Tag: Bioinsumos

  • BNDES oferece R$ 40 milhões para projetos de bioinsumos; inscrições terminam em 31 de agosto

    BNDES oferece R$ 40 milhões para projetos de bioinsumos; inscrições terminam em 31 de agosto

    As inscrições para o segundo ciclo do BNDES Bioinsumos terminam em 31 de agosto. Além disso, o programa oferece R$ 40 milhões em recursos não reembolsáveis. O valor é destinado a cooperativas e associações de agricultura familiar que produzem seus próprios insumos biológicos.

    A iniciativa faz parte do BNDES Bioinsumos, lançado em 2025. Assim, o objetivo é reduzir custos de produção. Além disso, o programa busca diminuir a dependência de insumos externos e apoiar práticas agrícolas mais sustentáveis.

    O que são os bioinsumos

    Bioinsumos são produtos de origem biológica usados no campo. Entre eles estão microrganismos, predadores naturais de pragas e extratos vegetais. Esses produtos ajudam no crescimento e na saúde das plantações.

    Para Tereza Campello, diretora socioambiental do BNDES, esses produtos fortalecem a segurança alimentar. Segundo ela, “seu uso está associado a práticas agrícolas mais sustentáveis e à segurança alimentar”.

    Quem pode participar

    Organizações sem fins lucrativos podem se inscrever, individualmente ou em parceria, pelo Portal do Cliente do BNDES. Porém, os beneficiários finais precisam ser cooperativas ou associações da agricultura familiar. Essas entidades devem atuar juntas na produção, na agregação de valor e na venda de alimentos.

    Cada projeto, além disso, deve somar no mínimo R$ 5 milhões. O passo a passo completo, por sua vez, está disponível no site oficial da chamada.

    Quais projetos podem ser financiados

    Os recursos vão para a implantação ou estruturação de unidades industriais e semi-industriais de bioinsumos. Para isso, os projetos devem usar processos biotecnológicos. As categorias apoiadas incluem:

    • Inoculantes e bioestimulantes a partir de microrganismos
    • Microrganismos para controle de pragas
    • Insetos usados no controle biológico
    • Biofertilizantes

    Cada proposta, ainda, precisa mostrar como o projeto vai beneficiar a agricultura familiar. Ou seja, é preciso apresentar objetivos claros, público atendido, capacidade de produção e estratégia de uso dos bioinsumos.

    Embrapa pode entrar como parceira técnica

    Na segunda-feira (24), Tereza Campello visitou a Embrapa Agrobiologia, em Seropédica (RJ). O local reúne a maior coleção da Embrapa dedicada a bioinsumos. Durante a visita, as equipes avançaram nas conversas para formalizar o apoio técnico da Embrapa ao programa do BNDES.

    Se a parceria avançar, os projetos poderão contar com conhecimento científico da Embrapa já na fase de estruturação.

    Como foi o primeiro ciclo

    O BNDES Bioinsumos tem orçamento total de até R$ 60 milhões. Desse valor, R$ 20 milhões foram para o primeiro ciclo, encerrado em novembro de 2025. Já os outros R$ 40 milhões estão reservados para a chamada atual.

    Na primeira etapa, quatro projetos foram selecionados. Por enquanto, porém, o banco ainda avalia essas propostas antes de concluir a aprovação e a contratação.

    Com o segundo ciclo, portanto, o BNDES quer ampliar o número de organizações apoiadas. Ao mesmo tempo, o banco pretende fortalecer a produção própria de bioinsumos entre agricultores familiares.

  • Estudo da Embrapa revela 27 novas espécies de abelhas nativas na soja

    Estudo da Embrapa revela 27 novas espécies de abelhas nativas na soja

    Pesquisa da Embrapa indica 27 novos registros de abelhas nativas associadas à cultura da soja no Brasil. O estudo, conduzido no sudoeste de Goiás, também aponta que a presença desses insetos silvestres nas lavouras pode aumentar o peso dos grãos em média 7%.

    O levantamento, liderado pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (DF), foi realizado nas plantações das regiões de Rio Verde e Montividiu. Entre as 40 espécies encontradas diretamente nas áreas cultivadas, 27 nunca haviam sido citadas pela literatura científica como visitantes da soja. Considerando também as matas nativas do entorno, o número total de espécies identificadas chega a 53, distribuídas em cinco famílias (Apidae, Andrenidae, Megachilidae, Colletidae e Halictidae).

    Treinamento no uso da rede entomológica em áreas de soja. Foto: Davi de Lacerda Ramos/Embrapa

    Os resultados foram publicados no Journal of Applied Entomology, no artigo intitulado Bioinput Use and Native Vegetation Fragments are Associated With Higher Bee Community Evenness in Large-Scale Soybean Crops. A pesquisa reforça que a conservação dos fragmentos de Cerrado próximos às lavouras não é apenas uma estratégia para a biodiversidade, mas também um fator de ganho econômico e alinhamento com critérios ESG, cada vez mais exigidos pelos mercados internacionais.

    O “filtro invisível” dos defensivos e o impacto na biodiversidade

    Historicamente, o modelo de produção em larga escala da soja tem se apoiado no uso intensivo de inseticidas e fungicidas sintéticos de amplo espectro. No entanto, a pesquisadora da Embrapa, Carmen Pires, explica que essa abordagem atua como um severo “filtro ambiental” sobre a fauna benéfica.

    “Em propriedades com manejo químico altamente intensivo, houve uma queda drástica na equitabilidade das comunidades de abelhas”, afirma Pires. O termo ecológico se refere à distribuição uniforme dos indivíduos entre as diferentes espécies. “O manejo intensivo favorece um pequeno número de espécies resistentes, eliminando as mais especializadas e eficientes na polinização.”

    Coleta de abelhas com rede entomológica. Foto: Davi de Lacerda Ramos/Embrapa

    A cientista alerta ainda para um erro metodológico comum: avaliar a saúde da lavoura apenas pela abundância bruta de insetos. “Uma área altamente pulverizada pode apresentar um número elevado de insetos, mas quase todos pertencem a uma única espécie. Funcionalmente, a lavoura torna-se um ‘deserto de biodiversidade’.”

    O avanço dos bioinsumos como rota de fuga

    A boa notícia, segundo o estudo, é que existe uma rota de fuga economicamente vantajosa. Propriedades que integraram bioinsumos (bactérias e fungos para controle biológico e fertilização) e reduziram a dependência de químicos de alta toxicidade conseguiram manter comunidades de abelhas mais equilibradas e funcionalmente diversas.

    A transição para biológicos (Classe IV de risco ambiental – pouco perigosos) preserva o ciclo natural e é crucial para as abelhas que constroem ninhos no solo — cerca de 60% das espécies identificadas na região. A agricultura regenerativa, que minimiza o revolvimento da terra e mantém a palhada, protege esses ninhos. “Sem tratores desfazendo abrigos e sem venenos penetrando a terra, essas abelhas podem persistir de uma safra para a outra”, destaca Pires.

    Além disso, a maioria das espécies (44,7%) possui hábitos solitários, dependendo exclusivamente das boas condições ecológicas da fazenda para sobreviver. “O produtor precisa adotar práticas amigáveis para mantê-las vivas. Caso contrário, perderá o bônus de produtividade que elas oferecem gratuitamente”, complementa a pesquisadora.

    O Cerrado como “pulmão” polinizador da fazenda

    A pesquisa também detalha a relação de dependência entre a floresta e a lavoura. Os fragmentos de vegetação nativa do Cerrado atuam como refúgios e “fábricas” de polinizadores.

    Os dados revelaram que a proximidade física com a mata é um fator relevante: quanto maior o afastamento da lavoura em relação às bordas de Cerrado, menores são a riqueza e a abundância de abelhas nativas nas flores de soja. A mata preservada fornece abrigo, locais de nidificação (principalmente para os 18% de espécies que fazem ninhos em troncos) e alimento alternativo quando a soja não está florindo. Sem a floresta vizinha, as abelhas não conseguem colonizar as plantações.

    Números consolidados e nova metodologia

    Os números consolidados do estudo impressionam: do total de 764 abelhas coletadas, 89% eram nativas do Brasil, contra apenas 11% da espécie exótica Apis mellifera (abelha africanizada). Antes desta publicação, revisões científicas registravam apenas 12 espécies nativas associadas à soja. O novo trabalho ampliou esse conhecimento para 40 espécies nas áreas cultivadas, com 27 registros inéditos.

    Armadilhas do tipo “pan trap azul” instaladas em uma área de vegetação natural adjacente ao campo de soja. Foto: Davi de Lacerda Ramos/Embrapa

    Para chegar a essa precisão, os pesquisadores testaram diferentes metodologias e descobriram que os tradicionais pratos-armadilha (pan traps) são muito mais eficientes que as redes entomológicas. As pan traps foram responsáveis por 95% de todas as capturas (728 indivíduos), identificando 33 espécies, enquanto a rede registrou apenas 7. Segundo o estudo, o uso exclusivo de redes subestima a riqueza biológica real das fazendas de soja.

    “A pesquisa da Embrapa consolida, com dados de campo, que o futuro da agricultura nacional depende do equilíbrio ecológico. Os insetos polinizadores são os amigos invisíveis das lavouras, mas o manejo inadequado pode colocá-los em risco. Proteger as abelhas nativas e o Cerrado que as abriga é, acima de tudo, preservar a economia e a segurança alimentar do Brasil”, conclui Carmen Pires.

  • Andav 2026 destaca inovação para os desafios do agronegócio

    Andav 2026 destaca inovação para os desafios do agronegócio

    A cadeia de distribuição de insumos agropecuários volta a se reunir entre os dias 11 e 13 de agosto na 15ª edição do Congresso Andav 2026, que será realizada no Transamerica Expo Center, em São Paulo. Com o tema “Agroeconomia Brasileira: Reflexões para o Futuro”, o encontro terá como foco debates sobre inovação, sustentabilidade, tecnologias para o campo e os desafios que devem influenciar os próximos anos do agronegócio brasileiro.

    A programação reunirá empresas do setor, distribuidores, pesquisadores, consultores e produtores rurais. Além disso, o evento apresentará soluções voltadas ao aumento da eficiência das lavouras, ao uso de bioinsumos, às novas ferramentas de nutrição vegetal e ao avanço da agricultura regenerativa.

    Entre os expositores está o Grupo Casa Bugre. A empresa aproveitará a edição de 2026 para celebrar 45 anos de atuação. Também apresentará tecnologias desenvolvidas em parceria com Krilltech, Agrilife Solutions e Terrus Regeneração.

    Tecnologias voltadas à produtividade

    Entre os destaques anunciados pela empresa está uma plataforma de nutrição vegetal baseada no conceito de Nutrifisiologia. A tecnologia combina a fisiologia das plantas com estratégias de manejo nutricional. Dessa forma, busca ampliar o aproveitamento dos nutrientes pelas culturas.

    Segundo o diretor de Marketing e Inovação do Grupo Casa Bugre, Everton Molina, a proposta utiliza os recursos de forma mais eficiente.

    “O objetivo é proporcionar maior aproveitamento dos nutrientes, utilizando recursos de forma estratégica para alcançar melhores resultados produtivos e econômicos.”

    Além disso, a empresa apresentará soluções baseadas em microalgas. Esses produtos atuam como bioestimulantes e biopotencializadores para diferentes culturas agrícolas.

    Outro destaque será uma tecnologia destinada a auxiliar as plantas na resposta aos estresses abióticos, como períodos de déficit hídrico e altas temperaturas. Conforme a empresa, a solução atende especialmente as lavouras de soja e milho.

    Agricultura regenerativa ganha espaço

    A agricultura regenerativa também terá espaço entre as tecnologias apresentadas durante a feira.

    A Terrus Regeneração exibirá uma plataforma baseada na análise da tipologia de argila do solo. A ferramenta reúne informações para apoiar decisões relacionadas ao manejo das áreas agrícolas. Entre elas estão a avaliação de riscos hídricos, a identificação de compactação do solo, a recomendação de bioinsumos, estratégias para mitigação de estresses e o direcionamento de investimentos na propriedade.

    Já a Krilltech destacará soluções voltadas à eficiência fisiológica das plantas. Entre elas está a tecnologia Arbolina. Segundo a empresa, a solução atua no metabolismo vegetal e estimula processos ligados à fotossíntese e à geração de energia.

    Além da Arbolina, a empresa apresentará soluções específicas para cana-de-açúcar, milho, algodão e citros. Também divulgará pesquisas envolvendo nanopartículas de carbono aplicadas à agricultura.

    Espaço para debates sobre o setor

    Além da exposição de tecnologias, a programação contará com o AGRIFORLIFE TALKS, podcast realizado durante os três dias do evento no estande do Grupo Casa Bugre.

    A iniciativa reunirá especialistas, pesquisadores, produtores rurais e representantes do agronegócio. Durante os encontros, eles discutirão inovação, sustentabilidade, gestão, mercado e as perspectivas para a agricultura brasileira.

    De acordo com o CEO do Grupo Casa Bugre, Flavio Maia, a participação na Andav representa uma oportunidade para apresentar tecnologias desenvolvidas com base em pesquisa e inovação.

    “A participação no evento representa um momento especial para apresentar ao público as tecnologias que fazem parte da nova geração da agricultura, unindo pesquisa, ciência aplicada e inovação para entregar mais eficiência ao produtor rural.”

    O executivo também destacou que a empresa busca desenvolver ferramentas capazes de contribuir para o aumento da produtividade e para sistemas agrícolas mais sustentáveis.

    Por fim, a Andav é considerada um dos principais encontros da cadeia de distribuição de insumos agropecuários do Brasil. O evento reúne representantes da indústria, distribuidores, cooperativas, consultores e produtores. Assim, promove a apresentação de tendências, a discussão dos desafios do setor e o compartilhamento de experiências sobre o desenvolvimento do agronegócio.

  • Bioinsumos podem gerar R$ 15,8 bilhões ao Brasil

    Bioinsumos podem gerar R$ 15,8 bilhões ao Brasil

    O uso de bioinsumos pode adicionar R$ 15,8 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) entre 2030 e 2035. Além disso, a tecnologia pode evitar o desmatamento de 9,2 milhões de hectares e criar 160,5 mil empregos no Brasil. Os dados fazem parte do estudo “Potencial Econômico das Práticas Sustentáveis na Agricultura e Pecuária”, elaborado pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

    Segundo o levantamento, os bioinsumos oferecem retorno de R$ 79 para cada R$ 1 investido. O cálculo considera a aplicação nas lavouras de arroz, milho, cana-de-açúcar e soja.

    Além do impacto econômico, a pesquisa destaca efeitos positivos na geração de empregos. As novas vagas devem surgir em biofábricas, pesquisa, desenvolvimento, controle de qualidade, logística e assistência técnica. Dessa forma, a expansão da tecnologia pode fortalecer a economia do interior do país.

    No campo ambiental, o estudo aponta que os bioinsumos podem evitar o desmatamento de 9,2 milhões de hectares, principalmente no Cerrado e na Amazônia. O ganho de produtividade reduz a necessidade de abrir novas áreas agrícolas.

    Além disso, cerca de 4,8 milhões de hectares de pastagens degradadas podem ser convertidos em áreas de cultivo. Ao mesmo tempo, outros 14,1 milhões de hectares de lavouras podem aumentar a produtividade.

    De acordo com a pesquisa, a produção sustentável pode crescer até 3,4% nas lavouras de soja e 1,5% na produção de milho. “O estudo mostra que o uso de bioinsumos pode gerar grandes contribuições para o País. Além do retorno econômico, com possibilidade de ganhos rápidos e baixo investimento, a tecnologia traz benefícios ambientais bastante expressivos, possibilitando a proteção dos biomas e a redução da abertura de novas fronteiras agrícolas”, afirma o pesquisador Cícero Lima, responsável pelo levantamento.

    Fertilizantes verdes ganham espaço na estratégia nacional

    Os resultados do estudo também reforçam a importância dos fertilizantes verdes para a agricultura brasileira. O tema integra uma das prioridades do Instituto Equilíbrio para ampliar a competitividade e reduzir as emissões do setor.

    Segundo o CEO do Instituto Equilíbrio, Eduardo Bastos, a produção sustentável de fertilizantes pode diminuir a dependência das importações e atrair novos investimentos industriais.

    Atualmente, o Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes consumidos no país. Por isso, a produção nacional com menor impacto ambiental também pode aumentar a segurança do abastecimento. Além disso, a substituição da produção baseada em combustíveis fósseis por processos mais limpos reduz as emissões industriais e diminui a liberação de óxido nitroso (N₂O) no campo.

    Para ampliar esse mercado, Bastos defende o fortalecimento do Plano Nacional de Fertilizantes. Segundo ele, o país também precisa criar mecanismos que estimulem a demanda, garantam segurança aos investimentos e ampliem a infraestrutura para novas plantas industriais.

  • Tecnologia sustenta produtividade da citricultura diante do clima

    Tecnologia sustenta produtividade da citricultura diante do clima

    A busca por maior produtividade e qualidade tem levado os citricultores a ampliar o uso de tecnologias nutricionais nos pomares. Além disso, a necessidade de enfrentar períodos de estiagem, altas temperaturas e outros eventos climáticos extremos reforça a adoção de ferramentas que aumentam a eficiência do manejo e a resistência das plantas.

    O tema ganha relevância em um momento de desafios para a produção agrícola. Por isso, soluções como fertirrigação, bioinsumos e programas de nutrição balanceada passaram a ocupar espaço estratégico na citricultura brasileira.

    Segundo Bruno Dittrich, especialista agronômico da Yara Brasil, a produtividade dos pomares depende diretamente do fornecimento adequado de nutrientes ao longo de todo o ciclo produtivo.

    “Para obter maior produtividade e qualidade das frutas cítricas é preciso investir em uma combinação equilibrada de nutrientes. O produtor precisa trabalhar com soluções específicas para cada etapa de desenvolvimento da planta, desde o manejo do solo e desenvolvimento radicular até o enchimento final dos frutos”, afirma.

    De acordo com a empresa, programas nutricionais voltados especificamente para a cultura dos citros apresentam resultados expressivos quando o produtor adota um manejo técnico e integrado. Em áreas acompanhadas pela companhia, técnicos registraram ganhos médios de até 110 caixas por hectare.

    Brasil mantém liderança mundial

    O Brasil ocupa posição de destaque no mercado internacional de citros. Atualmente, o país responde por cerca de 30% da produção mundial de laranjas. Além disso, lidera as exportações globais de suco de laranja, concentrando aproximadamente 85% do comércio mundial do produto.

    Esse protagonismo resulta de décadas de investimentos em pesquisa, inovação e desenvolvimento tecnológico. Ao mesmo tempo, a integração entre produtores, empresas e instituições de pesquisa fortalece a competitividade do setor.

    Para especialistas, a manutenção dessa liderança depende da adoção contínua de tecnologias capazes de elevar a produtividade e melhorar a qualidade dos frutos. Dessa forma, a cadeia produtiva consegue atender às exigências dos mercados nacional e internacional.

    Clima exige manejo mais eficiente

    As mudanças climáticas também influenciam as decisões dentro das propriedades rurais. Ondas de calor, estiagens prolongadas e oscilações nas condições climáticas afetam diretamente o desenvolvimento dos pomares.

    Por isso, produtores têm buscado soluções que aumentem a tolerância das plantas aos chamados estresses abióticos. Entre elas estão tecnologias que combinam nutrição mineral, bioinsumos e ferramentas de monitoramento.

    “Hoje, a nutrição precisa ser tratada como um componente estratégico do manejo. As soluções integradas ajudam os citricultores a mitigar os efeitos da seca e das altas temperaturas, além de contribuir para a saúde e longevidade dos pomares”, explica Dittrich.

    Além disso, o fortalecimento do sistema radicular permite que as plantas aproveitem melhor a água e os nutrientes disponíveis no solo. Como resultado, os pomares conseguem manter o desenvolvimento mesmo durante períodos de maior estresse hídrico.

    Fertirrigação amplia eficiência no campo

    A fertirrigação também avança na citricultura brasileira. A técnica permite aplicar água e nutrientes ao mesmo tempo, de forma precisa e alinhada às necessidades da planta em cada fase do desenvolvimento.

    Dessa maneira, o produtor reduz perdas, melhora o aproveitamento dos fertilizantes e aumenta o controle sobre o manejo nutricional. Além disso, a tecnologia diminui a dependência da regularidade das chuvas, fator cada vez mais importante diante das alterações climáticas.

    Um estudo realizado pela Yara em parceria com o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) identificou ganhos relevantes com o uso da fertirrigação em pomares cítricos. Segundo a empresa, a técnica elevou a produtividade em aproximadamente um terço e reduziu em cerca de 30% a incidência de podridão floral.

    Os pesquisadores também verificaram aumento da estrutura reprodutiva das plantas. Consequentemente, os pomares apresentaram maior potencial produtivo e melhor uniformidade dos frutos.

    Bioinsumos ganham espaço nos pomares

    Os bioinsumos também conquistam espaço na citricultura. Esses produtos contribuem para a fertilidade do solo e aumentam a eficiência no aproveitamento dos nutrientes pelas plantas.

    Além disso, a tecnologia fortalece o desenvolvimento vegetal e auxilia o produtor na busca por sistemas mais sustentáveis. Por esse motivo, especialistas apontam crescimento contínuo da utilização desses insumos nos próximos anos.

    A combinação entre nutrição equilibrada, fertirrigação, bioinsumos e agricultura de precisão deve ganhar ainda mais relevância. Assim, os produtores poderão enfrentar os desafios climáticos com maior eficiência, preservar a produtividade e manter a competitividade da citricultura brasileira.

  • Estudo avalia impacto de bioinsumos em peixes e anfíbios

    Estudo avalia impacto de bioinsumos em peixes e anfíbios

    O avanço dos bioinsumos agrícolas tem ganhado força como alternativa aos agrotóxicos tradicionais, diante da crescente preocupação com os impactos ambientais e à saúde. Entre essas soluções, os bioherbicidas microbianos se destacam por sua origem natural, produzidos a partir da fermentação de fungos e compostos por enzimas capazes de degradar plantas daninhas. Apesar do potencial sustentável, ainda existem dúvidas sobre a segurança desses produtos para organismos não-alvo, especialmente em ambientes aquáticos.

    Guilherme Felicioni desenvolvendo pesquisa sobre bioherbicidas. Foto: Instituto de Pesca

    Diante desse cenário, o Instituto de Pesca (IP-APTA), ligado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, conduz uma pesquisa para avaliar possíveis efeitos tóxicos desses bioinsumos. O estudo integra o mestrado do biólogo Guilherme Felicioni, no Programa de Pós-Graduação em Aquicultura e Pesca (PPGIP).

    A pesquisa analisa o impacto de um bioherbicida microbiano em células de peixes e anfíbios, com foco em uma avaliação preliminar de segurança ambiental antes da aplicação em campo. Os testes utilizam linhagens celulares de fibroblastos (tecido conjuntivo de peixe) e hepatócitos de zebrafish, permitindo observar como diferentes tecidos reagem à exposição ao composto.

    Segundo Felicioni, a escolha dos tecidos segue critérios estratégicos. O fígado atua diretamente no metabolismo e na desintoxicação de substâncias químicas. Enquanto o tecido conjuntivo pode acumular compostos ao longo do tempo, o que amplia a compreensão sobre os efeitos do bioherbicida no organismo.

    Avaliação celular detalhada

    No laboratório, a equipe realiza testes para medir viabilidade celular, metabolismo, aderência e respostas ao estresse. Também analisa estruturas responsáveis pela proteção e limpeza celular. Esses indicadores permitem identificar alterações funcionais e possíveis danos causados pelo bioinsumo.

    Os resultados devem contribuir para o desenvolvimento de herbicidas biológicos mais seguros, alinhando produtividade agrícola com preservação ambiental e proteção da fauna aquática.

    Além do avanço científico, o projeto também fortalece a formação acadêmica do pesquisador. Felicioni destaca o acesso a parcerias nacionais e internacionais e a infraestrutura do Instituto de Pesca como diferenciais para o desenvolvimento da pesquisa.

    A orientadora do estudo, a pesquisadora Cláudia Maris, ressalta que o trabalho segue o princípio dos 3 Rs (substituição, redução e refinamento) que orienta o uso de métodos alternativos à experimentação animal. A abordagem in vitro permite reduzir o uso de organismos vivos sem comprometer a qualidade científica.

    Segundo a pesquisadora, a expectativa é que o laboratório avance na implementação de métodos alternativos no Brasil, ampliando a capacidade de análise e apoiando estudos de campo com maior eficiência e responsabilidade ambiental.

  • Consumo de fertilizantes sobe 9,3% e bioinsumos avançam no agro brasileiro

    Consumo de fertilizantes sobe 9,3% e bioinsumos avançam no agro brasileiro

    O agronegócio brasileiro encerrou 2025 com avanço expressivo no uso de fertilizantes e forte expansão dos bioinsumos, consolidando uma mudança estrutural na gestão de insumos agrícolas. Dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA) mostram que o consumo de fertilizantes alcançou 35,86 milhões de toneladas entre janeiro e setembro, alta de 9,3% em relação ao mesmo período de 2024.

    O desempenho mantém o Brasil como o quarto maior mercado global de fertilizantes, atrás de China, Índia e Estados Unidos, respondendo por cerca de 8% da demanda mundial.

    A expansão acompanha o crescimento da produção agrícola. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a safra de grãos atingiu 346,1 milhões de toneladas em 2025, ante 292,5 milhões no ano anterior. Soja, milho e cana-de-açúcar concentram mais de 70% do consumo de fertilizantes, refletindo o peso dessas culturas na produção nacional.

    O aumento da demanda também elevou as importações, que somaram 43,32 milhões de toneladas no ano. Esse cenário evidencia a dependência externa do setor e pressiona produtores a buscar alternativas que aumentem a eficiência no uso dos insumos.

    Bioinsumos

    Nesse contexto, os bioinsumos ganham espaço no campo. O mercado movimentou R$ 6,2 bilhões em 2025 e atingiu 194 milhões de hectares tratados, crescimento de 28% em relação ao ano anterior, segundo a CropLife Brasil.

    Os inoculantes lideram a adoção, com presença em 77 milhões de hectares. Compostos por bactérias fixadoras de nitrogênio, esses produtos reduzem a necessidade de adubação nitrogenada e contribuem para sistemas produtivos com menor emissão de carbono. Já os bionematicidas registraram o maior avanço, com crescimento de 60% na área tratada entre 2024 e 2025.

    Especialistas apontam que os bioinsumos deixaram de ocupar papel complementar e passaram a integrar a estratégia produtiva. A adoção reflete tanto a evolução tecnológica quanto a busca por redução de custos em um cenário de crédito mais restrito e margens pressionadas.

    Segundo Fellipe Parreira, da GIROAgro, a dependência de insumos importados expõe o produtor às oscilações geopolíticas e cambiais. “Os bioinsumos mudam essa equação porque são desenvolvidos no país e reduzem a exposição ao mercado externo”, afirma.

    Ele destaca que o ganho econômico também impulsiona a adoção. “Tecnologias biológicas aumentam a eficiência do sistema produtivo, como bactérias que fixam nitrogênio e soluções que ampliam a disponibilidade de fósforo no solo. No entanto, o melhor resultado vem do equilíbrio entre insumos químicos e biológicos”, explica.

  • Bactérias nativas da macadâmia controlam doenças e abrem caminho para bioinsumos no Brasil

    Bactérias nativas da macadâmia controlam doenças e abrem caminho para bioinsumos no Brasil

    Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), da Embrapa Meio Ambiente (SP) e da empresa QueenNut identificaram duas bactérias com alto potencial para o controle biológico de doenças da macadâmia: Serratia ureilytica e Bacillus subtilis. Os resultados, obtidos em estudos conduzidos no âmbito de doutorado e em experimentos em casa de vegetação, indicam que esses microrganismos, presentes naturalmente na própria cultura, podem reduzir significativamente os danos causados pela queima dos racemos e pela podridão do tronco, duas das doenças mais prejudiciais à produção brasileira de macadâmia.

    Planta da macadãmia. Foto: Jeanne Scardini Marinho-Prado/Embrapa

    A pesquisa avança agora para o desenvolvimento de formulações de bioinsumos à base desses microrganismos, com potencial de uso em programas de manejo integrado.

    Controle biológico contra a queima dos racemos

    Um dos estudos, parte da tese de doutorado de Marcos Abreu (Unesp), sob orientação do pesquisador Bernardo Halfeld (Embrapa Meio Ambiente), focou na queima dos racemos, doença causada pelo fungo Cladosporium xanthochromaticum que afeta diretamente as estruturas florais da macadâmia e compromete a formação dos frutos.

    A equipe isolou 104 cepas bacterianas a partir das flores da planta e avaliou a capacidade de cada uma de inibir o desenvolvimento do fungo. Entre os isolados mais promissores, Serratia ureilytica e Bacillus subtilis se destacaram pela capacidade de reduzir tanto a incidência da doença nas flores quanto a esporulação do patógeno.

    Controlar a produção de esporos é estratégico: menos esporos significa menor disseminação da doença dentro do pomar e menos risco de novas infecções. Os pesquisadores observaram que o efeito protetor ocorre por múltiplos mecanismos simultâneos, produção de compostos antifúngicos voláteis e não voláteis, além de competição direta por nutrientes com o fungo.

    O fato de as bactérias serem nativas da própria cultura é apontado como uma vantagem importante. Já adaptadas aos órgãos da macadâmia, elas tendem a sobreviver e atuar melhor em condições reais de campo do que agentes externos.

    “Trata-se de uma abordagem bastante promissora porque utiliza microrganismos naturalmente presentes na planta como ferramenta de proteção da própria cultura”, destaca Abreu.

    Os testes indicaram ainda compatibilidade da maioria das bactérias com defensivos agrícolas usados na cultura, o que facilita a integração em programas de manejo. A única restrição encontrada foi para o cobre: Serratia ureilytica apresentou sensibilidade ao produto.

    Bacillus reduz severidade da podridão do tronco

    O segundo estudo concentrou-se na podridão do tronco, doença causada pelo fungo Lasiodiplodia pseudotheobromae. Considerada uma das mais graves que afetam a macadâmia, ela provoca lesões em tecidos lenhosos, morte de ramos e, nos casos mais severos, a perda completa da planta, incluindo mudas jovens com caule de pequeno diâmetro.

    Sintomas de podridão de tronco em plantas inoculadas com Lasiodiplodia pseudotheobromae. Foto: Bernardo Halfeld-Vieira

    Os experimentos utilizaram mudas enxertadas com diferentes combinações de copa e porta-enxerto, com o objetivo de entender como as bactérias interagem com materiais vegetais de distintos níveis de resistência genética. Espécies como Bacillus velezensis e Bacillus subtilis reduziram significativamente a severidade das lesões por meio da produção de metabólitos antifúngicos.

    Um dado relevante foi que a combinação entre cultivar e porta-enxerto influencia diretamente os níveis de suscetibilidade à doença e a eficácia do controle biológico. Algumas combinações apresentaram menor severidade da podridão do tronco. O que aponta caminhos tanto para a seleção de materiais genéticos mais resistentes quanto para estratégias de biocontrole mais efetivas.

    “Os resultados reforçam a importância de estratégias integradas de manejo, que associem controle biológico, escolha adequada de materiais genéticos e boas práticas agronômicas”, afirma Luana Melo, pesquisadora da Unesp envolvida no estudo.

    Outro diferencial deste trabalho é que o potencial de controle biológico se confirmou em plantas,não apenas em laboratório. Ensaios em casa de vegetação com mudas enxertadas aproximam os resultados das condições reais de produção.

    O marco: controle em diferentes órgãos da planta

    A análise conjunta dos dois estudos representa um avanço inédito para a macadamicultura brasileira. Pela primeira vez, pesquisadores demonstraram de forma consistente o potencial do controle biológico contra doenças que afetam tanto as estruturas florais quanto o caule da planta.

    Racemo de macadâmia com Cladosporium xanthochromaticum. Foto: Bernardo Halfeld-Vieira/Embrapa

    “Os resultados mostram que microrganismos naturalmente associados à cultura são capazes de reduzir os danos causados por doenças importantes. E contribuir para um sistema de produção mais profícuo, resiliente e sustentável”, diz Halfeld.

    Os estudos têm origem num levantamento iniciado em 2018 e divulgado pela Embrapa em 2024, que mapeou pela primeira vez as principais doenças presentes em plantios comerciais de macadâmia na principal região produtora do país. Esse diagnóstico abriu caminho para a busca de soluções de manejo mais sustentáveis, alinhadas à crescente exigência de mercados consumidores por produtos com menor uso de agroquímicos.

    Próximos passos: formulação e viabilidade econômica

    Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores reconhecem que há etapas importantes antes da adoção comercial em larga escala. O desenvolvimento de formulações estáveis com os bioinsumos e a avaliação da viabilidade econômica da solução estão entre os desafios a vencer.

    “A tendência é que o manejo de doenças evolua para abordagens integradas, combinando biologia, genética e práticas agronômicas. O controle biológico tem potencial para ocupar papel central nesse processo”, conclui Halfeld.

    Para a cadeia produtiva da macadâmia, que vem ganhando espaço no mercado brasileiro, os avanços sinalizam possibilidades concretas de aumentar produtividade, reduzir impactos ambientais e fortalecer a competitividade da cultura no país.

  • Nutrição vegetal avança com foco em eficiência e produtividade

    Nutrição vegetal avança com foco em eficiência e produtividade

    A participação da Yara Brasil na 29ª edição da Showtec Maracaju 2026 reforçou a aposta da companhia em soluções voltadas à produtividade e à sustentabilidade no campo. Durante o evento, realizado entre os dias 19 e 21 de maio, em Maracaju, a empresa apresentou ao mercado o YaraBasa FULL. O fertilizante de alta performance foi desenvolvido para ampliar a eficiência nutricional das lavouras e melhorar a resposta das plantas em situações de estresse.

    A tecnologia foi o principal destaque da companhia na feira. Além disso, chamou atenção pelos resultados obtidos em campo. Segundo a Yara, o produto entrega ganhos médios de até 4,5 sacas por hectare na soja. A solução também promove maior equilíbrio nutricional e eficiência operacional no manejo agrícola.

    Considerado uma evolução do tradicional YaraBasa, o novo fertilizante reúne em um único grânulo a expertise da empresa em NPK, micronutrientes e bioinsumos. Dessa forma, a proposta é oferecer ao produtor uma solução mais completa e eficiente para diferentes cenários produtivos.

    “Estamos diante de uma verdadeira revolução no manejo nutricional das lavouras brasileiras. O YaraBasa FULL nasce da combinação do que temos de mais avançado em pesquisa, tecnologia e ciência aplicada ao campo. Ele entrega fluidez superior, mais eficiência operacional, maior uniformidade e um ganho real na capacidade das plantas responderem ao estresse e se desenvolverem com mais vigor. É um passo decisivo para elevarmos o patamar da produtividade agrícola no país”, afirmou Guilherme Schmitz, vice-presidente de Marketing e Agronomia da Yara.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Tecnologia reúne NPK, bioinsumos e micronutrientes

    O YaraBasa FULL utiliza tecnologia patenteada e conta com pH neutro e matérias-primas de alta qualidade. Além disso, o fertilizante recebe revestimento com YaraAmplix OPTIMIZE. Esse processo amplia a eficiência da absorção nutricional e contribui para maior resistência das plantas aos estresses abióticos.

    Toda a produção da solução acontece no Brasil. A granulação é realizada nas unidades de Rio Grande (RS) e Ponta Grossa (PR). Já o recobrimento ocorre nas dez plantas misturadoras da companhia. Para adaptar a estrutura fabril ao novo produto, a empresa investiu R$ 20 milhões.

    A companhia também destacou o alinhamento da nova tecnologia às metas de sustentabilidade. Segundo a Yara, o produto integra o movimento da empresa para ampliar a oferta de fertilizantes com redução mínima de 60% nas emissões de gases de efeito estufa. Em parte do portfólio Climate Choice, essa redução pode chegar a 90%.

    Produtividade e sustentabilidade no centro do debate

    De acordo com a empresa, a eficiência do YaraBasa FULL foi validada em 35 pesquisas de campo e mais de 135 áreas demonstrativas espalhadas pelo Brasil. Durante a Showtec, produtores e profissionais do setor puderam conhecer detalhes sobre formulação, aplicação e desempenho da tecnologia nas lavouras.

    Além disso, a presença da Yara na feira reforçou a estratégia da companhia de ampliar a conexão com produtores rurais. A empresa também apresentou soluções alinhadas às demandas atuais da agricultura moderna. Entre elas, estão produtividade, sustentabilidade e eficiência operacional no campo.

  • Citricultura ganha foco em inovação na Expocitros 2026

    Citricultura ganha foco em inovação na Expocitros 2026

    A 51ª Expocitros e a 47ª Semana da Citricultura terão início oficial na manhã do dia 26 de maio de 2026, no Centro de Citricultura Sylvio Moreira/IAC, em Cordeirópolis (SP). Neste ano, a organização antecipou a cerimônia de abertura para o período da manhã, das 9h às 11h. Assim, autoridades, pesquisadores, produtores e representantes do agronegócio participarão do encontro que marca um dos principais eventos da citricultura mundial.

    A programação seguirá até o dia 29 de maio com debates voltados à inovação, sustentabilidade, sanidade vegetal e mercado internacional. Além disso, a organização pretende ampliar a presença de startups, empresas de tecnologia agrícola e soluções ligadas à gestão no campo.

    Durante a solenidade de abertura, o evento entregará homenagens e premiações tradicionais da cadeia citrícola. Entre os destaques aparecem o Prêmio Centro de Citricultura e o Prêmio GCONCI Hall da Fama da Citricultura Brasileira, que homenageará Walter dos Santos Soares Filho. O setor também reconhecerá Hamilton Humberto Ramos como Engenheiro Agrônomo Destaque da Citricultura. Já a homenagem ao Dia do Citricultor terá como representante José de Alencar Matta.

    A edição de 2026 ocorre em um cenário de transformação da cadeia produtiva. Atualmente, produtores enfrentam desafios ligados ao avanço do greening (HLB), da leprose e do aumento dos custos de produção. Ao mesmo tempo, o setor acelera investimentos em inteligência artificial, rastreabilidade, automação e agricultura de precisão para aumentar eficiência e competitividade.

    Programação técnica prioriza sanidade e eficiência

    No primeiro dia, os painéis abordarão sustentabilidade, pesquisa e inovação aplicada ao campo. Em seguida, na quarta-feira, 27 de maio, especialistas discutirão tecnologias voltadas à implantação de pomares e ao manejo fitossanitário. Os debates incluirão temas como pinta preta, leprose, podridão penduncular, resistência a fungicidas e controle de pragas.

    Na quinta-feira, 28, a programação concentrará discussões sobre eficiência produtiva. Fertilidade do solo, irrigação, fertilizantes e mudanças climáticas estarão entre os temas centrais do encontro. Já no período da tarde, o HLB ganhará destaque em análises sobre controle, prevenção e expansão da doença nos pomares brasileiros.

    Por outro lado, o encerramento do evento, na sexta-feira, 29, terá foco econômico e estratégico. Pesquisadores e representantes do mercado analisarão preços, exportações e os impactos do acordo Mercosul-União Europeia para a cadeia citrícola. Além disso, especialistas debaterão o papel do suco de laranja na alimentação e na saúde.

    Segundo o diretor do Centro de Citricultura, Dirceu Mattos Jr., a programação reflete o atual momento vivido pela cadeia produtiva. “A edição de 2026 deve aprofundar debates sobre greening, inovação tecnológica, bioinsumos, sustentabilidade e gestão, refletindo exatamente o momento vivido pela citricultura brasileira”, afirma.

    Evento amplia espaço para jovens e tecnologia

    A Expocitros chega à 51ª edição consolidada como um ambiente estratégico de conexão entre ciência, negócios e planejamento. Em 2025, o encontro reuniu mais de 12 mil visitantes e cerca de 90 empresas expositoras. Agora, a expectativa da organização é ampliar a participação de jovens produtores, cooperativas, indústrias e empresas de tecnologia agrícola.

    A safra brasileira de laranja 2025/2026 encerrou com 293 milhões de caixas produzidas. No mercado internacional, o Brasil mantém liderança e responde por aproximadamente 70% a 75% das exportações globais de suco de laranja.

    Diante desse cenário, sustentabilidade, energia renovável e conservação de recursos naturais seguirão entre os principais temas do evento. Dessa forma, a Expocitros 2026 pretende fortalecer discussões sobre competitividade, inovação e futuro da citricultura brasileira.