Tag: crise

  • Fazendas do Grupo Bertolo vão a leilão em SP para pagar dívida

    Fazendas do Grupo Bertolo vão a leilão em SP para pagar dívida

    A Justiça determinou o leilão de três propriedades rurais pertencentes à massa falida da Floralco Açúcar e Álcool, empresa do extinto Grupo Bertolo, localizadas em Santa Adélia, no interior de São Paulo. Juntas, as áreas somam cerca de 109,8 hectares e estão avaliadas em aproximadamente R$ 8,7 milhões.

    A plataforma Teza Leilões realizará o leilão de forma online com o objetivo principal de arrecadar recursos para pagar parte da dívida da companhia, atualmente estimada em R$ 2,11 bilhões.

    Etapas

    O processo será dividido em três etapas. A primeira fase começa em 8 de maio, com lances a partir do valor total de avaliação dos imóveis. Caso não haja propostas, a segunda etapa será iniciada em 12 de maio, permitindo descontos de até 50%. Se ainda assim não houver arremates, uma terceira fase ocorrerá entre 27 de maio e 11 de julho, com lances mínimos a partir de R$ 1 mil.

    As propriedades estão organizadas em três lotes distintos. O maior deles possui 58,08 hectares, avaliado em R$ 4,6 milhões, com infraestrutura completa que inclui casa-sede com 12 cômodos, imóveis de apoio, residências para funcionários, energia elétrica e abastecimento de água.

    O segundo lote conta com 38,39 hectares e está avaliado em R$ 3,07 milhões. A área tem localização estratégica às margens da Rodovia Washington Luís (SP-310), um dos principais corredores logísticos do estado de São Paulo.

    Já o terceiro lote possui 13,35 hectares, com valor estimado em R$ 1,06 milhão. A propriedade inclui casa-sede, pomar com árvores frutíferas e área destinada à produção agrícola, sendo uma opção atrativa para pequenos e médios produtores.

    Os interessados devem acessar o portal da Teza Leilões, onde estão disponíveis os editais, documentos e orientações para habilitação e envio de propostas.

    Crise e falência do Grupo Bertolo

    Fundado na década de 1930 como um negócio familiar voltado à produção artesanal de rapadura e cachaça, o Grupo Bertolo se consolidou como um dos principais nomes do setor sucroalcooleiro no Brasil. A empresa expandiu suas operações com as usinas Bertolo e Floralco, atuando na produção de açúcar, etanol, energia e comercialização agrícola.

    A crise financeira teve início em 2007, agravada pela queda nos preços do setor e pela crise econômica global de 2008. Que reduziu o crédito e pressionou os preços internacionais. Em 2010, o grupo entrou com pedido de recuperação judicial, apontando fatores como alto endividamento, dificuldades operacionais, vendas antecipadas e falta de capital de giro.

    Sem conseguir reverter o cenário, a empresa acumulou prejuízos, interrompeu atividades e deixou de cumprir obrigações financeiras, levando à decretação da falência em 2017.

    Desde então, a empresa vendeu diversos ativos, incluindo imóveis, áreas agrícolas e equipamentos industriais.Um dos principais negócios foi a venda da Usina Floralco, em 2019, por R$ 54 milhões. Até o momento, a liquidação de ativos já arrecadou mais de R$ 197 milhões.

  • Crise global eleva custos e ameaça cadeia do trigo no Brasil, alerta Abitrigo

    Crise global eleva custos e ameaça cadeia do trigo no Brasil, alerta Abitrigo

    A Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) alertou para os efeitos da atual crise global sobre a cadeia do trigo no Brasil, que já enfrenta forte alta de custos e riscos de impacto nos preços da farinha e de derivados como pão, massas e biscoitos.

    Segundo a entidade, o agravamento das condições econômicas internacionais, impulsionado pelas consequências do conflito no Irã, vem elevando despesas em toda a cadeia de produção. A alta do petróleo impulsiona o preço do diesel e dos fretes, enquanto as cotações do trigo sobem no Brasil e no exterior. Somam-se a isso o encarecimento de insumos, embalagens e seguros internacionais, criando um cenário de forte pressão sobre a indústria moageira.

    Além do contexto externo, o setor enfrenta fatores internos que agravam o cenário. A aplicação de alíquotas de PIS e COFINS sobre o trigo importado, com redução de benefícios fiscais, aumentou a carga tributária de produtos básicos, como a farinha de trigo. Essa mudança limita a capacidade da indústria de absorver custos e aumenta o risco de repasse parcial ao consumidor.

    Medidas pra evitar o pior cenário

    Mesmo diante desse quadro desafiador, a Abitrigo destaca que as empresas do setor têm buscado medidas de mitigação. Entre as ações estão a diversificação de origens de trigo e fornecedores, a otimização de estoques, o replanejamento logístico e o uso de instrumentos de gestão de risco de preços. A entidade também mantém diálogo constante com autoridades e formuladores de políticas públicas. Para também defender medidas que assegurem a competitividade do setor e a estabilidade do abastecimento.

    “Nosso compromisso é garantir o fornecimento estável da farinha de trigo. Que é essencial na mesa dos brasileiros, mesmo em um ambiente de instabilidade global”, afirmou o presidente-executivo da Abitrigo, Rubens Barbosa.

  • Com dívida de R$ 65 bi, Raízen aciona recuperação extrajudicial e busca apoio

    Com dívida de R$ 65 bi, Raízen aciona recuperação extrajudicial e busca apoio

    A Raízen (RAIZ4) protocolou nesta quarta-feira (11) pedido de recuperação extrajudicial na Comarca da Capital de São Paulo para reestruturar aproximadamente R$ 65,1 bilhões em dívidas financeiras. A joint venture entre a Cosan (CSAN3) e a Shell construiu o plano em acordo com seus principais credores quirografários (aqueles sem garantia real) e já obteve adesão expressa de detentores de mais de 47% das dívidas financeiras, percentual mínimo exigido para protocolar o pedido.

    O processo tem escopo estritamente financeiro. Dívidas com clientes, fornecedores, revendedores e demais parceiros comerciais ficam fora do plano e continuarão sendo honradas normalmente, conforme os contratos vigentes.

    O que o plano prevê

    Segundo a companhia, o plano de reestruturação pode incluir injeção de capital pelos acionistas, conversão de parte das dívidas em participação acionária, alongamento de prazos de pagamento, mudanças na estrutura societária e venda de ativos.

    A Raízen terá 90 dias, a partir do processamento da recuperação extrajudicial, para atingir o percentual mínimo necessário à homologação do plano. Uma vez homologado, o acordo passa a vincular 100% dos créditos sujeitos às novas condições de pagamento. Inclusive aqueles cujos detentores não aderiram voluntariamente.

    Shell e família Ometto entram com R$ 4 bilhões

    Parte central do processo é a capitalização de R$ 4 bilhões liderada pela Shell. O plano prevê um aporte de R$ 3,5 bilhões da petroleira britânica e mais R$ 500 milhões de um veículo de investimento ligado à família do empresário Rubens Ometto, controlador da Cosan. O capital reforçaria o caixa da empresa enquanto ela renegocia as dívidas com os credores.

    Foto: Divulgação Raízen

    A Cosan, por sua vez, não deve participar diretamente da capitalização, embora acompanhe as negociações na condição de acionista. “Nós como acionistas e conselheiros temos acompanhado esta evolução e acreditamos que nos próximos dias a gente deva ter novos desdobramentos desse plano”, afirmou o CEO da holding, Marcelo Martins, em teleconferência com analistas.

    Como a Raízen chegou até aqui

    A situação financeira da Raízen se deteriorou ao longo dos últimos anos sob o peso de investimentos elevados em expansão, instabilidade climática nas safras de cana-de-açúcar e juros altos no Brasil. Fatores que corroeram o caixa da maior produtora de etanol de segunda geração do mundo. A dívida líquida da empresa alcançou R$ 55,3 bilhões no fim de dezembro de 2024, segundo dados divulgados anteriormente pela companhia.

    Nos dias que antecederam o anúncio, a Cosan já sinalizava ao mercado que uma solução estava próxima. O CEO Marcelo Martins descreveu as conversas com credores e acionistas como “bastante avançadas”. “Isso tudo acabou resultando em uma conversa estruturada com os credores, e que nós acreditamos hoje que deva levar a uma evolução que a gente possa encontrar uma solução satisfatória para o mercado que resolva definitivamente o problema de Raízen”, disse o executivo.

    Foto: Divulgação – Raízen

    Em fevereiro, a própria Raízen já havia comunicado ao mercado que avaliava a recuperação extrajudicial como caminho para reorganizar o endividamento.

    O que é recuperação extrajudicial?

    Diferente da recuperação judicial, processo mais amplo que envolve o Judiciário desde o início. E suspende execuções, a recuperação extrajudicial permite que empresas negociem diretamente com credores e levem o acordo ao juiz apenas para homologação. O mecanismo, previsto na Lei 11.101/2005, é mais célere e preserva melhor a imagem da companhia perante o mercado, segundo especialistas em direito empresarial.

    A Raízen é uma das maiores empresas do agronegócio brasileiro, com operações em açúcar, etanol, incluindo etanol de segunda geração a partir do bagaço de cana, e distribuição de combustíveis. A companhia opera mais de 35 usinas no Brasil e está presente em mais de 6.000 postos de combustíveis sob as bandeiras Shell e Raízen.

  • Consumo de cerveja cai 19% no Brasil e categoria enfrenta crise

    Consumo de cerveja cai 19% no Brasil e categoria enfrenta crise

    A indústria cervejeira brasileira enfrenta uma transformação que vai muito além dos recentes anúncios de reestruturação. Dados da Worldpanel by Numerator revelam uma mudança estrutural no comportamento do consumidor: a cerveja está perdendo espaço nos finais de semana, seu território tradicional.

    As ocasiões anuais de consumo dentro do lar caíram 19,4% nos 12 meses até junho de 2025 em comparação com o ano anterior, totalizando 167,7 milhões de ocasiões. O recuo concentra-se nos finais de semana (sexta a domingo), que registraram queda de 25,4%. Em contraste, os dias de semana (segunda a quinta) cresceram 6,2% em participação nas ocasiões.

    “O setor enfrenta um ajuste que não é apenas financeiro. Estamos vendo uma redefinição do papel da cerveja na rotina do brasileiro. O desafio deixou de ser apenas volume. Passou a ser relevância”, afirma David Fiss, Diretor Sênior de Novos Negócios da Worldpanel by Numerator no Brasil.

    Brasileiro troca momento social por consumo solitário

    O consumo individual saltou de 13,6% das ocasiões em 2024 para 22,4% em 2025, um crescimento de 64%. A cerveja deixa de ocupar predominantemente momentos compartilhados com amigos e passa a fazer parte de experiências pessoais.

    Nos finais de semana, ocasiões compartilhadas ainda predominam (77%), mas registram queda relevante de 9,3 pontos percentuais versus o ano anterior. Durante a semana, 80% das ocasiões ainda envolvem outras pessoas, porém também com redução de 7,4 pontos percentuais.

    O número de usuários semanais caiu 24,1%. Hoje, apenas 4,5% dos consumidores bebem cerveja ao menos uma vez por semana. Um sinal claro de que a categoria perde seus consumidores mais frequentes.

    “A categoria nasceu social. Quando o consumo se individualiza, o modelo inteiro precisa ser revisto da embalagem à comunicação”, completa Fiss.

    Consumo em casa resiste, mas volume por ocasião diminui

    O consumo fora do lar sofre pressão mais forte, especialmente em restaurantes e com vendedores ambulantes. Já o consumo doméstico mantém-se relativamente estável, mas com reconfiguração interna: marcas e segmentos de menor custo ganham espaço, enquanto o Premium e o consumo médio apresentam retração em unidades.

    O cenário macroeconômico e fatores climáticos, principalmente nas regiões Sul e Sudeste, também influenciam negativamente o desempenho da categoria.

    Outras bebidas avançam e tomam espaço da cerveja

    A disputa por ocasiões de consumo, o chamado “share of throat”, intensifica-se. Refrigerantes, sucos, vinhos e energéticos avançam em diferentes faixas etárias, enquanto a cerveja registra variações negativas em praticamente todos os grupos geracionais.

    Nos churrascos, tradicionalmente dominados pela cerveja, a bebida e os refrigerantes perdem participação para vinho, outras bebidas alcoólicas e sucos.

    “O consumidor continua buscando prazer, mas com mais controle e menos frequência. É um prazer racionalizado”, destaca Fiss.

    Gerações respondem de forma diferente

    A Geração Z consome menos cerveja do que as gerações anteriores e divide preferência com outras bebidas. A Geração X, hoje o maior grupo consumidor, começa a desacelerar, influenciada por maior preocupação com saúde e moderação. Entre os Millennials, cresce o consumo individual e fora dos grandes rituais sociais.

    “O que vemos é uma transição silenciosa: a cerveja deixa de ser um hábito automático e passa a ser uma escolha contextual”, analisa David Fiss.

    Semana e futebol aparecem como oportunidades

    O crescimento das ocasiões durante a semana, especialmente às quartas-feiras, tradicional dia de transmissões de futebol, abre oportunidade estratégica para a categoria. A Copa do Mundo de 2026 surge como potencial momento de alavancagem.

    Ao mesmo tempo, a retração do fim de semana exige estratégias promocionais direcionadas e reposicionamento de portfólio para recuperar território perdido.

    “Os recentes anúncios de reestruturação na indústria sinalizam ajustes financeiros importantes. Mas os dados de consumo mostram algo mais profundo: a categoria está passando por uma redefinição de papel. O desafio agora não é apenas vender mais litros, mas reconstruir relevância na rotina e na cultura do consumidor”, alerta David Fiss.

  • Presidente da CNA alerta para crise dos produtores de leite

    Presidente da CNA alerta para crise dos produtores de leite

    Os produtores de leite do Brasil atravessam uma “crise profunda e injusta” provocada pela importação desleal de leite em pó. O alerta vem de João Martins, presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que denuncia a prática de dumping por países vizinhos.

    “Isso significa perda de renda no campo, propriedades ameaçadas, famílias desamparadas e um risco real de o Brasil perder sua base produtiva de leite”, afirma Martins.

    A CNA atua desde agosto de 2024 na defesa do setor. Naquele mês, a entidade protocolou uma petição no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) solicitando a investigação da prática de dumping na importação de leite em pó da Argentina e do Uruguai. O governo abriu a investigação em dezembro.

    CNA cobra medidas de Alckmin

    O presidente da confederação pede ao vice-presidente da República e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, que combata a prática desleal e aplique direitos antidumping contra os países vizinhos. “Precisamos proteger os produtores de leite do nosso país”, defende.

    O dumping consiste na exportação de produtos a preços abaixo do “valor normal” – aquele praticado no mercado interno de um país. A CNA argumenta que essa prática compromete o mercado interno brasileiro, reduz as margens dos pecuaristas e contribui para o abandono da atividade leiteira.

    Governo muda entendimento sobre produtos lácteos

    O MDIC publicou recentemente uma circular com um novo entendimento que pode inviabilizar a defesa dos produtores. O documento justifica a não aplicação de direitos antidumping provisórios alegando que o leite in natura não é similar ao leite em pó.

    Na prática, essa interpretação impede que os produtores rurais, representados pela CNA, questionem o processo – já que não produzem leite em pó, apenas o produto in natura. A mesma circular informa que o ministério não conseguiu constatar dano por falta de dados sobre a indústria nacional de leite em pó.

    Confederação apresenta argumentos técnicos

    Em reunião com o governo em agosto, a CNA apresentou argumentos técnicos que reforçam a similaridade entre leite in natura e leite em pó. A entidade se colocou à disposição para fornecer dados que comprovem a tese e demonstrem os impactos das importações do Mercosul sobre a produção nacional.

    O novo entendimento do MDIC contraria a própria posição histórica do governo brasileiro. Desde a primeira investigação de dumping contra o leite em pó da União Europeia e da Nova Zelândia, em 1999, o Brasil sempre considerou os dois produtos similares. Esse entendimento levou à aplicação de tarifas antidumping, renovadas em 2007 e em 2013, baseadas na mesma interpretação.

    A mudança de posição do governo ocorre justamente quando os produtores nacionais mais precisam de proteção contra a concorrência desleal dos vizinhos do Mercosul.

  • Crise do metanol impulsiona vendas de vinhos, cervejas e bebidas enlatadas

    Crise do metanol impulsiona vendas de vinhos, cervejas e bebidas enlatadas

    A contaminação por metanol em bebidas artesanais e destiladas no Sudeste transforma o comportamento dos consumidores brasileiros. Nas últimas semanas, vinhos, cervejas e bebidas enlatadas registram crescimento expressivo nas vendas, enquanto os destilados enfrentam queda acentuada.

    As vendas de destilados caíram, em média, 70% na cidade de São Paulo, enquanto as de cerveja cresceram 7% Vendas de cerveja aumentam depois da crise do metanol. A procura por vinhos aumentou 36%, com destaque para os espumantes, cujas vendas em bares e restaurantes da capital paulista subiram quase 60% Vendas de cerveja aumentam depois da crise do metanol.

    As marcas de drinks prontos (RTDs – Ready to Drink) protagonizam os maiores saltos. A Vanfall registrou crescimento de 280% nas vendas do e-commerce em seis dias, faturando 76% da média mensal nesse período. A Lambe Lambe, fabricante de drinks prontos, teve alta de 20% nas vendas em São Paulo e 10% em Belo Horizonte logo na primeira semana após a confirmação dos casos de intoxicação.

    O movimento reflete a busca dos consumidores por produtos seguros, rastreáveis e de qualidade comprovada, características que marcam as bebidas produzidas por empresas regulamentadas e fiscalizadas.

    Vinícola mineira registra crescimento de 15%

    A vinícola mineira Bárbara Eliodora também surfou a onda de procura por segurança. A empresa registrou crescimento de 15% nas vendas para consumidores pessoa física nas últimas duas semanas, em comparação com o mês anterior.

    Foto: Divulgação

    O e-commerce oficial da vinícola e os empórios especializados que revendem seus rótulos puxaram o aumento. “Nossos vinhos passam por intensos padrões internacionais de segurança desde o início da fermentação até o engarrafamento. O vinho tem álcool por meio natural, o açúcar da uva é consumido e se transforma em etanol etílico, o único em que nós humanos podemos beber”, explica Guilherme Bernardes, proprietário da vinícola.

    Migração clara para bebidas seguras

    Eric Momo, presidente da Associação Nacional de Restaurantes, confirma migração clara dos consumidores para outros tipos de bebidas, com clientes deixando de tomar destilados e passando a consumir vinho, cerveja, chope ou até mesmo evitando bebidas alcoólicas.

    Os vinhos de mesa e vinhos finos não apresentam metanol em sua composição. Nenhum registro de intoxicação por metanol relaciona a substância ao consumo de vinhos ou cervejas, diferentemente das bebidas destiladas de origem duvidosa.

    Crise do metanol mata seis pessoas em São Paulo

    As últimas semanas marcam uma grave crise de saúde pública relacionada à contaminação por metanol em bebidas alcoólicas no Brasil. O Ministério da Saúde confirma seis mortes apenas em São Paulo, todas causadas por intoxicação com a substância tóxica.

    Os casos concentram-se principalmente no Sudeste do país e envolvem bebidas artesanais e destiladas de procedência duvidosa. O metanol, também conhecido como álcool metílico, causa intoxicação grave e pode levar à morte mesmo em pequenas quantidades. Os criminosos adulteram bebidas alcoólicas adicionando metanol no lugar do etanol para reduzir custos de produção.

    O governo de São Paulo intensifica operações de fiscalização para identificar e fechar estabelecimentos que fabricam bebidas adulteradas. As autoridades sanitárias recomendam que consumidores comprem bebidas apenas de estabelecimentos regulamentados e evitem produtos sem procedência clara ou com preços muito abaixo do mercado.

    Nenhum caso de contaminação por metanol está relacionado ao consumo de vinhos, já que estes produzem álcool naturalmente através da fermentação das uvas. Os especialistas alertam que o principal risco está em cachaças, vodkas e outras bebidas destiladas comercializadas de forma irregular ou clandestina.

  • Mensagens vazadas confirmam crise grave nas fazendas de soja dos EUA

    Mensagens vazadas confirmam crise grave nas fazendas de soja dos EUA

    Na última semana, uma foto capturada pela Associated Press durante a Assembleia Geral das Nações Unidas revelou uma troca alarmante de mensagens internas no governo Trump que expõe a crise profunda enfrentada pelas fazendas de soja dos Estados Unidos e suas implicações econômicas globais.

    A mensagem, datada de 23 de setembro, foi enviada ao secretário do Tesouro, Scott Bessent, por uma autoridade cujas iniciais coincidem com as da Secretária de Agricultura, Brooke Rollins. O texto inicia com um alerta: “Só um aviso. Estou recebendo mais informações, mas isso é extremamente preocupante.” Ele traz detalhes sobre o resgate financeiro de US$ 20 bilhões que os EUA concederam à Argentina, país que enfrenta uma grave crise econômica sob o presidente Javier Milei.

    Como contrapartida, a Argentina removeu tarifas sobre a exportação de grãos, especialmente soja, aumentando suas vendas para a China a preços mais baixos. Essa movimentação provocou uma queda nos preços internacionais da soja e reduziu a receita dos EUA com as exportações, ao mesmo tempo em que fortaleceu a influência chinesa no comércio global.

    A mensagem expressa preocupação com o fato de que essa dinâmica deteriora a posição dos EUA frente à China. O gigante asiático desde maio não compra soja americana devido à guerra tarifária iniciada pela administração Trump.

    Estratégia questionada

    Junto à mensagem, há um link para uma crítica feita por Ben Scholl, trader de commodities, que questiona a estratégia de ajudar a Argentina nesse contexto. O texto termina com a frase: “Estou a caminho de um avião, Scott, posso te ligar quando desembarcar”, indicando a urgência das discussões internas.

    Os agricultores americanos estão entre os mais prejudicados. As decisões do governo e a intensificação da guerra comercial levaram muitos a uma situação crítica. Principalmente impactada pelo desvio das compras chinesas para o Brasil e Argentina, maiores concorrentes no mercado. O recente “shutdown” do governo norte-americano piorou o cenário. Atrasando auxílios e dificultando o acesso a financiamentos para os produtores em um momento estratégico da colheita.

    A Associação de Produtores de Soja dos EUA tem pressionado publicamente Trump a negociar com a China a retirada das tarifas para evitar o colapso do setor. Seu presidente, Caleb Ragland, enfatizou que “o setor agrícola não pode mais esperar” diante do avanço dos concorrentes sul-americanos.

    Internacional

    No plano internacional, a figura controversa de Javier Milei, com suas políticas de austeridade e gestos simbólicos inusitados, como o presente de uma motosserra decorada para Elon Musk em uma conferência conservadora, reforça as incertezas econômicas da Argentina e seu papel no mercado global de soja. Essa conjuntura reforça uma nova configuração no comércio global. Dando espaço para que o Brasil e a Argentina ampliem sua presença enquanto os EUA enfrentam retrocessos.

    Donald Trump, agora sob pressão para conter os danos ao setor agrícola, anunciou uma reunião com o presidente chinês Xi Jinping para discutir a retomada das exportações de soja ao mercado chinês, prometendo usar parte dos recursos provenientes das tarifas para ajudar os produtores nacionais.

    Especialistas alertam que, sem uma mudança rápida nas políticas, a crise poderá se prolongar. Portanto, ameaçando a estabilidade e a competitividade americana no comércio global de commodities. O vazamento das mensagens revela não apenas um momento de tensão política interna. Mas evidência a vulnerabilidade de um setor agrícola vital para a economia dos Estados Unidos nos próximos meses.

  • Justiça homologa plano de recuperação judicial da Agrogalaxy

    Justiça homologa plano de recuperação judicial da Agrogalaxy

    A Justiça de Goiás, por meio da juíza Alessandra Gontijo do Amaral, da 19ª Vara Cível e Ambiental da Comarca de Goiânia, homologou nesta terça-feira (27) o plano de recuperação judicial da Agrogalaxy e suas subsidiárias. Assim, encerrando oito meses de negociações desde o pedido de recuperação em setembro de 2024. A decisão reconhece que a empresa cumpriu as exigências legais. E que a assembleia geral de credores, realizada em abril, aprovou o plano com 82,4% dos votos favoráveis.

    Na decisão, a magistrada destacou que a recuperação judicial visa preservar a atividade econômica da empresa, proteger empregos e garantir os interesses dos credores. Ela também rejeitou cláusulas que tentavam estender benefícios a terceiros garantidores, mantendo a proteção apenas para a empresa devedora, conforme a legislação vigente.

    O plano homologado prevê a venda de uma carteira de recebíveis avaliada em R$ 760 milhões, que deve injetar cerca de R$ 91 milhões em caixa e reduzir aproximadamente R$ 300 milhões da dívida total, que soma R$ 4,6 bilhões. Além disso, a empresa poderá vender outros ativos mediante autorização judicial para se adaptar às condições do mercado.

    Crise financeira

    A Agrogalaxy, que já foi uma das maiores redes de revenda de insumos agrícolas do país, enfrentou uma grave crise financeira que resultou no fechamento de metade das lojas, demissão de 40% dos funcionários e saída de três estados. Atualmente, opera com 65 lojas, 14 silos e uma unidade de sementes em nove estados, contra cerca de 130 unidades no auge do negócio.

    O plano oferece condições diferenciadas para os credores. Fornecedores que mantiveram relacionamento comercial durante a crise terão pagamento integral com carência de dois anos e prazo total de dez anos. Já os credores quirografários comuns poderão optar por pagamento à vista com quitação total da dívida. Ou por parcelamento com deságio de 85%, iniciando os pagamentos três anos após a homologação.

    A juíza alertou que o descumprimento das obrigações do plano no período de dois anos poderá levar à convolação da recuperação judicial em falência. Portanto, garantindo assim o rigor no cumprimento do acordo.

    A crise da Agrogalaxy reflete desafios do setor de insumos agrícolas, marcado por quebras de safra, inadimplência rural e restrição de crédito. No quarto trimestre de 2024, a empresa teve prejuízo de R$ 292,4 milhões e receita de R$ 741 milhões, uma queda de 69,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.

    Para enfrentar a crise, a Agrogalaxy adotou medidas como conversão de vendas a prazo em operações à vista, antecipação de recebíveis e redução do estoque de R$ 839,8 milhões para R$ 223,8 milhões, elevando o caixa de R$ 195 milhões para R$ 480 milhões no final de 2024.

    Com a homologação do plano, a empresa agora foca na execução da reestruturação para retomar a estabilidade financeira e operacional. E manter o compromisso de informar o mercado e os acionistas sobre os avanços do processo.

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  • Crise dos ovos assola os EUA: entenda o motivo

    Crise dos ovos assola os EUA: entenda o motivo

    Os Estados Unidos enfrentam uma severa “crise dos ovos” em 2025, impulsionada por um surto devastador de gripe aviária, que resultou no abate de milhões de aves e na disparada dos preços do alimento. A situação, que já afeta o bolso dos consumidores e o funcionamento de restaurantes, reacende o debate sobre segurança alimentar e abre oportunidades para o Brasil no mercado internacional.

    O principal gatilho da crise é o surto de gripe aviária (H5N1), que desde 2022 dizimou cerca de 123 milhões de galinhas, perus e outras aves em 49 estados americanos. Em dezembro de 2024, aproximadamente 17,2 milhões de galinhas poedeiras foram sacrificadas. O abate em larga escala para conter a propagação do vírus reduziu drasticamente a oferta de ovos, elevando os preços a patamares alarmantes.

    A dúzia de ovos, que antes custava em média US$ 2,50, chegou a ser vendida por mais de US$ 6 (cerca de R$ 35) em janeiro de 2025. Em algumas regiões, como a Califórnia, onde há restrições à criação de galinhas em gaiolas, os preços atingiram picos de US$ 8,85 (R$ 52). Há relatos de consumidores pagando quase R$ 60 por uma dúzia. A expectativa é que os preços subam mais de 20% ao longo de 2025.

    Consumidores mudam hábitos e restaurantes repassam custos

    Diante dos preços exorbitantes, os consumidores americanos estão mudando seus hábitos alimentares. As vendas de ovos caíram 15% em janeiro de 2025 em comparação com o ano anterior. Muitos buscam alternativas, como substitutos à base de plantas ou ovos de produtores locais. Restaurantes também sentem o impacto: a rede Waffle House, por exemplo, já cobra uma taxa extra de US$ 0,50 nos pratos que levam ovos.

    A alta dos preços dos ovos tem afetado desproporcionalmente os grupos mais vulneráveis da população, com 26% dos consumidores em má saúde enfrentando insegurança alimentar.

    Oportunidade para o Brasil?

    A crise nos EUA abre uma janela de oportunidade para o Brasil, um dos maiores produtores de ovos do mundo. Com a redução da oferta americana, o país pode aumentar suas exportações e conquistar novos mercados.

    No entanto, é importante ressaltar que o Brasil também precisa estar atento aos riscos da gripe aviária. A prevenção e o controle da doença são fundamentais para garantir a sanidade dos rebanhos e a competitividade do setor avícola brasileiro.

    Roubos e medidas de controle

    O aumento dos preços dos ovos tem levado a situações extremas, como o roubo de uma carga de 100 mil ovos, avaliada em US$ 40 mil, na Pensilvânia. Alguns supermercados já limitam a quantidade de ovos que cada cliente pode comprar.

    A crise dos ovos nos EUA expõe a fragilidade da cadeia de produção e distribuição de alimentos e a importância de medidas preventivas aqui no Brasil para evitar surtos de doenças em animais. A situação também evidencia a necessidade de políticas públicas que garantam o acesso a alimentos básicos para toda a população.

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  • Incêndios na Califórnia podem impactar a agricultura

    Incêndios na Califórnia podem impactar a agricultura

    Os incêndios florestais devastadores que ocorrem na Califórnia têm o potencial de causar danos significativos à agricultura da região, afetando não apenas os produtores locais, mas também o mercado global de alimentos. Com a Califórnia sendo um dos principais estados produtores agrícolas dos Estados Unidos, sua capacidade de fornecer frutas, vegetais e nozes é crucial para a segurança alimentar.

    Os incêndios florestais resultam em perda de terras cultiváveis, destruição de plantações e danos à infraestrutura agrícola. A fumaça e as cinzas podem contaminar colheitas, reduzindo a qualidade dos produtos e levando a perdas econômicas para os agricultores. Além disso, a escassez de água devido à seca e ao aumento das temperaturas intensifica ainda mais os desafios enfrentados pelos produtores na região.

    Os setores mais afetados incluem o cultivo de frutas, como uvas, amêndoas e citros, que são essenciais para a economia californiana. A destruição dessas culturas pode levar a uma diminuição na oferta desses produtos no mercado, resultando em preços mais altos para os consumidores.

    Impacto no mercado global

    A Califórnia é responsável por cerca de 13% da produção agrícola dos Estados Unidos e é um líder mundial em várias categorias de produtos. A redução na produção agrícola devido aos incêndios pode afetar não apenas os preços locais, mas também os mercados internacionais. Os consumidores em todo o mundo podem enfrentar aumentos nos preços de frutas e vegetais que são frequentemente importados da Califórnia.

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    Além disso, as interrupções na cadeia de suprimentos podem resultar em escassez temporária de produtos frescos em mercados que dependem fortemente das importações californianas. Isso pode levar a um aumento na dependência de outros países produtores, o que pode criar pressões adicionais sobre esses mercados.

    Resiliência e adaptação

    Para mitigar os impactos dos incêndios frequentes, os agricultores estão sendo incentivados a adotar práticas agrícolas mais resilientes e sustentáveis. Isso inclui o uso de técnicas de irrigação mais eficientes, cultivo de variedades resistentes ao fogo e implementação de sistemas de monitoramento para detectar incêndios precocemente.

    Além disso, políticas públicas que promovam a recuperação das áreas afetadas e o suporte financeiro aos agricultores impactados são essenciais para garantir a continuidade da produção agrícola na Califórnia.

    Os incêndios florestais na Califórnia não afetam apenas os produtores locais; suas consequências reverberam em todo o mundo. Compreender esses impactos é crucial para desenvolver estratégias que protejam tanto a agricultura californiana quanto a segurança alimentar global. A adaptação às mudanças climáticas e a resiliência do setor agrícola se tornam cada vez mais importantes em um cenário onde desastres naturais se tornam mais frequentes.