Tag: café brasileiro

  • O café bom vai todo para fora? Essa frase já foi verdade, mas o Brasil mudou completamente

    O café bom vai todo para fora? Essa frase já foi verdade, mas o Brasil mudou completamente

    Se você cresceu no Brasil, provavelmente ouviu isso em casa: o café bom vai todo para exportação e o refugo fica para o brasileiro. Durante décadas, essa afirmação tinha fundamento. Nos anos 80, a ABIC revelou que cerca de 30% do café vendido no mercado interno era fraudado com milho torrado, cevada e cascas. O consumidor brasileiro tomava uma bebida amarga achando que era café puro. Na maioria das vezes, não era.

    O Brasil produz café desde o século XIX. Contudo, a lógica comercial era simples: os melhores grãos iam para exportação, e o mercado interno ficava com grãos defeituosos, quebrados e misturados com matérias estranhas. Não havia fiscalização efetiva nem selo de qualidade. Muitos brasileiros cresceram convictos de que café era naturalmente amargo e ruim. Afinal, nunca tinham provado o verdadeiro.

    O programa que virou o jogo

    A virada começou nos anos 90, quando a ABIC criou o Programa de Qualidade do Café. O objetivo era combater fraudes, estabelecer padrões mínimos de pureza e oferecer um selo que identificasse produtos genuínos. Torrefadoras que vendiam café adulterado foram obrigadas a se adaptar ou perder espaço no mercado. O índice de fraude caiu drasticamente, e o café que chegava à mesa do brasileiro começou a ser, de fato, café.

    Enquanto a qualidade básica melhorava, os cafés especiais brasileiros ganhavam força. Regiões como Cerrado Mineiro, Alta Mogiana e Sul de Minas passaram a produzir grãos avaliados acima de 80 pontos na escala da Specialty Coffee Association. Cafeterias de terceira onda se espalharam pelas capitais e o consumidor brasileiro passou a valorizar origem, altitude e perfil sensorial. O mesmo país que misturava milho no café do próprio povo agora disputa, em igualdade, com cafés da Etiópia, Colômbia e Guatemala.

    A frase que ficou presa no tempo

    A crença de que o melhor café vai todo para fora tem raízes reais, mas ficou presa nos anos 80 enquanto o mercado evoluiu. Hoje, o Brasil é simultaneamente o maior produtor e o segundo maior consumidor da bebida do mundo. Cafés especiais que antes eram exclusivos para exportação estão disponíveis em torrefadoras locais, supermercados e cafeterias em todo o país. A narrativa ainda circula, mas os dados não a sustentam mais.

    Nos anos 80, até 30% do café vendido tinha adulteração. Em 2026, o consumidor brasileiro acessa cafés especiais premiados internacionalmente, com rastreabilidade de origem e perfil sensorial definido. Essa transformação foi resultado de fiscalização, programas de qualidade e um consumidor que passou a exigir mais. O maior produtor de café do mundo aprendeu a beber de verdade, e a história continua sendo escrita a cada nova safra.

  • Conab lança plataforma para certificar café brasileiro como livre de desmatamento

    Conab lança plataforma para certificar café brasileiro como livre de desmatamento

    Na manhã da última terça-feira (24/02), a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) lançou, em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Plataforma Parque Cafeeiro para certificar o café brasileiro como livre de desmatamento. A Conab apresentou a ferramenta em cerimônia na sede da estatal, em Brasília (DF), com autoridades do Governo Federal e lideranças do setor cafeeiro.

    ​A plataforma apoia o cumprimento do Regulamento (UE) 2023/1115, conhecido como EUDR, que exige comprovação de que produtos como o café não venham de áreas com desmatamento após 31 de dezembro de 2020. Com isso, o sistema busca ampliar a rastreabilidade do café nacional e dar mais segurança para produtores, cooperativas, exportadores e importadores.

    Com chancela do Governo Federal, a ferramenta permite que produtores emitam uma declaração de conformidade ao não-desmatamento quando atendem às diretrizes europeias. Outros elos da cadeia também podem acessar relatórios para comprovar aos compradores europeus a origem regular dos lotes.

    ​Diferencial

    A Conab destacou como diferencial a arquitetura tecnológica baseada em integração com bases governamentais oficiais por meio de APIs. Isso viabiliza atualização quase em tempo real, acompanhamento contínuo e consistência dos dados. A plataforma também verifica informações ambientais e territoriais para apoiar o alinhamento às regras nacionais e internacionais.

    No monitoramento, o sistema utiliza dados do PRODES e checa se áreas de café cadastradas no CAR registraram desmatamento superior a meio hectare após 2020, além de identificar sobreposições com Terras Indígenas, Territórios Quilombolas e Unidades de Conservação, segundo a Conab.

    ​O mapeamento das lavouras ocorreu entre 2021 e 2025 com uso de inteligência artificial aplicada a imagens de satélites de alta resolução, de acordo com a estatal. A Conab informou que estruturou o sistema com articulação interministerial e apoio de órgãos vinculados para fortalecer a credibilidade da solução.

    ​A Plataforma Parque Cafeeiro já está em funcionamento e pode ser acessada em https://sistemas.conab.gov.br/conab_parque_cafe.

  • Capivara, samba e café: Luckin Coffee transforma Brasil em febre na China

    Capivara, samba e café: Luckin Coffee transforma Brasil em febre na China

    A Luckin Coffee, maior rede de cafeterias da China, transformou o Brasil em produto de luxo. A empresa fechou um acordo de R$ 10 bilhões para vender 400 milhões de copos de café estampados com símbolos brasileiros: capivaras, samba e grãos de arábica premium.

    A operação vai além do marketing tradicional. Especialistas classificam o movimento como a maior iniciativa de diplomacia comercial entre Brasil e China dos últimos anos. A Luckin, que superou a Starbucks em número de lojas no mercado chinês, escolheu o café brasileiro como pilar de sua estratégia de expansão.

    Brasil vira símbolo de status para consumidores chineses

    O consumidor chinês associa o café brasileiro a qualidade premium e sofisticação. A Luckin explorou essa percepção ao criar uma linha exclusiva que celebra elementos da cultura brasileira. Os copos trazem ilustrações de capivaras, referências ao samba e destacam a origem arábica dos grãos.

    A estratégia funciona. Jovens chineses compartilham fotos dos copos nas redes sociais, transformando o produto em símbolo de lifestyle. O Brasil ganhou presença massiva no cotidiano urbano chinês através das mais de 20 mil lojas da Luckin espalhadas pelo país.

    Café arábica brasileiro domina mercado asiático

    O Brasil lidera a produção mundial de café arábica, variedade considerada mais refinada e aromática que o robusta. A China consome cada vez mais café, especialmente entre a população jovem e urbana das grandes cidades.

    Foto: Wenderson Araújo/Trilux/Sisterma CNA/Senar

    A Luckin identificou essa tendência e apostou no Brasil como fornecedor estratégico. O contrato de R$ 10 bilhões garante fornecimento estável de grãos premium por anos, fortalecendo a cadeia produtiva brasileira e consolidando o país como principal parceiro da rede no setor.

    Diplomacia comercial que beneficia ambos os lados

    O acordo representa mais que uma transação comercial. Economistas apontam que a operação fortalece laços econômicos entre Brasil e China, segundo maior parceiro comercial brasileiro. O café brasileiro ganha visibilidade em um mercado de mais de 1,4 bilhão de consumidores potenciais.

    Para o Brasil, o contrato traz previsibilidade de receita e valoriza a imagem internacional do país. Para a Luckin, significa diferenciação competitiva em um mercado cada vez mais disputado. A rede usa a origem brasileira como argumento de vendas, explorando o fascínio chinês pela cultura e produtos latino-americanos.

    Impacto nas exportações brasileiras

    Especialistas do agronegócio comemoram o acordo. O contrato estabiliza preços para produtores brasileiros e incentiva investimentos em qualidade. O setor cafeeiro nacional ganha escala e previsibilidade, elementos essenciais para planejamento de longo prazo.

    Foto: Agência Agro em Campo

    A operação também abre portas para outros produtos brasileiros na China. A visibilidade gerada pelos 400 milhões de copos cria oportunidades para exportadores de diferentes setores explorarem o mercado asiático.

  • Cafeicultura 4.0: Brasil mostra força e tecnologia na COP 30

    Cafeicultura 4.0: Brasil mostra força e tecnologia na COP 30

    O aroma de café tomou conta da COP 30. Na sexta-feira (14), o Pavilhão AgroBrasil, do Sistema CNA/Senar, abriu espaço para o café nacional brilhar. A Solenidade da Cultura Cafeeira reuniu quem faz o setor pulsar, de produtores a líderes de grandes instituições.

    Ademar Pereira, vice-presidente da Comissão Nacional do Café da CNA, puxou o tom do encontro. Contou a história da cafeicultura brasileira, que virou referência mundial. “Ter esse espaço de debate mostra o valor de um setor que evoluiu, se profissionalizou e hoje une sustentabilidade e produtividade”, afirmou.

    A conversa seguiu quente. Vinicius Estrela, diretor da BSCA, lembrou que o sucesso dos cafés especiais veio da união. Silas Brasileiro, do CNC, alertou: o mundo muda com o clima e o café precisa se adaptar. Já Marcos Matos, da Cecafé, foi direto; sustentabilidade exige ação coletiva, crédito e apoio político.

    A indústria também falou. Celírio Inácio (Abic) defendeu o compromisso com tecnologias limpas e qualidade total. Aguinaldo Lima (Abics) ressaltou a força da cadeia e o potencial da agricultura regenerativa. Vanúsia Nogueira, diretora da OIC, levou o discurso além: “O café brasileiro precisa se afirmar no cenário global”. Andrea Illy, da Illycaffè, completou: regenerar o solo é regenerar o futuro do café.

    Painel 1 — Tradição e inovação lado a lado

    No painel “Tecnologia que transforma – Raízes que preservam”, histórias de vida se misturaram a ciência e modernidade.

    Carmen Lúcia Chaves Brito, da BSCA, falou de suas raízes em Minas: 17 anos à frente da gestão familiar. Isabela Pessoa, da Coopric (BA), defendeu capacitação e sucessão rural como pilares do futuro.

    Do Norte, Deigson Bento contou a própria jornada; largou a cidade para continuar o legado dos avós no cultivo de robustas amazônicos. Cada fala reforçava a mesma ideia: o café é mais que negócio, é herança viva.

    Ademar Pereira voltou ao palco com uma certeza: o setor virou a chave. Sustentabilidade econômica, gente no campo e aprendizado com o Senar sustentam o novo momento da cafeicultura.

    Painel 2 — Confiança do campo à xícara

    À tarde, o painel “Confiança do campo à xícara” mostrou que sustentabilidade tem provas, não promessas. Marcos Matos (Cecafé) detalhou programas de clima, carbono e boas práticas, lembrando a necessidade de comunicar o que o Brasil preserva.

    Vinícius Estrela reforçou o papel dos cafés especiais em certificação e ESG. “A rastreabilidade virou marca registrada do nosso café”, disse. Silas Brasileiro apresentou o programa “Produtores de Água”, que recupera nascentes e valoriza o manejo hídrico.

    Fechando, Celírio Inácio falou de certificação e pureza no café torrado. E Aguinaldo Lima completou sobre a agenda sustentável no café solúvel. Tudo conectado. Do produtor ao consumidor. Da roça à xícara.

  • Conheça os melhores cafés especiais do Brasil da safra 2025

    Conheça os melhores cafés especiais do Brasil da safra 2025

    O Brasil premiou os 30 melhores cafés especiais da safra 2025 durante o Cup of Excellence Brazil 2025, em São Paulo. O concurso, considerado o mais importante do mundo, é realizado pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), em parceria com a ApexBrasil e a Alliance for Coffee Excellence (ACE), dentro do projeto “Brazil. The Coffee Nation”.

    A competição contou com três categorias — Experimental, Via Úmida e Via Seca —, com dez vencedores em cada uma. Minas Gerais se destacou com produtores de diversas regiões do estado.

    Categoria Experimental valoriza inovação e fermentação controlada

    Foto: divulgação – BSCA

    Na categoria Experimental, dedicada a cafés com fermentação induzida, o campeão foi o Geisha da Ipanema Agrícola, produzido na Fazenda Rio Verde, em Conceição do Rio Verde (MG), com 91,68 pontos.
    O segundo lugar ficou com José Carlos dos Reis, da Fazenda Rancho Grande, em Três Pontas (MG), com o café Arara que atingiu 90,29 pontos. O produtor Sebastião Daniel da Silva, do Sítio São Sebastião, em Cristina (MG), também obteve 90,29 pontos.
    Os três cafés foram classificados como “presidenciais”, por alcançarem notas acima de 90 pontos, reconhecimento máximo do concurso.

    Via Úmida premia equilíbrio e excelência na xícara

    Foto: divulgação – BSCA

    Na categoria Via Úmida, que avalia cafés cerejas descascados, despolpados ou desmucilados, o campeão foi Marcelo Assis Nogueira, da Fazenda Água Limpa, em Campos Altos (MG). Seu café da variedade Arara obteve 91,37 pontos.
    Em segundo lugar ficou Marcelo Carvalho Ferraz, da Fazenda Boa Vista, em Dom Viçoso (MG), com o café Catucaí, que recebeu 90,82 pontos.
    O terceiro lugar foi para Osvaldina Alves Dutra, da Fazenda Água Limpa, em São João do Manhuaçu (MG), com café da variedade Kent, que atingiu 90,50 pontos.
    O quarto colocado, Ercilei José de Oliveira, também das Matas de Minas, recebeu 90,08 pontos com seu café Arara do Sítio Pedro Varinhas. Todos os quatro foram considerados “cafés presidenciais”.

    Via Seca destaca tradição e qualidade natural

    Foto: divulgação – BSCA

    Na categoria Via Seca, que inclui cafés colhidos e secos com casca, o vencedor foi Paulo Fernando Chaves de Brito, da Fazenda Aracaçu, em Três Pontas (MG), com o café Arara.
    O segundo lugar ficou com Danilo Barbosa, da Fazenda Sucuri, em Coromandel (MG), com café Geisha que recebeu 90,32 pontos. Gustavo Andrade Alvarenga, da Fazenda Chapadão, em Pratinha (MG), completou o pódio com 90,11 pontos e a variedade Paraíso.

    Júri internacional elege 40 amostras de excelência

    Além dos 30 premiados, outros 10 cafés receberam o título de “National Winners”. Todos obtiveram notas acima de 86 pontos de um júri internacional formado por 30 provadores de 12 países.
    O diretor executivo da BSCA, Vinicius Estrela, destacou que as amostras vencedoras representam 17 variedades, com quatro Geishas e 18 Araras.
    “As variedades brasileiras mostraram desempenho superior, o que reflete a essência da competição. Nosso objetivo é descobrir novos produtores, origens e tecnologias que revelam o melhor dos cafés especiais do Brasil”, afirmou.

    Inovação e diversidade encantam jurados internacionais

    O diretor-geral do Cup of Excellence da ACE, Gary Urrutia, elogiou o trabalho dos cafeicultores brasileiros.
    “É muita inovação e comprometimento com a qualidade. O Brasil dita tendências no mundo dos cafés especiais”, destacou.
    O head judge John Thompson, da Escócia, reforçou que o país é exemplo de diversidade e evolução.
    “O Brasil inovou ao criar três categorias e mostrar que cada café pode ser avaliado conforme seu processo. Os cafés são espetaculares”, afirmou.

    Produtores investem em tecnologia e sustentabilidade

    Segundo Vinicius Estrela, os cafés vencedores começaram a ser desenvolvidos há pelo menos quatro anos, com tecnologia e manejo sustentável.
    “O concurso não é sobre o valor da saca, mas sobre apresentar o café brasileiro sob uma nova perspectiva”, explicou.
    Ele ressaltou que os resultados refletem a maturidade dos produtores e o compromisso com a sustentabilidade.
    “Os cafés vencedores são diversos, cada um com doçura, acidez e aromas únicos. Isso mostra a força da coletividade e da qualidade nacional”, completou.

    Lendas da Excelência reconhecem trajetória inspiradora

    Foto: divulgação – BSCA

    A ACE homenageou os primeiros produtores com o título “Lendas da Excelência”, destinado a nomes que mantêm qualidade excepcional e inspiram suas comunidades.
    O brasileiro Luiz Paulo Dias Pereira Filho foi um dos seis homenageados e tornou-se hors-concours do Cup of Excellence. Ele soma 23 participações entre os vencedores e foi o presidente mais jovem da BSCA, aos 30 anos.
    Segundo a ACE, os homenageados se destacam por ações sociais e projetos de sustentabilidade que fortalecem suas comunidades e a cafeicultura global.

    Projeto “Brazil. The Coffee Nation” promove o café brasileiro

    O Cup of Excellence integra o projeto “Brazil. The Coffee Nation”, parceria entre BSCA e ApexBrasil para promover o café especial brasileiro no exterior.
    A iniciativa reforça os pilares de qualidade, diversidade e sustentabilidade, com foco em certificações, inclusão de mulheres e incentivo à produção de cafés robustas e conilon.
    Os principais mercados-alvo são África do Sul, China, Estados Unidos, Japão e Emirados Árabes Unidos, entre outros países consumidores de cafés crus e industrializados.

  • Café robusta amazônico conquista mercado internacional

    Café robusta amazônico conquista mercado internacional

    A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) recebe dez compradores internacionais em Rio Branco neste sábado e domingo (2 e 3 de novembro) para a primeira etapa da edição Cafés Especiais do programa Exporta Mais Brasil. A iniciativa marca o início de uma agenda estratégica para ampliar a presença do café brasileiro de alta qualidade no mercado global.

    Os visitantes estrangeiros, vindos da América do Sul, América do Norte, Europa, Oriente Médio, Ásia e África, participam de visitas técnicas a fazendas e cooperativas que produzem café robusta amazônico. A programação inclui ainda atividades de cupping e encontros de negócios diretos com produtores do Acre e de Rondônia.

    “A Amazônia tem mostrado ao Brasil e ao mundo seu potencial para produzir cafés especiais, combinando tradição, tecnologia e sustentabilidade. Iniciar a agenda do Exporta Mais Brasil no Acre é um reconhecimento da força do nosso estado na produção de cafés diferenciados e de origem amazônica”, afirma Jorge Viana, presidente da ApexBrasil.

    Governo Federal apoia setor cafeeiro com abertura de 500 mercados

    A iniciativa integra o esforço do Governo Federal para apoiar o setor cafeeiro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já realizou mais de 18 encontros internacionais em parceria com a ApexBrasil e o Itamaraty, o que resultou na abertura de cerca de 500 novos mercados para produtos brasileiros.

    A ação também faz parte das medidas de diversificação de mercados voltadas a exportadores brasileiros afetados pelas tarifas dos Estados Unidos. O programa reforça o compromisso com a sustentabilidade e incentiva a geração de renda para produtores rurais na Amazônia, alinhando-se ao contexto da COP30.

    Produção amazônica cresce 4,6% ao ano

    Segundo dados do IBGE, a região amazônica ampliou sua produção de café robusta em 4,6% ao ano desde 2019. Portanto, um desempenho muito superior à média nacional de 1,6%. Os produtores alcançaram esse avanço por meio de ganhos de produtividade, o que reforça o papel sustentável da região na cafeicultura.

    A produtividade regional apresentou forte crescimento, com alta anual de 9,7% em Rondônia e 9,1% no Acre desde 2019.

    Agenda segue para Minas Gerais e Espírito Santo

    Após a etapa do Acre, o programa segue para Minas Gerais e Espírito Santo. O grupo de compradores receberá novos integrantes e totalizará 24 participantes vindos da América do Norte e do Sul, Europa, Oriente Médio e Ásia.

    Entre 4 e 6 de novembro, os visitantes participam da Semana Internacional do Café (SIC) em Belo Horizonte (MG). Esse é um dos principais eventos do setor, aberto a produtores de cafés arábica, robusta e conilon de todo o Brasil. A jornada se encerra entre 9 e 14 de novembro nas regiões de Matas de Minas (MG) e Caparaó (MG/ES), reconhecidas nacionalmente pela produção de cafés especiais.

    O Exporta Mais Brasil conta com o apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae Nacional). Nesta edição, a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) e associações regionais de produtores também apoiam a iniciativa: Conselho das Entidades de Café de Matas de Minas, Associação de Produtores de Cafés Especiais do Caparaó (APEC) e Cafeicultores Associados da Região de Matas de Rondônia (CAFERON).

    Exportações crescem 456 vezes em dois anos

    A ApexBrasil tem desempenhado papel decisivo na ampliação das exportações de robusta amazônico por meio de ações estratégicas de promoção comercial. Em agosto de 2023, a Agência levou 20 compradores de 11 países a Cacoal (RO), onde eles se reuniram com 23 produtores locais. A missão resultou em R$ 8 milhões em negócios até 2024.

    A Luckin Coffee, maior rede de cafeterias da China, estava entre os compradores presentes. A visita marcou o início de uma parceria estratégica que culminou, em junho de 2024, na assinatura de um acordo para fornecimento de até 120 mil toneladas de café brasileiro, no valor de US$ 500 milhões.

    O sucesso da cooperação abriu caminho para um novo acordo, firmado para a compra de 240 mil toneladas do grão brasileiro entre 2025 e 2029, estimado em US$ 2,5 bilhões. A ApexBrasil articulou a negociação em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

    “Iniciativas como essa têm impulsionado significativamente o crescimento das exportações nacionais que incluem não apenas o robusta amazônico, mas também outros tipos de café, como o arábica. Nesse sentido a agenda segue para Minas Gerais e, em seguida Espírito Santo”, ressalta Jorge Viana.

    O volume exportado pela região Norte saltou de US$ 18 milhões em 2023 para US$ 131 milhões em 2024. Um aumento de sete vezes em relação ao ano anterior e 456 vezes superior ao registrado em 2022, quando as exportações totalizaram US$ 287 mil.

    Sobre o Exporta Mais Brasil

    A ApexBrasil criou o programa Exporta Mais Brasil para aproximar o comércio exterior de empreendedores de todas as regiões do país e potencializar exportações e oportunidades de negócios. Empresas de diferentes setores participam de rodadas de negócios, missões comerciais e ações de promoção internacional que conectam diretamente produtores brasileiros a compradores estrangeiros.

    Entre 2023 e 2024, o programa realizou 28 edições, apoiou 875 empresas brasileiras, promoveu a vinda de 305 compradores internacionais de 65 países e gerou R$ 553 milhões em negócios. As ações consolidam o Brasil como um dos principais fornecedores de produtos de alto valor agregado no mercado global.

  • Broca-do-café ameaça safra brasileira com perdas de até 20 milhões de sacas

    Broca-do-café ameaça safra brasileira com perdas de até 20 milhões de sacas

    A cafeicultura brasileira enfrenta uma ameaça significativa para a safra 2024/25: a intensa infestação da broca-do-café (Hypothenemus hampei). Ela é considerada a praga mais devastadora da cultura em escala mundial. As estimativas apontam para perdas que podem alcançar 20 milhões de sacas, colocando em risco a produtividade e a competitividade internacional do café brasileiro.

    O inseto, presente no Brasil desde 1913, está disseminado em todas as regiões produtoras do país, atacando tanto lavouras de café arábica quanto conilon. Os prejuízos globais causados pela broca ultrapassam US$ 350 milhões por ano, segundo dados do setor.

    Impacto na qualidade e produtividade

    O ataque da broca-do-café ocorre quando a fêmea perfura os frutos para realizar a postura de ovos. Os danos resultantes são extensos: queda prematura dos frutos, perda de peso e qualidade dos grãos, depreciação na classificação comercial e abertura de portas para a entrada de fungos e bactérias. Em casos extremos, a infestação pode comprometer até 80% da safra.

    Pesquisas demonstram que cafés brocados podem ter até 21% de perda no rendimento, o que representa uma diminuição de 12,6 kg por saca. Esse impacto direto na qualidade ameaça a reputação do café brasileiro no mercado internacional.

    Manejo integrado como estratégia de controle

    Especialistas alertam que o monitoramento contínuo é essencial para a tomada de decisão no combate à praga. O manejo integrado, que combina práticas culturais com soluções biológicas e químicas, emerge como a principal estratégia de controle.

    “A colheita mecanizada muitas vezes deixa grãos no pé, que servem como fonte de inóculo para a infestação no ano seguinte. Por isso, é essencial o uso de produtos para o controle inicial, na época de migração da broca. E na sequência, a aplicação de  Benevia, por exemplo, que trará o residual de longo período para proteger o grão por mais tempo”, explica Luís Grandeza, gerente da cultura de café da FMC.

    Entre as práticas recomendadas estão a colheita completa, a varrição e destruição de restos de lavouras abandonadas, além da aplicação preventiva de controle químico no momento de migração da praga.

    Expedição capacita produtores em Minas Gerais e Bahia

    Para auxiliar os cafeicultores no enfrentamento da broca-do-café, a FMC lançou a Expedição Especialistas do Café, projeto que oferece um roteiro prático desde a prevenção até o controle químico.

    “O objetivo é capacitar técnicos e cafeicultores a identificar pontos críticos do ciclo da broca. E também aplicar boas práticas de manejo integrado, assegurando lavouras mais produtivas, rentáveis e com grãos de qualidade superior”, afirma Fernanda Duarte, desenvolvedora de mercado da FMC.

    A expedição está estruturada em cinco etapas:

    • eliminação de frutos remanescentes para reduzir a sobrevivência da broca entre safras;
    • registro do calendário de floradas;
    • instalação de armadilhas atrativas para detectar o início da infestação;
    • amostragem e avaliação dos frutos para medir níveis de risco;
    • aplicação de inseticidas quando necessário.

    Os encontros técnicos serão realizados em municípios estratégicos de Minas Gerais, como Patrocínio, Araguari, Araxá, Rio Paranaíba, Alfenas, Varginha, São Sebastião do Paraíso e Guaxupé, além de mais de dez localidades em Minas Gerais e Bahia, incluindo Campos Altos, São Gotardo, Vitória da Conquista e Patos de Minas.

  • Exportações do agronegócio batem recorde histórico em setembro de 2025

    Exportações do agronegócio batem recorde histórico em setembro de 2025

    O agronegócio brasileiro conquistou um marco inédito em setembro de 2025, registrando o maior valor de exportações para o mês desde o início da série histórica. O setor exportou US$ 14,95 bilhões, um crescimento de 6,1% em relação ao mesmo período de 2024, consolidando-se como responsável por 49% de todas as exportações nacionais.

    O desempenho positivo foi impulsionado principalmente pelo aumento de 7,4% nos volumes embarcados, compensando uma leve queda de 1,1% nos preços médios internacionais. No acumulado de janeiro a setembro, as exportações do agronegócio totalizaram US$ 126,6 bilhões, avanço de 0,7% na comparação anual.

    Carnes lideram crescimento das exportações

    Entre os destaques do mês, a carne bovina in natura alcançou US$ 1,77 bilhão, alta expressiva de 55,6%. A carne suína estabeleceu novo recorde histórico ao atingir US$ 346,1 milhões, crescimento de 28,6%, com volume embarcado quase dobrando (78,2%).

    O milho também apresentou desempenho robusto, com exportações de US$ 1,52 bilhão, incremento de 23,5% em relação a setembro de 2024.

    Café e pescados mantêm trajetória positiva

    Produtos tradicionalmente afetados por barreiras tarifárias mostraram resiliência. O café manteve-se acima da marca de US$ 1 bilhão, com US$ 1,3 bilhão exportados e crescimento de 9,3%. Os pescados somaram US$ 38,7 milhões, com aumento de 6,1% em volume.

    A estratégia de diversificação da pauta exportadora gerou resultados expressivos. Produtos menos tradicionais registraram recordes históricos de volume: sementes de oleaginosas (exceto soja) cresceram 92,3%, melancias frescas avançaram 65%, feijões tiveram alta de 50,8% e lácteos expandiram 13,7%.

    No conjunto, os produtos não tradicionais cresceram 9,2% em setembro e 19,1% no acumulado do ano.

    O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, atribuiu os resultados à estratégia de abertura e diversificação de mercados iniciada em 2023. “Foram abertas 444 novas oportunidades para produtores e exportadores brasileiros, demonstrando a competitividade do agronegócio mesmo em cenário externo desafiador”, afirmou.

    O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Luís Rua, enfatizou que mais de 60 missões internacionais foram realizadas em 2025, além de feiras e iniciativas como a Caravana do Agro Exportador, desenvolvidas em parceria com ApexBrasil e Ministério das Relações Exteriores.

    Superávit comercial beneficia economia brasileira

    O agronegócio acumulou superávit comercial superior a US$ 111 bilhões nos primeiros nove meses do ano, contribuindo significativamente para o equilíbrio das contas externas do Brasil. As importações do setor cresceram 7,3% em setembro e 5,4% no acumulado anual.

    A expansão das exportações, aliada à manutenção da oferta interna, gera empregos, atrai divisas estrangeiras e estimula investimentos em inovação e sustentabilidade, fortalecendo a posição do Brasil como fornecedor confiável para a segurança alimentar global.

  • Cafés especiais brasileiros movimentam US$ 70 milhões em negócios no Japão

    Cafés especiais brasileiros movimentam US$ 70 milhões em negócios no Japão

    A presença de produtores brasileiros de cafés especiais no mercado japonês resultou em expectativa de negócios da ordem de US$ 70,125 milhões. Os números foram alcançados durante a participação na SCAJ World Specialty Coffee Conference and Exhibition 2025 e na rodada de negócios “Taste of the Harvest”, realizadas entre 24 e 27 de setembro na capital japonesa.

    Do montante total projetado, US$ 7,180 milhões já foram concretizados presencialmente. Enquanto outros US$ 62,945 milhões devem se materializar nos próximos 12 meses. As negociações envolveram 722 contatos comerciais, sendo 297 deles com novos parceiros de negócios.

    Brasil marca presença na maior feira de cafés especiais da Ásia

    As atividades integram o projeto setorial “Brazil. The Coffee Nation”, conduzido pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).

    Na SCAJ 2025, que atraiu 96 mil visitantes e reuniu 450 expositores internacionais, o Brasil montou um estande estratégico. O espaço contou com sala de cupping para degustação de lotes de diferentes regiões produtoras, bancadas de exposição, brew bar com cafés de diversos perfis sensoriais e sala de reuniões para fechamento de negócios.

    A ação “Destaque BSCA” apresentou cafés com pontuação acima de 87 pontos na escala global de avaliação, que vai de zero a 100.

    Rodada de negócios conecta produtores brasileiros a importadores japoneses

    A “Taste of the Harvest” proporcionou encontros diretos entre empresários brasileiros e 53 importadores regionais. Durante o evento, foram degustados 25 lotes certificados pela BSCA.

    “Foi uma oportunidade incrível para o contato direto dos produtores com os potenciais compradores de seus cafés, fortalecendo relações e abrindo novas frentes comerciais em um dos principais países e continentes importadores dos cafés do Brasil”, afirma Vinicius Estrela, diretor executivo da BSCA.

    Japão consolida-se como mercado estratégico para cafés brasileiros

    O país asiático figura entre os cinco principais destinos da exportação cafeeira brasileira. Em 2024, os japoneses importaram 2,211 milhões de sacas, representando 4,4% do total de embarques e ocupando a quinta posição no ranking. Do volume total, 14,6% corresponderam a cafés especiais, totalizando 323 mil sacas, segundo dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

    Nos primeiros oito meses de 2025, o Japão já adquiriu 1,671 milhão de sacas do produto brasileiro, assumindo a quarta colocação entre os principais compradores. Desse montante, 15,9% (265 mil sacas) são de cafés especiais.

    “Em tempos de incertezas no mercado, com tarifaço imposto pelo governo dos Estados Unidos sobre o produto brasileiro, é crucial que sigamos estreitando laços e ampliando mercado com novos e tradicionais parceiros dos cafés especiais do Brasil, como o Japão”, ressalta Estrela.

    Sobre o projeto Brazil. The Coffee Nation

    A iniciativa foca na promoção comercial do café especial brasileiro no mercado internacional, reforçando qualidade, diversidade e sustentabilidade. O projeto posiciona o Brasil como nação produtora que investe em padrões elevados de qualidade de forma sustentável, observando normas sociais e ambientais.

    Entre as prioridades estão ações de qualificação para produtores de café canéfora (robusta e conilon), certificações de qualidade e sustentabilidade, além do fomento à equidade de gênero na cafeicultura, com capacitação de provadoras profissionais.

    Os mercados-alvo incluem África do Sul, Austrália, China, Coreia do Sul, Emirados Árabes Unidos, Espanha, Estados Unidos, França, Japão, Malásia, Polônia, Rússia e Taiwan para cafés crus especiais, além de Canadá, Chile, China e Estados Unidos para produtos de torrefação e moagem.

     

  • Missão do Brasil à Itália celebra o protagonismo do café brasileiro

    Missão do Brasil à Itália celebra o protagonismo do café brasileiro

    Entre os dias 29 de setembro e 1º de outubro, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) marcou presença em uma série de eventos estratégicos realizados na sede da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), em Roma. A missão brasileira foi liderada pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luís Rua, acompanhado de representantes técnicos do governo e da pesquisa agropecuária nacional.

    A agenda incluiu participação em três eventos centrais da FAO: o lançamento das novas diretrizes da Parceria para Avaliação Ambiental e Desempenho da Pecuária (LEAP), o seminário “Celebrating Coffee: Sustainability, Culture and Development” e a conferência ministerial “FAO Global Conference on Sustainable Livestock Transformation”.

    Durante a abertura da conferência sobre pecuária sustentável, Luís Rua apresentou as políticas públicas brasileiras voltadas à redução do desmatamento e recuperação de pastagens degradadas. O secretário destacou os sistemas integrados de produção (lavoura-pecuária-floresta), que já ocupam cerca de 17 milhões de hectares no país.

    “O modelo brasileiro alia produtividade e conservação. É um sistema que produz, preserva e contribui para a segurança alimentar global”, afirmou Rua, ressaltando ainda o papel da Embrapa na disseminação de tecnologias agrícolas sustentáveis em diversos continentes.

    Café brasileiro em destaque: qualidade, tradição e parceria com a Itália

    O protagonismo do café brasileiro foi celebrado em dois momentos especiais. No Dia Internacional do Café, promovido pela Embaixada do Brasil em Roma em parceria com o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). E também no evento da FAO dedicado à sustentabilidade na cafeicultura.

    Foto: MAPA

    A Itália, que figura entre os quatro maiores compradores de café brasileiro, tem no expresso um de seus símbolos culturais mais fortes. “Quatro em cada dez xícaras de café consumidas na Itália têm origem no Brasil”, destacou Rua, enfatizando a importância estratégica dessa parceria comercial e cultural.

    Os debates trouxeram à tona a capacidade do café de unir tradição, inovação e compromisso ambiental, consolidando o Brasil como referência mundial em produção sustentável e de alta qualidade.

    Cooperação técnica e diálogo bilateral ampliam parcerias

    Além da participação nos eventos oficiais, a delegação brasileira realizou reuniões bilaterais com representantes de países africanos e centro-americanos, como Quênia, Guatemala e Burkina Faso. Os encontros abordaram temas como restauração de áreas degradadas, questões sanitárias e cooperação técnica no setor agropecuário.

    “Seguimos as diretrizes do ministro Carlos Fávaro na busca por oportunidades que melhorem a vida dos nossos produtore. E ampliem o acesso dos alimentos brasileiros no mundo”, concluiu o secretário Luís Rua, reafirmando o compromisso do Brasil com a segurança alimentar global e o diálogo multilateral.

    A missão consolidou o papel do Brasil como ator protagonista na promoção da agropecuária sustentável e no fortalecimento das relações internacionais no setor agroalimentar.