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  • Trigo brasileiro tem menor pegada de carbono que a média mundial

    Trigo brasileiro tem menor pegada de carbono que a média mundial

    Um estudo inédito da Embrapa revelou que o trigo produzido no Brasil possui uma das menores pegadas de carbono do mundo, com potencial para reduzir ainda mais suas emissões de gases de efeito estufa em até 38%. A pesquisa, realizada com base em lavouras do Sudeste do Paraná e no processo industrial de moagem, foi publicada no periódico Journal of Cleaner Production e traz dados pioneiros para a América do Sul e para ambientes subtropicais.

    A análise apontou que a produção brasileira emite, em média, 0,50 kg de dióxido de carbono equivalente (CO₂eq) por quilo de trigo. Portando, um índice abaixo da média global estimada em 0,59 kg. Ao todo, foram avaliadas 61 propriedades rurais durante a safra 2023/2024, além de uma moageira paranaense. O estudo considerou todas as etapas do ciclo de vida do produto, desde o uso de fertilizantes e defensivos agrícolas até o transporte, secagem, moagem e transformação do trigo em farinha.

    Fertilizantes nitrogenados lideram emissões de CO₂

    A maior fonte de emissão de gases de efeito estufa na triticultura brasileira está associada ao uso de fertilizantes nitrogenados, especialmente a ureia. Este insumo responde por até 40% das emissões, devido à liberação de óxido nitroso (N₂O) durante sua aplicação. Os pesquisadores sugerem a substituição da ureia por fertilizantes menos poluentes, como o nitrato de amônio com calcário (CAN). Ele pode reduzir em 4% as emissões de carbono e contribuir para diminuir a acidificação do solo.

    “A ureia, por não ser completamente absorvida pelas plantas, acaba contribuindo para o aumento da acidez do solo”, explica Marília Folegatti, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente (SP). Segundo ela, tecnologias como biofertilizantes, biopesticidas, fertilizantes de liberação lenta e nanofertilizantes também devem ser consideradas para reduzir os impactos ambientais da produção.

    Maria Cléa Brito de Figueiredo, da Embrapa Agroindústria Tropical (CE), destaca que a utilização de fertilizantes sintéticos afeta não apenas o solo. Mas também a qualidade dos alimentos e a saúde humana, devido à presença de metais pesados.

    Cultivares mais produtivas e eficiência no campo

    Outra estratégia apontada pelo estudo para mitigar a pegada de carbono é a adoção de cultivares de trigo mais produtivas, capazes de oferecer maior rendimento com o uso de menos recursos naturais, como terra e água. A produção em sistema de sequeiro, comum no Brasil, também contribui para a sustentabilidade. Pois reduz significativamente o consumo de água em comparação a outras regiões do mundo.

    Além disso, o estudo destaca a necessidade de considerar outros indicadores ambientais, como biodiversidade e qualidade do solo, para uma avaliação mais abrangente da sustentabilidade na triticultura.

    Comparativo internacional e projeções para o Brasil

    O Brasil apresenta desempenho superior ao de países como Índia (0,62 kg CO₂eq), Itália (0,58 kg) e China (0,55 kg). Mas ainda está atrás de referências como Alemanha e Austrália, que registram índices próximos a 0,35 kg. Para Álvaro Dossa, analista da Embrapa Trigo (RS), o país tem potencial para alcançar esses padrões com a adoção de práticas agrícolas mais sustentáveis.

    O estudo brasileiro também preenche uma lacuna nos dados internacionais, ao ser o primeiro a mensurar a pegada de carbono do trigo na América do Sul. Em outros continentes, a média varia de 0,24 kg CO₂eq na África a 0,68 kg na Ásia, com a Europa e a América do Norte apresentando 0,33 kg e 0,42 kg, respectivamente.

    Produção de farinha de trigo também é mais sustentável

    A parceria com a Moageira Irati permitiu uma análise detalhada da pegada de carbono na produção industrial da farinha de trigo brasileira. O estudo identificou emissões de 0,67 kg a 0,80 kg de CO₂eq por quilo de farinha, a depender do porte da propriedade rural de origem dos grãos — valores inferiores aos registrados na Espanha (0,89 kg) e Itália (0,95 kg).

    Marcelo Vosnika, diretor da Moageira Irati, acredita que esse diferencial pode se tornar uma vantagem competitiva para o Brasil no mercado internacional. “Estamos mostrando que nosso modelo de produção de trigo é resiliente, sustentável e de baixo carbono”, afirma.

    A maior incidência de luz solar no Brasil também foi apontada como um trunfo para a utilização de energia fotovoltaica na indústria moageira. Assim, reduzindo ainda mais a pegada de carbono da farinha produzida no país.

    Metodologia e impacto futuro

    A pesquisa utilizou a metodologia da Avaliação do Ciclo de Vida (ACV), conforme as normas ISO 14040 e ISO 14044. Essa abordagem permite mensurar todos os impactos ambientais associados a cada fase da produção do trigo. Os resultados também consideram indicadores de pegada hídrica, acidificação do solo, eutrofização e toxicidade ambiental.

    A expectativa da Embrapa é que o estudo sirva de base para análises semelhantes em outras cadeias produtivas que utilizam o trigo como insumo, como as indústrias de panificação, carnes e energia. “Queremos oferecer subsídios técnicos para transformar o trigo brasileiro em um modelo de produção sustentável”, afirma Vanderlise Giongo, da Embrapa Trigo.

    Com esses dados, o Brasil reforça sua posição estratégica no mercado global de trigo. E além disso, avança no compromisso com uma agricultura de baixo carbono, alinhada às exigências dos consumidores e às metas internacionais de sustentabilidade.

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  • Brasil pode liderar mercado de carbono com modelos globais

    Brasil pode liderar mercado de carbono com modelos globais

    Com mais de 36 mercados regulados de carbono em operação no mundo, o Brasil encontra inspiração para se tornar uma potência climática. Segundo Fernando Beltrame, CEO da Eccaplan e especialista em Net Zero, o país precisa seguir exemplos bem-sucedidos. Ele cita Chile, Austrália, Costa Rica e Nova Zelândia como referências para criar um sistema próprio, robusto e conectado à realidade brasileira.

    Chile

    O Chile, por exemplo, criou o Chile Carbon Market em 2021. O sistema começou pelo setor energético e agora se expande para outras áreas. Em geral, a meta chilena é alcançar a neutralidade de carbono até 2050. Para isso, o país incentiva a troca de fontes fósseis por renováveis, com apoio institucional e legal.

    Costa Rica

    Já a Costa Rica virou modelo global ao implementar políticas inovadoras de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). Essas políticas recompensam financeiramente comunidades locais e indígenas pela preservação das florestas. O país reverteu o desmatamento e elevou sua cobertura florestal de menos de 50% nos anos 1980 para mais de 60% atualmente.

    Diferente de outras nações, a Costa Rica adotou um modelo financeiro sustentável. Ela financia a conservação com impostos sobre combustíveis fósseis. Por isso, conquistou reconhecimento internacional e recebeu pagamentos do Fundo de Carbono do Banco Mundial por ações comprovadas em projetos REDD+.

    Austrália e Nova Zelândia

    A Austrália também se destaca com o Emissions Reduction Fund. Em geral, o programa oferece apoio financeiro direto para empresas e agricultores que adotam práticas sustentáveis. A Nova Zelândia foi além. O país incluiu o setor agrícola no comércio de emissões e criou um mercado com créditos de florestas nativas e práticas regenerativas.

    “Esses modelos mostram que é possível começar por setores estratégicos, fortalecer a regulação e gerar benefícios reais para quem protege o meio ambiente. O Brasil pode seguir esse caminho de forma progressiva e sustentável”, afirma Beltrame.

    Segundo a consultoria McKinsey & Company, o mercado voluntário de carbono pode movimentar até US$ 50 bilhões por ano até 2030. Portanto, com sua biodiversidade e recursos naturais, o Brasil está entre os países com maior potencial para atender essa demanda.

    Ao mesmo tempo, à medida que empresas e países adotam metas Net Zero, cresce a busca por soluções de compensação. Em resumo, esse cenário abre uma oportunidade única para o Brasil, especialmente em áreas com vegetação nativa, comunidades tradicionais e alta diversidade ambiental.

    “O mercado de carbono pode movimentar a economia verde, gerar empregos no campo, atrair capital estrangeiro e reforçar a imagem do Brasil no exterior. É uma equação rara, que exige coragem e planejamento”, analisa o CEO da Eccaplan.

    Desenvolvimento com impacto social

    Para Beltrame, o momento é propício. A crescente demanda global por créditos de carbono permite transformar os ativos naturais brasileiros em desenvolvimento sustentável.

    “O mercado de carbono é uma ferramenta estratégica para alinhar economia e preservação ambiental. Ele pode gerar renda, atrair investimentos e impulsionar novos mercados”, explica.

    Em resumo, o especialista destaca seis formas de o Brasil se beneficiar com a expansão desse mercado:

    • Geração de receita e entrada de capital estrangeiro em projetos de energia renovável e manejo florestal;
    • Avanço tecnológico, com inovações em blockchain, sensoriamento remoto e monitoramento de emissões;
    • Inclusão social, com renda para comunidades indígenas, ribeirinhas e quilombolas;
    • Fortalecimento da imagem internacional, com exportações de menor pegada de carbono;
    • Redução de riscos climáticos, por meio da conservação ambiental e dos serviços ecossistêmicos;
    • Incentivo a políticas públicas, com estímulos fiscais para práticas sustentáveis.

    “Temos tudo: florestas, conhecimento técnico e capacidade de mobilização. Falta consolidar uma estrutura com integridade, transparência e impacto positivo. Ou seja, podemos ser líderes globais nesse mercado – com justiça e inclusão”, conclui Fernando Beltrame.

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  • Petrobras investirá R$ 450 milhões em créditos de carbono na Amazônia

    Petrobras investirá R$ 450 milhões em créditos de carbono na Amazônia

    A Petrobras e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) firmaram uma parceria para impulsionar o mercado de crédito de carbono na Amazônia. O acordo prevê um investimento inicial de R$ 450 milhões na restauração florestal e pode alcançar R$ 1,5 bilhão. O BNDES concederá financiamentos para projetos de recuperação de áreas degradadas.30

    O protocolo de intenções foi assinado nesta segunda-feira (31), no Rio de Janeiro, pelos presidentes da Petrobras, Magda Chambriard, e do BNDES, Aloizio Mercadante. Batizado de ProFloresta+, o programa busca ampliar a cobertura vegetal nativa e gerar empregos na região amazônica.

    Financiamento e impacto ambiental

    A Petrobras destinará os R$ 450 milhões à compra de créditos de carbono. Já o BNDES oferecerá empréstimos para projetos de restauração, utilizando recursos do Fundo Clima. A linha de crédito terá juros de 1% ao ano, bem abaixo da taxa Selic, atualmente em 14,25% ao ano.

    A iniciativa prevê a recuperação de 3 mil hectares na fase inicial. A meta é alcançar 15 mil hectares com cinco projetos e gerar 5 milhões de créditos de carbono. Isso representa o plantio de cerca de 25 milhões de árvores e a criação de 1,7 mil empregos.

    Para Magda Chambriard, a ação reforça o compromisso ambiental da Petrobras. “Trata-se de uma revolução verde. É um projeto estruturante para combater as mudanças climáticas”, afirmou.

    O ProFloresta+ poderá atingir 50 mil hectares em 25 anos, com um investimento total de R$ 1,5 bilhão. O programa tem potencial para capturar 15 milhões de toneladas de carbono, o equivalente às emissões anuais de quase 9 milhões de veículos movidos a gasolina.

    Edital e participação

    Empresas e interessados podem enviar contribuições até 28 de abril. O edital para compra de créditos de carbono será publicado em julho de 2025.

    Brasil na liderança ambiental

    O presidente do BNDES destacou a importância do projeto diante das recentes crises climáticas, como as enchentes no Rio Grande do Sul e a maior seca da Região Norte em 121 anos. Para Mercadante, o Brasil deve liderar a agenda ambiental e tornar a COP30, que acontecerá em novembro, em Belém, um marco na luta contra o aquecimento global.

    “O plantio de árvores é uma resposta decisiva à crise climática”, ressaltou. O BNDES já financia projetos de conservação, mas o ProFloresta+ é voltado exclusivamente para recuperação de áreas degradadas.

    Transformação no mercado de carbono

    A iniciativa pretende impulsionar o mercado de carbono ao garantir previsibilidade de preços para projetos ambientais. Segundo a diretora socioambiental do BNDES, Tereza Campello, restauradores enfrentam dificuldades devido à falta de garantias de financiamento e compradores de créditos de carbono.

    “O ProFloresta+ inverte essa lógica ao gerar uma demanda firme para o mercado, criando um ambiente de confiança”, explicou Campello. Os restauradores poderão vender os créditos sem obrigatoriedade de contratar empréstimos do banco público.

    Como funciona o mercado de carbono

    O mercado de carbono permite a compra e venda de créditos para compensar emissões de dióxido de carbono (CO2), principal responsável pelo efeito estufa. Projetos que preservam ou restauram áreas florestais capturam carbono da atmosfera e geram créditos, que podem ser adquiridos por empresas para compensar suas emissões.

    Em dezembro de 2023, o Brasil sancionou a Lei 15.042, que regulamenta esse mercado no país.

    Horizonte de longo prazo

    O diretor de Transição Energética e Sustentabilidade da Petrobras, Maurício Tolmasquim, destacou que o projeto reduz a incerteza para investidores. “A restauração florestal leva anos para gerar créditos. Com o leilão, o investidor já conhece o preço futuro, garantindo previsibilidade financeira”, afirmou.

    A certificação dos créditos ficará a cargo de uma empresa especializada, dentro de um modelo de parceria público-privada. Para Magda Chambriard, além de garantir a demanda por créditos de carbono, a Petrobras também poderá lucrar com a iniciativa.

    “O crédito de carbono funciona como uma ação. Podemos comprar e vender conforme o mercado se desenvolve e ganha liquidez”, explicou. Mercadante reforçou que a estruturação desse mercado criará mais oportunidades para projetos ambientais no Brasil.

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  • Agricultura regenerativa: o futuro sustentável do agronegócio

    Agricultura regenerativa: o futuro sustentável do agronegócio

    A agricultura regenerativa está ganhando destaque global como solução estratégica para combater a degradação do solo, impulsionar a sustentabilidade e mitigar as mudanças climáticas. No Brasil, o setor agrícola vem adotando práticas inovadoras, como rotação de culturas, plantio direto e integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), com crescimento de 35% nos últimos cinco anos, segundo a Embrapa. Essas técnicas não só recuperam ecossistemas, mas também elevam a retenção de carbono no solo em até 50%, comparadas a métodos tradicionais.

    Dados da Embrapa revelam que o país está entre os líderes na adoção de modelos agrícolas sustentáveis. Estados como São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul concentram propriedades de cana-de-açúcar, soja, milho e café que já utilizam sistemas regenerativos. A técnica ILPF, por exemplo, integra produção agrícola, pecuária e floresta em uma mesma área, otimizando recursos e reduzindo impactos ambientais.

    Cenário global: EUA, Europa e Austrália investem em inovação

    Internacionalmente, países como Estados Unidos, Austrália, França e Itália ampliam investimentos em tecnologias para regeneração do solo e biodiversidade, conforme relatório da Regeneration International (2021). A meta é alinhar produtividade com redução de emissões de carbono, atraindo até mesmo grandes corporações do setor alimentício.

    No contexto nacional, a Mantiqueira Brasil, por meio de sua divisão Solobom, emerge como protagonista na oferta de adubo orgânico certificado, essencial para práticas regenerativas. A empresa abastece grandes produtores rurais, promovendo a economia circular ao transformar resíduos em fertilizantes de alta eficiência.

    Conversamos com Leandro Testa, diretor de negócios da Solobom, que explica como essas práticas podem ser aplicadas tanto em grandes propriedades quanto em hortas e jardins caseiros.

    A Mantiqueira Brasil tem investido fortemente na agricultura regenerativa. O que motivou essa estratégia?

    Leandro Testa: “O mundo está cada vez mais atento à sustentabilidade na produção agrícola (sem abrir mão de produtividade), e identificamos a necessidade de inovar e intensificar nossos investimentos para oferecer soluções que permitam aos agricultores produzirem de forma sustentável. Com a Solobom, comercializamos mais de 100 mil toneladas de adubo orgânico por ano, contribuindo para a revitalização do solo e fortalecendo a economia circular no campo.”

    O Brasil tem acompanhado essa tendência global?

    Leandro Testa: “Sim, o país vem se destacando na adoção de práticas regenerativas. Esse movimento reflete uma maior conscientização sobre a importância de conservar os recursos naturais e reduzir os impactos ambientais, acompanhando tendências globais de sustentabilidade.”

    Leandro Testa, diretor de negócios da Solobom. Divulgação.
    Como os adubos orgânicos da Solobom contribuem para essa transformação?

    Leandro Testa: “Nossos fertilizantes, certificados pelo Instituto Biodinâmico de Desenvolvimento Rural (IBD), atuam na recuperação do solo ao aumentar a matéria orgânica e melhorar sua estrutura. Essa abordagem fortalece a produtividade das lavouras e favorece o uso racional dos químicos, contribuindo para um modelo agrícola mais sustentável.”

    Como você enxerga o futuro da agricultura regenerativa no Brasil e quais são as expectativas da Mantiqueira Brasil para os próximos anos?

    Leandro Testa: “Vejo um futuro promissor para a agricultura regenerativa, onde os adubos orgânicos desempenham um papel essencial no cuidado com a terra, para uma produção mais resiliente aos desafios climáticos, sem abrir mão da produtividade. A tendência global e o avanço de países que investem nessas práticas reforçam o potencial de transformação do Brasil. Por isto, nossa meta é expandir nossa atuação, estabelecendo parcerias com produtores comprometidos com a agricultura de longo prazo.”

    Por que a agricultura regenerativa é vital para o futuro?
    • Além de recuperar solos degradados, a prática:
    • Aumenta a capacidade de armazenar água e nutrientes;
    • Reduz a dependência de agroquímicos;
    • Fortalece a segurança alimentar a longo prazo.

    Com projeções de que o mercado global de agricultura regenerativa ultrapasse US$ 1,5 bilhão até 2030, o modelo consolida-se não apenas como tendência, mas como necessidade urgente para o equilíbrio entre produção e preservação.

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  • Caatinga retira da atmosfera 5,2 t de carbono por hectare

    Caatinga retira da atmosfera 5,2 t de carbono por hectare

    Um estudo realizado pelo Observatório Nacional da Dinâmica da Água e do Carbono no Bioma Caatinga (OndaCBC) revela que a Caatinga, um bioma exclusivo do Brasil, se destaca como um dos mais eficientes sumidouros de carbono do planeta. Ao longo de quase uma década, a região conseguiu retirar da atmosfera uma média impressionante de 5,2 toneladas de carbono por hectare anualmente, ou 527 gramas por metro quadrado.

    A pesquisa comparou os dados da Caatinga com outras regiões secas ao redor do mundo, incluindo os Estados Unidos, Canadá, México, Espanha, Austrália e até mesmo áreas na África e América do Sul. Os resultados colocam a Caatinga em uma posição privilegiada, superando até mesmo as florestas da Amazônia em termos de eficiência na captura de carbono.

    O professor Bergson Bezerra, líder do OndaCBC, destaca que a taxa máxima registrada em outros locais foi de 548 gramas de carbono por metro quadrado, encontrada em uma floresta no Peru. “A Caatinga está seguramente entre os maiores sumidouros entre as florestas secas do mundo”, afirma Bezerra.

    A pesquisa identificou que a precipitação é o fator mais importante para as trocas de carbono no bioma. Embora a temperatura, radiação e umidade permaneçam relativamente constantes ao longo do ano, as chuvas, mesmo que em quantidades modestas, têm um impacto significativo. Elas estimulam o crescimento da vegetação, aumentando assim a capacidade da Caatinga de absorver CO₂ da atmosfera. “As chuvas atuam como um catalisador para o crescimento vegetal, tornando o bioma altamente eficaz na captura desse gás”, explica Bezerra.

    Metodologia: rede de torres micrometeorológicas

    Desde 2010, o OndaCBC tem coletado dados em várias torres micrometeorológicas localizadas em municípios estratégicos de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. A torre mais antiga e completa está instalada na Embrapa Semiárido, em Petrolina (PE), onde monitora uma área nativa há 13 anos. A pesquisadora Magna Soelma Beserra ressalta que essa rede de torres permite uma análise abrangente das trocas de energia e carbono no bioma.

    Os dados coletados incluem variáveis meteorológicas como chuva, radiação solar e temperatura, além das concentrações de vapor d’água e dióxido de carbono. “Antes do Observatório, não tínhamos dados consistentes sobre o potencial da Caatinga como sumidouro de carbono. Agora estamos obtendo evidências robustas que confirmam sua eficácia”, afirma Beserra.

    Implicações para políticas públicas

    Os resultados do estudo têm implicações significativas para a formulação de políticas públicas voltadas à conservação e manejo sustentável da Caatinga. Aldrin Perez Marin, pesquisador do Instituto Nacional do Semiárido (INSA), argumenta que os dados podem subsidiar programas de crédito de carbono na região. “Esses programas podem gerar benefícios econômicos e ambientais a curto e médio prazo”, destaca Marin.

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    Além disso, ele enfatiza a importância da Caatinga na mitigação dos efeitos das mudanças climáticas. “A eficiência da Caatinga em capturar carbono fortalece o argumento para políticas públicas que promovam sua conservação”, acrescenta.

    A biodiversidade da caatinga

    Ocupando cerca de 11% do território brasileiro em uma área aproximada de 850 mil quilômetros quadrados, a Caatinga é um ecossistema rico em biodiversidade adaptada às condições semiáridas. Embora antes fosse considerada uma região com baixa diversidade de espécies, estudos recentes revelam uma ampla gama de flora e fauna endêmicas.

    Além disso, a Caatinga desempenha serviços socioambientais essenciais, como regulação do clima e controle da erosão. O pesquisador Aldrin Perez Marin também observa que o bioma possui potenciais socioeconômicos significativos através do aproveitamento sustentável de frutos nativos e plantas medicinais.

    Preservação e futuro sustentável

    Os resultados obtidos pelo OndaCBC não apenas destacam a importância da Caatinga como um sumidouro eficiente de CO₂, mas também ressaltam a necessidade urgente de preservar esse ecossistema vital. As pesquisas em andamento têm o potencial de informar políticas públicas que visem à recuperação de áreas degradadas e à conservação das áreas intactas.

    Compreender o papel crucial da Caatinga na mitigação das mudanças climáticas é essencial para garantir um futuro sustentável para as comunidades locais que dependem desses recursos naturais. À medida que novas pesquisas são realizadas, espera-se que elas sirvam como um alerta sobre a importância da preservação dos ecossistemas secos, muitas vezes negligenciados mas fundamentais para a saúde ambiental global.

  • Sustentabilidade: conheça o Programa Soja Baixo Carbono

    Sustentabilidade: conheça o Programa Soja Baixo Carbono

    O Programa Soja Baixo Carbono (PSBC) busca valorizar a soja produzida com práticas sustentáveis que reduzem emissões de gases de efeito estufa (GEEs). Em geral, a iniciativa pretende certificar sistemas de produção que comprovadamente combatem o aquecimento global, garantindo maior valor ao grão brasileiro.

    Metodologia baseada em ciência

    Coordenado pela Embrapa Soja, o PSBC envolve especialistas de diversas unidades da Embrapa e representantes do setor produtivo. A metodologia inclui a mensuração de benefícios ambientais e a certificação de práticas com baixa emissão de carbono. Sete empresas apoiam o projeto: Bayer, Bunge, Cargill, Coamo, Cocamar, GDM e UPL.

    O PSBC validará o protocolo em 25 lavouras-piloto localizadas em cinco macrorregiões sojícolas do Brasil. As validações ocorrerão entre as safras 2023/24 e 2024/25, assegurando a credibilidade das práticas adotadas.

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    Objetivo e funcionamento do selo SBC

    O selo Soja Baixo Carbono (SBC) distinguirá produtores que adotam tecnologias e manejos capazes de reduzir emissões de GEEs. O protocolo segue o modelo MRV (mensurável, reportável e verificável), garantindo aceitação internacional e credibilidade científica.

    Além disso, para conquistar o selo SBC, as áreas precisam superar os estoques de carbono do sistema de produção modal de cada região. Ao mesmo tempo, o uso de insumos sustentáveis e boas práticas, como o sistema plantio direto e manejo integrado de pragas, também será avaliado.

    Benefícios para produtores e mercado

    Produtores que aderirem ao selo SBC poderão acessar financiamentos com juros mais baixos, mercados mais exigentes e pagamentos por serviços ambientais. A adesão é voluntária, mas exige conformidade com legislação ambiental e trabalhista.

    Conexão com o Plano ABC+

    O PSBC está alinhado ao Plano ABC+ (2020-2030), que promove tecnologias sustentáveis na agropecuária. Ou seja, estratégias como bioinsumos, plantio direto e integração lavoura-pecuária-floresta ajudam a reduzir a intensidade de emissão de carbono no setor.

    Próximos passos do PSBC

    A validação do protocolo será concluída até 2026, quando o selo SBC entrará em operação no mercado. Em resumo, a iniciativa reafirma o compromisso do Brasil com a sustentabilidade e fortalece a posição da soja brasileira no mercado global.

     

  • Bayer e Embrapa avançam em parcerias para descarbonização na agricultura brasileira

    Bayer e Embrapa avançam em parcerias para descarbonização na agricultura brasileira

    A Bayer e a Embrapa anunciaram iniciativas inéditas para calcular a pegada de carbono do algodão e avançar na descarbonização das cadeias produtivas do país. A ferramenta Footprint PRO Carbono foi desenvolvida em parceria pelas instituições. E realizou a primeira mensuração da pegada de carbono de cotonicultores brasileiros, utilizando dados primários de propriedades no Mato Grosso. O cálculo, focado em aproximadamente 77 mil hectares. E estimou uma média de 329 kg de CO₂ equivalente por tonelada de algodão, com potencial de redução de até 32%.

    Marina Menin, diretora da área de carbono da Bayer, destacou a importância de entender a dinâmica de emissões regionais para desenvolver soluções alinhadas à agricultura regenerativa. Além da Bayer e da Embrapa, associações como a Abrapa e a Abiove participam do projeto, que busca criar uma referência nacional para a pegada de carbono do algodão e seus derivados.

    “Acreditamos no potencial de crescimento da cadeia produtiva do algodão. E a ABIOVE tem a satisfação de participar dessa cooperação técnica que ressaltará os atributos ambientais dos produtos dessa agroindústria que contribui para a produção de alimentos, rações, fibras e bioenergia” destacou André Nassar, presidente da ABIOVE.

    Soja com menor pegada de carbono

    No segmento da soja, a Cooperalfa, de Santa Catarina, aderiu à iniciativa, com o cálculo inicial da pegada de carbono em 5.000 hectares. A Footprint PRO Carbono estimou uma média de 643 kg de CO₂ equivalente por tonelada, significativamente inferior à média internacional de 1.526 kg. Com práticas aprimoradas, é possível reduzir o impacto para 383 kg, segundo Antônio Everaldo, executivo da Bayer.

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    Durante o evento Carbon Science Talks, a Bayer e a Embrapa também apresentaram o Modelo Preditivo PRO Carbono, que simula a dinâmica de carbono no solo considerando práticas conservacionistas. Luis Gustavo Barioni, da Embrapa, destacou que a solução reduzirá custos de análises e impulsionará projetos em larga escala na agricultura tropical.

    Reconhecimento global

    Renata Ferreira, da Bayer, reforçou que o alinhamento com padrões internacionais é essencial para validar as soluções brasileiras e garantir competitividade no mercado de carbono. A Bayer é uma das quatro empresas selecionadas pela Verra para adaptar protocolos de contabilidade de emissões ao contexto tropical, marcando um avanço para a agricultura nacional.

    O Carbon Science Talks, realizado em Campinas (SP), reuniu pesquisadores, empresas e especialistas para debater avanços na agricultura sustentável. A iniciativa demonstra o compromisso do agronegócio brasileiro com a mitigação climática e a valorização de commodities de baixo impacto ambiental.