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  • Inovação ganha papel estratégico no agro brasileiro

    Inovação ganha papel estratégico no agro brasileiro

    A inovação no agro ocupa papel cada vez mais estratégico para garantir a competitividade da agricultura brasileira. Essa foi a principal conclusão dos debates realizados durante evento promovido pela Bayer, em 15 de junho, em São Paulo. Especialistas, representantes da indústria, juristas e produtores rurais discutiram os fatores que sustentam o desenvolvimento tecnológico no campo e os desafios para atender às novas demandas do mercado.

    Ao longo de três painéis, os participantes defenderam que o avanço do agronegócio depende da combinação entre pesquisa científica, segurança jurídica, proteção da propriedade intelectual e adoção de novas tecnologias. Além disso, destacaram a necessidade de preparar o setor para um cenário marcado pela transição energética, pela busca por sustentabilidade e pelo aumento da demanda global por alimentos e combustíveis renováveis.

    Da pesquisa ao campo

    O painel “Do laboratório à lavoura: como a inovação chega ao campo” contou com a mediação de Francila Calica, diretora de Sustentabilidade e Assuntos Agrícolas da Bayer para a América Latina. Participaram da discussão Fábio Passos, diretor de soja comercial da Bayer; Tages Martinelli, CEO da Sementes Jotabasso; e o produtor rural Pompílio Rocha Silva, engenheiro agrônomo e agricultor de Chapadão do Sul (MS).

    Durante o debate, os especialistas explicaram que o desenvolvimento de uma nova biotecnologia exige tempo, investimento e planejamento. Em muitos casos, uma tecnologia leva entre 12 e 15 anos para chegar ao mercado. Nesse período, pesquisadores realizam estudos em laboratório, testes em campo e avaliações regulatórias antes da liberação comercial.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Os debatedores também destacaram o papel das sementes na transferência de tecnologia. Segundo eles, a genética carrega boa parte das inovações que chegam às propriedades rurais, permitindo ganhos de produtividade, resistência a pragas e maior adaptação às condições climáticas.

    Ao mesmo tempo, os participantes lembraram que a tecnologia não gera resultados sozinha. O produtor precisa combinar genética, manejo e conhecimento técnico para extrair o máximo potencial das ferramentas disponíveis.

    Nesse contexto, as mudanças climáticas ampliam a importância da inovação. Eventos extremos, como estiagens prolongadas e irregularidade das chuvas, exigem cultivares mais resilientes e sistemas produtivos mais eficientes.

    Segurança jurídica impulsiona investimentos

    O segundo painel, “Segurança jurídica e os pilares da inovação”, teve mediação de Andrea Garcia, vice-presidente Jurídica, de Patentes e Compliance da Bayer no Brasil. Participaram da discussão Catharina Pires, diretora de Germoplasma e Biotecnologia da CropLife Brasil, e Luiz Henrique do Amaral, sócio sênior do escritório Dannemann e membro da Associação Brasileira de Propriedade Intelectual (ABPI).

    Os especialistas defenderam que a inovação depende de um ambiente regulatório estável e previsível. Segundo eles, empresas e instituições de pesquisa investem bilhões de reais em projetos que levam anos para apresentar resultados. Por isso, a proteção da propriedade intelectual se torna fundamental para estimular novos investimentos.

    Durante o debate, os participantes explicaram que muitas tecnologias estudadas nunca chegam ao mercado. Dessa forma, mecanismos como patentes e proteção de cultivares ajudam a garantir retorno aos investimentos realizados ao longo do processo de pesquisa.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Catharina Pires ressaltou que o crescimento do agro brasileiro resulta da combinação entre condições produtivas favoráveis, produtores dispostos a adotar tecnologia e um ambiente jurídico capaz de oferecer segurança para quem investe em inovação.

    Além disso, os debatedores abordaram o impacto da pirataria de sementes. Dados apresentados durante o painel indicam que cerca de 11% das sementes de soja utilizadas no Brasil têm origem ilegal. Em algumas regiões do Rio Grande do Sul, esse percentual ultrapassa 28%.

    Segundo os especialistas, a prática provoca prejuízos econômicos para toda a cadeia produtiva. Além disso, aumenta os riscos relacionados à qualidade das sementes, à produtividade das lavouras e à segurança fitossanitária.

    Biocombustíveis ampliam oportunidades

    O terceiro painel, “Sementes, inovação e novas demandas de mercado”, foi mediado por Rafael Mendes, diretor do negócio de soja da Bayer. Participaram da discussão Fábio Meneghin, fundador da Veeries, e Catarina Correa, gerente de Relações Institucionais da Bayer.

    Os participantes analisaram as transformações que devem influenciar o futuro da agricultura brasileira. Segundo eles, a demanda por proteína animal continuará importante para a soja. No entanto, novos mercados começam a ganhar espaço e podem impulsionar a próxima fase de crescimento do setor.

    Entre essas oportunidades estão os biocombustíveis. Os especialistas destacaram que programas voltados ao biodiesel e ao combustível sustentável de aviação (SAF) devem ampliar a demanda por óleo vegetal nos próximos anos.

    Nesse cenário, a Lei do Combustível do Futuro aparece como um instrumento capaz de oferecer previsibilidade para investimentos e estimular o crescimento da cadeia produtiva.

    Além disso, os debatedores destacaram que o Brasil reúne condições favoráveis para aproveitar essa oportunidade. O País possui escala de produção, capacidade tecnológica e experiência na utilização de fontes renováveis de energia.

    Sustentabilidade entra na agenda do mercado

    A sustentabilidade também ganhou espaço nas discussões. Segundo Catarina Correa, os mercados internacionais exigem cada vez mais informações sobre a origem dos produtos e sobre as emissões associadas à produção agrícola.

    Por isso, produtores e empresas precisam avançar na adoção de ferramentas capazes de medir e comprovar práticas sustentáveis. Entre elas estão sistemas de agricultura digital, monitoramento de indicadores ambientais e programas de mensuração de carbono.

    Ao mesmo tempo, os participantes ressaltaram que o aumento da produtividade continua sendo o principal caminho para ampliar a produção de forma sustentável. Dessa forma, a inovação seguirá desempenhando papel central na agricultura brasileira.

    As novas tecnologias também devem contribuir para o desenvolvimento de cultivares mais eficientes, mais adaptadas às mudanças climáticas e capazes de atender às exigências de consumidores e mercados globais.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    O papel da inovação no futuro do agro

    Embora tenham abordado temas distintos, os três painéis convergiram para uma mesma conclusão. O futuro do agronegócio brasileiro dependerá da capacidade de transformar conhecimento científico em soluções práticas para o campo.

    Pesquisa, genética, biotecnologia, segurança jurídica e sustentabilidade formam uma base essencial para sustentar a competitividade do setor. Além disso, a integração entre ciência, indústria e produtores continuará determinando a velocidade com que novas tecnologias chegarão às propriedades rurais.

    Diante das mudanças climáticas, da transição energética e do crescimento da demanda global por alimentos e combustíveis renováveis, os participantes defenderam que a inovação continuará sendo uma das principais ferramentas para garantir o desenvolvimento sustentável da agricultura brasileira nas próximas décadas.

  • Brasil amplia protagonismo na segurança energética

    Brasil amplia protagonismo na segurança energética

    As recentes tensões geopolíticas em importantes rotas globais de transporte de petróleo reacenderam o debate sobre segurança energética. Em um cenário de incertezas, países capazes de combinar produção agrícola em larga escala e fontes renováveis de energia ganham relevância estratégica.

    O Brasil aparece entre os protagonistas dessa discussão. Com previsão de safra recorde de grãos em 2025/26, liderança mundial na produção de soja e avanço dos biocombustíveis, o país reúne condições para ampliar sua participação na transição energética global.

    Para Daniel Barbosa, CEO da FEX Agro, o desafio vai além de produzir mais alimentos. Segundo ele, o setor precisa transformar sua escala produtiva em ganhos sustentáveis de competitividade, renda e segurança energética. Em entrevista, o executivo analisa as oportunidades e os desafios para o agronegócio brasileiro nos próximos anos.

    A safra brasileira de grãos deve atingir um novo recorde em 2025/26. Qual é a importância desse resultado para o agronegócio?

    A projeção de 358 milhões de toneladas mostra a capacidade produtiva do agronegócio brasileiro. Mais do que um número expressivo, ela demonstra a eficiência do setor e sua capacidade de atender tanto a demanda por alimentos quanto por matérias-primas destinadas à produção de energia renovável.

    De que forma essa produção recorde pode fortalecer o setor energético brasileiro?

    A expansão da produção agrícola fortalece cadeias ligadas ao biodiesel, etanol, biometano e combustível sustentável de aviação, o SAF. À medida que o mundo busca reduzir emissões e diversificar fontes de energia, o Brasil reúne condições favoráveis para ampliar sua participação nesse mercado.

    O que diferencia o Brasil nesse cenário global?

    Poucos países conseguem combinar liderança agrícola, disponibilidade de recursos naturais, matriz energética renovável e capacidade crescente de produção de biocombustíveis. Essa combinação coloca o Brasil em uma posição privilegiada diante das transformações que estão ocorrendo no mercado global de energia.

    Qual é o papel da soja nessa estratégia?

    A soja tem enorme relevância porque o Brasil é o maior produtor mundial. Além da exportação do grão, ela é uma matéria-prima fundamental para a cadeia do biodiesel. Isso amplia sua importância não apenas para o agronegócio, mas também para a agenda energética.

    E qual é a importância do milho nesse contexto?

    O milho vem ganhando protagonismo com o crescimento das usinas de etanol de cereais, especialmente no Centro-Oeste. Esse movimento agrega valor à produção dentro do país, fortalece a indústria de biocombustíveis e contribui para reduzir a dependência de combustíveis fósseis.

    O Plano Safra 2025/26 é aguardado com expectativa pelo setor. O que está em jogo para os produtores?

    O Plano Safra será determinante para a próxima temporada. O setor aguarda definições sobre volume de recursos, taxas de financiamento, linhas de investimento e mecanismos de apoio à modernização tecnológica. Em um cenário de juros elevados, essas definições influenciam diretamente a capacidade de financiamento da atividade agrícola.

    Daniel Barbosa, CEO da FEX Agro – Foto: Arquivo Pessoal

    O seguro rural também tem sido tema recorrente nas discussões do agro. Por quê?

    Os eventos climáticos extremos têm se tornado mais frequentes. Por isso, fortalecer instrumentos de gestão de risco é fundamental. O seguro rural oferece mais previsibilidade ao produtor e contribui para preservar a estabilidade produtiva e a segurança dos investimentos.

    Apesar da perspectiva positiva para a produção, quais desafios permanecem para o produtor rural?

    Os custos continuam sendo um fator importante. Fertilizantes, defensivos, logística e despesas financeiras ainda pressionam as margens. Além disso, o mercado internacional vive uma fase de maior oferta e recomposição de estoques, o que exige mais eficiência operacional e gestão de risco.

    Crédito mais seletivo

    O acesso ao crédito mudou nos últimos anos?

    Sim. O capital continua disponível, mas as instituições financeiras passaram a adotar critérios mais rigorosos de análise. Hoje, governança, capacidade de gestão e qualidade das garantias fazem cada vez mais diferença na obtenção de recursos.

    A China segue como um fator importante para o mercado brasileiro de soja?

    Sem dúvida. A China continua sendo o principal destino das exportações brasileiras de soja. Isso faz com que o mercado acompanhe com atenção fatores como decisões de compra, questões diplomáticas e movimentos geopolíticos.

    O Brasil está preparado para assumir um papel ainda mais relevante na segurança energética global?

    O país já demonstrou capacidade de expandir sua produção agrícola e consolidar sua liderança em biocombustíveis. O próximo desafio é transformar essa escala produtiva em ganhos sustentáveis de competitividade, renda e segurança energética. Se conseguir avançar nessa direção, o Brasil poderá ocupar uma posição ainda mais estratégica em um mundo que busca fontes de energia mais seguras e de menor emissão de carbono.

  • Por que a gasolina está tão cara? Entenda o que influencia o preço dos combustíveis no Brasil

    Por que a gasolina está tão cara? Entenda o que influencia o preço dos combustíveis no Brasil

    O preço da gasolina e do diesel continua pesando no bolso dos brasileiros. No entanto, muita gente ainda acredita que o valor cobrado nos postos depende apenas da Petrobras ou dos donos de postos. Na prática, diversos fatores nacionais e internacionais influenciam diretamente o preço final dos combustíveis no Brasil.

    Atualmente, os custos de produção e importação representam cerca de 61% do valor final pago pelo consumidor. Já os tributos correspondem a 16%, enquanto os biocombustíveis somam 10%. Além disso, os custos de distribuição e revenda representam outros 13%, sendo aproximadamente 5% referentes à margem das distribuidoras.

    Segundo o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom), o preço nas bombas resulta de uma cadeia complexa. Ou seja, nenhum setor sozinho é responsável pelas altas ou quedas observadas no mercado.

    O que influencia o preço da gasolina e do diesel?

    Diversos fatores ajudam a definir o valor final dos combustíveis no país. Entre os principais, estão:

    • Cotação internacional do barril de petróleo;
    • Variação do dólar;
    • Contexto geopolítico internacional;
    • Carga tributária federal e estadual;
    • Custos logísticos;
    • Mistura obrigatória de biocombustíveis.

    Além disso, o Brasil ainda depende da importação de parte do diesel consumido internamente. Atualmente, cerca de 30% do diesel utilizado no país é importado. Dessa forma, importadoras e distribuidoras assumem riscos relacionados ao câmbio, ao transporte e às oscilações do mercado internacional para garantir o abastecimento nacional.

    O setor de distribuição também exerce um papel importante no funcionamento da economia. Segundo dados do Sindicom, aproximadamente 200 mil veículos são abastecidos por hora em todos os municípios brasileiros.

    Preço dos combustíveis sofre influência de fatores como petróleo, dólar, impostos e cenário internacional — Foto: Reprodução/Unsplash

    Como o preço do combustível é formado?

    O valor pago pelo consumidor é composto por quatro etapas principais: refinaria, biocombustíveis, impostos e distribuição.

    Preço na refinaria

    A Petrobras vende o combustível às distribuidoras ainda na refinaria. Esse valor sofre influência direta de fatores internacionais, principalmente:

    • preço do barril de petróleo no mercado global;
    • cotação do dólar.

    Além disso, a estatal costuma seguir a chamada política de paridade internacional (PPI). Na prática, isso significa que os preços internos acompanham as oscilações do mercado externo.

    Mistura com biocombustíveis

    Antes de chegar aos postos, a gasolina e o diesel recebem a adição de biocombustíveis.

    A gasolina, por exemplo, é misturada ao etanol anidro. Já o diesel recebe biodiesel na composição. Os preços desses produtos variam conforme fatores agrícolas, demanda interna, subsídios e condições de safra.

    Tributos aumentam o valor nas bombas

    Os impostos representam uma parcela relevante do preço dos combustíveis no Brasil. Entre os principais tributos cobrados estão:

    • ICMS: imposto estadual sobre circulação de mercadorias e serviços;
    • CIDE: contribuição federal voltada para infraestrutura de transporte e projetos ligados ao petróleo e gás;

    PIS/Pasep e Cofins: tributos destinados ao financiamento de benefícios e programas sociais.

    Assim, qualquer alteração tributária pode gerar impacto imediato nos preços praticados nos postos.

    Gráfico da formação do preço da gasolina — Elaboração: Petrobrás/Dados: ANP e USP

    Distribuição e revenda também entram na conta

    Os postos compram o combustível já misturado das distribuidoras e definem o valor final ao consumidor. Nesse cálculo, entram despesas com transporte, operação, funcionários, logística e margem de lucro.

    Portanto, o preço exibido na bomba não reflete apenas o valor produzido pela refinaria.

    Estreito de Ormuz pode afetar os combustíveis no Brasil

    Mesmo distante do Oriente Médio, o Brasil também sente os reflexos das tensões internacionais. Um dos pontos mais estratégicos para o mercado mundial de petróleo é o Estreito de Ormuz, localizado entre o Golfo Pérsico e o Mar de Omã.

    Atualmente, cerca de 20% do petróleo mundial passa pela região.

    Em 2025, por exemplo, os conflitos envolvendo Irã, Israel e os Estados Unidos elevaram o alerta global. O Parlamento iraniano chegou a sugerir o fechamento do estreito como resposta às tensões internacionais.

    Somente a possibilidade de interrupção no fluxo de petróleo já provocou preocupação no mercado internacional.

    Entre os possíveis impactos estão:

    • elevação do barril do petróleo Brent para até US$ 130;
    • aumento dos custos de transporte marítimo e seguros;
    • alta do risco geopolítico e maior pressão inflacionária.

    Mesmo sendo um importante produtor de petróleo, o Brasil ainda importa combustíveis refinados e segue referências internacionais de preços. Por isso, qualquer instabilidade externa pode provocar aumento no valor da gasolina, do diesel, do frete, dos alimentos e até das passagens de transporte público.

  • Agro pede aumento imediato da mistura de biodiesel

    Agro pede aumento imediato da mistura de biodiesel

    Entidades do agronegócio pedem aumento imediato da mistura de biodiesel no diesel. O setor quer elevar o percentual de 15% para 17%. Uma carta aberta reúne 43 entidades do agronegócio e defende a mudança na política energética nacional Segundo o documento, a medida ajuda a proteger a economia brasileira contra choques externos e fortalece a segurança energética.

    Além disso, as entidades afirmam que a iniciativa reforça a liderança do Brasil na transição energética global. O texto destaca que o cenário internacional vive forte instabilidade geopolítica e grandes oscilações nos preços do petróleo. Esse movimento, segundo o setor, provoca impactos diretos sobre a economia brasileira e eleva o risco de pressões nos combustíveis.

    Garantia de abastecimento

    Diante disso, as entidades defendem o fortalecimento de soluções internas para garantir abastecimento e estabilidade de preços. Segundo a carta, a ampliação da mistura para B17 oferece uma resposta rápida e alinhada aos interesses nacionais.

    O documento também afirma que a medida reduz riscos de desabastecimento e amplia a segurança energética do país. A decisão depende do Conselho Nacional de Política Energética. O colegiado avaliaria o tema nesta quinta-feira, 12 de março.

    No entanto, o governo adiou a reunião para 19 de março e ainda não confirmou a inclusão do tema na pauta.As entidades também destacam a dependência brasileira do diesel importado, considerada um problema estrutural. Além disso, o setor aponta dificuldades na compra e no transporte do combustível devido à guerra no Irã.

    Escoamento da safra

    Segundo o documento, o momento coincide com o escoamento da safra agrícola, período crucial para o transporte rodoviário. Nesse contexto, o setor afirma que ampliar a oferta de combustível ajuda a manter a competitividade e o abastecimento nacional.

    As entidades também defendem que o país possui capacidade instalada para ampliar rapidamente a produção de biodiesel. Segundo o texto, a indústria brasileira conta com matéria-prima disponível e logística estruturada para atender a nova demanda.

    Cronograma

    Pelo cronograma atual, a mistura obrigatória deveria subir de 15% para 16% em março. No entanto, o Conselho Nacional de Política Energética ainda não avaliou oficialmente essa mudança. Enquanto isso, testes técnicos analisam a viabilidade de misturas com percentuais mais elevados. Parte do setor avalia que o país já poderia elevar a mistura até 20%. A possibilidade existe porque a Lei do Combustível do Futuro autoriza percentuais maiores em situações excepcionais.

    Segundo as entidades, a adoção do B17 reduziria a necessidade de importação de diesel. Além disso, a medida fortaleceria a indústria nacional e daria maior previsibilidade ao setor produtivo. O documento também afirma que o uso de biodiesel em níveis mais altos é tecnicamente seguro. Segundo o setor, o biocombustível brasileiro segue rigorosos padrões de qualidade e confiabilidade.

    Diferentemente de outras alternativas, o biodiesel não exige adaptações caras em veículos ou infraestrutura. Além disso, empresas já utilizam voluntariamente o biodiesel puro em algumas operações comerciais. Segundo o setor, essa prática comprova a segurança e a eficiência do biocombustível no mercado brasileiro.

  • Agricultura familiar poderá ganhar com mudança na tributação do biodiesel

    Agricultura familiar poderá ganhar com mudança na tributação do biodiesel

    O Projeto de Lei Complementar (PLP) 33/2025 propõe ajustes na Lei Complementar 214/2025, que regulamenta a reforma tributária. O objetivo é estimular a participação da agricultura familiar na cadeia produtiva do biodiesel. A proposta, apresentada pelo deputado Nilto Tatto (PT-SP), está em análise na Câmara dos Deputados.

    Foto: Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados

    O texto cria mecanismos para garantir benefícios fiscais às empresas de biodiesel que comprarem matéria-prima de pequenos produtores rurais. Esses agricultores que, por suas receitas anuais de até R$ 3,6 milhões, são classificados como “não contribuintes” do novo sistema tributário.

    Atualmente, essa classificação reduz o valor do crédito tributário para as indústrias que compram desses produtores. O que pode levar o setor a priorizar grandes fornecedores e enfraquecer a agricultura familiar.

    Para corrigir essa distorção, o projeto estabelece duas novas regras de incentivo:

    • Biodiesel social: indústrias que promovem inclusão social terão direito a crédito presumido integral, equivalente à alíquota padrão do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição Social sobre Bens e Serviços (CBS), ao adquirirem matéria-prima de pequenos produtores.
    • Equidade fiscal: o texto garante o mesmo desconto tributário para indústrias que comprarem da agricultura familiar e de grandes produtores, evitando desvantagens comerciais para os pequenos.

    Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel

    Segundo Tatto, o Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB), criado em 2005, comprovou a eficiência dessa integração entre indústria e pequenos agricultores, movimentando quase R$ 6 bilhões em 2022 e beneficiando cerca de 70 mil famílias.

    O parlamentar afirma que a reforma tributária aprovada em 2025 não contemplou de forma adequada esses incentivos. O que ameaça reduzir a atratividade do setor para os produtores familiares. “É essencial preservar o papel da agricultura familiar no fornecimento de matérias-primas para biodiesel e equiparar o crédito presumido à alíquota cheia”, defendeu Tatto.

    O projeto também define os conceitos de “produtor rural integrado” e “produtor rural pessoa jurídica” para fins tributários.

    A proposta será debatida nas comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, Finanças e Tributação e Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) antes de seguir ao Plenário da Câmara.

    Fonte: Agência Câmara de Notícias

  • Biodiesel de babaçu: comunidades tradicionais encontram alternativa sustentável

    Biodiesel de babaçu: comunidades tradicionais encontram alternativa sustentável

    As quebradeiras de coco babaçu das regiões Norte e Nordeste do Brasil desenvolvem uma alternativa energética que combina sustentabilidade ambiental com desenvolvimento social. O biodiesel produzido a partir do coco babaçu demonstra qualidade técnica superior, mas encontra seu melhor desempenho em iniciativas comunitárias e regionais.

    Luís Alberto Folegatti Romero, professor do Departamento de Engenharia Química da Escola Politécnica da USP, classifica o babaçu como matéria-prima promissora para a produção de biodiesel. O óleo extraído das amêndoas do coco possui alto teor lipídico e composição favorável, o que garante ao biodiesel elevado número de cetano e combustão eficiente.

    Políticas públicas incentivam agricultura familiar

    O governo brasileiro introduziu o biodiesel na matriz energética nacional em 2005. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) passou a regular a qualidade do biocombustível. Produtores que adquirem matérias-primas da agricultura familiar recebem incentivos fiscais, medida que favorece o extrativismo do babaçu.

    O selo combustível social, criado no mesmo período, busca estimular a compra de produtos de comunidades tradicionais, como as quebradeiras de coco. Em 2017, o governo estabeleceu metas de descarbonização e reconheceu o biodiesel de babaçu como componente estratégico da matriz energética do país.

    Desafios limitam expansão do biodiesel de babaçu

    O professor Romero identifica obstáculos significativos que impedem a competição do biodiesel de babaçu com outros biocombustíveis em larga escala.

    Processo manual eleva custos: a coleta e quebra do coco exigem grande esforço físico, apresentam baixa mecanização e geram pouco rendimento. Esses fatores elevam o custo da matéria-prima e dificultam o abastecimento regular das usinas.

    Logística complexa em áreas remotas: os babaçuais se estendem por áreas extensas e dispersas, geralmente em zonas rurais de difícil acesso. O transporte do fruto, da amêndoa ou do óleo enfrenta limitações de infraestrutura.

    Indústrias disputam matéria-prima: empresas de cosméticos e alimentos competem pelo coco babaçu. Fabricantes de carvão vegetal frequentemente pagam valores mais altos pelo óleo e derivados, o que reduz a disponibilidade para uso energético.

    Escala industrial inviabiliza competição: o biodiesel de babaçu não consegue competir economicamente com matérias-primas produzidas em grande escala, como soja ou sebo bovino. O custo elevado e a dificuldade de produção em volumes industriais representam entraves significativos.

    Vulnerabilidades sociais e ambientais: as quebradeiras de coco, principais responsáveis pelo extrativismo, enfrentam baixos retornos financeiros e falta de equipamentos adequados. Conflitos fundiários dificultam o acesso aos palmeirais em muitos casos, o que compromete toda a cadeia produtiva.

    A expansão agrícola pressiona os babaçuais, espécie de regeneração natural. A ausência de manejo adequado pode reduzir a disponibilidade futura da matéria-prima.

    Vocação regional e desenvolvimento sustentável

    Apesar dos desafios, o babaçu apresenta propriedades superiores quando comparado a outras oleaginosas. O professor ressalta que o biocombustível funciona melhor em contextos específicos.

    “O babaçu se destaca em projetos regionais, comunitários e de desenvolvimento sustentável, onde o objetivo não é competir com grandes usinas, mas promover inclusão social, renda local e valorização de recursos naturais”, afirma Romero.

    A estratégia prioriza o fortalecimento de comunidades tradicionais e a preservação de práticas extrativistas sustentáveis, em vez da competição no mercado nacional de biocombustíveis.

    Fonte: Jornal da USP/ Por

  • PIB da soja e do biodiesel deve crescer 11% em 2025

    PIB da soja e do biodiesel deve crescer 11% em 2025

    A safra recorde de soja e o ritmo intenso de esmagamento devem impulsionar o PIB da cadeia de soja e biodiesel em 2025. Segundo estudo do Cepea (Esalq/USP) em parceria com a Abiove, o crescimento pode chegar a 11,29% neste ano. Assim, o setor deve representar 21,1% do PIB do agronegócio e 6,1% do PIB nacional.

    Produção recorde e tecnologia

    Dentro da porteira, o PIB da soja deve crescer 23,39% em 2025. O avanço é resultado da safra recorde de 170,3 milhões de toneladas, conforme dados da Abiove. O aumento de área e o uso de tecnologia, aliados ao clima favorável, garantiram o desempenho histórico no campo.

    Esmagamento de soja atinge nível histórico

    Na agroindústria, o Cepea e a Abiove projetam alta de 4,02% no PIB, impulsionada pelo esmagamento recorde de soja.  A demanda crescente por óleo de soja e biodiesel sustenta o ritmo da indústria. Desde 1º de agosto, a mistura obrigatória de biodiesel no diesel subiu para 15% (B15), o que intensificou o processamento nacional. Esse impacto, porém, ainda não entrou nos cálculos do estudo, que considera dados até o segundo trimestre de 2025.

    Agrosserviços também registram forte expansão

    Com o bom desempenho da produção e da indústria, o PIB dos agrosserviços deve crescer quase 9%. Já o segmento de insumos apresenta alta de 2,72%.

    Os preços da cadeia permaneceram estáveis no primeiro semestre, em relação a 2024. As altas registradas no ano anterior e a desvalorização de produtos agroindustriais no segundo trimestre influenciaram esse resultado.

    Com base nos dados até o segundo trimestre, o PIB gerado por tonelada de soja processada tende a ser 4,45 vezes maior que o da soja exportada in natura.

    Emprego cresce com avanço da cadeia produtiva

    O mercado de trabalho da cadeia de soja e biodiesel cresceu 4,2% no segundo trimestre de 2025, somando 2,327 milhões de trabalhadores. A participação da cadeia na economia brasileira alcançou 2,27% e, dentro do agronegócio, 10%. De acordo com o Cepea e a Abiove, o setor de insumos ampliou em 4,51% o número de ocupados, com 6,2 mil novas vagas.

    Dentro da porteira, houve queda de 15,6% nas ocupações, o que indica ganho de produtividade. Na agroindústria, o número de trabalhadores cresceu 0,74%, enquanto os agrosserviços avançaram 10%, com mais de 156 mil pessoas empregadas.

    Exportações superam volume, mas receita cai

    As exportações da cadeia de soja e biodiesel somaram 49,68 milhões de toneladas no segundo trimestre, 1,5% acima do volume de 2024.

    A receita, porém, caiu 8,3%, totalizando US$ 19,47 bilhões. A queda está ligada à redução dos preços da soja em grão (–9,56%) e do farelo (–15,7%). Já o óleo de soja registrou alta de 9,56%.

    Pesquisadores do Cepea e da Abiove atribuem a pressão sobre os preços à safra mundial recorde de 2024/25. Para 2025/26, as projeções indicam nova alta na produção global, expansão do comércio e estoques confortáveis.

    China, Europa e Índia

    A China continua como principal destino da soja em grão brasileira. O farelo tem destaque na União Europeia e no Sudeste Asiático, que ampliaram as compras. Já o óleo de soja segue com a Índia como maior comprador, absorvendo mais de 70% do volume exportado pelo Brasil.

  • Mercado de trabalho da soja e do biodiesel em debate

    Mercado de trabalho da soja e do biodiesel em debate

    O pesquisador Rodrigo Peixoto da Silva, do Cepea/Esalq-USP, apresentou estudo sobre emprego na cadeia da soja e do biodiesel. A exposição ocorreu no 64º Congresso da European Regional Science Association (ERSA), em Atenas, Grécia. O artigo foi desenvolvido em parceria entre o Cepea e a Abiove.

    Emprego no setor

    O estudo mostrou que o número de trabalhadores na cadeia praticamente dobrou entre 2012 e 2024, alcançando 2,26 milhões. O setor de serviços manteve o maior contingente de pessoas, passando de 793 mil em 2012 para 1,6 milhão em 2024. O segmento primário registrou a maior expansão, com alta de 118%. Já a indústria cresceu 56% e chegou a 89 mil trabalhadores.

    Perfil dos trabalhadores

    O perfil dos ocupados permaneceu predominantemente masculino, formal e mais qualificado. A participação de empregados com carteira assinada ficou em 77% do total entre 2012 e 2024. As mulheres representaram, em média, 35% da força de trabalho no período. O nível de escolaridade avançou: pessoas com ensino médio cresceram de 32,8% para 40,2% e com ensino superior, de 12% para 20,2%.

    Rendimentos crescentes

    Os rendimentos também subiram. O segmento primário registrou aumento real de 37% e a indústria, de 22% entre 2012 e 2024. Esse crescimento acompanhou a maior qualificação dos trabalhadores na cadeia produtiva.

    Análises por região

    A Região Sul se destacou como maior empregadora no cultivo da soja. O número de ocupados subiu até 2021, quando chegou a 293 mil, e caiu para 245 mil em 2023.

    O Centro-Oeste apareceu como segunda região empregadora, com destaque para fazendas de maior escala. Microrregiões como Cruz Alta, Santiago e Ijuí (RS), Dourados (MS), Parecis (MT) e Guarapuava (PR) concentram grande número de trabalhadores.

    No Centro-Oeste, quatro microrregiões responderam por 40% da população ocupada entre 2022 e 2024: Sudoeste de Goiás, Dourados (MS), Campo Novo do Parecis (MT) e Alto Teles Pires (MT). Esses dados mostram a concentração regional da mão de obra no segmento primário.

    Segundo Rodrigo Peixoto, apresentar o estudo em Atenas foi uma oportunidade para mostrar a realidade brasileira a pesquisadores estrangeiros. Ele destacou que o encontro permitiu comparar experiências e buscar soluções para as desigualdades regionais.

     

     

     

  • Agroenergia impulsiona aviação sustentável com SAF no Brasil

    Agroenergia impulsiona aviação sustentável com SAF no Brasil

    A Agroenergia desempenha um papel estratégico na transição para uma aviação mais sustentável, e o Brasil está se posicionando como líder na produção de biocombustíveis avançados, como o Combustível Sustentável de Aviação (SAF).

    A Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), em parceria com empresas associadas, lançou uma publicação exclusiva com dados técnicos, cenários e diretrizes para acelerar o desenvolvimento do SAF no país. O estudo reforça o potencial do Brasil em se tornar um grande produtor global desse biocombustível.

    O setor de transportes é um dos maiores emissores de gases de efeito estufa (GEE). Dentro desse segmento, a aviação responde por 5% das emissões globais, enquanto o transporte hidroviário contribui com menos de 2% (SEEG, 2025).

    Nos últimos anos, a descarbonização da matriz energética ganhou força, com a adoção de combustíveis renováveis como:

    • Etanol
    • Biodiesel
    • HVO (Óleo Vegetal Hidrotratado)
    • Combustível de Navegação Sustentável
    • SAF (Combustível Sustentável de Aviação)

    Crescimento da demanda por combustíveis de aviação

    A expansão da aviação comercial e o aumento do número de voos globais elevam a necessidade por querosene de aviação. Fatores como globalização, urbanização e crescimento da classe média (especialmente na Ásia e América Latina) impulsionam essa demanda.

    Projeções indicam que o tráfego aéreo dobrará nas próximas duas décadas, aumentando a dependência de combustíveis fósseis. Para reduzir esse impacto, o SAF surge como a principal alternativa sustentável, exigindo inovação tecnológica e políticas eficientes para garantir sua viabilidade.

    Brasil na vanguarda do SAF

    Para consolidar sua liderança no mercado de biocombustíveis, o Brasil precisa alinhar sua regulamentação às certificações internacionais. Isso garantirá:

    • Reconhecimento global do SAF brasileiro
    • Rastreabilidade e ciclo de vida sustentável
    • Elegibilidade para créditos de carbono

    A ABAG disponibilizou o estudo completo sobre o SAF, com análises e estratégias para o setor. Acesse aqui a publicação e saiba como o Brasil pode liderar essa transformação.

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  • Casca de baru vira insumo sustentável para produção de biodiesel

    Casca de baru vira insumo sustentável para produção de biodiesel

    A Binatural, referência na produção de biodiesel, começou a usar a casca da castanha de baru como insumo para suas caldeiras industriais. Em geral, a alternativa sustentável substitui a lenha e reforça a economia circular, além de valorizar a agricultura familiar e conservar o bioma Cerrado.

    A empresa aproveita um resíduo agroflorestal que antes ia para o lixo. Ou seja, a casca do baru, rica em poder calorífico, agora abastece as caldeiras da usina de biodiesel. Com isso, a empresa avança na meta de tornar o processo produtivo mais limpo e eficiente.

    Uso inédito da casca do baru

    Nenhuma outra usina de biodiesel no Brasil, ou mesmo setores como etanol e biometano, utiliza a casca do baru com essa finalidade. A iniciativa é inédita e coloca o projeto na liderança da inovação sustentável no setor energético. “O baru vem do Baruzeiro, uma árvore nativa do Cerrado ameaçada pela exploração de madeira”, explica André Lavor, CEO e cofundador da Binatural. Segundo ele, a empresa enxergou valor financeiro e ambiental em um resíduo antes considerado um problema.

    Origem da inovação

    A inovação surgiu após uma visita a uma cooperativa parceira. Em resumo, os técnicos identificaram que os produtores tinham dificuldades para descartar as cascas, que geravam custos e impactos ambientais. A partir daí, a empresa testou o reaproveitamento do material.

    Estudos apontam que a casca de baru tem poder calorífico de 4.700 kcal/kg, superior ao da lenha de eucalipto. O resultado técnico positivo viabilizou o uso em escala industrial. Com isso, a empresa reforça seu compromisso com a sustentabilidade e a redução de resíduos.

    Ao adotar o modelo, a Binatural remunera os agricultores pela venda da casca. Portanto, a iniciativa gera renda extra para as famílias e fortalece a agricultura de base. Além disso, o apoio também inclui assistência técnica e estrutura para as cooperativas parceiras. A Copabase, localizada no território do Urucuia Grande Sertão, em Minas Gerais, é uma das beneficiadas. A cooperativa beneficia e comercializa produtos do Cerrado, com destaque para o baru. Agora, também vê na casca uma fonte de renda.

    Selo Biocombustível Social

    Ao mesmo tempo, o projeto está alinhado ao Selo Biocombustível Social, que incentiva a inclusão de agricultores familiares no setor de energia renovável. Ou seja, a certificação garante apoio técnico e financeiro às comunidades participantes.

    Além de sustentabilidade e renda, o projeto valoriza a cultura regional. Ou seja, o baru é símbolo do Cerrado e aparece em receitas tradicionais como licor, paçoca e barutella — um creme que mistura baru e cacau. Agora, também impulsiona a inovação energética. “O baru promove reflorestamento, colheita sustentável e conservação de áreas degradadas”, afirma Lavor. Para ele, a iniciativa une tradição e tecnologia com impacto positivo para o meio ambiente e para as comunidades locais.

    A Binatural mostra que é possível transformar um resíduo em solução. A iniciativa comprova que inovação e responsabilidade socioambiental caminham juntas na construção de um futuro mais verde.

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