Tag: Bioinsumos

  • Aquisição da AgBiTech amplia portfólio biológico da BASF

    Aquisição da AgBiTech amplia portfólio biológico da BASF

    A BASF Soluções para Agricultura finalizou, em 31 de março, a aquisição da AgBiTech, multinacional especializada em soluções biológicas para o controle de pragas. A conclusão do negócio ocorreu após a aprovação de todas as instâncias regulatórias, incluindo o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) no Brasil e outras autoridades internacionais. O fechamento consolida o acordo firmado entre a BASF, o fundo de investimento Paine Schwartz Partners e demais acionistas em janeiro deste ano.

    A compra consolida um movimento estratégico da BASF para acelerar o crescimento e a adoção de tecnologias biológicas em escala global. Com destaque para o mercado brasileiro, um dos mais dinâmicos do mundo nesse segmento.

    Segundo a CropLife Brasil, a área tratada com bioinsumos no país aumentou mais de 28% em 2025, alcançando 194 milhões de hectares. O crescimento reforça o papel da AgBiTech, que construiu sólida presença no Brasil com soluções voltadas ao manejo biológico de pragas.

    “A aquisição da AgBiTech fortalece nossa posição em um mercado altamente atraente e complementa nosso portfólio com tecnologias biológicas inovadoras. Estamos confiantes de que essa integração trará valor aos agricultores e ampliará nossa atuação global”, destacou Livio Tedeschi, presidente global da BASF Soluções para Agricultura.

    História

    Fundada em 2000 em Fort Worth, Texas (EUA), a AgBiTech é pioneira no uso da tecnologia de Nucleopoliedrovírus (NPV), que utiliza vírus naturais para controlar lagartas em soja, milho e algodão. O portfólio e a expertise da empresa passam agora a integrar as soluções oferecidas pela BASF para o manejo sustentável de cultivos.

    Para Adriano Vilas-Boas, CEO da AgBiTech, a incorporação à BASF representa “um passo decisivo” para tornar o controle biológico mais acessível aos produtores em todo o mundo. “O alcance global e a estrutura de pesquisa da BASF ajudarão a potencializar o impacto de nossas tecnologias”, afirmou.

    Na visão de Sergi Vizoso, vice-presidente sênior da BASF Soluções para Agricultura na América Latina, o movimento reforça o compromisso da companhia com a sustentabilidade e a inovação. “Seguimos empenhados em apoiar os produtores na busca por lavouras mais produtivas e resilientes, oferecendo soluções que olham para todo o sistema produtivo”, explicou.

    Já Marcelo Batistela, vice-presidente da BASF Soluções para Agricultura no Brasil, destacou a relevância da operação para o país. “O Brasil lidera a adoção de novas tecnologias para o manejo integrado de pragas, e a incorporação da AgBiTech amplia nosso alcance nesse processo”, afirmou.

  • Pesquisa cria bioinsumos a partir de resíduos da aquicultura para impulsionar agricultura e pecuária

    Pesquisa cria bioinsumos a partir de resíduos da aquicultura para impulsionar agricultura e pecuária

    O Instituto de Pesca (IP-APTA) integra um centro de pesquisa de ponta que desenvolve soluções sustentáveis para o setor aquícola. O CCD-AQUAINTEGRA, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), reúne instituições nacionais e a University of Melbourne, da Austrália, para transformar resíduos da aquicultura em bioinsumos de alto valor para a agricultura e a pecuária.

    A pesquisadora Fabiana Garcia Scaloppi, do Instituto de Pesca, coordena a iniciativa. O projeto concentra esforços na geração de evidências científicas sobre o desempenho ambiental e econômico de tecnologias aplicadas à aquicultura integrada. O objetivo principal é reduzir a poluição por efluentes e criar uma cadeia produtiva que valoriza resíduos até então descartados.

    Projeto aposta na integração produtiva para gerar biofertilizantes

    O CCD-AQUAINTEGRA foca no desenvolvimento de biofertilizantes orgânicos a partir de resíduos da aquicultura. Para validar as soluções na prática, o projeto implementará quatro Vitrines Tecnológicas:

    • AQUAHORT+: produz hortaliças de alto valor nutricional utilizando sistemas de aquaponia desacoplada.
    • AQUAPEC: integra a aquicultura com a pecuária para criar biofertilizantes inovadores.
    • AQUATEC+: aprimora tecnologias aplicadas a sistemas produtivos integrados.
    • AQUAMUDAS: utiliza efluentes aquícolas na produção de mudas para fruticultura e reflorestamento.

    Além dessas vitrines principais, o projeto conta com unidades de suporte focadas na capacitação de produtores rurais. A iniciativa garante a transferência de conhecimento e amplia a aplicação prática das tecnologias no campo.

    “O CCD AQUAINTEGRA reúne uma equipe multidisciplinar altamente capacitada. Nosso foco é gerar protocolos claros e executáveis para que produtores rurais migrem dos tradicionais monocultivos para os cultivos integrados de produção de alimentos”, destaca a pesquisadora Fabiana.

  • Do ouro ao fungo: a história do cacau baiano e o caminho para a recuperação

    Do ouro ao fungo: a história do cacau baiano e o caminho para a recuperação

    Todo 26 de março, o Brasil celebra o Dia Nacional do Cacau. E a data é uma oportunidade para olhar tanto para o passado glorioso quanto para o futuro incerto de um fruto que construiu cidades, inspirou literatura e forjou identidades no sul da Bahia. O cacau foi, por décadas, o coração econômico da região. Sua posição no ranking nacional de culturas já não é a mesma, mas o peso simbólico e histórico permanece intacto.

    Entre 1901 e meados dos anos 1920, o Brasil ocupou o posto de maior produtor mundial de cacau. No sul baiano, aquele período gerou uma cultura própria, marcada pela luta por terras, pelos jagunços e pelo luxo dos coronéis do cacau. Só entre 1890 e 1920, a Bahia chegou a produzir cerca de 370 mil toneladas do fruto em um único ano. Ilhéus e outras cidades da região prosperaram rapidamente, com investimentos em infraestrutura e na construção de prédios luxuosos.

    A queda veio de onde menos se esperava. Em 1989, o fungo Moniliophtora perniciosa, responsável pela vassoura-de-bruxa, apareceu na região de Ilhéus-Itabuna e se alastrou com velocidade, atacando frutos, brotos e flores dos cacaueiros. Entre 1990 e 2000, a produção baiana despencou de 356 mil para 98 mil toneladas. O colapso trouxe efeitos socioeconômicos e ambientais graves para toda a região. E o Brasil, que chegou a ser o segundo maior produtor mundial, caiu para o sexto lugar. Apenas em 2015, mais de 20 anos depois, a Bahia retomou as exportações.

    Solo saudável, chocolate de qualidade

    O cacaueiro é uma planta exigente: precisa de solos profundos e ricos, clima quente e úmido, temperatura média de cerca de 25°C e precipitação anual entre 1.500 e 2.000 milímetros, sem períodos secos prolongados. Qualquer desequilíbrio nutricional compromete diretamente a produtividade e a renda do produtor.

    “Nutrientes como nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio e micronutrientes são essenciais para processos fisiológicos vitais. A deficiência ou o excesso de alguns deles pode prejudicar o processo fotossintético e, consequentemente, a produtividade e a qualidade da produção agrícola”, explica Fellipe Parreira, responsável por Portfólio e Acesso no Grupo GIROAgro.

    Hoje, os produtores cultivam o cacaueiro majoritariamente de forma agroecológica: além de preservar espécies florestais nativas, a produção contribui para a retenção de água, a manutenção dos recursos hídricos e a conservação da fauna local. É uma cultura que já nasceu sustentável.

    Bioinsumos entram em campo contra a vassoura-de-bruxa

    Para enfrentar as principais doenças da cultura, o setor aposta nos bioinsumos. Biofungicidas à base de Trichoderma spp. reduzem a infecção por vassoura-de-bruxa em até 99% no solo e 57% na copa, sem deixar resíduos químicos. Bioinseticidas complementam o manejo ao reforçar o controle biológico por predadores e parasitoides, diminuindo os riscos de resistência e surtos de pragas.

    Foto: Wenderson Araujo/Sistema CNA/Senar

    No Dia Nacional do Cacau, o recado que fica é simples: sem solo bem nutrido e manejo adequado, não há chocolate. E sem chocolate, perde-se muito mais do que um alimento; perde-se um pedaço da história do Brasil.

  • Tecnologia promete recuperar solos afetados por enchentes

    Tecnologia promete recuperar solos afetados por enchentes

    A recuperação da produção agrícola no Rio Grande do Sul, após os impactos dos eventos climáticos extremos registrados nos últimos anos, está no centro das discussões da 26ª Expodireto Cotrijal, realizada de 9 a 13 de março em Não-Me-Toque. Durante a feira, a Yara, multinacional líder em nutrição de plantas, anunciou a ampliação de investimentos em programas de recuperação de solos, novas soluções nutricionais e iniciativas voltadas à sustentabilidade da cadeia de alimentos.

    Segundo o vice-presidente de Vendas da Yara Brasil, Diogo Rezende, o cenário do mercado de fertilizantes passa por um momento de reorganização global, após períodos de forte volatilidade nos preços e nas cadeias de suprimento. Ainda assim, o Brasil mantém papel estratégico na produção mundial de alimentos.

    “O agro brasileiro segue como protagonista global. Mesmo diante de desafios climáticos e logísticos, o produtor mantém níveis elevados de produtividade. Nesse contexto, soluções nutricionais eficientes tornam-se cada vez mais importantes para garantir estabilidade e rentabilidade no campo”, afirmou.

    Rezende destacou ainda que o Rio Grande do Sul possui relevância estratégica para o setor de fertilizantes, principalmente pela diversidade de culturas e pelo alto nível tecnológico adotado pelos produtores rurais.

    Recuperação de solos ganha reforço

    Entre os anúncios feitos na feira está a renovação da parceria com a Embrapa no programa Recupera Rural RS, iniciativa voltada à recuperação de solos degradados após as enchentes que atingiram o estado em 2024.

    A empresa destinará R$ 300 mil adicionais ao projeto, elevando para R$ 750 mil o investimento total no programa. As ações incluem diagnóstico técnico das áreas afetadas, orientação agronômica, práticas conservacionistas e acompanhamento direto aos produtores rurais.

    De acordo com a companhia, considerando todas as iniciativas realizadas desde os eventos climáticos extremos, o aporte total destinado ao estado chega a R$ 1,5 milhão, incluindo ações emergenciais de apoio ao setor agrícola.

    Para o vice-presidente de Marketing e Agronomia da Yara Brasil, Guilherme Schmitz, a reconstrução produtiva do estado passa necessariamente pela recuperação da saúde do solo.

    Da esquerda para direita: Guilherme Schmitz – VP Marketing e Agronomia da Yara Brasil; Marcio Wally, Diretor de Vendas Região Sul da Yara Brasil e Diogo Rezende – VP de Vendas da Yara Brasil – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    “O impacto do desastre climático de 2024 ainda é sentido em várias regiões do estado. Por isso, restaurar a fertilidade e a estrutura do solo é fundamental para recuperar a competitividade das propriedades e garantir a segurança alimentar”, afirmou.

    Schmitz acrescentou que a parceria com a Embrapa permite ampliar o alcance das soluções técnicas no campo. “A ciência é essencial nesse processo. Trabalhamos para levar conhecimento agronômico e práticas sustentáveis diretamente ao produtor.”

    Nova solução nutricional chega ao Sul

    Além das ações de recuperação ambiental, a empresa apresentou na Expodireto o YaraBasa FULL, evolução da linha de fertilizantes utilizada em diversas culturas no Brasil.

    A nova formulação integra, em um único grânulo, nutrientes essenciais do tipo NPK, micronutrientes e bioinsumos desenvolvidos pela companhia. A proposta é aumentar a eficiência nutricional das plantas e melhorar o desempenho das lavouras em condições de estresse climático.

    Segundo Márcio Wally, diretor de Vendas da Região Sul da Yara Brasil, o lançamento foi pensado especialmente para os sistemas produtivos predominantes no sul do país, como as rotações de soja e arroz.

    “O produtor da região busca soluções cada vez mais completas e eficientes. O YaraBasa FULL combina nutrição mineral com bioinsumos, o que contribui para maior vigor radicular e melhor tolerância das plantas às variações climáticas”, explicou.

    Testes de campo realizados pela empresa indicam resultados positivos. Até o momento, mais de 25 pesquisas agronômicas foram concluídas, além de cerca de 200 áreas demonstrativas em lavouras comerciais. Outros 14 estudos adicionais seguem em andamento no país.

    Bioinsumos ganham espaço no agro

    Outro destaque apresentado na feira é o avanço do portfólio de bioinsumos da companhia, alinhado à crescente demanda por soluções agrícolas mais sustentáveis.

    Entre os produtos disponíveis está o YaraAmplix SEEDLIFT, desenvolvido para tratamento de sementes. A formulação combina extratos de algas marinhas com nutrientes como nitrogênio, fósforo, zinco e cálcio.

    Ensaios conduzidos pela empresa em lavouras de trigo indicaram aumento de até 50% no volume de raízes, o que contribui para maior eficiência no uso de água e nutrientes.

    Além disso, plantas com melhor desenvolvimento radicular tendem a apresentar maior tolerância a estresses ambientais ao longo do ciclo produtivo.

    Durante os cinco dias da Expodireto Cotrijal, especialistas agronômicos da companhia permanecem no estande para apresentar as tecnologias e orientar produtores sobre estratégias de manejo nutricional.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Sustentabilidade e descarbonização

    As iniciativas apresentadas na feira também fazem parte da estratégia global da empresa voltada à descarbonização da cadeia de alimentos e ao avanço da chamada agricultura regenerativa.

    Nesse contexto, a companhia lançou a campanha de posicionamento chamada “Fator Y”, que busca destacar a combinação entre conhecimento científico, inovação tecnológica e sustentabilidade.

    A proposta é reforçar o papel da agricultura brasileira como fornecedora de alimentos para o mundo, ao mesmo tempo em que incentiva práticas produtivas com menor impacto ambiental.

    Fundada na Noruega em 1905, a Yara atua atualmente em mais de 60 países e conta com cerca de 17 mil colaboradores. No Brasil, a empresa está presente nos principais polos agrícolas e mantém mais de 4 mil funcionários, atendendo produtores de diferentes perfis e culturas.

  • Uso de bioinsumos aumenta produtividade da soja em 8,33% no Paraná

    Uso de bioinsumos aumenta produtividade da soja em 8,33% no Paraná

    Desde a safra 2015/2016, a Embrapa Soja e o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) acompanham em campo o uso da fixação biológica do nitrogênio (FBN) em lavouras comerciais de soja no estado. Em dez anos de validação, os pesquisadores registraram aumento médio de 8,33% na produtividade com a coinoculação de sementes, que combina dois ou mais microrganismos benéficos para potencializar a FBN.

    Os resultados constam da publicação “Coinoculação da soja com Bradyrhizobium e Azospirillum na safra 2024/2025 no Paraná”, que reúne dados de Unidades de Referência Tecnológica (URTs) distribuídas em lavouras comerciais. O trabalho é assinado por André Mateus Prando, Arnold Barbosa de Oliveira, Divania de Lima, Edison Ulisses Ramos Júnior, Edivan José Possamai, Eliana Aparecida Reis, Marco Antonio Nogueira e Mariangela Hungria.

    Segundo André Prando (Embrapa Soja) e Edivan Possamai (IDR-Paraná), as URTs permitiram testar a tecnologia em condições reais de produção e comprovaram que a inoculação e a coinoculação aumentam a produtividade e eliminam a necessidade de adubação nitrogenada mineral na cultura. Na avaliação dos pesquisadores, o pacote tecnológico garante mais rentabilidade ao produtor e benefícios ambientais para toda a sociedade.

    Coinoculação ganha espaço nas lavouras comerciais

    A rede de URTs estruturada pelo IDR-Paraná com apoio da Embrapa levou a inoculação com bactérias do gênero Bradyrhizobium ao protocolo de validação de tecnologias na safra 2015/2016. A partir da safra 2017/2018, o grupo passou a validar também a coinoculação com Azospirillum, bactéria promotora de crescimento de plantas que atua em sinergia com o Bradyrhizobium para elevar o rendimento da soja.

    Na safra 2024/2025, a equipe coletou dados em 22 URTs instaladas em lavouras comerciais de 17 municípios paranaenses, em diferentes regiões do estado. Essas áreas representam diversos tipos de solo, clima, sistemas de cultivo, culturas antecessoras (como milho segunda safra, trigo, aveia e azevém), épocas de semeadura e níveis tecnológicos, o que torna os resultados um retrato fiel da realidade produtiva.

    O levantamento de Embrapa Soja e IDR-Paraná mostra que as áreas coinoculadas produziram, em média, 3.916 kg/ha de grãos, contra 3.615 kg/ha nas áreas sem inoculação. Nas URTs com coinoculação, a produtividade superou a média do Paraná (3.663 kg/ha) e a média nacional (3.561 kg/ha) da safra 2024/2025, segundo dados da Conab.

    Adoção cresce entre produtores paranaenses

    Na média estadual, 64% dos produtores consultados declararam utilizar algum tipo de inoculante na soja na safra 2024/2025. A coinoculação com Bradyrhizobium e Azospirillum alcançou 28% das áreas de soja no estado, conforme pesquisa de mercado da ANPII Bio em parceria com a Kynetec.

    Adoção de inoculantes em soja no PR promove aumento médio de 8,33% na produtividade. Foto: Antonio Neto/Embrapa

    Pesquisas da Embrapa Soja conduzidas por Mariangela Hungria e Marco Antonio Nogueira mostram que a inoculação anual com Bradyrhizobium garante altos tetos produtivos, mesmo em áreas tradicionais, sem necessidade de fertilizante nitrogenado. A partir da safra 2013/2014, a Embrapa passou a recomendar a coinoculação, que associa duas estirpes de Azospirillum brasilense (Ab-V5 e Ab-V6) às bactérias Bradyrhizobium.

    Segundo Hungria, plantas coinoculadas apresentam nodulação mais precoce e abundante, o que amplia os ganhos obtidos em relação à inoculação apenas com Bradyrhizobium. O desempenho observado nas URTs confirma o potencial da tecnologia para aumentar a eficiência do uso de bioinsumos na soja paranaense.

    Impacto nacional: economia bilionária e menor emissão de CO2

    No Brasil, cerca de 85% dos 47 milhões de hectares de soja já utilizam inoculação anual com bactérias fixadoras de nitrogênio. A coinoculação cresce de forma acelerada e já alcança aproximadamente 35% das áreas cultivadas, de acordo com ANPII Bio/Kynetec.

    Em 2024, a inoculação e a coinoculação, que dispensam o uso de fertilizantes nitrogenados, geraram economia estimada em US$ 25 bilhões para os sojicultores. No mesmo ano, o uso dessas bactérias evitou a emissão de mais de 260 milhões de toneladas de CO2 equivalente, reforçando o papel dos bioinsumos na descarbonização da agricultura brasileira.

    FBN sustenta competitividade da soja brasileira

    A fixação biológica do nitrogênio é um dos pilares de sustentabilidade do sistema produtivo da soja no país, já que a cultura demanda cerca de 80 kg de N por tonelada de grãos colhida. Ao suprir esse nutriente via bactérias, o produtor reduz despesas com adubo nitrogenado e aumenta a competitividade da soja no mercado internacional.

    A inoculação e a coinoculação da soja no Brasil promovem uma economia estimada em 25 bilhões de dólares. Foto: Antonio Neto/Embrapa

    De acordo com André Prando, a FBN ocorre a partir da simbiose entre bactérias do gênero Bradyrhizobium e as plantas de soja, que formam nódulos nas raízes. As plantas hospedam e nutrem as bactérias, que em troca capturam o nitrogênio atmosférico, convertem o N2 em amônia pela ação da enzima nitrogenase e entregam compostos nitrogenados para o desenvolvimento da cultura.

    A Embrapa ressalta que a inoculação é indispensável em áreas de primeiro ano de soja ou em regiões que ficaram muito tempo sem a cultura, onde as populações naturais de bactérias fixadoras são baixas ou inexistentes. Mesmo em áreas consolidadas, a recomendação é inocular a cada safra, via sementes ou no sulco de semeadura, porque a prática incrementa a nodulação e o rendimento da lavoura, como demonstram diversos estudos de campo.

  • El Niño e produtividade em risco impulsionam mercado de insumos

    El Niño e produtividade em risco impulsionam mercado de insumos

    A combinação do fenômeno El Niño e a expectativa de uma queda na produtividade agrícola moldam um cenário desafiador para a safra 2025/2026. Este contexto, no entanto, abre caminho para um crescimento seletivo no mercado de insumos, com destaque para bioestimulantes, inoculantes e fertilizantes de alta concentração. Produtores buscam essas tecnologias para proteger as lavouras contra adversidades climáticas e garantir rentabilidade em um ano de margens apertadas.

    A previsão de uma safra de grãos cerca de 3,7% menor que o recorde de 2025 e os veranicos (períodos de seca durante a estação chuvosa) projetados para o Centro-Oeste aceleram a adoção de soluções específicas. Produtores da região já antecipam a compra de fertilizantes foliares para correções nutricionais rápidas, prática que pode elevar a eficiência da adubação em até 20%.

    “O manejo adequado com fertilizantes líquidos de alta concentração é o ponto de partida para obter produtividade, qualidade e rentabilidade. Eles melhoram o desempenho das plantas e ajudam a controlar problemas fitossanitários, fortalecendo a imagem do Brasil como líder mundial”, afirma Leonardo Sodré, CEO da GIROAgro.

    Mercado em transformação: biológicos e precisão no centro da estratégia

    A demanda por resiliência impulsiona o mercado de bioinsumos a um novo patamar. Especialistas preveem que produtos como bioestimulantes e inoculantes, que mitigam estresses hídricos e térmicos, podem alcançar 50% da área plantada com grãos no país. Em 2025, registros recordes de novos produtos já sinalizavam essa maturidade.

    A adaptação é regional. No Sul, o excesso de chuvas amplia o mercado de fungicidas para soja e trigo. Já no Matopiba, biofortificantes ganham importância para sustentar a produtividade em solos arenosos sob seca prolongada.

    A integração desses insumos com a agricultura de precisão – usando drones e sensores – se torna crucial. Essa combinação otimiza custos, reduz perdas e atende à crescente pressão por sustentabilidade.

    Crescimento moderado e volatilidade exigem cautela

    Apesar do otimismo com os biológicos, o mercado total de insumos enfrenta ventos contrários. A volatilidade nos preços internacionais dos fertilizantes, pressionada por tensões geopolíticas e demanda global, pode limitar o volume total aplicado. Estratégias nacionais, como o Plano Nacional de Fertilizantes, buscam estabilizar a oferta, mas o poder de compra do produtor ainda depende da recuperação dos preços das commodities.

    As projeções refletem esta dualidade: enquanto o mercado de fertilizantes tradicionais pode crescer modestamente 1% a 2%, o setor de bioinsumos mira uma expansão robusta acima de 13% ao ano, com potencial para atingir R$ 40 bilhões em sete anos.

    “Levamos tecnologia e inovação para o campo com soluções que impulsionam o trabalho do produtor. O investimento em pesquisa, aliado ao seu conhecimento, é o caminho para uma agricultura mais sustentável e produtiva”, conclui Sodré.

    O ano de 2026 se configura, portanto, como um período de ajustes, onde a alta seletiva em insumos com alto retorno por hectare moldará um mercado agrícola mais eficiente e resiliente.

  • Agro brasileiro adota fertilizantes de baixo carbono para conter custos

    Agro brasileiro adota fertilizantes de baixo carbono para conter custos

    O mercado brasileiro de fertilizantes demonstra forte resiliência e crescimento, impulsionado pela busca do produtor por soluções mais inteligentes e sustentáveis. Dados da Associação Nacional para a Difusão de Adubos (ANDA) mostram que as entregas ao mercado atingiram 40,95 milhões de toneladas entre janeiro e outubro de 2025, um crescimento significativo de 8,4% frente ao mesmo período de 2024.

    Este movimento ocorre em um cenário de custos elevados e grande dependência de importações, que somaram 35,8 milhões de toneladas no mesmo período. A alta demanda evidencia uma mudança estratégica no campo: os produtores agora priorizam insumos que ofereçam maior eficiência nutricional, melhor custo-benefício e menor impacto ambiental.

    Especialistas do setor apontam que esta é uma resposta direta às pressões econômicas e à necessidade de uma agricultura mais sustentável. George Fernandes, CEO da Morro Verde Fertilizantes, confirma a tendência. “Mesmo diante de um cenário desafiador, tivemos um ano muito positivo. Isso demonstra claramente que o produtor está adotando alternativas mais eficientes e sustentáveis”, afirma.

    A busca por soberania produtiva e redução da pegada de carbono está colocando as soluções nacionais em destaque. Produtos como fosfato natural reativo (FNR), calcário dolomítico e bioinsumos minerais ganham espaço por combinarem produtividade e sustentabilidade.

    “Com essa linha de produtos, buscamos contribuir para solos mais produtivos e ao mesmo tempo fortalecer a produção nacional”, explica Fernandes. A empresa mantém colaboração com instituições de pesquisa de ponta, como ESALQ, Embrapa e UFV, para integrar ciência e tecnologia no desenvolvimento dessas soluções.

    O executivo acredita que esta transformação veio para ficar. “O agro brasileiro está se adaptando a um novo patamar de custos e, consequentemente, a um novo nível de exigência. Soluções que aumentem o aproveitamento de nutrientes e a produtividade serão diferenciais competitivos nos próximos anos”, projeta.

  • Brasil bate recorde de registros de bioinsumos

    Brasil bate recorde de registros de bioinsumos

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) encerrou 2025 com recorde histórico de registros de bioinsumos e avanços na modernização regulatória de agrotóxicos. Segundo dados publicados no Ato nº 63 da Coordenação-Geral de Agrotóxicos e Afins (CGAA/SDA/Mapa), o país registrou 912 novos produtos ao longo do ano, consolidando a liderança brasileira em inovação e segurança fitossanitária.

    Dos registros concedidos, 323 correspondem a produtos técnicos, destinados ao uso industrial, enquanto 162 são bioinsumos, o maior volume já contabilizado no Brasil. A categoria inclui produtos biológicos, microbiológicos, bioquímicos, extratos vegetais e reguladores de crescimento, com aplicações inclusive na produção orgânica.

    Além disso, o Mapa aprovou seis ingredientes ativos inéditos (Ipflufenoquina, Fluoxastrobina, Fluazaindolizine, Isopirazam, Fenpropidin e Ciclobutrifluram) e 19 formulações baseadas em moléculas novas, reforçando a modernização da base de defensivos agrícolas no país.

    Inovação e competitividade no campo

    A introdução de novos ingredientes ativos fortalece o manejo integrado de pragas, reduz riscos de resistência e amplia as opções de controle fitossanitário. Segundo o ministério, essas incorporações estimulam a pesquisa nacional e colocam o agronegócio brasileiro em posição de destaque no mercado global.

    Os produtos equivalentes, versões genéricas que promovem concorrência e reduzem custos, representaram a maior parte dos registros. Parte dessas liberações resultou de decisões judiciais associadas a processos antigos, protocolados entre 2015 e 2016.

    Modernização do marco regulatório

    Para garantir maior transparência e eficiência, o Mapa publicou o Ato nº 62, de 22 de dezembro de 2025, que centraliza o protocolo de registros por meio do Sistema Eletrônico de Informações (SEI/Mapa). Desde setembro, todos os novos pedidos passaram a tramitar exclusivamente pela plataforma digital, substituindo registros diretos na Anvisa e no Ibama.

    A medida também prioriza produtos com menor impacto ambiental e à saúde humana. Porém, sem alterar a tramitação dos processos antigos, o que reforça a segurança jurídica do setor.

    O ministério reforça que o número de registros não indica aumento automático no uso de defensivos. A aplicação depende de fatores técnicos, como área plantada, manejo de pragas e condições climáticas. Em 2024, 58,6% das marcas comerciais de agrotóxicos químicos e 13,6% dos ingredientes ativos registrados não chegaram a ser comercializados.

    Mais fiscalização e controle

    Em 2025, o Mapa intensificou a fiscalização e a revisão técnica de produtos, publicando chamamentos públicos e o Ato nº 61, que suspendeu 34 registros de agrotóxicos. As ações envolveram revisões sobre ingredientes como Glifosato, 2,4-D, Atrazina e Acefato, além da apreensão de 1.946 litros de produtos ilegais durante operações de campo.

    O registro no Brasil continua a seguir um processo tripartite rigoroso, com avaliações da Anvisa, Ibama e Mapa, que consideram impactos à saúde, ao meio ambiente e à eficácia agronômica.

    O balanço de 2025 integra as ações iniciadas pela Lei nº 14.785/2023, que introduziu o modelo de protocolo único e rastreabilidade. Para 2026, o ministério planeja lançar o Sistema Unificado de Informação, Petição e Avaliação Eletrônica (SISPA), em parceria com Anvisa e Ibama, consolidando o avanço digital da regulação.

    Segundo a diretora do Departamento de Sanidade Vegetal e Insumos Agrícolas, Edilene Cambraia Soares, “o país reforça sua liderança global ao combinar transparência, segurança e inovação. Com destaque para a expansão dos bioinsumos como pilar da agricultura sustentável”.

  • Empresas firmam parceria para acelerar inovação em biodefensivos

    Empresas firmam parceria para acelerar inovação em biodefensivos

    O mercado global de produtos biológicos segue em ritmo acelerado de expansão. Em 2024, o setor movimentou cerca de US$ 14 bilhões, segundo dados da consultoria americana DurhamTrimmer. Os produtos de controle biológico responderam por 60% desse valor, e as projeções indicam que o segmento deve alcançar cerca de US$ 20 bilhões até 2027. Um crescimento médio anual de 13%. A tendência reflete a busca do agronegócio por alternativas sustentáveis que combinam defensivos químicos e bioinsumos no manejo de pragas e doenças em culturas como soja, milho e cana-de-açúcar.

    De olho nesse potencial, a Ballagro e a Symbiomics anunciaram uma parceria estratégica para acelerar o desenvolvimento de novas soluções biológicas. A colaboração prevê o intercâmbio dos portfólios de microrganismos das duas empresas e o uso da plataforma exclusiva da Symbiomics, que aplica tecnologias de ponta para promover descobertas mais rápidas e precisas. A estratégia deve reduzir o tempo de desenvolvimento de produtos inovadores e ampliar o alcance de microrganismos com alto desempenho agronômico.

    Com mais de 20 anos de atuação, a Ballagro é referência nacional em soluções biológicas e nutricionais. A empresa investe em tecnologias sustentáveis e em práticas integradas que elevam a rentabilidade do produtor. Segundo Lecio Kaneko, gerente de Desenvolvimento Estratégico da Ballagro, o novo acordo fortalece a capacidade de inovação das duas companhias.

    “Essa parceria abrirá caminho para explorar o DNA dos microrganismos e criar uma nova geração de bioinsumos. A união da experiência da Ballagro com a tecnologia avançada da Symbiomics vai gerar produtos com alto nível de inovação e eficiência”, afirma Kaneko.

    Biotecnologia aplicada

    A Symbiomics, por sua vez, é especializada em biotecnologia aplicada ao desenvolvimento de produtos biológicos de nova geração. A empresa utiliza edição genômica e inteligência artificial para identificar microrganismos com maior potencial agrícola. De acordo com Jader Armanhi, COO e cofundador da Symbiomics, o modelo de colaboração adotado deve multiplicar a velocidade de pesquisa:

    “Com nossas ferramentas, projetos que levariam anos podem ser concluídos de duas a cinco vezes mais rápido. Além de acelerar o ciclo de desenvolvimento, o acordo amplia nossa capacidade tecnológica e aproveita a experiência industrial da Ballagro para levar essas inovações ao campo”, destaca Armanhi.

    Rafael de Souza e Jader Armanhi (dir), fundadores da Symbiomics. Foto:
    Divulgação

    A parceria surge em um cenário de forte crescimento do mercado latino-americano de bioinsumos. O Brasil lidera o movimento, com participação global estimada para subir de 20% em 2021 para 29% em 2029. Segundo dados da ANPII Bio, o país movimentou R$ 5,7 bilhões em bioinsumos na safra 2023/2024 e deve superar R$ 9 bilhões até 2030, um avanço próximo de 60% na década.

    Hoje, o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) contabiliza mais de 600 registros de biodefensivos à base de microrganismos no Brasil, distribuídos em apenas 18 gêneros e 45 espécies. Para Rafael de Souza, CEO e cofundador da Symbiomics, essa concentração reforça a importância da nova aliança:

    “Nosso objetivo é identificar microrganismos robustos, capazes de competir com a microbiota natural das plantas e do solo. Isso vai gerar produtos ineditamente eficazes e com grande potencial de mercado no Brasil e no exterior”, afirma.

  • Brasil alcança marca histórica em registros de insumos agrícolas

    Brasil alcança marca histórica em registros de insumos agrícolas

    O Brasil estabeleceu um novo recorde no setor de insumos agrícolas em 2025. O país registrou 139 novos bioinsumos e 560 novos defensivos químicos, considerando produtos técnicos e formulados, segundo dados do CropData, portal de informações da CropLife Brasil.

    Os agentes microbiológicos lideraram o crescimento entre os bioinsumos. O segmento conquistou 121 novos registros, representando 87% do total e superando o desempenho do ano anterior. Esses agentes incluem microrganismos como bactérias, fungos e vírus que combatem pragas e doenças nas lavouras.

    A entrada de novas empresas no setor e a ampliação das áreas de biológicos nas indústrias multinacionais explicam o aumento expressivo nos registros de bioinsumos.

    Defensivos químicos registram 28 novas moléculas

    No segmento de defensivos químicos, o mercado brasileiro recebeu seis novos registros de produtos técnicos e 22 de produtos formulados com moléculas inéditas. O detalhamento mostra que cerca de 95% dos agroquímicos registrados referem-se a produtos já existentes no mercado – os chamados “genéricos” com moléculas já validadas.

    As exportações de sementes agrícolas mantiveram trajetória positiva e atingiram US$ 233 milhões entre janeiro e novembro de 2025. O valor representa o pico de receita na série histórica dos últimos cinco anos, com aproximadamente US$ 10 milhões acima dos resultados de 2023 e 2024.

    O recorde indica que o Brasil intensificou suas exportações de tecnologia incorporada às sementes, especialmente para países sul-americanos.

    Importações crescem 24% em volume

    As importações de produtos químicos totalizaram US$ 12,9 bilhões no acumulado de janeiro a novembro de 2025, registrando alta de 16% em receita. O aumento representa US$ 1,8 bilhão a mais em comparação ao mesmo período de 2024.

    O volume importado cresceu 24%, saltando de 1.305.312 toneladas em 2024 para 1.621.095 toneladas em 2025. A CropLife Brasil monitora o desembarque de defensivos químicos formulados, compostos técnicos e matérias-primas importadas, utilizados pela indústria nacional para formulação local.

    Indústria aponta desafio com inovação

    Renato Gomides, gerente executivo da CropLife Brasil, avalia o cenário como extremamente positivo para o dinamismo regulatório e a ampliação da oferta de produtos. “O recorde fortalece a oferta de soluções ao produtor rural e contribui para a competitividade do mercado”, afirma.

    No entanto, Gomides ressalta uma limitação importante. “A entrada de tecnologias efetivamente inovadoras permaneceu limitada, tanto no segmento químico quanto no de biológicos. Os registros ‘genéricos’ avançaram mais do que a inovação disruptiva”, explica o executivo.

    O gerente destaca que o desafio atual vai além do alto volume de registros. O Brasil precisa criar condições para consolidar os investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) de novas tecnologias, fundamentais para enfrentar a resistência de pragas e aumentar a produtividade e sustentabilidade da agricultura brasileira.