Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Tóquio, em parceria com o Centro de Tecnologia Agrícola, Florestal e Pesqueira da Prefeitura de Kyoto, comprova que a simples troca da cor das telas de proteção agrícola pode reduzir significativamente o uso de pesticidas nas lavouras. A pesquisa foi publicada na revista científica Scientific Reports, do grupo Nature, em fevereiro de 2024. E mostra que telas vermelhas superam as tradicionais telas pretas ou brancas no controle de pragas como a tripes-da-cebola.
A equipe, liderada pelo professor Masami Shimoda, da Pós-Graduação em Ciências Agrícolas e da Vida da Universidade de Tóquio, testou o efeito de telas vermelhas, brancas, pretas e combinadas sobre o tripes-da-cebola (Thrips tabaci), uma praga altamente resistente a inseticidas e responsável por danos econômicos expressivos em plantações ao redor do mundo. Os pesquisadores usaram lavouras de cebolinha Kujo (também conhecida como cebola-galesa) para os testes em laboratório e em campo.
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Como a cor vermelha confunde os insetos
O estudo aponta que os tripes não possuem fotorreceptores para a cor vermelha, o que dificulta sua percepção visual dessa faixa de cor. “Testamos telas vermelhas com abertura de malha maior que o corpo do inseto, mas ainda assim mais eficazes do que as telas pretas ou brancas convencionais com malha menor. Esse ‘controle óptico de pragas’ se baseia na natureza da visão colorida dos insetos para mantê-los afastados”, explica Shimoda.
Como a proteção depende da cor e não do tamanho dos furos da malha, as telas vermelhas permitem aberturas maiores. Essa característica melhora a circulação de ar, reduz o acúmulo de calor e diminui a umidade dentro das estufas. Fator que ajuda a prevenir doenças fúngicas nas plantas e torna o ambiente de trabalho mais confortável para os agricultores.
Testes de campo confirmam queda no uso de inseticidas
Nos experimentos de campo, os cientistas compararam lavouras totalmente cobertas, parcialmente cobertas (apenas topo ou apenas laterais) e sem cobertura alguma. As áreas protegidas com tela vermelha total precisaram de 25% a 50% menos aplicações de inseticida do que as áreas descobertas, além de produzirem cebolas de maior valor comercial. As parcelas com cobertura parcial exigiram uma aplicação adicional de inseticida em comparação com a cobertura total.
Segundo Shimoda, a tecnologia também ajuda a reduzir o risco de contaminação por vírus transmitidos pelos tripes, como o vírus da mancha amarela da íris (IYSV) e o vírus da murcha manchada do tomateiro (TSWV), que causam prejuízos a diversas hortaliças.
Custo compensa a longo prazo, avaliam pesquisadores
“Essas novas telas vermelhas custam mais caro do que os pesticidas, mas se tornam econômicas porque podem ser usadas por anos. Elas também são muito eficazes no controle de pragas, sem todo o trabalho envolvido na pulverização de defensivos”, afirma Shimoda. O pesquisador projeta ainda o desenvolvimento de telas que mantenham o mesmo efeito repelente sobre os insetos. Porém, sem aparência vermelha aos olhos humanos, o que reduziria custos de fabricação e aumentaria a durabilidade do produto.
Para a equipe, a técnica representa um caminho de baixa complexidade tecnológica para diminuir a dependência de defensivos químicos, desacelerar o desenvolvimento de resistência das pragas aos inseticidas e fortalecer práticas agrícolas mais sustentáveis.












