Tag: exportação

  • Entenda como tarifa dos EUA pode afetar sua pizza

    Entenda como tarifa dos EUA pode afetar sua pizza

    As tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras podem gerar impactos além do comércio exterior. Especialistas afirmam que pizzarias, padarias, restaurantes e pequenos negócios também podem sentir os efeitos indiretos da medida.

    O governo federal anunciou um pacote de R$ 18,5 bilhões para apoiar empresas afetadas pelo tarifaço. Apesar disso, alimentos como café, carne bovina e suco de laranja ficaram fora da lista de produtos tarifados.

    Custos podem aumentar em toda a cadeia produtiva

    O contador, advogado e especialista em tributação empresarial Felipe Oliveira afirma que guerras comerciais afetam toda a economia. Segundo ele, empresas reorganizam fornecedores, renegociam contratos e absorvem novos custos quando grandes economias alteram regras do comércio internacional.

    “Quando uma grande economia muda as regras do comércio internacional, empresas precisam reorganizar fornecedores, renegociar contratos e absorver novos custos. Esse movimento acaba chegando ao pequeno empresário e, muitas vezes, ao consumidor”, explica.

    Pizza pode refletir impactos indiretos

    Uma pizzaria ilustra como os efeitos podem atingir negócios voltados apenas ao mercado interno. Embora não importe ingredientes diretamente, o estabelecimento depende de embalagens, energia elétrica, combustíveis, transporte, equipamentos e produtos de limpeza.

    Além disso, parte da farinha de trigo utilizada pela indústria alimentícia brasileira depende do mercado internacional. Assim, oscilações cambiais e mudanças no fluxo global de comércio podem pressionar o custo da matéria-prima. Como consequência, produtos derivados podem ficar mais caros.

    “Nem sempre o aumento acontece imediatamente nem pode ser atribuído a um único fator. O que ocorre é uma soma de pressões sobre custos que, em algum momento, pode exigir reajustes para manter a operação financeiramente saudável”, afirma o especialista.

    Pequenos negócios também podem ser afetados

    Felipe Oliveira ressalta que o mesmo cenário pode atingir padarias, hamburguerias, supermercados, restaurantes e pequenos comércios. Segundo ele, a economia global conecta diferentes cadeias de fornecimento. Por isso, decisões tomadas por grandes economias influenciam custos operacionais até de empresas que atuam somente no mercado interno.

    Diante desse cenário, o especialista orienta empresários a monitorarem os impactos econômicos sobre o caixa das empresas. Ele recomenda revisar contratos, controlar despesas e acompanhar a evolução da carga tributária para preservar a competitividade.

    Para os consumidores, a recomendação é evitar conclusões precipitadas. O tarifaço não significa aumento imediato no preço da pizza. No entanto, a medida evidencia como decisões tomadas no exterior podem provocar efeitos graduais sobre os custos e chegar ao bolso dos brasileiros.

     

  • Brasil evita retaliação imediata ao tarifaço dos EUA

    Brasil evita retaliação imediata ao tarifaço dos EUA

    O governo brasileiro decidiu não responder imediatamente ao novo tarifaço dos Estados Unidos. A tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros entrou em vigor nesta quarta-feira (22).

    Após a confirmação da medida pelo governo norte-americano, o Palácio do Planalto classificou a decisão como um “marco lastimável”. Além disso, informou que iniciaria os trâmites para aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica.

    Apesar do anúncio, o governo ainda não apresentou medidas concretas com base na legislação. Por enquanto, a estratégia prioriza a avaliação do cenário político e econômico.

    Governo adota cautela antes de reagir

    Na terça-feira (21), o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que a Lei da Reciprocidade não representa uma retaliação aos Estados Unidos. Segundo ele, o objetivo é corrigir uma situação considerada injusta para o Brasil.

    “A ideia não é retaliação. Diz que olho por olho pode acontecer de os dois ficarem cegos. A reciprocidade é: nós estamos sendo injustiçados e queremos corrigir isso”, afirmou Alckmin.

    O vice-presidente concedeu entrevista ao lado do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. Ambos participaram de uma reunião com representantes dos setores atingidos pela nova tarifa.

    Empresários defendem solução diplomática

    Nos últimos dias, entidades empresariais demonstraram preocupação com possíveis respostas comerciais do Brasil. Por isso, defenderam cautela nas decisões do governo.

    A postura adotada pelo Planalto segue a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Assim, o governo busca preservar o diálogo antes de adotar medidas previstas na Lei da Reciprocidade.

    Durante as reuniões com o governo, representantes do setor de máquinas agrícolas também descartaram medidas de reciprocidade. Em vez disso, eles defenderam a resolução do impasse por meio de negociações diplomáticas e empresariais.

    Tarifa dos EUA atinge setores estratégicos

    A nova tarifa norte-americana exclui uma ampla lista de produtos brasileiros. Entre eles estão petróleo, café e carne bovina. Por outro lado, segmentos como etanol, máquinas agrícolas e papel sofrerão impactos com a cobrança adicional.

  • Brasil atinge quase 80% da cota de carne bovina na China

    Brasil atinge quase 80% da cota de carne bovina na China

    O Brasil já utilizou 78,86% da cota anual de exportação de carne bovina para a China, segundo dados divulgados pelo governo chinês. O avanço do volume importado pelo principal comprador da proteína brasileira fez exportadores considerarem que o limite está praticamente esgotado, o que já provoca mudanças na rotina dos frigoríficos.

    As informações da Administração-Geral de Alfândegas da China (GACC) e do Ministério do Comércio (Mofcom) mostram que 872,2 mil toneladas de carne bovina in natura produzida no Brasil foram internalizadas no país asiático entre janeiro e junho. Somente em junho, entraram 148,7 mil toneladas.

    A cota brasileira para 2026 é de 1,106 milhão de toneladas, com tarifa de importação de 12%. Acima desse limite, os embarques ficam sujeitos a sobretaxa de 55%, além da possibilidade de devolução das cargas ou atraso na liberação aduaneira.

    Frigoríficos já reduzem produção e embarques

    Mesmo antes do preenchimento total da cota, frigoríficos habilitados a exportar para a China começaram a adaptar suas operações.

    Entre as medidas adotadas estão:

    • redução do ritmo de abates;
    • férias coletivas;
    • ajustes na produção;
    • suspensão de cortes específicos destinados ao mercado chinês;
    • diminuição dos embarques durante julho.

    A estratégia busca evitar que a carne chegue à China após o esgotamento do limite tarifário, o que elevaria significativamente os custos de importação.

    Diferença entre embarques e cargas já internalizadas

    Existe uma diferença entre os dados brasileiros de exportação e os números divulgados pelas autoridades chinesas.

    Enquanto o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) registra 774,1 mil toneladas exportadas em 2026, o governo chinês contabiliza volumes embarcados ainda em 2025 que foram desembarcados somente neste ano.

    Segundo exportadores, cerca de 227,7 mil toneladas seguem em trânsito para a China. Considerando esse volume, restariam aproximadamente 5,9 mil toneladas livres dentro da atual cota.

    Mercado espera esgotamento da cota em agosto

    A expectativa do setor é que a China confirme ainda nesta semana o preenchimento de 80% da cota brasileira e alcance 100% durante agosto.

    O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, afirmou na semana passada que o Brasil deve encerrar 2026 com aproximadamente 900 mil toneladas exportadas para o mercado chinês.

    A previsão é que a produção destinada ao país asiático seja retomada em outubro, com novos embarques previstos para novembro, já considerando a abertura da cota de 2027.

    Analistas acompanham ritmo da logística

    O mercado também monitora o ritmo de internalização das cargas.

    Para Fernando Iglesias, analista da consultoria Safras e Mercado, o Brasil deveria ter alcançado esse percentual anteriormente.

    Segundo ele, o atraso pode estar relacionado ao tempo maior de transporte marítimo ou à demora nos procedimentos alfandegários realizados pelas autoridades chinesas.

    Outros países ainda utilizam pequena parte de suas cotas

    Enquanto o Brasil se aproxima do limite anual, outros grandes fornecedores ainda utilizam apenas parte das cotas disponíveis.

    No primeiro semestre:

    • Estados Unidos: 876 toneladas (0,53% da cota);
    • Nova Zelândia: 59,5 mil toneladas (29%);
    • Uruguai: 82,3 mil toneladas (25,4%);
    • Argentina: 239,5 mil toneladas (47%).

    Já a Austrália ultrapassou sua cota e registrou 588 toneladas acima do limite estabelecido.

    Cenário pode beneficiar concorrentes

    A Safras e Mercado avalia que o esgotamento da cota brasileira poderá abrir espaço para o aumento das exportações de países como Argentina, Uruguai e Nova Zelândia.

    A consultoria também observa crescimento da demanda por carne bovina brasileira em mercados como Estados Unidos, Hong Kong, Uruguai e Argentina. Segundo a análise, parte desse movimento pode indicar operações de triangulação comercial, permitindo que o produto alcance o mercado chinês de forma indireta.

    Ao todo, a China importou 1,5 milhão de toneladas de carne bovina in natura entre janeiro e junho, o equivalente a 56,9% da cota global de 2,6 milhões de toneladas destinada aos fornecedores internacionais em 2026. Esse cenário reforça a importância do mercado chinês para o agronegócio brasileiro e mantém o setor atento aos próximos anúncios sobre o limite de importações.

  • Farelo de soja dispara e sustenta preços no mercado

    Farelo de soja dispara e sustenta preços no mercado

    A demanda global por farelo de soja impulsionou as cotações no Brasil e nos Estados Unidos. Os dados são do Cepea. No mercado brasileiro, a disputa entre compradores internos e externos ganhou força. Com isso, os prêmios de exportação e os preços FOB avançaram.

    Além disso, a valorização do farelo elevou os preços da soja no mercado interno. Segundo os pesquisadores do Cepea, a maior oferta mundial de soja limitou altas mais expressivas do grão. Ainda assim, a expectativa de crescimento da demanda internacional pelo farelo mantém o mercado aquecido.

    A Argentina segue como principal exportadora mundial de derivados de soja. No entanto, o USDA destaca o avanço das exportações de farelo do Brasil e dos Estados Unidos.

    Preços do milho oscilam entre regiões produtoras

    Os preços do milho registram comportamentos diferentes nas regiões acompanhadas pelo Cepea. Em algumas praças, as cotações subiram devido à retração de vendedores. Além disso, o ritmo inicial da colheita da segunda safra permaneceu lento.

    Por outro lado, os preços recuaram em regiões produtoras. Nesses locais, o avanço da colheita ampliou a oferta do cereal.

    Parte dos consumidores continua atenta às oportunidades de compra. Outros adquiriram volumes no início da semana passada para reforçar os estoques. Mesmo assim, esses compradores aguardam maior disponibilidade de milho nas próximas semanas. A expectativa é de queda dos preços no mercado interno.

    Enquanto isso, produtores paulistas mantêm postura cautelosa. Eles esperam o avanço da colheita para negociar volumes maiores.

  • Tarifa de 67% trava exportações de carne para a China

    Tarifa de 67% trava exportações de carne para a China

    A carne bovina brasileira enfrenta um novo obstáculo no principal mercado internacional. A China passou a cobrar tarifa total de 67% sobre embarques acima da cota anual. O Brasil esgotou integralmente esse limite no início deste mês. Com isso, as exportações excedentes passaram a pagar uma sobretaxa de 55%. Além disso, permanece a tarifa de importação de 12% já aplicada pelo governo chinês.

    Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), o novo cenário inviabiliza economicamente os embarques. O presidente da entidade, Roberto Perosa, afirmou que não existem negociações entre Brasil e China. Ele fez a declaração durante cerimônia na unidade industrial da Biogénesis Bagó, em Garín, na Argentina.

    Segundo Perosa, o governo chinês não sinalizou mudanças nas medidas adotadas. “As notícias que vêm da China e do governo chinês não são de nenhum tipo de negociação.” “Sempre aguardamos as negociações entre os governos e, neste momento, não há”, afirmou.

    Anúncio das salvaguardas

    A China anunciou as salvaguardas em dezembro de 2025. A decisão ocorreu após investigação sobre o aumento das importações de carne bovina. O governo chinês estabeleceu cota anual de 1,106 milhão de toneladas para o Brasil.

    Os embarques acima desse volume passaram a sofrer tributação adicional. Pelas regras definidas por Pequim, as salvaguardas permanecerão por três anos. Mesmo assim, o governo poderá revisar as medidas durante esse período.

    Até a mudança, a China liderava as compras de carne bovina brasileira. O país respondia por mais da metade das exportações do setor. Agora, as indústrias deverão ampliar as vendas para outros mercados. Além disso, buscarão fortalecer negócios com países que já importam carne bovina brasileira.

    A Abiec afirma que qualquer mudança dependerá de negociações entre os governos. Enquanto isso, as empresas seguirão operando sob as novas regras chinesas.

    Impacto no mercado brasileiro

    A entidade também prevê reflexos no mercado brasileiro. A redução das exportações pode elevar a oferta de carne bovina no país. Inicialmente, esse movimento tende a pressionar os preços da arroba do boi gordo.

    Além disso, os preços da carne no atacado também podem recuar. No entanto, a Abiec acredita que esse efeito poderá ser temporário. A expectativa é redirecionar parte da produção para novos mercados e reduzir os impactos das restrições chinesas.

  • Tarifa dos EUA deve atingir 36,5% do agro brasileiro

    Tarifa dos EUA deve atingir 36,5% do agro brasileiro

    A tarifa adicional de 25% anunciada pelos Estados Unidos deve atingir 36,5% das exportações do agronegócio brasileiro para o mercado americano, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A medida entra em vigor na próxima quarta-feira (22).

    A entidade informou que a ampliação da lista de produtos isentos reduziu o impacto da medida sobre o setor. Mesmo assim, parte das vendas brasileiras continuará sujeita à cobrança. A diretora de Relações Internacionais da CNA, Sueme Mori, afirmou que a entidade recebeu com preocupação o resultado da investigação conduzida pelo governo americano. Segundo ela, a inclusão de novos produtos na lista de exceções preservou 63,5% do valor exportado pelo agronegócio brasileiro aos Estados Unidos.

    Isentos da tarifa

    Entre os produtos excluídos da tarifa estão pescados, mel e café solúvel. De acordo com Mori, a ampliação das exceções ocorreu após atuação técnica da CNA e de outras entidades do setor privado junto ao governo americano. “Esse resultado é fruto do trabalho realizado pela CNA e por outros representantes do setor privado, que atuaram diretamente junto ao governo americano na defesa técnica dos interesses do agro brasileiro”, afirmou.

    Madeira, arroz, ovos e açúcar continuam tarifados

    Apesar das exceções, produtos como madeira, arroz, uva, ovos e açúcar permanecem sujeitos à tarifa adicional de 25%. Segundo a CNA, esses produtos movimentaram cerca de US$ 4,6 bilhões em exportações brasileiras para os Estados Unidos em 2025.

    A entidade também destacou a justificativa apresentada pelo governo americano para ampliar a lista de exceções. As autoridades dos EUA afirmaram que alguns produtos brasileiros são essenciais para a indústria americana. Além disso, alegaram oferta insuficiente no mercado interno e risco de impactos em setores estratégicos da economia.

    CNA continuará defendendo o agronegócio brasileiro

    Sueme Mori informou que a CNA acompanhou toda a investigação comercial. A entidade apresentou estudos técnicos e participou de consultas públicas e audiências realizadas em Washington.

    Segundo a diretora, a confederação demonstrou que a competitividade do agronegócio brasileiro resulta de produtividade, inovação e investimentos realizados ao longo de décadas. Além disso, a CNA defendeu a exclusão dos produtos agropecuários da medida. Para a entidade, Brasil e Estados Unidos mantêm cadeias produtivas complementares e uma relação comercial estratégica para ambos os países.

    Mori afirmou que a confederação continuará acompanhando o caso. Também buscará alternativas para reduzir os impactos da tarifa sobre o agronegócio brasileiro. “A CNA acredita no diálogo construtivo e continuará trabalhando em defesa do setor agropecuário brasileiro, apoiando as cadeias produtivas afetadas e buscando soluções que preservem e fortaleçam a relação comercial entre o Brasil e os EUA”, concluiu.

  • Maior produtora de cacau do mundo atrai US$ 80 bilhões em investimentos

    Maior produtora de cacau do mundo atrai US$ 80 bilhões em investimentos

    A Costa do Marfim garantiu mais de US$ 80 bilhões em compromissos de financiamento durante uma mesa-redonda com doadores realizada em Abidjan, nos dias 8 e 9 de julho. O encontro reuniu grandes instituições internacionais e financiadores globais com o objetivo de acelerar o desenvolvimento econômico do país.

    O volume final de promessas superou significativamente as metas que o governo havia estabelecido inicialmente. O resultado reforça a posição da Costa do Marfim como uma das economias de crescimento mais rápido da África Ocidental.

    O país mantém uma taxa média de crescimento anual de 6,5% desde que superou a crise pós-eleitoral de 2011. E esse novo influxo de capital deve dar suporte à continuidade dessa expansão. A estratégia nacional de desenvolvimento aposta fortemente em investimentos de infraestrutura de grande escala e em reformas que tornem o ambiente de negócios doméstico mais atrativo ao capital internacional.

    Governo prioriza infraestrutura e segurança energética

    O capital recém-garantido deve financiar áreas estruturais consideradas críticas para sustentar o crescimento econômico de longo prazo e ampliar a capacidade industrial do país. A participação de grandes instituições internacionais na mesa-redonda sinaliza forte confiança na estabilidade macroeconômica e no caminho de reformas que a Costa do Marfim vem adotando.

    A infraestrutura continua no topo das prioridades, mas o setor de energia local também ganha espaço relevante entre os investimentos públicos e privados. O governo pretende usar parte dos recursos para melhorar a segurança energética e construir redes domésticas confiáveis, capazes de sustentar o crescimento industrial do país.

    Segundo reportagem da Africanews, o setor energético desempenha papel essencial para garantir a sustentabilidade das elevadas taxas de crescimento econômico da Costa do Marfim e sua capacidade de atrair capital.

    Empresas locais ganham protagonismo no setor de energia

    À medida que a economia se transforma, empresas locais e campeãs nacionais assumem papel cada vez mais relevante na condução do crescimento industrial, especialmente no setor de energia. Essas empresas expandem redes de distribuição e constroem a infraestrutura necessária para abastecer as indústrias emergentes de manufatura e processamento agrícola.

    pé de cacau
    Foto: Wenderson Araujo/Sistema CNA/Senar

    A Costa do Marfim consolidou-se como líder global absoluto na produção de cacau. O país colhe consistentemente mais que o dobro do volume do segundo maior produtor mundial. Essa posição dominante no setor agrícola construiu uma base sólida de estabilidade econômica e receitas de exportação confiáveis. Um fator que provavelmente contribuiu para o elevado nível de confiança dos investidores e viabilizou os históricos US$ 80 bilhões em compromissos.

    O país francófono também assinou recentemente um acordo em Abuja que o compromete a exportar cacau processado, em vez de grãos in natura. A medida representa um passo significativo rumo ao desenvolvimento industrial e econômico da Costa do Marfim.

  • Tarifaço de Trump isenta café, carne, petróleo e celulose

    Tarifaço de Trump isenta café, carne, petróleo e celulose

    O governo dos Estados Unidos confirmou uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Apesar disso, o tarifaço de Trump isentou café, carne bovina, petróleo, aeronaves e celulose. O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) anunciou a medida nesta quarta-feira (15). A nova tarifa passa a valer em 22 de julho.

    A decisão encerra uma investigação comercial iniciada há um ano. O processo teve como base a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Segundo o USTR, esse mecanismo permite investigar práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses dos Estados Unidos.

    Durante a investigação, o governo Donald Trump alegou que o Brasil mantém práticas que restringem o comércio bilateral. O governo norte-americano citou o PIX, o mercado de etanol, o desmatamento ilegal e a pirataria entre os principais pontos da investigação.

    Café, carne, petróleo e aeronaves escapam da tarifa dos EUA

    Mesmo com as críticas, o tarifaço de Trump preservou uma ampla lista de produtos brasileiros. Entre os produtos isentos da tarifa dos EUA estão café, carne bovina, petróleo, aeronaves e celulose. Esses produtos ocupam posição estratégica na pauta de exportações brasileiras para o mercado americano.

    Segundo o governo dos Estados Unidos, os itens isentos podem pressionar preços internos. Além disso, a produção doméstica não atende toda a demanda. Com isso, parte dos principais produtos exportados pelo Brasil continuará sem a cobrança da tarifa adicional.

    A investigação foi concluída após negociações entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. Representantes de diversos setores econômicos também participaram das audiências públicas promovidas neste mês.

    O USTR afirmou que tentou negociar mudanças com o Brasil ao longo do último ano. Entretanto, o órgão declarou que não conseguiu eliminar as práticas consideradas injustas.

    Integrantes do governo brasileiro informaram que três temas concentraram os maiores impasses. As negociações envolveram o PIX, a ampliação do acesso do etanol americano ao mercado brasileiro e uma proposta sobre plataformas digitais. A proposta previa uma moratória de quatro anos para isentar essas empresas do pagamento de tributos e multas.

    Governo brasileiro contesta tarifa de Trump

    O governo brasileiro afirmou que não existe justificativa para medidas unilaterais contra o país. Segundo dados do próprio governo americano, os Estados Unidos acumularam superávit de US$ 424,5 bilhões no comércio de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos.

    O governo também destacou que, em 2025, 76% das importações americanas entraram no Brasil sem imposto de importação. Além disso, a alíquota média aplicada aos produtos dos Estados Unidos foi de apenas 3,1%.

    Na nota oficial, o governo brasileiro afirmou que não reconhece a legitimidade da investigação realizada fora das regras multilaterais do comércio.

    Apoio para setores atingidos

    ]O texto informa que o Plano Brasil Soberano protegerá os setores atingidos pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos. Segundo o governo, as medidas buscam preservar empregos, investimentos e a capacidade produtiva nacional.

    Além disso, o Brasil iniciará imediatamente os procedimentos previstos na Lei de Reciprocidade. Por fim, o governo levará o caso ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).

  • Exportações de café do Brasil caem 15,7% na safra 2025/26

    Exportações de café do Brasil caem 15,7% na safra 2025/26

    O Brasil exportou 38,462 milhões de sacas de café na safra 2025/26, volume 15,7% menor que o registrado no ciclo anterior. Apesar da queda nos embarques, a receita das exportações de café atingiu US$ 14,595 bilhões, o segundo maior resultado da série histórica. Os dados são do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

    A redução ocorreu principalmente pela menor oferta de café, reflexo das adversidades climáticas na safra 2025. Além disso, gargalos logísticos nos portos brasileiros e a tarifa de 50% aplicada pelos Estados Unidos também limitaram os embarques.

    Em junho, o Brasil exportou 3,060 milhões de sacas de café, alta de 16,9% sobre o mesmo mês do ano anterior. No entanto, a receita cambial caiu 6%, para US$ 972,8 milhões.

    No acumulado do primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras de café somaram 17,831 milhões de sacas, recuo de 8,3% em relação ao mesmo período de 2025. A receita cambial alcançou US$ 6,534 bilhões, queda de 13,3%.

    Menor oferta reduz exportações de café

    Segundo o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, o mercado já esperava uma redução nas exportações. Após os embarques recordes de 2024, os estoques brasileiros diminuíram significativamente. Além disso, problemas climáticos reduziram a produção da safra de café 2025 e limitaram a disponibilidade do produto.

    Ferreira também afirma que a infraestrutura portuária deficiente prejudicou as exportações. Segundo ele, atrasos frequentes nos principais portos impediram o embarque de centenas de milhares de sacas. Como consequência, exportadores registraram custos extras com armazenagem, pré-stacking e detentions.

    Tarifa dos EUA derruba embarques de café brasileiro

    Outro fator que pressionou as exportações de café do Brasil foi a tarifa de 50% aplicada pelos Estados Unidos durante cerca de quatro meses. Entre 6 de agosto e 21 de novembro, os embarques brasileiros para o mercado americano despencaram 54,9%. Nesse intervalo, as exportações caíram de 2,917 milhões para 1,315 milhão de sacas.

    Após a retirada da tarifa para a maior parte dos cafés brasileiros, os negócios começaram a se recuperar. Entretanto, Ferreira afirma que o mercado ainda enfrenta incertezas relacionadas à política comercial dos Estados Unidos.

    Produtores venderam café no melhor momento

    Segundo o Cecafé, muitos produtores permaneceram capitalizados após os preços elevados registrados nos últimos anos. Dessa forma, os cafeicultores comercializaram o café de maneira mais estratégica durante a entressafra. Como resultado, o ritmo das exportações permaneceu limitado.

    Mesmo com menor volume embarcado, o preço médio das exportações de café atingiu recorde histórico. A média chegou a US$ 379,48 por saca, valor 17,4% superior ao registrado na safra anterior.

    De acordo com Ferreira, as cotações internacionais permaneceram elevadas entre setembro de 2025 e janeiro de 2026. Além disso, os investimentos em tecnologia, inovação e qualidade continuam agregando valor ao café brasileiro.

    Mercado acompanha colheita do café arábica

    O presidente do Cecafé afirma que o mercado monitora a evolução da colheita do café arábica. Segundo ele, o atraso da colheita e as incertezas climáticas reduziram as vendas antecipadas dos produtores.

    Além disso, a qualidade dos grãos ainda depende dos efeitos das chuvas registradas durante a colheita. Esses fatores devem influenciar o desempenho das exportações brasileiras de café ao longo da safra 2026/27.

    Alemanha supera Estados Unidos entre os maiores compradores

    A Alemanha assumiu a liderança entre os principais destinos do café brasileiro. O país importou 5,188 milhões de sacas, equivalente a 13,5% das exportações nacionais.

    Os Estados Unidos ficaram na segunda posição, com 4,243 milhões de sacas, volume 43,2% inferior ao registrado na safra anterior. Na sequência aparecem Itália, Bélgica e Japão.

    Café arábica lidera exportações brasileiras

    O café arábica manteve a liderança nas exportações brasileiras. O país embarcou 29,499 milhões de sacas, volume equivalente a 76,7% do total exportado. Já os cafés canéforas (conilon e robusta) responderam por 5,031 milhões de sacas.

    O café solúvel somou 3,874 milhões de sacas, enquanto o café torrado e torrado e moído representou uma pequena parcela dos embarques.

    Cafés especiais ampliam participação nas exportações

    Os cafés diferenciados, que incluem cafés especiais e certificados, responderam por 19,2% das exportações brasileiras de café. O Brasil embarcou 7,388 milhões de sacas desse segmento. A receita alcançou US$ 3,160 bilhões, equivalente a 21,7% do faturamento total das exportações.

    A Alemanha liderou as compras, seguida por Estados Unidos, Bélgica, Holanda e Itália.

    Porto de Santos concentra exportações de café

    O Porto de Santos permaneceu como principal corredor das exportações brasileiras de café. O terminal embarcou 28,859 milhões de sacas, o equivalente a 75% do total exportado pelo país. Na sequência aparecem o complexo portuário do Rio de Janeiro e o Porto de Paranaguá.

  • Oferta de cacau cresce, mas demanda limita recuperação do setor

    Oferta de cacau cresce, mas demanda limita recuperação do setor

    A oferta de cacau no Brasil apresentou recuperação no primeiro semestre de 2026. No entanto, a demanda por derivados ainda limita o avanço da indústria. Dados do SindiDados – Campos Consultores, divulgados pela Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC), mostram esse cenário.

    O recebimento de amêndoas alcançou 95.108 toneladas no semestre. O volume cresceu 63,4% frente ao mesmo período de 2025. Além disso, o resultado praticamente igualou o nível registrado em 2023, antes da crise de oferta. O segundo trimestre impulsionou esse desempenho. Entre abril e junho, o recebimento atingiu 66.503 toneladas. O volume representou alta de 64,5% na comparação anual.

    Segundo a presidente-executiva da AIPC, Anna Paula Losi, a produção brasileira voltou a mostrar sinais positivos. Ela afirma que o desafio agora consiste em consolidar esse crescimento nos próximos ciclos.  Além disso, ela destaca que a expansão precisa aumentar o processamento, fortalecer a competitividade e gerar mais valor para toda a cadeia.

    Moagem cresce pouco apesar da maior oferta de cacau

    Apesar da recuperação da oferta, a atividade industrial avançou em ritmo bem menor. A moagem totalizou 101.426 toneladas no primeiro semestre. O volume cresceu apenas 3,6% em relação a 2025. Mesmo assim, o resultado permaneceu 19,8% abaixo do registrado no primeiro semestre de 2023.

    O segundo trimestre repetiu essa tendência. Entre abril e junho, a moagem somou 49.711 toneladas. O volume aumentou 8,6% sobre igual período de 2025. Entretanto, ficou 20,4% abaixo do processamento registrado no segundo trimestre de 2023.

    A comparação entre recebimento e moagem evidencia o momento da cadeia produtiva. Enquanto a oferta de amêndoas cresceu mais de 63%, a moagem avançou somente 3,6%. Segundo Anna Paula Losi, produzir mais cacau representa apenas o primeiro passo. Ela ressalta que a geração de valor depende da transformação dessa produção em produtos industrializados. Além disso, ela afirma que, sem essa conversão, parte dos ganhos da safra deixará de gerar renda, empregos e competitividade.

    Importações de cacau caem com maior produção nacional

    A recuperação da safra também reduziu a necessidade de importações. O Brasil importou 18,1 mil toneladas de amêndoas no primeiro semestre. O volume foi o menor da série recente. Além disso, caiu 57,1% em comparação ao mesmo período de 2025. No segundo trimestre, o país não precisou importar amêndoas pela primeira vez em quatro anos.

    Apesar disso, a AIPC recomenda cautela na interpretação desse resultado. Segundo a entidade, a queda das importações combina maior oferta nacional com demanda mais moderada por derivados. Por isso, o cenário ainda não indica autossuficiência estrutural na produção brasileira de cacau.

    Exportações de derivados seguem abaixo do esperado

    As exportações brasileiras de derivados de cacau somaram 26.739 toneladas no primeiro semestre. O volume recuou 7% frente ao mesmo período de 2025. Embora o segundo trimestre tenha registrado crescimento de 13% sobre o primeiro, o avanço não compensou as perdas acumuladas.

    A Argentina permaneceu como principal destino dos derivados brasileiros. O país respondeu por 45% do volume exportado. Na sequência apareceram os Estados Unidos, com 19%, e o Chile, com 9%.

    As importações de derivados também diminuíram. O volume totalizou 23.336 toneladas, queda de 8,1% na comparação anual. Segundo a AIPC, esse resultado reflete um mercado ainda moderado para produtos processados.

    As exportações de amêndoas permaneceram reduzidas. O Brasil embarcou apenas 274 toneladas durante o semestre. Segundo a entidade, esse resultado confirma que a competitividade brasileira está concentrada na industrialização e na exportação de produtos com maior valor agregado.

    Anna Paula Losi afirma que a próxima etapa da recuperação dependerá da expansão do consumo de derivados. Segundo ela, essa demanda impulsionará a moagem, reduzirá a ociosidade industrial e fortalecerá toda a cadeia produtiva.

    Bahia lidera produção, enquanto Pará amplia participação

    A recuperação da oferta ocorreu de forma desigual entre os estados produtores. A Bahia permaneceu como principal origem das amêndoas recebidas pela indústria. O estado respondeu por 56,8% do volume nacional no primeiro semestre. Mesmo assim, sua participação diminuiu em relação aos anos anteriores.

    O Pará ampliou sua participação para 38,8%. Com isso, o estado reforçou o avanço da produção na Região Norte e diversificou a oferta nacional. O Espírito Santo respondeu por 3,1% do recebimento nacional. Já Rondônia alcançou 1,2% de participação e manteve a trajetória de crescimento observada nos últimos anos.