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  • Cientistas criam banana resistente ao fungo da doença do Panamá

    Cientistas criam banana resistente ao fungo da doença do Panamá

    Uma variedade inédita de banana Cavendish, geneticamente modificada para resistir ao fungo Fusarium oxysporum TR4, cresce há mais de sete anos em solo contaminado no Território do Norte, Austrália. Chamada de QCAV-4, ela é a primeira banana transgênica aprovada para cultivo comercial no mundo, segundo a Australian Broadcasting Corporation (25/10/2025).

    Pesquisadores da Universidade Tecnológica de Queensland (QUT) inseriram um gene de resistência do bananal silvestre Musa acuminata ssp. malaccensis, que ativa mecanismos de defesa semelhantes ao sistema imunológico dos mamíferos. Essa inovação impede a propagação do fungo, mantendo a planta saudável em solos onde as bananas convencionais sucumbem em poucos meses.

    O cultivo experimental, realizado na Darwin Fruit Farms, em Humpty Doo, comprovou que a QCAV-4 mantém o sabor e aparência das bananas Cavendish tradicionais. No entanto, a novidade enfrenta resistência. Pesquisas da Food Standards Australia e Nova Zelândia (FSANZ) mostram que quase metade dos australianos ainda desconfia dos alimentos transgênicos.

    Ensaios na região norte de Queensland e nas Filipinas, um dos maiores polos produtores globais, já testam a banana resistente em escala maior. Se os resultados forem positivos, a QCAV-4 promete garantir a segurança da produção mundial de bananas — além de inaugurar uma nova fase na biotecnologia agrícola.

  • Safra de trigo em risco: giberela exige atenção imediata

    Safra de trigo em risco: giberela exige atenção imediata

    O Brasil já plantou 100% da área destinada ao trigo, segundo a Agroconsult. Agora, produtores devem redobrar os cuidados com doenças como a giberela, principal ameaça à produtividade e qualidade dos grãos. Causada pelo fungo Fusarium graminearum, a doença reduz o rendimento e contamina os grãos com micotoxinas, inviabilizando a comercialização.

    João Tomás, engenheiro agrônomo e gerente de Marketing Regional da IHARA, alerta que cortar custos em aplicações essenciais, como fungicidas, pode gerar prejuízos maiores na colheita. “O manejo adequado garante alta produtividade e grãos de qualidade, essenciais para melhores resultados econômicos”, afirma.

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    A giberela ataca principalmente durante a formação dos grãos, podendo causar perdas de 12% a 25%. Em casos graves, os danos ultrapassam 60%. Para evitar prejuízos, os especialistas recomendam:

    • Aplicação preventiva de fungicidas quando 50% das espigas estiverem em florescimento.
    • Antecipar a pulverização se houver previsão de chuva.
    • Usar produtos multissítio, como FUSÃO EC e CERCOBIN 875 WG, que combinam ação preventiva e curativa.

    A Biotrigo, líder em genética de trigo no país, ainda sugere adicionar tiofanato-metílico para aumentar a eficácia do controle.

    Além da produtividade, a sanidade dos grãos é decisiva para atender às exigências do mercado. Estratégias de manejo com bom custo-benefício, e não apenas economia imediata, são fundamentais para garantir lucratividade nesta safra.

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  • Fungo marinho promete revolucionar controle de doença

    Fungo marinho promete revolucionar controle de doença

    Pesquisadores chineses descobriram um fungo marinho com alto potencial para o controle biológico da Alternaria alternata. Esse é um dos principais patógenos que causam doenças em plantações de tomate. O estudo foi conduzido por uma equipe de micologistas e foi publicado em revistas científicas especializadas. E destaca o isolado Q8-1 do fungo Epicoccum nigrum como uma solução promissora para a agricultura sustentável.

    Testes laboratoriais demonstraram que o fungo Q8-1 reduz significativamente o avanço da doença causada pela Alternaria alternata. Ela provoca manchas foliares e pode comprometer a produtividade das culturas. Além disso, o isolado não apresentou toxicidade para as mudas de tomate nem efeitos adversos em organismos não alvo, indicando segurança para o meio ambiente e para a biodiversidade local.

    Segundo dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), o controle biológico de doenças agrícolas é uma estratégia essencial para reduzir o uso de fungicidas químicos, que podem causar impactos negativos à saúde humana e ao ecossistema. A utilização de fungos marinhos como agentes de biocontrole representa uma inovação importante, aproveitando a biodiversidade marinha para soluções agrícolas.

    Os pesquisadores chineses ressaltam que o próximo passo é a realização de testes em campo para validar a eficácia do Epicoccum nigrum Q8-1 em condições reais de cultivo. Se os resultados confirmarem a eficácia, os pesquisadores poderão incluir o fungo nos programas de manejo integrado de doenças. E assim, beneficiar produtores de tomate, além de contribuir para a segurança alimentar global.

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  • Antracnose do milho: estudo revela origem do fungo

    Antracnose do milho: estudo revela origem do fungo

    Uma pesquisa internacional envolvendo cientistas de 17 países identificou que o fungo Colletotrichum graminicola, causador da antracnose do milho, tem origem provável na Mesoamérica e se espalhou globalmente com o auxílio da ação humana, principalmente por meio da troca de sementes contaminadas.

    A análise genética de 212 isolados do fungo, coletados em cinco continentes, revelou a existência de três linhagens principais: norte-americana, brasileira e europeia. Segundo a pesquisadora Flávia Rogério, da Universidade de Salamanca (Espanha) e da Universidade da Flórida (EUA), a linhagem norte-americana é considerada a mais antiga e ancestral, tendo atuado como intermediária na dispersão do patógeno. Já a linhagem europeia se destacou como a mais virulenta, elevando o risco de novos surtos severos, especialmente em regiões de clima temperado.

    O estudo também detectou migração genética entre a América do Sul e a Europa, com isolados argentinos agrupados à linhagem europeia. Esse fluxo pode estar relacionado ao uso de sementes contaminadas em viveiros de inverno para programas de melhoramento genético.

    Diversidade genética amplia desafios para o controle

    A pesquisa apontou que cerca de 80% dos isolados apresentam sinais de mistura genética, dificultando o desenvolvimento de cultivares resistentes à antracnose. O pesquisador Wagner Bettiol, da Embrapa Meio Ambiente (SP), reforça o papel decisivo da ação humana na disseminação do patógeno, especialmente pelo uso de sementes infectadas.

    Grande diversidade genética do patógeno aumenta os desafios para o desenvolvimento de variedades de milho resistentes. Foto: Flávia Rogério

    A mobilidade do fungo e sua alta taxa de recombinação genética contribuem para a diversidade e a capacidade de adaptação do patógeno. Ensaios laboratoriais mostraram variações significativas de virulência entre diferentes isolados, com destaque para os europeus, que podem causar perdas totais em condições severas. Na década de 1970, surtos nos Estados Unidos levaram à destruição completa de lavouras em algumas regiões.

    Medidas de manejo e prevenção

    Especialistas recomendam estratégias integradas de manejo para conter a antracnose do milho, incluindo:

    • Uso de cultivares resistentes
    • Rotação de culturas
    • Adubação equilibrada
    • Evitar plantios sucessivos

    Essas práticas ajudam a reduzir o potencial de infecção e proteger a produtividade das lavouras.

    Monitoramento genético e segurança alimentar

    A identificação da linhagem ancestral do fungo pode ser decisiva para o desenvolvimento de estratégias de controle, já que essa população funciona como reservatório de genes ligados à resistência. O monitoramento genético constante e o uso de múltiplos genes de defesa são considerados essenciais para mitigar os impactos da antracnose e preservar a segurança alimentar global.

    A antracnose do milho representa uma ameaça crescente à produtividade agrícola, exigindo ações coordenadas e permanentes para reduzir perdas econômicas e garantir a segurança alimentar mundial.

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  • Cientistas descobrem fungo que extrai ouro

    Cientistas descobrem fungo que extrai ouro

    Em uma descoberta que promete abalar os alicerces da mineração tradicional, pesquisadores da CSIRO (Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation) identificaram um fungo microscópico com capacidade única: extrair ouro do ambiente e incorporá-lo em sua estrutura biológica. Publicado na renomada Nature Communications, o estudo revela que cepas do Fusarium oxysporum não apenas interagem com partículas de ouro, mas crescem mais rápido na presença do metal.

    O fungo que “cultiva” ouro

    Encontrado próximo a Perth, na região de Boddington – área rica em jazidas auríferas –, o Fusarium oxysporum desafia a química convencional. O ouro é um metal quimicamente inerte, ou seja, dificilmente reage com outros elementos. Por isso, a descoberta de que um organismo vivo pode metabolizá-lo surpreendeu até os cientistas.

    “É a primeira evidência sólida de que fungos participam ativamente do ciclo biogeoquímico do ouro”, explica Tsing Bohu, líder do estudo.

    Como funciona a “mineração metabólica”?

    Batizada por pesquisadores como Eduardo Bazo, a técnica de usar organismos vivos para extrair metais ganha contornos revolucionários. O processo envolve:

    • Absorção: o fungo retira nanopartículas de ouro do solo ou de rochas.
    • Metabolização: o metal é integrado à estrutura do fungo, formando depósitos visíveis sob microscopia.
    • Crescimento acelerado: surpreendentemente, o fungo se desenvolve melhor em ambientes auríferos.

    Aplicações na terra… e no espaço

    A Austrália, 2º maior produtor global de ouro, já enxerga potencial econômico. Mas a ambição vai além:

    • Mineração sustentável: substituir escavações predatórias por bioextração reduziria poluição, desmatamento e consumo de energia.
    • Exploração espacial: a ESA (Agência Espacial Europeia) estuda usar fungos geneticamente modificados para processar minerais em asteroides ou na Lua.

    “Imagine colonizar Marte com ‘fazendas de fungos’ extraindo metais. É viável em algumas décadas”, especula um colaborador anônimo do projeto.

    Vantagens sobre a mineração tradicional

    Enquanto métodos convencionais geram:

    💀 Rios contaminados por mercúrio e cianeto.

    🌳 Destruição de ecossistemas inteiros.

    ⚡ Alto gasto energético (a mineração consome 10% da energia global),

    A biotecnologia fungal promete:

    ♻️ Extração sem escavação.

    🌍 Redução de 90% dos resíduos tóxicos.

    💡 Custo operacional até 5x menor.

    Mas, apesar do otimismo, cientistas alertam:

    • A eficiência do fungo em larga escala ainda não foi testada.
    • Modificações genéticas serão necessárias para adaptá-lo a diferentes minérios (como lítio e cobre).
    • Regulamentações ambientais e de biossegurança precisam ser criadas.

    Um futuro dourado?

    Se confirmada, a técnica colocará fungos no centro de uma nova era industrial – mais limpa e eficiente. Enquanto isso, a corrida por patentes de bioengenharia mineral já começou. Resta saber se a natureza, mais uma vez, nos dará a chave para progredir sem destruir.

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  • Fogo contra fogo: cientistas usam fungo que controla doenças agrícolas

    Fogo contra fogo: cientistas usam fungo que controla doenças agrícolas

    Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Embrapa Meio Ambiente anunciaram um avanço pioneiro no controle biológico de doenças agrícolas: um método sustentável para produção do fungo Trichoderma asperelloides, utilizando farinha de arroz como substrato. A técnica, que promete reduzir custos e ampliar a eficácia no combate a patógenos como o Sclerotinia sclerotiorum (causador do mofo branco), já é considerada um marco para a agricultura sustentável.

    O segredo está no uso de grânulos secos de farinha de arroz, subproduto agroindustrial de baixo custo, que servem como “sementes biológicas” para multiplicação do fungo. Armazenados sob refrigeração, esses grânulos mantêm a viabilidade por mais de 24 meses, garantindo estabilidade para aplicações em larga escala.

    Quando incorporados ao solo, os grânulos liberam gradualmente o Trichoderma, que suprime patógenos como o mofo branco — doença que causa perdas bilionárias em culturas como soja, feijão e algodão. “Além de ampliar a produção de conídios [estruturas reprodutivas do fungo], o método aumenta a estabilidade do produto, tornando-o mais acessível ao agricultor”, explica Lucas Guedes, autor da pesquisa pela Unesp.

    Vantagens econômicas e ambientais

    A adoção de fontes complexas de nitrogênio, como levedura hidrolisada, elevou em 0,1% a eficiência do processo, superando métodos tradicionais com sulfato de amônio. Embalagens especiais com controle de umidade e oxigênio também ajudaram a preservar os conídios, mesmo em temperatura ambiente.

    Bioproduto promove o controle de patógenos do solo como o mofo branco, doença que atinge a soja, feijão, algodão e tomate. Foto: Gerald Holmes/Embrapa

    Gabriel Mascarin, da Embrapa, destaca o alinhamento com a economia circular: “Usar subprodutos como arroz quebrado reduz custos e evita desperdícios, transformando resíduos em soluções”. Já Wagner Bettiol, também da Embrapa, ressalta que os grânulos atuam como biorreatores no solo, liberando o fungo sem gerar resíduos químicos.

    Impacto na agricultura: menos químicos, mais eficiência

    O Trichoderma é reconhecido como alternativa a fungicidas químicos, que geram resistência em patógenos e danos ambientais. A nova técnica amplia seu uso contra doenças como fusarium, rizoctonia e nematoides, beneficiando desde hortaliças até grandes lavouras.

    “A maioria dos produtos hoje usa grãos de arroz inteiros. Nossa abordagem reduz custos e diversifica métodos”, afirma Bettiol. Atualmente, o Brasil tem 75 produtos à base de Trichoderma registrados no Agrofit, plataforma do Ministério da Agricultura.

    Futuro promissor para o agro brasileiro

    Com a demanda global por soluções sustentáveis, a técnica posiciona o Brasil como líder em inovações agrícolas. Produtos derivados da pesquisa têm potencial para exportação, fortalecendo a economia e reduzindo a pegada ecológica do setor.

    Principais benefícios do trichoderma:

    • Combate ao mofo branco em soja, feijão e algodão;
    • Proteção contra fusarium, rizoctonia e nematoides;
    • Redução de químicos e melhoria da saúde do solo;
    • Aplicação em culturas diversas, de tomate a ornamentais.

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  • Fungo da Antártica pode levar a novo biopesticida

    Fungo da Antártica pode levar a novo biopesticida

    Em um avanço que pode transformar a agricultura global, cientistas brasileiros e americanos descobriram no fundo do Oceano Antártico um fungo capaz de produzir substâncias bioativas com potencial para substituir pesticidas sintéticos. O Penicillium palitans, coletado a 400 metros de profundidade, é a estrela de um estudo que une biotecnologia e sustentabilidade, revelando compostos antifúngicos e fitotóxicos capazes de proteger cultivos sem danos ao meio ambiente.

    Isolado durante uma expedição ao continente gelado, o fungo antártico chamou a atenção por sua resistência a condições extremas: escuridão, pressão elevada e temperaturas próximas a 0°C. Segundo a pesquisa, publicada em parceria entre a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Embrapa Meio Ambiente e o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), o Penicillium palitans produz dois compostos-chave:

    • Penienona: Demonstrou eficácia contra o Colletotrichum fragariae, fungo causador da antracnose, doença que destrói culturas como morango, feijão e café.
    • Palitantina: Mostrou ação fitotóxica, inibindo a germinação de sementes de plantas invasoras como a grama-bentgrass, comum em plantações.

    “Essas moléculas são armas químicas naturais do fungo para sobreviver em um ambiente hostil. Agora, queremos adaptá-las para proteger lavouras”, explica Dra. Luísa Campos, microbiologista da UFMG e uma das autoras do estudo.

    Coletar amostras na Antártica não é para amadores. A expedição demandou um ano de preparação, incluindo treinamentos em sobrevivência no gelo e logística para operar equipamentos em águas profundas. “É como buscar uma agulha no palácio de gelo”, brinca o pesquisador João Ribeiro, da Embrapa. Apesar dos obstáculos, o continente é um *hotspot de biodiversidade microbiana, com organismos que evoluíram para produzir moléculas únicas.

    Impacto ambiental: uma luz no fim do túnel?

    Os pesticidas sintéticos são vilões conhecidos: contaminam solos, reduzem a biodiversidade e geram pragas resistentes. Só o mercado global de agroquímicos movimenta US$ 80 bilhões anualmente, segundo a FAO. Os biopesticidas derivados do Penicillium palitans poderiam reduzir essa dependência. “Eles são biodegradáveis e têm menor risco de desequilibrar ecossistemas”, destaca Dr. Carlos Menezes, da Embrapa.

    Testes mostraram que um dos compostos inibe a germinação de sementes de plantas daninhas e combate fungos patogênicos. Foto: Luiz Henrique Rosa/Embrapa

    Porém, o caminho até o campo é longo. Os compostos precisam passar por testes de toxicidade, formulação estável e eficácia em larga escala. “Estamos na fase de laboratório. Levará de 5 a 10 anos para chegar ao produtor”, pondera Dra. Luísa.

    Caminho até o campo: o que falta?

    Para acelerar a transformação da descoberta em produto, os pesquisadores buscam parcerias com empresas de bioinsumos. O interesse é crescente: o mercado de biopesticidas deve atingir US$ 10 bilhões até 2030, impulsionado por demandas por orgânicos e normas ambientais mais rígidas.

    Curiosidade: a Antártica como fábrica de soluções

    Esta não é a primeira vez que microrganismos antárticos surpreendem a ciência. Em 2020, fungos do permafrost (solo congelado) renderam enzimas usadas em detergentes e biocombustíveis. “A vida nos extremos é uma caixa de pandora biotecnológica”, afirma Dr. Menezes.

    Enquanto a indústria agrícola busca alternativas à química sintética, o fungo da Antártica emerge como um símbolo de esperança. Seus compostos podem não só proteger plantações, mas também reduzir a pegada ecológica do agronegócio. O desafio, agora, é equilibrar inovação e preservação – afinal, a mesma biodiversidade que inspira soluções precisa ser protegida para as futuras gerações.

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  • Brusone – fungo que ameaça produção de trigo avança no mundo

    Brusone – fungo que ameaça produção de trigo avança no mundo

    A brusone, uma doença fúngica que já afeta diversas culturas, está se tornando uma ameaça crescente para a produção de trigo no mundo, impulsionada pelas mudanças climáticas. Segundo o estudo “Production vulnerability to wheat blast disease under climate change”, publicado na Nature Climate Change, o fungo Pyricularia oryzae Triticum, causador da doença, pode afetar até 13,5 milhões de hectares de trigo globalmente, com o potencial de reduzir a produção em 13%.

    A brusone é considerada uma das doenças mais recentes e economicamente importantes para o trigo. O fungo ataca folhas e espigas, e em casos graves pode comprometer 100% da colheita. Historicamente, a doença era mais comum em regiões tropicais e subtropicais, favorecida por altas temperaturas e umidade. Contudo,Recentemente, ocorreram surtos em áreas com clima frio ou seco, como no norte de Bangladesh, onde as temperaturas mínimas aumentaram nos últimos anos.Recentemente, ocorreram surtos em áreas com clima frio ou seco, como no norte de Bangladesh, onde as temperaturas mínimas aumentaram nos últimos anos.

    No Brasil, a brusone já causou prejuízos significativos. Em 2023, por exemplo, surtos localizados ocorreram no Rio Grande do Sul devido a invernos com temperaturas mínimas acima de 15 ºC. “Com o aquecimento global e variações no regime de chuvas, o fungo encontra novos ambientes para se instalar”, alerta José Maurício Fernandes, pesquisador da Embrapa Trigo.

    Histórico de dispersão da doença

    A brusone foi registrada pela primeira vez em plantações de arroz na China, no século XVII. No trigo, surgiu em lavouras do Paraná em 1985 e rapidamente se espalhou para outras regiões do Brasil e da América do Sul. Nos anos 1990, a doença causou perdas em milhões de hectares no continente. Na Bolívia, um surto em 1996 resultou em perdas de 80%, e no Paraguai, em 2002, a produção caiu mais de 70%. No Brasil, os piores anos foram 2009 e 2012, com perdas superiores a 40% em lavouras do Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo.

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    A Argentina, o décimo maior produtor de trigo do mundo, registrou a brusone pela primeira vez em 2007. Em 2012, a doença chegou à província de Buenos Aires, um dos principais polos de produção de trigo do país, elevando o alerta sobre a gravidade da situação. Em 2023, o Uruguai também teve seu primeiro caso.

    Fora da América do Sul, a brusone foi identificada pela primeira vez em Bangladesh, em 2016, causando perdas superiores a 30% na produção. Dois anos depois, a doença apareceu na Zâmbia, na África.

    Projeções preocupantes

    Com base em cenários de mudança climática projetados pelo IPCC, pesquisadores utilizaram modelos de simulação para prever o impacto futuro da brusone. A equipe de pesquisa usou o modelo DSSAT Nwheat, da Universidade da Flórida, para analisar variáveis como temperatura, umidade e concentração de CO2, utilizando dados históricos de 1980 a 2010 e projeções para 2040 a 2070.

    Portanto os resultados indicam que, além dos países da América do Sul, outras regiões também podem ser afetadas.  Isso inclui Estados Unidos, México, Itália, Espanha, França, Japão, China, Etiópia, Quênia, Congo, Nova Zelândia e Austrália. Em um cenário de aumento das temperaturas, a brusone pode se expandir para 30% das áreas de trigo na América do Sul. E também chegar a novas fronteiras agrícolas, como o sul da China e a região mediterrânea da Europa.

    “Embora as condições atuais do Hemisfério Norte ainda não favoreçam a doença, o aumento das temperaturas e da umidade pode mudar esse cenário em um futuro próximo”, alerta Willingthon Pavan, professor da Universidade da Flórida.

    Impacto na produção global de trigo

    Atualmente, a brusone ameaça 6,4 milhões de hectares de trigo no mundo. Assim sendo, até 2050, esse número pode mais que dobrar, afetando 13,5 milhões de hectares e causando uma perda de 69 milhões de toneladas de trigo por ano. Isso representa, portanto, uma redução de 13% na produção mundial.

    Brusone – Foto – Flávio Martins Santana

    Fernandes ressalta que, apesar das iniciativas globais para combater a brusone, como o melhoramento de plantas e estratégias de manejo, a erradicação completa da doença ainda não foi alcançada. “A resiliência às mudanças climáticas exige um planejamento baseado em projeções para minimizar as perdas e garantir a segurança alimentar mundial”, conclui o pesquisador.

    Além disso, diversas iniciativas estão sendo adotadas para combater a brusone, como o uso de biotecnologia, controle químico e manejo agrícola. Entretanto, o sucesso pleno ainda está distante, o que coloca a doença como um dos grandes desafios para a agricultura mundial no contexto das mudanças climáticas.

  • Variante de fungo ameaça acabar com banana no mundo

    Variante de fungo ameaça acabar com banana no mundo

    O cultivo de banana, uma das frutas mais consumidas no mundo, enfrenta uma ameaça global devido ao avanço de um fungo devastador, conhecido como Fusarium oxysporum f. sp. cubense (Foc), particularmente da raça 4 tropical (TR4). Esse fungo, responsável pela doença chamada Mal do Panamá, ataca o sistema vascular das bananeiras.  Bloqueando assim o transporte de água e nutrientes da raiz para o resto da planta, o que eventualmente leva à morte dela. Este patógeno, que afeta a variedade Cavendish, responsável por cerca de 95% das bananas comercializadas, bloqueia o sistema vascular da planta, levando à morte das folhas e, eventualmente, ao colapso da planta.

    Como o fungo ataca a bananeira

    O TR4 invade a planta através das raízes, espalhando-se rapidamente pelos vasos xilemáticos, que são responsáveis por transportar água e nutrientes. À medida que o fungo se multiplica, ele obstrui esses vasos, impedindo que a planta receba a nutrição necessária.

    À medida que a planta tenta se recuperar, a pressão interna aumenta, levando a uma desidratação severa e à morte das folhas. O resultado é uma planta que não consegue sustentar seu crescimento e, em última instância, não produz frutos. Os primeiros sinais da infecção incluem o amarelamento das folhas mais velhas, seguido pelo murchamento e morte dessas folhas. Com o tempo, a planta inteira sucumbe à infecção, tornando impossível a produção de frutos.

    Impacto global

    O impacto do TR4 é particularmente alarmante porque ele afeta a variedade Cavendish, que representa cerca de 95% do mercado global de exportação de bananas. Diferente de outras pragas, o TR4 é altamente resistente a fungicidas e pode sobreviver no solo por décadas, mesmo na ausência de bananeiras. Isso significa que uma vez que o solo é contaminado, ele se torna praticamente inutilizável para o cultivo de bananas.

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    O avanço do TR4 tem causado preocupação em diversas regiões produtoras ao redor do mundo, incluindo a Ásia, África, América Latina e Caribe. Se o fungo continuar a se espalhar, pode resultar em uma escassez global de bananas e um impacto econômico devastador, especialmente para países cuja economia depende da exportação dessa fruta.

    banana prata
    Mal do Panamá afeta produção de banana

    Estima-se que a indústria global de bananas movimenta cerca de US$ 25 bilhões por ano. A perda dessa cultura devido ao fungo poderia ter consequências econômicas devastadoras, especialmente em países em desenvolvimento onde a banana é uma importante fonte de renda e alimento.

    Cura e prevenção

    Até o momento, não existe uma cura para o TR4, e as medidas de controle se concentram principalmente na prevenção da disseminação. Isso inclui o uso de barreiras físicas, a desinfecção de ferramentas agrícolas, e o controle rigoroso de movimentação de material vegetal entre regiões. Pesquisas também estão sendo realizadas para desenvolver variedades de bananeiras geneticamente modificadas que possam resistir ao TR4, mas até que isso se torne uma solução viável, a ameaça persiste.

    Os especialistas recomendam uma série de medidas para mitigar os efeitos do fungo, incluindo a rotação de culturas, o uso de variedades resistentes e práticas de manejo integrado. A pesquisa também está sendo intensificada para desenvolver novas variedades de banana que possam resistir ao Fusarium.

    Além disso, a conscientização dos agricultores sobre os sinais de infecção e a importância de práticas agrícolas sustentáveis são fundamentais para prevenir a propagação do fungo. A colaboração entre governos, instituições de pesquisa e agricultores é essencial para enfrentar essa ameaça e proteger a produção de bananas no mundo.

    O Fusarium oxysporum f. sp. cubense representa um desafio significativo para a produção global de bananas. Com o potencial de devastar plantações e impactar economias locais, é crucial que ações eficazes sejam implementadas para controlar a disseminação do fungo. E também para garantir a sustentabilidade da indústria da banana. A pesquisa contínua e a educação dos agricultores serão fundamentais para enfrentar essa crise e proteger uma das frutas mais importantes do mundo.

    A situação é um lembrete sombrio da vulnerabilidade de nossas culturas alimentares e a importância de investir em pesquisa e desenvolvimento agrícola para proteger a segurança alimentar global.

  • Pela primeira vez “vassoura de bruxa” da mandioca é detectada no Brasil

    Pela primeira vez “vassoura de bruxa” da mandioca é detectada no Brasil

    O fungo Ceratobasidium theobromae (Rhizoctonia theobromae) foi identificado em lavouras de mandioca no norte do estado do Amapá, informou o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Esta é a primeira vez que a praga, conhecida como “vassoura de bruxa” da mandioca, é detectada no Brasil.

    Região em alerta

    O alerta foi feito após técnicos da Embrapa Amapá encontrarem a praga nas plantações de mandioca das terras indígenas de Oiapoque, município que faz fronteira com a Guiana Francesa. Além disso, a praga já se espalhou para os municípios de Calçoene e Amapá, ambos localizados ao sul de Oiapoque.

    De acordo com Edilene Cambraia, diretora do Departamento de Sanidade Vegetal e Insumos Agrícolas, a presença do patógeno pode reduzir significativamente a produtividade das plantas de mandioca. Os sintomas incluem ramos secos e deformados, nanismo, proliferação de brotos fracos e finos, clorose, murcha, seca das folhas e morte apical.

    Em resumo, a dispersão do fungo ocorre através de material vegetal infectado, ferramentas de poda contaminadas e, possivelmente, pelo solo e água. Segundo uma Nota Técnica da Embrapa, a movimentação de plantas e produtos agrícolas entre regiões pode aumentar o risco de infecção em novas áreas.

    Ações de defesa fitossanitária

    Após a confirmação da praga pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de Goiânia, técnicos do Mapa se deslocaram ao Amapá. Primeiramente, eles se reuniram com autoridades locais e especialistas da Embrapa para discutir ações de defesa fitossanitária.

    As medidas adotadas incluem o monitoramento intensivo das áreas de cultivo para identificar precocemente os sintomas. Além disso, estão implementando medidas de quarentena para restringir a movimentação de material vegetal das áreas afetadas. Portanto, a recomendação é usar manivas comprovadamente saudáveis, produzidas em regiões sem a praga ou em condições que impeçam o desenvolvimento do patógeno.

    Outras medidas incluem o uso de fungicidas específicos, a remoção e queima de plantas doentes, e a sanitização de ferramentas utilizadas na destruição das plantas infectadas. Ou seja, o objetivo é reduzir o inóculo nas áreas afetadas e diminuir a incidência de novas infecções.

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    Pragas quarentenárias

    As pragas quarentenárias ausentes são definidas como aquelas com potencial econômico para determinada área e que ainda não estão presentes. Atualmente, cerca de 700 espécies ou gêneros estão regulamentados como pragas quarentenárias ausentes no Brasil, conforme a Instrução Normativa nº 39, de 01/10/2018.

    Além disso, cada praga apresenta riscos específicos, exigindo ações de controle diferenciadas. Para isso, foi instituído o Programa Nacional de Prevenção e Vigilância de Pragas Quarentenárias Ausentes. O programa visa evitar o ingresso de novas pragas no território nacional, mantendo um sistema de vigilância para detecção precoce e identificação dessas pragas, aplicando medidas de mitigação de risco.