao consumidor final em pedaços cortados parecidos com outros atuns. A identificação verdadeira do bluefin é fácil apenas no caso da barriga, pelo marmoreio único.

    O bluefin representa sofisticação, raridade e valores que poucos consumidores conseguem pagar. A espécie transformou-se em ícone da culinária mundial, disputada em leilões milionários e valorizada pela textura incomparável.

  • Conab garante milho para pequenos produtores com compra recorde

    Conab garante milho para pequenos produtores com compra recorde

    A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) concluiu a aquisição de 95 mil toneladas de milho em dezembro de 2025,. Portanto, garantindo o abastecimento do Programa de Vendas em Balcão (ProVB) para todo o ano de 2026. Com um investimento total de R$ 140,7 milhões, os leilões marcaram um feito histórico. Pela primeira vez, a Conab adquiriu parte do estoque,23,5 mil toneladas, diretamente da agricultura familiar por meio de pregão. O reforço visa fornecer grãos a preços acessíveis para pequenos criadores de animais em regiões distantes dos grandes centros produtores.

    Os estoques públicos de milho foram reforçados por meio de três leilões realizados nos dias 18 e 24 de dezembro de 2025. A operação, autorizada pela Medida Provisória nº 1.325/2025, tem como objetivo principal o abastecimento do ProVB, O programa beneficia pequenos produtores rurais com venda de ração a preços abaixo do mercado local.

    Desempenho nos pregões

    Nos dois leilões do dia 18/12, a Conab arrematou 71,5 mil toneladas (Avisos 101 e 102/2025), com investimento de R$ 103,2 milhões. As unidades armazenadoras próprias receberam o cereal em oito estados: BA, DF, GO, MA, MG, MS e PR.

    Já no pregão do dia 24/12 (Aviso 112/2025), a Conab realizou uma aquisição inédita. O governo comprou 23,5 mil toneladas de milho exclusivamente de produtores da agricultura familiar, por meio de associações e cooperativas. Essa operação, que consumiu R$ 37,4 milhões, é um marco para o programa e para a própria estatal. Nunca havia sido feito uma compra tão significativa do setor via leilão.

    A Conab e armazéns de terceiros credenciados vão armazenar o milho adquirido nos estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Sergipe. A medida visa atender com rapidez pequenos criadores de animais (aves, suínos, gado leiteiro, etc.) localizados em regiões interioranas e com menor acesso ao cereal, assegurando alimento para os plantéis já a partir de 2026.

    Requisitos para participação

    Puderam participar dos leilões produtores rurais, cooperativas, associações e comerciantes devidamente cadastrados na Bolsa de Mercadorias, no Sistema da Conab (Sican) e em situação regular no Sicaf, atendendo a todas as exigências dos editais.

    As operações foram formalizadas pela Portaria Interministerial nº 34, de 12 de dezembro de 2025, publicada no Diário Oficial da União (DOU), e envolveram os Ministérios do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), da Agricultura e Pecuária (Mapa) e da Fazenda (MF).

  • Leilão de cafés especiais fatura R$ 1,8 milhão

    Leilão de cafés especiais fatura R$ 1,8 milhão

    O leilão do Cup of Excellence Brazil 2025 movimentou o mercado de cafés especiais. O pregão destacou qualidade, sustentabilidade e diversidade da produção nacional. O evento arrecadou R$ 1,792 milhão, após quase nove horas de disputa (confira o resultado aqui).

    O pregão registrou 2.507 lances enviados por empresas de cerca de 30 países da Europa, Ásia, Oriente Médio e Américas. O valor arrecadado somou US$ 329.694,59, resultado que garantiu o segundo maior preço médio da história do concurso.

    Preço da elite do café

    O preço médio alcançou US$ 20,51 por libra-peso. O valor corresponde a US$ 2.713 por saca de 60 quilos, aproximadamente R$ 15 mil. A Associação Brasileira de Cafés Especiais organizou o concurso em parceria com ApexBrasil e Alliance for Coffee Excellence.

    O diretor-executivo da BSCA, Vinicius Estrela, celebrou o desempenho do leilão. Ele afirmou que o resultado reforça a essência do Cup of Excellence. Estrela destacou a valorização dos cafés nacionais, disputados por compradores de vários continentes. Ele ressaltou que os produtores investem em sustentabilidade, inovação e tecnologia para atender mercados exigentes.

    Compradores de vários países

    O leilão reuniu 23 empresas de países como Arábia Saudita, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, Japão, Malásia, Noruega e Brasil. Esses compradores levarão os cafés da safra 2025 para consumidores de todos os continentes. Estrela afirmou que o desempenho reforça a diversidade e a origem rastreável da produção brasileira.

    O diretor destacou também o reconhecimento internacional das variedades brasileiras. Ele comemorou a valorização das características sensoriais e dos processos sustentáveis aplicados pelos produtores.

    Maior lance para variedade Arara

    O maior lance foi para o lote campeão da categoria Via Seca, variedade Arara. O café foi produzido na Fazenda Aracaçu, em Três Pontas, Sul de Minas. Um consórcio japonês formado por Snow Beans Coffee, Assist Coffee Roastery e Kurihara Coffee Roasters pagou US$ 65,10 por libra-peso pela primeira fração. O valor equivale a US$ 8.611,43 por saca, ou R$ 46.803,11. A Angelino’s Coffee, dos Estados Unidos, arrematou a segunda parte por US$ 65 por libra-peso. A saca custou US$ 8.598,20, ou R$ 46.731,22.

    Categoria Experimental

    Na categoria Experimental, o lote campeão foi a variedade Geisha, da Fazenda Rio Verde, em Conceição do Rio Verde, na Mantiqueira de Minas. O Grupo Cafeza, do Brasil, arrematou a primeira parte por US$ 61,40 por libra-peso. O valor corresponde a US$ 8.121,99, ou R$ 44.143,03 por saca. A empresa chinesa DECAMERON咖啡 十日谈 pagou US$ 61,30 por libra-peso pela segunda fração. A saca custou US$ 8.108,76, ou R$ 44.071,13.

    Categoria Via Úmida

    O campeão da categoria Via Úmida foi a variedade Arara, produzida na Fazenda Água Limpa, em Campos Altos, no Cerrado Mineiro. A primeira parte do lote alcançou US$ 55,10 por libra-peso. Snow Coffee Beans, do Japão, e YN Coffee, da China, pagaram US$ 7.288,63, ou R$ 39.613,69 por saca. A segunda fração foi arrematada pela japonesa HoneyCoffee por US$ 40,60 por libra-peso. A saca custou US$ 5.370,57, ou R$ 29.189,04.

    O dólar foi cotado a R$ 5,435 no fechamento de 9 de dezembro de 2025.

    Cup of Excellence

    O Cup of Excellence integra o projeto “Brazil. The Coffee Nation”, promovido pela BSCA e ApexBrasil. A iniciativa fortalece a presença dos cafés especiais brasileiros no mercado internacional. O projeto busca reforçar os pilares de qualidade, diversidade e sustentabilidade da cafeicultura nacional.

    A ação apresenta o Brasil como referência global em produção sustentável. O projeto investe em qualificação e diversificação, com apoio aos produtores de café canéfora. Ele também incentiva certificações e valoriza cafés produzidos por mulheres, promovendo equidade de gênero no setor.

    Os mercados-alvo incluem África do Sul, Austrália, China, Coreia do Sul, Emirados Árabes Unidos, Espanha, Estados Unidos, França, Japão, Malásia, Polônia, Rússia e Taiwan para cafés crus especiais. Para produtos industrializados, o foco inclui Canadá, Chile, China e Estados Unidos.

     

  • R$ 200 Mil: conheça a saca de café mais cara da história

    R$ 200 Mil: conheça a saca de café mais cara da história

    Durante o 13º Prêmio Região do Cerrado Mineiro (RCM), uma saca de 60 kg de café cereja descascado foi arrematada por impressionantes R$ 200 mil. Esse é o maior valor já registrado para esta categoria em leilões nacionais.

    O café recordista, que recebeu nota sensorial de 90,59 pontos, é produzido por Eduardo Pinheiro Campos, da Fazenda Dona Nenem, em Presidente Olegário (MG). O lance vencedor partiu de consórcio formado por Expocacer, Veloso Green Coffee, Marex e Nucoffee, empresas que reconheceram a excelência dos cafés de origem controlada da região.

    Leilão solidário movimenta mais de meio milhão

    Conduzido por Mauro Lúcio dos Santos, da Investbras, o Leilão Solidário arrecadou R$ 562 mil com nove lotes das categorias premiadas, alcançando média extraordinária de R$ 62.444,44 por saca. O evento reuniu os melhores cafés das categorias Natural, Cereja Descascado, Fermentado e Doce Cerrado Mineiro.

    Aproximadamente 40% do valor arrecadado, cerca de R$ 224,8 mil, será destinado ao projeto Escola de Atitude, iniciativa que promove a formação cidadã de jovens nas comunidades produtoras da região.

    O segundo maior lance da noite, de R$ 100 mil, foi dado pela multinacional Louis Dreyfus Company, que adquiriu o café campeão da categoria Natural, produzido pela Agropecuária São Gotardo Ltda.

    Produtor é o maior vencedor da história do prêmio

    Eduardo Pinheiro Campos é figura central na história do Prêmio Região do Cerrado Mineiro. Em 11 das 13 edições do prêmio, ele esteve no pódio, demonstrando consistência e compromisso permanente com a qualidade.

    Foto: Divulgação

    “É uma honra e um orgulho enorme para nossa equipe alcançar esse resultado”, declarou o produtor. Ele ressaltou que a Fazenda Dona Nenem completa 20 anos de trabalho focado em qualidade e inovação, período que coincide com os 20 anos de Indicação Geográfica do Cerrado Mineiro.

    Cerrado Mineiro: potência cafeeira nacional

    A Região do Cerrado Mineiro foi a primeira Denominação de Origem para café reconhecida no Brasil. A área abrange 55 municípios, cerca de 250 mil hectares cultivados, sendo 100 mil irrigados, e reúne 4.500 produtores certificados.

    A região produz aproximadamente 6 milhões de sacas por safra, equivalentes a 25,4% da produção mineira e 12,7% da produção nacional. É considerada referência global em rastreabilidade, governança e sustentabilidade na produção de cafés especiais.

    Juliano Tarabal, diretor executivo da Federação dos Cafeicultores do Cerrado, destacou a importância histórica do momento: “Celebrar esse recorde no ano em que completamos 20 anos como Indicação Geográfica reforça a força da nossa região. Isso demonstra que o Cerrado Mineiro segue liderando o movimento de valorização, origem controlada e qualidade no Brasil”.

    Prêmio reconhece sustentabilidade e educação

    Além de premiar os melhores cafés, o evento celebrou práticas sustentáveis com o Troféu Atitude Sustentável, concedido ao produtor Claudio Nasser de Carvalho, da Auma Cafés, por seu projeto de boas práticas ambientais e manejo responsável.

    O Troféu Escola de Atitude foi para a Escola Municipal Henriqueta Cassimira de Menezes, pelo projeto sobre os encantos, sabores e riquezas do Cerrado Mineiro, inscrito pela cooperativa Carpec.

    O 13º Prêmio Região do Cerrado Mineiro é promovido pela Federação dos Cafeicultores do Cerrado, com apoio do Sebrae Minas, das cooperativas Carmocer, Carpec, Coocacer Araguari, Coopadap, Expocacer e MonteCCer, e patrocínio das empresas Syngenta, C6 Bank, Sicoob, Pinhalense e Rabobank.

    Os resultados do leilão consolidam o protagonismo do Brasil no mercado internacional de cafés especiais e evidenciam o crescente reconhecimento pela qualidade excepcional dos grãos produzidos no Cerrado Mineiro.