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  • Nova espécie de cigarrinha ameaça plantações de cana-de-açúcar no Brasil

    Nova espécie de cigarrinha ameaça plantações de cana-de-açúcar no Brasil

    Uma nova espécie de cigarrinha que ataca lavouras de cana-de-açúcar foi identificada por pesquisadores brasileiros após produtores rurais relatarem resistência da praga aos defensivos químicos tradicionais. A descoberta, publicada no periódico científico Bulletin of Entomological Research da Universidade de Cambridge, representa um avanço crucial para o combate às ameaças que afetam uma das culturas mais importantes da economia nacional.

    O inseto foi batizado de Mahanarva diakantha, termo que significa “dois espinhos”. E já foi encontrado em plantações de cana-de-açúcar em diversas regiões do Brasil. Cientistas do Instituto de Biociências da Unesp em Rio Claro e da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul identificaram a espécie em colaboração.

    Problema nas lavouras motivou a pesquisa

    A investigação começou há uma década, quando empresas agrícolas procuraram o professor Diogo Cavalcanti Cabral-de-Mello, do Departamento de Biologia Geral e Aplicada da Unesp, relatando dificuldades no controle de cigarrinhas nas plantações. Os defensivos aplicados não apresentavam a eficácia esperada, gerando prejuízos significativos.

    Inicialmente, suspeitou-se que os insetos tivessem desenvolvido resistência aos produtos químicos. Porém, uma pesquisadora da Embrapa em Araras formulou uma hipótese diferente: poderia ser uma espécie ainda não catalogada pela ciência.

    Metodologia combinou análise genética e morfológica

    Para confirmar a descoberta, os pesquisadores adotaram duas abordagens complementares. A equipe da PUC-RS, liderada por Andressa Paladini e Gervásio Silva Carvalho, realizou análises morfológicas detalhadas. Enquanto isso, o grupo da Unesp conduziu estudos genéticos utilizando marcadores de DNA presentes nas mitocôndrias dos insetos.

    Mais de 300 indivíduos coletados entre 2012 e 2015 em usinas de cana-de-açúcar foram examinados. A análise genética revelou diferenças significativas em relação às espécies conhecidas de cigarrinha-da-raiz, como a Mahanarva fimbriolata e a Mahanarva spectabilis.

    O estudo morfológico identificou uma característica distintiva na genitália dos machos: uma estrutura bifurcada e pontiaguda, diferente do formato quadrangular não bifurcado presente nas outras espécies. Essa particularidade inspirou o nome científico do novo inseto.

    Impacto econômico da cana-de-açúcar no Brasil

    A cana-de-açúcar é fundamental para a economia brasileira. Em 2020, o setor gerou receita de aproximadamente US$ 8,7 bilhões em exportações. O Brasil produz cerca de 700 milhões de toneladas anuais da cultura desde 2010, sendo o maior exportador mundial de açúcar. Além disso, a planta é essencial para a produção de etanol e geração de energia a partir da queima do bagaço.

    As cigarrinhas-da-raiz representam uma das principais ameaças às plantações. Esses pequenos insetos de coloração marrom-avermelhada se alimentam da seiva da cana e transmitem toxinas que provocam a queima das folhas e perda de sacarose. Estima-se que a infestação possa causar prejuízos de até 36 toneladas por alqueire.

    Próximos passos para controle da praga

    A identificação da M. diakantha é apenas o primeiro passo. Segundo o professor Cabral-de-Mello, quando se trata de combater pragas agrícolas, as substâncias utilizadas podem ter ação direcionada para espécies específicas. Mesmo entre espécies próximas, um produto pode ser eficaz contra uma e ineficaz contra outra.

    Após a descrição inicial, a pesquisadora Andressa Paladini revisou coleções da Universidade Federal do Paraná e descobriu registros da década de 1960 de espécimes da nova espécie classificados incorretamente como M. fimbriolata. Isso sugere que o inseto pode estar presente nas lavouras há décadas sem o devido reconhecimento.

    Os próximos desafios envolvem compreender aspectos biológicos, populacionais e taxas reprodutivas da nova espécie, além de analisar amostras mais recentes, já que o cultivo de cana-de-açúcar mudou significativamente desde 2015.

    Controle biológico como alternativa

    Atualmente, o método mais utilizado para combater cigarrinhas é o controle biológico com o fungo Metarhizium anisopliae. O fungo é cultivado em laboratório, geralmente sobre grãos de arroz, e aplicado nas plantações misturado com água. Por ser um produto seletivo, ataca apenas insetos e não oferece riscos à cana ou ao ser humano.

    Odair Aparecido Fernandes, professor da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Unesp em Jaboticabal e líder do Centro de Pesquisa em Engenharia – Fitossanidade em Cana-de-Açúcar, acredita que as ferramentas de controle biológico continuarão eficazes. No entanto, será necessário avaliar o impacto dessas técnicas especificamente sobre a M. diakantha.

    Sequenciamento genômico promete agricultura de precisão

    O professor Cabral-de-Mello orienta atualmente uma pesquisa de doutorado que pretende realizar o sequenciamento genômico completo das três espécies de cigarrinha. Pela similaridade entre elas, a hipótese é que a separação evolutiva ocorreu nos últimos 100 mil anos.

    O sequenciamento do genoma abre possibilidades para o desenvolvimento de uma agricultura de precisão, permitindo identificar variações genéticas e estudar como elas afetam o controle de insetos. Assim, será possível desenvolver técnicas personalizadas para combater diferentes pragas de forma mais eficiente.

    Outras ameaças à cultura da cana

    Além das cigarrinhas, a cultura da cana-de-açúcar enfrenta outras duas grandes ameaças no Brasil. A primeira é a síndrome do murchamento da cana, causada pela combinação de fatores climáticos, como seca e mudanças no clima, com fatores biológicos, como fungos e pragas. A doença pode reduzir a safra em até 40%.

    A segunda ameaça é o bicudo-da-cana, um besouro que se alimenta do tecido vegetal e causa perdas de cerca de 25 toneladas por hectare. O inseto tem se espalhado devido ao método mecanizado de colheita, que mantém a palha da cana no solo — prática benéfica para conservação da umidade, mas que favorece a proliferação da praga.

    Colaboração entre universidade e setor privado

    O professor Cabral-de-Mello destaca que os resultados alcançados só foram possíveis graças à colaboração entre universidades e o setor privado. Aliás, o próprio Centro de Pesquisa em Fitossanidade em Cana-de-Açúcar é um exemplo dessa cooperação, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo e pelo Grupo São Martinho.

    O centro desenvolve atualmente 55 projetos na área de saúde vegetal e manejo de pragas, muitos em parceria direta com o setor produtivo e as indústrias sucroalcooleiras, demonstrando como a ciência básica pode contribuir para resolver problemas práticos da agricultura brasileira.

  • Mercado de bioprotetores cresce 29% e coloca Brasil na liderança mundial

    Mercado de bioprotetores cresce 29% e coloca Brasil na liderança mundial

    O mercado global de bioprotetores movimentou US$ 8,2 bilhões em 2023 e deve atingir US$ 25,7 bilhões até 2030, segundo a consultoria Research and Markets. O Brasil lidera esse crescimento explosivo. A Kynitec revela que a área potencial tratada com agentes de biocontrole saltou de 35 milhões de hectares na safra 2021/2022 para 58 milhões em 2023/2024, um crescimento superior a 29% em cinco anos.

    Os bionematicidas dominam 47% da área tratada, superando os bioinseticidas (36%) e biofungicidas (17%). Em culturas estratégicas como soja, milho e algodão, os bionematicidas já ultrapassam os produtos químicos convencionais. Já em 2015, esses produtos biológicos representavam apenas 6% do mercado nacional. Em 2022, atingiram 75%, enquanto os nematicidas químicos despencaram de 94% para 25%.

    Apesar do avanço expressivo, os bioprotetores ainda ocupam apenas 4% do total de produtos fitossanitários que os agricultores utilizam no Brasil, o que revela um enorme potencial de expansão.

    Fungos e bactérias lideram controle biológico nas lavouras

    Os agentes de biocontrole mais importantes e amplamente comercializados incluem fungos como Trichoderma spp., Beauveria bassiana, Metarhizium anisopliae, Isaria fumosorosea e Clonostachys rosea. As bactérias do gênero Bacillus — incluindo B. subtilis, B. amyloliquefaciens, B. licheniformis, B. methylotrophicus, B. velezensis e B. thuringiensis — também protagonizam essa revolução.

    Esses organismos combatem patógenos do solo e da parte aérea através de diferentes modos de ação. O Trichoderma, por exemplo, age por parasitismo, competição, antibiose e estímulo à defesa natural da planta. As espécies de Bacillus se destacam pela capacidade de formar biofilmes, produzir metabólitos antimicrobianos e induzir resistência sistêmica nas culturas.

    No Brasil, o Trichoderma responde por cerca de 17% da área tratada com bioprotetores e a Beauveria, por 16%. O grupo das espécies de Bacillus, no entanto, lidera com aproximadamente 25% da área protegida.

    O que são bioprotetores e como funcionam na agricultura

    Os bioprotetores ganham protagonismo como solução estratégica para o controle de doenças em plantas. Mais do que substituir agrotóxicos, esses produtos baseados em organismos vivos, como fungos, bactérias, vírus e até ácaros, atuam de forma inteligente. Eles protegem as culturas agrícolas sem agredir o meio ambiente, a saúde dos agricultores e dos consumidores.

    Planta tratada com Bacillus. Foto: Divulgação Embrapa

    Diferentemente dos chamados “fungicidas ou biofungicidas”, que pressupõem a morte do patógeno, os bioprotetores atuam por outros mecanismos: competição, parasitismo, antibiose e indução da resistência da planta. Por isso, especialistas defendem cada vez mais o termo “bioprotetor” como o mais apropriado para englobar os diversos tipos de ação desses organismos.

    Em vez de eliminar o agente causador da doença, muitos bioprotetores fortalecem as defesas naturais da planta, competem por nutrientes e espaço, estabilizam o ambiente e previnem o surgimento de novos surtos.

    Definição científica orienta uso sustentável

    A definição mais aceita de controle biológico de doenças considera a redução das atividades determinantes da doença através da ação de organismos vivos, excluindo-se o homem. Esse controle pode ocorrer de forma natural, conservacionista, clássica (introdução de inimigos naturais) ou aumentativa (aplicação em larga escala).

    Os bioprotetores incluem microrganismos avirulentos, plantas melhoradas geneticamente, organismos antagonistas de patógenos e até produtos naturais derivados desses seres vivos. Agricultores podem integrar seu uso a práticas culturais, criando ambientes mais favoráveis à planta e menos propícios à doença. Em muitos casos, os bioprotetores não “matam” o patógeno, mas interferem na sua reprodução ou impedem que ele cause danos à cultura.

    Inovações tecnológicas ampliam fronteiras do biocontrole

    Nos últimos anos, pesquisadores passaram a explorar agentes não tradicionais como bioprotetores. Os micovírus, vírus que infectam fungos e reduzem sua virulência,  já atuam na China para controlar o crestamento do castanheiro.

    Os bacteriófagos, vírus que atacam bactérias específicas sem afetar seres humanos ou animais, demonstram potencial para controlar doenças bacterianas em plantas. Ácaros predadores e micófagos, como Orthotydeus lambi e Ricoseius loxocheles, combatem o oídio da videira e a ferrugem do cafeeiro, respectivamente.

    A criação desses organismos em laboratório e o desenvolvimento de formulações compatíveis com defensivos agrícolas representam desafios que cientistas precisam superar para ampliar seu uso comercial.

    Desenvolvimento exige processo rigoroso de seleção

    O desenvolvimento de um novo bioprotetor exige um processo rigoroso que envolve várias etapas: avaliação da cultura e da doença-alvo, isolamento de organismos antagonistas no ambiente de interesse (como o semiárido brasileiro), testes de eficácia em laboratório e campo, produção massal e formulação estável, além da integração ao sistema produtivo.

    Essa abordagem permite selecionar agentes adaptados às condições locais e às necessidades específicas dos agricultores. O controle do mofo-branco da soja com Trichoderma e Bacillus ilustra a importância de integrar o bioprotetor ao manejo agrícola, incluindo culturas subsequentes.

    Programa Bioinsumos impulsiona inovação no setor

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) criou o Programa Bioinsumos em 2020 e desempenha papel fundamental na ampliação do uso de bioprotetores no país. O programa promove produtos e tecnologias de origem biológica que favorecem o crescimento das plantas, melhoram a saúde do solo e contribuem para a sustentabilidade dos sistemas agropecuários.

    O decreto que criou o programa define bioinsumos como produtos ou tecnologias de origem vegetal, animal ou microbiana que interferem positivamente no crescimento e defesa das plantas. Agricultores podem utilizá-los na produção, armazenamento e beneficiamento de alimentos.

    Desafios e oportunidades para consolidar liderança brasileira

    Wagner Bettiol, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, reconhece os avanços, mas identifica desafios para consolidar o uso de bioprotetores no Brasil. As prioridades incluem:

    • Desenvolver bioherbicidas para reduzir o uso de químicos no controle de plantas daninhas
    • Ampliar a diversidade de microrganismos disponíveis comercialmente
    • Produzir fungos em sistemas mais sustentáveis, como fermentação líquida
    • Desenvolver produtos adaptados às mudanças climáticas que aumentem a eficiência do uso de nutrientes
    • Abrir coleções microbianas públicas para empresas e pesquisadores desenvolverem novos produtos
    • Investir em formação técnica e científica de profissionais da cadeia dos bioinsumos

    “A substituição de agrotóxicos por bioprotetores não representa apenas uma tendência de mercado — constitui uma resposta à demanda por práticas agrícolas mais conscientes, seguras e resilientes. Ao proteger as plantas sem comprometer o meio ambiente, os bioprotetores restabelecem o equilíbrio dos agroecossistemas, reduzem a exposição de trabalhadores rurais a produtos tóxicos e oferecem alimentos mais seguros aos consumidores”, explica Bettiol.

    “Com ciência, políticas públicas e inovação trabalhando em conjunto, o Brasil tem tudo para seguir como líder mundial no desenvolvimento e uso de bioprotetores. E, mais do que isso, tem a oportunidade de construir uma agricultura com menos veneno e mais vida”, conclui o pesquisador.

  • Fungo marinho promete revolucionar controle de doença

    Fungo marinho promete revolucionar controle de doença

    Pesquisadores chineses descobriram um fungo marinho com alto potencial para o controle biológico da Alternaria alternata. Esse é um dos principais patógenos que causam doenças em plantações de tomate. O estudo foi conduzido por uma equipe de micologistas e foi publicado em revistas científicas especializadas. E destaca o isolado Q8-1 do fungo Epicoccum nigrum como uma solução promissora para a agricultura sustentável.

    Testes laboratoriais demonstraram que o fungo Q8-1 reduz significativamente o avanço da doença causada pela Alternaria alternata. Ela provoca manchas foliares e pode comprometer a produtividade das culturas. Além disso, o isolado não apresentou toxicidade para as mudas de tomate nem efeitos adversos em organismos não alvo, indicando segurança para o meio ambiente e para a biodiversidade local.

    Segundo dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), o controle biológico de doenças agrícolas é uma estratégia essencial para reduzir o uso de fungicidas químicos, que podem causar impactos negativos à saúde humana e ao ecossistema. A utilização de fungos marinhos como agentes de biocontrole representa uma inovação importante, aproveitando a biodiversidade marinha para soluções agrícolas.

    Os pesquisadores chineses ressaltam que o próximo passo é a realização de testes em campo para validar a eficácia do Epicoccum nigrum Q8-1 em condições reais de cultivo. Se os resultados confirmarem a eficácia, os pesquisadores poderão incluir o fungo nos programas de manejo integrado de doenças. E assim, beneficiar produtores de tomate, além de contribuir para a segurança alimentar global.

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  • Pesquisa brasileira identifica fungos do solo que eliminam 100% do mofo-branco

    Pesquisa brasileira identifica fungos do solo que eliminam 100% do mofo-branco

    Cientistas brasileiros descobriram espécies de fungos do gênero Trichoderma capazes de eliminar completamente o mofo-branco, doença causada pelo fungo Sclerotinia sclerotiorum e considerada uma das principais ameaças à produção de soja, feijão e algodão no país. Os resultados laboratoriais apontam para uma alternativa biológica eficaz ao controle tradicional, que depende do uso intensivo de fungicidas químicos, geralmente caros e de alto impacto ambiental.

    O estudo, liderado por Laísy Bertanha, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), com orientação do pesquisador Wagner Bettiol, da Embrapa, identificou cepas de Trichoderma yunnanense e Trichoderma dorotheae com capacidade de inibir até 100% a germinação dos escleródios, estruturas de resistência do patógeno. O destaque ficou para o Trichoderma yunnanense, que atingiu 97,5% de eficácia, reforçando seu potencial como biofungicida para uso agrícola.

    Alternativa sustentável ao uso de químicos

    O mofo-branco é uma doença de difícil controle devido à longa sobrevivência dos escleródios no solo. Tradicionalmente, o manejo depende de fungicidas, que além do custo elevado, trazem riscos ambientais e podem induzir resistência nos patógenos. O uso de Trichoderma surge como solução mais segura e sustentável, podendo ser integrado a outras práticas de manejo para aumentar a eficiência e reduzir a presença da doença no solo.

    Mofo-branco na vagem do feijão. Foto: Sebastião Araújo/Embrapa

    Segundo Bertanha, a combinação de diferentes cepas de Trichoderma pode potencializar o controle biológico. A pesquisa também destaca a importância de isolar microrganismos do próprio ambiente agrícola, maximizando sua eficácia contra patógenos locais.

    Biocontrole integrado e práticas recomendadas

    O controle biológico deve ser associado a práticas como rotação de culturas — especialmente com gramíneas, que não hospedam o fungo — e ao uso de sementes de alta qualidade, livres de patógenos. A sanitização de máquinas agrícolas é outra medida fundamental para evitar a dispersão do mofo-branco. A adição de matéria orgânica ao solo também favorece o desenvolvimento de microrganismos benéficos, aumentando a resistência natural das áreas cultivadas.

    Solos colonizados pelos fungos antagonistas. Foto: Divulgação

    Além de eliminar o patógeno, os agentes biológicos do gênero Trichoderma reduzem a agressividade do mofo-branco ao interferir na produção de ácido oxálico, substância essencial para a virulência do fungo. Durante a pesquisa, os pesquisadores identificaram nove espécies diferentes de Trichoderma em áreas de agricultura orgânica, com destaque para T. yunnanense e T. atrobrunneum.

    Brasil lidera uso de bioinsumos agrícolas

    Atualmente, o Brasil lidera o mercado mundial de bioinsumos para controle biológico e responde por cerca de 20% do consumo global. O setor cresceu 67% entre 2021 e 2022, impulsionado pela busca por soluções sustentáveis e pela necessidade de reduzir resíduos químicos na agricultura. O uso de bioinsumos contribui para a preservação da biodiversidade, menor emissão de gases de efeito estufa e redução dos custos a longo prazo, além de estimular cadeias produtivas locais e a agricultura familiar.

    De acordo com Wagner Bettiol, “a diversidade microbiana do solo está diretamente relacionada à sua capacidade de suprimir patógenos. Tornando o biocontrole uma ferramenta valiosa para sistemas agrícolas mais equilibrados e resilientes”.

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  • Embrapa: mudanças climáticas devem intensificar doenças em lavouras

    Embrapa: mudanças climáticas devem intensificar doenças em lavouras

    As mudanças climáticas representam um risco crescente para a produção agrícola no Brasil. Segundo um estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), cerca de 46% das doenças que afetam lavouras no país devem se tornar mais severas até o final deste século. O levantamento projeta impactos significativos sobre culturas estratégicas como arroz, milho, soja, café, cana-de-açúcar, hortaliças e frutas — pilares da economia agrícola nacional.

    De acordo com os pesquisadores, o aumento das temperaturas médias e as alterações no regime de chuvas devem criar condições favoráveis à proliferação de fungos, vírus e vetores, exigindo uma reestruturação nos sistemas nacionais de monitoramento e controle fitossanitário.

    Estudo abrange mais de 300 patossistemas agrícolas

    O estudo conduzido pela Embrapa analisou 304 patossistemas — conjunto formado por uma planta hospedeira e o respectivo patógeno — relacionados a 32 das principais culturas agrícolas brasileiras. Os dados indicam que os fungos são os patógenos mais prevalentes, presentes em aproximadamente 80% dos casos avaliados.

    Com a elevação da temperatura média podendo ultrapassar 4,5°C em determinadas regiões do país até 2100, doenças como a antracnose e o oídio tendem a se intensificar. Alterações no volume e distribuição das chuvas também devem influenciar diretamente a dinâmica dessas doenças.

    “A previsão de doenças em um cenário de mudança climática é um desafio complexo que exige continuidade nas pesquisas e implementação de novas estratégias de adaptação”, afirma Francislene Angelotti, pesquisadora da Embrapa Semiárido. Ela ressalta a necessidade de investimentos para fortalecer a infraestrutura fitossanitária nacional.

    Vetores e pragas também devem se multiplicar

    As doenças transmitidas por vetores como pulgões, cochonilhas, tripes, moscas-brancas e ácaros também estão entre as maiores preocupações dos pesquisadores. O ciclo de vida desses insetos tende a se encurtar com o aumento do calor, o que resulta em populações maiores e mais ativas ao longo do ano.

    Mudanças climáticas favorecem fungos patogênicos e vetores de doenças como pulgões e moscas-branca. Divulgação Embrapa

    De acordo com Wagner Bettiol, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, o impacto será direto sobre culturas já vulneráveis a essas pragas, como batata, banana, tomate, citros e milho. “O aquecimento acelera o desenvolvimento dos insetos e prolonga sua longevidade, o que pode aumentar significativamente as infestações”, explica.

    Eficiência dos defensivos pode cair

    Além do aumento das doenças, as mudanças climáticas também podem comprometer a eficácia dos defensivos agrícolas. A absorção, o transporte e a degradação dos fungicidas nas plantas podem sofrer alterações sob novas condições climáticas. E isso exigirá adaptações nas estratégias de manejo.

    Com a eficácia reduzida, pode haver a necessidade de aplicações mais frequentes, elevando os custos de produção e o risco ambiental. Esse cenário já impulsiona a busca por alternativas sustentáveis, como os agentes biológicos de controle — os biopesticidas.

    Brasil lidera o mercado de biocontrole, mas precisa avançar

    O Brasil é atualmente o maior produtor e consumidor de biopesticidas do mundo e possui a maior área agrícola sob controle biológico. Segundo a consultoria Research and Markets, o mercado global desses produtos deve atingir US$ 19,49 bilhões até 2030.

    No entanto, especialistas apontam que ainda há um longo caminho a percorrer para adaptar esses bioinsumos às novas condições climáticas. “Precisamos desenvolver, com urgência, produtos biológicos capazes de aumentar a eficiência do uso de nitrogênio e reduzir o estresse das plantas”, defende Bettiol. Ele também destaca a necessidade de soluções para doenças estratégicas, como a ferrugem asiática da soja e a ferrugem do cafeeiro.

    Adaptação exige monitoramento, cooperação e políticas públicas

    Diante das projeções, pesquisadores recomendam uma resposta coordenada, que envolva ações como análise de risco, adaptação de sistemas agrícolas, fortalecimento da vigilância fitossanitária e ampliação de investimentos em ciência e inovação. O uso de sistemas de cultivo diversificados, a integração de tecnologias de manejo, o emprego de biopesticidas e a adoção de modelos preditivos de epidemias são medidas defendidas para o curto prazo.

    “O enfrentamento desses desafios exige políticas públicas eficazes e a articulação entre agricultores, cientistas e governos para garantir segurança alimentar e sustentabilidade”, reforça Angelotti.

    Diversidade agrícola amplia o desafio fitossanitário

    A diversidade climática e agrícola do Brasil, que abrange desde culturas tropicais até temperadas, exige análises regionais detalhadas sobre os riscos fitossanitários em cenários futuros. Emília Hamada, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente, afirma que é essencial realizar estudos com base na distribuição espacial e temporal dos patógenos, incluindo experimentações de campo.

    Ela destaca que os modelos climáticos indicam aumento da severidade de doenças fúngicas como antracnose e oídio. O que reforça a urgência na adoção de medidas preventivas e de adaptação em todas as regiões produtoras.

    O estudo da Embrapa conclui que os efeitos das mudanças climáticas já estão sendo sentidos no campo. Com planejamento estratégico, incentivo à inovação e articulação entre ciência, governo e setor produtivo, o Brasil pode não apenas mitigar os impactos negativos. M-as também transformar os desafios em oportunidades para modernizar seu sistema de defesa vegetal e garantir a sustentabilidade da produção agrícola no futuro.

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  • Virumix: Novo bioinseticida brasileiro atinge 85% de eficácia

    Virumix: Novo bioinseticida brasileiro atinge 85% de eficácia

    Um avanço científico brasileiro acaba de ganhar destaque global: o bioinseticida Virumix, desenvolvido para combater a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), demonstrou eficiência superior a 85% em testes de campo realizados em Mato Grosso. A praga, que ataca mais de 200 cultivos – como milho, soja e algodão –, é responsável por prejuízos bilionários à agricultura. O produto, feito à base de um vírus natural (Baculovirus spodoptera), será lançado em 3 de abril de 2025, durante a inauguração de uma biofábrica em Sorriso (MT), marcando um novo capítulo no controle biológico de pragas no Brasil.

    Fruto de uma parceria entre Embrapa Milho e Sorgo, IMAmt e Comdeagro, o Virumix é o primeiro bioinseticida microbiológico da linha do IMAmt. Sua fórmula utiliza o SfMNPV, um vírus entomopatogênico que infecta exclusivamente a lagarta-do-cartucho, preservando plantas, animais e seres humanos.

    Principais vantagens:
    • Segurança ambiental: não afeta insetos benéficos, essenciais para o equilíbrio do ecossistema.
    • Versatilidade: compatível com outros agroquímicos e indicado para sistemas orgânicos.
    • Custo-benefício: dosagem de 50g/hectare, com embalagem inicial de 2kg (cobre 40 hectares).

    “O Virumix é uma resposta à resistência da praga a biotecnologias e agroquímicos. Ele reduz custos e impactos ambientais”, explica Álvaro Salles, diretor-executivo do IMAmt e da Comdeagro.

    Como funciona o controle biológico?

    O pesquisador Fernando Hercos Valicente, da Embrapa, detalha que o sucesso do produto depende de aplicação estratégica:

    • Monitoramento semanal da lavoura para detectar infestações precoces (lagartas com menos de 1 cm).
    • Aplicação no início da manhã ou após as 16h, quando as temperaturas são mais baixas.
    • Uso de espalhante adesivo para garantir cobertura uniforme.

    “Não podemos perder a primeira aplicação. A lagarta ataca o milho uma semana após a germinação”, alerta Valicente.

    Biofábrica

    A nova unidade em Sorriso (MT) permitirá produção em larga escala do Virumix, inicialmente distribuído pela Comdeagro. O Brasil, já líder global em bioinsumos, vê o setor crescer 14% ao ano, com projeção de ultrapassar US$ 10 bilhões até 2032.

    O Virumix foi desenvolvido a partir de um vírus entomopatogênico, o que significa que é específico para combater o inseto-alvo. Foto: Fernando Valicente/Embrapa

    “Estamos convertendo nossa biodiversidade em soluções sustentáveis. O Virumix é um exemplo de inovação aberta que posiciona o país na vanguarda da agricultura tropical”, afirma Sara Rios, chefe-adjunta de Transferência de Tecnologia da Embrapa.

    O lançamento ocorrerá na Comdeagro (BR-163, Km 712, Zona Rural de Sorriso), com presença de pesquisadores e representantes do agronegócio. A data reforça o compromisso do Programa Nacional de Bioinsumos, criado em 2020 para reduzir a dependência de insumos importados e impulsionar a bioeconomia.

    Uma curiosidade: o nome Virumix combina “vírus” e “mix”, refletindo a integração de tecnologias naturais no combate à praga.

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  • Sindiveg lança curso online gratuito sobre controle biológico

    Sindiveg lança curso online gratuito sobre controle biológico

    • O Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg) acaba de lançar um curso online e gratuito sobre controle biológico, em parceria com a Embrapa Meio Ambiente. A iniciativa visa capacitar produtores rurais e profissionais do agronegócio na técnica que utiliza organismos vivos para combater pragas, reduzindo impactos ambientais e fortalecendo a sustentabilidade no campo.

    O módulo “Controle Biológico”, disponível na plataforma do Sindiveg, aborda:

    • Funcionamento da técnica: Uso de macro e microrganismos (como fungos e insetos) para controlar patógenos e pragas.
    • Vantagens: Equilíbrio ecológico, redução de químicos e aumento da produtividade agrícola.
    • Regulamentação no Brasil: Impacto da Lei nº 15.070/2024, sancionada em dezembro de 2024, que fortalece o mercado de bioinsumos.

    Segundo Fábio Kagi, gerente de Assuntos Regulatórios do Sindiveg, “o controle biológico é essencial para a agricultura moderna, garantindo plantas mais resistentes e safras sustentáveis”.

    Parceria com a Embrapa: rigor científico garantido

    O conteúdo foi desenvolvido com a colaboração do pesquisador Wagner Bettiol, da Embrapa Meio Ambiente, e revisado por especialistas do setor. Bettiol destaca:

    • Capacitação contínua: “Produtores precisam dominar técnicas inovadoras para obter sucesso no campo.”
    • Sustentabilidade: “O controle biológico é eficaz e ambientalmente seguro, beneficiando toda a cadeia produtiva.”

    A analista do Sindiveg, Isabela Rivato, reforça que o curso surgiu após meses de pesquisa de campo e consultas a empresas e produtores: “Identificamos lacunas de informação e criamos um material preciso e acessível”.

    Como funciona a plataforma do Sindiveg?

    Além do novo módulo, a plataforma oferece cursos como:

    • Uso Correto e Seguro de Defensivos Agrícolas
    • Boas Práticas na Relação Agricultura e Apicultura
    • Aplicador Legal
    Benefícios:
    • Certificado gratuito ao concluir cada módulo.
    • Conteúdo didático, com linguagem clara e exemplos práticos.
    •  Acesso ilimitado para agricultores, apicultores e interessados em geral.
    Por que o controle biológico é o futuro do agronegócio?
    • Redução de custos: Diminui a dependência de defensivos químicos.
    • Resiliência climática: Plantas tratadas com bioinsumos são mais resistentes a doenças e extremos climáticos.
    • Mercado em expansão: O Brasil é líder global em bioinsumos, com crescimento de 28% ao ano (dados de 2023).

    Para se inscrever, acesse a plataforma do Sindiveg e cadastre-se gratuitamente.

     

  • Brasil descreve 60 novas espécies de insetos em biomas ameaçados

    Brasil descreve 60 novas espécies de insetos em biomas ameaçados

    Uma colaboração internacional liderada pela Embrapa acaba de descrever 60 novas espécies de psilídeos – insetos conhecidos como “piolhos-de-planta saltadores” – em biomas críticos como Amazônia, Mata Atlântica e Cerrado. O estudo foi publicado na revista Zootaxa após mais de uma década de pesquisa. E expõe a riqueza invisível da biodiversidade brasileira. Além de alertar para o risco de espécies desaparecerem antes mesmo de serem catalogadas.

    Os psilídeos (superfamília Psylloidea) são insetos minúsculos, mas com papéis ecológicos gigantescos. Algumas espécies combatem plantas invasoras, como a Melanastera smithi, testada contra a Miconia calvescens no Havaí.

    Elas também são Indicadores ambientais. Como são sensíveis a mudanças, ajudam a monitorar a saúde dos ecossistemas. Enquanto espécies como o Diaphorina citri transmitem doenças a citros, outras podem revolucionar o controle biológico.

    O estudo, que percorreu 15 estados brasileiros entre 2011 e 2021, usou DNA barcoding e análise morfológica para identificar as novas espécies, incluindo 59 do gênero Melanastera e uma de Klyveria. “Cada descoberta é uma peça para entender o quebra-cabeça da biodiversidade”, afirma Dalva Queiroz, pesquisadora da Embrapa Florestas e coautora do trabalho.

    Biomas sob pressão: Amazônia e Cerrado escondem espécies ameaçadas

    A pesquisa coincide com um cenário alarmante:

    • Amazônia: 14% da cobertura florestal já foi perdida.
    • Cerrado: 50% da vegetação nativa foi convertida para agricultura.
    Autores Dalva Queiroz e Daniel Burckhardt em campo. Foto: Divulgação Embrapa

    “Ambientes degradados podem abrigar espécies únicas que sequer conhecemos. Se desaparecerem, perdemos oportunidades científicas e ecológicas irreparáveis”, alerta Daniel Burckhardt, entomólogo do Naturhistorisches Museum Basel (Suíça) e coautor do estudo.

    Da teoria à prática: como as novas espécies impactam a agricultura e a conservação

    Controle de Pragas: Espécies nativas, como o psilídeo da erva-mate (Gyropsylla spegazziniana), exigem manejo preciso para evitar prejuízos. Invasoras, como a Diaphorina citri (transmissora do greening dos citros), são monitoradas com base nos dados do estudo.

    Coleções científicas na USP, UFPR e Embrapa Amazônia Ocidental armazenam espécimes para futuras pesquisas. “O conhecimento sobre essas espécies é vital para desenvolver bioinsumos e proteger cultivos”, explica Queiroz.

    Como são batizadas as novas espécies? histórias por trás dos nomes

    A taxonomia mistura ciência e poesia. A pesquisadora Liliya Š. Serbina, primeira autora do estudo, homenageou familiares e colegas:

    • Melanastera olgae: Em tributo à sua mãe, Olga.
    • Melanastera barretoi: Referência ao professor Marliton Barreto, da Embrapa.
    • Klyveria flaviae: Nomeada em honra à filha da coautora Dalva Queiroz.

    “Nomear espécies é perpetuar legados. Cada uma carrega uma história”, destaca Serbina.

    Desafios e futuro: por que precisamos de mais pesquisas?

    Porém, o estudo é apenas o início. Cientistas calculam que existam mais de mil espécies de psilídeos no Brasil – a maioria ainda desconhecida. O projeto capacitou agentes fitossanitários e estudantes em taxonomia, fortalecendo a defesa agrícola.

    Foto: Divulgação Embrapa

    “Sem investimento contínuo, perderemos espécies que poderiam salvar ecossistemas ou impulsionar a agricultura sustentável”, reforça Burckhardt.

    Como apoiar a conservação?
    • Fortalecer políticas ambientais: Combater desmatamento e invasões em unidades de conservação.
    • Investir em ciência: Ampliar recursos para estudos taxonômicos e monitoramento de biomas.
    • Engajamento público: Divulgar a importância de insetos pouco carismáticos, mas ecologicamente cruciais.

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  • Psilídeo-de-concha: desafio para o setor florestal brasileiro

    Psilídeo-de-concha: desafio para o setor florestal brasileiro

    O Brasil, um dos maiores produtores mundiais de celulose e produtos derivados do setor florestal, enfrenta um dos seus principais desafios: o psilídeo-de-concha (Glycaspis brimblecombei). Este inseto, de origem australiana, pode causar perdas de até 30% nas plantações de eucalipto, afetando significativamente a produtividade e a sustentabilidade do setor.

    O setor de árvores cultivadas no Brasil contribui com R$ 37,9 bilhões para o PIB nacional e gera R$ 202 bilhões em receita bruta anual, além de exportar US$ 12,7 bilhões. As florestas cultivadas também desempenham um papel crucial no sequestro de carbono, estocando cerca de 4,92 bilhões de toneladas de CO₂eq. No entanto, o psilídeo-de-concha tem se expandido rapidamente desde sua chegada ao Brasil em 2003, aumentando mais de 65% entre 2020 e 2023.

    Danos causados pelo psilídeo-de-concha

    As plantas afetadas apresentam folhas cobertas por pequenas conchas cônicas, que podem causar desfolhamento e levar à morte das árvores. Além disso, a infestação reduz a área foliar, diminuindo a atividade fotossintética e comprometendo o desenvolvimento das plantas. A Embrapa estima que o inseto pode causar perdas de produtividade de até 30%, além de favorecer o ataque de pragas secundárias e a ocorrência de doenças.

    Diante desse cenário, a BASF lançou o Fastac® Duo, um produto de ação sistêmica e de contato que combina eficiência no controle com flexibilidade na aplicação. O produto permite até três aplicações anuais, com um período de reentrada adaptado às necessidades de cada produtor. O lançamento ocorreu no BASF Forest Summit 2025, um evento que reuniu especialistas do setor florestal para discutir tecnologia e inovação.

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  • Instituto Biológico lidera produção de cepas no Brasil

    Instituto Biológico lidera produção de cepas no Brasil

    O Instituto Biológico, vinculado à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA), desempenha um papel crucial no controle biológico das lavouras brasileiras. Desde a sua parceria com a empresa japonesa Toyobo, iniciada há 20 anos, a instituição tem promovido o uso do fungo Metarhizium. Ele é usado para o controle da cigarrinha da cana, revolucionando o manejo de pragas no país.

    Impacto da parceria com a Toyobo

    Atualmente, mais de 70% dos produtos microbiológicos fabricados no Brasil utilizam cepas desenvolvidas pelo Instituto Biológico. A Toyobo, que enfrentou problemas de contaminação em seus cultivos de shimeji, encontrou no Instituto uma solução eficaz para o controle biológico. “Firmamos um convênio com o IB e iniciamos nossa atividade no controle biológico”, conta Minoru Takahashi, CEO da Toyobo.

    Desde 2005, a empresa se concentrou na produção do fungo Metarhizium, que serve como base para diversos inseticidas. A cepa IBCB 425 cobre cerca de 2 milhões de hectares de cana-de-açúcar e aproximadamente 1 milhão de hectares no controle da cigarrinha das pastagens.

    O Instituto Biológico e a Toyobo desenvolveram diversas cepas, aplicadas em mais de 10 milhões de hectares em todo o Brasil. “O impacto financeiro é significativo. Pois essas cepas são utilizadas em diferentes culturas, como soja, milho, citros e hortaliças”, explica José Eduardo Marcondes de Almeida, diretor da Unidade Laboratorial de Referência em Controle Biológico do IB.

    A produção dessas cepas não apenas reduz os custos com inseticidas químicos importados. Mas também aumenta a segurança dos trabalhadores ao minimizar riscos de contaminação. A indústria de bioinseticidas está crescendo a uma taxa anual de 20%, criando novas oportunidades de emprego em diversos níveis.

    O papel do Instituto Biológico

    Com unidades em Salto e Americana, a Toyobo não só produz esporos para empresas comercializadoras de defensivos biológicos, mas também gera mais de 500 empregos. Desde sua fundação no Japão em 1882 e sua chegada ao Brasil em 1955, a empresa tem se diversificado para incluir a biotecnologia após iniciar sua parceria com o Instituto Biológico.

    O uso das cepas desenvolvidas pelo Instituto Biológico é fundamental para promover uma agricultura mais sustentável e regenerativa. Com uma redução estimada de pelo menos 30% na aplicação de defensivos químicos, a expectativa é que esse número alcance 50% até 2050. Pesquisadores como José Eduardo Marcondes e Ricardo Harakava destacam que essa abordagem limpa e eficiente não apenas aumenta a produtividade. Mas também melhora a saúde do solo por meio do uso de biofertilizantes e bioestimulantes.

    Portanto, a colaboração entre o Instituto Biológico e empresas como a Toyobo exemplifica como ciência e tecnologia podem transformar práticas agrícolas. Com um compromisso contínuo com a sustentabilidade e inovação, essas iniciativas estão moldando o futuro da agricultura brasileira, promovendo um manejo mais responsável das pragas e contribuindo para um ambiente mais saudável.

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