Tag: exportação

  • Exportação de ovos processados atinge recorde histórico

    Exportação de ovos processados atinge recorde histórico

    As exportações brasileiras de ovos processados registraram o melhor desempenho para o período desde 2006. O resultado ocorreu mesmo com a queda dos embarques totais de ovos em 2026.

    Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), compilados pelo Cepea, mostram que o Brasil exportou 12,39 mil toneladas de ovos in natura e processados entre janeiro e maio. O volume ficou 32,5% abaixo das 18,36 mil toneladas embarcadas no mesmo período de 2025.

    Em maio, o país exportou 2,18 mil toneladas. O resultado representou recuo de 5,7% em relação a abril. Na comparação com maio do ano passado, a queda chegou a 59%.

    Apesar da retração nos embarques totais, os ovos processados ganharam espaço nas vendas externas brasileiras. Entre janeiro e maio, o segmento respondeu por 3,99 mil toneladas exportadas. Esse volume representou 32% de todas as exportações nacionais de ovos no período. Segundo pesquisadores do Cepea, a participação da categoria atingiu o maior patamar para os cinco primeiros meses do ano desde 2006.

    Além disso, o resultado indica uma mudança gradual no perfil das exportações brasileiras do setor. Com isso, os ovos processados ampliam sua relevância na pauta exportadora da avicultura nacional.

  • Exportações de carne bovina batem recorde em 2026

    Exportações de carne bovina batem recorde em 2026

    As exportações brasileiras de carne bovina registraram recorde nos cinco primeiros meses de 2026. Os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram o melhor resultado da série histórica iniciada em 1997.

    Entre janeiro e maio, o Brasil embarcou 1,36 milhão de toneladas da proteína. O volume supera em 14,4% o registrado no mesmo período de 2025. Além disso, o resultado fica 26,6% acima do observado nos cinco primeiros meses de 2024. A receita também atingiu nível recorde no período. As vendas externas somaram R$ 40,207 bilhões até maio. O valor representa avanço de 20,24% em comparação aos R$ 33,44 bilhões registrados um ano antes.

    Segundo pesquisadores do Cepea, o dólar valorizado e o aumento do preço por tonelada favoreceram o desempenho. Na média, a carne bovina exportada foi negociada a R$ 29,5 mil por tonelada.

    Maio registra maior faturamento do ano

    Somente em maio, o Brasil exportou 290,453 mil toneladas de carne bovina. O volume cresceu 2,5% frente a abril e avançou 17,2% na comparação com maio de 2025. O preço médio alcançou R$ 31.135,21 por tonelada no mês. Com isso, o faturamento chegou a R$ 9,04 bilhões.

    O resultado ficou 5,35% acima do registrado em abril. Além disso, superou em 28,08% o faturamento obtido em maio do ano passado.

    Mercado internacional fortalece pecuária brasileira

    O forte avanço das exportações reforça a importância do mercado internacional para a pecuária brasileira. Os pesquisadores do Cepea destacam que os preços historicamente elevados da proteína sustentam o crescimento dos embarques e da receita.

    Além disso, o cenário ganha relevância durante a transição entre safra e entressafra. Nesse período, a oferta de animais prontos para abate aumenta ligeiramente.

    Ao mesmo tempo, o consumo doméstico segue enfraquecido. As proteínas concorrentes também ampliam a competitividade no mercado interno. Diante desse contexto, as exportações continuam como um dos principais sustentáculos da cadeia da carne bovina no Brasil.

  • Exportações impulsionam preços do arroz no RS

    Exportações impulsionam preços do arroz no RS

    A demanda internacional tem sustentado a recuperação dos preços do arroz em casca no Rio Grande do Sul. O movimento ocorre devido ao avanço das exportações brasileiras e ao cenário favorável no mercado externo.

    Segundo pesquisadores do Cepea, a valorização dos indicadores internacionais e a alta do dólar aumentaram o interesse por lotes destinados à exportação. Como resultado, os preços registraram leve recuperação nas últimas semanas.

    No mercado interno, porém, a comercialização segue lenta. As dificuldades para vender arroz beneficiado reduzem a liquidez e limitam a participação dos agentes nas negociações. Ainda conforme o Cepea, a oferta restrita de arroz com rendimento de 56% de grãos inteiros também influencia o mercado. Tradicionalmente, esse produto atende à demanda externa.

    Além disso, exportadores intensificaram as compras para atender aos embarques. Com isso, aumentou a procura por lotes com rendimento de 58% de grãos inteiros. Esse cenário reforçou a demanda por arroz destinado à exportação e contribuiu para a elevação dos preços no mercado gaúcho.

  • Brasil amplia cooperação agropecuária com Trinidad e Tobago

    Brasil amplia cooperação agropecuária com Trinidad e Tobago

    O Brasil avançou nas relações agropecuárias com Trinidad e Tobago durante missão oficial do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A agenda fortaleceu o diálogo bilateral e abriu novas oportunidades de cooperação em inovação, pesquisa agrícola e segurança alimentar.

    A delegação brasileira, liderada pelo secretário-executivo do Mapa, Cleber Soares, reuniu-se com o ministro da Agricultura, Terras e Pesca de Trinidad e Tobago, Ravi Ratiram. O encontro também contou com a participação do diretor-geral do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), Muhammad Ibrahim.

    Durante a reunião, os representantes discutiram o intercâmbio de material genético, a ampliação do comércio agropecuário e a cooperação tecnológica. Trinidad e Tobago manifestou interesse em acessar material genético brasileiro de mandioca, café e coco-anão. Além disso, o país propôs a instalação de uma planta esmagadora de soja para produzir óleo vegetal e ração animal.

    A iniciativa pretende aproveitar o baixo custo da energia elétrica local. Com isso, o país busca atender o mercado caribenho e ampliar oportunidades após aderir ao Mercosul.

    Por outro lado, o Brasil demonstrou interesse em avançar nos protocolos sanitários para exportar carne bovina, carne suína, pet food e citros.

    A delegação também apresentou os avanços brasileiros no uso de bioinsumos. Atualmente, cerca de 42 milhões de hectares utilizam tecnologias de controle biológico no país.

    Pesquisa agrícola ganha novas frentes de parceria

    A missão incluiu visita ao Caribbean Agricultural Research and Development Institute (CARDI). A instituição atua em 14 países da Comunidade do Caribe (CARICOM) e mantém histórico de cooperação com a Embrapa.

    Durante o encontro, as equipes identificaram novas oportunidades de parceria. Os projetos envolvem banana resistente à Fusarium TR4, milho, trigo tropical, forrageiras e melhoramento genético da raça ovina Berganês.

    O CARDI ocupa posição estratégica na meta regional de reduzir em 25% os gastos com importação de alimentos até 2030. Nesse cenário, a experiência brasileira em agricultura tropical surgiu como referência para fortalecer a produção agrícola local.

    Cooperação avança na cadeia do cacau

    A delegação brasileira também visitou o Cocoa Research Centre (CRC), ligado à Universidade das Índias Ocidentais. O centro abriga uma das maiores coleções de germoplasma de cacau do mundo. Atualmente, o acervo reúne cerca de 2.400 acessos genéticos.

    Os representantes brasileiros conheceram ainda a nova fábrica de chocolate da instituição. A unidade possui capacidade para produzir 200 toneladas por ano.

    Durante a visita, Cleber Soares destacou a contribuição histórica da Ceplac para a pesquisa cacaueira internacional. Ele também ressaltou oportunidades de cooperação em melhoramento genético e sustentabilidade na cadeia produtiva do cacau.

    Além disso, os participantes discutiram a criação da iniciativa regional ProCacau. O projeto busca integrar ações de pesquisa, genética e desenvolvimento de mercados na América Latina e no Caribe.

    Fertilizantes e promoção do agronegócio brasileiro

    A missão incluiu visita técnica à região de Point Lisas, principal polo petroquímico de Trinidad e Tobago. A área apresenta potencial estratégico para distribuição de fertilizantes em diversos países da região.

    Outro destaque da agenda foi a apresentação do programa Agro Brasil Experience. A iniciativa promove visitas de autoridades, pesquisadores e formadores de opinião estrangeiros ao Brasil. O programa permite que os participantes conheçam tecnologias, inovação e práticas sustentáveis adotadas pelo agronegócio brasileiro.

    Com a ampliação das parcerias regionais, o Brasil reforça seu compromisso com a inovação, a segurança alimentar e a cooperação agrícola internacional. Ao mesmo tempo, o país amplia oportunidades de desenvolvimento sustentável e fortalece a presença do agronegócio brasileiro em novos mercados.

  • Embarques de frango batem recorde e superam US$ 1 bilhão

    Embarques de frango batem recorde e superam US$ 1 bilhão

    As exportações brasileiras de carne de frango alcançaram um recorde histórico em maio de 2026. Pela primeira vez, a receita mensal do setor superou US$ 1 bilhão. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), as vendas externas somaram US$ 1,009 bilhão no período. O valor representa alta de 36,1% sobre maio de 2025.

    Além do avanço na receita, o volume exportado atingiu 509,9 mil toneladas. O resultado foi o maior já registrado para um mês de maio. Na comparação anual, os embarques cresceram 29,6%. Em maio do ano passado, o Brasil exportou 393,4 mil toneladas. A base de comparação foi menor devido ao impacto do único caso de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade já registrado no setor brasileiro.

    No acumulado de janeiro a maio, as exportações de carne de frango alcançaram 2,453 milhões de toneladas. O volume supera em 8,7% o registrado no mesmo período de 2025. A receita acumulada chegou a US$ 4,714 bilhões. O valor representa crescimento de 11,3% em relação ao ano passado.

    China lidera compras de carne de frango

    A China permaneceu como principal destino da carne de frango brasileira em maio. O país importou 48,3 mil toneladas, avanço de 34,7%. Na sequência aparecem Japão, com 43,2 mil toneladas, e União Europeia, com 40,2 mil toneladas.

    Também figuram entre os principais compradores a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, a África do Sul e o México. Coreia do Sul e Reino Unido também ampliaram as compras do produto brasileiro.

    Paraná mantém liderança nacional

    Entre os estados exportadores, o Paraná liderou os embarques com 213,9 mil toneladas. Santa Catarina ocupou a segunda posição com 113,9 mil toneladas. Em seguida aparecem Rio Grande do Sul, São Paulo e Goiás.

    De acordo com o presidente da ABPA, Ricardo Santin, o setor enfrentou desafios logísticos globais durante o período. Segundo ele, as tensões no Oriente Médio e as incertezas nas rotas ligadas ao Estreito de Ormuz elevaram a complexidade das operações. Mesmo assim, o Brasil ampliou sua presença em mercados estratégicos e de maior valor agregado.

    Carne suína registra melhor maio da história

    As exportações brasileiras de carne suína também alcançaram desempenho histórico em maio. Os embarques totalizaram 129,4 mil toneladas. O volume superou em 9% o registrado no mesmo mês de 2025.

    A receita chegou a US$ 302,1 milhões. O resultado representa crescimento de 3,8% na comparação anual. Segundo a ABPA, tanto o volume quanto a receita estabeleceram recordes para meses de maio.

    Entre janeiro e maio, as exportações de carne suína somaram 661,7 mil toneladas. O número é 13,1% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. A receita acumulada atingiu US$ 1,546 bilhão. O avanço foi de 11,9% sobre os primeiros cinco meses de 2025.

    Filipinas seguem como principal mercado

    As Filipinas lideraram as importações de carne suína brasileira em maio, com 27,2 mil toneladas. O Japão ocupou a segunda posição e registrou forte crescimento de 83,2% nos embarques. Chile, México, Hong Kong, Argentina e Uruguai também aparecem entre os principais destinos.

    No ranking dos estados exportadores, Santa Catarina manteve a liderança com 62,5 mil toneladas embarcadas. Rio Grande do Sul e Paraná completam as três primeiras posições.

    Para Ricardo Santin, a diversificação dos mercados continua sustentando o crescimento das exportações brasileiras. Segundo ele, a expansão em destinos estratégicos fortalece a demanda internacional e aumenta as perspectivas para novos recordes em 2026.

     

     

     

     

     

  • Reino Unido pode barrar carnes brasileiras por antimicrobianos

    Reino Unido pode barrar carnes brasileiras por antimicrobianos

    O Brasil pode enfrentar novas restrições para exportar carnes e produtos de origem animal ao Reino Unido. O país decidiu adotar as mesmas exigências sanitárias aplicadas pela União Europeia sobre o uso de antimicrobianos.

    Embora tenha deixado o bloco europeu em 2020, o Reino Unido busca harmonizar suas regras sanitárias e fitossanitárias com as normas da UE.

    Ação brasileira

    Nesta semana, o Ministério da Agricultura (Mapa) enviou um ofício aos auditores fiscais agropecuários. O documento reforça que os procedimentos exigidos pela União Europeia também valem para o mercado britânico.

    As regras abrangem carne bovina, carne de aves, carne equina, pescado, mel, ovos, ovoprodutos e envoltórios. Segundo o documento, apenas produtos que atendam aos requisitos europeus poderão receber certificação sanitária internacional.

    A exigência entrará em vigor em 3 de setembro de 2026. A data considera a emissão da certificação na origem, independentemente da chegada da carga ao destino. Enquanto isso, o governo brasileiro tenta reverter as restrições impostas pela União Europeia.

    Lista da UE exclui o Brasil

    Na última sexta-feira, a UE divulgou a lista de países autorizados a exportar carnes e derivados dentro das novas regras. O bloco manteve o Brasil fora da relação. A decisão reforçou as dificuldades das negociações entre Brasília e Bruxelas. Até o momento, não houve avanços capazes de alterar o posicionamento europeu.

    Fontes ligadas às tratativas classificam a medida como uma barreira comercial injustificável. A avaliação ganhou força após a entrada em vigor do acordo entre Mercosul e União Europeia, em maio.

    O Ministério da Agricultura pediu respeito às normas brasileiras. Além disso, afirmou que o país mantém elevados padrões sanitários na produção animal. O ofício também determina que os frigoríficos habilitados para exportação implementem controles auditáveis. Esses mecanismos devem comprovar o cumprimento das exigências relacionadas ao uso de antimicrobianos.

    Os estabelecimentos precisam garantir a rastreabilidade das matérias-primas e dos animais utilizados na produção. Além disso, devem manter registros atualizados e identificar produtos elegíveis e não elegíveis para exportação.

    As empresas também precisam adotar sistemas para bloquear lotes que percam a condição de elegibilidade. Os registros deverão permanecer disponíveis para verificação pelos serviços oficiais de fiscalização. Segundo o Ministério da Agricultura, cada estabelecimento responde pela implementação dos controles.

    Já o Serviço Oficial deve verificar a adequação, a aplicação e a efetividade dos procedimentos adotados. A fiscalização do uso de medicamentos veterinários nas propriedades rurais permanece sob responsabilidade do Serviço Veterinário Oficial.

    Exigências x cadeias produtivas

    As exigências variam conforme cada cadeia produtiva.

    Na avicultura, por exemplo, os exportadores devem comprovar que as aves não receberam antimicrobianos proibidos pela legislação europeia. Nesse caso, a inspeção federal deve verificar toda a documentação que sustenta a elegibilidade dos lotes.

    Na cadeia bovina, os auditores precisam analisar certificados de transição de todos os lotes classificados para exportação à União Europeia.

    A fiscalização também inclui conferências documentais e cruzamento de informações com sistemas oficiais de rastreabilidade. Além disso, os auditores devem verificar a implementação dos programas de autocontrole previstos na legislação.

    O ministério informou que não existem produtos veterinários registrados para promoção de crescimento em equinos, aquicultura e apicultura. Mesmo assim, essas cadeias continuam sujeitas às exigências de rastreabilidade e comprovação de elegibilidade.

    As determinações não se aplicam a produtos como gelatina, colágeno, produtos altamente refinados e animais selvagens.

    A legislação europeia proíbe o uso de antimicrobianos reservados ao tratamento de infecções humanas. A restrição inclui grupos específicos de antibióticos, antivirais e antiprotozoários.

    Entre os produtos vetados estão carbapenêmicos, glicopeptídeos, oxazolidinonas, molnupiravir, oseltamivir, zanamivir e nitazoxanida.

    Mesmo fora da União Europeia, o Reino Unido pretende alinhar suas normas de segurança alimentar às regras europeias. A estratégia busca reduzir barreiras regulatórias e simplificar os controles sanitários entre os mercados.

  • Entenda por que a classificação do PCC e do CV como terroristas preocupa o agronegócio

    Entenda por que a classificação do PCC e do CV como terroristas preocupa o agronegócio

    A decisão dos EUA de enquadrar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pode ampliar os riscos jurídicos e financeiros para empresas brasileiras. No agronegócio, a preocupação envolve principalmente cadeias produtivas ligadas a insumos, combustíveis, logística, armazenagem e financiamento.

    O anúncio partiu do Departamento de Estado dos EUA na quinta-feira (28). As duas facções receberam a classificação de Terroristas Globais Especialmente Designados e passam a integrar oficialmente a lista de Organizações Terroristas Estrangeiras a partir de junho.

    Embora a medida não represente um bloqueio automático aos produtos do agro brasileiro, ela aumenta o nível de fiscalização sobre empresas que mantenham relações, mesmo indiretas, com fornecedores, distribuidoras de combustíveis, transportadoras ou estruturas financeiras ligadas ao crime organizado.

    Além disso, investigações recentes apontam que organizações criminosas vêm ampliando sua atuação em atividades econômicas formais e semiformais. Em diversos casos, essas operações acabam se relacionando com empresas legítimas do setor agropecuário, muitas vezes sem que elas tenham conhecimento da ligação criminosa.

    Mercado de defensivos preocupa autoridades

    Uma das áreas consideradas mais vulneráveis é a de insumos agrícolas. Segundo dados da Receita Federal e da Polícia Rodoviária Federal (PRF), divulgados em abril de 2026, produtos falsificados e contrabandeados já podem representar até 20% do mercado de defensivos agrícolas no Brasil.

    Além disso, o volume de agrotóxicos apreendidos em rodovias federais alcançou 127 toneladas em 2025, mais que o dobro das 62,9 toneladas registradas em 2024.

    Da mesma forma, as apreensões realizadas pela Receita Federal apresentaram crescimento expressivo. Entre 2020 e 2025, o valor dos produtos irregulares confiscados aumentou 55%, atingindo R$ 16,4 milhões.

    Logística rural entra no radar

    A expansão das facções para o interior do país também preocupa entidades ligadas ao setor. Por isso, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) defendeu, em 2025, a votação de um pacote de medidas voltadas à segurança rural.

    Na ocasião, a bancada destacou que o meio rural passou a ter importância estratégica para grupos criminosos devido à intensa movimentação econômica, ao fluxo de cargas e à menor presença do Estado em determinadas regiões.

    Além disso, rotas fundamentais para o escoamento de commodities agrícolas frequentemente atravessam áreas com forte influência de organizações criminosas. Essas mesmas rodovias são utilizadas para o transporte de drogas em direção aos portos brasileiros e, posteriormente, para outros continentes, especialmente a Europa.

    Em alguns casos, as facções utilizam estruturas de empresas de logística aparentemente regulares para realizar essas operações. Um dos exemplos citados pelas autoridades é a Operação Iceberg, deflagrada pela Polícia Federal em 2025.

    Como a decisão dos EUA pode afetar empresas brasileiras

    A reação de Washington pode ocorrer em diferentes frentes. A principal delas é a financeira.

    Com a designação como Terroristas Globais Especialmente Designados, pessoas e empresas norte-americanas ficam proibidas de realizar negócios com indivíduos, empresas ou estruturas ligadas ao PCC e ao Comando Vermelho. Além disso, ativos sob jurisdição dos Estados Unidos podem ser bloqueados.

    Na prática, uma empresa brasileira não precisa possuir sede nos EUA para sentir os efeitos da medida. Caso seja incluída em listas de sanções ou mantenha relações comerciais relevantes com pessoas ou empresas sancionadas, poderá enfrentar dificuldades em operações realizadas em dólar.

    Por consequência, também podem surgir restrições impostas por bancos correspondentes, perda de acesso ao crédito internacional e obstáculos para manter contratos com compradores submetidos às regras norte-americanas.

    Exportações podem sofrer maior fiscalização

    O impacto tende a ser ainda mais significativo nas cadeias voltadas à exportação.

    Nesse cenário, tradings, agroindústrias, cooperativas, transportadoras, distribuidoras de combustíveis e fornecedores de insumos poderão passar por análises mais rigorosas de bancos, seguradoras e compradores internacionais.

    O objetivo dessas instituições é evitar qualquer vínculo, direto ou indireto, com empresas que possam ser associadas a organizações classificadas pelos EUA como terroristas.

    Risco penal também aumenta

    Por outro lado, a nova classificação abre espaço para a aplicação das normas norte-americanas relacionadas ao apoio material a organizações terroristas.

    Isso não significa que uma empresa será automaticamente responsabilizada por contratar um fornecedor que venha a ser investigado posteriormente. No entanto, a legislação dos EUA exige avaliação de fatores como o conhecimento prévio sobre a ligação com a organização designada ou sobre a atividade terrorista.

    Ainda assim, a medida aumenta a exposição de empresas que não consigam comprovar processos adequados de seleção e monitoramento de fornecedores e prestadores de serviços.

    Cadeias contaminadas podem gerar prejuízos

    Mesmo sem sofrer sanções formais, empresas inseridas em cadeias produtivas contaminadas podem ter contratos revisados por bancos, seguradoras, tradings e compradores globais.

    Dessa forma, situações como a compra de defensivos falsificados, o uso de combustíveis comercializados por redes investigadas, a contratação de transportadoras ligadas ao crime organizado ou a exportação de cargas contaminadas em portos passam a representar pontos de atenção para autoridades e agentes financeiros.

  • Dia Nacional do Café: entenda por que o Brasil celebra data diferente do resto do mundo

    Dia Nacional do Café: entenda por que o Brasil celebra data diferente do resto do mundo

    No dia 24 de maio, o Brasil comemora o Dia Nacional do Café, em uma data diferente tanto do Dia Mundial do Café (14 de abril) quanto do Dia Internacional do Café (1º de outubro), este último reconhecido oficialmente pela Organização Internacional do Café.

    A Associação Brasileira da Indústria de Café instituiu a data em 2005, escolhendo o dia 24 de maio por marcar o início da colheita nas principais regiões produtoras do país. Além disso, a data coincide com o Dia do Barista, celebrando as diferentes formas de preparo da bebida e o trabalho dos profissionais do setor.

    Há também um objetivo estratégico por trás da celebração: estimular o consumo interno. Apesar de o Brasil liderar a produção mundial, respondendo por cerca de um terço do café produzido no planeta, o país não figura entre os maiores consumidores per capita. Finlândia, Suécia e Bélgica ocupam as primeiras posições nesse ranking.

    A trajetória do café no Brasil

    O café não é nativo do Brasil. O grão surgiu na Etiópia e se expandiu pela Arábia Saudita, daí o nome “arábica”, dado à espécie mais consumida.

    Apesar de o imaginário popular associar o café aos italianos, foram os holandeses e os franceses que introduziram a planta em solo brasileiro. Os holandeses realizaram o primeiro contrabando, levando o fruto para colônias como o Suriname. Por sua vez, a França enviou mudas para a Guiana Francesa, país vizinho do Brasil pelo norte. Uma dessas mudas acabou cruzando a fronteira.

    Em 1727, o Sargento-Mor Francisco de Mello Palheta recebeu a missão de restabelecer os limites fronteiriços com a Guiana Francesa. Aproveitando a viagem, ele conquistou a confiança da esposa do governador local e retornou ao Brasil com uma muda escondida na bagagem. Assim, de forma clandestina, o café finalmente fincou raízes em território brasileiro.

    Hoje, segundo a Embrapa, a cafeicultura está presente em 1.448 municípios distribuídos por 16 estados das cinco regiões do país, o que representa mais de um quarto das cidades brasileiras com economia diretamente ligada ao setor.

    O peso econômico do café para o agronegócio brasileiro

    Por muito tempo, o café sustentou a principal atividade econômica do Brasil e liderou as exportações nacionais. A expansão da cafeicultura impulsionou o desenvolvimento de cidades, a implantação de ferrovias e a chegada de mão de obra imigrante europeia. Sua influência foi tão profunda que moldou a própria política nacional durante a República Oligárquica (1898–1930), período em que São Paulo e Minas Gerais alternavam o poder, a famosa política do café com leite.

    Atualmente, o Brasil mantém a liderança global na produção e exportação do grão, consolidando o café como um dos pilares do agronegócio nacional.

  • Conheça o herdeiro que comanda a JBJ e mira R$ 10 bilhões até 2027

    Conheça o herdeiro que comanda a JBJ e mira R$ 10 bilhões até 2027

    O agronegócio brasileiro acompanha o crescimento acelerado de um grupo que vem ganhando espaço no setor de proteína animal e genética equina. Sob o comando de Fabrício Batista, filho de José Batista Júnior (Júnior Friboi) — um dos herdeiros da família fundadora da JBS — , a JBJ Agropecuária ampliou operações e mira faturamento próximo de R$ 10 bilhões até 2027.

    A empresa nasceu em 2012, após a saída de Júnior Friboi da JBS. Desde então, a companhia deixou de atuar apenas na pecuária tradicional e passou a integrar diversas áreas do agro. Hoje, o grupo reúne fazendas, confinamentos, frigoríficos, exportação e investimentos em genética bovina e equina.

    Atualmente, a operação conta com 14 fazendas espalhadas entre Goiás, Tocantins, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Ao todo, são cerca de 150 mil hectares produtivos e mais de 250 mil cabeças de gado.

    Além disso, a empresa se consolidou como uma das maiores operações de confinamento da América Latina. Segundo informações divulgadas pelo grupo, mais de 500 mil animais passam anualmente pelos confinamentos da companhia.

    Grupo agropecuário brasileiro amplia investimentos em genética, confinamento e mercado internacional — (Foto: Divulgação)

    Outro braço importante do negócio é a Prima Foods, responsável pelos frigoríficos do grupo. As unidades têm capacidade total para abater aproximadamente 6 mil animais por dia. Grande parte da produção segue para exportação, principalmente para China, Oriente Médio e Chile.

    Genética virou peça-chave na expansão

    A JBJ também intensificou investimentos em biotecnologia e melhoramento genético. A estratégia ajudou a reduzir o tempo de produção dos bovinos e aumentou a eficiência nas fazendas.

    Nos confinamentos da companhia, os animais chegam ao abate entre 24 e 30 meses, período bem menor do que o praticado décadas atrás na pecuária brasileira.

    Ao mesmo tempo, o grupo fortaleceu presença no mercado de cavalos Quarto de Milha. O que começou como hobby acabou se transformando em um negócio milionário. Hoje, a JBJ Ranch promove um dos maiores leilões da modalidade Rédeas no mundo.

    A edição mais recente do evento movimentou cerca de R$ 257 milhões em vendas e reuniu investidores, criadores, empresários e celebridades do universo sertanejo e country.

    Entre os destaques esteve a negociação envolvendo o garanhão americano Inferno Sixty Six, avaliado em aproximadamente R$ 88 milhões.

    Expansão internacional já entrou nos planos

    Além do crescimento no Brasil, o grupo também começou a expandir operações no exterior. Em 2024, a companhia adquiriu um rancho no Texas, nos Estados Unidos, considerado referência na criação de cavalos Quarto de Milha.

    A meta da empresa é fortalecer a genética equina em mercados internacionais e ampliar a presença global no setor de proteína bovina.

    Com forte investimento em tecnologia, exportação e mercado premium, a JBJ se tornou um dos principais símbolos da nova geração do agro brasileiro.

  • Terra da cerveja? Brasil tem mais de 44 mil marcas registradas

    Terra da cerveja? Brasil tem mais de 44 mil marcas registradas

    O setor cervejeiro brasileiro alcançou recordes em 2025, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O Anuário da Cerveja 2026 contabilizou 1.954 cervejarias registradas no país. Os estabelecimentos estão distribuídos em 794 municípios brasileiros. Além disso, o Brasil registrou 44.212 cervejas em 2025. O volume representa crescimento de 2,4% frente ao ano anterior.

    O setor também alcançou 56.170 marcas de cerveja cadastradas. O resultado reforça a diversidade da cadeia cervejeira nacional.

    Exportação histórica

    As exportações do segmento somaram US$ 218,4 milhões. O valor representa o maior resultado da série histórica. Por outro lado, o volume exportado caiu 5,1% em comparação com 2024. Ainda assim, o país embarcou 315,5 milhões de litros.

    Segundo o Mapa, a valorização do produto impulsionou o faturamento externo do setor. O diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal, Hugo Caruso, destacou o avanço internacional da cerveja brasileira. Segundo ele, o setor consolidou presença no mercado externo, mesmo com crescimento interno mais moderado.

    Já o presidente-executivo do Sindicerv, Márcio Maciel, afirmou que o segmento mostrou capacidade de adaptação em 2025. Ele também ressaltou a importância da cerveja nos momentos de celebração dos brasileiros.

    São Paulo lidera número de cervejarias

    São Paulo segue na liderança nacional em quantidade de cervejarias registradas. O estado possui 452 estabelecimentos. A região Sudeste concentra 47,2% das cervejarias brasileiras. Ao todo, a região reúne 923 unidades. A cidade de São Paulo mantém a liderança entre os municípios. A capital possui 61 cervejarias registradas.

    Além disso, o número de cidades com dez ou mais cervejarias cresceu em 2025. O país contabilizou 25 municípios nessa condição.

    O levantamento também mostrou avanço da densidade cervejeira nacional. Atualmente, o Brasil possui uma cervejaria para cada 108.794 habitantes. Santa Catarina lidera esse indicador. O estado registra uma cervejaria para cada 32.625 habitantes.

    Paraguai lidera compra de cerveja brasileira

    A cerveja brasileira chegou a 77 países em 2025. O mercado sul-americano concentrou 98,5% do volume exportado.

    O Paraguai permaneceu como principal destino das exportações brasileiras. O país respondeu por 62,3% dos embarques. Bolívia, Uruguai, Argentina e Chile aparecem na sequência entre os maiores compradores.

    Enquanto isso, as importações cresceram 251,4% em volume no ano passado. O Brasil importou 26,3 milhões de litros. Mesmo assim, o valor importado avançou apenas 1,7%. O total movimentado chegou a US$ 9,4 milhões.

    Os Estados Unidos lideraram as vendas para o mercado brasileiro. O país respondeu por 74,2% do volume importado.

    Alemanha, Argentina, Uruguai e Espanha também aparecem entre os principais fornecedores.

    Setor cervejeiro amplia empregos e produção

    O setor de bebidas superou 143 mil empregos diretos em 2025. Desse total, 41.976 vagas pertencem à fabricação de malte, cerveja e chope.

    Além disso, o Brasil produziu mais de 15 bilhões de litros de cerveja no ano passado. As cervejas puro malte responderam por 29,2% do volume.

    O anuário também destacou o crescimento das cervejas sem glúten. A produção avançou mais de 400% no período. Segundo o levantamento, a alta reflete mudanças no perfil de consumo e maior diversificação do mercado.

    O Mapa ainda firmou parceria com a Embrapa Territorial para mapear a distribuição das cervejarias no país. A iniciativa permite visualizar melhor a concentração produtiva e a presença regional do setor cervejeiro brasileiro.