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  • Safra de laranja 2025/26 cresce e SP reforça apoio à citricultura

    Safra de laranja 2025/26 cresce e SP reforça apoio à citricultura

    O Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) anunciou a estimativa para a safra de laranja 2025/26 no cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro, com previsão de 314,60 milhões de caixas de 40,8 kg. O volume cresceu 36,2% em relação à safra anterior, afetada por condições climáticas adversas.

    São Paulo mantém sua liderança global no setor, sendo responsável por cerca de 80% da produção nacional de laranja e por 90% do suco de laranja processado no país. A cadeia produtiva movimenta mais de US$ 3 bilhões ao ano e gera aproximadamente 200 mil empregos diretos e indiretos. Em 2024, o grupo de sucos respondeu por 9,6% das exportações do agronegócio paulista. Totalizando R$ 17,78 bilhões, com o suco de laranja representando 98,1% desse valor.

    Estado amplia combate ao greening e investe em pesquisa

    Para fortalecer o setor, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo lançou a linha de crédito “Combate ao Greening”, destinando mais de R$ 6 milhões para 32 produtores em 2024. O objetivo é apoiar medidas preventivas e de controle contra a doença, que representa uma das principais ameaças aos pomares paulistas.

    Além do crédito, a Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA) intensifica ações de fiscalização, orientação técnica e defesa sanitária vegetal. Em 2024, as equipes de fiscalização do HLB (greening) realizaram 1.743 ações e retiraram mais de 4,5 milhões de mudas irregulares. A legislação estadual também proíbe o comércio ambulante de mudas cítricas, visando proteger a sanidade dos pomares comerciais.

    Inovação e sustentabilidade na citricultura paulista

    Para promover inovação e ampliar o conhecimento técnico, foi criado o Centro de Pesquisa Aplicada em Inovação e Sustentabilidade da Citricultura (CPA). Essa é uma parceria entre a Secretaria de Agricultura, Fundecitrus, FAPESP e Esalq/USP. Com investimento previsto de R$ 90 milhões nos próximos cinco anos, o CPA terá foco no enfrentamento ao greening e na formação de novos grupos de pesquisa. Isso consolida São Paulo como referência em ciência e tecnologia para o setor.

    Perspectivas para a safra de laranja 2025/26

    O novo censo do Fundecitrus aponta que o aumento da produção ocorre devido ao maior número de frutos por árvore, às condições climáticas favoráveis e ao crescimento do número de árvores produtivas. A produtividade média estimada é de 869 caixas por hectare, recuperando-se da queda registrada na última safra.

    Com ações integradas de crédito, defesa sanitária e pesquisa, São Paulo reforça seu compromisso com a sustentabilidade e a competitividade da citricultura. E garante o protagonismo do estado no cenário nacional e internacional.

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  • Culturas de cobertura aumentam a saúde do solo

    Culturas de cobertura aumentam a saúde do solo

    Em meio aos desafios das mudanças climáticas, uma pesquisa inovadora desenvolvida pela ESALQ-USP, em parceria com o Centro de Pesquisa e Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI), revela que a integração de culturas de cobertura em plantações de soja no Cerrado brasileiro está transformando a agricultura sustentável. Os estudos, conduzidos há seis anos em Rio Verde (GO) e dez anos em Rondonópolis (MT) — dois dos maiores polos sojícolas do país —, demonstram que gramíneas e leguminosas, como braquiária, crotalária, milheto e feijão-guandu, não apenas melhoram a saúde do solo. Mas também elevam o sequestro de carbono e impulsionam a produtividade das lavouras.

    Liderada pela engenheira agrônoma Victória Santos Souza, sob orientação do professor Maurício Roberto Cherubin, a pesquisa comprovou que sistemas diversificados superam os modelos tradicionais de monocultura. A combinação de braquiária, crotalária e milheto, por exemplo, aumentou em 19% o estoque de carbono no solo, elevou a saúde da terra em 13% e ampliou a produtividade da soja em 11% em comparação com cultivos convencionais, como soja-milho ou soja em pousio. “A diversidade vegetal gera mais matéria orgânica, tornando o sistema mais resiliente e capaz de mitigar emissões de gases de efeito estufa”, explica Souza.

    Braquiária é destaque

    Um dos destaques do estudo é o papel da braquiária, que produz até 9 toneladas de biomassa por hectare, protegendo o solo contra temperaturas extremas e melhorando a retenção de água. Além disso, solos mais saudáveis reduzem em 26% a variabilidade na produtividade da soja, garantindo estabilidade mesmo em condições climáticas adversas.

    Os resultados ganham ainda mais relevância diante da urgência em reduzir emissões no Cerrado, bioma responsável por 48% da produção nacional de soja. E que, segundo o SEEG (2022), tem o Mato Grosso como maior emissor de gases do efeito estufa no agro. Com práticas como essas, o Brasil avança na criação de sistemas agrícolas que combinam alta produtividade com sustentabilidade — um modelo que, se expandido, pode colocar o país na vanguarda da agricultura de baixo carbono. A próxima fase da pesquisa focará no refinamento do balanço de carbono em nível de talhão, abrindo caminho para políticas públicas e adoção em larga escala por produtores rurais.

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  • Empresas inauguram centro de treinamentos em parceria com Esalq/USP

    Empresas inauguram centro de treinamentos em parceria com Esalq/USP

    A John Deere, líder global em tecnologia agrícola, inaugurou nesta semana o Centro de Treinamentos de Piracicaba (SP), fruto de uma parceria estratégica com a Esalq/USP, a Fundação Fealq e o Grupo Terraverde (concessionário da marca). O projeto, que já capacitou mais de 2 mil profissionais desde 2022, tem como objetivo fortalecer a conexão entre pesquisa acadêmica e demandas do mercado, impulsionando a formação de talentos e a adoção de tecnologias como inteligência artificial e agricultura digital.

    Localizado na Fazenda Areão, área experimental de 130 hectares vinculada à Esalq/USP, o novo centro ocupa 1,5 mil m² e oferece:

    • 5 salas de aula e um auditório para 130 pessoas;
    • Centro de Soluções Conectadas (CSC): espaço com simuladores para gestão de frotas em nuvem;
    • Área de 20 hectares para treinamentos práticos com máquinas agrícolas;
    • Laboratórios dedicados a pesquisas em modelagem, IA e digitalização do campo.

    A estrutura, que demandou R$ 6 milhões em investimentos, complementa a rede nacional de Centros de Treinamento da John Deere, presente em Campinas (SP), Ribeirão Preto (SP), Goiânia (GO), Horizontina (RS) e Várzea Grande (MT).

    Capacitação para todos os elos da cadeia

    O foco inicial será em:

    • Estudantes da Esalq/USP (graduação, mestrado e doutorado);
    • Funcionários da John Deere e da rede de concessionários;
    • Produtores rurais atendidos pelo Grupo Terraverde.

    A partir de 2024, cursos técnicos em “Operações e Ajustes” serão abertos à comunidade via plataforma Campus John Deere, além de programas para alunos do ensino básico da região.

    “Queremos que os estudantes saiam da universidade prontos para aplicar tecnologias que tornem o agro mais produtivo e sustentável”, afirma Cláudio Trevizan, gerente regional de Gestão de Conhecimento da John Deere.

    Ponte entre ciência e indústria

    O convênio prevê:

    • Bolsa de estudos para graduação e pós-graduação;
    • Projetos de pesquisa em agricultura de precisão e máquinas inteligentes;
    • Workshops com integração entre docentes e profissionais do setor.

    Para Thais Vieira, diretora da Esalq/USP, a parceria elimina a defasagem entre teoria e prática. “A integração com a John Deere pode produzir bons frutos se proporcionar para alunos e professores experimentarem o desenvolvimento tecnológico aplicado, levando para a sala de aula as inovações no momento em que elas ficam disponíveis no campo, sem defasagem. Trata-se de uma oportunidade para construirmos um ambiente onde o conhecimento científico e a inovação da indústria se encontram”.

    Já o Grupo Terraverde, responsável pela operação do centro de treinamentos, destaca o impacto na cadeia produtiva. “Estar ao lado da John Deere e da Esalq/USP em um projeto que une pesquisa aplicada e soluções práticas é enriquecedor. Estamos vendo essa troca de conhecimento se traduzir em resultados concretos que beneficiam toda a cadeia do agronegócio,” ressalta Eduardo Cunali Defilippi, CEO da empresa.

    A iniciativa reforça o compromisso da John Deere com a descarbonização e a agricultura regenerativa, temas que serão integrados aos treinamentos. A Fealq, por sua vez, gerencia os recursos financeiros e a execução dos projetos.

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  • Centro de Pesquisa em Inovação e Sustentabilidade reforça combate ao greening

    Centro de Pesquisa em Inovação e Sustentabilidade reforça combate ao greening

    O Fundecitrus, a Esalq/USP e a Fapesp uniram forças para criar o Centro de Pesquisa Aplicada em Inovação e Sustentabilidade da Citricultura (CPA). O projeto foi apresentado pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. O objetivo é intensificar o combate ao greening, doença que afeta 44% dos pomares paulistas em 2024.

    Investimento

    O CPA terá um investimento de R$ 200 milhões nos próximos cinco anos, renováveis por mais cinco. Ou seja, Fundecitrus e Fapesp destinarão R$ 90 milhões em recursos financeiros. O restante será contrapartida não financeira, como infraestrutura e salários de técnicos. Em geral, o centro busca desenvolver pesquisas, transferir tecnologia e difundir conhecimento para fortalecer a citricultura, setor responsável por 8,2% das exportações paulistas e 45 mil empregos no estado.

    Márcio de Castro Silva e Filho, diretor-científico da Fapesp, destacou a relevância histórica da parceria com o Fundecitrus. “Juntos, avançamos na pesquisa e mitigação do greening. Agora, damos um passo transformador para a citricultura paulista”, afirmou. Além disso, a colaboração entre as instituições remonta ao Projeto Genoma, que, em 2000, sequenciou o genoma da Xylella fastidiosa, bactéria causadora da CVC (amarelinho).

    Impactos do greening

    A doença, que provoca queda de produtividade e eleva os custos de produção, já reduziu pela metade o número de propriedades citrícolas no estado. Ou seja, de 2008 a 2024, a incidência subiu de 0,6% para 44,4%, condenando 90,7 milhões de árvores só neste ano. Portanto, desde 2004, outras 64 milhões de árvores foram eliminadas na tentativa de controlar a doença.

    Ao mesmo tempo, o aumento da população do inseto vetor, resistente a inseticidas, intensifica o problema. Entre 2019 e 2024, o número de vetores cresceu dez vezes, ampliando os desafios para conter a disseminação. “O CPA foi criado para oferecer respostas eficazes e reduzir os prejuízos à produção”, explicou Lilian Amorim, pesquisadora da Esalq/USP e diretora do CPA.

    Em resumo, nas últimas cinco safras, o greening causou a perda de 97,2 milhões de caixas de laranja, totalizando US$ 972 milhões em receita. Algumas regiões já registram mais de 60% de pomares afetados pela doença, que ameaça a sustentabilidade do setor.

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    Pesquisa e transferência de tecnologia

    As pesquisas do CPA abordarão interações entre patógenos, plantas e vetores, com foco em resistência genética e controle integrado. Outras áreas de estudo incluirão nutrição das plantas, avaliação de perdas e impactos econômicos das medidas de manejo.

    Além disso, o CPA atuará na formação de profissionais, com programas de pós-graduação e cursos online. Pesquisadores e técnicos de instituições parceiras, como CATI e Defesa Agropecuária do Estado, farão a transferência de tecnologia.

    Sediado na Esalq/USP, em Piracicaba, o CPA reunirá especialistas de universidades e centros de pesquisa do Brasil e do exterior. Entre os parceiros estão a UFSCar, Unicamp, Embrapa e instituições de países como França, Espanha, Estados Unidos, Inglaterra e Portugal.

    O secretário de Agricultura de São Paulo, Guilherme Piai, reforçou a importância do setor. “A citricultura paulista é referência mundial. O CPA fortalecerá o setor, possibilitando enfrentarmos desafios como o greening com mais eficiência”, destacou.

    Com essa iniciativa, o estado de São Paulo renova seu compromisso com a inovação e a sustentabilidade da citricultura, promovendo soluções que alavancam a economia e protegem uma das principais cadeias produtivas do Brasil.

  • Saiba o que são os baculovírus

    Saiba o que são os baculovírus

    Pesquisas apontam que os baculovírus têm se destacado como uma ferramenta crucial para enfrentar a resistência de lagartas a biotecnologias e inseticidas químicos.

    Estudos conduzidos por pesquisadores de instituições como a Esalq/USP e as universidades federais de Pelotas e Santa Maria (RS) destacam a eficiência dos bioinseticidas à base de baculovírus no controle de pragas.

    Com sua atuação biológica, esses inseticidas vêm se mostrando uma solução eficiente em meio à crescente resistência das lagartas aos produtos convencionais.

    Avanços e evidências científicas

    Celso Omoto, especialista da Esalq/USP, explica que testes realizados com as espécies Spodoptera frugiperda e Helicoverpa armigera demonstraram a suscetibilidade dessas lagartas aos baculovírus, sem indicativos de resistência cruzada com inseticidas químicos.

    Omoto também destaca que esses bioinseticidas, classificados no Grupo 31 pelo IRAC Internacional, têm um modo de ação inédito, o que favorece sua aplicação em estratégias de manejo integrado de pragas (MIP).

    Essa abordagem combina múltiplas táticas para garantir um controle mais robusto das populações de lagartas.

    Oderlei Bernardi, da Universidade Federal de Santa Maria, aponta que a resistência de lagartas aos inseticidas químicos em plantações de soja continua a crescer.

    Seus estudos indicam que os baculovírus representam uma alternativa viável, devido ao seu mecanismo de ação diferenciado.

    Além disso, há evidências de que esses produtos intensificam o controle de pragas quando aplicados em cultivos de soja transgênica, como a soja ‘Intacta’.

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    Na Universidade Federal de Pelotas, o entomologista Daniel Bernardi também reforça a importância dos baculovírus.

    Segundo ele, o aumento da resistência de Spodoptera frugiperda a inseticidas químicos e a biotecnologias têm tornado o manejo dessa praga no milho um desafio crescente. “Os baculovírus se destacam como uma das melhores alternativas biológicas para lidar com essa resistência”, observa Bernardi.

    Impacto e expansão no mercado

    A vice-presidente de Pesquisa & Desenvolvimento da AgBiTech, Paula Marçon, ressalta que os baculovírus são não apenas sustentáveis do ponto de vista ambiental. Eles são essenciais para a gestão das pragas em grandes cultivos.

    “Além de suprimir populações, os baculovírus promovem epizootias, prolongando o controle de lagartas a campo e melhorando a eficácia de biotecnologias e inseticidas químicos, cuja eficiência tem sido comprometida pela resistência”, explica Marçon.

    Trabalhos acadêmicos e a campo demonstram que os bioinseticidas à base de baculovírus agem como supressores de populações de lagartas, além de impulsionar desempenho de biotecnologias e inseticidas químicos nas culturas

    Dados da consultoria Kynetec revelam que a adesão aos bioinseticidas de baculovírus aumentou na última safra. Em 59% das áreas tratadas de soja, eles superaram o uso dos produtos à base de Bacillus thuringiensis.

    A AgBiTech, principal fornecedora desses biolagarticidas, viu seu alcance expandir para mais de cinco milhões de hectares em lavouras brasileiras.

    “Nosso objetivo é fornecer alternativas que ajudem a manter a rentabilidade do produtor e a sustentabilidade do agronegócio”, conclui Pedro Marcellino, diretor de marketing da empresa.

    O crescente uso de baculovírus na agricultura brasileira reflete uma mudança de estratégia para lidar com a resistência de pragas, reforçando a importância dessas soluções biológicas no manejo integrado e sustentável.

    Mas o que é um baculovírus?

    Baculovírus são vírus que infectam insetos, principalmente lagartas, sendo utilizados amplamente como bioinseticidas no controle de pragas agrícolas.

    Eles pertencem à família Baculoviridae e se destacam por sua especificidade, afetando apenas determinados insetos sem causar danos a outros organismos.

    Isso incluí  humanos, plantas e animais. Esse tipo de vírus é caracterizado por possuir um DNA de fita dupla e ser encapsulado em proteínas que facilitam sua dispersão e eficácia no ambiente.

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    No controle biológico, os baculovírus agem ao infectar e matar lagartas que atacam culturas agrícolas, como milho e soja.

    A infecção ocorre quando as lagartas consomem folhas ou partes da planta contaminadas com o vírus. Após serem ingeridos, os vírus se multiplicam dentro do corpo das lagartas, provocando sua morte em alguns dias.

    Além de serem altamente eficazes, eles apresentam a vantagem de serem ambientalmente sustentáveis, pois são inofensivos a inimigos naturais e outros polinizadores.

    Esses vírus também são importantes em programas de manejo integrado de pragas (MIP), onde são utilizados junto com outras estratégias, como biotecnologias e inseticidas químicos. A ideia é ,asssim, garantir um controle mais eficaz e sustentável das pragas.

  • Indústria do biodiesel deve crescer e amenizar queda da cadeia da soja

    Indústria do biodiesel deve crescer e amenizar queda da cadeia da soja

    O PIB da cadeia da soja e do biodiesel pode registrar uma queda de 5,77% em 2024, totalizando R$ 521,3 bilhões. Essa redução segue um ano de 2023 marcado por uma alta expressiva de 22% e está relacionada à quebra da safra de soja, que impactou negativamente os agrosserviços.

    Os dados são de um levantamento realizado pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), com informações disponíveis até o segundo trimestre deste ano.

    Expectativas para o PIB

    Apesar da queda projetada, o bom desempenho esperado para a indústria do biodiesel deve amenizar a redução do PIB da cadeia produtiva. O crescimento estimado é de 26,92% para esse setor.

    Mesmo em declínio, o PIB da cadeia da soja e do biodiesel em 2024 ainda deverá superar significativamente os níveis anteriores à pandemia. Isso representa 20,8% do PIB do agronegócio nacional e 4,5% da economia brasileira como um todo.

    Os preços dos produtos continuam desfavoráveis em comparação a 2023, embora tenha havido uma melhora no segundo trimestre. A queda estimada dos preços relativos é de 17,1%, resultando em uma redução de 21,88% na renda real dos produtores.

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    A estimativa para o número de pessoas ocupadas na cadeia da soja e do biodiesel no segundo trimestre de 2024 indica uma continuidade na tendência de queda em relação a 2023, com um total de 2,24 milhões de trabalhadores, representando uma redução de 4%.

    As participações dessa cadeia na ocupação total do agronegócio (9,51%) e na economia brasileira (2,23%) também diminuíram.

    Comércio exterior

    No segundo trimestre de 2024, o volume das exportações da cadeia de soja e biodiesel atingiu 48,98 milhões de toneladas, uma redução de 3,71% em relação ao mesmo período do ano anterior.

    O valor exportado também caiu 20,87%, totalizando US$ 24,24 bilhões. Essa desaceleração nas exportações reflete a diminuição dos preços no mercado internacional e a menor quantidade produzida pela soja no Brasil.

    Entretanto, as exportações para a China (2,88%), Leste Asiático (8,56%), Oriente Médio (18,10%) e África (23,17%) aumentaram.

    Essas regiões juntas representaram 75% do volume total das exportações brasileiras da cadeia produtiva da soja e do biodiesel no segundo trimestre de 2024.

    Em contrapartida, as exportações para outras regiões como União Europeia (-3,26%) e América do Norte (-37,27%) sofreram quedas significativas.

    A indústria do biodiesel se mostra fundamental para mitigar a queda prevista no PIB da cadeia da soja em 2024. Com um crescimento esperado nesse setor e estratégias adequadas para enfrentar os desafios atuais, a cadeia produtiva pode manter sua relevância na economia brasileira.

  • Confira como o clima impactou o agronegócio em setembro

    Confira como o clima impactou o agronegócio em setembro

    O sistema TEMPOCAMPO da Esalq divulgou o boletim climático de setembro, revelando que a maior parte do Brasil registrou chuvas abaixo de 30 mm. Em resumo, as regiões Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste, assim como Tocantins, Pará e Amapá, foram as mais afetadas. Já no Sul, os volumes de chuva variaram entre 60 e 150 mm, sendo o Paraná o estado com os menores registros, entre 60 e 120 mm. Roraima e Rondônia acumularam entre 60 e 90 mm, enquanto no Amazonas as chuvas atingiram até 120 mm.

    Armazenamento de água

    Além disso, o armazenamento de água ficou abaixo de 15% em grande parte do país. As regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste foram as mais impactadas, com exceção da Região Sul, onde o Paraná e Santa Catarina registraram entre 30 e 45% de água armazenada. O Rio Grande do Sul se destacou, com armazenamento entre 45 e 60%.

    Temperaturas

    As temperaturas máximas em setembro também variaram bastante. Em Santa Catarina e Rio Grande do Sul, as máximas ficaram abaixo de 25°C, enquanto no Paraná atingiram até 31°C. No Sudeste, São Paulo registrou picos de até 35°C, com demais estados entre 29 e 33°C. Já no Nordeste, Bahia, Sergipe, Alagoas e Pernambuco marcaram entre 27 e 31°C. No Norte, Pará e Amazonas chegaram a registrar mais de 35°C.

    As mínimas seguiram o padrão típico do Sul, ficando abaixo de 15°C em Santa Catarina e Rio Grande do Sul, e entre 15 e 19°C no Paraná. No Sudeste, as mínimas variaram de 17 a 19°C, e no Centro-Oeste e Norte, as temperaturas mínimas oscilaram entre 21 e 25°C.

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    Desafios da safra de milho 2023/24

    A segunda safra de milho 2023/24 foi encerrada, com resultados distintos devido às variações climáticas. A Conab reportou produtividade média de 91,52 sacas/ha e uma produção de 90,25 milhões de toneladas. Ou seja, estados como Goiás e Mato Grosso registraram boas produtividades, com chuvas bem distribuídas. No entanto, Paraná, São Paulo e Minas Gerais enfrentaram condições climáticas adversas, como falta de chuva e temperaturas elevadas, impactando a produção.

    A safra de milho em Mato Grosso teve uma produtividade de 115,14 sacas/ha, levemente inferior à anterior. Já no Mato Grosso do Sul, a falta de chuvas comprometeu seriamente a produção, resultando em um dos piores desempenhos da última década, com 67,05 sacas/ha.

    Para a safra 2024/25, o Sistema CNA/Senar/Cepea alerta para o planejamento cuidadoso, já que a descapitalização dos produtores pode comprometer a produtividade. No entanto, a Conab projeta uma safra promissora, com uma produtividade estimada em 95,1 sacas/ha.

    Avanço do plantio de milho 2024/25

    O plantio da primeira safra de milho 2024/25 já avança pelo país, com 16,2% da área semeada. No Paraná, por exemplo, 60% da área já foi plantada, com boas condições climáticas favorecendo o desenvolvimento inicial. Santa Catarina também apresentou avanço no plantio, com 22% da área semeada, beneficiada por chuvas adequadas.

    Algodão e soja: fechamento de safra e início de plantio

    A Conab apontou que a safra de algodão 2023/24 teve produtividade nacional de 1.879 kg/ha. No Mato Grosso, o tempo seco favoreceu a colheita, com produção recorde de 6,39 milhões de toneladas de algodão em caroço. Na Bahia, os resultados foram positivos, mesmo com a irregularidade das chuvas, registrando uma produtividade de 325,45 @/ha.

    O plantio da safra de soja 2024/25 começou em Mato Grosso e Paraná. No Mato Grosso, a área plantada deve aumentar 1,47%, com previsão de alta na produtividade. Contudo, a seca e os focos de incêndio preocupam os produtores locais. No Paraná, 10% da área já foi plantada, com boas condições de umidade no solo favorecendo o desenvolvimento das lavouras.

    Avanço da colheita de trigo

    A colheita do trigo 2023/24 já avançou em 25,1% do território. No Paraná, 48% da área foi colhida, mas a estiagem e as geadas tardias prejudicaram parte das lavouras. No Rio Grande do Sul, a colheita ainda não começou, mas as lavouras estão em fase de floração e enchimento de grãos.

    Semeadura de arroz e feijão

    A safra de arroz 2024/25 teve início com 3,5% da área plantada até o final de setembro, com maiores avanços em Santa Catarina. Em resumo, no Rio Grande do Sul, a expectativa é de um aumento de 11,69% na produtividade. Já o plantio do feijão está em andamento, com 8,5% da área semeada. No Paraná, os produtores já plantaram 32% da área de feijão, beneficiados pelas chuvas da segunda quinzena de setembro.

     

     

  • Esalq/USP: edifício histórico tem restauração finalizada

    Esalq/USP: edifício histórico tem restauração finalizada

    Após cerca de 900 dias de trabalho, a restauração do Edifício Central da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) foi finalizada. O Edifício Central, localizado no campus Luiz de Queiroz, em Piracicaba, é tombado como Patrimônio Público Estadual pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat) desde 2006. Por se tratar de uma edificação tombada, as obras começaram no início de 2022, seguindo um ofício do Condephaat com orientações específicas sobre a preservação dos elementos históricos e construtivos do prédio.

    Trabalho minucioso de restauração

    A restauração envolveu cerca de 100 trabalhadores, abrangendo desde serviços básicos até acabamentos detalhados. O reitor da USP, Carlos Gilberto Carlotti Junior, expressou sua satisfação com o resultado. “O prédio ficou muito bonito, fiquei impressionado com a qualidade do restauro. Sei o quanto é difícil fazer obra pública de qualidade, mas aqui estamos diante de um trabalho muito bem feito”, afirmou. Carlotti destacou que a recuperação dos espaços históricos da universidade é essencial para projetar o futuro da USP.

    Thais Vieira, diretora da Esalq, também ressaltou a importância do Edifício Central. “O Edifício Central é um ícone, a primeira imagem que vem à mente da maioria das pessoas que estudaram ou passaram pela Esalq. É fundamental que ele esteja adaptado para atender às demandas de acessibilidade e segurança, além de preservado”, comentou a professora.

    Intervenções internas e externas

    Foto: Divulgação Esalq – Gergard Waller e Denise Guimarães

    Internamente, a obra incluiu a ampliação de banheiros e copas, a substituição de pisos por porcelanato nas áreas molhadas, a instalação de novas bancadas de mármore, cabines de bacias sanitárias e banheiros para pessoas com deficiência. O piso de madeira, com cerca de 3.600 m², foi lixado e tratado com sinteco. Além disso, instalaram forro de gesso, um novo sistema de ar condicionado, um sistema de alerta de incêndio e uma nova infraestrutura elétrica. Externamente, reformaram o telhado, lavaram e restauraram a fachada.

    Os integrantes da equipe usaram o método de investigação pictórica para recompor as partes deterioradas, garantindo a preservação das características originais do projeto. A área de paisagismo também recebeu atenção especial, com a plantação de novas espécies e a adição de mais de 2.000 m² de grama Batatais.

    Futuras reformas e investimentos

    A atual gestão da Esalq planeja restaurar outros pavilhões do campus, priorizando a preservação e a modernização das edificações para garantir acessibilidade e segurança. Durante a cerimônia de descerramento da placa que marca a conclusão do restauro, o reitor da USP anunciou novos investimentos para a reforma do pavilhão de Engenharia, do pavilhão de Horticultura e do Museu Luiz de Queiroz.

    Histórico e simbolismo do Edifício Central

    O arquiteto inglês Alfred Brandford Hutchings projetou o Edifício Central em estilo neoclássico. A inauguração foi em 14 de maio de 1907. Com quatro pavimentos e mais de 4.800 m² de área construída, o prédio passou por diversas ampliações e remodelações ao longo dos anos. Atualmente, abriga os gabinetes da Diretoria da Esalq, a prefeitura do campus e setores administrativos, onde trabalham cerca de 70 servidores públicos.

    O trabalho de restauro do Edifício Central da Esalq reforça o compromisso da USP com a preservação do patrimônio histórico e a modernização de suas instalações, garantindo que a história e o futuro da universidade caminhem lado a lado.

  • Aprenda a cultivar lúpulo, planta essencial para a produção de cerveja

    Aprenda a cultivar lúpulo, planta essencial para a produção de cerveja

    O uso do lúpulo está intimamente ligado à indústria cervejeira, na qual é utilizado para conferir amargor e aroma às diferentes tipos de cervejas.

    Os compostos importantes do lúpulo são encontrados nas inflorescências de plantas femininas, chamadas de cones.

    Nesses cones são produzidas resinas peculiares ao lúpulo, que não são encontradas em nenhuma outra espécie de plantas.

    As resinas são produzidas em glândulas de lupulina presentes nos tricomas das brácteas das inflorescências.

    Inflorescências de plantas femininas possuem grande quantidade de lupulina, enquanto plantas masculinas também possuem glândulas de lupulina, mas em pequena quantidade. Por esse motivo, em plantios comerciais são utilizadas somente plantas femininas.

    A história do lúpulo no Brasil remonta à década de 1950, quando o austríaco Roland Hoblik começou a cultivar e vender cones para as cervejarias da época no município de Nova Petrópolis, na Serra Gaúcha.

    A área plantada de lúpulo no Brasil é relativamente pequena, com apenas cerca de 20 hectares distribuídos em sete estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Distrito Federal.

    A maioria das variedades plantadas são de origem americana e alemã, como a ‘Cascade’, ‘Centennial’, ‘Fuggle’, ‘Magnum’, ‘Hallertau’, ‘Northern Brewer’ e ‘Nugget’, todas registradas no Ministério da Agricultura.

    Embora a cultura do lúpulo esteja em crescimento no Brasil, a dependência de importações permanece um desafio para o setor.

    Conheça mais sobre a cultura do lúpulo em estudo produzido pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiros da Universidade de São Paulo (ESALQ/USP) – Clique aqui