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  • Dia Mundial do Chocolate: conheça o doce que conquistou o mundo

    Dia Mundial do Chocolate: conheça o doce que conquistou o mundo

    O Dia Mundial do Chocolate, celebrado em 7 de julho, homenageia um dos alimentos mais consumidos do planeta. A data faz referência à chegada do chocolate à Europa, em 1550. Desde então, o produto conquistou espaço em diferentes culturas e, ao longo dos séculos, tornou-se um dos doces mais apreciados do mundo.

    No entanto, muito antes disso, o cacau já fazia parte da rotina das civilizações maias e astecas. Esses povos consumiam a bebida conhecida como xocoatl, utilizada em rituais sagrados e considerada um símbolo de grande valor cultural. Posteriormente, com a colonização europeia, a semente atravessou o oceano e ganhou novos usos. Mais tarde, durante a Revolução Industrial, surgiram processos que popularizaram o tradicional chocolate em barra.

    Brasil se tornou referência na produção de cacau

    No Brasil, o cacau encontrou condições ideais para o cultivo, principalmente na Bahia, que se consolidou como uma das principais regiões produtoras ao longo do século XX. Apesar da crise provocada pela vassoura-de-bruxa, o setor se reinventou ao investir em chocolates premium e na valorização do cacau de origem.

    Como resultado, o chocolate brasileiro conquistou reconhecimento no mercado internacional. Um dos nomes ligados a esse movimento é o empresário Marco Lessa, criador do Chocolat Festival e da Origem Week, iniciativas voltadas à promoção do cacau nacional em diversos países.

    Cacau representa uma atividade sustentável, rentável e com grande potencial de crescimento — Foto: Reprodução/MAPA

    Esse avanço também foi reconhecido internacionalmente. A Organização Internacional do Cacau (ICCO) passou a classificar o Brasil como exportador de 100% de cacau fino e de aroma. Além disso, entre 2021 e 2025, as exportações brasileiras de chocolate, cacau e derivados superaram US$ 1 bilhão.

    Reconhecimento internacional fortalece o futuro do setor

    Outro passo importante foi a sanção da Lei 15.404/2026, que estabelece percentuais mínimos de cacau nos chocolates comercializados no país. Dessa forma, a legislação amplia a transparência para o consumidor e valoriza ainda mais a matéria-prima brasileira.

    Além disso, em dezembro de 2026, Salvador receberá a primeira edição completa do Salon du Chocolat no Brasil, considerado o maior evento mundial do setor. A expectativa é fortalecer a imagem do país como produtor de cacau de excelência e ampliar sua presença no mercado internacional.

    Assim, o Dia Mundial do Chocolate vai muito além de celebrar um doce. A data também evidencia a importância do cacau para a economia, a cultura e a sustentabilidade, reforçando o protagonismo do Brasil em uma cadeia produtiva que une tradição, inovação e desenvolvimento sustentável.

  • Produção de cacau enfrenta nova ameaça climática

    Produção de cacau enfrenta nova ameaça climática

    O mercado global de cacau volta a acompanhar de perto os desdobramentos climáticos para os próximos ciclos produtivos após meses de forte volatilidade nos preços. A Hedgepoint Global Markets confirmou um novo episódio de El Niño, que coloca novamente o clima entre os principais fatores de risco para a commodity. O momento é sensível: a produção na África Ocidental vem se recuperando parcialmente e sustenta perspectivas mais favoráveis para o balanço global da safra 2025/26.

    Fatores técnicos e o cenário macroeconômico internacional influenciaram os movimentos recentes dos preços. Ainda assim, o mercado permanece estruturalmente sensível às condições climáticas. As chuvas e as temperaturas nas principais regiões produtoras continuarão determinando a produção dos próximos ciclos.

    Clima segue fundamental para a próxima safra

    Condições climáticas mais favoráveis nos últimos meses, especialmente o volume de chuvas acumulado, vêm sustentando a recuperação parcial da produção na África Ocidental, principal região produtora de cacau do mundo. Esse cenário reforça as perspectivas de superávit para o ciclo 2025/26.

    O mercado, porém, mantém o foco no desenvolvimento da próxima safra. Um bom volume de chuvas nas próximas semanas continuará sendo essencial tanto para os frutos que serão colhidos até o fim da safra intermediária 2025/26 quanto para o principal período de florescimento, que originará a safra principal 2026/27.

    As condições climáticas observadas nesse período decidirão o volume e a qualidade dos frutos que chegarão ao mercado ao longo do próximo ciclo.

    Infografico sobre produção de cacau

    El Niño volta ao radar das principais origens produtoras

    A confirmação do El Niño amplia as preocupações dos participantes do mercado no médio e longo prazo. O fenômeno tende a alterar padrões climáticos globais e eleva os riscos de seca, chuvas excessivas, ondas de calor e mudanças na atividade de tempestades em regiões agrícolas importantes.

    No caso do cacau, os efeitos potenciais variam conforme a intensidade do evento e a região analisada. Em linhas gerais, o El Niño pode favorecer condições mais secas em parte da África Ocidental e Central, na América Central e no norte do Brasil. Ao mesmo tempo, o fenômeno pode aumentar as chuvas no Peru, no Equador e em algumas áreas do continente africano.

    A Hedgepoint destaca que, em algumas origens, especialmente na África Ocidental, a resposta climática ao El Niño não ocorre de forma direta. Fenômenos regionais como a Monção da África Ocidental e os ventos Harmattan também influenciam o clima da região.

    A monção da África Ocidental normalmente ocorre entre maio e outubro, enquanto o Harmattan prevalece de dezembro a fevereiro. O El Niño pode alterar esses padrões, atrasar o início da estação chuvosa e prolongar a estação seca, já que influencia os sistemas atmosféricos que regulam a monção e o Harmattan. O impacto varia conforme a intensidade e o período de ocorrência do fenômeno.

    Temperaturas mostram sinal mais consistente

    Ao analisar as últimas safras impactadas pelo El Niño, a consultoria observa que os efeitos sobre as chuvas não seguem um padrão único entre os principais produtores.

    Os resultados registrados em Costa do Marfim, Gana e Equador mostram que os impactos sobre a precipitação dependem não apenas da intensidade do fenômeno, mas também das características regionais e da distribuição das chuvas ao longo do ciclo produtivo.

    Os dados de temperatura, por outro lado, apresentam um comportamento mais consistente. Nas últimas safras marcadas por El Niño, Costa do Marfim, Gana e Equador registraram temperaturas acima da média em diferentes momentos do ciclo, especialmente durante o principal período de florescimento.

    Esse comportamento pode aumentar o estresse das lavouras, sobretudo quando se combina com menor disponibilidade hídrica.

    Resposta da produção pode ocorrer de forma defasada

    A análise também observa que a resposta da produção ao El Niño não segue um padrão linear, principalmente por se tratar de uma cultura perene.

    Os dados sugerem que a produção pode reagir de forma temporalmente defasada: perdas aparecem durante a safra impactada pelo fenômeno, enquanto efeitos positivos podem surgir nos ciclos subsequentes. Esse comportamento pode estar relacionado tanto à realocação de recursos pelas plantas quanto à forma como as chuvas se distribuem ao longo do ciclo produtivo.

    Carolina França, analista de mercado na Hedgepoint Global Markets, ressalta que esse comportamento não é homogêneo entre países e safras, o que reforça que a resposta produtiva depende da interação entre clima local, calendário fenológico e condições agronômicas específicas de cada origem.

    “De forma geral, o El Niño costuma estar associado a menor produção de cacau por elevar as temperaturas e afetar a regularidade das chuvas. No entanto, seus impactos variam conforme a intensidade do evento, o momento em que ocorre no ciclo produtivo e sua interação com fases críticas como florescimento e desenvolvimento dos frutos”, destaca a analista.

  • Bêbado? Papagaio viraliza ao ficar ‘tonto’ após comer cacau fermentado

    Bêbado? Papagaio viraliza ao ficar ‘tonto’ após comer cacau fermentado

    Um episódio inusitado registrado em uma lavoura de cacau em Ji-Paraná (RO) viralizou nas redes sociais. Um papagaio foi filmado apresentando dificuldades para se equilibrar e voar após, supostamente, consumir cacau fermentado. O vídeo, gravado pelo agricultor Oseias Duarte, já ultrapassou a marca de 2 milhões de visualizações.

    Segundo o produtor rural, a situação ocorreu dentro da propriedade onde cultiva cacau. Ao caminhar pela plantação, ele encontrou a ave caída no solo e decidiu ajudá-la.

    “Coloquei o papagaio em um galho, mas quando passei de novo, ele tentou voar e caiu. Foi aí que resolvi gravar o vídeo”, relatou.

    Nas imagens, o animal demonstra sinais de desorientação. De acordo com Oseias, o cacau pode passar rapidamente pelo processo de fermentação quando permanece fora de refrigeração, desenvolvendo aroma e sabor mais intensos. Por isso, o fruto pode ter atraído o papagaio.

    Especialistas explicam que frutas fermentadas podem produzir pequenas quantidades de álcool durante o processo natural de decomposição. Dessa forma, alguns animais podem apresentar comportamentos semelhantes aos observados em casos de embriaguez.

    Veja o vídeo:

    https://www.instagram.com/reel/DZ485BTybEO/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=NTc4MTIwNjQ2YQ==

    Frutas fermentadas deixam os animais bêbados?

    Biólogos destacam que situações desse tipo já foram registradas com maior frequência entre macacos, especialmente em regiões da África onde há abundância de frutos da marula. Embora normalmente não represente uma intoxicação grave, o estado de desorientação pode deixar os animais mais vulneráveis à ação de predadores.

    O biólogo e professor Marco Aurélio Pizo reforça que a ingestão de frutas fermentadas realmente pode provocar alterações comportamentais em diversas espécies. No entanto, ele pondera que outros fatores também podem explicar a condição observada.

    Papagaio se “embriagou” de cacau fermentado — Foto: Reprodução/Redes Sociais

    Como o papagaio não passou por avaliação veterinária ou análise técnica, não foi possível determinar a causa exata do ocorrido. Além disso, Oseias informou que não encontrou mais a ave no dia seguinte ao registro.

    O agricultor destaca ainda que sua propriedade recebe frequentemente a visita de diversos animais silvestres, entre eles papagaios e macacos, atraídos pela disponibilidade de alimento e pelas condições naturais do ambiente.

  • Produção de cacau em sistema integrado ganha força

    Produção de cacau em sistema integrado ganha força

    O cultivo de cacau em sistema de produção integrada já se consolida como alternativa viável para diversificação de renda no interior paulista. Durante Dia de Campo promovido pela CATI Regional São José do Rio Preto, em parceria com a Rede ILPF e a Embrapa, produtores conheceram, na prática, modelos produtivos que combinam cacau com outras culturas e ampliam a rentabilidade das propriedades.

    Foto: Divulgação

    O evento reuniu mais de 50 participantes de diferentes regiões do estado, como Jaboticabal, Jales, Votuporanga, Mogi Mirim e São José do Rio Preto. A programação incluiu visitas técnicas nos municípios de Mendonça e Adolfo, onde produtores acompanham resultados concretos do Projeto Cacau SP em áreas consideradas não tradicionais para a cultura.

    Em Mendonça, o destaque foi o Rancho do Cacau, propriedade da família Persegil. O produtor Diego Persegil adotou o cultivo de cacau integrado com banana e avançou para a produção de chocolate artesanal com matéria-prima própria. O modelo combina inovação, agregação de valor e geração de renda no campo.

    Transformação

    Segundo Diego, o projeto transformou a realidade da propriedade. A atividade, que começou como teste, hoje sustenta a família e abre novos nichos de mercado, incluindo o turismo rural e a venda de produtos com identidade local.

    Para o engenheiro agrônomo Eusébio Persegil, da CATI, o caso demonstra o potencial da cacauicultura no estado. Ele destaca que o sucesso envolve manejo técnico, capacitação contínua e participação da família em todas as etapas, desde o cultivo até o processamento do chocolate.

    Na sequência, em Adolfo, os participantes visitaram a Fazenda Fartura, onde o cacau é cultivado em integração com a seringueira. A área funciona como vitrine tecnológica e apresenta todas as etapas da cadeia produtiva, do plantio à pós-colheita.

    O roteiro incluiu ainda a Casa da Agricultura do município, que abriga uma minifábrica de chocolate utilizada em capacitações. A estrutura permite que produtores aprendam técnicas de processamento e agregação de valor, com apoio do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital).

    De acordo com o engenheiro agrônomo Fioravante Stucchi Neto, o modelo integrado facilita a adoção da cultura ao mostrar resultados práticos. Ele ressalta que o suporte técnico contínuo tem sido essencial para a expansão do cacau na região.

    Sistemas integrados aumentam rentabilidade

    Durante o Dia de Campo, técnicos apresentaram dados de áreas conduzidas em Integração Lavoura-Floresta (ILF), com cacau consorciado com banana e espécies florestais, como Corymbia.

    A técnica da Rede ILPF, Estella Mantovani, explicou que os primeiros resultados já indicam viabilidade econômica. Em uma área implantada em 2023, a receita gerada pela banana no ciclo 2024/25 cobriu os custos de implantação do cacau e remunerou a mão de obra familiar.

    Além do retorno financeiro, o sistema contribui para sustentabilidade ambiental e diversificação produtiva, fatores que reduzem riscos e fortalecem a resiliência das propriedades.

    Produtores demonstram interesse crescente

    O chefe da CATI Regional Jaboticabal, Oracy Schuindt Júnior, afirma que a experiência ampliou a visão dos produtores. Segundo ele, conhecer a cadeia completa — do plantio ao chocolate — aumenta a segurança para investir na cultura.

    O Projeto Cacau SP também tem ampliado sua atuação no estado. De acordo com o engenheiro agrônomo Fernando Miqueletti, o trabalho envolve todas as etapas da cadeia produtiva, o que permite aos produtores acessar mercados mais rentáveis.

    produtores de cacau de pe na plantação
    Foto: Divulgação

    Ele destaca que o interesse crescente indica que o cacau deixou de ser apenas uma alternativa experimental e passou a ocupar espaço estratégico na diversificação agrícola paulista.

    Entre os participantes, o produtor Márcio Tonelli, de Campinas, afirmou que pretende investir na cultura. Após visitar as áreas e conhecer experiências práticas, ele considera o cacau uma opção promissora para propriedades familiares, especialmente em regiões tradicionalmente voltadas ao café e aos citros.

    Nova fronteira agrícola em SP

    Os técnicos do Grupo Cacau SP avaliam que a expansão da cultura em regiões não tradicionais confirma o potencial do cacau como nova fronteira agrícola no estado.

    A combinação entre assistência técnica, pesquisa e sistemas integrados tem permitido avanços consistentes. Para produtores, o modelo representa oportunidade concreta de diversificação, aumento de renda e produção sustentável.

  • Alta do cacau impulsiona uso de tecnologia para garantir qualidade do chocolate

    Alta do cacau impulsiona uso de tecnologia para garantir qualidade do chocolate

    A recuperação da oferta global de cacau não reduziu a pressão por eficiência na indústria do chocolate. Pelo contrário: empresas do setor intensificam o uso de tecnologias e processos químicos para garantir padrão de qualidade, mesmo diante da variabilidade da matéria-prima.

    Dados da Organização Internacional do Cacau (ICCO) indicam uma virada no mercado global. Após dois anos de déficit, a safra 2024/25 deve registrar superávit de 48 mil toneladas, com produção próxima de cinco milhões de toneladas. A Costa do Marfim, principal produtora mundial, projeta crescimento de 10,5% na safra 2025/26, podendo alcançar até 2,1 milhões de toneladas, segundo informações divulgadas pela Reuters.

    Apesar da recuperação, o setor ainda monitora riscos estruturais, como mudanças climáticas, envelhecimento das lavouras e incidência de doenças nos cacaueiros. Esses fatores continuam a impactar diretamente a oferta e a qualidade do produto.

    Nos preços, a volatilidade recente reforça o cenário de atenção. O cacau atingiu o recorde histórico de US$ 12.906 por tonelada em dezembro de 2024, segundo a Trading Economics. Em junho de 2026, a cotação recuou para cerca de US$ 3.800 por tonelada, mas o histórico recente aumentou a preocupação da indústria com previsibilidade e controle produtivo.

    Impacto

    No Brasil, o tema tem impacto direto na indústria. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (ABICAB) mostram crescimento na produção nacional, que passou de 806 mil toneladas em 2024 para 814 mil toneladas em 2025.

    Diante desse cenário, processos industriais pouco visíveis ao consumidor ganham relevância estratégica. Segundo Renan Coelho, diretor comercial da Katrium Indústrias Químicas, a padronização do chocolate depende não apenas da qualidade do cacau, mas da capacidade da indústria de lidar com suas variações naturais.

    “O cacau é um produto agrícola sujeito a variações de clima, solo, safra e manejo. Já o consumidor espera consistência. A tecnologia permite transformar essa variabilidade em um produto padronizado”, afirma.

    Entre os principais recursos utilizados está a alcalinização do cacau. Estudos publicados na revista Food Science and Technology International mostram que esse processo altera o pH, a cor e características sensoriais do ingrediente, impactando diretamente sua aplicação industrial.

    Na prática, a alcalinização reduz a acidez do cacau, suaviza notas amargas, intensifica a coloração e melhora a dispersão do pó em diferentes formulações. Isso amplia o controle sobre atributos essenciais como sabor, textura e solubilidade.

    Entre os insumos utilizados, o carbonato de potássio atua como agente alcalinizante e regulador de pH. Pesquisas indicam que compostos à base de potássio apresentam alta eficiência na elevação do pH durante o processamento do cacau.

    Importância da química na indústria de alimentos

    Segundo Coelho, a maior oferta global não diminui a importância da química na indústria de alimentos. “A indústria precisa de estabilidade e previsibilidade. A química não substitui a qualidade da matéria-prima, mas garante que características importantes sejam preservadas ao longo da produção”, explica.

    Além do chocolate em barra, o controle de pH e a padronização impactam diretamente produtos como achocolatados, sorvetes, biscoitos, coberturas, recheios e sobremesas lácteas. Nesses segmentos, manter consistência em larga escala é um fator crítico de competitividade.

    Para o consumidor, essas tecnologias passam despercebidas. No entanto, são elas que asseguram a repetição da experiência sensorial, mesmo em um mercado de cacau sujeito a oscilações constantes.

  • Dia dos Namorados impulsiona mercado de chocolates e desafia produtores de cacau

    Dia dos Namorados impulsiona mercado de chocolates e desafia produtores de cacau

    O Dia dos Namorados movimenta muito mais do que floriculturas e joalherias. A data aquece um dos segmentos mais relevantes do varejo brasileiro, o de chocolates. E esse impulso chega diretamente ao campo, pressionando produtores de cacau a ampliar eficiência, produtividade e qualidade da safra para abastecer a indústria alimentícia em um dos períodos mais lucrativos do ano.

    O Brasil colhe entre 280 mil e 296 mil toneladas de cacau por ano e ocupa a 6ª posição entre os maiores produtores mundiais da fruta, segundo a ICCO (Organização Internacional do Cacau). Ainda assim, a produtividade média nacional chega a apenas 358 kg por hectare. Um índice que reforça a necessidade de planejamento produtivo mais eficiente para garantir regularidade no abastecimento.

    Nutrição vegetal como estratégia produtiva

    Para especialistas em nutrição vegetal, o cenário sazonal evidencia o papel estratégico de soluções de manejo para o produtor de cacau. A nutrição mineral equilibrada e a adubação foliar com micronutrientes garantem regularidade, qualidade e previsibilidade na oferta. Requisitos cada vez mais exigidos pela indústria chocolateira.

    Os fertilizantes líquidos se destacam nesse contexto: permitem absorção mais rápida pelas plantas, correção pontual de deficiências nutricionais e aplicação simultânea com defensivos agrícolas. Uma vantagem significativa para pequenos produtores, que trabalham com janelas curtas de manejo.

    “Nutrientes como nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio e micronutrientes são fundamentais para processos fisiológicos vitais da planta, especialmente a fotossíntese. É ela que fornece os açúcares e a energia necessários para o desenvolvimento das raízes, folhas e frutos. Tanto a deficiência quanto o excesso desses nutrientes podem comprometer diretamente a produtividade e a qualidade da produção”, explica Fellipe Parreira, responsável por Portfólio e Acesso do Grupo GIROAgro.

    Varejo digital cresce e chocolates lideram buscas sazonais

    No comércio, o Dia dos Namorados só perde em relevância para o Natal e o Dia das Mães no calendário varejista brasileiro. Em 2025, cerca de 93 milhões de consumidores foram às compras na data, impulsionando principalmente os setores de presentes, alimentação e experiências.

    O ambiente digital consolidou sua força nesse movimento. Segundo levantamento da Neotrust CONFI, o e-commerce movimentou R$ 9,23 bilhões durante o período. Chocolates premium, cestas temáticas e produtos personalizados lideram buscas e ações promocionais nas plataformas online.

    A indústria acompanha esse crescimento. Em 2024, a produção brasileira de chocolate ficou entre 803 mil e 806 mil toneladas, de acordo com a ABICAB (Associação Brasileira da Indústria de Chocolates). O consumo per capita do brasileiro chegou a 3,9 kg de chocolate por ano, o maior patamar dos últimos anos. E o país figura entre os cinco maiores consumidores mundiais em volume absoluto.

    Para 2025/2026, a StoneX projeta superávit de 287 mil toneladas de cacau, sinal de que a cadeia produtiva busca se ajustar ao ritmo crescente da demanda.

    Consumidor precisa equilibrar emoção e planejamento financeiro

    O comportamento de compra em datas comemorativas também exige atenção do consumidor. Para Patrick Santos, doutor em economia e gerente de planejamento da Multimarcas Consórcios, decisões de última hora e compras emocionais marcam o perfil do comprador nessas ocasiões.

    “O Dia dos Namorados costuma estimular compras emocionais e decisões de última hora. Por isso, o consumidor precisa equilibrar desejo e planejamento, avaliando preço, qualidade, promoções e, principalmente, o impacto daquele gasto no orçamento dos próximos meses”, afirma.

    O especialista também aponta que observar o desempenho do mercado em anos anteriores ajuda a antecipar tendências. “No ano passado, o setor de chocolates registrou aumento nas vendas impulsionado pelas datas comemorativas e pela busca por presentes de valor afetivo. Esse movimento mostra que, mesmo em cenários de orçamento mais apertado, o consumidor tende a preservar gastos ligados a experiências e demonstrações de carinho. Para este ano, a expectativa é de comportamento semelhante, mas com atenção maior à comparação de preços e alternativas que permitam celebrar sem comprometer o planejamento financeiro”, analisa Santos.

    Em um cenário de consumo aquecido e datas sazonais cada vez mais relevantes para o varejo, a integração entre agronegócio, indústria e comércio se torna decisiva para atender à demanda do consumidor brasileiro, do cacaueiro à caixa de bombons.

  • Festival do Chocolate e Cacau reúne produtores do Brasil e exterior

    Festival do Chocolate e Cacau reúne produtores do Brasil e exterior

    Altamira (PA) recebe, entre os dias 11 e 14 de junho, a 5ª edição do Festival Internacional do Chocolate e do Cacau. O evento reúne produtores, especialistas e visitantes do Brasil e do exterior no Centro de Convenções Vilmar Soares, na Região de Integração do Xingu. A abertura oficial ocorre nesta quinta-feira (11), às 19h.

    A programação ganha força a partir de sexta-feira (12), com visitação aberta ao público das 14h às 22h. Conhecido como Chocolate Xingu, o festival resulta de uma parceria entre o Governo do Pará, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), e a Prefeitura de Altamira.

    O Fundo de Apoio ao Desenvolvimento da Cacauicultura do Pará (Funcacau) financia o evento e garante a participação de produtores de diversas regiões do estado. A iniciativa busca fortalecer a cadeia produtiva e ampliar oportunidades de negócios para os cacauicultores paraenses.

    Segundo o coordenador do festival e do Procacau, Ivaldo Santana, o evento se consolidou como um dos mais relevantes da América Latina. “O festival atrai mais de 100 mil visitantes e movimenta produtores e empreendedores do setor. A expectativa para esta edição é alta, com novidades e oportunidades”, afirma.

    Experiências e negócios impulsionam o evento

    A programação inclui exposição de chocolates de origem, derivados de cacau, experiências sensoriais e peças de artesanato que valorizam a cultura amazônica. Os visitantes também percorrem espaços inspirados no sistema agroflorestal, destaque da produção sustentável no Pará.

    Entre as atrações, o chef e chocolatier Léo Vilela comandará a criação de uma escultura feita integralmente de chocolate, produzida ao vivo. O evento também oferece Cozinhas Show e atividades para o público infantil, além de demonstrações do processo de fabricação do chocolate.

    Fórum e tendências do mercado de cacau

    Além das atividades culturais e gastronômicas, o festival promove debates técnicos sobre a cadeia produtiva. Na sexta-feira (12), o Fórum do Cacau reúne especialistas e produtores em palestras voltadas ao setor. No sábado (13), o Chocoday apresenta painéis sobre tendências globais do mercado de chocolate.

    Foto: Rose Barbosa/Divulgação

    A programação inclui ainda o II Concurso de Melhor Chocolate Artesanal e Produtos Derivados de Cacau e Chocolate, que reconhece a qualidade e a inovação da produção amazônica.

    Serviço

    • Evento: Festival Internacional do Chocolate e do Cacau
    • Data: 11 a 14 de junho
    • Local: Centro de Eventos Vilmar Soares, Altamira (PA)
    • Abertura: 11 de junho, às 19h
    • Visitação: 12 a 14 de junho, das 14h às 22h
  • Cacau do Pará domina o principal concurso de chocolate fino do Brasil em 2026

    Cacau do Pará domina o principal concurso de chocolate fino do Brasil em 2026

    O Pará confirmou mais uma vez sua hegemonia no mundo do chocolate fino. Na edição 2026 do Prêmio Bean to Bar Brasil, considerado o principal concurso do setor no país, seis das onze barras finalistas usaram cacau paraense. Os organizadores divulgaram os vencedores na última semana.

    A medalha de ouro na categoria chocolates intensos ficou com a Invento Chocolates, de Santa Catarina, que produziu um 70% cacau com amêndoas do assentamento Tuerê, no município de Novo Repartimento, na Região de Integração do Lago Tucuruí. Com essa conquista, o assentamento chega a 44 premiações nacionais e internacionais. Portanto, um histórico que consolida a região entre os endereços de referência para o cacau de excelência no Brasil.

    O Pará lidera a produção nacional de cacau, com a região da Transamazônica respondendo por 86,3% da produção estadual. O estado produz cerca de 152 mil toneladas de amêndoas por ano. A força na quantidade reflete diretamente na qualidade: municípios como Medicilândia, Brasil Novo e Novo Repartimento indicam a procedência das melhores amêndoas do Brasil.

    Sítio Ascurra e Medicilândia brilham em múltiplas categorias

    Outro destaque da edição foi o Sítio Ascurra, do produtor Robson Brogni, em Medicilândia, na Região de Integração do Xingu. O sítio aparece em dois chocolates premiados da Invento Chocolates. Um bronze nos intensos e uma prata no ao leite, repetindo o reconhecimento que já havia recebido na edição anterior do concurso.

    Medicilândia é o maior município produtor de cacau do Pará, com 37.564 toneladas, seguida por Uruará (21.426 toneladas) e Placas (17.052 toneladas).

    Avaliação às cegas garante imparcialidade

    No concurso, todos os chocolates tomam a forma de barras idênticas e os jurados os avaliam sem saber a origem ou a marca. Portanto, uma metodologia que garante imparcialidade total na avaliação. Os ingredientes permitidos são apenas cacau, açúcar, manteiga de cacau e lecitina (no caso do ao leite), também leite em pó, sem gorduras vegetais, aromatizantes ou terceirização de qualquer etapa da produção.

    O coordenador do Procacau da Sedap, Ivaldo Santana, destacou que a premiação reforça a liderança das amêndoas paraenses no mercado nacional. Para ele, o momento também serve de convite: o Festival Internacional do Chocolate e do Cacau de Altamira, entre os dias 11 e 14 de junho, vai levar ao público os mesmos cacaus que brilharam no concurso.

    “Essa amêndoa utilizada em alguns desses chocolates que se destacaram na premiação estará presente nos diferentes produtos que serão ofertados no festival. É uma ótima oportunidade do público conferir essa excelência das nossas amêndoas, não apenas produzidas na Transamazônica como em outras regiões do Pará”, afirmou Santana.

    Confira a lista completa dos vencedores — Bean to Bar Brasil 2026

    Chocolates Intensos (70–80% cacau)

    • Ouro: Invento Chocolates 70% — Tuerê, PA
    • Prata: Magian Cacao 70% — Medicilândia, PA (Robson Brogni)
    • Prata: Magian Cacao 70% catongo — Uruará, PA (Gilmar Batista)
    • Bronze + Escolha do Público: Monjolo Chocolates 70% — Medicilândia, PA
    • Bronze: Invento Chocolates 70% Sítio Ascurra — Medicilândia, PA
    • Bronze: Mission Chocolate 70% — Castelo Novo, Ilhéus, BA

    Chocolates ao Leite

    • Ouro + Escolha do Público: Mission Chocolate 43% — Castelo Novo, Ilhéus, BA
    • Prata: Invento Chocolates 45% Sítio Ascurra — Medicilândia, PA
    • Bronze: Alma Chocolates 55% — Bahia
    • Bronze: Ocan Chocolate Bean to Bar 52% — Espírito Santo
    • Bronze: Alma Chocolates 44% — Espírito Santo
  • Mercado de cacau oscila com risco climático e avanço do El Niño

    Mercado de cacau oscila com risco climático e avanço do El Niño

    O mercado global de cacau mantém pressão de fatores técnicos e da expectativa de superávit, mas segue altamente sensível ao clima nas principais regiões produtoras. A combinação entre fundamentos baixistas e riscos climáticos deve sustentar a volatilidade nas próximas semanas.

    Dados da Hedgepoint Global Markets indicam que previsões de chuvas abaixo da média na África Ocidental e o avanço das chances de El Niño podem alterar o comportamento dos preços, mesmo com sinais de maior oferta global.

    Na semana encerrada em 29 de maio, os contratos futuros do cacau fecharam a US$ 3.923 por tonelada em Nova York e £ 2.975 por tonelada em Londres. No acumulado do mês, as cotações subiram 12,3% e 13,5%, respectivamente.

    Apesar de projeções de safra maior na Costa do Marfim e preocupações com a qualidade das amêndoas na África Ocidental, os fundamentos do mercado não registraram mudanças relevantes.

    Carolina França, analista de Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets. Foto: divulgação

    Segundo Carolina França, analista de Inteligência de Mercado da Hedgepoint, o mercado reage rapidamente a ajustes técnicos e ao cenário macroeconômico. Movimentos como cobertura de posições vendidas e reposicionamento de investidores continuam influenciando os preços.

    Clima na África Ocidental entra no radar

    As condições climáticas seguem no centro das atenções. Na Costa do Marfim, maior produtor mundial, as chuvas permanecem acima do ciclo anterior e próximas da média histórica. Em Gana, o volume de precipitação também supera a média, o que favorece o desenvolvimento das lavouras, mas eleva o risco de doenças e impactos na colheita.

    Mesmo com cenário positivo até agora, previsões indicam redução das chuvas em partes da África Ocidental nas próximas semanas. O período é decisivo para a safra 2026/27, pois coincide com a fase de florescimento das plantas.

    Caso a estiagem avance ao longo de junho, o desenvolvimento das lavouras pode sofrer impacto direto, o que tende a dar suporte aos preços internacionais do cacau.

    El Niño aumenta incerteza no mercado

    Outro fator de atenção é o avanço das projeções para o El Niño. A NOAA elevou para 82% a probabilidade de formação do fenômeno entre maio e julho. Com possibilidade de continuidade durante o inverno 2026/27 no Hemisfério Norte.

    As projeções indicam que a temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 pode ultrapassar 1,5°C e atingir até 2°C a partir de setembro, caracterizando um evento forte.

    Os impactos variam por região. Mas o padrão climático tende a provocar condições mais secas em áreas da África Ocidental e Central, além da América Central e do norte do Brasil. Por outro lado, países como Peru e Equador podem registrar aumento das chuvas.

    O fenômeno também pode intensificar ondas de calor na América do Sul e na África. A intensidade do El Niño, aliada a fatores locais como o Harmattan e a monção da África Ocidental, deve determinar os efeitos sobre a produção.

    Fatores técnicos e clima devem guiar preços

    No curto prazo, o mercado deve continuar reagindo à combinação entre fatores técnicos e notícias climáticas. A expectativa de superávit global e os estoques elevados em Nova York mantêm o viés baixista.

    No entanto, qualquer mudança nas condições climáticas pode gerar correções rápidas nos preços.

    Portanto, o mercado de cacau segue em alerta. A evolução do clima na África Ocidental, o comportamento do El Niño e a demanda global devem continuar como principais vetores para produtores, exportadores e investidores.

  • Comissão da Câmara aprova política nacional de incentivo ao cultivo de cacau em sistema cabruca

    Comissão da Câmara aprova política nacional de incentivo ao cultivo de cacau em sistema cabruca

    A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 4107/25, que cria a Política Nacional de Proteção, Manutenção e Incentivo ao Cultivo de Cacau em Sistemas Agroflorestais Cabruca. A proposta fortalece a cacauicultura sustentável ao estimular o cultivo sob sombra de árvores nativas.

    O texto define o sistema cabruca como o cultivo de cacau integrado à vegetação nativa, com manutenção mínima de espécies por hectare e respeito à biodiversidade local. A prática é comum em regiões como o sul da Bahia e combina produção agrícola com conservação ambiental.

    O relator do projeto, deputado Domingos Sávio (PL-MG), defendeu a aprovação e destacou o potencial do modelo. Segundo ele, o sistema cabruca comprova que é possível unir produção econômica e preservação ambiental.

    Incentivos ao produtor

    A proposta estabelece uma série de instrumentos de apoio à produção em cabruca. Entre eles estão:

    • Crédito rural específico para o sistema agroflorestal
    • Programas de assistência técnica e extensão rural
    • Capacitação de produtores
    • Subsídios financeiros
    • Criação de um fundo para pesquisa científica e tecnológica na cacauicultura

    O texto também prevê pagamento por serviços ambientais. O valor mínimo anual será equivalente a uma arroba (15 kg) de cacau por hectare cultivado, considerando o maior preço do produto no ano vigente. Pequenos e médios produtores terão prioridade no acesso aos incentivos.

    Proteção ambiental e biodiversidade
    Além do estímulo à produção sustentável, a política busca proteger recursos naturais e conservar a biodiversidade da Mata Atlântica. O modelo cabruca mantém a cobertura vegetal e contribui para a preservação de ecossistemas sensíveis.

    Autor do projeto, o deputado Neto Carletto (PP-BA) ressaltou a relevância do sistema, especialmente na Bahia. Segundo ele, a cabruca desempenha papel estratégico tanto na conservação ambiental quanto no desenvolvimento econômico e social das comunidades produtoras.

    O projeto segue em análise na Câmara dos Deputados e ainda passará pelas comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, o texto precisa de aprovação na Câmara e no Senado.

    Fonte: Agência Câmara de Notícias