Tag: controle biológico

  • Parasita que devora animais vivos faz EUA investirem milhões

    Parasita que devora animais vivos faz EUA investirem milhões

    Uma das pragas mais temidas da pecuária voltou ao centro das atenções nos Estados Unidos. O governo americano anunciou um novo pacote de investimentos para impedir o avanço da mosca-da-bicheira-do-Novo-Mundo, inseto capaz de provocar ferimentos graves e até matar animais quando o tratamento não ocorre a tempo.

    Desta vez, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) destinou US$ 25 milhões para construir uma unidade de distribuição de moscas estéreis em Douglas, no Arizona. A medida fortalece a barreira sanitária na fronteira com o México e amplia a capacidade de resposta diante da ameaça.

    Como a mosca-da-bicheira ameaça os rebanhos

    O perigo não está na mosca adulta, mas nas larvas.

    As fêmeas procuram feridas abertas em bovinos, ovinos, caprinos, equinos e outros animais de sangue quente. Em seguida, depositam os ovos sobre esses machucados.

    Pouco tempo depois, as larvas eclodem e passam a consumir tecido vivo. Como consequência, a lesão aumenta rapidamente e favorece infecções secundárias.

    Sem tratamento imediato, o quadro se agrava. Além de perder peso, o animal sofre intenso estresse e pode morrer nos casos mais graves.

    Embora a pecuária concentre a maior parte dos prejuízos, o parasita também pode atingir animais silvestres, cães, gatos e, em situações raras, seres humanos.

    Técnica reduz a população do inseto

    Em vez de depender apenas de produtos químicos, os Estados Unidos apostam em uma estratégia biológica desenvolvida há décadas.

    O método consiste na criação de milhões de machos estéreis em laboratório.

    Depois disso, equipes especializadas liberam esses insetos nas áreas de risco.

    Ao cruzarem com as fêmeas selvagens, eles impedem o nascimento de novas gerações. Assim, a população da praga diminui gradualmente até desaparecer em determinadas regiões.

    Por isso, especialistas consideram essa tecnologia uma das ferramentas mais eficientes já utilizadas no controle da mosca-da-bicheira.

    Nova estrutura amplia a defesa na fronteira

    O novo centro funcionará em Douglas, cidade localizada na divisa entre os Estados Unidos e o México.

    A escolha não ocorreu por acaso. A região representa uma das principais portas de entrada para animais provenientes do território mexicano.

    Com a nova unidade, o USDA espera acelerar a distribuição das moscas estéreis sempre que surgirem focos da praga.

    Ao mesmo tempo, o governo mantém outro projeto estratégico em andamento: a construção de uma fábrica de grande porte no Texas, responsável pela produção em larga escala desses insetos.

    Juntas, as duas estruturas deverão ampliar significativamente a capacidade de resposta das autoridades sanitárias.

    Avanço da praga elevou o nível de alerta

    Foto: USDA

    Nos últimos meses, a identificação de novos focos na América Central e no México aumentou a preocupação do setor pecuário americano.

    Diante desse cenário, o USDA endureceu temporariamente as regras para a entrada de bovinos mexicanos.

    Agora, entretanto, o governo iniciou uma reabertura gradual das importações.

    Douglas será o primeiro ponto autorizado a receber animais novamente. Ainda assim, cada etapa dependerá do cumprimento rigoroso das medidas sanitárias estabelecidas pelas autoridades americanas.

    Restrição também afetou o mercado

    As limitações impostas às importações reduziram a oferta de bovinos para frigoríficos dos Estados Unidos.

    Como resultado, os preços da carne permaneceram elevados durante vários meses.

    Mesmo assim, técnicos do governo avaliam que reforçar o controle sanitário continua sendo mais vantajoso do que enfrentar uma disseminação ampla da praga em regiões produtoras.

    Segundo eles, um surto de grandes proporções poderia provocar prejuízos muito superiores aos impactos temporários sobre o mercado.

    Brasil também acompanha a situação

    Embora o investimento tenha como foco o território americano, o assunto interessa diretamente aos pecuaristas brasileiros.

    A mosca-da-bicheira ocorre em diversos países das Américas e exige monitoramento permanente das propriedades rurais.

    Por isso, veterinários orientam os produtores a examinarem qualquer ferida identificada nos animais.

    Quanto mais cedo ocorrer o diagnóstico, maiores serão as chances de recuperação e menores tendem a ser os prejuízos econômicos.

    Além disso, boas práticas de manejo, inspeções frequentes e programas de vigilância sanitária continuam sendo fundamentais para preservar a saúde dos rebanhos e garantir a competitividade da pecuária no mercado internacional.

  • Fungo “guarda-costas” ganha reforço no combate à podridão cinzenta

    Fungo “guarda-costas” ganha reforço no combate à podridão cinzenta

    Cientistas da Embrapa Meio Ambiente (SP) ampliaram o potencial de controle biológico do fungo Clonostachys rosea contra a podridão cinzenta, doença que atinge mais de 200 culturas agrícolas. A equipe identificou que ajustes simples no processo de cultivo elevam a produção das estruturas do microrganismo responsáveis por combater pragas e patógenos no campo.

    O Clonostachys rosea funciona como um “guarda-costas” natural das plantas: ataca fungos nocivos, insetos e nematoides, além de estimular os mecanismos de defesa das culturas. A descoberta pode impulsionar o desenvolvimento de biopesticidas mais sustentáveis e ampliar as alternativas de controle biológico disponíveis no mercado.

    Dois ajustes fizeram a diferença

    Os pesquisadores modificaram duas variáveis no cultivo do fungo: a quantidade de ar disponível e a proporção entre carbono e nitrogênio no meio de crescimento. Esse controle aumentou a produção de estruturas reprodutivas e de resistência do microrganismo, a matéria-prima para transformá-lo em produtos de controle biológico.

    A podridão cinzenta, causada pelo fungo Botrytis cinerea, está entre as doenças mais problemáticas da agricultura. Além da quantidade de espécies de plantas afetadas, ela provoca prejuízos tanto no campo quanto após a colheita, segundo Gabriel Mascarin.

    “A busca por alternativas ao uso intensivo de defensivos químicos inclui o uso de fungos benéficos como o Clonostachys rosea. Ele consegue atacar outros fungos nocivos, estimular mecanismos naturais de defesa das plantas e produzir substâncias capazes de inibir patógenos”, explica o pesquisador.

    Wagner Bettiol detalha que a equipe investigou como a aeração e a relação entre carbono e nitrogênio influenciam a produção de dois tipos de estruturas do fungo: os conídios, que atuam como esporos reprodutivos, e os microscleródios, estruturas resistentes que sobrevivem em condições adversas.

    “Variamos a entrada de ar e comparamos diferentes composições nutricionais para avaliar a produção de cada tipo de estrutura, além dos compostos metabólitos produzidos pelo fungo durante o crescimento”, complementa Bettiol.

    O que a pesquisa descobriu

    A maior disponibilidade de oxigênio elevou significativamente a produção das estruturas do fungo, com destaque para os microscleródios. A proporção mais alta entre carbono e nitrogênio favoreceu a produção de conídios quando a circulação de ar era boa. Já os microscleródios só surgiram em meios com menor proporção de carbono em relação ao nitrogênio, e a maior aeração também ampliou essa formação.

    O Clonostachys rosea atua como um “guarda-costas” natural das plantas. Foto: Embrapa

    Marcia Assalin destaca a aplicação prática da descoberta. Os pesquisadores converteram as estruturas produzidas pelo fungo, junto com os líquidos resultantes do cultivo, em pequenos grânulos que se misturam à água e se aplicam como produtos agrícolas convencionais.

    Testes desses materiais em tomate-cereja exposto ao fungo causador da podridão cinzenta reduziram a incidência da doença em todos os preparos avaliados. Análises químicas identificaram ainda compostos chamados sorbicilinoides entre as principais substâncias produzidas pelo fungo durante a fermentação. Esses compostos naturais têm ação antifúngica e ajudam a explicar a proteção observada nos tomates.

    Por que a descoberta importa

    Produzir grandes quantidades de organismos vivos com estabilidade, qualidade e eficiência constantes é um dos maiores desafios para transformar agentes biológicos em produtos comerciais. Os ajustes identificados pela pesquisa (controle da entrada de oxigênio e da composição nutricional do meio de cultivo)  permitem direcionar a produção para o tipo de estrutura mais adequado a cada aplicação. O que pode facilitar o desenvolvimento industrial e reduzir custos futuros.

    A equipe também transformou os materiais produzidos em formulações práticas para aplicação agrícola, avançando um passo além dos testes de laboratório. Especialistas ressaltam, porém, que etapas importantes ainda precedem uma adoção em larga escala.

    Próximos passos da pesquisa

    Antes de uma aplicação comercial, o estudo ainda exige testes em condições mais próximas da realidade agrícola. A lista inclui escalonamento industrial do bioprocesso fermentativo e da formulação, avaliações em estufas e lavouras comerciais, testes em diferentes temperaturas e níveis de umidade, estudos sobre armazenamento e validade dos produtos, análises de segurança alimentar e comparações de custo e desempenho frente a soluções já existentes.

    Nilce Kobori, professora do curso de Engenharia Agronômica do Centro Universitário de Jaguariúna (UniFaj), avalia que a confirmação dos resultados em escala comercial pode reduzir a dependência de fungicidas sintéticos em momentos críticos, como o transporte e o armazenamento de frutas sensíveis à podridão cinzenta, caso do tomate, morango, cereja e uva.

    A professora destaca ainda que a combinação entre estruturas vivas do fungo e compostos antifúngicos produzidos naturalmente pode criar uma estratégia dupla de combate às doenças, o que aumentaria a eficiência do controle biológico.

    O estudo representa mais um avanço na aproximação entre ciência e aplicação prática. E comprova que o controle da aeração e da relação entre carbono e nitrogênio em cultivo submerso de Clonostachys rosea altera de forma previsível a produção de estruturas úteis do fungo, e que esses materiais reduzem a incidência de podridão cinzenta em testes com tomate-cereja. O avanço, no entanto, ainda depende de escalonamento industrial, testes de segurança e validação em condições comerciais para chegar ao campo.

  • Fungo reduz em até 94% avanço da principal doença da pupunheira

    Fungo reduz em até 94% avanço da principal doença da pupunheira

    Pesquisadores brasileiros comprovaram o potencial de fungos do gênero Trichoderma para combater uma das doenças mais devastadoras da pupunheira, cultura estratégica para a produção de palmito no país. O estudo revelou que espécies como Trichoderma harzianum e Trichoderma asperellum reduzem significativamente o avanço de Phytophthora palmivora, fungo responsável pela podridão da base do caule da pupunheira e considerada a pior ameaça à cultura.

    Pupunheira sem sintomas de podridão da base do estirpe. Foto: Eduardo Fuzitani/Embrapa

    Eduardo Jun Fuzitani, pesquisador da Apta Regional de Pariquera-Açu, no Vale do Ribeira, destaca que a pesquisa também trouxe um avanço metodológico importante: pela primeira vez, cientistas desenvolveram um sistema eficiente de inoculação, capaz de introduzir de forma controlada o fungo causador da doença e os agentes de controle biológico em pedaços do caule da pupunheira para a realização dos testes. “A técnica permite simular a infecção em condições controladas de laboratório, reduzindo custos e acelerando estudos sobre o manejo da doença”, afirma Fuzitani.

    Expansão do cultivo aumentou incidência de doenças

    A pupunheira, identificada cientificamente como Bactris gasipaes, ganhou espaço no mercado brasileiro depois que a exploração predatória da juçara reduziu drasticamente os estoques naturais na Mata Atlântica. Desde então, produtores expandiram o cultivo principalmente nos estados de São Paulo e Bahia, além de áreas do Paraná, Santa Catarina, Rio de Janeiro e Espírito Santo. A espécie apresenta vantagens econômicas importantes, como crescimento rápido, perfilhamento intenso e menor oxidação do palmito. Características que permitem até a comercialização do produto in natura.

    Álvaro Figueredo dos Santos, da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e ex-pesquisador da Embrapa Florestas (PR), explica que a expansão das áreas cultivadas trouxe também o aumento de doenças associadas ao monocultivo. Entre elas, a podridão da base do caule se destaca como a mais grave. Causada por Phytophthora palmivora, a doença afeta tanto plantas jovens quanto adultas: os sintomas começam com o amarelecimento das folhas e evoluem para a morte dos brotos, podendo destruir toda a planta nos casos mais graves.

    Controle biológico ganha espaço como solução sustentável

    Santos ressalta que ainda faltam opções efetivas de controle da doença, seja por fungicidas ou por variedades resistentes. Além disso, o uso intensivo de produtos químicos levanta preocupações ambientais e sanitárias, especialmente porque o palmito pode ser consumido cru. Nesse cenário, o controle biológico surge como alternativa sustentável e economicamente viável.

    A pesquisa avaliou duas espécies do gênero Trichoderma, amplamente utilizado para controle biológico de doenças de plantas. Foto: Eduardo Fuzitani/Embrapa

    Wagner Bettiol, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente (SP), explica que os fungos do gênero Trichoderma atuam por diferentes mecanismos contra organismos causadores de doenças em plantas. “Eles competem por nutrientes, produzem substâncias antifúngicas, degradam a parede celular de agentes invasores e ainda estimulam mecanismos naturais de defesa das plantas. Algumas espécies também promovem crescimento vegetal e conseguem colonizar tecidos internos da planta sem causar danos, comportamento conhecido como endofitismo”, complementa Bettiol.

    Aplicações preventivas apresentam melhores resultados

    No estudo, os pesquisadores avaliaram quatro isolados comerciais: dois de Trichoderma harzianum e dois de Trichoderma asperellum. Os testes in vitro mostraram forte capacidade de inibição do crescimento do patógeno. Os isolados TH2 e TH1 de Trichoderma harzianum reduziram o crescimento de Phytophthora palmivora em 94% e 91%, respectivamente, enquanto os isolados TA2 e TA1 de Trichoderma asperellum apresentaram reduções de 80% e 61%.

    Os resultados mais expressivos surgiram quando os cientistas aplicaram os fungos antagonistas antes da inoculação do patógeno, reduzindo significativamente a severidade da doença. O isolado TH2 de Trichoderma harzianum registrou os melhores índices de proteção, especialmente nos testes realizados 48 horas antes da infecção.

    Aplicado 48 horas antes da infecção, o Trichoderma harzianum bloqueou totalmente a colonização do patógeno. Foto: Eduardo Fuzitani/Embrapa

    Em alguns casos, o fungo benéfico bloqueou totalmente a colonização do patógeno. Os pesquisadores observaram que o Trichoderma ocupava rapidamente os tecidos internos da pupunheira, dificultando o estabelecimento de Phytophthora palmivora. Uma ocupação prévia que parece determinar o sucesso do controle biológico.

    Os testes também revelaram diferenças importantes entre estratégias preventivas e curativas. Quando os pesquisadores aplicaram o Trichoderma após a infecção já estabelecida, os resultados caíram em eficiência. Ainda que tenha reduzido as lesões, o controle não se comparou ao obtido nas aplicações preventivas.

    Para Fuzitani, esse padrão reforça a necessidade de programas de manejo antecipado da doença, priorizando aplicações preventivas em vez de intervenções tardias. “Uma vez instalado no tecido vegetal, o patógeno se torna mais difícil de combater”, observa o pesquisador.

    Fungo coloniza internamente a planta sem causar danos

    Outro resultado inédito do estudo comprova a colonização endofítica dos tecidos da pupunheira pelos fungos antagonistas. Todos os isolados avaliados penetraram internamente no caule da planta e cresceram sem provocar sintomas negativos. Diferentemente das amostras infectadas por Phytophthora palmivora, que apresentaram tecidos escurecidos e podridão mole, os tecidos colonizados por Trichoderma permaneceram claros, firmes e saudáveis.

    Os pesquisadores acreditam que essa capacidade pode representar um diferencial importante no manejo da cultura em campo. Como o fungo permanece dentro da planta, ele pode funcionar como uma barreira biológica contínua contra futuros ataques do patógeno.

    Bettiol destaca ainda que produtos comerciais à base de Trichoderma já estão amplamente disponíveis no mercado brasileiro, o que facilitaria a adoção da tecnologia pelos produtores rurais. “Espécies como Trichoderma harzianum e Trichoderma asperellum estão entre os biofungicidas mais utilizados no mundo, especialmente por apresentarem múltiplos mecanismos de ação e baixo impacto ambiental”, afirma.

    Próximos passos incluem testes em campo

    A pesquisa também abre perspectivas sobre o crescimento vegetal e a herança de características induzidas pelo Trichoderma. Estudos anteriores já demonstraram que plantas tratadas com determinadas espécies do fungo podem transmitir maior resistência a estresses e doenças para gerações seguintes.

    No caso da pupunheira, essa possibilidade ganha relevância por causa do perfilhamento característico da cultura. Como a planta emite novos brotos continuamente, os cientistas acreditam que o uso de Trichoderma pode contribuir não apenas para o controle da podridão da base do caule, mas também para o fortalecimento geral da plantação.

    Os resultados indicam que o controle biológico pode reduzir o uso de fungicidas químicos, o que é especialmente importante porque o palmito é consumido in natura. Foto: Eduardo Fuzitani/Embrapa

    Os próximos passos da pesquisa envolvem testes em condições de campo para validar os resultados observados em laboratório. Os cientistas pretendem avaliar o desempenho dos isolados comerciais em áreas produtivas, analisando tanto o controle da doença quanto possíveis efeitos sobre produtividade e desenvolvimento das plantas.

    Para os pesquisadores, o controle biológico com Trichoderma representa uma estratégia promissora para tornar o cultivo da pupunheira mais sustentável. Além de reduzir o uso de fungicidas químicos e minimizar perdas econômicas em uma cadeia produtiva cada vez mais importante para o agronegócio brasileiro.

  • Milho “perfumado” por fungo espanta praga que causa perdas de até 30%

    Milho “perfumado” por fungo espanta praga que causa perdas de até 30%

    Pesquisadores da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, no Distrito Federal, identificam uma estratégia biológica capaz de reduzir os danos causados pelo percevejo-barriga-verde, uma das pragas mais prejudiciais ao milho e a outras culturas de relevância econômica no Brasil.

    O estudo mostra que a aplicação de um fungo benéfico nas folhas da planta altera as substâncias aromáticas que ela libera no ambiente. E essa mudança atrai uma vespa parasitoide que elimina os ovos da praga antes que ela se prolifere.

    A descoberta abre caminho para um controle mais sustentável do inseto, com potencial para reduzir a dependência de defensivos químicos nas lavouras brasileiras.

    Um problema recorrente no Sistema Plantio Direto

    Os maiores prejuízos provocados pelo percevejo-barriga-verde acontecem em áreas que adotam o Sistema Plantio Direto com rotação entre soja e milho. Nesse modelo de cultivo, o inseto migra da soja recém-colhida e passa a se alimentar das plantas jovens de milho logo nas duas primeiras semanas após a germinação.

    Esse ataque precoce compromete o desenvolvimento inicial da cultura e pode reduzir a produtividade em até 30%. O que torna o manejo da praga uma prioridade para produtores que trabalham com essa rotação de culturas.

    Cinco anos de pesquisa para driblar a dependência química

    A pesquisadora Maria Carolina Blassioli Moraes coordenou um estudo de cinco anos com o objetivo de enfrentar esse problema crônico sem recorrer exclusivamente aos defensivos químicos tradicionais. A equipe combinou duas tecnologias ecológicas: o fungo Beauveria bassiana e a vespinha Telenomus podisi, espécie que parasita os ovos do percevejo.

    Pesquisadora Maria Carolina Blassioli Moraes. Foto: Claudio Bezerra

    Os resultados da pesquisa foram publicados no periódico científico internacional Journal of Pest Science, no artigo intitulado “Association of Beauveria bassiana with maize alters volatile organic compounds and enhances attraction of the egg parasitoid Telenomus podisi”.

    Uma reação química inesperada

    A equipe selecionou uma linhagem específica do fungo, chamada CG 1105, mantida no banco de microrganismos do laboratório de micologia da Embrapa. Inicialmente, os pesquisadores pulverizaram as plantas de milho com o fungo esperando um efeito direto de mortalidade sobre o percevejo.

    O experimento, no entanto, revelou algo mais surpreendente sob a ótica da ecologia química, área da ciência que estuda os sinais químicos trocados entre os seres vivos. Cinco dias após a aplicação foliar, a equipe observou que o fungo havia colonizado a planta de forma benéfica. E alterado significativamente sua composição de compostos voláteis, os odores característicos emitidos pela vegetação.

    O microrganismo aumentou a produção de salicilato de metila, substância já conhecida na literatura científica por sua capacidade de atrair inimigos naturais de pragas. Ao mesmo tempo, reduziu a emissão de alfa-farneseno, composto de aroma doce e amadeirado amplamente utilizado nas indústrias de fragrâncias.

    O “aroma” que chama a vespa aliada

    Segundo Blassioli, essa mudança molecular no conjunto de aromas do milho funciona como um aviso biológico que atrai a vespinha Telenomus podisi. Ao perceber a alteração no odor da planta, o inseto localiza com precisão a área afetada e parasita os ovos depositados pelo percevejo-barriga-verde.

    Imagem: Embrapa

    A vespa insere seus próprios ovos dentro dos ovos da praga, o que impede o nascimento de novos indivíduos e controla a população do inseto de forma sustentável. Ou seja, sem a necessidade de aplicações químicas adicionais.

    Próximo passo: testes em condições reais de lavoura

    Até agora, todos os bioensaios e análises foram realizados em ambiente controlado de laboratório. A pesquisadora afirma que a equipe pretende expandir as avaliações para testes práticos em campo nos próximos meses.

    Caso os resultados obtidos nas lavouras confirmem os índices observados em laboratório, os produtores rurais brasileiros poderão contar com um protocolo inédito de Manejo Integrado de Pragas (MIP). A metodologia reuniria diferentes frentes de controle biológico atuando em conjunto, o que otimizaria a proteção das lavouras e reduziria custos e impactos ambientais.

    Uma pesquisa multidisciplinar

    O estudo reuniu um grupo diverso de cientistas da Embrapa e de instituições parceiras. Além de Maria Carolina Blassioli Moraes, participaram Rogério Biaggioni, responsável pelo laboratório de micologia, e Raul Laumann e Miguel Borges, ambos do laboratório de semioquímicos, todos da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia.

    A pesquisa também contou com a colaboração de Clenilson Rodrigues, pesquisador da Embrapa Agroenergia, da pós-doutoranda Mírian Michereff, responsável por grande parte dos bioensaios laboratoriais, e da estudante Isadora Quevedo.

  • Pesquisa reduz em 40% mortalidade de ciclame atacado por fungo

    Pesquisa reduz em 40% mortalidade de ciclame atacado por fungo

    Pesquisadores brasileiros encontraram uma alternativa promissora para proteger o ciclame (Cyclamen) da murcha de Fusarium, principal doença que ameaça a cultura no país. A solução combina um composto natural extraído de plantas, o β-cariofileno, com óxido de grafeno, material derivado do grafite. Juntos, os dois elementos reduziram a mortalidade de plantas infectadas em 40% e retardaram o avanço da doença.

    A Embrapa Meio Ambiente (SP) conduziu o estudo em parceria com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a empresa PPS Compósitos. O ciclame, planta ornamental cultivada principalmente em Holambra (SP), vem ganhando espaço no mercado brasileiro: o país já responde por cerca de 40% da produção sul-americana da espécie.

    Fungo pode destruir até 70% da produção

    O Fusarium oxysporum ataca as plantas de ciclame e compromete sua fisiologia, podendo matar até 70% dos exemplares em cultivos comerciais. Diante desse cenário, produtores e pesquisadores buscam alternativas que reduzam as perdas sem recorrer exclusivamente a fungicidas tradicionais.

    A equipe identificou o β-cariofileno ao analisar os compostos voláteis liberados por plantas de ciclame após a infecção pelo fungo. A molécula, presente também em espécies das famílias Asteraceae e Cannabaceae, já atuava como sinal capaz de ativar mecanismos naturais de defesa vegetal.

    Grafeno prolonga ação do composto natural

    Isoladamente, o β-cariofileno inibe o crescimento do fungo em testes de laboratório, mas se volatiliza rapidamente, perdendo eficácia. É aí que entra o óxido de grafeno: o material forma uma camada protetora sobre o composto, retendo-o na planta por mais tempo e potencializando seu efeito.

    A combinação de β-cariofileno, molécula do próprio ciclame, e do óxido de grafeno reduziu em 40% a mortalidade de plantas infectadas. Foto: Andre May /Embrapa

    “O óxido de grafeno atua como adsorvente do ácido fusárico, toxina produzida pelo fungo, reduzindo os danos causados à planta”, explica o pesquisador Bernardo Vieira. Sozinho, o grafeno não combate o fungo, mas a associação com o β-cariofileno gera um efeito sinérgico que aumenta a eficácia geral do tratamento.

    A pesquisadora Sônia Queiroz reforça que testes in vitro mostraram redução de até 40% no crescimento do F. oxysporum quando exposto ao β-cariofileno. Já a analista Márcia Assalin destaca que a estrutura única do grafeno protege substâncias benéficas contra a degradação.

    Testes em casa de vegetação confirmam eficácia

    Os cientistas aplicaram os tratamentos em dois genótipos de Cyclamen, “Verano Red Solar” e “Magenta”, testando tanto a pulverização quanto a endoterapia, técnica que injeta a solução diretamente nos bulbos das plantas. Em ambos os métodos, a combinação de β-cariofileno e grafeno retardou o aparecimento dos sintomas da murcha em até 26 dias.

    Além de conter a doença, o tratamento trouxe ganhos para a produtividade: as plantas tratadas apresentaram maior crescimento e biomassa nas partes aéreas, e a floração antecipou-se em 11% em relação às plantas não tratadas. Segundo o pesquisador André May, esse resultado indica efeitos diretos sobre a produtividade e o valor ornamental das flores.

    Estudo comprova segurança ambiental

    Antes de validar a estratégia, a equipe avaliou os riscos ambientais do composto. Pesquisadores testaram o β-cariofileno em organismos de diferentes níveis, como microalgas, plantas aquáticas, microcrustáceos e nematoides.

    A pesquisa reforça alternativas sustentáveis para o manejo fitossanitário, com potencial para reduzir o impacto ambiental. Foto: Andre May /Embrapa

    “Os resultados indicaram baixa toxicidade para a maioria das espécies, permitindo a determinação de concentrações seguras para ambientes aquáticos”, revela o pesquisador Claudio Jonsson. Essa etapa garante que a solução possa avançar rumo à aplicação comercial sem comprometer o meio ambiente.

    May resume o potencial da descoberta: a combinação entre β-cariofileno e óxido de grafeno representa uma estratégia inovadora e sustentável para proteger plantas ornamentais, reduzir perdas econômicas e aumentar a durabilidade das flores. Para os produtores de Holambra e de outras regiões que cultivam ciclame, a novidade pode representar uma ferramenta adicional no manejo fitossanitário, com menor dependência de insumos químicos convencionais.

  • Como o controle biológico está transformando o cultivo de pitaia

    Como o controle biológico está transformando o cultivo de pitaia

    A aposta na pitaia como alternativa para diversificar a produção agrícola em Santa Catarina já apresenta resultados expressivos. Com uma projeção de colheita de 7,6 mil toneladas para 2026, a fruta rústica de origem centro-americana encontrou no litoral catarinense o ambiente ideal para prosperar. Esse crescimento, no entanto, trouxe novos desafios: o surgimento de pragas com a comercialização da cultura.

    Os pesquisadores Marcelo (à esquerda) e Alessandro (centro) trabalham juntos para aperfeiçoar a produção de pitaia no Estado. Foto: Divulgação/Epagri

    Para enfrentar o problema, pesquisadores da Epagri em Itajaí desenvolvem, desde 2016, um conjunto de conhecimentos pioneiros focado no controle biológico e manejo sustentável. Como o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) praticamente não possui defensivos registrados para a pitaia, a solução reside na manipulação do ambiente e no equilíbrio ecológico.

    Identificação de pragas e soluções criativas

    O entomologista Marcelo Mendes de Haro identificou 19 potenciais pragas nos pomares, incluindo percevejos, caracóis, besouros e formigas. Os percevejos, atraídos por lavouras de grãos vizinhas, são os principais vilões, pois sugam a seiva e prejudicam a aparência comercial dos frutos.

    Para proteger a produção, os pesquisadores recomendam técnicas que evitam o uso de produtos químicos:

    • Ensacamento de frutos: o uso de sacos de TNT reduz as lesões causadas por insetos em até 65%.
    • Cobertura do solo: o plantio de amendoim-forrageiro no verão e um mix de sementes no inverno mantém o ecossistema equilibrado.
    • Quebra-ventos biológicos: plantas como hibiscos, manacás e até bananeiras atraem pragas para longe da pitaia ou abrigam predadores naturais.

      A formiga cortadeira é uma das pragas que mais causam danos às frutas

    A pesquisa também destaca a importância da preservação da abelha-irapuá. Por ser uma espécie polinizadora protegida por lei, o manejo dispensa inseticidas ou a retirada de ninhos.

    O futuro da pitaia catarinense

    Além do manejo de pragas, a Epagri investe no melhoramento genético. O pesquisador Alessandro Borini Lone lidera um projeto que avalia 80 híbridos de pitaia. O objetivo é selecionar, até 2027, variedades adaptadas ao clima e solo do estado que ofereçam frutos com maior dulçor, tamanho e cor atraente. Atualmente, oito materiais promissores já estão em fase de teste.

    Imagem gerada por IA

    Para que a informação chegue ao campo, a Epagri lançou diversas publicações técnicas desde 2020. Materiais como o boletim “Cultivo de Pitaia” e livros especializados orientam produtores sobre adubação, polinização e sistemas de plantio direto.

    Extensionistas e pesquisadores realizam visitas técnicas e “Dias de Campo” constantemente. Assim, capacitando agricultores em todo o estado para garantir que a pitaia se consolide como uma fonte de renda sustentável e lucrativa para as famílias rurais de Santa Catarina.

  • Tecnologia inédita contra nematoides é destaque na Tecnoshow

    Tecnologia inédita contra nematoides é destaque na Tecnoshow

    A Corteva Agriscience apresentou, nesta terça-feira (7), durante a 23ª Tecnoshow Comigo, em Rio Verde (GO), o Reklemel, nova tecnologia voltada ao manejo de nematoides no solo. O produto surge como resposta a um problema bilionário no campo. Segundo a Sociedade Brasileira de Nematologia, as perdas podem chegar a R$ 35 bilhões por ano no Brasil. Os nematoides atacam as raízes e comprometem o desenvolvimento das plantas.

    Além disso, a proposta da empresa é oferecer controle seletivo dos fitonematoides. Dessa forma, a tecnologia preserva a biota do solo e contribui para o aumento da produtividade. O lançamento foi apresentado como uma nova ferramenta dentro do manejo integrado.

    Durante coletiva, o Líder de Portfólio de Inseticidas e Nematicidas da Corteva para Brasil e Paraguai, Thomas Scott, destacou que o Reklemel representa um avanço importante. Isso ocorre porque o produto atua com um novo modo de ação e um grupo químico inédito no mercado. “Hoje, muitos produtores ainda não diferenciam nematoides benéficos dos prejudiciais. O diferencial da tecnologia é eliminar o fitonematoide e manter os organismos que contribuem para a saúde do solo”, afirmou.

    Os nematoides são vermes microscópicos, de corpo cilíndrico, presentes no solo. No entanto, nem todos causam danos. Cerca de 70% são de vida livre e exercem papel importante na decomposição da matéria orgânica. Além disso, ajudam na ciclagem de nutrientes. Por outro lado, os fitonematoides parasitam plantas. Eles formam galhas nas raízes e reduzem a absorção de água e nutrientes.

    Manejo integrado ganha reforço com nova tecnologia

    A cientista de campo da Corteva, Marina Gomes, que participou do desenvolvimento da solução, explicou que o Reklemel atua como uma ferramenta complementar. Segundo ela, o produto protege o sistema radicular da planta. Ao mesmo tempo, mantém a microbiota do solo ativa. “Isso permite que fungos e outros agentes biológicos continuem contribuindo para o controle natural das pragas”, disse.

    Além disso, o uso combinado com soluções biológicas já adotadas pelo produtor potencializa os resultados. A aplicação do produto é feita diretamente no sulco de plantio. Dessa forma, a tecnologia permanece próxima à raiz. Isso aumenta a eficiência e reduz a quantidade utilizada por hectare.

    “Como a aplicação é concentrada no local de desenvolvimento da planta, o manejo se torna mais eficiente. Além disso, há redução de custos e maior sustentabilidade no sistema produtivo”, acrescentou Scott.

    O lançamento contempla diferentes culturas agrícolas. A molécula chega ao mercado sob três marcas. Lormelo é voltado para soja, milho, algodão e sorgo. Já o Salibro atende hortifrúti e café. Por fim, o Yeldana foi desenvolvido para a cultura da cana-de-açúcar.

    Problema generalizado exige estratégia contínua

    Atualmente, todas as culturas agrícolas são suscetíveis aos nematoides. No entanto, o nível de impacto varia conforme a espécie e a região. Por isso, o manejo adequado depende da identificação correta do tipo de nematoide presente na área.

    Além disso, o avanço da praga tem exigido maior adoção de tecnologias no campo. Regiões do Cerrado, Bahia, Minas Gerais e Mato Grosso, já apresentam uso mais intensivo das soluções. Dessa forma, o controle se torna mais eficiente ao longo do tempo.

    Marina e Thomas durante apresentação do Reklemel na 26ª Tecnoshow Comigo – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    A recomendação técnica é manter o manejo de forma contínua. Ou seja, ao longo dos ciclos produtivos e nos diferentes talhões da propriedade. “Quanto mais longo o manejo, melhores são os resultados. Não é uma solução pontual, mas um trabalho contínuo de construção da saúde do solo”, explicou Marina.

    Por fim, o uso de práticas integradas segue como estratégia essencial. Entre elas, estão a rotação de culturas, o uso de produtos biológicos e o monitoramento constante. Assim, o produtor consegue reduzir os impactos dos nematoides e manter a produtividade.

    Com o Reklemel, a Corteva aposta em uma abordagem mais equilibrada. A tecnologia alia eficiência no controle dos fitonematoides à preservação dos organismos benéficos. A expectativa é ampliar as possibilidades de manejo e fortalecer sistemas produtivos mais sustentáveis no longo prazo.

  • Aquisição da AgBiTech amplia portfólio biológico da BASF

    Aquisição da AgBiTech amplia portfólio biológico da BASF

    A BASF Soluções para Agricultura finalizou, em 31 de março, a aquisição da AgBiTech, multinacional especializada em soluções biológicas para o controle de pragas. A conclusão do negócio ocorreu após a aprovação de todas as instâncias regulatórias, incluindo o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) no Brasil e outras autoridades internacionais. O fechamento consolida o acordo firmado entre a BASF, o fundo de investimento Paine Schwartz Partners e demais acionistas em janeiro deste ano.

    A compra consolida um movimento estratégico da BASF para acelerar o crescimento e a adoção de tecnologias biológicas em escala global. Com destaque para o mercado brasileiro, um dos mais dinâmicos do mundo nesse segmento.

    Segundo a CropLife Brasil, a área tratada com bioinsumos no país aumentou mais de 28% em 2025, alcançando 194 milhões de hectares. O crescimento reforça o papel da AgBiTech, que construiu sólida presença no Brasil com soluções voltadas ao manejo biológico de pragas.

    “A aquisição da AgBiTech fortalece nossa posição em um mercado altamente atraente e complementa nosso portfólio com tecnologias biológicas inovadoras. Estamos confiantes de que essa integração trará valor aos agricultores e ampliará nossa atuação global”, destacou Livio Tedeschi, presidente global da BASF Soluções para Agricultura.

    História

    Fundada em 2000 em Fort Worth, Texas (EUA), a AgBiTech é pioneira no uso da tecnologia de Nucleopoliedrovírus (NPV), que utiliza vírus naturais para controlar lagartas em soja, milho e algodão. O portfólio e a expertise da empresa passam agora a integrar as soluções oferecidas pela BASF para o manejo sustentável de cultivos.

    Para Adriano Vilas-Boas, CEO da AgBiTech, a incorporação à BASF representa “um passo decisivo” para tornar o controle biológico mais acessível aos produtores em todo o mundo. “O alcance global e a estrutura de pesquisa da BASF ajudarão a potencializar o impacto de nossas tecnologias”, afirmou.

    Na visão de Sergi Vizoso, vice-presidente sênior da BASF Soluções para Agricultura na América Latina, o movimento reforça o compromisso da companhia com a sustentabilidade e a inovação. “Seguimos empenhados em apoiar os produtores na busca por lavouras mais produtivas e resilientes, oferecendo soluções que olham para todo o sistema produtivo”, explicou.

    Já Marcelo Batistela, vice-presidente da BASF Soluções para Agricultura no Brasil, destacou a relevância da operação para o país. “O Brasil lidera a adoção de novas tecnologias para o manejo integrado de pragas, e a incorporação da AgBiTech amplia nosso alcance nesse processo”, afirmou.

  • BASF reforça portfólio biológico com aquisição da AgBiTech

    BASF reforça portfólio biológico com aquisição da AgBiTech

    A BASF Soluções para Agricultura anunciou a aquisição da AgBiTech, empresa norte-americana especializada em controle biológico de pragas. O acordo com a firma de private equity Paine Schwartz Partners e outros acionistas prevê que a BASF assuma a propriedade total da companhia, incluindo portfólio, patentes, unidades de fabricação e centros de pesquisa e desenvolvimento.

    A conclusão do negócio está prevista para o primeiro semestre de 2026, ainda sujeita à aprovação das autoridades regulatórias. Os valores e termos financeiros do acordo não foram divulgados.

    Fundada em 2000, com sede em Fort Worth (Texas, EUA), a AgBiTech desenvolve soluções baseadas na tecnologia de Nucleopoliedrovírus (NPV),vírus naturais usados para o controle de insetos que atacam culturas agrícolas. A empresa atua no Brasil, Estados Unidos e Austrália, atendendo produtores de soja, milho, algodão e outros cultivos.

    Segundo Livio Tedeschi, presidente global da BASF Soluções para Agricultura, a compra reforça o foco da companhia em práticas agrícolas sustentáveis e inovadoras. “A AgBiTech tem um histórico sólido no desenvolvimento de soluções eficientes para o manejo de pragas. Essa experiência complementa nosso portfólio de BioSoluções e reforça nossa estratégia de uma agricultura mais sustentável e holística”, destacou o executivo.

    Brasil e a integração

    O vice-presidente sênior de Marketing Estratégico e Sustentabilidade Global da BASF, Marko Grozdanovic, afirma que o Brasil será um dos principais beneficiados com a integração. “O país é um dos mercados que mais cresce em proteção biológica de cultivos. Essa aquisição fortalece nossa posição como fornecedor de soluções integradas e sustentáveis”, afirmou.

    Na mesma linha, Sergi Vizoso-Sansano, vice-presidente sênior da BASF Soluções para Agricultura na América Latina, ressaltou a importância da tecnologia da AgBiTech para o campo brasileiro. “Os produtores enfrentam grandes desafios com lagartas que afetam a produtividade. A tecnologia da AgBiTech representa uma solução adicional e eficaz para o controle dessas pragas”, disse.

    Com a aquisição, a BASF amplia seu portfólio de soluções biológicas e reforça sua presença no segmento de proteção sustentável de cultivos, especialmente no Brasil — um dos mercados mais promissores para o setor.

  • Empresas firmam parceria para acelerar inovação em biodefensivos

    Empresas firmam parceria para acelerar inovação em biodefensivos

    O mercado global de produtos biológicos segue em ritmo acelerado de expansão. Em 2024, o setor movimentou cerca de US$ 14 bilhões, segundo dados da consultoria americana DurhamTrimmer. Os produtos de controle biológico responderam por 60% desse valor, e as projeções indicam que o segmento deve alcançar cerca de US$ 20 bilhões até 2027. Um crescimento médio anual de 13%. A tendência reflete a busca do agronegócio por alternativas sustentáveis que combinam defensivos químicos e bioinsumos no manejo de pragas e doenças em culturas como soja, milho e cana-de-açúcar.

    De olho nesse potencial, a Ballagro e a Symbiomics anunciaram uma parceria estratégica para acelerar o desenvolvimento de novas soluções biológicas. A colaboração prevê o intercâmbio dos portfólios de microrganismos das duas empresas e o uso da plataforma exclusiva da Symbiomics, que aplica tecnologias de ponta para promover descobertas mais rápidas e precisas. A estratégia deve reduzir o tempo de desenvolvimento de produtos inovadores e ampliar o alcance de microrganismos com alto desempenho agronômico.

    Com mais de 20 anos de atuação, a Ballagro é referência nacional em soluções biológicas e nutricionais. A empresa investe em tecnologias sustentáveis e em práticas integradas que elevam a rentabilidade do produtor. Segundo Lecio Kaneko, gerente de Desenvolvimento Estratégico da Ballagro, o novo acordo fortalece a capacidade de inovação das duas companhias.

    “Essa parceria abrirá caminho para explorar o DNA dos microrganismos e criar uma nova geração de bioinsumos. A união da experiência da Ballagro com a tecnologia avançada da Symbiomics vai gerar produtos com alto nível de inovação e eficiência”, afirma Kaneko.

    Biotecnologia aplicada

    A Symbiomics, por sua vez, é especializada em biotecnologia aplicada ao desenvolvimento de produtos biológicos de nova geração. A empresa utiliza edição genômica e inteligência artificial para identificar microrganismos com maior potencial agrícola. De acordo com Jader Armanhi, COO e cofundador da Symbiomics, o modelo de colaboração adotado deve multiplicar a velocidade de pesquisa:

    “Com nossas ferramentas, projetos que levariam anos podem ser concluídos de duas a cinco vezes mais rápido. Além de acelerar o ciclo de desenvolvimento, o acordo amplia nossa capacidade tecnológica e aproveita a experiência industrial da Ballagro para levar essas inovações ao campo”, destaca Armanhi.

    Rafael de Souza e Jader Armanhi (dir), fundadores da Symbiomics. Foto:
    Divulgação

    A parceria surge em um cenário de forte crescimento do mercado latino-americano de bioinsumos. O Brasil lidera o movimento, com participação global estimada para subir de 20% em 2021 para 29% em 2029. Segundo dados da ANPII Bio, o país movimentou R$ 5,7 bilhões em bioinsumos na safra 2023/2024 e deve superar R$ 9 bilhões até 2030, um avanço próximo de 60% na década.

    Hoje, o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) contabiliza mais de 600 registros de biodefensivos à base de microrganismos no Brasil, distribuídos em apenas 18 gêneros e 45 espécies. Para Rafael de Souza, CEO e cofundador da Symbiomics, essa concentração reforça a importância da nova aliança:

    “Nosso objetivo é identificar microrganismos robustos, capazes de competir com a microbiota natural das plantas e do solo. Isso vai gerar produtos ineditamente eficazes e com grande potencial de mercado no Brasil e no exterior”, afirma.