O preço da gasolina e do diesel continua pesando no bolso dos brasileiros. No entanto, muita gente ainda acredita que o valor cobrado nos postos depende apenas da Petrobras ou dos donos de postos. Na prática, diversos fatores nacionais e internacionais influenciam diretamente o preço final dos combustíveis no Brasil.
Atualmente, os custos de produção e importação representam cerca de 61% do valor final pago pelo consumidor. Já os tributos correspondem a 16%, enquanto os biocombustíveis somam 10%. Além disso, os custos de distribuição e revenda representam outros 13%, sendo aproximadamente 5% referentes à margem das distribuidoras.
Segundo o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom), o preço nas bombas resulta de uma cadeia complexa. Ou seja, nenhum setor sozinho é responsável pelas altas ou quedas observadas no mercado.
O que influencia o preço da gasolina e do diesel?
Diversos fatores ajudam a definir o valor final dos combustíveis no país. Entre os principais, estão:
- Cotação internacional do barril de petróleo;
- Variação do dólar;
- Contexto geopolítico internacional;
- Carga tributária federal e estadual;
- Custos logísticos;
- Mistura obrigatória de biocombustíveis.
Além disso, o Brasil ainda depende da importação de parte do diesel consumido internamente. Atualmente, cerca de 30% do diesel utilizado no país é importado. Dessa forma, importadoras e distribuidoras assumem riscos relacionados ao câmbio, ao transporte e às oscilações do mercado internacional para garantir o abastecimento nacional.
O setor de distribuição também exerce um papel importante no funcionamento da economia. Segundo dados do Sindicom, aproximadamente 200 mil veículos são abastecidos por hora em todos os municípios brasileiros.

Como o preço do combustível é formado?
O valor pago pelo consumidor é composto por quatro etapas principais: refinaria, biocombustíveis, impostos e distribuição.
Preço na refinaria
A Petrobras vende o combustível às distribuidoras ainda na refinaria. Esse valor sofre influência direta de fatores internacionais, principalmente:
- preço do barril de petróleo no mercado global;
- cotação do dólar.
Além disso, a estatal costuma seguir a chamada política de paridade internacional (PPI). Na prática, isso significa que os preços internos acompanham as oscilações do mercado externo.
Mistura com biocombustíveis
Antes de chegar aos postos, a gasolina e o diesel recebem a adição de biocombustíveis.
A gasolina, por exemplo, é misturada ao etanol anidro. Já o diesel recebe biodiesel na composição. Os preços desses produtos variam conforme fatores agrícolas, demanda interna, subsídios e condições de safra.
Tributos aumentam o valor nas bombas
Os impostos representam uma parcela relevante do preço dos combustíveis no Brasil. Entre os principais tributos cobrados estão:
- ICMS: imposto estadual sobre circulação de mercadorias e serviços;
- CIDE: contribuição federal voltada para infraestrutura de transporte e projetos ligados ao petróleo e gás;
PIS/Pasep e Cofins: tributos destinados ao financiamento de benefícios e programas sociais.
Assim, qualquer alteração tributária pode gerar impacto imediato nos preços praticados nos postos.

Distribuição e revenda também entram na conta
Os postos compram o combustível já misturado das distribuidoras e definem o valor final ao consumidor. Nesse cálculo, entram despesas com transporte, operação, funcionários, logística e margem de lucro.
Portanto, o preço exibido na bomba não reflete apenas o valor produzido pela refinaria.
Estreito de Ormuz pode afetar os combustíveis no Brasil
Mesmo distante do Oriente Médio, o Brasil também sente os reflexos das tensões internacionais. Um dos pontos mais estratégicos para o mercado mundial de petróleo é o Estreito de Ormuz, localizado entre o Golfo Pérsico e o Mar de Omã.
Atualmente, cerca de 20% do petróleo mundial passa pela região.
Em 2025, por exemplo, os conflitos envolvendo Irã, Israel e os Estados Unidos elevaram o alerta global. O Parlamento iraniano chegou a sugerir o fechamento do estreito como resposta às tensões internacionais.
Somente a possibilidade de interrupção no fluxo de petróleo já provocou preocupação no mercado internacional.
Entre os possíveis impactos estão:
- elevação do barril do petróleo Brent para até US$ 130;
- aumento dos custos de transporte marítimo e seguros;
- alta do risco geopolítico e maior pressão inflacionária.
Mesmo sendo um importante produtor de petróleo, o Brasil ainda importa combustíveis refinados e segue referências internacionais de preços. Por isso, qualquer instabilidade externa pode provocar aumento no valor da gasolina, do diesel, do frete, dos alimentos e até das passagens de transporte público.









