Tag: café brasileiro

  • Exportação de café do Brasil reage em julho, mas faturamento recua

    Exportação de café do Brasil reage em julho, mas faturamento recua

    O Brasil iniciou o ano-safra de café 2026/27 com sinais mistos no comércio exterior. Em julho, as exportações brasileiras de café avançaram 9,9%, totalizando o envio de 3,030 milhões de sacas de 60 kg ao exterior. No entanto, a queda nos preços globais reduziu a receita cambial do mês em 13,2%, que fechou em US$ 903,9 milhões contra o US$ 1,042 bilhão registrado no mesmo período do ciclo anterior.

    Apesar da reação mensal em julho, o balanço acumulado de janeiro a julho de 2026 ainda amarga uma retração. O país movimentou 20,897 milhões de sacas nos primeiros sete meses do ano, o que representa quedas de 5,9% em volume e de 13,1% em receita (faturando US$ 7,449 bilhões) quando comparado ao mesmo intervalo de 2025.

    O presidente do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Márcio Ferreira, aponta o clima e os problemas de infraestrutura como os principais vilões desse ritmo lento. Chuvas atípicas em importantes regiões produtoras de café arábica atrasaram os trabalhos de colheita. Além disso, a falta de estrutura nos principais portos nacionais impede o embarque rápido das cargas, gerando prejuízos milionários para os exportadores devido a custos extras com armazenagem e taxas adicionais.

    A expectativa do setor é que os embarques ganhem força a partir da segunda quinzena de agosto, acompanhando o avanço da colheita do arábica. Como os produtores estão capitalizados pelas safras recentes, eles devem cadenciar as vendas, aproveitando os momentos de alta do mercado.

    Acordo histórico nos EUA deve reaquecer exportações

    Uma das grandes apostas para reverter a queda de receita é a recente vitória comercial nos Estados Unidos, principal comprador do café brasileiro. Até julho de 2026, os americanos reduziram as importações do grão brasileiro em 30,5%, adquirindo 2,590 milhões de sacas.

    Para reverter esse cenário, uma articulação conjunta entre o Cecafé, a Abic, a Abics e a National Coffee Association (NCA) eliminou as tarifas que os EUA cobravam sobre o café brasileiro. A ausência desse imposto a partir deste mês deve reaquecer as vendas para o mercado americano.

    Conilon dispara e vira o destaque do ano

    O café arábica continua na liderança absoluta das exportações, somando 14,987 milhões de sacas (71,7% do total do setimestre). Isso mesmo enfrentando um recuo de 16,6% comparado ao ano anterior.

    O grande destaque do período, contudo, é o café canéfora (conilon e robusta). A variedade registrou um crescimento impressionante de 73,5% nas exportações de janeiro a julho, alcançando 3,387 milhões de sacas enviadas ao exterior (16,2% do mercado). O segmento do café solúvel respondeu por 11,9% do volume (2,486 milhões de sacas) e o café torrado por 0,2% (36.456 sacas).

    Os cafés diferenciados,que possuem qualidade superior ou certificados de sustentabilidade, representaram 16,7% do total exportado, rendendo US$ 1,468 bilhão. Os EUA também lideram as compras dessa categoria especial.

    Santos lidera o escoamento

    No ranking dos portos, o Porto de Santos mantém o favoritismo e concentra 70,9% de todo o café escoado pelo Brasil no período, somando 14,821 milhões de sacas. O complexo portuário do Rio de Janeiro aparece na vice-liderança, respondendo por 24,7% das exportações (5,153 milhões de sacas), seguido pelo Porto de Paranaguá, com 1,1%.

    O Cecafé disponibiliza o relatório estatístico completo com os dados atualizados em seu site oficial.

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  • China aposta em cafés produzidos por mulheres do Cerrado Mineiro

    China aposta em cafés produzidos por mulheres do Cerrado Mineiro

    O café especial produzido por mulheres brasileiras vai ganhar espaço no mercado premium da China. A cooperativa Expocacer firmou um acordo com a empresária chinesa Jian Xueya, conhecida no Brasil como “Dona Jane”, fundadora da marca Lady Coffees, para exportar lotes exclusivos de cafés cultivados por produtoras associadas.

    A iniciativa busca fortalecer a presença do café brasileiro no mercado asiático e, ao mesmo tempo, valorizar o trabalho feminino na cafeicultura nacional. Cada embalagem comercializada na China levará o nome da produtora responsável pelo lote, aproximando os consumidores da origem do produto.

    Cafés especiais terão identidade das produtoras

    Segundo a empresária Jian Xueya, a proposta é destacar a história de cada mulher que participa da produção dos cafés especiais brasileiros.

    Além da venda ao consumidor final, parte dos lotes será distribuída para cafeterias chinesas por meio de um parceiro local especializado em torrefação, ampliando a presença dos cafés brasileiros no segmento de alto valor agregado.

    Quatro produtoras participam da primeira exportação

    Os primeiros embarques incluem cafés produzidos por quatro cooperadas da Expocacer:

    • Celia Regina Alves Nunes, da Fazenda Claudio;
    • Mariana Velloso Heitor, da Fazenda Gigante Leal;
    • Sarah Mendes Nascimento, da Fazenda São Pedro de Alcântara;
    • Vera de Oliveira Nunes Figueiredo, da Fazenda Freitas.

    Os lotes foram selecionados para atender a um pedido específico da importadora chinesa, que buscava cafés delicados e com diferentes perfis sensoriais para atender públicos distintos no país.

    De acordo com Sandra Moraes, gerente de Cafés Especiais da Expocacer, a diversidade de sabores e aromas foi um dos fatores decisivos para a escolha dos produtos.

    Consumo de café cresce na China

    Embora o consumo per capita ainda seja inferior ao registrado em mercados tradicionais, a demanda por cafés especiais cresce rapidamente na China, impulsionada principalmente pelos consumidores mais jovens e pela busca por bebidas de maior qualidade.

    Para Sandra Moraes, esse movimento representa uma oportunidade importante para ampliar a presença do café brasileiro no país asiático.

    Segundo ela, a valorização de produtos premium abre espaço para que os cafés especiais brasileiros conquistem novos consumidores e fortaleçam sua participação em um dos mercados mais promissores do mundo.

    Estratégia aposta no segmento premium

    Jian Xueya afirma que a estratégia da Lady Coffees é posicionar o café brasileiro em um nicho premium, acompanhando a mudança no perfil de consumo dos chineses.

    Historicamente, o mercado local esteve concentrado em bebidas com leite e preparações adoçadas. No entanto, cidades como Xangai vêm registrando aumento do interesse por cafés puros e de maior qualidade.

    Segundo a empresária, o objetivo é oferecer um produto diferenciado, focado em excelência, mesmo com preço mais elevado.

    Programa fortalece protagonismo feminino

    O interesse pelos cafés produzidos por mulheres surgiu em 2022, durante uma visita da empresária à Expocacer, quando conheceu o programa Elas no Café.

    A iniciativa reúne atualmente 140 produtoras, que representam cerca de 20% do quadro de associados da cooperativa. Juntas, elas produzem aproximadamente 534 mil sacas de café em uma área de 13,4 mil hectares.

    O programa busca ampliar a participação feminina na cafeicultura, incentivar a produção de cafés especiais e agregar valor à origem dos grãos.

    China ganha importância para o café brasileiro

    A China vem ampliando sua participação entre os principais compradores do café brasileiro.

    Segundo dados do Cecafé, o país importou 1,123 milhão de sacas de 60 quilos em 2025, volume equivalente a 2,8% das exportações brasileiras do produto. Com esse desempenho, o mercado chinês passou a ocupar a décima posição entre os principais destinos do café nacional.

    O novo acordo firmado pela Expocacer reforça essa tendência e evidencia o potencial dos cafés especiais produzidos por mulheres brasileiras para conquistar espaço em mercados internacionais cada vez mais exigentes.

  • Brasil defende café solúvel contra tarifas de 25% em audiência nos EUA

    Brasil defende café solúvel contra tarifas de 25% em audiência nos EUA

    Representantes do setor cafeeiro brasileiro e norte-americano uniram forças em Washington, nos dias 6 e 7 de julho, para contestar a proposta de sobretaxar o café solúvel brasileiro em 25%.

    Durante audiências públicas do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), o Cecafé e a National Coffee Association (NCA) defenderam a importância estratégica do produto para a economia dos EUA.

    Risco de inflação e impacto no consumo

    A Abics alertou que a aplicação da tarifa elevaria os preços e sobrecarregaria as famílias americanas, especialmente as que buscam opções acessíveis. Atualmente, 11% da população dos EUA consome café solúvel diariamente. Fábio Sato, diretor de Relações Institucionais da Abics, explicou que o produto brasileiro não possui substitutos fáceis, uma vez que o Brasil e o México suprem quase 60% do mercado americano, mas o café mexicano custa cerca de 1,5 vez mais.

    Representantes de Cecafé (Marcos Matos), Abics, NCA (Bill Murray) e BMJ defenderam o setor na audiência. Foto: P1 Comunicação

    Além disso, a entidade reforçou que a maior parte do valor econômico desse comércio permanece nos Estados Unidos. Como o café brasileiro entra no país majoritariamente a granel, processos como mistura, empacotamento, marketing e distribuição ocorrem em solo americano, gerando empregos locais.

    Dependência da indústria e logística

    O Brasil responde hoje por 22% das importações norte-americanas de café solúvel. O insumo é essencial para setores de panificação, confeitaria, laticínios e o mercado de bebidas prontas para consumo (ready to drink), que prevê um crescimento anual de 5,6% até 2030.

    Infografico sobre exportação de café soluvel

    A logística também sofreria impactos severos com a taxação. Mais de 81% das importações de café solúvel dos EUA entram por estados como Texas, Nova York e Louisiana. Uma queda na oferta brasileira desregularia centros logísticos importantes na Costa do Golfo e no Nordeste, colocando operações industriais em risco.

    Expectativas positivas para o setor

    A defesa conjunta do setor durou 15 minutos e não enfrentou questionamentos ou contestações por parte dos investigadores americanos. Para José Pimenta, diretor do BMJ Consultores Associados, a ausência de oposição gera otimismo.

    “Pudemos reforçar todo o impacto econômico e social que a tarifa gerará na economia americana e nos bolsos de seus consumidores”, concluiu Pimenta. O setor agora aguarda que o café solúvel brasileiro entre na lista de isenção, seguindo o modelo de outros tipos de café exportados para os EUA.

  • Cecafé critica restrições da Antaq ao leilão do Tecon Santos 10

    Cecafé critica restrições da Antaq ao leilão do Tecon Santos 10

    O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) criticou a manifestação da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) sobre o modelo de leilão do Tecon Santos 10, futuro terminal de contêineres do Porto de Santos. Segundo a entidade, as restrições propostas podem atrasar investimentos, aumentar a insegurança jurídica e reduzir a competitividade do agronegócio brasileiro.

    A Antaq encaminhou sua manifestação à Casa Civil em 2 de julho. No entanto, o posicionamento diverge da orientação apresentada pelo governo federal. A Casa Civil defendeu um modelo com ampla participação no certame, desde que o vencedor assumisse compromisso de desinvestimento caso já possuísse ativos portuários na região. Além disso, o governo sugeriu elevar o valor mínimo de outorga para R$ 1,044 bilhão.

    Cecafé questiona falta de embasamento técnico

    Na avaliação do Cecafé, a Antaq manteve a proposta de realizar o leilão em duas fases e restringiu, na etapa inicial, a participação de armadores que já operam terminais de contêineres no Porto de Santos. Para a entidade, a agência não apresentou estudos técnicos, indicadores ou análises econômicas que comprovem a necessidade dessa medida.

    O diretor técnico do Cecafé, Eduardo Heron, afirma que a decisão não traz evidências suficientes para justificar as restrições. Segundo ele, estudos produzidos pela própria Antaq e pela unidade técnica do Tribunal de Contas da União (TCU) apontam conclusões diferentes das adotadas pela agência reguladora. Dessa forma, o Cecafé considera que a medida carece de fundamentação técnica consistente.

    Entidade alerta para impactos no agronegócio

    O Cecafé afirma que as restrições podem agravar problemas já enfrentados pelas cargas conteinerizadas no Porto de Santos. Atualmente, exportadores e importadores convivem com limitações de capacidade, congestionamentos operacionais e altos custos logísticos. Como consequência, a competitividade das exportações brasileiras pode diminuir.

    Além disso, a entidade acredita que o modelo escolhido pela Antaq aumenta o risco de judicialização. Caso isso aconteça, novos processos judiciais podem atrasar um projeto considerado estratégico para ampliar a infraestrutura portuária do país.

    Segundo Eduardo Heron, esses atrasos afetam diretamente os usuários do porto e toda a cadeia produtiva. Por isso, ele afirma que o aumento dos custos logísticos tende a refletir tanto na competitividade das exportações quanto no preço final dos produtos consumidos pela população.

    Agência deve atuar com critérios técnicos, diz Cecafé

    Na avaliação do diretor técnico do Cecafé, a Antaq deve exercer seu papel regulador com base em critérios objetivos, evidências concretas e análises técnicas. Além disso, a agência precisa garantir segurança regulatória, previsibilidade e eficiência para o setor portuário.

    Heron defende que a Antaq não deve restringir previamente a participação de empresas sem apresentar justificativas robustas. Segundo ele, esse tipo de decisão amplia a insegurança jurídica e reduz a confiança dos investidores.

    O diretor também lembra que a missão institucional da Antaq consiste em regular, supervisionar e fiscalizar os serviços e a infraestrutura aquaviária. Portanto, ao adotar restrições sem demonstrar claramente seus fundamentos técnicos, a agência acaba entrando em um debate concorrencial que já conta com órgãos específicos para esse tipo de análise.

    Casa Civil adotou entendimento diferente

    O Cecafé destaca que a própria Casa Civil recomendou retirar as restrições à participação na primeira fase do leilão. Ao mesmo tempo, o governo sugeriu manter mecanismos de desinvestimento para tratar eventuais questões concorrenciais.

    Apesar dessa orientação, a Antaq decidiu preservar seu entendimento original após meses de análise. Assim, manteve o modelo de licitação dividido em duas etapas.

    Comparação com o terminal de Itajaí

    O Cecafé também compara o caso do Tecon Santos 10 com o processo de arrendamento definitivo do terminal ITJ01, em Itajaí (SC). Na avaliação da entidade, o modelo adotado naquele certame permitiu ampla participação dos interessados e limitou apenas determinadas composições societárias.

    Segundo Eduardo Heron, decisões diferentes para situações semelhantes aumentam a insegurança jurídica quando não apresentam justificativas técnicas claras. Além disso, esse cenário fortalece a percepção de tratamento desigual entre os agentes econômicos.

    Porto de Santos precisa ampliar sua capacidade

    Para o Cecafé, o Porto de Santos precisa avançar rapidamente em uma agenda de expansão logística. A entidade afirma que o Tecon Santos 10 representa apenas uma das iniciativas necessárias. Também considera fundamentais o aprofundamento do canal de navegação, a construção de novos acessos rodoviários e a ampliação das melhorias ferroviárias.

    Na avaliação do conselho, esses investimentos aumentarão a capacidade operacional do principal porto brasileiro. Consequentemente, o país poderá reduzir gargalos logísticos e fortalecer a competitividade do comércio exterior.

    Projeto acumula mais de 13 anos de espera

    O Cecafé lembra que o leilão do Tecon Santos 10 aguarda realização há mais de 13 anos e sofreu diversos adiamentos ao longo desse período.

    Para a entidade, insistir em um modelo que restringe participantes sem comprovação técnica favorece novas disputas judiciais. Como resultado, o cronograma de investimentos pode sofrer novos atrasos. Dessa maneira, exportadores, importadores e toda a cadeia produtiva continuarão enfrentando limitações provocadas pela atual infraestrutura portuária. Enquanto isso, o agronegócio brasileiro seguirá convivendo com custos elevados e perda de competitividade no mercado internacional.

  • El Niño pode mudar produção global de café nos próximos anos

    El Niño pode mudar produção global de café nos próximos anos

    A confirmação de um novo episódio de El Niño para o segundo semestre de 2026 voltou a acender o alerta no mercado internacional de café.

    Embora os impactos variem de acordo com a intensidade do fenômeno e das condições climáticas de cada região produtora, especialistas avaliam que o clima poderá influenciar a oferta global da commodity entre 2026 e 2027.

    Segundo análise da Hedgepoint Global Markets, os efeitos do El Niño costumam ser diferentes entre os países produtores e dependem do estágio das lavouras quando o fenômeno ocorre.

    Brasil deve escapar dos impactos imediatos

    O Brasil, maior produtor e exportador mundial de café, não deve sofrer impactos diretos na safra 2026/27, segundo a projeção atual da consultoria.

    Mesmo assim, um período mais chuvoso durante o outono e o inverno pode provocar atrasos na colheita e aumentar a volatilidade dos preços no mercado.

    De acordo com Laleska Moda, analista de inteligência de mercado da Hedgepoint, o monitoramento climático continua sendo fundamental para os próximos meses.

    “Embora a produção da safra 2026/27 não deva ser afetada, o andamento da colheita e a fase de florada exigem atenção.”

    Próxima safra pode enfrentar desafios

    Os maiores riscos ainda estão ligados ao desenvolvimento da próxima temporada.

    Isso porque alterações nos padrões de chuva e temperatura podem influenciar etapas decisivas para a formação dos grãos e para o potencial produtivo das lavouras.

    O comportamento climático durante a florada será um dos fatores mais observados pelo mercado nos próximos meses.

    Leia mais: Agro confia mais nos EUA do que na China, aponta FGV

    América Central e Ásia estão entre as regiões mais vulneráveis

    Fora do Brasil, os efeitos do El Niño podem ser mais significativos.

    Segundo a Hedgepoint, importantes produtores da América Central e da Ásia apresentam maior risco de enfrentar problemas climáticos nas safras 2026/27 e 2027/28.

    A preocupação aumenta diante da possibilidade de um evento forte entre o final de 2026 e o início de 2027.

    Nessas regiões, mudanças no regime de chuvas e períodos prolongados de calor podem comprometer fases importantes do desenvolvimento das lavouras, reduzindo a produtividade e pressionando a oferta mundial de café.

    Caso o fenômeno ganhe força nos próximos meses, o mercado poderá reagir antecipadamente às expectativas de menor produção em algumas das principais regiões produtoras do mundo.

  • Brasil e Escócia movimentam até US$ 300 milhões no agro

    Brasil e Escócia movimentam até US$ 300 milhões no agro

    Enquanto as seleções do Brasil e Escócia se enfrentam pela última rodada da fase de grupos da Copa do Mundo nesta quarta-feira (24), uma relação construída muito além dos gramados segue ganhando força.

    Segundo estimativas da HM Revenue & Customs, órgão do governo britânico, o comércio bilateral entre Brasil e Escócia movimenta entre US$ 250 milhões e US$ 300 milhões por ano.

    O agronegócio, ao lado do setor de bebidas, está entre os principais pilares dessa parceria econômica.

    Relação histórica

    Os laços entre os dois países remontam ao século XIX, quando imigrantes escoceses chegaram ao Brasil em busca de oportunidades econômicas.

    A influência escocesa alcançou diferentes setores da economia e até mesmo o esporte brasileiro. Um dos exemplos mais conhecidos é Charles Miller, descendente de escoceses responsável por introduzir o futebol no Brasil após retornar de seus estudos na Inglaterra na década de 1890.

    Com sangue escocês, Charles Miller foi o ‘pai do futebol brasileiro’ — Foto: Divulgação

    A presença escocesa também ajudou a moldar a indústria nacional. A Antarctica, atualmente pertencente à Ambev, foi fundada em 1888 com participação do escocês William Mackenzie.

    Agro lidera a relação comercial

    De acordo com James Mor-Bell, copresidente do Comitê de Agronegócios da Câmara Britânica de Comércio e Indústria no Brasil (Britcham), o intercâmbio comercial tem apresentado crescimento consistente desde 2021.

    “As economias do Brasil e do Reino Unido são diferentes, mas o comércio bilateral cresce em ritmo acelerado desde 2021 e, consequentemente, os negócios com a Escócia também avançam de maneira consistente.”

    Em 2023, o Brasil ocupou a 11ª posição entre os principais destinos das exportações escocesas, desconsiderando a União Europeia como mercado único.

    No mesmo período, as exportações da Escócia para o Brasil alcançaram 925 milhões de libras esterlinas.

    Principais produtos exportados pelo Brasil

    Entre os produtos brasileiros enviados à Escócia estão:

    • Café
    • Minério de ferro
    • Açúcar
    • Carnes
    • Celulose

    O que a Escócia vende ao Brasil

    Os principais produtos escoceses exportados para o mercado brasileiro incluem:

    • Scotch Whisky
    • Equipamentos para petróleo e gás
    • Tecnologias offshore
    • Bens industriais
    • Serviços especializados

    “A exportação escocesa mais conhecida pelos brasileiros, especialmente por quem vai assistir ao jogo, eu presumo, é o whisky. Há muitos anos ele figura entre os principais produtos enviados ao Brasil e aparece com destaque nas estatísticas, assim como o gin, uma bebida tradicional produzida a partir de insumos agrícolas.”

    O whisky escocês é feito de grãos e envelhecido em barris de carvalho por no mínimo 3 anos — Foto: Divulgação

    Mercado britânico abre espaço para o agro brasileiro

    Para os próximos anos, o agronegócio deve continuar sendo um dos principais motores da relação entre Brasil e Escócia. Apesar do tamanho reduzido do mercado escocês, o Reino Unido representa uma oportunidade mais ampla para exportadores brasileiros.

    “O país importa cerca de metade dos alimentos que consome e busca diversificar seus fornecedores.”

    Nesse cenário, especialistas avaliam que o Brasil tem espaço para ampliar sua participação no mercado britânico.

  • Europa coloca o café no foco do debate sobre sustentabilidade

    Europa coloca o café no foco do debate sobre sustentabilidade

    A xícara de café que chega às mesas dos europeus está no centro de uma nova discussão global. A União Europeia quer que as maiores empresas do setor adotem medidas concretas para garantir que os cafeicultores recebam uma remuneração considerada digna até 2029.

    Um relatório divulgado nesta semana mostra, porém, que nenhuma das principais companhias mundiais de café está preparada para atender plenamente às novas exigências.

    A iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla do bloco europeu para tornar as cadeias de abastecimento mais sustentáveis e socialmente responsáveis. O objetivo é reduzir desigualdades históricas e assegurar que produtores rurais tenham condições de vida adequadas, especialmente em países em desenvolvimento.

    Produção de café convive com desafios econômicos

    Embora o café seja uma das commodities agrícolas mais valiosas do planeta, milhões de pequenos produtores ainda enfrentam dificuldades para manter a atividade economicamente viável.

    A produção está concentrada em países tropicais, como Brasil, Vietnã, Colômbia e Etiópia, onde fatores como oscilações de preços, eventos climáticos extremos, aumento dos custos de produção e baixa capacidade de negociação frequentemente comprimem a renda das famílias produtoras.

    A situação cria um paradoxo. O consumo mundial de café segue em expansão, cafeterias se multiplicam e a bebida movimenta bilhões de dólares todos os anos. Na outra ponta da cadeia, muitos cafeicultores continuam operando com margens apertadas.

    Mudança pode alterar a relação entre indústrias e produtores

    As novas regras europeias podem acelerar transformações na maneira como empresas compram café e se relacionam com seus fornecedores.

    Especialistas avaliam que as companhias poderão ser pressionadas a ampliar programas de rastreabilidade, investir em assistência técnica, revisar contratos de fornecimento e desenvolver mecanismos que assegurem maior previsibilidade de renda aos produtores.

    Na prática, o mercado global do café passa a incorporar critérios sociais cada vez mais rigorosos e deixa de tratar a bebida apenas como uma commodity agrícola.

    A tendência também reforça um movimento já observado em outros mercados. Consumidores, principalmente nos países desenvolvidos, estão mais atentos à origem dos alimentos e às condições em que eles são produzidos.

    O que a nova regra pode significar para o Brasil

    Maior produtor e exportador mundial de café, o Brasil acompanha as discussões com atenção.

    Foto: Wenderson Araújo/Trilux/Sisterma CNA/Senar

    O mercado europeu é um dos principais destinos do café brasileiro e qualquer mudança regulatória tende a repercutir diretamente na cadeia nacional. Embora o País tenha avançado em práticas de sustentabilidade, rastreabilidade e certificações, especialistas apontam que novas exigências poderão demandar adaptações adicionais de produtores, cooperativas e exportadores.

    Ao mesmo tempo, o cenário também abre oportunidades.

    A crescente valorização de critérios socioambientais pode favorecer regiões e produtores que já investem em boas práticas, agregam valor ao produto e conseguem demonstrar compromisso com a sustentabilidade e a responsabilidade social.

    No fim das contas, a discussão que começou na Europa ultrapassa as fronteiras do continente. Ela levanta uma pergunta que deve ganhar cada vez mais espaço no agronegócio global: quem produz o café que o mundo consome está recebendo uma remuneração suficiente para continuar produzindo no futuro?

  • AgroBrasília destaca inovação no campo e reforça valor da cafeicultura brasileira

    AgroBrasília destaca inovação no campo e reforça valor da cafeicultura brasileira

    A AgroBrasília 2026, realizada na região do PAD-DF, consolidou-se mais uma vez como uma das principais vitrines de tecnologia e inovação do agronegócio brasileiro. Ao longo do evento, a feira movimentou cerca de R$ 1,5 trilhão e apresentou novidades voltadas tanto à produção agrícola quanto à mobilidade no campo.

    Além das tradicionais máquinas agrícolas, fabricantes aproveitaram a feira para exibir novos modelos de veículos que podem atender diferentes demandas do setor produtivo. Entre os destaques esteve o Chevrolet Sonic equipado com motor turbo, além do caminhão elétrico E-Galaxus, que possui autonomia de 450 quilômetros.

    Embrapa Café leva debate sobre qualidade e inovação à feira

    Dentro da programação da AgroBrasília, a Embrapa Café participou das atividades realizadas na sexta-feira (22), promovendo duas palestras voltadas à qualidade do café, à inovação tecnológica e à valorização da origem dos grãos brasileiros.

    As apresentações ocorreram no estande da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e fizeram referência ao Dia Nacional do Café, celebrado em 24 de maio.

    O evento recebeu os resultados de um diagnóstico sobre a produção cafeeira no Distrito Federal, com foco na estrutura produtiva, qualidade dos grãos e potencial de diferenciação por origem.

    Durante a programação da manhã, a chefe de Inovação e Negócios da Embrapa Café, Renata Silva, apresentou a palestra “Cafés do Brasil: ciência, saberes, diversidade e inovação que transformam territórios”.

    Segundo a pesquisadora, o manejo adequado em todas as etapas da produção, desde a lavoura até o armazenamento, exerce influência direta sobre a qualidade final da bebida. Além disso, esse processo contribui para reduzir problemas relacionados à presença de fungos e toxinas.

    Renata destacou ainda que a diversidade de climas, solos, biomas e sistemas de produção representa um dos principais diferenciais competitivos da cafeicultura brasileira. Por isso, o setor tem investido cada vez mais em estratégias voltadas à agregação de valor.

    Entre essas iniciativas estão os investimentos em processos de pós-colheita, fermentações controladas e na valorização da origem dos cafés, fatores que ampliam o reconhecimento dos produtos brasileiros nos mercados nacional e internacional.

    Como exemplo dos ganhos proporcionados pela inovação, a especialista citou o caso de Rondônia, onde, segundo os dados apresentados, a produtividade média saltou de 7 sacas por hectare para aproximadamente 60 sacas por hectare ao longo de 20 anos.

    Assim, a AgroBrasília reforçou seu papel como espaço de difusão tecnológica e troca de conhecimento, conectando produtores, pesquisadores, empresas e especialistas em torno dos desafios e oportunidades do agronegócio brasileiro.

     

  • Safra recorde não acalma mercado do café no Brasil

    Safra recorde não acalma mercado do café no Brasil

    Mesmo diante da expectativa de uma safra robusta em 2026, o mercado brasileiro de café ainda opera sob tensão. A combinação entre colheita lenta, clima irregular e estoques apertados mantém produtores, exportadores e consumidores em estado de alerta.

    Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP) mostram que o ritmo da colheita segue abaixo do esperado em importantes regiões produtoras. Ao mesmo tempo, frentes frias recentes e a maturação desigual dos grãos aumentaram a cautela no campo.

    O cenário criou um paradoxo raro no setor: mesmo com projeções otimistas para a nova safra, os preços continuam sustentados e o sentimento no mercado permanece defensivo.

    Clima muda ritmo da colheita

    Nas lavouras, produtores relatam que o café amadureceu de forma irregular em parte do cinturão cafeeiro. Em algumas áreas, o excesso de umidade retardou a entrada das máquinas. Em outras, o frio trouxe receio sobre o desenvolvimento final da safra.

    Além disso, o setor ainda carrega os efeitos da oferta reduzida observada nos últimos ciclos. Por isso, tradings e compradores seguem cautelosos na formação de estoques.

    Segundo análises do Cepea, a colheita da safra 2026/27 avança em ritmo moderado, apesar das chuvas terem ajudado parte das lavouras.

    Enquanto isso, no mercado internacional, investidores acompanham qualquer mudança climática no Brasil com atenção redobrada. Afinal, o país responde por cerca de um terço da produção global de café.

    Café caro ainda preocupa consumidor

    Do lado do consumidor, o impacto continua perceptível nas prateleiras. Mesmo com oscilações recentes, o preço do café segue distante dos patamares considerados normais antes das crises climáticas dos últimos anos.

    E aí entra um fator psicológico importante: o mercado ainda não acredita totalmente em uma recomposição rápida da oferta.

    Quando existe incerteza climática no maior produtor do mundo, o reflexo aparece quase imediatamente nos contratos futuros, no custo da indústria e, consequentemente, no bolso do brasileiro.

    Mercado entra em modo defensivo

    Nos bastidores do agro, o clima é de cautela.

    Produtores monitoram custos, seguram parte das vendas e acompanham diariamente os mapas meteorológicos. Muitos ainda evitam apostas agressivas enquanto não houver uma confirmação mais clara sobre o tamanho real da safra.

    Além disso, exportadores observam com atenção a demanda internacional, especialmente da Europa e da Ásia, que continuam pressionando por embarques rápidos.

    Com isso, o café brasileiro vive hoje uma espécie de equilíbrio instável: há perspectiva de produção elevada, mas ainda existe medo suficiente para impedir uma queda mais forte das cotações.

    E, no mercado agrícola, basta um susto climático para o humor mudar de novo.

  • Café com cocô de pássaro? Produto brasileiro chega a R$ 1.530 e intriga o mercado

    Café com cocô de pássaro? Produto brasileiro chega a R$ 1.530 e intriga o mercado

    Se alguém te dissesse que um quilo de café feito a partir de fezes de pássaro custa R$ 1.530, você provavelmente acharia que é exagero ou pegadinha. Porém, esse é o preço real do Jacu Bird Coffee, o café exótico produzido na Fazenda Camocim, nas montanhas do Espírito Santo, a partir de grãos catados manualmente do cocô da ave jacu. O pacote de 250 gramas sai por R$ 382 e encontra comprador dentro e fora do país.

    Há quase vinte anos, a presença do jacu na lavoura acendeu o sinal de alerta. A ave, que pode chegar a 85 centímetros de comprimento e vive de frutos, começou a atacar os cafezais da fazenda. O dono, Henrique Sloper, lembra que o primeiro impulso foi tratar o animal como praga. “Vimos uns 30 jacus comendo café e nos preocupamos em chamar Ibama, chamar todo mundo. ‘O que a gente faz?’ Não tem o que fazer, pensamos em tentar aproveitar isso de alguma maneira”, contou.

    O problema que virou solução

    A “virada de chave” veio em 2008, quando a fazenda decidiu se inspirar no Kopi Luwak, o famoso café da Indonésia produzido a partir das fezes de civetas, pequenos mamíferos. A partir dali, o que era sinal de prejuízo começou a ser tratado como oportunidade, com direito a certificação da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) e status de produto orgânico e biodinâmico.

    O processo é totalmente manual. O jacu come o café maduro e, cerca de 40 minutos depois, elimina os grãos praticamente inteiros, em blocos que lembram um pé de moleque. Funcionários da fazenda percorrem a área recolhendo os resíduos a mão, separam os grãos e levam para secagem. Depois da estufa, o café passa por uma câmara fria, onde fica até um mês a temperaturas de até 25 graus negativos. Na sequência, vem a seleção por tamanho, cor e qualidade, para só então seguir para torra, moagem e preparo.

    O resultado é um café com baixo teor de cafeína, porque a ave consome cerca de 70% da substância durante a digestão. É justamente esse processo incomum, somado ao trabalho intensivo, que ajuda a explicar o preço salgado. “É um processo caro de fazer, não existe máquina de processar resíduos de pássaros”, resume Sloper.

    Quanto vale o exótico na xícara?

    Quando você compara o valor do Jacu Bird Coffee com o mercado tradicional, a diferença assusta. Uma saca de 60 quilos de café arábica comum hoje gira entre R$ 1.700 e R$ 1.900, dependendo da região. Nos cafés especiais, mesmo os mais premiados do país, o número continua bem abaixo do que o jacu entrega.

    Em dezembro, um leilão da BSCA com 30 lotes vencedores do Cup of Excellence Brazil 2025 arrecadou cerca de R$ 1,79 milhão, o que equivale a aproximadamente R$ 15 mil por saca de 60 quilos, ou R$ 250 o quilo. Na prática, o quilo do café de fezes de jacu custa cerca de seis vezes mais do que alguns dos melhores cafés especiais brasileiros. E, se você olhar para fora, a discrepância aumenta: na Inglaterra, o mesmo café chega a ser vendido pelo equivalente a R$ 9 mil o quilo.

    Apesar de ocupar um nicho minúsculo dentro da produção da Camocim, o impacto financeiro é relevante. Em cada safra, saem da fazenda cerca de três toneladas do café do jacu, dentro de um total de 230 toneladas de café produzidas. O suficiente para abastecer mercados exigentes como Japão, França e Inglaterra, além de um público brasileiro disposto a pagar caro pela experiência.

    O jacu como “funcionário” da agricultura regenerativa

    Para além do lado exótico, o jacu virou peça de comunicação da fazenda sobre práticas de agricultura regenerativa. Sloper costuma dizer que o animal cumpre três funções na propriedade: funciona como alarme de colheita, selecionador e replantador. Se o jacu está comendo, é porque o café está no ponto. Ao escolher os melhores frutos, ele faz uma pré-seleção natural. E, ao voar e defecar pela mata, ajuda a espalhar sementes e nutrientes.

    O produtor, no entanto, não pretende colocar o café do jacu em competições ou provas com pontuações tradicionais, como acontece com outros especiais acima de 80 pontos. “O custo de produção é altíssimo. Não faz sentido botar em competição, e não faz sentido dar nota, porque é exótico. Da mesma forma que não faz sentido eu fazer muita conta [sobre os custos], porque se eu fizer, [possivelmente] eu não faria isso”, afirma. Para ele, o produto serve também como vitrine de um sistema de manejo em área de regeneração, onde a presença da ave deixa de ser problema e passa a compor a lógica do negócio.

    O que isso acende de alerta para o agronegócio?

    Ainda que o Jacu Bird Coffee seja um caso extremo, ele joga luz em tendências que interessam ao produtor rural que está atento ao mercado. De um lado, mostra como nichos ultrasegmentados, baseados em narrativa forte e diferenciação sensorial, conseguem multiplicar o valor por quilo em relação ao café comum. De outro, escancara como o consumidor global está disposto a pagar caro por histórias de origem, biodiversidade e produção alinhada à agricultura regenerativa.

    Para quem vive do agro, o recado é direto: inovação não está só na máquina nova ou na variedade mais produtiva. Às vezes, começa em algo que parece problema, como um bando de jacus atacando o café, e termina em um produto que custa seis vezes mais que os grãos campeões do país.