Tag: China

  • Setor frigorífico brasileiro expande atuação na China

    Setor frigorífico brasileiro expande atuação na China

    O setor frigorífico brasileiro intensifica sua presença no mercado asiático com uma agenda estratégica de eventos na China durante novembro. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) realizaram neste domingo (2/11) a terceira edição do projeto The Beef and Road: Bridging the Brazil–China Beef Routes, em Zhengzhou, capital da província de Henan.

    As ações ocorrem enquanto o setor aguarda possível flexibilização das tarifas americanas, após encontro entre os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos. Mesmo assim, exportadores brasileiros mantêm foco na prospecção de novos mercados e na consolidação de parcerias em outros continentes.

    Projeto Brazilian Beef completa 20 anos com crescimento de 500%

    O projeto setorial Brazilian Beef, iniciado em 2001 pela parceria entre ApexBrasil e Abiec, fortalece a imagem da carne bovina brasileira no exterior. Em duas décadas, a iniciativa firmou dez projetos, investiu mais de R$ 60 milhões e impulsionou um crescimento superior a 500% nas exportações.

    A atual edição do evento dá continuidade às ações de promoção do setor e busca ampliar as atividades comerciais para além dos grandes centros urbanos como Pequim e Xangai. Cerca de 100 empresários chineses e 40 brasileiros, todos associados da Abiec, participam do encontro, que também conta com autoridades locais e representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE).

    O evento inclui rodadas de negócios, apresentações culturais e o tradicional Brazilian Beef Dinner, que serve cortes selecionados harmonizados com vinhos brasileiros.

    Foto: Divulgação ABIEC

    “Os chineses estão conhecendo com mais detalhes o sabor da carne bovina brasileira. Estamos promovendo o encontro direto entre quem compra e quem vende”, afirmou Roberto Perosa, presidente da Abiec. “A parceria com a Apex reúne compradores e vendedores no mesmo espaço, e os negócios acontecem.”

    Zhengzhou consolida posição estratégica para distribuição na China

    Com população superior a 12 milhões de habitantes, Zhengzhou atua como um dos principais centros logísticos e de consumo da China. A cidade conecta o comércio entre o leste e o interior do país e reafirma sua importância estratégica para a consolidação do Brazilian Beef no mercado asiático.

    Outras edições do projeto ocorreram em Hangzhou, capital da província de Zhejiang, e em Nanjing, fortalecendo a estratégia de expansão regional e diversificação dos canais de distribuição. A Abiec também participa da China–LAC Business Summit em Zhengzhou, fórum que reúne representantes de governos e empresários da América Latina e do Caribe com autoridades e investidores chineses.

    Brasil domina 50% das importações chinesas de carne bovina

    O Brasil mantém posição de maior fornecedor mundial de carne bovina à China. Atualmente, 67 plantas frigoríficas (SIFs) e 31 empresas associadas à Abiec possuem habilitação para exportar ao mercado chinês.

    Entre janeiro e setembro de 2025, o Brasil exportou 1,15 milhão de toneladas de carne bovina para a China, com faturamento de US$ 6,06 bilhões. Os números representam altas de 38,7% em volume e 75,8% em valor em relação ao mesmo período de 2024.

    A China responde, neste ano, por 48,8% da receita total das exportações brasileiras de carne bovina e 47,3% do volume embarcado. O país asiático consolida-se, pelo quinto ano consecutivo, como principal destino do produto brasileiro, muito à frente dos Estados Unidos (10,4%) e do México (4,1%). As tarifas americanas reforçaram esse panorama.

    Setor participa da maior feira de importação do mundo

    Após o evento em Zhengzhou, a Abiec participa, entre 5 e 10 de novembro, da China International Import Expo (CIIE) 2025, em Xangai. A feira figura entre as maiores do mundo em importação.

    A participação ocorre em parceria com ApexBrasil, Mapa, Embaixada do Brasil em Pequim e Consulado-Geral do Brasil em Xangai. Os expositores da Abiec ocupam o Pavilhão das Empresas, que oferece o tradicional churrasco brasileiro assinado pelo Barbacoa, uma das atrações mais procuradas pelos visitantes.

    O governo chinês organiza a CIIE por meio do Ministério do Comércio (Mofcom). Reconhecida como a primeira feira nacional de importação do mundo, a CIIE reúne mais de 3.500 expositores e centenas de milhares de visitantes. Desde sua criação em 2018, o evento recebeu mais de 3.400 empresas de 128 países e cerca de 800 mil visitantes.

    Novos mercados abrem portas à proteína brasileira

    O setor intensifica esforços de divulgação no exterior em ano particularmente desafiador devido às tarifas americanas. Mesmo antes da crise, mercados importantes vinham abrindo portas à proteína animal brasileira, como Japão e Vietnã.

    A comitiva presidencial visitou esses países em março, acompanhada por empresários e representantes da pecuária, incluindo associados da Abiec. Ambos os países enviaram missões técnicas ao Brasil nos últimos meses e já negociam os primeiros embarques. As Filipinas, que receberam etapas do projeto Brazilian Beef, consolidaram suas parcerias comerciais.

    Sudeste Asiático expande importações de carne brasileira

    Em outubro, a passagem da comitiva presidencial por Malásia e Indonésia coincidiu com fóruns empresariais nos dois países. A Abiec participou das agendas com autoridades locais e brasileiras, promovendo encontros e diálogos com importadores.

    Entre janeiro e setembro de 2025, o comércio de carne bovina brasileira com Indonésia e Malásia apresentou forte expansão, consolidando ambos os países como mercados estratégicos no Sudeste Asiático.

    A passagem da comitiva por Indonésia e Malásia foi produtiva, proporcionando diálogo com autoridades e produtores locais. Agora, as próximas etapas serão na China, principal comprador da carne bovina brasileira. Foto: Divulgação ABIEC

    O Brasil exportou US$ 76 milhões e 17 mil toneladas para a Indonésia, alta expressiva em relação a 2024. O país posiciona-se como terceiro principal fornecedor, após Austrália e Índia. Para a Malásia, as exportações brasileiras somaram US$ 46 milhões e mais de 15 mil toneladas até setembro, crescimento de 32% em valor e 15% em volume sobre o mesmo período do ano anterior.

    Ambos os mercados reconhecem o Brasil como fornecedor de carne bovina halal, segura e competitiva. O avanço das habilitações e protocolos sanitários amplia o acesso a novos produtos e oportunidades comerciais na região.

    O encontro entre os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos ocorreu justamente na Malásia, em meio à crise tarifária. O diálogo aumentou as expectativas de flexibilização das barreiras tarifárias americanas, o que traria alívio a segmentos impactados como o da carne. Enquanto isso, os esforços de divulgação e fechamento de negócios continuam, seguindo o sucesso da participação brasileira na Anuga 2025, maior feira de alimentos do mundo, realizada recentemente na Alemanha.

  • TCP lidera embarques de gergelim e feijão

    TCP lidera embarques de gergelim e feijão

    A abertura do mercado chinês para o gergelim brasileiro transformou o cenário das exportações em menos de um ano. A TCP, empresa que administra o Terminal de Contêineres de Paranaguá, exportou 249 mil toneladas de gergelim até setembro de 2025, volume que representa crescimento de 184% em relação às 88 mil toneladas do mesmo período de 2024.

    O Terminal conquistou 71% de participação de mercado no volume total que o Brasil embarca. A China sozinha absorve 46% de todo o gergelim que sai pela TCP, seguida por Índia (21%) e Vietnã (8%).

    Giovanni Guidolim, gerente comercial, de logística e atendimento da TCP, destaca o impacto do mercado asiático. “A China consome mais de um terço do gergelim mundial. A abertura desse mercado e as recentes habilitações de empresas brasileiras fizeram os embarques dispararem. Em menos de um ano, o país asiático já se tornou o principal destino do gergelim que exportamos”, afirma o executivo.

    Conectividade marítima garante vantagem competitiva

    A TCP opera oito serviços semanais com destino à Ásia, fator que proporciona flexibilidade e maior capacidade de embarque. Enquanto o Brasil expandiu suas exportações de gergelim em 42%, a TCP absorveu alta de 184%, segundo Carolina Brown, gerente comercial de armadores e de inteligência de mercado da TCP.

    “Os três maiores mercados para o gergelim brasileiro concentram-se no continente asiático. Nossa conectividade marítima traz vantagem competitiva e evidencia a preferência do mercado por embarcar a carga pelo Terminal”, explica Brown.

    Dados da Secretaria de Comércio Exterior compilados pelo Instituto Brasileiro de Feijão e Pulses (IBRAFE) confirmam o recorde: o Brasil exportou 349,67 mil toneladas de gergelim entre janeiro e setembro de 2025, maior volume da série histórica, superando as 246,65 mil toneladas do mesmo período de 2024.

    Embarques de feijão crescem 79% e TCP alcança 87% do mercado brasileiro

    O feijão brasileiro expande presença no mercado internacional. O IBRAFE aponta que as exportações nacionais atingiram 361,86 mil toneladas até setembro de 2025, maior volume da série histórica, com crescimento de 4% sobre o ano anterior.

    A TCP embarcou 315 mil toneladas de feijão entre janeiro e setembro de 2025, crescimento de 79% em relação às 176 mil toneladas de 2024. O resultado posiciona o Terminal de Contêineres de Paranaguá como o maior corredor de exportação de feijão do Brasil, com 87% de participação de mercado.

    A Índia lidera os destinos do feijão exportado pela TCP, com 64% do volume, seguida por Portugal (6%) e África do Sul (5%).

    Guidolim ressalta que a eficiência operacional faz a diferença para produtos perecíveis. “O feijão exige fumigação e os produtores buscam agilidade para que as remessas cheguem no prazo. A parceria do Terminal com armazéns da retroárea de Paranaguá e o alinhamento contínuo com órgãos intervenientes tornam o embarque de pulses por Paranaguá mais ágil e rentável”, explica o executivo.

    Feijão-mungo-preto lidera exportações brasileiras

    O relatório do IBRAFE destaca que o feijão-mungo-preto liderou as exportações brasileiras, com 171 mil toneladas embarcadas. O Instituto Agronômico de Campinas (IAC) lançou oficialmente a variedade em 2024. Antes disso, agricultores não cultivavam o produto no país. O feijão-caupi branco ficou em segundo lugar, com 66 mil toneladas.

    Diferente do feijão carioca e do feijão preto, os mais consumidos internamente, o feijão-mungo-preto e o feijão-caupi branco atendem o mercado externo e integram a culinária de países asiáticos.

    O IBRAFE esclarece que essas exportações não comprometem o abastecimento interno. O feijão-carioca, que representa 65% da produção nacional, permanece voltado ao consumo doméstico.

  • TCP amplia exportações para a China e lidera o embarque de carnes do Brasil

    TCP amplia exportações para a China e lidera o embarque de carnes do Brasil

    O Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP) alcançou um novo recorde nas exportações de carne bovina congelada. Entre janeiro e setembro de 2025, a empresa embarcou 736 mil toneladas do produto. Uma alta de 49% em relação ao mesmo período de 2024, quando o volume somou 493 mil toneladas.

    O total embarcado nos nove primeiros meses deste ano já supera em 9% o resultado de todo o ano passado, que havia encerrado com 675 mil toneladas. De acordo com o gerente comercial, de logística e de atendimento da TCP, Giovanni Guidolim, o terminal elevou sua participação de mercado de 23% para 30% em apenas um ano. “Esse avanço mostra a confiança do exportador na infraestrutura, no atendimento e na qualidade dos serviços da TCP. O que reforça seu papel como principal corredor de exportação de carnes do Brasil”, afirma.

    A expansão do pátio de contêineres refrigerados, concluída em 2024, fortaleceu esse desempenho. O espaço passou de 3.624 para 5.268 tomadas, consolidando a TCP como o maior parque de armazenagem de contêineres refrigerados da América do Sul.

    A China segue como o principal destino da carne bovina embarcada em Paranaguá, absorvendo 59,2% do total exportado. Na sequência aparecem Estados Unidos (7,5%), Rússia (4,5%), México (4%) e Itália (2,7%).

    Dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) indicam que, de janeiro a setembro de 2025, o Brasil exportou 2,44 milhões de toneladas de carne bovina. Um crescimento de 16% em relação ao mesmo período de 2024. A receita subiu 35,4%, alcançando US$ 12,4 bilhões, quase igualando o faturamento anual de 2024, de US$ 12,8 bilhões.

    TCP também lidera exportações de carne de frango

    As exportações de carne de frango congelada seguem como o carro-chefe da TCP. Até setembro, o terminal embarcou 1,724 milhão de toneladas, o maior volume entre todos os portos brasileiros e equivalente a 44% da fatia nacional de mercado.

    Em agosto, a TCP registrou um dos melhores meses da sua história, com 228 mil toneladas exportadas. Segundo Guidolim, a retomada das importações em mercados estratégicos fortaleceu as perspectivas para o último trimestre de 2025. “Estamos prontos para atender os produtores com qualidade e excelência”, destaca.

    Os principais importadores da carne de frango embarcada pelo terminal foram os Emirados Árabes Unidos (8,8%), China (8,2%), Japão (7,1%), África do Sul (7%) e México (6,5%).

    Para a gerente comercial de armadores e inteligência de mercado da TCP, Carolina Brown, a demanda internacional continua aquecida. “A TCP possui o maior portfólio de linhas marítimas entre os terminais brasileiros, com 25 escalas semanais e 21 serviços marítimos, o que garante cobertura global e maior flexibilidade aos exportadores”, afirma.

    Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o Brasil exportou 3,876 milhões de toneladas de carne de frango de janeiro a setembro de 2025, leve queda de 1% em comparação ao mesmo período de 2024. A receita, porém, atingiu US$ 7,166 bilhões.

    Movimentação de contêineres refrigerados atinge recorde

    De janeiro a setembro de 2025, a TCP registrou o melhor resultado de movimentação de contêineres da sua história, com 1.227.810 TEUs. Um aumento de 5% frente a 2024.

    O segmento de cargas refrigeradas (reefer) manteve papel de destaque, com 106.275 contêineres movimentados, alta de 7% sobre o ano anterior. O desempenho reflete o bom ritmo das exportações de carnes e a chegada de novos clientes, principalmente do setor bovino.

  • Valorização da mandioca na Tailândia pressiona mercado global de açúcar

    Valorização da mandioca na Tailândia pressiona mercado global de açúcar

    A Tailândia, maior exportadora mundial de mandioca, enfrenta uma mudança importante no perfil agrícola que pode impactar diretamente o mercado global de açúcar na safra 2026/27. A valorização da mandioca estimula produtores a migrarem da cana-de-açúcar para a raiz, influenciando a oferta internacional do adoçante.

    Com um PIB previsto em US$ 1,9 trilhão para 2025, a Tailândia destaca-se como potência agrícola, especialmente na produção de arroz, borracha, açúcar e mandioca. Nos últimos anos, a queda dos preços da mandioca e a maior rentabilidade da cana provocaram a redução da área plantada da raiz em 10% na safra 2022/23. Porém, essa tendência começa a reverter.

    A demanda chinesa pela mandioca tailandesa cresceu em 2025, após um recuo significativo nos dois anos anteriores. Enquanto a China importou 7,1 milhões de toneladas em 2022 e apenas 2,5 milhões em 2024, voltou a adquirir 4 milhões de toneladas entre março e julho de 2025, com 80% desse volume vindo da Tailândia, segundo dados da StoneX.

    O aumento dos preços do milho na China levou a indústria local de ração e etanol a buscar substituir o grão pela mandioca. Essa mudança elevou os preços da mandioca bruta na Tailândia para 1.700 baht por tonelada (US$ 51,85) em julho e agosto, acima dos 1.400 baht/t (US$ 42,70) registrados em junho — nível mais baixo desde 2017.

    Demanda chinesa

    Marcelo Di Bonifácio, analista da StoneX, observa que “a recuperação da demanda chinesa pode redefinir a rentabilidade das culturas na Tailândia. A mandioca ressurge como opção viável, principalmente se os preços do açúcar continuarem em queda”.

    Até julho, as exportações de mandioca e derivados alcançaram 4,9 milhões de toneladas, quase igualando o total de 5,2 milhões de 2024. A expectativa é de manutenção da recuperação até 2026. Reacendendo a competição com a cana nas regiões Norte e Nordeste, onde produtores costumam alternar culturas conforme a rentabilidade.

    O preço do açúcar cotado abaixo de 16 centavos de dólar por libra pressiona o governo a reduzir o preço mínimo da cana, fortalecendo a migração para a mandioca. Segundo cálculos da StoneX com base no Escritório de Economia Agrícola da Tailândia, a mandioca precisaria atingir preços entre 2.000 e 2.300 baht por tonelada para superar a cana, caso esta caia para menos de 1.000 baht/t.

    Mudança inevitável

    Di Bonifácio destaca: “Se a cana perder rentabilidade e a mandioca alcançar 2.300 baht/t, a mudança será inevitável. Podendo impactar a oferta global de açúcar já na safra 2026/27”.

    Essa substituição ocorre num momento crítico para o açúcar, que enfrenta superávit projetado para 2025/26 e pressão baixista após três safras seguidas em alta. Como responsável por cerca de 10% da exportação global do adoçante, a Tailândia tem papel decisivo nesse cenário.

    Mesmo uma redução parcial da área plantada de cana no país pode limitar a produção de açúcar e interromper o ciclo de crescimento iniciado em 2022, amenizando o excesso de oferta mundial.

    “A Tailândia é elo estratégico para açúcar e mandioca. Qualquer alteração em sua produção afeta os fluxos comerciais asiáticos e o equilíbrio global das commodities agrícolas”, afirma Di Bonifácio.

    No curto prazo, a retomada da demanda chinesa traz nova competitividade para a mandioca. No médio prazo, esse rearranjo pode redesenhar a dinâmica de dois mercados agrícolas fundamentais para a economia global.

  • China pode restringir exportação de fertilizantes e preocupa mercado global

    China pode restringir exportação de fertilizantes e preocupa mercado global

    O mercado global de fertilizantes opera com cautela diante da possibilidade de restrições chinesas nas exportações durante o quarto trimestre de 2025. A China pretende priorizar o abastecimento interno e controlar preços para seus agricultores, segundo relatório semanal da StoneX, empresa global especializada em serviços financeiros.

    Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, explica que essa política é comum antes da temporada de aplicação no país asiático. “O governo chinês foca no mercado doméstico e isso pode reduzir a oferta global, principalmente em nitrogenados e fosfatados, categorias em que a China domina as exportações.”

    A ausência de previsibilidade nas decisões oficiais alimenta a incerteza entre importadores. Com essa falta de clareza sobre o início ou o fim das restrições, empresas globais correm para buscar fornecedores alternativos diante da possível indisponibilidade do produto chinês.

    Em 2024, a China respondeu por cerca de 16% das exportações mundiais de MAP (fosfato monoamônico), fertilizante muito utilizado no Brasil. Eventuais cortes nas vendas externas podem comprometer diretamente o abastecimento brasileiro, segundo Pernías.

    A redução da oferta mundial tende a aumentar a competição pelas cargas disponíveis, elevando os preços no mercado internacional. Os agricultores brasileiros enfrentariam custos ainda mais altos em um cenário já marcado por despesas elevadas e baixa rentabilidade.

    No entanto, o comportamento do mercado doméstico brasileiro pode amenizar parte do impacto. O movimento de compras se reduz no último trimestre do ano, pois a maioria das aquisições ocorre antes do plantio da safra de verão. Assim, o efeito da restrição chinesa dependerá do tipo de fertilizante afetado e da demanda de cada segmento, conclui o analista.

  • Agronegócio de São Paulo acumula superávit de US$ 16,8 bilhões em 2025

    Agronegócio de São Paulo acumula superávit de US$ 16,8 bilhões em 2025

    O agronegócio de São Paulo registrou um superávit de US$ 16,81 bilhões no comércio exterior entre janeiro e setembro de 2025, de acordo com análise da Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (Apta), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do estado. As exportações do setor somaram US$ 21,15 bilhões, representando expressivos 40,3% do total exportado por São Paulo no período. As importações ficaram em US$ 4,34 bilhões.

    O complexo sucroalcooleiro liderou as vendas externas, com US$ 6,32 bilhões, apesar de uma retração de 33,6% na comparação com igual período de 2024. Na sequência, aparecem os setores de carnes (US$ 3,15 bilhões) e produtos florestais (US$ 2,21 bilhões). Sucos (US$ 2,15 bilhões) e o complexo soja (US$ 2,10 bilhões) completam os cinco principais grupos, que, juntos, concentram 75,4% do total exportado pelo agro paulista.

    Destaque para o desempenho do café, que registrou alta de 43,4% nas exportações, e das carnes, com crescimento de 26,3%.

    China mantém liderança como principal destino

    A China se consolidou como o principal parceiro comercial, respondendo por 24,2% do total exportado, com aquisições principalmente de soja, carnes, açúcar e produtos florestais. A União Europeia vem em seguida (14,4%), e os Estados Unidos (12,7%) aparecem na terceira posição.

    As vendas para os EUA, no entanto, sofreram impacto de medidas tarifárias. Embora tenham crescido 13% no acumulado de janeiro a setembro, as exportações caíram 14,2% em agosto e 32,7% em setembro, após a imposição de tarifas de 50% pelo governo americano em agosto. Itens como carnes, café e produtos florestais sentiram o efeito imediato. O diretor da Apta, Dr. Carlos Nabil Ghobril, explicou que parte do volume afetado foi redirecionado para outros mercados, como China, México e Argentina.

    No cenário nacional, o agronegócio paulista manteve a segunda posição no ranking de exportações, com participação de 16,7% no total do Brasil, ficando atrás apenas de Mato Grosso (17,4%) e à frente de Minas Gerais (11,5%).

  • Exportações chinesas crescem 8,3% em setembro apesar de tarifas dos EUA

    Exportações chinesas crescem 8,3% em setembro apesar de tarifas dos EUA

    As exportações da China registraram crescimento de 8,3% em setembro de 2025, superando as expectativas do mercado e fortalecendo a posição do presidente Xi Jinping na disputa comercial com os Estados Unidos. O resultado representa o ritmo mais acelerado de crescimento em seis meses.

    De acordo com dados divulgados pela Administração Geral das Alfândegas nesta segunda-feira, as vendas ao exterior atingiram US$ 328,6 bilhões — o maior volume mensal de 2025. O desempenho ficou acima da projeção mediana de 6,6% estimada por economistas consultados pela Bloomberg.

    Os números demonstram resiliência da economia chinesa mesmo diante do tarifaço dos Estados Unidos, que mantém taxas elevadas sobre produtos do país asiático.

    Queda nas vendas para os EUA é compensada por outros mercados

    Embora os embarques para território americano tenham despencado 27% — marcando o sexto mês consecutivo de quedas superiores a dois dígitos —, a China conseguiu compensar essa retração através da diversificação de destinos.

    As exportações para mercados fora dos Estados Unidos avançaram 14,8%, o maior crescimento desde março de 2023. A estratégia de buscar parceiros comerciais alternativos tem se mostrado eficaz para manter o fluxo de produtos chineses.

    União Europeia lidera crescimento das exportações

    Entre os destaques, as vendas para a União Europeia cresceram mais de 14%, representando o maior aumento em três anos. Outros mercados também apresentaram expansão significativa:

    • África: alta de 56%, o ritmo mais rápido desde fevereiro de 2021
    • América Latina: crescimento de 15,2%, revertendo quedas anteriores
    • Sudeste Asiático: avanço de quase 16%
    • Vietnã: aumento de 25% nas importações de produtos chineses

    “As exportações da China permaneceram resilientes apesar das tarifas americanas, graças à diversificação de mercados e à forte competitividade”, afirmou Michelle Lam, economista para a Grande China do Societe Generale SA.

    Vietnã como centro de redirecionamento comercial

    A Capital Economics identificou o Vietnã como “principal centro de redirecionamento” de produtos chineses. Analistas apontam que empresas têm utilizado o país do Sudeste Asiático como rota alternativa para fazer produtos chegarem indiretamente ao mercado americano.

    As importações chinesas também surpreenderam positivamente, com alta de 7,4% em setembro, impulsionadas por compras do Japão, Coreia do Sul, Países Baixos e Taiwan.

    Com o forte desempenho tanto nas exportações quanto nas importações, o superávit comercial da China atingiu US$ 90,5 bilhões, crescimento de quase 11% na comparação anual.

    O superávit com os Estados Unidos chegou a aproximadamente US$ 23 bilhões — uma alta em relação a agosto, mesmo com a China reduzindo compras de produtos americanos como soja.

    Tensões comerciais entre China e EUA persistem

    As relações comerciais entre as duas maiores economias do mundo continuam tensas. Na semana passada, a China anunciou controles globais de exportação sobre minerais de terras raras, levando Donald Trump a ameaçar cancelar reunião com Xi Jinping, a primeira em seis anos.

    O presidente americano também anunciou planos para impor tarifa adicional de 100% sobre produtos chineses, além de restrições a softwares críticos.

    Posteriormente, o governo Trump sinalizou abertura para acordo, embora tenha alertado que os controles de exportação chineses representam obstáculo às negociações.

    Próxima rodada de negociações prevista

    O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, confirmou que uma nova rodada de negociações ocorrerá em Frankfurt, na Alemanha, antes de 10 de novembro — data de expiração da trégua tarifária atual.

    Segundo a Bloomberg Economics, tarifas de 100% elevariam as taxas efetivas sobre produtos chineses para cerca de 140%, nível que praticamente paralisaria o comércio bilateral.

    Os bons resultados nas exportações trazem alívio para a economia doméstica chinesa, que enfrenta deflação e dificuldades no setor imobiliário.

    A China deve divulgar os dados do terceiro trimestre no dia 20. Apesar da expectativa de desaceleração, o país segue no caminho para atingir a meta oficial de crescimento de 5% em 2025.

    “O ambiente externo atual continua sombrio e complexo. O comércio exterior enfrenta incertezas e dificuldades crescentes”, alertou Wang Jun, vice-chefe da autoridade alfandegária em Pequim.

    Lynn Song, economista-chefe para a Grande China do ING Bank NV, observa que a exposição limitada ao mercado americano em setores de alto crescimento — como baterias de lítio, navios e veículos elétricos — deve facilitar para Pequim conter novas disrupções comerciais.

    “Até agora neste ano, a China tem mostrado que, embora não deseje uma guerra comercial, está disposta a revidar conforme necessário diante de escaladas. A resiliência das exportações provavelmente reforçará a confiança nessa abordagem”, concluiu Song.

  • Exportações do Piauí crescem 45% em setembro de 2025

    Exportações do Piauí crescem 45% em setembro de 2025

    As exportações do Piauí impulsionaram a economia estadual em setembro de 2025, com valor de US$ 155,2 milhões, ou aproximadamente R$ 828,8 milhões. Isso segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgados nesta segunda-feira (6). O resultado representa um crescimento de 45,2% em relação a agosto de 2025, quando o estado exportou US$ 106,9 milhões.

    O superávit comercial foi de US$ 148,3 milhões (R$ 791,9 milhões), com as exportações acumuladas de janeiro a setembro totalizando US$ 925,6 milhões (R$ 4,941 bilhões). O aumento nas vendas internacionais se deu principalmente pela diversificação dos mercados, com destaque para a Ásia, especialmente China, Tailândia e Vietnã.

    Mercado Asiático lidera exportações piauienses

    De acordo com Deusval Lacerda, superintendente de Desenvolvimento Econômico do Piauí, quase 97% dos produtos exportados tiveram como destino a China e os países do Sudeste Asiático. A China lidera com 84,7% das compras. Seguida pela Tailândia (11,2%), Vietnã (0,7%), além de Estados Unidos, Espanha e Alemanha, que representam cerca de 2,8% do volume total.

    A soja responde por 95,8% do valor exportado, com US$ 148,7 milhões. Outros itens incluem algodão bruto (1,6%) e gorduras e óleos animais e vegetais (1,3%). Os municípios que mais contribuíram para a balança comercial do estado foram Uruçuí, Bom Jesus, Santa Filomena, Monte Alegre do Piauí, Corrente e Parnaíba.

    As importações de setembro caíram 77% em comparação ao mesmo período do ano passado, passando de US$ 30,1 milhões em 2024 para US$ 6,9 milhões neste ano. Totalizando uma forte melhora na balança comercial do estado.

  • China impulsiona exportação recorde de carne bovina do Brasil em meio a guerra comercial

    China impulsiona exportação recorde de carne bovina do Brasil em meio a guerra comercial

    As exportações brasileiras de carne bovina atingiram um volume recorde em setembro, impulsionadas principalmente por um salto de 38,3% nas vendas para a China. De acordo com a associação Abrafrigo, o país asiático comprou 187.340 toneladas no período, consolidando-se como o principal destino do produto.

    Esse crescimento faz parte de uma estratégia chinesa para diversificar suas fontes de proteína animal, reduzindo a dependência de produtos agrícolas dos Estados Unidos em meio à disputa comercial entre as duas potências.

    O desempenho robusto ocorre mesmo após os Estados Unidos, que eram o segundo maior mercado para a carne brasileira no ano, imporem uma tarifa adicional de 50% em agosto. Como reflexo direto dessa medida, as exportações para os americanos caíram 41% em setembro, somando US$ 102,9 milhões.

    A Abrafrigo destacou que a demanda global permitiu ao setor contornar os efeitos dessas barreiras. A entidade enfatizou a “resiliência e a capacidade de aproveitar novas oportunidades comerciais” como fatores-chave para o resultado positivo.

    Diversificação e recorde de receita

    A União Europeia emergiu como o novo segundo maior destino em setembro, com compras lideradas por Itália, Holanda e Espanha. As importações do bloco europeu totalizaram US$ 131,7 milhões, um crescimento de 106% frente a setembro do ano anterior.

    No total, considerando carne fresca, processada, miúdos e sebo, o Brasil exportou 373.867 toneladas em setembro. Esse volume gerou uma receita de US$ 1,92 bilhão, representando altas notáveis de 49% em valor e 17% em volume na comparação anual.

    O cenário confirma uma tendência de reshuffling no comércio global, realocando o fluxo de produtos brasileiros. O fenômeno, também observado no mercado de soja, mostra a capacidade do agronegócio do Brasil em se adaptar ao cenário internacional. A Abrafrigo informou que, este ano, 130 países aumentaram suas compras de carne bovina brasileira, enquanto apenas 48 as reduziram.

  • China suspende compra de soja dos EUA e Brasil mantém liderança no mercado global

    China suspende compra de soja dos EUA e Brasil mantém liderança no mercado global

    A China praticamente paralisou as importações de soja dos Estados Unidos em 2025, abrindo uma oportunidade histórica para o Brasil consolidar sua posição como principal fornecedor do grão ao maior importador mundial. Os dados foram divulgados pela American Farm Bureau Federation, entidade que representa 6 milhões de agricultores norte-americanos desde 1919.

    Segundo o levantamento, a China adquiriu apenas 5,8 milhões de toneladas de soja americana em 2025, uma redução abrupta em comparação às 26,5 milhões de toneladas importadas em 2024 — quando o país representava metade de todas as compras chinesas do produto.

    “Os mercados de soja tornaram-se o sinal mais claro de estresse no comércio agrícola dos EUA”, afirmou a entidade em seu relatório. Durante os meses de junho, julho e agosto, praticamente não houve embarques de soja americana para território chinês, e nenhuma compra foi registrada para a próxima safra.

    Brasil domina o mercado com 77 milhões de toneladas

    Enquanto os produtores americanos enfrentam dificuldades, o Brasil registrou vendas superiores a 77 milhões de toneladas de soja para a China no período analisado de 2025. Os números evidenciam como a América do Sul assumiu a liderança absoluta no fornecimento, deslocando completamente os agricultores norte-americanos.

    A Argentina também buscou aumentar sua participação no mercado ao remover temporariamente o imposto de exportação de soja, restabelecendo-o dias depois após as receitas ultrapassarem US$ 7 bilhões.

    Governo Trump promete apoio aos produtores

    Diante da pressão crescente dos agricultores americanos, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou na semana passada que o governo Donald Trump prepara um “apoio substancial aos nossos agricultores, especialmente aos produtores de soja”, com possível anúncio nesta terça-feira.

    O próprio presidente Trump reconheceu o problema em sua rede social Truth Social: “Os produtores de soja do nosso país estão sendo prejudicados porque a China, por razões de ‘negociação’ apenas, não está comprando. Ganhamos tanto dinheiro com tarifas que vamos pegar uma pequena parte desse dinheiro e ajudar os nossos agricultores”.

    Durante a primeira guerra comercial com a China em 2019, Trump destinou mais de US$ 22 bilhões em pagamentos de ajuda aos agricultores americanos.

    Transformação estrutural no comércio global

    A American Farm Bureau Federation alerta que a situação vai além da disputa tarifária atual. As importações chinesas de soja não diminuíram — na verdade, atingiram níveis recordes. A diferença é que a demanda agora é atendida por concorrentes dos Estados Unidos.

    “Mesmo quando os agricultores americanos produzem safras com preços competitivos, a China tem reduzido gradualmente sua dependência dos Estados Unidos. Voltando-se para o Brasil, a Argentina e outros fornecedores”, destacou a entidade.

    Impacto nos preços e outros produtos agrícolas

    A ampla oferta global e a demanda reduzida estão pressionando os preços do milho, soja e trigo americanos, reduzindo as receitas agrícolas apesar das fortes colheitas. A situação é agravada pelos baixos níveis de água no Rio Mississippi, que elevam os custos de transporte.

    A mudança não se limita à soja. A China não comprou milho, trigo ou sorgo dos EUA em 2025, e as exportações de carne suína e algodão permanecem em níveis mínimos. O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) projeta que as exportações agrícolas totais para o país asiático alcançarão US$ 17 bilhões em 2025. Uma queda de 30% em relação a 2024 e mais de 50% comparado a 2022.

    Para 2026, a projeção é ainda mais preocupante: apenas US$ 9 bilhões, o menor patamar desde 2018.

    Histórico de dependência e diversificação

    Em 2012, a China comprava mais de US$ 25 bilhões em produtos agrícolas americanos, representando quase 20% de todas as exportações do setor. Em 2018, as vendas despencaram para aproximadamente US$ 9 bilhões, o menor nível em uma década.

    Embora tenha havido recuperação parcial em 2020 e 2021, o movimento foi temporário. “Desde então, a China tem diversificado constantemente seus fornecedores. Voltando-se mais para o Brasil e a Argentina em busca de soja, grãos e proteína”, informou a federação.

    “As metas de política interna da China, incluindo segurança alimentar e gestão de preços, também incentivam a distribuição das compras entre vários países para evitar a dependência dos Estados Unidos”, explicou a American Farm Bureau Federation.

    A entidade conclui que a desaceleração de 2025 não é um evento isolado. Mas parte de uma trajetória de longo prazo na qual a China se afasta estrategicamente da agricultura americana. “Para os agricultores americanos, essa mudança significou menos vendas, um crescente déficit comercial agrícola e maior incerteza sobre o futuro papel da China como mercado para a agricultura americana”, finalizou.