Tag: dólar

  • Civeta e o Kopi Luwak: o café mais caro do mundo

    Civeta e o Kopi Luwak: o café mais caro do mundo

    Em um mundo onde o luxo muitas vezes esconde histórias complexas, o café Kopi Luwak, que pode custar até US$ 600 (cerca de R$ 3.000) por meio quilo, surge como um símbolo de extravagância e controvérsia. Produzido a partir de grãos digeridos por um pequeno mamífero asiático, a civeta (Paradoxurus hermaphroditus), essa iguaria divide opiniões entre gourmets e defensores dos direitos animais.

    A civeta: o “barista” inusitado da natureza

    Nativa das florestas tropicais do Sudeste Asiático, a civeta é um animal noturno, semelhante a um gato alongado, com pelagem acinzentada e manchas distintivas. Conhecida por sua dieta onívora, ela consome frutos silvestres, incluindo os do cafeeiro.

    Civeta, o “barista” da natureza

    Durante a digestão, enzimas no estômago da civeta fermentam os grãos de café, alterando suas proteínas e reduzindo a acidez. Assim, após a excreção, produtores coletam, lavam e torram os grãos, produzindo o Kopi Luwak, nome que vem do indonésio kopi (café) e luwak (civeta).

    Do excremento à xícara: tradição e industrialização

    A prática, originária do século XVIII em plantações coloniais da Indonésia, onde trabalhadores locais não podiam consumir os grãos de café colhidos, começou como um aproveitamento dos resíduos deixados pelas civetas selvagens. Hoje, porém, a demanda global transformou o processo.

    [robo-gallery id=”9539″]

    Estima-se que 80% do Kopi Luwak disponível seja proveniente de civetas criadas em cativeiro, muitas vezes em condições precárias: gaiolas apertadas, dieta compulsória de café e estresse. Investigação da PETA em 2013 expôs maus-tratos em fazendas em Sumatra e Filipinas, gerando críticas internacionais.

    O mercado do luxo e os dilemas éticos

    Enquanto entusiastas descrevem o sabor do Kopi Luwak como “suave, com notas de chocolate e caramelo”, especialistas questionam sua superioridade. “Muitos compram pela curiosidade, não pela qualidade”, afirma John Rivera, crítico de café. O preço exorbitante, que chega a US$ 100 por xícara em cafeterias de Tóquio e Nova York, alimenta um mercado que movimenta milhões, mas enfrenta crescente escrutínio.

    Alternativas sustentáveis: é possível um kopi luwak ético?

    Alguns produtores, como a Wild Gayo Luwak em Aceh, Indonésia, promovem grãos coletados de civetas livres, rastreáveis por certificação. “Respeitar o animal é essencial para preservar tanto a espécie quanto a autenticidade do café”, explica a bióloga Anisa Rahmawati. Organizações como a World Animal Protection pressionam por regulamentações mais rígidas, enquanto plataformas de comércio justo buscam conscientizar consumidores.

    Assim, o Kopi Luwak personifica o paradoxo entre desejo humano e responsabilidade ambiental. À medida que consumidores buscam transparência, a indústria é desafiada a equilibrar tradição e ética. Para os amantes de café, a pergunta persiste: vale a pena pagar por um luxo que pode custar mais do que dinheiro?

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Calor extremo desafia o agronegócio
    + Agro em Campo: Cresce número de empresas do agronegócio em recuperação judicial

  • Artigo: como a flutuação do dólar afeta o agronegócio

    Artigo: como a flutuação do dólar afeta o agronegócio

    O ano de 2024 foi marcado por reviravoltas no mercado cambial. O dólar comercial começou o ano cotado a R$4,89, impulsionado por um otimismo inicial em relação à política fiscal brasileira. Mas esse cenário mudou rapidamente. Com uma combinação de fatores internos e externos — das incertezas na política econômica às tensões geopolíticas globais —, a moeda americana encerrou o ano a R$6,19, pressionando os custos de importação e alterando o equilíbrio da competitividade brasileira no mercado internacional.

    Para um país como o Brasil, onde cerca de 88% das transações comerciais internacionais são realizadas em dólar, essas oscilações têm um impacto direto na economia. E para o agronegócio, setor que move grande parte da nossa balança comercial, a questão se torna ainda mais crítica.

    Mas, afinal, a alta do dólar é boa ou ruim para o agronegócio brasileiro? A resposta não é tão simples. Se por um lado a valorização da moeda americana torna os produtos brasileiros mais baratos e competitivos no mercado externo, impulsionando as exportações, por outro, encarece a aquisição de insumos importados, aumentando os custos de produção. Esse efeito duplo pode ser visto nos principais produtos que movimentaram o comércio exterior do Brasil em 2024.

    Impacto da flutuação do dólar

    A soja, um dos carros-chefes das exportações, por exemplo, foi beneficiada pelo dólar alto, aumentando a receita dos produtores em reais. No entanto, esse benefício foi parcialmente anulado pelo encarecimento dos fertilizantes, um dos principais insumos da lavoura. O setor sucroalcooleiro, quarto produto brasileiro mais exportado, enfrentou um desafio semelhante. Embora o açúcar tenha se valorizado no mercado internacional, o aumento dos preços dos combustíveis impactou os custos logísticos, reduzindo a margem de lucro dos exportadores.

    Já no lado das importações, os principais produtos adquiridos pelo Brasil — em especial combustíveis, adubos e fertilizantes químicos — demonstram a alta dependência do país em relação a insumos externos. Isso encareceu a produção agrícola e reduziu a competitividade do setor, exigindo um planejamento financeiro mais rigoroso para manter a rentabilidade.

    Se 2024 nos ensinou algo, foi que a preparação e a tecnologia são fundamentais para enfrentar esse cenário de incertezas. Para 2025, especialistas projetam um cenário ainda instável, com o dólar mantendo um padrão de alta volatilidade. Nesse contexto, a adoção de estratégias inteligentes torna-se indispensável. Empresas do agronegócio precisam investir em tecnologia para monitorar suas cadeias de suprimentos, usar dados para otimizar sua logística e explorar alternativas de hedge cambial para reduzir riscos.

    No comércio exterior, a previsibilidade é a chave para a competitividade. Quem se antecipar, entender os movimentos do mercado e usar tecnologia a seu favor, estará melhor preparado para tirar proveito das oportunidades. E minimizar os impactos das flutuações cambiais no futuro.

    Por Helmuth Hofstatter, CEO e fundador da Logcomex, empresa líder em tecnologia para o comércio global.

  • Safra e câmbio devem reduzir preço dos alimentos, diz Haddad

    Safra e câmbio devem reduzir preço dos alimentos, diz Haddad

    O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (4) que a safra agrícola deste ano deve ajudar a reduzir os preços dos alimentos. Segundo ele, conversas com produtores indicam boas perspectivas para a colheita. Além disso, a desvalorização do dólar, que caiu de R$ 6,10 para R$ 5,80, pode favorecer o cenário.

    “Isso já ajuda”, disse Haddad em coletiva na sede da Fazenda. O ministro destacou que a atuação do Banco Central e do Ministério da Fazenda tem influenciado a acomodação das variáveis macroeconômicas. “Isso certamente vai favorecer o preço dos alimentos”, acrescentou.

    A cúpula do governo busca medidas para conter a inflação dos alimentos, atendendo ao pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Petistas apontam a alta dos preços como um dos principais fatores para a desaprovação do governo. No entanto, a falta de margem no Orçamento e o receio do mercado sobre possíveis intervenções dificultam a adoção de ações imediatas.

    Como o câmbio afeta o agronegócio?

    A variação do dólar impacta diretamente a produção, exportação e o custo dos alimentos. Veja os principais efeitos:

    Produtos como soja, milho, café e açúcar têm preços definidos por bolsas internacionais. Quando o dólar sobe, essas commodities costumam ficar mais baratas para compradores estrangeiros, já que eles precisam gastar mais em moeda local. Se a moeda americana recua, as cotações sobem, tornando os produtos mais caros.

    Exportações e importações

    Com o dólar mais baixo, os produtos agrícolas brasileiros ganham competitividade no mercado internacional, impulsionando as exportações. Por outro lado, quando o dólar sobe, a demanda externa pode cair devido ao aumento dos custos para os importadores.

    Custo de produção

    O agronegócio depende de insumos importados, como fertilizantes e máquinas. Se o dólar se valoriza, esses produtos ficam mais caros, pressionando a margem de lucro dos produtores.

    Dívida e financiamento

    Muitos produtores e empresas têm dívidas atreladas ao dólar. Portanto, a oscilação da moeda pode aumentar ou reduzir o custo desses financiamentos, tornando o planejamento financeiro mais desafiador.

    Investimentos estrangeiros

    Empresas internacionais avaliam o valor do dólar antes de investir no Brasil. Quando a moeda americana está forte, o país se torna menos atraente para novos aportes.

    Além disso, a volatilidade do câmbio dificulta o planejamento a longo prazo. Oscilações bruscas tornam imprevisíveis os custos e as receitas do setor agrícola.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Passaporte Agro facilita exportações para mercados recém-abertos

     

     

  • Picanha sem imposto, entenda o impacto da reforma tributária na carne

    Picanha sem imposto, entenda o impacto da reforma tributária na carne

    Você não fica sem carne ou aquele churrasco? O governo federal aprovou a primeira lei que regulamenta a reforma tributária. A medida mantém carnes de boi, frango, porco, bode e cabra com alíquota zero no âmbito da cesta básica.

    A reforma será implementada gradualmente, começando em 2026 e concluída em 2033. No entanto, especialistas alertam que a isenção tributária não garante preços mais baixos para a carne. O custo da proteína depende de fatores como câmbio, oferta no mercado, renda do consumidor e até eventos climáticos, como secas que afetam os pastos.

    Como funciona hoje

    Atualmente, as carnes já são isentas de impostos federais, como PIS, Cofins e IPI. O ICMS, tributo estadual, e o ISS, municipal, variam conforme a localidade.

    O que mais pesa no preço da carne

    Embora os impostos impactem o preço, outros fatores exercem maior influência, segundo analistas. A carne acumulou alta de 20,84% nos últimos 12 meses, segundo o IPCA.

    Essa elevação reflete uma menor oferta frente à demanda crescente, além de secas e queimadas que comprometem os pastos. O dólar alto também torna a exportação mais atrativa para produtores, que buscam mercados externos onde os preços são mais competitivos.

    O ciclo de produção do gado também interfere no preço. Ou seja, durante períodos de alta, pecuaristas mantêm vacas para reprodução, reduzindo a oferta no mercado. Já em momentos de baixa, mais fêmeas são abatidas, ampliando a disponibilidade de carne e pressionando os preços para baixo.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Sucuri de 5 metros é capturada em fazenda do Mato Grosso
    + Agro em Campo: Mercado de trabalho atinge patamar histórico no agronegócio

    Impactos da reforma tributária

    Apesar de a isenção não significar queda imediata nos preços, a carne pode se tornar mais competitiva em relação a outros produtos. O governo deve taxar os alimentos fora da cesta básica, como o camarão, em até 26,5%. Sem a isenção, o custo das carnes poderia aumentar entre 9% e 10%. Isso porque, até julho, o projeto previa uma alíquota de 10,6% sobre as proteínas.

    Controvérsias no Congresso

    A inclusão da carne na cesta básica gerou impasses no Congresso. O Ministério da Fazenda era contra a medida, alegando impacto nas contas públicas. No entanto, o presidente Lula defendeu a isenção como parte de sua promessa de campanha.

    “Prometi que o povo ia voltar a comer picanha e tomar cerveja”, declarou o presidente em julho. Após resistência no plenário, o governo aceitou incluir a carne na cesta básica para evitar uma derrota no Congresso.

  • Como a alta do dólar impacta o agronegócio Brasileiro

    Como a alta do dólar impacta o agronegócio Brasileiro

    A valorização do dólar frente ao real tem provocado uma série de efeitos no agronegócio brasileiro, setor responsável por quase 25% do PIB nacional e grande parte das exportações do país. Embora a alta cambial beneficie algumas áreas, também gera desafios importantes que podem impactar a cadeia produtiva de maneira distinta no curto, médio e longo prazo.

    Neste artigo, analisamos os principais reflexos da alta do dólar no agronegócio brasileiro, considerando diferentes períodos e suas implicações para exportadores, produtores e consumidores.

    Efeitos de curto prazo: benefícios para exportadores e pressão nos insumos

    No curto prazo, o agronegócio é diretamente influenciado pelo câmbio. Com o dólar em alta, produtos agrícolas brasileiros ganham competitividade no mercado internacional. Commodities como soja, milho, algodão, carne bovina e café, que são negociadas em dólares. Desta forma, se tornam-se mais baratas para compradores estrangeiros, impulsionando as exportações e aumentando a receita dos produtores em reais.

    Por outro lado, o aumento do dólar encarece os insumos agrícolas, como fertilizantes, defensivos químicos e máquinas, que são amplamente importados. Esse efeito gera um impacto significativo no custo de produção, especialmente para pequenos e médios agricultores, que possuem menor capacidade de absorver os aumentos.

    A curto prazo, o equilíbrio entre a valorização das exportações e o aumento dos custos é determinante para a lucratividade do setor.

    Impactos de médio prazo: ajustes na cadeia produtiva e efeitos no mercado interno

    A médio prazo, os efeitos da alta do dólar começam a se refletir em reajustes estruturais no setor. Os custos elevados dos insumos podem levar produtores a buscar alternativas, como o uso mais eficiente de fertilizantes e a diversificação de culturas menos dependentes de insumos importados.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Embrapa desenvolve nova variedade de feijão guandu
    + Agro em Campo: Orgulho: cientistas brasileiros entre os mais citados no mundo

    Além disso, o aumento das exportações pode pressionar a oferta de alimentos no mercado interno, resultando em elevações de preços para o consumidor brasileiro. Produtos como arroz, milho e carne, amplamente consumidos no Brasil, podem sofrer escassez, o que impacta diretamente a inflação e o poder de compra da população.

    O cenário também pode estimular a busca por maior independência em relação aos insumos estrangeiros. E promover investimentos na indústria nacional de fertilizantes e defensivos agrícolas. Aliás, essa é uma  necessidade que tem sido discutida em várias frentes políticas e empresariais.

    Longo prazo: sustentabilidade e competitividade global

    A longo prazo, a alta do dólar exige que o agronegócio brasileiro se adapte para manter sua competitividade global. Investimentos em tecnologia, sustentabilidade e eficiência produtiva tornam-se essenciais para equilibrar os custos elevados com a manutenção de uma posição sólida no mercado internacional.

    Outra tendência que pode surgir é o fortalecimento de parcerias comerciais estratégicas. Isso tanto para exportação quanto para a obtenção de insumos, reduzindo a dependência de mercados instáveis. Diversificar os destinos de exportação e focar em mercados emergentes, como África e Ásia, oferece caminhos promissores para mitigar os riscos da volatilidade cambial.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Lula sanciona lei que regula mercado de carbono no Brasil
    + Agro em Campo: Novas cultivares de maracujá resistentes à fusariose

    Além disso, as políticas públicas desempenharão um papel crucial no desenvolvimento de estratégias para proteger os produtores de oscilações cambiais bruscas. Como exemplos, temos linhas de crédito específicas e incentivos à industrialização de insumos agrícolas no Brasil.

    Oportunidades e desafios em um cenário de alta do dólar

    A alta do dólar apresenta um cenário de oportunidades e desafios para o agronegócio brasileiro. Enquanto o aumento das exportações fortalece a balança comercial, o custo elevado dos insumos pressiona os produtores e o mercado interno.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: CNA projeta crescimento do agronegócio em 2025 apesar de desafios
    + Agro em Campo: Pinhão: estudo revela potencial prebiótico da semente

    A curto prazo, os benefícios cambiais podem sustentar a receita do setor. No médio prazo, ajustes na cadeia produtiva são inevitáveis, enquanto, a longo prazo, a adaptação e o investimento em inovação serão fundamentais para garantir a competitividade e a sustentabilidade do agronegócio brasileiro.

    Para continuar liderando o mercado global, o Brasil precisa equilibrar os efeitos do câmbio, promovendo um agronegócio resiliente, inovador e menos dependente de insumos estrangeiros.

  • Arroz, café e algodão: preços oscilam com dólar e mercado externo

    Arroz, café e algodão: preços oscilam com dólar e mercado externo

    Os preços do arroz em casca no Rio Grande do Sul mantêm estabilidade nos últimos dias, segundo pesquisas do Cepea. Ao mesmo tempo, agentes do setor estão atentos à valorização do dólar e aos leilões de opção de venda promovidos pelo Governo Federal. Em resumo, o último leilão registrou baixa demanda, indicando que os valores dos contratos estão abaixo das expectativas do mercado.

    Nas transações externas, dados da Secex analisados pelo Cepea apontam forte queda nas importações de arroz em casca em novembro. O Brasil comprou 74,76 mil toneladas, 38,1% menos que em outubro, o menor volume desde fevereiro de 2022. Além disso, as exportações também caíram no período, somando 111,79 mil toneladas em equivalente arroz em casca. Ou seja, isso representa uma redução de 8,98% em relação ao mês anterior e de 20,1% na comparação anual, sendo o menor volume embarcado desde junho deste ano.

    Cafeicultores alcançam maior poder de compra em relação à ureia

    Cafeicultores brasileiros estão em seu melhor momento de compra de ureia, insumo essencial na lavoura, segundo o Cepea. No Sul de Minas Gerais, uma tonelada de ureia custa cerca de 1,59 saca de café arábica tipo 6, considerando a parcial de dezembro. Portanto, esse é o cenário mais favorável desde o início da série histórica do Cepea, em 2008.

    O aumento no poder de compra reflete a alta expressiva nos preços do café ao longo de 2024. A oferta limitada no Brasil e no Vietnã tem reduzido os estoques mundiais. Apesar dos preços elevados, a demanda global por café segue aquecida, sustentando a valorização do produto.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Brasil acelera exportação de tilápia fresca aos EUA em novo modelo logístico
    + Agro em Campo: Brasil projeta avanços para 2025 e 2026 no mercado de açúcar

    Preços do algodão sobem com valorização do dólar

    O preço do algodão em pluma registra alta mais acentuada no início de dezembro, segundo o Cepea. A valorização do dólar frente ao real tem fortalecido a posição de vendedores, que seguram ofertas no mercado interno. Enquanto isso, indústrias se mantêm afastadas das compras no mercado spot, apontando estoques suficientes até o fim de 2024.

    Parte dos agentes já realiza contratos para entrega no próximo ano, especialmente com a atual cotação do dólar favorecendo exportações. O Indicador CEPEA/ESALQ, com pagamento em oito dias, atingiu R$ 4,2095/lp no dia 9 de dezembro, maior valor desde março de 2024. O acumulado de novembro apresenta alta de 3,5%.

     

  • Dólar em alta impulsiona preço da soja no mercado interno

    Dólar em alta impulsiona preço da soja no mercado interno

    O mercado de soja apresentou alta nos preços na última semana, impulsionado pela valorização do dólar. Segundo o Cepea, o cenário animou os produtores. Ou seja, eles estão mais confiantes para as vendas de 2025, apesar da previsão de uma safra recorde no Brasil.

    Em novembro, até o dia 28, o Indicador CEPEA/ESALQ – Paraná atingiu a média de R$ 140,46 por saca de 60 kg, o maior valor do ano em termos reais, considerando o IGP-DI de outubro.

    Pesquisadores destacam que o dólar, cotado em torno de R$ 6, encarece os insumos importados, como fertilizantes, o que pressiona os custos de produção, especialmente nas lavouras de segunda safra. Por outro lado, a valorização cambial beneficia a receita em Reais dos produtos exportados e fortalece a paridade de exportação.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Fiscais apreendem 18 toneladas de arroz irregular
    + Agro em Campo: Logística: produtores de café enfrentam falta de estrutura portuária

    Preço do milho segue em queda com clima favorável

    Enquanto isso, os preços do milho continuam em queda no mercado interno. A retração dos consumidores e a desvalorização nos mercados futuros e externos intensificaram a pressão sobre as cotações domésticas, conforme aponta o Cepea.

    As chuvas recentes têm favorecido o plantio e o desenvolvimento da safra verão, diminuindo o receio de atrasos no cultivo da segunda safra em 2025. As condições climáticas também aceleraram a semeadura de milho e soja, garantindo maior tranquilidade para os produtores.

    Pesquisadores do Cepea explicam que esse cenário climático favorável contribui para a manutenção da oferta e reduz temores de períodos fora da janela ideal para o plantio da próxima safra.

  • Vitória de Trump impulsiona preços da soja em Chicago

    Vitória de Trump impulsiona preços da soja em Chicago

    A vitória de Donald Trump na eleição presidencial dos Estados Unidos mexeu com os mercados, mas os preços da soja contrariaram expectativas. Nesta quarta-feira (6/11), os contratos de soja para janeiro subiram 0,20%, encerrando a sessão a US$ 10,0375 por bushel na Bolsa de Chicago.

    Dólar

    O dólar disparou no exterior após a vitória do candidato republicano, movimento que geralmente pressiona as commodities agrícolas. Durante o pregão, a soja chegou a cair para US$ 9,82, mas reverteu as perdas no fechamento.

    Segundo especialistas, o aumento recente nas exportações de soja dos EUA foi um fator-chave. Apesar da possibilidade de novas sanções e tarifas sobre exportações à China, os compradores asiáticos aceleraram as aquisições. Nas últimas semanas, os embarques semanais saltaram de 800 mil para mais de 2 milhões de toneladas.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: O que a vitória de Trump significa para o agronegócio brasileiro?
    + Agro em Campo: Estudo aponta cenário preocupante em áreas rurais do Paraná

    EUA x China

    Uma nova guerra comercial entre EUA e China, caso se confirme, pode favorecer o Brasil. Assim como em 2018, os chineses podem recorrer à soja brasileira. No entanto, a China já possui estoques suficientes para até dois meses, o que pode moderar o impacto no curto prazo.

    Milho e trigo também registram alta

    No mercado de milho, os contratos para dezembro subiram 1,85%, fechando a US$ 4,2625 por bushel. O trigo também encerrou em alta, com lotes para dezembro avançando 0,13%, para US$ 5,7325 por bushel.

    A reação positiva dos grãos, mesmo com a valorização do dólar, reforça a complexidade do mercado agrícola global e os efeitos de uma possível reconfiguração comercial entre as maiores economias do mundo.

  • Dólar e menor demanda externa pressionam preço da soja

    Dólar e menor demanda externa pressionam preço da soja

    A demanda externa enfraquecida e a desvalorização do dólar frente ao Real pressionaram as cotações da soja no Brasil na última semana. Em resumo, as pesquisas do Cepea mostram que a maior parte dos consumidores evitou compras de grandes volumes no curto prazo. Os compradores monitoram o avanço da colheita nos Estados Unidos, que já começou, atraindo os importadores e reduzindo a competição pelo produto brasileiro. Pesquisadores do Cepea destacam que essa situação ampliou a diferença entre os preços ofertados pelos compradores e os pedidos pelos vendedores no mercado interno. Em algumas regiões, a diferença chegou a superar R$ 5 por saca.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Expectativa de maior oferta global derruba preços da soja
    + Agro em Campo: Preço da mandioca atinge maior média semanal do ano

    Produção e importação de soja

    A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) divulgou dados atualizados sobre a produção e importação de soja no Brasil. A nova estimativa aponta para recorde na importação de soja em 20 anos. Além disso, apresenta uma leve redução na safra de soja, que agora é projetada em 153 milhões de toneladas, em comparação com os 153,2 milhões de toneladas previstos anteriormente. Essa diminuição ocorre em um contexto onde a colheita de 2023 atingiu um recorde de 160,3 milhões de toneladas.

    Recorde na importação

    Além da revisão na produção, a Abiove também elevou a previsão de importação de soja para 930 mil toneladas em 2024. Ou seja, um aumento significativo em relação à estimativa anterior de 800 mil toneladas. Portanto, esse volume de importação representa um salto considerável em comparação às 181 mil toneladas importadas em 2023. Se essa previsão se concretizar, será a maior importação de soja pelo Brasil desde 2003, quando o país importou 1,19 milhão de toneladas.

  • Negociações de arroz travadas no mercado interno

    Negociações de arroz travadas no mercado interno

    As negociações de arroz estão travadas. Na última semana, as negociações de arroz em casca no mercado spot nacional enfrentaram dificuldades. A disputa entre vendedores e compradores limitou os negócios.

    Segundo pesquisadores do Cepea, os orizicultores preferem vender a matéria-prima no porto de Rio Grande. As ofertas para exportação se mantêm mais vantajosas, mesmo com a queda recente do dólar.

    Negociações de arroz travadas

    No mercado interno, as transações foram pontuais. Os vendedores realizaram negócios conforme suas necessidades financeiras, na expectativa de uma valorização do arroz em casca. Do lado das unidades de beneficiamento, os preços de compra foram mantidos. Apenas aqueles com maior necessidade de reposição de estoques aceitaram pagar um pouco mais.

    A dificuldade na venda do arroz beneficiado, pressionada por varejistas e atacadistas, levou os agentes a adiar novas aquisições.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Arroz: acordo histórico vai monitorar preço e abastecimento
    + Agro em Campo: Rio Grande do Sul encerra a colheita de arroz