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  • Caminho Verde Brasil destina R$ 3 bi à Caatinga para integrar pequenos produtores ao milho e fortalecer avicultura

    Caminho Verde Brasil destina R$ 3 bi à Caatinga para integrar pequenos produtores ao milho e fortalecer avicultura

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) destinou R$ 3 bilhões do Programa Caminho Verde Brasil para impulsionar o desenvolvimento sustentável na Caatinga, com foco na integração de pequenos produtores rurais à cadeia produtiva do milho e no fortalecimento da avicultura nordestina. A medida foi anunciada durante reunião estratégica realizada na quinta-feira (26), no Recife (PE).

    Do total de R$ 30 bilhões previstos no programa nacional, 10% serão aplicados exclusivamente no bioma, que abrange estados como Pernambuco, Bahia, Ceará e Piauí. A iniciativa reuniu representantes da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), produtores rurais, avicultores, Banco do Brasil, Embrapa, Corteva e assessores do gabinete ministerial.

    (Imagem/Reprodução: Guilherme Martimon/MAPA)

    Milho local para reduzir custos da avicultura

    O abastecimento de milho representa um dos principais gargalos da avicultura nordestina. Por isso, a indústria busca o insumo a mais de 1.000 quilômetros de distância, o que eleva significativamente os custos de produção das aves. Diante desse cenário, o Caminho Verde Brasil propõe estruturar a produção do grão no entorno direto dos polos avícolas da região, aproximando a oferta da demanda e reduzindo a dependência logística.

    “Estamos buscando uma solução para a produção de milho nos arredores das avícolas, utilizando recursos do programa”, afirmou Carlos Augustin, coordenador do Caminho Verde Brasil e assessor especial do gabinete do ministro da Agricultura.

    A estratégia prevê a transição de pequenos agricultores, hoje voltados majoritariamente para a subsistência, para uma agricultura comercial integrada à indústria. Segundo Edival Veras, representante da Associação Avícola de Pernambuco (Avipe), os recursos poderão viabilizar o preparo de até 400 mil hectares para a produção sustentável de milho, dentro dos critérios ambientais do programa.

    Impacto social e econômico avaliado positivamente pelo setor

    Para o diretor de Relações Institucionais da ABPA, Marcelo Osório, o programa combina desenvolvimento regional com responsabilidade ambiental. “O programa tem um importante caráter social e de desenvolvimento regional, e houve consenso entre os participantes. Agora, avançamos para os detalhes de implementação”, destacou.

    Próximos passos: reunião em abril definirá cronograma

    Os participantes estabeleceram uma agenda de trabalho para estruturar as parcerias entre produtores rurais e indústria. Um novo encontro está previsto para abril, quando serão apresentados os avanços das ações e definido o cronograma de execução.

    Sobre o Caminho Verde Brasil

    Coordenado pelo Mapa, o programa tem como meta restaurar até 40 milhões de hectares de áreas degradadas em todo o território nacional, integrando-as a sistemas produtivos sustentáveis. O projeto busca equilibrar segurança alimentar, transição energética e proteção ambiental, posicionando o Brasil como referência global em agropecuária sustentável.

  • Do fruto à inovação: jatobá vira farinha, licor e pomada cicatrizante

    Do fruto à inovação: jatobá vira farinha, licor e pomada cicatrizante

    Pesquisadores brasileiros estão impulsionando o uso do jatobá, fruto nativo de casca dura presente em cinco biomas; Amazônia, Pantanal, Cerrado, Mata Atlântica e Caatinga. Tradicionalmente conhecido pelo uso de sua madeira, o jatobá começa a se firmar como uma planta alimentícia não convencional (PANC) de alto potencial econômico e sustentável.

    O Projeto Jatobá, conduzido pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Tupã e coordenado pela geógrafa Izabel Castanha Gil, tem como principal meta organizar e valorizar a cadeia produtiva do fruto. “Mapeamos os pontos de coleta em cerca de 30 municípios paulistas e trabalhamos com grupos indígenas do Mato Grosso, que já utilizam o jatobá tradicionalmente. Também articulamos ações de reflorestamento com a espécie”, explica Izabel.

    A iniciativa reúne parcerias com universidades e instituições como o Sebrae, Fatec Marília, Embrapii e Cati-SP. O objetivo é unir pesquisa, inovação e capacitação para transformar o jatobá em fonte de renda e conservação ambiental.

    Entre os produtos desenvolvidos estão farinha de jatobá (já usada na merenda escolar), vinagres feitos da casca, creme com cacau e amendoim, mistura para bolo instantâneo, licor e xarope. Segundo Izabel, o próximo desafio é encontrar parceiros que garantam escala de produção.

    Na área de panificação, a Fatec Marília criou um fermento natural à base da seiva do jatobá, rico em cálcio, ferro, magnésio e fibras, e totalmente livre de glúten. No Oeste paulista, o município de Adamantina foi reconhecido em 2025 como Cadeia Produtiva Local (CPL) do jatobá, o que possibilita novos incentivos para produtores e empreendedores.

    Até queijo

    A inovação também chega aos laticínios. Uma queijaria local desenvolveu queijo trufado com creme de jatobá, cacau e amendoim. Além de queijo curado em licor de jatobá, resultado de parcerias com o projeto.

    Pesquisadores de Porto Alegre colaboram com o desenvolvimento de um larvicida natural contra o Aedes aegypti, feito a partir da resina do jatobá, atualmente em fase de testes de campo. A mesma resina é base para uma pomada cicatrizante que passa por estudos bioquímicos avançados. “A produção ainda é experimental, mas a demanda crescente já mobiliza comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul”, destaca Izabel.

    Ele também integra programas de reflorestamento e compensação ambiental, com potencial para gerar créditos de carbono. Mais de 20 mil mudas já foram plantadas em propriedades privadas e áreas públicas da região.

    Árvore de jatobá. Foto: Wilson Fortunato/Flickr

    A árvore leva de 10 a 12 anos para frutificar. Mas depois disso, pode produzir até 200 quilos de frutos a cada dois anos, mantendo a produtividade por mais de um século. Com tanto potencial, o jatobá se firma como símbolo de sustentabilidade, inovação e valorização da biodiversidade brasileira.

  • Alecrim-do-mato da Caatinga vira aposta e atrai indústria

    Alecrim-do-mato da Caatinga vira aposta e atrai indústria

    Pesquisadores da Embrapa Semiárido, em Petrolina (PE), concluíram a estruturação da base tecnológica para o cultivo e a exploração comercial do alecrim-do-mato (Lippia grata Schauer), planta aromática nativa da Caatinga com potencial para bioinsumos agrícolas, cosméticos e fragrâncias. Os estudos definiram protocolos de produção de mudas e extração de óleo essencial, abriram parcerias industriais e apontam para a integração da espécie em sistemas agroecológicos com agricultores familiares do Semiárido.

    Os trabalhos começaram em 2009, a partir de um levantamento de cerca de 25 espécies aromáticas produtoras de óleos essenciais em Pernambuco e na Bahia. Após análises químicas e ensaios biológicos, a Lippia grata se destacou entre todas. “Desde os primeiros levantamentos, o alecrim-do-mato apresentou um potencial muito superior ao das demais espécies avaliadas”, afirma a pesquisadora Ana Valéria Vieira de Souza.

    A planta ocorre em todos os estados do Nordeste, exceto Alagoas, suporta baixa disponibilidade de água e admite plantio consorciado. Características que facilitam sua adoção no Semiárido.

    Um dos primeiros desafios da pesquisa foi o fato de o alecrim-do-mato não se propagar por sementes. A equipe desenvolveu um protocolo de propagação vegetativa que mostrou facilidade de enraizamento sem o uso de substâncias estimulantes, viabilizando a produção em escala. O protocolo recomenda a coleta de ramos medianos das plantas matrizes, entre 50 e 60 centímetros do solo, e o uso de vermiculita expandida como substrato.

    Óleo com rendimento acima da média

    No campo da extração, os pesquisadores identificaram que folhas secas à sombra produzem entre 3 e 5 mililitros de óleo essencial por 100 gramas. Um índice considerado elevado para a espécie. A destilação por arraste a vapor preserva as propriedades do produto, e o armazenamento deve ocorrer em frascos âmbar ou protegidos da luz, em temperaturas abaixo de 15 °C.

    Óleo essencial apresenta ação antifúngica e antibacteriana, com resultados promissores no controle de patógenos de culturas como manga e uva. Foto: Clarice Rocha/Embrapa

    O óleo do Vale do São Francisco ainda guarda uma característica incomum: um quimiotipo diferenciado, com composição química distinta das populações da espécie em outras regiões. Parceiros industriais que analisaram o material reagiram com surpresa. “O quimiotipo local mostrou uma composição mais potente, o que expande as possibilidades industriais e agrega valor ao produto final”, diz Ana Valéria.

    Fungo não resiste nem ao contato

    Em ensaios laboratoriais e de campo, o óleo da Lippia grata inibiu fungos como Lasiodiplodia, Aspergillus, Alternaria e Cladosporium. Eles são patógenos que atacam manga e uva, culturas estratégicas do Vale do São Francisco. O pesquisador Pedro Martins destaca um resultado especialmente relevante para a viticultura: o óleo paralisou o crescimento de certos fungos mesmo sem contato direto com eles. “Esse comportamento é especialmente útil para a pós-colheita da uva, que não pode receber tratamentos que umedeçam os cachos”, explica Martins.

    “Testamos quebra-faca, marmeleiro e outras espécies. O alecrim-do-mato foi disparadamente a mais eficiente”, completa o pesquisador.

    Para tornar o óleo aplicável em larga escala, a equipe avança no desenvolvimento de formulações e nanoformulações que aumentem a estabilidade do produto e superem limitações como volatilidade, degradação pela luz e baixa solubilidade. O pesquisador Douglas Britto lidera estudos sobre revestimentos pós-colheita para prolongar a vida útil da manga.

    Da roça ao mercado de cosméticos

    Desde 2022, a Embrapa Semiárido mantém parceria com a empresa Bio Assets para o desenvolvimento de produtos comerciais a partir de ativos naturais da Caatinga e do . Incluindo o óleo da Lippia grata, que também desperta interesse da indústria de cosméticos e fragrâncias.

    A próxima etapa prevê a implantação do cultivo em propriedades familiares, com integração dos princípios da agroecologia e da bioeconomia desde o início. “O alecrim-do-mato é um dos exemplos mais fortes de como a biodiversidade da Caatinga pode impulsionar inovação, renda e inclusão socioprodutiva”, afirma Ana Valéria. “As perspectivas são excelentes, e seguimos trabalhando para ampliar suas aplicações e consolidar essa nova cadeia de valor.”

    Pesquisa integra bioeconomia e agroecologia, com foco no cultivo pela agricultura familiar no Semiárido. Foto: Clarice Rocha/Embrapa
  • Turismo na Serra da Capivara cresce 42,8% em janeiro

    Turismo na Serra da Capivara cresce 42,8% em janeiro

    O Parque Nacional da Serra da Capivara, um dos destinos mais emblemáticos do turismo histórico e ecológico do Brasil, registrou aumento expressivo no número de visitantes em janeiro de 2026. Segundo dados dos sistemas oficiais de monitoramento, o local recebeu 5.908 visitas, contra 4.136 no mesmo mês do ano passado — uma alta de 42,8%.

    O crescimento indica o fortalecimento da visitação organizada e responsável, alinhada às diretrizes de conservação ambiental, pesquisa científica e turismo sustentável. As visitas ao parque são regulamentadas e realizadas com o acompanhamento de condutores credenciados, assegurando a proteção dos sítios arqueológicos e dos ecossistemas da Caatinga.

    Patrimônio mundial e referência arqueológica

    Reconhecido pela Unesco desde 1991 como Patrimônio Cultural da Humanidade, o Parque Nacional da Serra da Capivara abriga a maior concentração de sítios de arte rupestre das Américas. Com registros que ajudam a compreender a origem e presença mais antiga do ser humano no continente.

    Com mais de 129 mil hectares de área protegida e 1.200 sítios arqueológicos catalogados, muitos abertos à visitação, a unidade se destaca como um importante polo de pesquisa científica e conservação ambiental. Além de preservar o acervo pré-histórico, protege espécies raras da fauna e flora típicas da Caatinga, reforçando seu valor ecológico e cultural.

    Turismo sustentável e impacto regional

    Para o secretário de Estado do Turismo, Daniel Oliveira, o aumento da visitação confirma o papel estratégico do parque no desenvolvimento do turismo sustentável do Piauí.

    “A Serra da Capivara é um patrimônio da humanidade e um orgulho para todos os piauienses. O crescimento no número de visitantes mostra que estamos no caminho certo ao promover o turismo responsável. Portanto, valorizando nossa história, a ciência e a conservação ambiental, ao mesmo tempo em que geramos oportunidades para as comunidades do entorno”, afirmou.

  • Maior reserva ambiental do Piauí protege 560 hectares de Caatinga

    Maior reserva ambiental do Piauí protege 560 hectares de Caatinga

    lgO Piauí acaba de ganhar sua maior Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) de gestão estadual: a RPPN Flor da América, localizada em Colônia do Piauí. Com 560 hectares de Caatinga sob proteção permanente, a nova unidade de conservação representa um avanço histórico para a preservação do bioma, o único exclusivamente brasileiro. E um passo importante para o fortalecimento da conservação privada no país.

    A criação da reserva foi oficializada durante solenidade em Teresina (PI), em celebração ao Dia Nacional das RPPNs, comemorado em 31 de janeiro, data que ressalta o papel estratégico dessas áreas para a proteção da biodiversidade e o incentivo à preservação ambiental em propriedades particulares.

    Refúgio ecológico e legado ambiental

    A RPPN Flor da América, criada pela Auren Energia, funcionará como um verdadeiro santuário ecológico para diversas espécies da fauna e flora típicas do semiárido. Entre os animais protegidos estão aves, mamíferos, répteis e anfíbios que dependem da vegetação nativa para sobreviver.

    Além de abrigar a vida silvestre, a reserva exerce papel fundamental na regulação climática, na conservação do solo e na recarga hídrica da região. Sua localização estratégica contribui para a formação de corredores ecológicos. Permitindo o fluxo genético das espécies e fortalecendo a resiliência ambiental da Caatinga frente às mudanças climáticas.

    Avanço para a conservação do semiárido

    A criação da RPPN Flor da América integra um conjunto de ações voltadas à restauração e ao manejo sustentável da Caatinga no estado. Nessas áreas, monitoramentos recentes registraram mais de 170 espécies nativas, incluindo o periquito-da-caatinga, o pompeu e o gato-do-mato-pequeno. Todos classificados como vulneráveis pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).


    Jarbas Amaro, gerente de Sustentabilidade, e Rafael Campolina, gerente executivo de Sustentabilidade da Auren Energia, participam da cerimônia de assinatura para a criação da RPPN. Foto: Narcílio Costa/ Ascom Semarh/PI

    A iniciativa reforça o compromisso com a preservação de biomas estratégicos e demonstra o papel crescente do setor privado na ampliação das áreas de conservação voluntária no Brasil.

  • Pesquisa revela potencial do umbu para saúde, beleza e nutrição

    Pesquisa revela potencial do umbu para saúde, beleza e nutrição

    Uma pesquisa científica inédita acaba de revelar o potencial transformador do umbu (Spondias tuberosa Arruda), fruta nativa do semiárido brasileiro. O estudo, realizado em parceria entre a Embrapa e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), caracterizou pela primeira vez de forma abrangente os compostos químicos e aromáticos da polpa do fruto, apontando aplicações que vão desde alimentos funcionais até cosméticos e medicamentos.

    Os resultados impressionaram os pesquisadores. Segundo a professora Juliane Welke, da UFRGS, o trabalho investigou tanto os compostos fenólicos tradicionais quanto aqueles negligenciados em estudos anteriores, chamados de “não extraíveis”.

    “Descobrimos que essa fração não extraível representa 82% do conteúdo total de polifenóis da polpa de umbu e apresenta alta capacidade antioxidante”, explica a doutoranda Rafaela Silveira, autora principal do estudo.

    Os antioxidantes são substâncias que combatem os radicais livres no organismo, associados ao envelhecimento celular e a doenças crônicas como cânceres e problemas cardiovasculares.

    19 compostos bioativos identificados

    A análise identificou 19 compostos fenólicos e um ácido orgânico na polpa do umbu. Entre os destaques estão flavonoides como miricetina, rutina, quercetina e kaempferol – moléculas já reconhecidas pela ciência por seus efeitos anti-inflamatórios e cardioprotetores.

    “Essas substâncias reforçam o potencial do umbu como ingrediente funcional que vai muito além da alimentação, alcançando aplicações farmacêuticas”, afirma Silveira.

    Aroma exótico atrai indústrias

    No campo dos aromas, a pesquisa encontrou 26 terpenos, além de álcoois, ésteres, ácidos, aldeídos e cetonas. Compostos como citral, β-linalol, nerol e p-cimeno são os principais responsáveis pelo perfil aromático exótico do umbu, que combina notas cítricas, florais e doces.

    Umbu
    Foto: Auxiliadora Coêlho/Embrapa

    O perfil diferenciado já desperta interesse das indústrias de alimentos e cosméticos, que enxergam na fruta uma matéria-prima inovadora para produtos de alto valor agregado.

    Economia circular e geração de renda

    Além dos benefícios nutricionais e sensoriais, o aproveitamento integral do umbu pode impulsionar a economia circular no semiárido nordestino, segundo Aline Biasoto, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente.

    Atualmente, a fruta é comercializada principalmente em forma de polpa por cooperativas locais, sendo utilizada na produção de geleias, compotas, sorvetes, sucos, licores e cervejas artesanais.

    O umbuzeiro, capaz de armazenar água em suas raízes para sobreviver às secas prolongadas, é considerado patrimônio cultural do semiárido. A coleta dos frutos é tradicionalmente realizada por agricultores familiares, garantindo sustento a diversas comunidades da Caatinga.

    Cultivares melhoradas ampliam possibilidades

    Saulo de Tarso Aidar, pesquisador da Embrapa Semiárido e coordenador do projeto de biodiversidade da Caatinga, acredita que a nova caracterização científica pode abrir novos mercados para o fruto e ampliar seu impacto socioeconômico.

    Desde 2019, a Embrapa já registrou quatro cultivares melhoradas de umbuzeiro no Ministério da Agricultura e Pecuária: BRS 48, BRS 52, BRS 55 e BRS 68. Todas apresentam produtividade superior à média e estão adaptadas ao bioma Caatinga.

    “Os novos materiais representam um passo importante na domesticação do umbuzeiro, reduzindo a dependência do extrativismo”, explica Visêldo Ribeiro, da Embrapa Semiárido.

    Estudos futuros devem aprofundar o papel dos compostos fenólicos do umbu na saúde intestinal e avaliar aplicações específicas em alimentos funcionais e suplementos nutricionais. No campo dos aromas, os pesquisadores pretendem explorar o potencial dos terpenos em produtos cosméticos e alimentícios.

    A pesquisa reposiciona o umbu, até então subutilizado e com altas perdas pós-colheita, como matéria-prima estratégica para inovação industrial, unindo saúde, sustentabilidade e tradição cultural do semiárido brasileiro.

    O estudo, de Rafaela Silveira, UFRGS, Karolina Hernandes, UFRGS, Luana Mallmann, UFRGS, Viseldo Oliveira, Embrapa Semiárido, Cláudia Zini, UFRGS, Aline Biasoto, Embrapa Meio Ambiente e Juliane Elisa Welke, UFRGS, está disponível aqui.

  • Ibama aplica R$ 6,2 milhões em multas por desmatamento ilegal

    Ibama aplica R$ 6,2 milhões em multas por desmatamento ilegal

    Agentes do Ibama autuaram 52 infrações durante a Operação Mandacaru I, no interior da Bahia. As multas somam R$ 6,2 milhões. A ação ocorreu entre 30 de junho e 11 de julho, em Jeremoabo e outras cinco cidades.

    Parte da área embargada em razão de desmatamento ilegal para plantação. Foto: divulgação/Ibama

    A operação visa combater o desmatamento ilegal e cumprir acordos climáticos internacionais, como o Acordo de Paris. O Ibama usou alertas do MapBiomas e imagens de satélite para identificar áreas devastadas.

    Além das multas aplicadas, também houve embargo de mais de três mil hectares de áreas desmatadas de forma irregular. Em duas propriedades, foram constatados o descumprimento de embargos ambientais previamente aplicados. 

    Os agentes também apreenderam mais de 50 pássaros silvestres criados ilegalmente.

    Durante a operação, os agentes atenderam a uma denúncia e resgataram um tucano e uma arara canindé, autuando o infrator com base na Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605).  Os animais foram encaminhados para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) em Salvador (BA), onde irão receber o tratamento inicial necessário e seguir com as ações de reabilitação.

    A operação reforça o compromisso do Brasil no combate às mudanças climáticas e na proteção da biodiversidade da Caatinga.

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  • Desmatamento no Brasil cai 32,4% em 2024, segundo MapBiomas

    Desmatamento no Brasil cai 32,4% em 2024, segundo MapBiomas

    O Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD) divulgado em 15 de maio pela iniciativa MapBiomas Alerta revela queda no desmatamento em cinco dos seis biomas brasileiros em 2024: Pantanal, Pampa, Cerrado, Amazônia e Caatinga. A Mata Atlântica foi a única exceção, mantendo-se estável em relação a 2023, apesar dos impactos dos eventos climáticos extremos no Rio Grande do Sul.

    A área total desmatada no país somou 1.242.079 hectares, representando uma redução de 32,4% em comparação com 2023. O número de alertas validados caiu 26,9%, totalizando 60.983 registros no ano passado.

    Redução do desmatamento por bioma em 2024 (comparado a 2023):

    • Pantanal: queda de 58,6%
    • Pampa: queda de 42,1%
    • Cerrado: queda de 41,2%
    • Amazônia: queda de 16,8%
    • Caatinga: queda de 13,4%
    • Mata Atlântica: aumento de 2%

    O Pantanal e o Pampa lideraram as maiores reduções, seguidos pelo Cerrado, Amazônia e Caatinga. A Mata Atlântica apresentou leve crescimento devido aos desmatamentos provocados por eventos climáticos extremos, que, sem esses impactos, teriam resultado em uma redução de 20% na área desmatada.

    Cerrado: maior área desmatada

    Pelo segundo ano consecutivo, o Cerrado concentrou a maior área desmatada no país, com 652.197 hectares, o que corresponde a 52,5% do total nacional. A região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) concentrou 75% do desmatamento no Cerrado e cerca de 42% da perda total de vegetação nativa no Brasil. Apesar disso, o desmatamento no Cerrado caiu 40% em relação a 2023. O Maranhão lidera o ranking estadual, com 218.298,4 hectares desmatados, uma redução de 34,3%.

    Amazônia: segunda maior área desmatada

    A Amazônia registrou 377.708 hectares desmatados, representando 30,4% do total nacional. Essa área é a menor desde o início da série histórica do RAD em 2019. Juntos, Cerrado e Amazônia responderam por quase 89% da área desmatada em 2024.

    Outros biomas

    A Caatinga ocupou o terceiro lugar em área desmatada, com 174.511 hectares (14%). Pantanal e Mata Atlântica representaram 1,9% (23.295 hectares) e 1,1% (13.472 hectares), respectivamente. O Pampa teve a menor área desmatada, com 896 hectares (0,1%). Sistemas de detecção por sensoriamento remoto ainda enfrentam limitações em ambientes campestres, podendo subestimar o desmatamento no Pampa e Pantanal.

    Terras Indígenas e Unidades de Conservação

    Dois terços das Terras Indígenas (TIs) não registraram desmatamento em 2024. Apenas 33% das TIs tiveram algum evento, totalizando 15.938 hectares perdidos, uma redução de 24% em relação a 2023, equivalente a 1,3% do total desmatado no país. As Unidades de Conservação (UCs) perderam 57.930 hectares, uma queda de 42,5%. Em UCs de Proteção Integral, a redução foi de 57,9%, com 4.577 hectares desmatados. A APA Triunfo do Xingu (PA) foi a UC com maior área desmatada, com 6.413 hectares, 31,7% menos que em 2023.

    O MapBiomas Alerta consolida, valida e refina dados de diversos sistemas de monitoramento do desmatamento no Brasil, como o Deter (Inpe) e os Sistemas de Alerta de Desmatamento (SADs) do Imazon, SOS Mata Atlântica-ArcPlan e Pampa/UFRGS/Geokarten. Cada alerta recebe análise detalhada com imagens de satélite em alta resolução, mostrando o antes e depois do desmatamento. Os laudos cruzam informações geográficas, fundiárias e administrativas para fornecer documentos completos sobre cada evento detectado.

    Resumo dos principais dados de 2024:

    • Redução de 32,4% na área desmatada em relação a 2023
    • Queda de 26,9% no número de alertas validados
    • Maior desmatamento concentrado no Cerrado e Amazônia (89% do total)
    • Pantanal e Pampa com maiores quedas percentuais
    • Estabilidade na Mata Atlântica, afetada por eventos climáticos extremos
    • Redução significativa do desmatamento em Terras Indígenas e Unidades de Conservação

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  • Araras-canindé são reabilitadas antes da liberdade

    Araras-canindé são reabilitadas antes da liberdade

    Vinte e sete araras-canindé (Ara ararauna) foram transferidas para o Centro de Conservação e Manejo de Fauna da Caatinga (Cemafauna), em Petrolin. Isso é parte do Projeto Papagaio da Caatinga. O Ibama, em parceria com a Agência Estadual de Meio Ambiente de Pernambuco (CPRH), realizou a ação. E tem como objetivo reabilitar as aves para futura soltura na natureza. Especialmente no sul do Piauí, sua região de origem.

    Quatro Centros de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras) diferentes encaminharam as araras, mantidas nesses locais após o resgate de situações de tráfico, cativeiro ilegal ou maus-tratos. A iniciativa reforça a recuperação de psitacídeos – família que inclui papagaios, araras e periquitos – e amplia os esforços para reintroduzi-las em seu habitat natural.

    Rede Cetas: peça-chave na conservação da fauna

    A Rede Cetas, composta por centros mantidos pelo Ibama e parceiros em todo o país, é fundamental no resgate, tratamento e reabilitação de animais silvestres. Além de assegurar o bem-estar dos animais, a rede ajuda a combater o tráfico de espécies e gera dados essenciais para políticas de conservação.

    Uma parceria entre Ibama e CPRH transportou 27 aves para o Cemafauna, em Petrolina, como parte de iniciativa de conservação de psitacídeos. Foto: Ascom/Ibama-PE

    O Ibama destaca que ações como essa reforçam o compromisso com a biodiversidade brasileira, promovendo a reintrodução responsável de animais e a preservação de biomas como a Caatinga.

     

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  • Parceria amplia compromisso com a preservação da Caatinga

    Parceria amplia compromisso com a preservação da Caatinga

    Em celebração ao Dia Nacional da Caatinga, comemorado em 28 de abril, a M. Dias Branco reforça seu compromisso com a preservação desse bioma exclusivamente brasileiro por meio de sua parceria com a Associação Caatinga. Em 2024, a colaboração entre a companhia e a organização não governamental gerou avanços significativos na conservação ambiental, incluindo a remoção de 6.870,90 toneladas de CO₂ equivalente (CO₂e) da atmosfera e a manutenção de um estoque de 494.091,99 toneladas de CO₂e na vegetação da Reserva Natural Serra das Almas.

    O projeto está alinhado a compromissos globais de sustentabilidade, como a Década da ONU para a Restauração de Ecossistemas, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e as metas estabelecidas pelo Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal. A ação também contribui diretamente para o combate à desertificação, a redução do aquecimento global e a conservação da biodiversidade na Caatinga. O bioma é caracterizado por clima semiárido, vegetação adaptada à seca e elevada riqueza ecológica.

    Ampliação da área protegida e impactos ambientais positivos

    Desde o início da parceria com a Associação Caatinga, a M. Dias Branco mais que dobrou a área adotada dentro da Reserva Natural Serra das Almas, que passou de 800 hectares para 1.857 hectares em 2024. Localizada entre os municípios de Crateús (CE) e Buriti dos Montes (PI), a reserva é a maior RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural) do estado do Ceará e possui papel estratégico na proteção de espécies ameaçadas da fauna e da flora da Caatinga.

    Com o apoio da empresa, foram realizados 96 monitoramentos ambientais na área, cujos dados são repassados regularmente ao IBAMA e ao ICMBio. Desta forma, fortalecendo a gestão da unidade de conservação. Essas ações são conduzidas pela Associação Caatinga. Ela  atua há 26 anos na defesa dos recursos naturais do semiárido nordestino.

    Educação ambiental, reflorestamento e fortalecimento comunitário

    Em 2024, a M. Dias Branco também apoiou iniciativas de educação ambiental e engajamento comunitário, promovidas pela Associação Caatinga. Entre as atividades realizadas, destacam-se a exposição itinerante “Conheça e Conserve a Caatinga”, ações educativas com colaboradores e a realização de palestras e visitas guiadas sobre a importância do bioma.

    Outro destaque foi o monitoramento do plantio de 5 mil mudas de espécies nativas, realizado em 2023 na Fazenda Gameleira — área recentemente incorporada à Reserva Serra das Almas. O resultado foi promissor: a taxa de sobrevivência das mudas atingiu 78%, indicando boas condições de adaptação e crescimento. O projeto ainda teve impacto positivo nas comunidades vizinhas. Todas as sementes foram coletadas localmente e a mão de obra contratada para o plantio veio das comunidades próximas, gerando renda e fortalecendo a economia regional.

    Reconhecimento da importância ecológica da Serra das Almas

    A relevância da Serra das Almas ultrapassa fronteiras. Reconhecida pela Unesco como área-chave para a conservação da Caatinga, a reserva abriga diversas espécies listadas na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da Fauna Brasileira. Assim, consolidando-se como referência em conservação ambiental no semiárido.

    “Iniciamos a adoção da reserva com 800 hectares. Hoje, somos responsáveis por 1.857 hectares de proteção ativa. Esse esforço simboliza nosso compromisso com a biodiversidade e com a mitigação das mudanças climáticas”, destaca Tiago Timbó, gerente de Comunicação e Sustentabilidade da M. Dias Branco.

    A Associação Caatinga também celebra os avanços da parceria: “O apoio da M. Dias Branco fortalece nossas ações de conservação e contribui significativamente para o enfrentamento das mudanças climáticas. Estamos construindo juntos um futuro mais sustentável”, afirma a entidade.

    Sustentabilidade como diretriz corporativa

    A atuação da M. Dias Branco na preservação da Caatinga integra a estratégia ESG da companhia e reflete uma postura de responsabilidade ambiental que extrapola a cadeia produtiva da indústria alimentícia. A expectativa é de que os resultados positivos sirvam de incentivo para que outras empresas se juntem ao esforço coletivo de proteção dos biomas brasileiros.

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