Tag: crise

  • Investigação da China sobre carne pode impactar seu bolso

    Investigação da China sobre carne pode impactar seu bolso

    A suspensão temporária de importações e a investigação da China sobre irregularidades em lotes de carne bovina podem desencadear reflexos significativos no mercado brasileiro, com potencial de afetar tanto o bolso do consumidor quanto a rentabilidade dos produtores rurais.

    A China, maior importadora de carne bovina do Brasil, iniciou uma investigação sobre supostas irregularidades em lotes exportados. A medida ocorre após relatos de falhas na documentação e discrepâncias nas inspeções sanitárias. Esse cenário, aliado à suspensão temporária de novos embarques, pode gerar um excedente de oferta no mercado interno, pressionando para baixo os preços da carne no Brasil, mas também acentuando desafios para o setor produtivo.

    Queda no preço interno e alívio temporário para o consumidor

    Com o bloqueio parcial das exportações para o principal destino da carne brasileira – responsável por 60% das vendas externas do produto –, o excedente de carne que antes seria enviado à China tende a ser redirecionado ao mercado interno. Isso pode reduzir os preços nos supermercados, beneficiando o consumidor brasileiro a curto prazo.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Área cultivada com azevém no Brasil tem crescido
    + Agro em Campo: Empresário do agronegócio morre atropelado por escolta em treino de ciclismo

    “Quando há uma queda na demanda externa, o mercado interno absorve o excedente, o que costuma provocar uma redução nos preços. No entanto, é uma queda que, em geral, não se sustenta no longo prazo, pois depende de como o setor se ajustará às novas condições”. Isso é o que explica o economista agrícola João Ribeiro.

    Prejuízos para produtores e impacto na cadeia produtiva

    Por outro lado, o bloqueio pode gerar prejuízos significativos para os pecuaristas, que enfrentam aumento nos custos de produção, como insumos e transporte, enquanto lidam com margens de lucro reduzidas. Muitos produtores podem ser forçados a renegociar contratos ou buscar novos mercados internacionais para minimizar perdas.

    Além disso, a falta de previsibilidade nas negociações com a China eleva a incerteza no setor. “A dependência do mercado chinês torna o Brasil vulnerável a ações como essa. Os produtores ficam expostos à volatilidade, o que afeta investimentos e o planejamento de médio e longo prazo”, alerta Ribeiro.

    A suspensão das exportações também pode pressionar o governo brasileiro a intensificar as negociações diplomáticas com a China. A relação entre os dois países é crucial, dado que a carne bovina representa uma fatia significativa da balança comercial brasileira.

    O Ministério da Agricultura já anunciou que está em contato com autoridades chinesas para esclarecer os pontos da investigação e retomar os embarques o mais rápido possível. No entanto, o processo pode levar semanas ou até meses, gerando impactos acumulados no setor.

    Possíveis desdobramentos no preço da carne

    A longo prazo, a retração das exportações pode levar a uma reorganização no mercado interno, impactando o preço da carne de forma menos previsível. Caso a suspensão persista, a queda no preço interno pode ser acompanhada por uma redução na produção. Isso resultaria em novos reajustes de preços para os consumidores.

    Além disso, a menor entrada de divisas do mercado internacional pode refletir em um enfraquecimento de investimentos no setor agropecuário, comprometendo o ritmo de crescimento da cadeia produtiva.

    Especialistas destacam a importância de diversificar os destinos das exportações brasileiras, reduzindo a dependência do mercado chinês. Países como Estados Unidos, Egito e mercados europeus podem ser alternativas viáveis, mas exigem adaptações sanitárias e logísticas que demandam tempo e investimentos.

    “Essa situação ressalta a necessidade de o Brasil fortalecer sua posição em outros mercados e aprimorar os controles internos para evitar falhas que comprometam a credibilidade do produto nacional”, avalia a analista de comércio exterior Paula Machado.

  • Agricultores alertam para crise no abastecimento global

    Agricultores alertam para crise no abastecimento global

    Com o aquecimento global em curso, agricultores ao redor do mundo estão enfrentando uma crise para cultivar culturas que tradicionalmente prosperaram em suas regiões no Brasil e no Mundo. As mudanças climáticas têm imposto desafios crescentes à agricultura, afetando diretamente a produtividade e a viabilidade econômica do setor. O regime irregular de chuvas é um dos principais problemas enfrentados.

    Regiões que tradicionalmente apresentavam um padrão pluviométrico mais estável agora sofrem com períodos prolongados de estiagem ou chuvas excessivas, impactando a produção de culturas essenciais como soja, milho e café.

    O aumento das temperaturas médias também exerce pressão sobre as colheitas. Plantas como o café arábica, que prosperam em climas mais amenos, têm visto seus ciclos de crescimento alterados, prejudicando a qualidade e o rendimento dos grãos. Esses picos de calor aceleram o desenvolvimento das plantas, reduzindo o tempo para o amadurecimento adequado e comprometendo a colheita.

    Fenômenos climáticos extremos

    Outro efeito marcante é a maior frequência de fenômenos climáticos extremos, como enchentes e tempestades de granizo. Esses eventos causam danos imediatos às plantações e à infraestrutura agrícola, gerando prejuízos financeiros substanciais para os produtores.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Benchmark Agro é realizado na sede da CNA em Brasília
    + Agro em Campo: Estudo aponta cenário preocupante em áreas rurais do Paraná

    Além disso, o clima mais quente e úmido facilita a disseminação de pragas e doenças agrícolas. A ferrugem asiática da soja e a broca-do-café são exemplos de problemas que se tornaram mais persistentes com o avanço das mudanças climáticas. Essa situação leva a um aumento nos custos de produção, pois exige mais investimento em defensivos agrícolas e estratégias de manejo.

    A escassez de água também se tornou um fator crítico. Reservatórios com níveis baixos afetam os sistemas de irrigação, limitando a capacidade de pequenos e grandes produtores de manterem a produtividade durante os períodos de seca prolongada.

    Desafios no cultivo da batata

    Um exemplo alarmante é a batata, que está se tornando cada vez mais difícil de cultivar na Pensilvânia, o maior estado produtor de batatas fritas dos Estados Unidos, segundo informações do Marketplace.

    As batatas precisam de noites frescas para se desenvolver adequadamente, mas na Pensilvânia essas noites estão se tornando cada vez mais raras. Bob Leiby, agrônomo da Cooperativa de Produtores de Batata da Pensilvânia, explica que na década de 1980 havia cerca de 35 noites por ano que eram quentes demais para as plantações. Atualmente, esse número subiu para quase 50 noites por ano. Para quem vive disso, é um grave sinal de crise.

    Como resultado, os agricultores locais estão lutando para produzir batatas suficientes para atender à demanda dos fabricantes de chips do estado. Essa escassez forçou as empresas a buscar batatas de fora da Pensilvânia. Isso não apenas aumenta os custos de transporte, mas também contribui para a poluição do ar devido ao transporte marítimo.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: EPA aprova novo herbicida glufosinato-P
    + Agro em Campo: O que a vitória de Trump significa para o agronegócio brasileiro?

    Essas dificuldades têm um impacto direto nos preços para os consumidores. De acordo com o Bureau of Labor Statistics, o custo médio de um saco de batatas fritas de 16 onças subiu de menos de US$ 4,50 para cerca de US$ 6,50 na última década.

    Consequências das falhas nas colheitas

    A situação das colheitas de batata na Pensilvânia ilustra como as mudanças climáticas estão ameaçando o abastecimento alimentar global. Outros exemplos incluem secas severas que afetaram as culturas de arroz, milho e artemísia na China e as plantações de milho na Colômbia. Além disso, apicultores no México e muitos outros agricultores em todo o mundo também enfrentam dificuldades devido a condições climáticas extremas.

    Para enfrentar essas quebras de safra, cientistas estão se dedicando à edição genética de diversas plantas, buscando torná-las mais resistentes a condições climáticas adversas como calor intenso e seca. No entanto, essa abordagem pode não ser suficiente se o aquecimento global continuar sem controle.

    Para resolver efetivamente a crise no abastecimento alimentar, é crucial que a sociedade transite de fontes de energia poluentes, como gás e petróleo, para alternativas limpas e renováveis, como energia eólica e solar. Essa mudança é fundamental para mitigar os efeitos das mudanças climáticas e garantir um futuro sustentável para a agricultura global.

  • Danone confirma continuidade na compra de soja brasileira

    Danone confirma continuidade na compra de soja brasileira

    A presidente da Danone na América Latina, Silvia Dávila, afirmou nesta quarta-feira (30) que a empresa “continua comprando soja brasileira, em conformidade com as regulamentações locais e internacionais”. A declaração foi divulgada por meio de uma nota na página oficial da Danone global no LinkedIn.

    Silvia lamentou as informações incorretas que circulam sobre a Danone e a origem da soja brasileira. Sua afirmação ocorre seis dias após o diretor financeiro global da empresa, Juergen Esser, ter declarado à agência Reuters, em Londres, que a Danone havia deixado de importar soja do Brasil. Essa declaração gerou uma reação negativa entre os produtores de soja brasileiros e o Ministério da Agricultura.

    Na nota desta quarta-feira, Silvia não abordou diretamente a declaração de Esser. No dia anterior, a Danone do Brasil já havia afirmado que “a informação veiculada não procede” e que a empresa continua comprando o grão nacional. A presidente destacou que, na União Europeia, “os produtores de leite obtêm sua ração diretamente de fornecedores de sua escolha”. E que “a soja brasileira é um insumo importante para a indústria” na região.

    Contexto da declaração

    Na reportagem da Reuters publicada na última sexta-feira (25), Esser não explicou os motivos pelos quais a empresa teria interrompido as importações de soja brasileira. Ele afirmou: “Nós não obtemos soja do Brasil mais”, acrescentando que a multinacional agora estava “absolutamente” importando soja da Ásia. O diretor financeiro também mencionou que a Danone possui um rastreamento completo para garantir que utiliza apenas ingredientes sustentáveis.

    Reação do setor

    A fala de Esser gerou críticas da Aprosoja, associação dos produtores de soja, que classificou suas declarações como uma “demonstração de desconhecimento” do processo produtivo no Brasil. A associação alertou que os produtores rurais brasileiros, cansados de serem injustamente apontados como vilões, podem considerar boicotar a Danone e outras marcas globais.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: É importante defender o agro brasileiro, afirma Pacheco
    + Agro em Campo:  Petrobras investe R$ 3,5 bilhões em fábrica de fertilizantes no MS

    O governo brasileiro também se manifestou em resposta às declarações da Danone e de outras empresas do setor agroalimentar europeu que optaram por interromper a aquisição de soja do Brasil. O Ministério da Agricultura criticou as “posturas intempestivas e descabidas” anunciadas por empresas europeias com forte presença no mercado brasileiro.

    Na mesma data, a Danone do Brasil divulgou uma nota reafirmando seu compromisso em continuar comprando soja nacional. O comunicado de Silvia Dávila foi postado na página do LinkedIn da empresa em inglês e posteriormente traduzido para o português pela comunicação da Danone do Brasil.

    Leia a nota na íntegra

    “Lamentamos as informações incorretas que circulam sobre a Danone e a origem da soja brasileira. Confirmamos que a Danone continua comprando soja brasileira, em conformidade com as regulamentações locais e internacionais.

    Reconhecemos o notável compromisso do governo brasileiro em preservar as florestas locais e seus sólidos programas dedicados à proteção da floresta amazônica e ao avanço da agricultura sustentável de soja. Também reconhecemos as associações de classe e os agricultores brasileiros que têm se dedicado incansavelmente à sustentabilidade e à inovação no campo.

    A Danone tem uma forte presença no Brasil há mais de 50 anos e investe anualmente em ações que priorizam o apoio e o desenvolvimento de grandes e pequenos produtores locais, incentivando práticas mais sustentáveis em toda a nossa cadeia de suprimentos.

    Reprodução – Linkedin

    A soja brasileira é um insumo essencial na cadeia de suprimentos de ração animal da Danone para os produtores de leite no Brasil. E continua a ser utilizada, com a maior parte desse volume sendo disponibilizada a eles por meio da Central de Compras da Danone. Incluindo processos que garantem sua origem de áreas não desmatadas.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Camu-camu, conheça o novo ouro da Amazônia
    + Agro em Campo: Minerva conclui compra da Marfrig por R$ 5,86 bilhões

    Em outras regiões, como na UE, onde produtores de leite obtêm sua ração diretamente de fornecedores de sua escolha, a soja brasileira é um insumo importante para a indústria. A Danone trabalha ativamente com os produtores de leite para garantir que a soja seja proveniente de fontes sustentáveis e verificadas como livres de desmatamento, independentemente da origem geográfica. Também incentivamos ativamente os produtores de leite a comprarem ração apenas de comerciantes que respeitem seus compromissos ou possuam certificações credíveis.

    Mais uma vez, reafirmamos com orgulho o compromisso inabalável da Danone com todos os nossos stakeholders no Brasil. Incluindo fornecedores, agricultores, governo, consumidores, clientes e comunidades.

    Silvia Dávila, membro do Comitê Executivo Global e Presidente Regional América Latina na Danone.”

  • Crise hídrica ameaça a produção de alimentos no Brasil

    Crise hídrica ameaça a produção de alimentos no Brasil

    A crise hídrica que afeta boa parte do Brasil tem trazido sérias preocupações para a produção de alimentos no país, especialmente em estados que dependem fortemente de recursos hídricos para irrigação, como Minas Gerais, São Paulo e o Nordeste. A escassez de água e a irregularidade das chuvas comprometem a produção agrícola, impactando diretamente tanto o abastecimento interno quanto as exportações de importantes commodities.

    De acordo com estimativas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a crise hídrica já provoca aumentos de custo para produtores que precisam adotar medidas emergenciais para manter suas plantações irrigadas. “Estamos vivendo um cenário de grande desafio, e a tendência é que, se não houver recuperação dos reservatórios, a produção de alimentos caia drasticamente nos próximos meses”, alerta Antônio da Luz, economista da CNA. A produção de culturas como milho, feijão, soja, café e frutas tem sido afetada, o que pode resultar em aumentos de preços no mercado.

    No setor da fruticultura irrigada, particularmente nas regiões do Vale do São Francisco, responsável por grande parte da produção de frutas do Brasil, os produtores têm adotado práticas de irrigação mais eficientes para mitigar os danos. “A situação é crítica. Temos trabalhado para reduzir o consumo de água sem afetar a qualidade das frutas, mas já há sinais de perda de produtividade”, afirmou Guilherme Coelho, presidente da Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas (Abrafrutas).

    Queda na safra

    De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção de cereais, leguminosas e oleaginosas para 2024 deve totalizar 295,1 milhões de toneladas, representando uma queda de 6,4% em relação ao ano anterior. A redução é atribuída, em parte, à falta de água para irrigação. “A crise hídrica afeta diretamente a capacidade dos agricultores de manter a produção em níveis adequados”, afirma o economista da Embrapa, João Paulo Ribeiro.

    A área destinada ao cultivo de milho e soja, dois dos principais produtos agrícolas do Brasil, também sofreu impactos. O milho, por exemplo, apresenta uma estimativa de produção de 116,7 milhões de toneladas, com uma queda significativa nas safras. “Se não conseguirmos garantir água suficiente para irrigação, corremos o risco de ver essas estimativas ainda mais reduzidas”, alerta Ribeiro.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Inteligência Artificial promete revolucionar a gestão de irrigação na agricultura
    + Agro em Campo: Descubra quais são os municípios mais ricos do agro brasileiro

    A crise hídrica também afeta diretamente a pecuária. A falta de pastagem e água reduz a capacidade de alimentação do gado, o que prejudica a produção de carne e leite. O coordenador de pecuária da Emater-MG, Roberto Freitas, destaca: “Os pecuaristas enfrentam enormes dificuldades para garantir a alimentação do rebanho. A seca prolongada não só compromete a qualidade das pastagens, mas também o abastecimento de água nos bebedouros”.

    Consequências econômicas

    A crise hídrica não afeta apenas os produtores individuais; suas repercussões podem ser sentidas em toda a economia. O aumento nos preços dos alimentos é uma preocupação crescente. Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), as expectativas para a safra de soja já foram reduzidas devido à falta de chuvas. “Estamos vendo um aumento nos pedidos de recuperação judicial entre os produtores rurais devido às perdas nas lavouras”, afirma o presidente da associação, André Nassar.

    A necessidade de manejo hídrico e o impacto no setor energético

    O manejo hídrico adequado se torna essencial em tempos de crise. A pesquisadora da Embrapa Semiárido, Magna Moura, destaca que “a adoção de técnicas eficientes de irrigação pode ajudar a mitigar os efeitos da seca”. Ela recomenda o uso de sensores para monitorar a umidade do solo e ajustar a irrigação conforme necessário.

    Moura também enfatiza que muitos produtores ainda utilizam mais água do que o necessário. “O excesso de irrigação não só desperdiça água como também pode levar à lixiviação de nutrientes do solo”, explica. Para ela, um manejo hídrico mais consciente pode resultar em economias significativas e garantir uma produção mais sustentável.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: PIB do agronegócio recua 3,5% no acumulado de 2024
    + Agro em Campo: Extremos climáticos causam prejuízos bilionários ao agronegócio brasileiro

    Além da escassez de água, o impacto no setor energético também gera preocupação. As usinas hidrelétricas, responsáveis pela maior parte da energia no Brasil, têm operado em níveis baixos, o que pode levar a aumentos na conta de energia. Para os agricultores, isso significa um custo maior para manter sistemas de irrigação e processamento funcionando. “A combinação de baixa oferta de água e aumento dos custos de energia pode resultar em um cenário de forte pressão nos preços dos alimentos no mercado interno”, explica a engenheira agrônoma Juliana Diniz, da Embrapa.

    Práticas mais sustentáveis e gestão são fundamentais

    Com a crise climática global se agravando, especialistas alertam que as crises hídricas podem se tornar mais frequentes e intensas nos próximos anos. Por isso, a adoção de práticas mais sustentáveis e a gestão eficiente dos recursos hídricos são fundamentais. “Precisamos repensar urgentemente o uso da água na agricultura e investir em tecnologias que reduzam o consumo sem prejudicar a produção. Caso contrário, o Brasil, um dos maiores produtores de alimentos do mundo, pode ver sua segurança alimentar comprometida”, conclui Francisco Lima, professor de gestão de recursos hídricos da Universidade Federal de Viçosa (UFV).

    A crise hídrica atual levanta um alerta vermelho para o futuro da produção de alimentos no Brasil, exigindo uma resposta rápida e coordenada entre governo, produtores e instituições de pesquisa para minimizar os impactos e garantir a sustentabilidade do setor agrícola. Sendo assim, sem medidas eficazes, o futuro da agricultura brasileira pode estar em risco.

  • Crise do Vinho: 30 mil hectares de vinhedos destruídos na França

    Crise do Vinho: 30 mil hectares de vinhedos destruídos na França

    A França enfrenta uma crise sem precedentes em seu setor vinícola, levando o governo a decidir pela destruição de 30 mil hectares de vinhedos, o que representa cerca de 4% da área total dedicada à produção de vinho no país.

    O plano levou vários meses para aprovação, porque “na PAC (política agrícola comum) não há medida de arranque”, explica Jérôme Despey, presidente do conselho dedicado ao vinho da associação FranceAgriMer.

    Para enfrentar essa crise, o Ministério da Agricultura da França anunciou “um incentivo financeiro de 4 mil euros por hectare destruído para os produtores que aceitarem participar do programa, com orçamento total de 120 milhões de euros”.

    O objetivo é reduzir a oferta no mercado e evitar uma queda drástica nos preços dos vinhos. Essa ação foca principalmente nos vinhedos de grande produção.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Produtor de jabuticaba investe em técnologia para aumentar produtividade
    + Agro em Campo: Agreste pernambucano se torna produtor de vinhos finos em meio a seca

    Em comunicado, o governo francês anunciou que “a ajuda seria concedida aos agricultores que abandonem, à superfície assim desenraizadas, a produção de autorizações de replantação, e que também renunciam a mobilizar ou solicitar, durante as seis campanhas vitivinícolas de 2024 a 2029 inclusive, autorizações para novas plantações”.

    Impacto no Setor

    Com aproximadamente 789 mil hectares dedicados à viticultura em 2023, a destruição planejada representa uma medida drástica que pode ter consequências significativas para a economia regional e nacional.

    Apesar da diminuição na área plantada, os preços dos vinhos ícones, como os grandes Bordeaux e Bourgogne, continuam a subir anualmente.

    A decisão do governo reflete a urgência em reequilibrar o setor vinícola francês diante das mudanças nos hábitos de consumo e da crescente concorrência internacional.

    Essa situação destaca não apenas os desafios enfrentados pelos produtores locais, mas também a importância cultural e econômica do vinho na sociedade francesa.

    Crise do Vinho

    A diminuição do consumo de vinho na França é atribuída a diversos fatores. Primeiramente, apenas um terço das pessoas com menos de 40 anos consome vinho atualmente.

    Os jovens têm mudado seus hábitos alimentares e preferido bebidas como cerveja, especialmente em refeições rápidas. Além disso, quando optam por vinho, tendem a escolher variedades mais leves, como brancos e rosés.

    Outro aspecto relevante é a queda nas exportações. Em 2023, as vendas de vinhos franceses para o exterior caíram 10% em relação ao ano anterior.

    A China, um dos principais importadores, reduziu suas compras e aumentou sua própria produção. Por outro lado, produtos de países como Itália e Espanha ganham espaço no mercado francês.

  • A situação da agricultura na Venezuela: um comparativo entre o presente e vinte anos atrás

    A situação da agricultura na Venezuela: um comparativo entre o presente e vinte anos atrás

    Nos últimos 20 anos, a agricultura na Venezuela passou por uma transformação dramática. O setor, que já foi um dos pilares da economia venezuelana, enfrenta atualmente uma série de desafios que comprometeram sua produtividade e sustentabilidade.

    Duas décadas atrás, a agricultura venezuelana vivia um cenário muito diferente. Durante os anos 1990 e início dos anos 2000, o país ainda mantinha uma produção agrícola diversificada e relativamente estável, apesar da crescente dependência da economia em relação à exportação de petróleo. A Venezuela produzia uma variedade de alimentos, como milho, arroz, café, cacau, e frutas tropicais, e conseguia atender grande parte da demanda interna, além de exportar produtos agrícolas para outros países.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Como democracia pode liberar o potencial agrícola da Venezuela
    + Agro em Campo: Empresas brasileiras participam de missão empresarial no Uruguai

    O setor agrícola contava com o apoio governamental em termos de subsídios, crédito e políticas que incentivavam a produção e o desenvolvimento rural. Além disso, a infraestrutura rural, incluindo estradas, sistemas de irrigação e assistência técnica, estava em melhores condições, facilitando o escoamento da produção e o acesso dos agricultores a insumos e mercados.

    A agricultura na Venezuela hoje

    Atualmente, a agricultura na Venezuela enfrenta uma profunda crise. A produção agrícola do país caiu drasticamente, afetada por uma combinação de políticas governamentais ineficazes, falta de investimentos, escassez de insumos e uma infraestrutura deteriorada. A reforma agrária implementada nos primeiros anos do governo de Hugo Chávez, que visava redistribuir terras, resultou em uma fragmentação das grandes propriedades e na queda da produtividade agrícola, já que muitas das terras redistribuídas não foram adequadamente aproveitadas devido à falta de recursos e assistência técnica.

    A escassez de insumos agrícolas, como fertilizantes, sementes e defensivos, é um dos principais problemas enfrentados pelos produtores. Essa escassez é agravada pela dificuldade de importar esses produtos devido às restrições econômicas e cambiais.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Doença da Língua Azul – autoridades sanitárias da Europa em alerta
    + Agro em Campo: O papel da agricultura na economia do Uruguai

    Consequentemente, a Venezuela, que anteriormente era autossuficiente em vários produtos agrícolas, agora depende fortemente da importação de alimentos básicos. Produtos básicos, como arroz, feijão e milho, que antes eram produzidos em larga escala no país, agora precisam ser adquiridos no mercado internacional. A insegurança alimentar é uma realidade para grande parte da população, e o setor agrícola luta para se reerguer em meio a um ambiente de incertezas e desafios.

    Comparação entre passado e presente

    A comparação entre o cenário agrícola de 20 anos atrás e o atual revela um declínio significativo na capacidade produtiva do país. Enquanto no passado a Venezuela conseguia sustentar sua população com uma produção agrícola diversificada e robusta, hoje a situação é de extrema fragilidade.  A produção é insuficiente e tem uma crescente dependência de importações.

    Reprodução Instagram @nicolasmaduro

    O futuro da agricultura venezuelana depende da implementação de políticas que incentivem o investimento no setor. E também da recuperação da infraestrutura rural e do fornecimento de insumos necessários para reativar a produção. Porém, sem essas medidas, a agricultura do país continuará enfrentando dificuldades, impactando diretamente a segurança alimentar da população e a economia nacional.

    Porém, com a insegurança politica que ocorre no país, e a briga entre o atual governo, que se perpetua no poder de toda forma, esse  investimento no agro venezuelano parece algo muito distante de se tornar realidade. Enquanto isso os venezuelanos ficam sem ter o que fazer, a não ser lutar para sobreviver.