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  • Hortitec 2024: Maior evento hortifrutícola da América Latina

    Hortitec 2024: Maior evento hortifrutícola da América Latina

    Considerada a maior vitrine do agronegócio hortifrutícola da América Latina, a 29ª edição da Hortitec promete agitar o cenário agrícola com tecnologias de ponta, capacitação e oportunidades de negócios. O evento acontecerá de 19 a 21 de junho de 2024, no Parque de Exposições de Holambra-SP. A expectativa é receber mais de 32 mil visitantes. No total, 500 expositores nacionais e internacionais estarão numa área de 30 mil m². 

    A Hortitec é reconhecida por atrair um público diferenciado, composto por produtores dedicados à produção de flores, frutas, hortaliças, florestais e outras culturas intensivas, bem como profissionais ligados ao business. A interação entre especialistas do setor e clientes convidados pelas empresas expositoras cria um ambiente propício para a troca de informações, prospecção de novos clientes e fechamento de negócios que devem movimentar cerca de R$ 450 milhões.

    Embrapa destaca inovação e tecnologia

    No estande da Embrapa, os visitantes encontrarão uma gama de tecnologias e serviços online voltados para a cadeia produtiva. Destaque para o lançamento do Hub de Batata-Doce, parte da plataforma Ater+ Digital, que oferece conteúdos online para facilitar atividades de extensão rural, proporcionando informações sobre cultivo, doenças, pragas e manejo.

    Além disso, o Painel de Inovação Embrapa e Ibrahort trará o tema “Máquinas para a Agricultura Familiar”, apresentando soluções para otimizar a produção no campo. Entre as cultivares apresentadas, a pimenta habanero BRS Biguatinga promete atrair olhares, atendendo principalmente à demanda da agroindústria de molhos e pastas, enquanto o morangueiro BRS DC25 (Fênix) se destaca por sua produtividade e ampliação da janela de produção por até sete meses.

    As plantas alimentícias não convencionais (PANC) também terão destaque, com espécies como azedinha, bertalha verde, peixinho e vinagreira cuxá. Elas têm conquistado espaço pelo sabor e valor nutricional.

    Rastreabilidade e sustentabilidade

    A Embrapa Agricultura Digital apresentará o Sibraar, sistema de rastreabilidade baseado em blockchain, garantindo ao consumidor informações sobre a qualidade e procedência dos produtos. Com foco em frutas, verduras e legumes, o sistema permite verificar a origem e o processo de fabricação. Isso é possível graças ao  QR Code na embalagem.

    Outros destaques incluem o sensor IGstat da Embrapa Instrumentação, para irrigação eficiente em estufas ou em campo aberto. Além disso, também será apresentado o bioinsumo Auras, desenvolvido em parceria com a empresa NOOA. Ele que combate o estresse hídrico nas plantas, otimizando o uso da água e protegendo o potencial produtivo.

    Sebrae dará apoio ao pequeno produtor e startups

    O Sebrae marca presença na Hortitec 2024 com um estande de 400 m². Durante o evento, pequenos expositores e startups estarão em um ambiente propício para networking e negócios. Além disso, palestras, encontros de negócios e atendimento receptivo de missões empresariais também estão programados.

     

     

  • Conheça dois novos concentrados ricos em proteínas apresentados pela Embrapa

    Conheça dois novos concentrados ricos em proteínas apresentados pela Embrapa

    Para quem gosta de proteínas, a Embrapa Agroindústria de Alimentos (RJ) apresenta dois novos concentrados proteicos de lentilha e grão-de-bico, projetados para diversificar e aumentar a disponibilidade de ingredientes em alimentos plant-based. Essas inovações se somam ao concentrado proteico de feijão, criado em 2023, e são semelhantes aos concentrados de soja e ervilha disponíveis no mercado.

    O concentrado de lentilha possui 80% de proteína (80 gramas por 100 gramas), enquanto o de grão-de-bico tem 73% de proteína (73 gramas por 100 gramas). Esses ingredientes aumentam o teor proteico de produtos vegetais, como hambúrgueres, empanados, salsichas, linguiças, bebidas vegetais e iogurtes, além de serem úteis na panificação e suplementos alimentares.

    A pesquisadora Janice Lima destaca que as matérias-primas usadas, como pulses, são ideais devido ao seu teor proteico natural de 20% a 30%. “Entre as pulses, o concentrado proteico de ervilha é conhecido, mas outras leguminosas são menos estudadas. O grão-de-bico e a lentilha estão ganhando força no Brasil pela versatilidade de produção”, afirma Lima. Esses concentrados podem substituir ingredientes derivados de soja e melhorar características tecnológicas dos alimentos.

    A pesquisadora Caroline Mellinger explica que ambos os concentrados têm altos teores de proteínas e aminoácidos essenciais, conforme recomendações da Anvisa e FAO. “As proteínas foram testadas em simulações de digestão humana, garantindo sua absorção pelo intestino e contribuição ao aporte proteico necessário”, diz Mellinger.

    As proteínas de grão-de-bico e lentilha são boas formadoras de espuma e emulsão, apesar de serem pouco solúveis em pHs neutros. “Os resultados demonstraram que nossos ingredientes são similares a outros do mercado, confirmando seu potencial para produtos alimentícios e suplementos”, informa a pesquisadora.

    Sustentabilidade e aproveitamento de resíduos

    A pesquisadora Melicia Galdeano destaca que estudaram os resíduos da extração das proteínas, resultando em amidos de lentilha e grão-de-bico com 92% de pureza, além de ingredientes ricos em fibras e carboidratos. “Essa abordagem otimiza o uso do material seguindo práticas de economia circular, com menor impacto ambiental”, ressalta Galdeano.

    Esses ingredientes têm aplicações em diversos produtos processados, contribuindo para o enriquecimento de fibras e melhoria da textura. A pesquisa e desenvolvimento contínuos da Embrapa visam oferecer soluções inovadoras e sustentáveis para a indústria de alimentos.

    Mercado Plant-based, o que é?

    O mercado de alimentos plant-based tem sido um dos mais dinâmicos nos últimos anos, com uma crescente demanda por produtos que sejam saudáveis, sustentáveis e com melhor sabor e textura. Segundo dados recentes, as vendas de alimentos plant-based nos EUA caíram 12% em 2023, enquanto as vendas de leite plant-based aumentaram 1%. No entanto, a tendência é que os preços sejam um fator crucial para o crescimento do mercado.  Muitos consumidores ainda se sentem desencorajados pelas altas taxas de inflação.

    Ainda assim, a indústria de alimentos plant-based tem se adaptado às mudanças no mercado, oferecendo uma variedade crescente de opções para os consumidores. Os produtos mais populares incluem leite plant-based, que alcançou um valor de US$ 2,1 bilhão em vendas em 2021, e produtos de carne plant-based, como burgers e nuggets, que cresceram 12% em 2021.

    A expectativa é que a indústria continue a se expandir, com a introdução de novos produtos e formatos que atendam às necessidades dos consumidores. Além disso, a sustentabilidade e a biodiversidade também são fatores importantes que atrairão consumidores para os alimentos plant-based.

    Em resumo, o mercado de alimentos plant-based é um setor em crescimento, com uma crescente demanda por produtos saudáveis e sustentáveis. Embora haja desafios, como preços elevados, a indústria tem demonstrado sua capacidade de se adaptar e oferecer uma variedade crescente de opções para os consumidores

  • Embrapa – Hidrogel aumenta sobrevivência de mudas de cajueiro

    Embrapa – Hidrogel aumenta sobrevivência de mudas de cajueiro

    Pesquisas da Embrapa Agroindústria Tropical demonstram que o uso de hidrogel, um polímero que aumenta a capacidade de retenção de água do solo, reduz significativamente a mortalidade de mudas de cajueiro no primeiro ano de plantio. “O hidrogel é muito utilizado nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul da Bahia em plantios de eucalipto. Testamos esse produto na cultura do cajueiro devido à alta mortalidade das mudas recém-plantadas no período seco”, afirma o pesquisador Luiz Augusto Serrano.

    Benefícios do hidrogel

    O hidrogel, utilizado amplamente em plantios de eucalipto no Sudeste, Centro-Oeste e Sul da Bahia, demonstrou ser uma solução de custo-benefício vantajoso para os cajuicultores. Pesquisadores da Embrapa testaram o polímero hidroretentor no cajueiro-anão ‘BRS 226’ no Campo Experimental de Pacajus, Ceará. A região, com clima de transição entre o litoral e o Semiárido, enfrenta desafios devido à baixa pluviosidade.

    Um litro de hidrogel hidratado aplicado no fundo de covas de meio metro de profundidade mostrou-se altamente eficaz, eliminando a morte das plantas durante o período de monitoramento. A pesquisa, publicada recentemente, destaca que essa técnica aumentou a taxa de sobrevivência das mudas em condições de sequeiro.

    Resultados da pesquisa

    A aplicação de um litro de hidrogel hidratado no fundo de covas de meio metro de profundidade foi a configuração mais eficaz, eliminando a morte de plantas durante o período de monitoramento. Com esses resultados positivos, a Embrapa planeja recomendar oficialmente o uso do hidrogel para minimizar a mortalidade de mudas em áreas de baixa precipitação.

    “A partir dos resultados positivos, recomendaremos oficialmente o uso do hidrogel para minimizar a mortalidade de mudas em regiões de poucas chuvas”, conclui Serrano.

  • Embrapa e CGIAR fortalecem pesquisa climática com novo acordo

    Embrapa e CGIAR fortalecem pesquisa climática com novo acordo

    A Embrapa e o Grupo Consultivo de Pesquisa Internacional (CGIAR) assinaram um memorando de entendimento para intensificar a pesquisa em sistemas alimentares resilientes às mudanças climáticas. A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, e a diretora executiva do CGIAR, Ismahane Elouafi, oficializaram a parceria durante a 20ª Reunião do Conselho do Sistema CGIAR na sede da Embrapa, com a presença de representantes de financiadores e países em desenvolvimento.

    Foco na resiliência e sustentabilidade

    A colaboração entre Embrapa e CGIAR abrange áreas como recursos naturais, biotecnologia, bioeconomia e agricultura digital. A iniciativa visa enfrentar desafios como mudanças climáticas, transição energética e inclusão digital nas áreas rurais.

    Além disso, Massruhá destacou a importância da pesquisa para aumentar a resiliência agrícola e reduzir riscos. A Embrapa já contribuiu significativamente com programas de controle de acidez do solo, manejo integrado de pragas e zoneamento de risco climático. O desenvolvimento da Renovacalc, calculadora oficial de pegada de carbono para a Política Nacional de Biocombustíveis, foi mencionado como um avanço crucial.

    Eventos e compromissos futuros

    A presidente da Embrapa enfatizou o compromisso da instituição com a COP 30 e o potencial da inteligência artificial na agricultura. A recente reunião de cientistas-chefes agrícolas do G-20, coordenada pela Embrapa, reforça esse compromisso com soluções sustentáveis e inovação no campo. A colaboração com o CGIAR promete desenvolver variedades de culturas melhoradas, práticas agrícolas sustentáveis e tecnologias inovadoras para o futuro do planeta.

  • Pesquisa desenvolve novos produtos alimentícios a partir de tilápia

    Pesquisa desenvolve novos produtos alimentícios a partir de tilápia

    Pesquisadores da Embrapa Agroindústria de Alimentos (RJ) desenvolveram novos produtos a partir de tilápia, o peixe mais cultivado no Brasil. Entre as inovações estão salsicha com fibra de abacaxi, patê, apresuntado de carne e hidrolisado proteico. A Embrapa busca parceiros privados para levar esses produtos ao mercado consumidor.

    O objetivo da pesquisa é aproveitar resíduos da produção, promovendo sustentabilidade e evitando desperdícios. A cadeia do pescado gera grande volume de resíduos, e, segundo a FAO, a perda na produção de pescado chega a 35%. A Embrapa Agroindústria Tropical (CE) também desenvolve hidrogéis e nanoemulsões a partir da gelatina de tilápia, com potencial uso biomédico e cosmético.

    Angela Furtado, pesquisadora da Embrapa, destaca que a pesquisa visa gerar produtos que aumentem a rentabilidade e contribuam para a sustentabilidade ambiental. “Utilizando os resíduos da filetagem da tilápia, chegamos a um hidrolisado com alto teor proteico, que pode ser utilizado em alimentos, cosméticos, nutracêuticos e suplementos alimentares”, explica Furtado.

    Os novos produtos incluem:

    • Patê: feito com carne mecanicamente separada de tilápia e fibra de abacaxi, adequado para crianças e idosos.
    • Hidrolisado de gelatina: altamente proteico, usado em alimentos, cosméticos e suplementos.
    • Embutido de tilápia: similar a apresuntado, moldado em forma cilíndrica e conservado sob refrigeração.
    • Salsicha de tilápia: processada com carne mecanicamente separada de tilápia e farinha de resíduo de abacaxi, com baixo teor de sódio e sem corantes.

    As pesquisas fazem parte do Projeto BRS Aqua, uma parceria entre Embrapa, BNDES, CNPq e MPA, que integra mais de 240 empregados de 23 unidades da Embrapa e mais de 60 parceiros públicos e privados.

    Atualmente, a indústria do pescado tem registrado crescimento, com exportações brasileiras de piscicultura aumentando 15% em 2022, totalizando US$ 23,8 milhões.

  • Conheça a nova espécie do Morango, fruta símbolo do Dia dos Namorados

    Conheça a nova espécie do Morango, fruta símbolo do Dia dos Namorados

    Na Roma Antiga, o morango representava Vênus, a deusa do amor e da beleza. Sua cor vermelha e o formato que lembra um coração fazem com que a imagem sensual da fruta perdure até os dias de hoje. Não por coincidência, no dia 12 de junho, Dia dos Namorados, começa a colheita da nova variedade da fruta, o Morango Fênix.

    Capital Nacional do Morango

    A cidade de Atibaia, no estado de São Paulo, começou a colheita da nova variedade de morango Fênix. Após mais de dez anos de pesquisa, a Embrapa desenvolveu a nova espécie apresentada agora.  A variedade é mais resistente à pragas, dura mais após a colheita e é mais doce. Isso acontece graças ao desenvolvimento genético das mudas.

    A pesquisadora Fagoni Calegario, da Embrapa Meio Ambiente, destaca que a Produção Integrada de Morango (PIMo) é importante não apenas para a cultura do morango, mas também para a economia da cidade. “Estamos testando várias seleções avançadas em algumas das Unidades Demonstrativas da Produção Integrada com produtores que já estão no programa há um bom tempo. Porém, acompanhar a performance dos novos materiais genéticos em diferentes regiões é importante para validar, nas áreas de produtores comerciais, as seleções com potencial de serem lançadas futuramente como variedades”, explica Fagoni.

    Divulgação – Embrapa/Paulo Lanzetta

    Distribuição de mudas

    A Prefeitura de Atibaia distribuiu quase 50 mil mudas de Fênix para cerca de 20 produtores, que arrancaram as próprias mudas, após receber orientações. “Os produtores elogiaram muito as mudas, com raízes bonitas e aspecto saudável. E destacaram que estão esperançosos com o plantio desse ano”, destacou Talita Martins, técnica agrícola da Secretaria de Agricultura da Prefeitura de Atibaia.

    Sandro Bonow, pesquisador da Embrapa Clima Temperado, destaca que a distribuição de mudas de morangueiro pela perefeitura é uma ação muito interessante que estimula o cultivo da fruta. “É importante destacar que além dessa variedade estar sendo cultivada amplamente, a partir da safra 2024, ela faz um link importante com outras ações da Embrapa. Como por exemplo, produtores certificados pela PIMo, que receberam mudas e vão cultivá-las seguindo orientações desse programa, fazendo com que se tenha uma produção mais racional. Essa ação é de extrema importância para a cadeia produtiva, com boas práticas por parte dos produtores”, disse Bonow.

    Morango Fênix

    A variedade Fênix é mais resistente a pragas, dura mais após a colheita e é mais doce; tudo graças ao desenvolvimento genético das mudas. A cidade de Atibaia será referência na produção dessa variedade, com plantio e o crescimento monitorados de perto.

    “Ter uma variedade nacional ajuda a reduzir os custos da plantação, isso porque a maioria das mudas plantadas atualmente são importadas de países como Chile, Argentina, Espanha, entre outros”, disse Osvaldo Maziero, presidente da Associação dos Produtores de Morango de Atibaia e Jarinu.

    Divulgação – Embrapa/Francisco Lima

    A variedade Fênix se destaca pela precocidade do início da produção dos frutos, permitindo um intervalo menor entre plantio e início da colheita. Sendo assim, a janela de produção aumentou para até sete meses — de junho a dezembro — e estendendo a oferta de frutas de qualidade.

    Além disso, a fruta apresenta boa firmeza, com maior resistência ao transporte e ótima durabilidade pós-colheita, garantindo mais tempo de prateleira.

  • Bactéria do bem: conheça a pesquisa brasileira que pode ajudar no combate ao câncer

    Bactéria do bem: conheça a pesquisa brasileira que pode ajudar no combate ao câncer

    Pesquisadores brasileiros e americanos trabalham em conjunto para criar uma bactéria que pode combater doenças e resolver problemas ambientais. Imagine uma bactéria que, ao invés de fazer mal, é capaz de percorrer o organismo entregando fármacos para combater doenças como o câncer, diretamente nas células afetadas. Ou então que possa “comer” o plástico nos oceanos, resolvendo assim um dos principais problemas ambientais da atualidade.

    A pesquisa desse tipo de microrganismo acaba de dar um passo importante, no Brasil. “Mostramos, em artigo científico, como a JCVI-syn3. A é um organismo versátil e robusto, que pode ser usado para investigar interações entre bactérias e células de mamíferos”, explica a pesquisadora Daniela Bittencourt, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia – DF.

    A JCVI-syn3.A, uma célula sintética derivada da JCVI-syn3.0, é capaz de crescer em laboratório e pode ser usada para investigar interações entre bactérias e células de mamíferos. Além disso, “a JCVI-syn3.A tem 19 genes a mais do que a JCVI-syn3.0. Esses genes foram inseridos de volta para deixar a célula com morfologia e processo de divisão mais próximos ao natural. Sendo assim, facilita a manipulação em laboratório”, afirma a pesquisadora brasileira.

    A célula mínima é capaz de carregar um genoma 100% sintético e tem apenas o necessário para manter-se viva e se multiplicar em ambiente controlado. Sendo assim, a JCVI-syn3.A é uma ferramenta importante para o desenvolvimento de vacinas e fármacos, e pode ser usada para combater doenças como o câncer.

    No caso da linhagem JCVI-syn, foi utilizada como base genética o genoma da bactéria Mycoplasma mycoides, subespécie capri, uma espécie patogênica que causa pneumonia em caprinos.

    Criação de uma célula sintética

    A célula Mycoplasma possui um genoma pequeno, sendo assim os cientistas a utilizaram como modelo para sintetizar todo o genoma em laboratório. Portanto, nascia a JCVI-syn1.0, da qual foram retirados apenas alguns genes, transformando-a em uma célula mais inofensiva. Depois de sintetizar esse genoma, os pesquisadores conseguiram introduzi-lo dentro de uma outra célula, de uma espécie prima, a Mycoplasma capricolum, que ficou com dois genomas: o natural e o sintético.

    “O genoma sintético foi para um lado e o natural para o outro, quando essa célula se dividiu. Só que o genoma sintético possui um gene que confere resistência ao antibiótico tetraciclina. Foi colocado o antibiótico no meio e então a célula filha que recebeu o genoma natural morreu e apenas a com o genoma sintético sobreviveu. Assim, criou-se a primeira célula com genoma 100% sintético”, explica Bittencourt.

    Biologia sintética

    “É possível usar o conhecimento da biologia a nosso favor. Ou seja: pegar todos os mecanismos biológicos que conhecemos e sintetizar as partes genéticas responsáveis por eles para construir um organismo com uma função específica. Daí o termo biologia sintética”, reforça a pesquisadora.

    O objetivo a longo prazo é aprender as metodologias de síntese de genoma e de desenvolvimento de células com genoma sintético. Portanto será capaz de produzir bactérias e outros microrganismos que possam ser usados como bioinsumos.

    Pequisa no Brasil

    Daniela Bittencourt, pesquisadora da Embrapa. Divulgação – Embrapa/Cláudio Bezerra

    Os trabalhos no Brasil estão sendo desenvolvidos pelo Laboratório de Biologia Sintética da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em parceria com o J. Craig Venter Institute e a Universidade Federal da Bahia (UFBA).

    “O INCT BioSyn inseriu a C&T do Brasil no mapa mundial da biologia sintética”, afirma Bittencourt. Essa tecnologia tem o potencial de revolucionar a biotecnologia e melhorar a vida das pessoas.

  • Alfaces da Embrapa desafiam o calor

    Alfaces da Embrapa desafiam o calor

    Uma pesquisa da Embrapa Hortaliças revelou resultados promissores no desenvolvimento de alfaces sob temperaturas mais elevadas. As mudanças climáticas preocupam e os impactos no setor agrícola também. Os pesquisadores simularam um cenário de aumento de 5ºC de temperatura, passando da média de 25ºC para 30ºC, durante 45 dias. Diferentemente de outras nove cultivares testadas no mesmo experimento, a BRS Leila e BRS Mediterrânea se desenvolveram bem nas novas condições.

    O estudo, liderado pelo pesquisador Carlos Pacheco, teve como objetivo antecipar os efeitos das mudanças climáticas no cultivo de alfaces. Foi considerado um cenário de aumento de temperatura de 5°C. “Para isso, trabalhamos dois valores de temperatura do ar, conforme a média histórica observada e projetada em um cenário extremo de mudanças climáticas globais para o Brasil: 25ºC/20ºC e 30ºC/25ºC (dia e noite, respectivamente)”, detalha Pacheco.

    Câmara de crescimento vegetal

    Utilizando a avançada Câmara de Crescimento Vegetal da Embrapa, os pesquisadores puderam simular condições atmosféricas precisas. A temperatura, umidade relativa do ar e concentração de gás carbônico foram observadas, por exemplo. Esta ferramenta permitiu uma análise detalhada do impacto do calor nas plantas de alface.

    O pesquisador lembra que as hortaliças folhosas são mais suscetíveis ao calor. Entre elas, a alface que é a mais consumida do país de acordo com a Associação Brasileira do Comércio de Sementes e Mudas (Abcsem). Ou seja, o alto consumo torna o trabalho ainda mais importante no esforço de adaptação às mudanças no clima.

    Diferenciais das variedades

    O destaque das cultivares BRS Leila e BRS Mediterrânea reside em suas características específicas, desenvolvidas para enfrentar o calor crescente. Fábio Suinaga, responsável pelo desenvolvimento desses materiais, explica que a BRS Leila, por exemplo, possui um ciclo de florescimento mais tardio. Com isso ela resiste, em média, dez dias a mais de calor em comparação às demais alfaces testadas.

    Por sua vez, a BRS Mediterrânea apresenta um ciclo produtivo mais curto, permitindo que ela alcance o ponto de colheita sete dias antes das variedades similares do mercado. “Com um ciclo mais curto, ela está menos exposta ao calor e evita o florescimento prematuro”, destaca Suinaga. Esse florescimento precoce pode resultar em efeitos prejudiciais, como alongamento do caule e redução do número de folhas e da qualidade comercial da alface.

    Os testes realizados com cultivares comerciais sob as mesmas condições de temperatura revelaram uma série de desordens, como pendoamento e queima de bordas, inviabilizando sua comercialização. “O fato de nossas cultivares permanecerem resilientes a 30°C é uma prova da adaptabilidade do nosso material genético a condições adversas”, celebra o pesquisador.

    Próximo passo

    Enquanto o estudo atual focou na tolerância ao calor, os pesquisadores planejam expandir as investigações para abordar outros desafios climáticos. “Neste momento estamos trabalhando a tolerância ao calor, e na segunda etapa devemos focar no estresse hídrico (por excesso ou falta de água), envolvendo a tolerância à salinização, seguida pelo comportamento com relação ao uso de bioinsumos”, afirma Pacheco.

     

  • Projeto brasileiro: conheça pesquisa que permite alugar abelhas

    Projeto brasileiro: conheça pesquisa que permite alugar abelhas

    Alugar colmeias de abelhas sem ferrão para aumentar a produtividade da lavoura. Esta é a nova ferramenta já disponível aos produtores, que pretendem substituir a espécie Apis mellifera: a abelha com ferrão representa risco para trabalhadores rurais, além de ser menos eficiente em todas as culturas.

    Com o objetivo de aumentar a polinização nas lavouras,  a Embrapa desenvolveu uma tecnologia para multiplicação de colônias de abelhas sem ferrão. Portanto, a investida vai ampliar a produção de rainhas e colmeias para uso da polinização agrícola.

    A solução permite produzir – in vitro – cerca de 2 mil rainhas por mês a partir de uma única colônia, além de colmeias em escala comercial para culturas como berinjela, morango e tomate.

    Aluguel de Colmeias

    Divulgação – Epagri

    A solução é direcionada a meliponicultores, instituições e empresas de planejamento, transferência de tecnologia, extensão e assistência técnica. A tecnologia está disponível para transferência e capacitação, fortalecendo a meliponicultura e qualificando os meliponicultores.

    O projeto foi desenvolvido pela Embrapa em parceria com outras instituições, ampliando as possibilidades de uso em polinização agrícola.

    Abelhas sem Ferrão: Um Mundo Fascinante

    No Brasil, existem centenas de espécies de abelhas sem ferrão. Elas são conhecidas como indígenas e são fundamentais para a biodiversidade dos biomas brasileiros. De acordo com os estudos, as abelhas são responsáveis por polinizar cerca de 90% das espécies da Mata Atlântica.

    Características e Hábitos

    Primeiramente, é preciso saber: essas espécies de abelhas têm ferrão, mas é atrofiado. Portanto, é o que torna essas abelhas incapazes de ferroar. Dessa forma, não há problemas em criadar as abelhas sem ferrão nos quintais das casas, praças e áreas urbanas. Por isso, elas já são tão vistas nas cidades. No ambiente natural, as abelhas se alojam em cavidades de árvores, ninhos abandonados de cupins ou formigas ou em galhos.

    Organização Social

    A organização social das abelhas sem ferrão é composta por operárias que mantém a colmeia, alguns zangões e uma rainha, responsável pela postura, nascimento de novas abelhas e manutenção da colônia unida. Sendo assim, as colônias vivem em caixas pequenas, disponibilizadas pelo meliponicultor, e ali mantêm o controle da produção e a família fortalecida.

    Meliponicultura

    A meliponicultura é a criação racional de abelhas sem ferrão. Ela é uma alternativa de geração de renda em muitas propriedades. As abelhas sem ferrão são dóceis e de fácil manejo. Isso torna a produção dessas colmeia uma opção atraente para produtores. Além disso, a meliponicultura contribui para a conservação da biodiversidade e a produção de produtos como mel, própolis, geoprópolis, pólen e cera.

    Divulgação – Embrapa/Ronaldo Rosa

    Importância

    Essas abelhas são fundamentais para a reprodução de muitas plantas com flores, promovendo a polinização cruzada e a formação de frutos e sementes. Portanto, sem a colaboração dessas abelhas, a reprodução de muitas plantas com flores têm impacto negativo, ocasionando uma diminuição em suas populações, podendo inclusive chegar à extinção.

  • Dia do Meio Ambiente: uso sustentável da água no agro

    Dia do Meio Ambiente: uso sustentável da água no agro

    Mato Grosso do Sul é um dos estados brasileiros que mais se destacam na gestão de águas.

    Com um Índice de Segurança Hídrica (ISH) extremo bom, segundo o pesquisador Danilton Luiz Flumignan, da Embrapa Agropecuária Oeste, o estado apresenta um modelo de sustentabilidade que pode ser replicado em outras regiões.

    “Nosso objetivo é desenvolver tecnologias que aprimorem o uso da água, conciliando a sustentabilidade dos sistemas de produção agrícola com a proteção ambiental, mitigando a contaminação da água e preservando os ecossistemas aquáticos”, afirma Rafael Zanoni Fontes, chefe adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Agropecuária Oeste.

    Divulgação – Embrapa/Saulo Coelho Nunes

    Para atingir esse objetivo, a Embrapa Agropecuária Oeste realiza pesquisas em várias frentes, incluindo manejo de irrigação, adoção de práticas agrícolas conservacionistas, implementação de sistemas agroflorestais e recuperação de áreas degradadas.

    “Essas iniciativas não apenas beneficiam os agricultores, garantindo a disponibilidade de água para as lavouras, mas também têm um impacto positivo na segurança alimentar e hídrica da região, contribuindo para o desenvolvimento sustentável a longo prazo”, destaca Fontes.

    Divulgação – Embrapa/Rômulo Penna Scorza Júnior

    Entre as pesquisas mais relevantes estão:

    Irrigação: Um projeto de pesquisa está em seu terceiro ano de execução para realizar a competição de diferentes materiais de soja na safra de verão e de milho na safrinha de outubro e inverno.

    “Nós estamos trabalhando com uma estratégia de manejo de irrigação que promete ser economizadora no uso da água, ou seja, ela usa em torno de 50% da água que seria utilizada numa irrigação nos métodos tradicionais recomendados. Com a pesquisa pretendemos mostrar que é possível manter o nível de água ótimo por meio da técnica de déficit hídrico controlado, em que se deixa a planta experimentar o déficit hídrico, a planta colhe os benefícios, mas sem que esse déficit cause prejuízo”, explica Danilton Luiz Flumignan.

    ILP e SPD: A Embrapa Agropecuária Oeste iniciou pesquisas com Integração Lavoura-Pecuária (ILP) a partir da safra de 1995/1996, lideradas pelo pesquisador Júlio Cesar Salton e colaboradores. “A ILP permite maior infiltração da água no solo devido à presença de plantas vivas ou de palhada”, destaca Salton.

    Plantas de cobertura: Pesquisas realizadas pela Embrapa Agropecuária Oeste mostram que o uso de plantas de cobertura em SPD tem um papel fundamental para o aumento do armazenamento de água no solo.

    “Muitas vezes as culturas comerciais, por exemplo, soja, milho, têm um baixo potencial em produzir grande quantidade de massa, fazer cobertura do solo, produzir um volume muito grande de raízes que trazem uma série de benefícios para a qualidade do solo”, afirma Rodrigo Arroyo Garcia, que conduz experimentos com plantas de cobertura.

    Qualidade da água: Outra pesquisa realizada na Embrapa Agropecuária Oeste é quanto à qualidade de águas superficiais (rios, lagos, riachos), especialmente no Rio Dourados, e possíveis impactos causados por agrotóxicos utilizados na agropecuária.

    Divulgação – Embrapa/Reynaldo Sidney Brandão Pereira

    “A grande novidade do trabalho de monitoramento neste ano é que a Embrapa foi acionada para fornecer esses dados para subsidiar a reformulação de política pública”, destaca Rômulo Penna Scorza Júnior, líder do projeto.