Pesquisadores da Embrapa desenvolveram um novo protocolo para irrigação de cana-de-açúcar no Cerrado. O Protocolo BRCana visa aumentar a produção, reduzir custos e minimizar a vulnerabilidade da cultura às mudanças climáticas. Além disso, a técnica, sustentável e eficiente, também diminui a demanda por terra e água, superando a produção tradicional.
A tecnologia adota um método combinado de manejo da irrigação. Utiliza informações climáticas, umidade do solo e sensoriamento das plantas. Ou seja, esses parâmetros customizados melhoram a eficiência do uso da água e a economicidade na produção de cana no Cerrado, incluindo o manejo nas fases de crescimento e maturação.
Vinicius Bufon, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente (SP), destaca que o BRCana é um referencial técnico inédito. “O protocolo permite romper barreiras de produtividade, longevidade e eficiência no uso de água e terra”, afirma.
Pesquisadores desenvolveram o método ao longo de anos em usinas sucroenergéticas, garantindo a solidez e a aplicabilidade da tecnologia. Desde 2012, várias usinas já escalaram a prática para uso comercial, aumentando a produtividade das áreas irrigadas em 70%.
Cenários de produção com a irrigação
Bufon realizou estudos para demonstrar a eficácia da irrigação como estratégia de adaptação às mudanças climáticas. A pesquisa apresentou dois cenários, ambos mostrando aumento na eficiência de uso da terra e economia significativa nos custos de produção.
No primeiro cenário, 32% da área da usina seria irrigada, resultando em um aumento de 3,9% na produtividade média e 15% na longevidade dos canaviais. O segundo cenário, com 45% de área irrigada, aumentaria a produtividade em 4,2% e a longevidade em 21%.
Além disso, a irrigação também reduziria o consumo de insumos e combustível. No cenário 2, haveria uma economia de até 19% no consumo de calcário e gesso, 8% em fósforo, 6% em nitrogênio e 10% em potássio, além de 10,2% em etanol e gasolina.
Além disso, Bufon ressalta que, ao invés de expandir horizontalmente, investir na verticalização através da irrigação é mais sustentável e eficiente. “A produção irrigada, com a técnica correta, é mais sustentável e eficiente do que a produção tradicional”, conclui.
Uma expedição revelou a perda significativa de abelhas em apiários e meliponários no Rio Grande do Sul, após as enchentes de maio de 2024. O Projeto Observatório de Abelhas do Brasil com Foco no Rio Grande do Sul, coordenado pela Embrapa Meio Ambiente em parceria com a Associação Brasileira de Estudos das Abelhas (A.B.E.L.H.A.), liderou a ação. Entre 24 e 29 de junho, a equipe visitou áreas impactadas pelas enchentes.
Até o momento, a Federação Apícola do Rio Grande do Sul (FARGS) registrou a perda de 18.943 colmeias. Ou seja, cerca de 4% do total no estado, segundo o IBGE. No entanto, esses números podem estar subnotificados, pois muitos apicultores não registram suas colmeias junto à inspetoria veterinária de seus municípios.
Uso do AgroTag abelhas
A iniciativa usou o software AgroTag Abelhas, desenvolvido pela Embrapa Meio Ambiente, para sistematizar informações sobre a mortandade de abelhas no Brasil. Este software registra incidentes e possíveis causas das mortes, criando uma base de dados harmonizada em uma plataforma nacional.
O que dizem os especialistas
Betina Blochtein, pesquisadora do observatório e integrante da equipe de campo, destacou que uma das prioridades do levantamento é validar o uso de recursos disponibilizados para o Estado. Isso contribuirá na elaboração de um relatório identificando as perdas e seus locais. Assim, a equipe direcionará os recursos para reposição das colmeias de maneira adequada, baseando-se nas evidências registradas em campo, como fotos, questionários e delimitação de áreas atingidas.
A ferramenta da Embrapa é essencial, pois além de registrar dados oficialmente, também cria uma rede de colaboradores entre produtores afetados e aqueles que prestam assistência nas áreas impactadas.
Detalhes do AgroTag abelhas
O AgroTag Abelhas, desenvolvido a partir do Sistema AgroTag, é um sistema abrangente de monitoramento que integra dados sistematizados. Além disso, contribui para o registro de informações oficiais sobre a mortandade de abelhas. Com um aplicativo para dispositivos móveis Android, ele permite o envio de dados para um ambiente SIG (Sistema de Informações Geográficas), facilitando a integração com informações coletadas em campo.
Futuras implementações
Em uma fase posterior, inspetores de órgãos sanitários oficiais utilizarão o aplicativo para registrar ocorrências rapidamente, atendendo às necessidades regionais. Durante o atendimento em campo, os técnicos terão acesso a um formulário simples para preenchimento. Ele inclui questões sobre a coleta de amostras biológicas para análise laboratorial.
O projeto segue a premissa do AgroTag, trabalhando com dados geoespaciais para monitoramento territorial agrícola, onde os usuários compartilham dados de forma colaborativa e rastreável. Isso é fundamental para os objetivos do Observatório de Abelhas, que busca evidências comprovadas da mortandade de abelhas, atualmente focando nas perdas causadas pelas cheias no Rio Grande do Sul, destacou Vicente, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente/AgroTag e integrante da equipe de campo.
Observatório de Abelhas do Brasil
O Observatório de Abelhas do Brasil é um programa coordenado pelo Ministério da Agricultura (Mapa), em conjunto com a Embrapa Meio Ambiente. Instituições públicas e privadas, como a Associação A.B.E.L.H.A., também apoiam o projeto. O objetivo é mitigar a mortandade de abelhas no Brasil.
Cristiano Menezes, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente e coordenador geral do Observatório, explicou que o AgroTag foi integrado ao projeto para ajudar fiscais de defesa agropecuária a organizar, coletar e disponibilizar informações de forma adequada. Antes, esses processos eram realizados manualmente e sem padronização entre os estados.
O lançamento do Plano Safra 2024-2025 em Brasília apresentou uma solução inovadora para pequenos produtores. Em parceria com a Embrapa e a empresa paulista BirdView, com apoio financeiro da Fapesp, o drone Orbio promete revolucionar o controle biológico na agricultura, substituindo agroquímicos, por exemplo.
Desenvolvido para combater pragas e doenças sem prejudicar o meio ambiente, o Orbio utiliza um sistema de otimização de planos de voo com dispensador de insetos. A nova tecnologia foi destaque na exposição na Praça dos Três Poderes, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e vários ministros, incluindo Paulo Teixeira, Carlos Fávaro, Fernando Haddad e Marina Silva, estiveram presentes.
O presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, apresentou a tecnologia ao presidente Lula, destacando sua importância para o controle biológico. “Pragas e doenças agrícolas causam prejuízos financeiros de milhões por ano”, explicou Lúcio Jorge, pesquisador da Embrapa Instrumentação. Ele enfatizou as vantagens do uso de drones, como o baixo custo operacional, alta eficiência e grande alcance de aplicação.
Drone no campo
Segundo Jorge, os drones otimizam o planejamento de rotas para o controle biológico, reduzindo o tempo de planejamento e minimizando erros humanos graças à automatização. Além disso, ele destacou que softwares existentes no mercado não possuem a capacidade de otimização de rotas configurada pelo usuário, exigindo maior experiência do operador.
A parceria com a BirdView foi essencial para o desenvolvimento do projeto. “A empresa é especialista na aplicação de biodefensivos por drones desde 2015, com operações no Brasil, África do Sul, Índia e México”, disse Jorge. O protótipo do Orbio está em fase final de testes em fazendas e como resultado, promete ampliar a gama de clientes, incluindo a agricultura familiar.
Drone para produtores familiares
Durante a solenidade de lançamento, o ministro Paulo Teixeira elogiou a Embrapa e a presidente Silvia Massruhá, destacando sua contribuição para o setor leiteiro e outras áreas. O presidente Lula demonstrou interesse na acessibilidade da tecnologia para produtores familiares. Silvia Massruhá destacou que o Plano Safra é uma oportunidade para que as tecnologias da Embrapa. Elas devem chegar a todos os produtores rurais, e as linhas de crédito são um estímulo à adoção de práticas sustentáveis como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta.
Estão abertas as inscrições para o 1º Workshop da Rede Midas Mongaru: Circularidade na Cadeia de Plásticos, que ocorrerá em São Carlos (SP) nos dias 18 e 19 de julho. O evento, promovido pelo INCT Midas, Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e INCT Circularidade em Materiais Poliméricos, será sediado pela Embrapa Instrumentação.
O workshop visa promover um debate entre academia, indústria, cooperativas, poder público e sociedade, incluindo educadores focados em sustentabilidade e educação empreendedora. Ou seja, a iniciativa busca reunir colaboradores para minimizar o impacto da poluição plástica.
Com um formato interativo e colaborativo, o evento contará com seis painéis temáticos. Serão discutidos casos de sucesso e desafios relacionados à logística reversa, educação ambiental, legislação e políticas públicas, por exemplo. Também estarão e pauta temas como o uso de plásticos biodegradáveis e de fontes renováveis, educação empreendedora e design para a circularidade.
Ao final dos dois dias de discussões, os organizadores planejam formalizar, como resultado, um plano de ações e compromissos para avançar com propostas resolutivas.
Plano de ação do workshop
Segundo a professora Alessandra Lucas, da UFSCar, o workshop apresentará casos de sucesso e desafios, que serão transformados em ações a curto, médio e longo prazo. “Vamos traçar planos de ação em âmbito local, regional e nacional para direcionar as atividades da Rede Midas Mongaru e do INCT Circularidade em Materiais Poliméricos. Não queremos reinventar a roda da circularidade dos plásticos, mas fazê-la girar conectando atores importantes deste sistema”, explica a professora.
Participantes confirmados
Entre os participantes confirmados estão membros das cooperativas de coleta seletiva de São Carlos e Araraquara, além do presidente do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), Ronei Silva, e Telines Basílio, presidente da Coopercaps, uma cooperativa modelo em São Paulo.
Inscrições para o workshop
Para se inscrever, acesse o site do evento Midas Mongaru. O evento conta com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Fundação de Apoio Institucional ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FAI-UFSCar) e Departamento de Engenharia de Materiais (DEMa-UFSCar).
Sobre a Rede Midas Mongaru
Docentes do DEMa, integrantes do INCT Midas de Tecnologias Ambientais e do INCT Circularidade em Materiais Poliméricos criaram a Rede Midas Mongaru. Os Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs), lançados em 2008, têm como objetivo fortalecer colaborações com grupos de excelência internacionais. Além disso, promovem também a inserção da ciência e tecnologia brasileira no cenário global. O programa é conduzido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), CNPq, Capes, BNDES, Finep e diversas fundações de amparo à pesquisa estaduais. O INCT Circularidade em Materiais Poliméricos recebe apoio da Fapesp.
Pesquisadores da Embrapa desenvolveram uma alternativa inovadora para substituir a gelatina convencional derivada do couro bovino e suíno. A solução vem da pele do tambaqui (Colossoma macropomum), um peixe nativo brasileiro de grande relevância econômica.
Normalmente, a pele, escamas e cabeça do tambaqui são utilizadas na fabricação de ração para peixes. Entretanto, a gelatina extraída da pele do tambaqui apresenta aplicações alimentícias e farmacêuticas, tornando-se um coproduto de maior valor agregado. “A gelatina de pele de tambaqui pode servir para diversas aplicações, incluindo filmes, microcápsulas para remédios e espessantes”, afirmou a pesquisadora Fernanda Ramalho Procópio, bolsista CNPq de pós-doutorado durante o estudo.
Crescimento da piscicultura no Brasil
A piscicultura no Brasil tem mostrado um crescimento substancial, com aprimoramentos no processamento de peixes. Segundo o Anuário da Associação Brasileira de Piscicultura (Peixe BR 2022), a produção nacional de pescado aumentou 45% desde 2014, com a tilápia representando 65% dessa produção. Além disso, o tambaqui lidera entre as espécies nativas, com mais de 30% da produção total.
O projeto “Ações estruturantes e inovação para o fortalecimento das cadeias produtivas da aquicultura no Brasil” (BRS Aqua), coordenado pela Embrapa Pesca e Aquicultura (TO). E também conta com apoio financeiro do BNDES, CNPq e do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA). A iniciativa envolve mais de 240 empregados de 23 unidades da Embrapa e mais de 60 parceiros públicos e privados.
Sustentabilidade e valor agregado
Manuel Antônio Jacintho, pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste (SP), destaca que até 50% das matérias-primas iniciais em algumas espécies são descartadas. Isso inclui cabeças, carcaças, pele e escamas. “A conversão dos resíduos em produtos de valor torna a cadeia mais sustentável”, afirma Jacintho.
pesquisador Manuel Antônio Jacintho – Crédito – Gisele Rosso
A gelatina da pele do tambaqui apresentou propriedades comparáveis às gelatinas bovina e suína. Por outro lado, a força de gel (consistência) foi de 123 ± 20 gramas, classificada como Bloom médio, enquanto a cor esbranquiçada e inodora atende aos requisitos comerciais. Adriano Mattos, supervisor do Laboratório de Tecnologia da Biomassa da Embrapa Agroindústria Tropical (CE), destaca que a temperatura de gelificação da gelatina de tambaqui (16 °C) é similar à da gelatina bovina comercial (17 °C).
Potencial econômico e ambiental
Além disso, Fernanda Procópio explica que a gelatina de pele de tambaqui se adequa a determinados produtos, como clarificação de bebidas e produção de cápsulas moles. A alta concentração de aminoácidos sugere que a pele do tambaqui pode ser uma valiosa fonte de peptídeos de colágeno.
“Explorar aplicações e estratégias para a utilização de resíduos do processamento de tambaqui contribui para o desenvolvimento de uma economia circular na indústria de processamento de pescado”, conclui Manuel Jacintho, ressaltando porém o potencial de aumento de renda para produtores e a redução do impacto ambiental.
A Embrapa apresentou ao mercado o primeiro aplicativo de exame andrológico do Brasil. Desenvolvido desde 2022, a nova ferramenta tem potencial para impulsionar a pecuária de corte no país. Além disso, ela vai auxiliar médicos-veterinários na seleção de reprodutores bovinos com melhor desempenho genético.
A plataforma é gratuita e pode ser usada em dispositivos móveis e computadores em todo o território nacional. O app já está disponível para adoção por parceiros, em programas de melhoramento genético e empresas de equipamentos veterinários.
“O aplicativo contém um conjunto de informações, organizadas e padronizadas, que auxiliam o médico-veterinário na realização de exames clínicos, físicos e morfológicos. Além disso, esses dados agilizam a emissão de laudos e o diagnóstico final para os proprietários”, explica a médica-veterinária Juliana Correa, coordenadora da iniciativa.
Um dos principais benefícios do app é a padronização da qualidade dos exames andrológicos. Além disso, ele é capaz de gerar um banco de dados com informações relevantes para o setor, como quantidade de exames realizados por ano, idade dos touros, quantidade de patologias e regiões com mais problemas relacionados a enfermidades espermáticas.
A importância do exame andrológico
O exame andrológico é tão importante para os bovinos quanto os cuidados com a alimentação e a saúde. Um animal com problemas reprodutivos pode acarretar perdas de produção, além de transmitir essas características aos seus descendentes, comprometendo todo o rebanho.
O exame é realizado nos bovinos machos que estão iniciando ou nos que já estão em idade reprodutiva. Ele consiste na avaliação clínica geral e da qualidade do sêmen para certificar o potencial reprodutivo do animal.
Tecnologia ajuda no diagnóstico de bovinos.
Além disso, os exames clínicos devem ser efetuados uma vez ao ano ou 60 dias antes da estação de monta – outubro a fevereiro. Um check-up completo pode detectar a causa da diminuição do potencial reprodutivo. Se confirmado o problema, o animal pode ser descartado a tempo.
“Um touro infértil pode representar a perda de 25 a 50 bezerros, enquanto uma vaca infértil representa a perda de apenas um bezerro”, enfatiza a pesquisadora e especialista em reprodução animal Alessandra Nicacio. Ela lembra que cerca de 5% dos touros em serviço são inférteis e 20% a 40% são subférteis.
O aplicativo foi desenvolvido por equipes da Embrapa Pantanal (MS) e Embrapa Gado de Corte (MS) utilizando tecnologia PWA (Progressive Web Application), o que permite que funcione perfeitamente em diversos dispositivos, com recursos de responsividade, atuação offline e usabilidade de gestos.
A Embrapa Florestas (PR) e parceiros desenvolveram o primeiro protocolo de qualidade e rastreabilidade do pinhão, semente comestível e nutritiva do pinheiro-do-paraná (Araucaria angustifolia). Esse avanço abre caminho para a criação do selo de Indicação Geográfica (IG) da espécie no Brasil, garantindo mais qualidade aos consumidores. A pesquisa agropecuária busca agregar valor a esse alimento regional, que tem ganhado importância no mercado nacional e potencial para crescer no mercado internacional.
O novo protocolo abrange desde a coleta até o consumo, representando um marco para a qualificação da cadeia produtiva do pinhão. O produto é típico das regiões Sul e Sudeste do Brasil. Além disso, destaca-se o estudo preliminar sobre a criação de selos de Indicação Geográfica (IG) do pinhão, com base nas características locais e nos atributos sensoriais.
A adoção do protocolo está prevista para 2025 por duas cooperativas paranaenses, que pretendem aplicar melhorias na coleta, separação, armazenamento e venda da semente ao natural. A pesquisadora da Embrapa Florestas, Rossana Godoy, uma das autoras do documento, explica que a adesão ao protocolo deve ocorrer de forma espontânea. Ou seja, à medida que produtores, técnicos e consumidores constatarem os resultados positivos das práticas recomendadas.
Embora seja uma primeira iniciativa, a equipe técnica ressalta que o protocolo poderá ser ajustado ao longo do tempo, conforme a demanda dos envolvidos. Godoy enfatiza também a importância do primeiro passo para padronizar a oferta de pinhão no mercado consumidor paranaense, inspirando outras regiões produtoras, como Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo e Minas Gerais, por exemplo. Segundo dados do IBGE, a produção brasileira de pinhão em 2022 quase alcançou R$ 52 milhões, com um total de 13.376 toneladas. A organização do mercado tende a consolidar e expandir a produção e o consumo.
Qualidade técnica e rastreabilidade do pinhão
O protocolo oferece orientações técnicas detalhadas para a coleta, transporte, beneficiamento, acondicionamento e armazenamento do pinhão, além de recomendações para rotulagem e identificação de lotes. A rastreabilidade é destacada como essencial, permitindo que os consumidores conheçam a origem e a data de colheita do pinhão, garantindo frescor e qualidade.
As pesquisas realizadas pela Embrapa Florestas, lideradas por Rossana Godoy, fundamentaram a elaboração do protocolo. Entre os estudos, destacam-se artigos publicados nas revistas Pesquisa Florestal Brasileira e Revista Agrária Acadêmica, que abordam hábitos de consumo e atributos de importância do pinhão.
Valorização do pinhão
Godoy destaca a necessidade de melhorar a qualidade e a rastreabilidade do pinhão comercializado, uma vez que a semente perde umidade rapidamente após a abertura da pinha, reduzindo sua vida útil. Atualmente, a mistura de pinhões de diferentes qualidades prejudica a aceitação do produto. O protocolo visa oferecer um guia claro e confiável para produtores e consumidores, agregando valor ao pinhão.
Nivaldo Guimarães Vasconcellos, engenheiro-agrônomo da Secretaria de Segurança Alimentar e Nutricional de Curitiba, reforça que o protocolo ajudará na estruturação e no desenvolvimento da cadeia produtiva do pinhão. Isso porque ele vai promover a qualidade e a rastreabilidade. Jonas Eduardo Bianchin, extensionista do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR), ressalta que a rastreabilidade permitirá acompanhar todo o percurso do pinhão. Desde a origem até o consumo, aumentando a transparência e a confiança dos consumidores.
Pioneiros na adoção
As cooperativas Nascente (Campina Grande do Sul, PR) e Provale (Rio Branco do Sul, PR) estão entre as primeiras a adotar as práticas recomendadas no protocolo. Fernanda Arcie, da Cooperativa Nascente, e Bruno Guimarães, da Cooperativa Provale, destacam que a adequação às diretrizes ocorrerá em 2025.
Busca pela indicação geográfica
Foto: Divulgação Embrapa – Luiz Costa
A rastreabilidade é fundamental para obter a Indicação Geográfica (IG), que agrega valor ao produto e beneficia produtores e consumidores. Elenice Fritzsons, pesquisadora da Embrapa Florestas, explica que a caracterização ambiental e do produto, juntamente com a análise sensorial, são essenciais para viabilizar a solicitação do selo junto ao Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (Inpi).
As localidades avaliadas no estudo incluem Lagoa Vermelha (RS), Painel (SC), Inácio Martins (PR) e Cunha (SP). Nesses locais já existem comunidades rurais organizadas que têm no pinhão uma fonte alternativa de renda. O Painel, inclusive, já possui três produtos com selo de Indicação Geográfica.
O protocolo de qualidade e rastreabilidade do pinhão, desenvolvido pela Embrapa Florestas e parceiros, representa um avanço significativo para a cadeia produtiva do pinhão no Brasil. Com a implementação das práticas recomendadas, espera-se aumentar a qualidade do produto, atender a consumidores mais exigentes e promover o desenvolvimento sustentável dos produtores.
A Embrapa estabeleceu diretrizes técnicas para a certificação da soja de baixo carbono, prometendo uma redução de 30% na pegada ambiental das produções que seguirem as orientações. Este avanço, além de promover a sustentabilidade, visa diversificar as exportações brasileiras, atualmente direcionadas majoritariamente para a China.
A primeira versão do documento “Diretrizes Técnicas para Certificação Soja Baixo Carbono” foi publicada, delineando as premissas para a mitigação de emissões de gases de efeito estufa (GEE) em sistemas agrícolas. Essas premissas estão sendo testadas em mais de 60 áreas agrícolas, distribuídas por cinco macrorregiões produtoras de soja, durante as safras de 2023/24 e 2024/25.
Henrique Debiasi, coordenador do Comitê Gestor do Programa Soja Baixo Carbono (PSBC) e pesquisador da Embrapa Soja, enfatiza a importância da publicação das diretrizes. “É fundamental para validarmos cientificamente a metodologia de quantificação desenvolvida pela Embrapa”, explica Debiasi.
Objetivos e benefícios
O PSBC compara sistemas de produção típicos com aqueles que adotam soluções mitigadoras, buscando reduzir a intensidade das emissões de GEE. Debiasi destaca que a adoção das tecnologias descritas nas diretrizes pode reduzir as emissões em aproximadamente 30%.
O selo Soja Baixo Carbono (SBC) será concedido a produtores que adotarem práticas agrícolas sustentáveis, resultando em menor emissão de GEE. Todas as ações de pesquisa, desenvolvimento e inovação necessárias para validar o protocolo de certificação SBC estão sendo coordenadas dentro do PSBC.
Estruturação para a produção de soja de baixo carbono
O programa se baseia em duas diretrizes técnicas: adequação do imóvel rural e adequação do sistema de produção. Para a adequação do imóvel rural, os critérios incluem a ausência de autuações ambientais, cumprimento de normas trabalhistas e eliminação de queimadas deliberadas.
Já a adequação do sistema de produção envolve práticas obrigatórias, como o Sistema Plantio Direto (SPD), e práticas recomendáveis, que compõem o Índice de Adoção de Práticas Agrícolas Sustentáveis (Iapas). Para receber o selo SBC, o Iapas deve atingir um valor mínimo de 7.
Práticas agrícolas sustentáveis
Entre as práticas obrigatórias estão a adoção do SPD, a coinoculação e o manejo integrado de pragas. As práticas recomendáveis incluem o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) e o uso de sementes certificadas. Essas práticas visam melhorar o balanço de carbono nas áreas de produção.
A melhoria do Balanço das Emissões será medida pela intensidade das emissões de GEE do sistema candidato em comparação ao sistema típico da região. Além disso, a área candidata deve apresentar estoques de carbono orgânico total do solo superiores.
O que vem por aí …
O próximo passo do PSBC é validar o protocolo de certificação em mais de 60 áreas agrícolas durante as safras de 2023/24 e 2024/25. Ou seja, esta fase visa escalar a iniciativa, identificando sistemas de produção aptos à certificação, com previsão de lançamento do protocolo para o mercado em 2026.
O setor produtivo, organismos internacionais e representantes do mercado discutirão o protocolo para garantir que a metodologia reflita a realidade do produtor brasileiro e seja aceita internacionalmente.
Adequação às condições do nosso país
Marcelo Hirakuri, pesquisador da Embrapa, ressalta que o PSBC está fundamentado nas condições edafoclimáticas das diversas regiões produtoras de soja do Brasil. A metodologia MRV (mensurável, reportável e verificável) adotada pelo selo Soja Baixo Carbono é voluntária, permitindo que produtores colaborem com iniciativas verdes.
O PSBC visa reconhecer a soja produzida de forma sustentável, agregando valor ao produto e oferecendo vantagens como juros mais baixos e prêmios em seguros agrícolas. Carina Rufino, chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Soja, afirma que o Brasil se posicionará fortemente no agronegócio mundial com esta iniciativa, demonstrando sua contribuição para uma agricultura mais sustentável.
Com estas diretrizes, a Embrapa e seus parceiros esperam estabelecer um novo padrão de produção agrícola, focado na redução de emissões de GEE e na sustentabilidade ambiental, fortalecendo a posição do Brasil no mercado global.
Em um estudo conjunto, a BASF e a Embrapa revelaram dados positivos sobre a convivência entre sojicultura e apicultura no Brasil. Com resultados coletados em lavouras de São Gabriel (RS), Maringá (PR) e Dourados (MS) durante a safra 2022/23, a pesquisa demonstrou que a integração dessas atividades é não apenas possível, mas também benéfica para ambas as partes.
A pesquisa validou um protocolo de Boas Práticas Agrícolas, Apícolas e de Comunicação que guiou as ações de sojicultores e apicultores. “A convivência é vantajosa para ambos, desde que respeitem as boas práticas agrícolas e mantenham um diálogo contínuo”, afirmou Décio Gazzoni, pesquisador da Embrapa Soja (PR). O protocolo inclui o Manejo Integrado de Pragas de Soja (MIP-Soja), que visa reduzir os insetos-praga sem afetar os inimigos naturais.
Ganhos em Rentabilidade e Sustentabilidade
A presença de abelhas nas lavouras de soja pode aumentar a produtividade em até 13%, segundo estudos da Embrapa. As abelhas, ao coletarem néctar, atuam como polinizadoras, melhorando a qualidade e quantidade das vagens de soja. Apicultores também se beneficiam, com colheitas de mel que podem chegar a 50 kg por colmeia durante a florada da soja. Isso é mais do que o dobro da média nacional.
Soja e abelhas podem conviver juntos.
Rodrigo Casado, produtor de soja e mel em Maringá (PR), destacou que a polinização na soja resulta em uma renda extra significativa. Assim sendo, é permitido colheitas de mel de duas a três vezes ao ano. Além disso, a presença das abelhas contribui para a redução das emissões de gases de efeito estufa, beneficiando o meio ambiente.
Importância das Abelhas
As abelhas desempenham um papel crucial na agricultura, não apenas pela polinização, mas também por manter o equilíbrio dos ecossistemas. A preservação dos polinizadores é vital para garantir a produtividade agrícola e a sustentabilidade dos ecossistemas naturais. “É essencial encontrarmos maneiras efetivas de conservarmos os polinizadores, como as abelhas, para garantir a produtividade da agricultura e o equilíbrio dos nossos ecossistemas naturais”, afirmou Maurício do Carmo Fernandes, gerente de Stewardship e Sustentabilidade da BASF.
Parceria BASF e Embrapa
A colaboração entre BASF e Embrapa resultou em uma websérie disponível na Fazenda BASF, abordando temas como a união entre sojicultura e apicultura, qualidade do mel de soja, e tecnologia de aplicação de insumos. Essa parceria promove boas práticas agrícolas, segurança alimentar, sustentabilidade e desenvolvimento econômico, reforçando o legado da agricultura brasileira.
A Embrapa lançou a plataforma Ater+ Digital, que oferece informações sobre cadeias agropecuárias e temas transversais, visando apoiar serviços de assistência técnica e extensão rural de forma on-line. A plataforma disponibiliza vídeos, áudios, aplicativos, cartilhas, infográficos, cursos e outros conteúdos, facilitando ações remotas e presenciais de extensionistas.
Inicialmente, os técnicos terão acesso a sete hubs virtuais temáticos: Apicultura, Caprinos e Ovinos, Feijão, Feijão-Caupi, Mudanças Climáticas, Nutrição e Saúde e Sistemas Agroflorestais. A criação dos conteúdos envolveu equipes da Embrapa e instituições parceiras, e novos hubs sobre outras cadeias produtivas estão em desenvolvimento.
O uso das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) visa aumentar a capilaridade dos serviços de assistência técnica. Atualmente eles atingem apenas 18,2% dos agricultores familiares brasileiros, segundo o Censo Agropecuário de 2017. “A plataforma Ater+ Digital supre um gargalo de produção de conteúdo para rápido compartilhamento com os agricultores”, afirma Luciano Nass, da Embrapa Meio Ambiente.
Rodrigo Ferraz, do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), destaca o potencial da plataforma em proporcionar a circulação de inovações e intercâmbios tecnológicos a baixo custo. “As ferramentas digitais permitem a interação entre técnico e produtor entre visitas, possibilitando a troca de informações e realização de tarefas”, acrescenta.
A plataforma foi desenvolvida por profissionais de Pesquisa & Desenvolvimento, Transferência de Tecnologia, Comunicação e Tecnologia da Informação. Segundo Nass, “a oferta contínua de informações, cursos, materiais educativos e atividades informativas como webinars e lives amplia a abrangência das ações de Ater”.
Vanessa Magalhães, da Embrapa Gado de Leite, ressalta a intenção da plataforma em aprimorar a comunicação e interação com o público-alvo, facilitando a disponibilização ágil de informações técnicas. “O objetivo é proporcionar inclusão, compreensão e adoção das tecnologias recomendadas pela Embrapa e seus parceiros”, conclui Magalhães.