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  • Ranking global mostra disputa acirrada no setor de defensivos agrícolas

    Ranking global mostra disputa acirrada no setor de defensivos agrícolas

    Um levantamento inédito comparou as 20 maiores empresas de Crop Protection do mundo por receita em 2025, isolando o faturamento específico de proteção de cultivos de negócios como sementes, traits, nutrição e distribuição. A pesquisa é assinada por Rafael Gomes, consultor de Portfólio Agroquímico e especialista em mercado, suprimentos e posicionamento técnico, e foi publicada originalmente em seu perfil no LinkedIn.

    A Syngenta lidera o ranking com US$ 13,7 bilhões em receita de Crop Protection em 2025, separados do negócio de sementes da companhia. A Bayer aparece em segundo lugar, com aproximadamente US$ 10,78 bilhões, seguida pela BASF, com US$ 8,54 bilhões, e pela Corteva Agriscience, com US$ 7,50 bilhões. As quatro empresas formam o que Gomes chama de “maior bloco global” do setor.

    Por que comparar essas empresas não é simples

    Segundo Gomes, montar o ranking “parece simples até começar a abrir os números”. As companhias não seguem o mesmo padrão de divulgação. Algumas misturam defensivos com sementes e traits, outras incluem intermediários, nutrição, veterinária, distribuição ou negócios industriais no mesmo balanço. Há ainda empresas de capital fechado e exercícios fiscais distintos entre países.

    Para viabilizar a comparação, o consultor não utilizou a receita agrícola consolidada de cada grupo. Ele aplicou como régua a receita atribuível especificamente à proteção de cultivos e agroquímicos, excluindo negócios não comparáveis, e converteu todos os valores para dólar pelas taxas médias de 2025.

    O critério exigiu ajustes específicos para cada companhia. No caso da Bayer, por exemplo, Gomes separou dos €21,622 bilhões da divisão Crop Science apenas herbicidas (€5,279 bilhões), fungicidas (€2,888 bilhões) e inseticidas (€1,369 bilhões), totalizando €9,536 bilhões, cerca de US$ 10,78 bilhões, e deixou sementes e traits de fora da conta. A BASF passou por processo semelhante: dos €7,561 bilhões somados em fungicidas, herbicidas, inseticidas e tratamento de sementes, o consultor excluiu os €2,026 bilhões da divisão de Sementes e Traits.

    Já a ADAMA teve os US$ 321 milhões de Intermediates & Ingredients removidos do cálculo, restando US$ 3,73 bilhões estritamente em Crop Protection. No caso da UPL, Gomes considerou apenas a UPL Corp, plataforma global de proteção de cultivos do grupo, sem incluir os demais negócios agrícolas da companhia. Já a Sumitomo Chemical entrou no ranking pela abertura específica de Crop Protection Products, equivalente a ¥403,1 bilhões, cerca de US$ 2,69 bilhões.

    As posições mais disputadas e as ressalvas do ranking

    A partir da 9ª colocação, a comparação passou a exigir ainda mais cuidado metodológico. A Albaugh, na 9ª posição, aparece com asterisco por ser uma empresa privada. Sua colocação é uma estimativa baseada em vendas declaradas acima de US$ 2 bilhões e em referências de mercado, já que a companhia não divulga balanços públicos completos. A Sino-Agri Leading, na 13ª posição, recebeu observação própria pelo peso relevante que a distribuição tem em seu modelo de negócio.

    Entre as empresas chinesas, o desafio metodológico foi ainda maior. Gomes precisou separar technical, formulações, intermediários, distribuição e outros negócios químicos dentro de cada grupo. Usar a receita consolidada de companhias como Wynca e Xingfa, por exemplo, elevaria artificialmente suas posições no ranking.

    O avanço chinês entre a 10ª e a 20ª posição

    O dado mais expressivo do levantamento aparece na segunda metade da lista. Nove grupos chineses já ocupam posições entre a 10ª e a 20ª colocação do ranking global. Fazem parte dessa lista Nufarm (Austrália, 11ª), Yangnong Chemical (12ª), Sino-Agri Leading (13ª), Liben Crop Science (14ª), Fuhua Tongda (15ª), Lier Chemical (16ª), Wynca (17ª), Jiangsu Sevencontinent Green Chemical (18ª) e Xingfa (20ª), além da Rainbow Agro, que já figura na 10ª posição com US$ 2,13 bilhões.

    Segundo dados da CCPIA (associação chinesa do setor) citados no levantamento, ADAMA, Rainbow, Yangnong, Sino-Agri e Liben estão entre as cinco empresas chinesas com vendas de pesticidas acima de RMB 10 bilhões em 2025.

    Para Gomes, o movimento reflete uma mudança estrutural no setor. As companhias chinesas avançam “não apenas na fabricação de technical, mas também em formulações, registros, estruturas comerciais e presença internacional”. Ou seja, deixam de atuar apenas como fornecedoras de insumos básicos e passam a competir diretamente em mercados finais.

    Um ranking analítico, não uma comparação contábil auditada

    O próprio autor faz uma ressalva importante sobre a robustez das posições mais próximas entre si. Segundo Gomes, câmbio, período fiscal e escopo de receita podem alterar a ordem das empresas. Especialmente na faixa entre a 20ª e a 22ª posição, onde os faturamentos ficam muito próximos e a colocação pode mudar conforme o critério aplicado.

    Por isso, o consultor recomenda que o levantamento seja lido como um ranking analítico, construído com a melhor informação pública disponível, e não como uma comparação contábil auditada. As fontes utilizadas incluem relatórios anuais e financeiros, apresentações a investidores, divulgações corporativas, além de dados da CCPIA, AgroPages, CCM e S&P Global.

    Veja o ranking completo

    Infográfico crop protection
    Infográfico: Rafael Gomes
  • Congresso Andav bate recorde e reúne 18 mil pessoas em São Paulo

    Congresso Andav bate recorde e reúne 18 mil pessoas em São Paulo

    O 15º Congresso Andav encerrou nesta semana em São Paulo com números que confirmam o crescimento do evento. Ao longo de três dias, mais de 18 mil pessoas circularam pelo espaço, entre distribuidores de insumos agropecuários, representantes da indústria, especialistas e lideranças de diferentes elos da cadeia produtiva. Mais de 260 marcas expositoras participaram da edição, que também trouxe debates estratégicos sobre os rumos do agronegócio brasileiro.

    Vivian Lima, sócia e CEO da Zest Eventos, e Marcos Chaves, presidente do Conselho Diretor da Andav. Foto: FD Fotografia

    Para Vivian Lima, sócia e CEO da Zest Eventos, empresa que organiza o Congresso, os números comprovam a relevância crescente do encontro para o mercado. “O Congresso Andav é um evento que está crescendo. E isso só acontece graças aos profissionais do agronegócio, que estão aqui para trocar informações, adquirir conhecimento e fazer negócios”, afirmou a executiva.

    Empresas já garantem presença na edição de 2027

    A confiança do setor no evento já aparece nos números da próxima edição. O Congresso Andav 2027 acontecerá entre os dias 3 e 5 de agosto e, antes mesmo do encerramento da edição atual, 71% das empresas expositoras já haviam renovado a participação. Um resultado que superou a meta inicial de 70% estabelecida pela organização.

    “Isso mostra a confiança da indústria e das empresas da cadeia no Congresso Andav como palco de networking e geração de negócios”, destacou Vivian Lima.

    Programação aprofunda temas estratégicos para o setor

    Além da área de exposição e relacionamento, a plenária do Congresso reuniu especialistas para discutir temas que impactam diretamente a competitividade do agronegócio. A programação percorreu cenários econômicos, perspectivas para o setor, gestão, liderança, inovação, sustentabilidade, reforma tributária e novas tecnologias.

    O presidente do Conselho Diretor da Andav, Marcos Chaves, avaliou os três dias de evento. E destacou a diversidade dos assuntos discutidos. “Debatemos os cenários da agroeconomia e do futuro do setor, além de aprofundarmos temas como gestão, liderança e as tendências apresentadas por diversos especialistas para fortalecer o agronegócio brasileiro”, disse.

    Paulo Tiburcio, presidente executivo da Andav. Foto: FD Fotografia

    Já o presidente executivo da Andav, Paulo Tiburcio, ressaltou que a proximidade com o produtor rural representa um dos grandes diferenciais da distribuição. E que o relacionamento continua sendo fundamental para o setor. O executivo agradeceu o público presente durante os três dias de evento e reforçou a importância de equilibrar pragmatismo e visão de futuro no setor.

    Indústria avalia resultados positivos no relacionamento com revendas

    Representantes de grandes empresas do setor também comentaram os resultados da edição. Anderson Parra, gerente de acesso a revendas da BASF Soluções para Agricultura, considerou a exposição imprescindível para a companhia construir relacionamento com parceiros, fornecedores e clientes.

    Jeferson Oliveira, líder de distribuição da Bayer, destacou a capilaridade dos distribuidores como elemento fundamental para levar as tecnologias da companhia às diferentes regiões produtoras do país.

    Haroldo Yamanaka, diretor estratégico da GIROAgro e da Vivabio, apontou a proximidade com a rede de distribuição como um dos principais objetivos da participação das empresas no evento. “A importância de estarmos aqui próximo da distribuição do Brasil, entendendo o momento e os desafios dos clientes é uma oportunidade de relacionamento”, afirmou.

    Roberto Dib, diretor de marketing de clientes da Syngenta no Brasil, reafirmou a parceria da companhia com a distribuição de insumos agropecuários e classificou o evento como um ambiente propício para discutir desafios e oportunidades do setor.

    Negócios

    Oziel Ferreira, CEO do Grupo Ceres Investimentos, avaliou que as conversas ganharam qualidade e avançaram do ponto de vista dos negócios nesta edição. “O cliente vem, senta com a gente, mostra a situação e onde está a dor, e desenhamos uma estrutura para poder ajudá-lo”, explicou.

    Juliana Oliveira, head de Marketing e Comunicação da Ecoagro, descreveu o Congresso Andav como um espaço estratégico para a empresa se aproximar da cadeia de distribuição. E desenvolver soluções financeiras alinhadas às necessidades do setor.

    Brunna Santos, gerente de marketing da Aliare, classificou o evento como fundamental no calendário de oportunidades e negócios da companhia, funcionando como ponto de encontro com clientes, revendas e prospects.

    Carlos Baptista, diretor comercial da Biotrop, comentou o avanço da agricultura regenerativa e o papel estratégico que os distribuidores exercem para that as tecnologias biológicas ganhem espaço no campo, reforçando a importância da parceria com as revendas para os negócios da empresa.

    Eletrificação e etanol fecham a programação

    A mobilidade sustentável também ocupou espaço no último dia de evento. Na palestra de encerramento, o vice-presidente sênior e head de Comercial e Marketing da BYD, Alexandre Baldy, apresentou o potencial brasileiro para combinar eletrificação e biocombustíveis na construção de uma matriz de transporte de baixo carbono.

    Segundo o executivo, a diversidade de fontes renováveis do país,que inclui energia solar, eólica e hidrelétrica, além de etanol, biodiesel e biometano,coloca o Brasil em posição diferenciada na transição energética global.

    Baldy citou a tecnologia híbrida plug-in como uma das rotas de convergência entre eletrificação e etanol. E com potencial de expansão não apenas no Brasil, mas também em outros países com forte presença do biocombustível, como a Índia.

    “Temos uma matriz diversa de fontes renováveis. Podemos eletrificar valorizando o etanol, que é ativo estratégico competitivo para o futuro”, afirmou o executivo.

  • Milho supera 340 sacas por hectare em concurso nacional

    Milho supera 340 sacas por hectare em concurso nacional

    Os resultados alcançados por produtores no Concurso Nacional de Produtividade de Milho 2026, promovido pelo Grupo Tático de Aumento de Produtividade (Getap), colocaram em evidência o desempenho de híbridos de milho da Bayer em diferentes regiões e sistemas de cultivo. Entre os destaques, produtores alcançaram produtividades superiores a 340 sacas por hectare, enquanto a companhia ampliou para nove o número de lançamentos de híbridos apresentados neste ano.

    A estratégia combina a renovação do portfólio com a oferta de materiais adaptados a diferentes ambientes produtivos. Atualmente, a Bayer reúne mais de 50 híbridos de milho distribuídos no Brasil pelas marcas Agroeste, Dekalb e Sementes Agroceres.

    No concurso, os híbridos da empresa conquistaram o pódio completo na categoria centro irrigado, além de posições de destaque em outras disputas nacionais e estaduais. Os resultados foram registrados em regiões de cultivo irrigado e de sequeiro, incluindo áreas de Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

    Produtividade supera 340 sacas por hectare

    Um dos principais resultados foi registrado na categoria verão sul sequeiro. O Grupo Reinhofer, de Guarapuava (PR), alcançou produtividade de 343,1 sacas por hectare com o híbrido DKB235PRO3, garantindo a sétima colocação no ranking nacional.

    Ainda na mesma categoria, Ralf Karly, de Candói (PR), ficou em nono lugar ao utilizar o DKB242PRO4. A produtividade registrada foi de 339,2 sacas por hectare. Em Santa Catarina, a Agro Mallon, de Canoinhas, garantiu a terceira colocação estadual com o AS1955PRO4, ao atingir 330 sacas por hectare.

    Já na categoria verão sul irrigado, o melhor resultado nacional da Bayer foi obtido por Hugo Mariane Filho, de Chapada (RS). Com o DKB242PRO4, o produtor registrou 308,8 sacas por hectare e alcançou a sétima posição. Ao todo, seis inscrições com híbridos da companhia ficaram entre as 20 primeiras colocações nacionais.

    No Rio Grande do Sul, Carlos Eduardo Sperotto, de Santo Augusto, teve duas participações entre os 20 melhores resultados. O produtor ficou em 11º lugar, com 299,5 sacas por hectare e o AS1955PRO4, além da 15ª posição, com 293,1 sacas por hectare e o DKB242PRO4.

    Também aparecem entre os destaques Paulo Dilly, de Ibirubá, com 294,8 sacas por hectare e a 14ª colocação; Décio Ladir Neuls, de Santa Bárbara do Sul, que ficou em 19º lugar com 286,4 sacas por hectare; e Maurício De Bortoli, de Cruz Alta, com 284,1 sacas por hectare e o DKB242PRO4.

    Minas Gerais concentra resultados de destaque

    Na categoria centro irrigado, Minas Gerais teve o pódio completo formado por produtores que utilizaram o híbrido AS1955PRO4, da Agroeste. O primeiro lugar ficou com a Fazenda Nacional AgroFarm, de São Gonçalo do Sapucaí, que alcançou 289,6 sacas por hectare.

    Olindo César Corso, de Bambuí, registrou 287,6 sacas por hectare e terminou na segunda posição. Alexandre Avelar, de Três Corações, completou o pódio, com produtividade de 280,9 sacas por hectare.

    O desempenho também apareceu na categoria centro sequeiro. Em Goiás, Francisco Godoy Netto, de Catalão, conquistou o título estadual com o AS1868PRO4, ao atingir 251,2 sacas por hectare. Paulo Roberto Shwengber, de Leopoldo de Bulhões, ficou com o vice-campeonato estadual, com 247,3 sacas por hectare e o AG8701PRO4. Eldo Marconi Pereira, de Gameleira de Goiás, completou o pódio com o AG8909PRO4 e 240,9 sacas por hectare.

    Em Minas Gerais, cinco híbridos da companhia apareceram entre as dez primeiras posições do ranking da categoria. Diego Vettori, de Campanha, ficou em segundo lugar, com 299,1 sacas por hectare e o AS1955PRO4. Marcus Veiga, de São João del-Rei, foi o terceiro colocado, com 282,7 sacas por hectare e o mesmo híbrido.

    Carlos Fábio Nogueira Rivelli, também de São João del-Rei, ficou em quarto lugar com o DKB242PRO4, ao alcançar 281,8 sacas por hectare. O produtor ainda apareceu na nona posição com o AS1955PRO4, com 267,1 sacas por hectare. Vander de Sousa Andrade, de Luminárias, foi o sexto colocado, com 278,8 sacas por hectare utilizando o AS1955PRO4.

    Nove lançamentos ampliam opções para produtores

    Os resultados apresentados no Getap ocorrem em um momento de expansão do portfólio de sementes de milho da Bayer. Em 2026, a companhia destacou nove lançamentos de híbridos, volume três vezes maior que o registrado em anos anteriores.

    A estratégia busca ampliar as alternativas disponíveis aos agricultores de acordo com características como região, janela de plantio, ambiente produtivo e sistema de cultivo. Segundo a empresa, entre os materiais de destaque no concurso estão híbridos com a biotecnologia VTPRO4®, voltada à proteção contra as principais pragas da cultura do milho.

    “Os desempenhos alcançados pelos produtores no Getap evidenciam o potencial da combinação entre genética, biotecnologia e manejo adaptado à realidade de cada região. Nosso compromisso é oferecer aos agricultores um portfólio amplo e diversificado, desenvolvido para responder às demandas do campo em diferentes ambientes de produção do País”, afirma Diogo Monteiro, diretor de estratégia para o negócio de milho.

    Além das sementes, a Bayer também registrou presença entre as soluções de proteção de cultivos utilizadas pelos participantes do concurso. Em herbicidas, Roundup® e Soberan® aparecem entre os produtos mais utilizados, enquanto o pré-emergente Adengo® foi apresentado como alternativa para o manejo de plantas daninhas.

    No segmento de fungicidas, Nativo® e Fox Xpro® também ficaram entre os principais produtos utilizados pelos agricultores participantes do Getap.

    Tecnologia apoia escolha de híbridos

    A empresa relaciona os resultados alcançados no concurso aos investimentos em pesquisa e desenvolvimento, melhoramento genético e tecnologias voltadas ao suporte à tomada de decisão no campo.

    Entre essas iniciativas está o Bayer VAlora Milho, programa de agricultura digital que reúne mais de 1.900 produtores participantes no Brasil. Segundo a companhia, a iniciativa é resultado de mais de dez anos de pesquisa e contribui para orientar a escolha de híbridos e estratégias de manejo conforme as características de cada região.

    Para Diogo Monteiro, os resultados obtidos em áreas de sequeiro e irrigadas reforçam a necessidade de selecionar materiais adequados às condições de cada propriedade.

    “Do sequeiro ao irrigado, os resultados obtidos no Getap reforçam a importância de o agricultor contar com híbridos adequados a cada ambiente produtivo. É com essa visão que seguimos investindo para apoiar os produtores na busca por produtividade e rentabilidade”, conclui.

     

  • Inovação ganha papel estratégico no agro brasileiro

    Inovação ganha papel estratégico no agro brasileiro

    A inovação no agro ocupa papel cada vez mais estratégico para garantir a competitividade da agricultura brasileira. Essa foi a principal conclusão dos debates realizados durante evento promovido pela Bayer, em 15 de junho, em São Paulo. Especialistas, representantes da indústria, juristas e produtores rurais discutiram os fatores que sustentam o desenvolvimento tecnológico no campo e os desafios para atender às novas demandas do mercado.

    Ao longo de três painéis, os participantes defenderam que o avanço do agronegócio depende da combinação entre pesquisa científica, segurança jurídica, proteção da propriedade intelectual e adoção de novas tecnologias. Além disso, destacaram a necessidade de preparar o setor para um cenário marcado pela transição energética, pela busca por sustentabilidade e pelo aumento da demanda global por alimentos e combustíveis renováveis.

    Da pesquisa ao campo

    O painel “Do laboratório à lavoura: como a inovação chega ao campo” contou com a mediação de Francila Calica, diretora de Sustentabilidade e Assuntos Agrícolas da Bayer para a América Latina. Participaram da discussão Fábio Passos, diretor de soja comercial da Bayer; Tages Martinelli, CEO da Sementes Jotabasso; e o produtor rural Pompílio Rocha Silva, engenheiro agrônomo e agricultor de Chapadão do Sul (MS).

    Durante o debate, os especialistas explicaram que o desenvolvimento de uma nova biotecnologia exige tempo, investimento e planejamento. Em muitos casos, uma tecnologia leva entre 12 e 15 anos para chegar ao mercado. Nesse período, pesquisadores realizam estudos em laboratório, testes em campo e avaliações regulatórias antes da liberação comercial.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Os debatedores também destacaram o papel das sementes na transferência de tecnologia. Segundo eles, a genética carrega boa parte das inovações que chegam às propriedades rurais, permitindo ganhos de produtividade, resistência a pragas e maior adaptação às condições climáticas.

    Ao mesmo tempo, os participantes lembraram que a tecnologia não gera resultados sozinha. O produtor precisa combinar genética, manejo e conhecimento técnico para extrair o máximo potencial das ferramentas disponíveis.

    Nesse contexto, as mudanças climáticas ampliam a importância da inovação. Eventos extremos, como estiagens prolongadas e irregularidade das chuvas, exigem cultivares mais resilientes e sistemas produtivos mais eficientes.

    Segurança jurídica impulsiona investimentos

    O segundo painel, “Segurança jurídica e os pilares da inovação”, teve mediação de Andrea Garcia, vice-presidente Jurídica, de Patentes e Compliance da Bayer no Brasil. Participaram da discussão Catharina Pires, diretora de Germoplasma e Biotecnologia da CropLife Brasil, e Luiz Henrique do Amaral, sócio sênior do escritório Dannemann e membro da Associação Brasileira de Propriedade Intelectual (ABPI).

    Os especialistas defenderam que a inovação depende de um ambiente regulatório estável e previsível. Segundo eles, empresas e instituições de pesquisa investem bilhões de reais em projetos que levam anos para apresentar resultados. Por isso, a proteção da propriedade intelectual se torna fundamental para estimular novos investimentos.

    Durante o debate, os participantes explicaram que muitas tecnologias estudadas nunca chegam ao mercado. Dessa forma, mecanismos como patentes e proteção de cultivares ajudam a garantir retorno aos investimentos realizados ao longo do processo de pesquisa.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Catharina Pires ressaltou que o crescimento do agro brasileiro resulta da combinação entre condições produtivas favoráveis, produtores dispostos a adotar tecnologia e um ambiente jurídico capaz de oferecer segurança para quem investe em inovação.

    Além disso, os debatedores abordaram o impacto da pirataria de sementes. Dados apresentados durante o painel indicam que cerca de 11% das sementes de soja utilizadas no Brasil têm origem ilegal. Em algumas regiões do Rio Grande do Sul, esse percentual ultrapassa 28%.

    Segundo os especialistas, a prática provoca prejuízos econômicos para toda a cadeia produtiva. Além disso, aumenta os riscos relacionados à qualidade das sementes, à produtividade das lavouras e à segurança fitossanitária.

    Biocombustíveis ampliam oportunidades

    O terceiro painel, “Sementes, inovação e novas demandas de mercado”, foi mediado por Rafael Mendes, diretor do negócio de soja da Bayer. Participaram da discussão Fábio Meneghin, fundador da Veeries, e Catarina Correa, gerente de Relações Institucionais da Bayer.

    Os participantes analisaram as transformações que devem influenciar o futuro da agricultura brasileira. Segundo eles, a demanda por proteína animal continuará importante para a soja. No entanto, novos mercados começam a ganhar espaço e podem impulsionar a próxima fase de crescimento do setor.

    Entre essas oportunidades estão os biocombustíveis. Os especialistas destacaram que programas voltados ao biodiesel e ao combustível sustentável de aviação (SAF) devem ampliar a demanda por óleo vegetal nos próximos anos.

    Nesse cenário, a Lei do Combustível do Futuro aparece como um instrumento capaz de oferecer previsibilidade para investimentos e estimular o crescimento da cadeia produtiva.

    Além disso, os debatedores destacaram que o Brasil reúne condições favoráveis para aproveitar essa oportunidade. O País possui escala de produção, capacidade tecnológica e experiência na utilização de fontes renováveis de energia.

    Sustentabilidade entra na agenda do mercado

    A sustentabilidade também ganhou espaço nas discussões. Segundo Catarina Correa, os mercados internacionais exigem cada vez mais informações sobre a origem dos produtos e sobre as emissões associadas à produção agrícola.

    Por isso, produtores e empresas precisam avançar na adoção de ferramentas capazes de medir e comprovar práticas sustentáveis. Entre elas estão sistemas de agricultura digital, monitoramento de indicadores ambientais e programas de mensuração de carbono.

    Ao mesmo tempo, os participantes ressaltaram que o aumento da produtividade continua sendo o principal caminho para ampliar a produção de forma sustentável. Dessa forma, a inovação seguirá desempenhando papel central na agricultura brasileira.

    As novas tecnologias também devem contribuir para o desenvolvimento de cultivares mais eficientes, mais adaptadas às mudanças climáticas e capazes de atender às exigências de consumidores e mercados globais.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    O papel da inovação no futuro do agro

    Embora tenham abordado temas distintos, os três painéis convergiram para uma mesma conclusão. O futuro do agronegócio brasileiro dependerá da capacidade de transformar conhecimento científico em soluções práticas para o campo.

    Pesquisa, genética, biotecnologia, segurança jurídica e sustentabilidade formam uma base essencial para sustentar a competitividade do setor. Além disso, a integração entre ciência, indústria e produtores continuará determinando a velocidade com que novas tecnologias chegarão às propriedades rurais.

    Diante das mudanças climáticas, da transição energética e do crescimento da demanda global por alimentos e combustíveis renováveis, os participantes defenderam que a inovação continuará sendo uma das principais ferramentas para garantir o desenvolvimento sustentável da agricultura brasileira nas próximas décadas.

  • Prêmio Mulheres do Agro prorroga inscrições até 17 de junho

    Prêmio Mulheres do Agro prorroga inscrições até 17 de junho

    As produtoras rurais interessadas em participar da 9ª edição do Prêmio Mulheres do Agro ganharam mais tempo para efetuar a inscrição. A Bayer e a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) ampliaram o prazo para a categoria Produtora Rural até 17 de junho. A iniciativa reconhece mulheres que lideram propriedades rurais e desenvolvem ações voltadas à gestão, à inovação e às boas práticas agrícolas.

    A premiação contempla propriedades de pequeno, médio e grande porte. As candidatas podem realizar a inscrição gratuitamente por meio do site oficial do prêmio. O objetivo é destacar trajetórias que fortalecem o agronegócio e ampliam a participação feminina em posições de liderança no campo.

    Sustentabilidade e gestão estão entre os critérios

    Para concorrer, as participantes precisam demonstrar resultados alinhados aos pilares de sustentabilidade, governança e impacto social. Além disso, devem apresentar iniciativas que contribuam para o desenvolvimento da atividade agropecuária dentro e fora da propriedade.

    Uma banca formada por especialistas de instituições públicas e privadas do setor agropecuário analisará as inscrições. Dessa forma, a avaliação considerará aspectos relacionados à gestão do negócio, à responsabilidade socioambiental e à capacidade de gerar impactos positivos nas comunidades envolvidas.

    Ao longo dos anos, o Prêmio Mulheres do Agro consolidou-se como uma das principais iniciativas de valorização da liderança feminina no setor. Por isso, a premiação reúne histórias de produtoras que investem em inovação, eficiência produtiva e práticas sustentáveis.

    Iniciativa busca ampliar protagonismo feminino

    O reconhecimento também incentiva a troca de experiências entre mulheres que atuam no agronegócio. Além disso, fortalece a presença feminina em espaços estratégicos de decisão dentro das propriedades rurais e das cadeias produtivas.

    Segundo os organizadores, o prêmio procura dar visibilidade a produtoras que desempenham papel relevante na condução dos negócios rurais. Ao mesmo tempo, busca estimular modelos de gestão que conciliem produtividade, responsabilidade social e preservação ambiental.

    Vencedoras serão conhecidas em agosto

    A organização anunciará as vencedoras durante uma cerimônia programada para agosto de 2026, na cidade de São Paulo. O evento fará parte das comemorações pelos 130 anos de atuação da Bayer no Brasil.

    A empresa atua nos segmentos de agricultura, farmacêutico e saúde do consumidor. Atualmente, mantém investimentos em pesquisa, inovação e sustentabilidade. Já a Abag reúne representantes de diferentes elos da cadeia produtiva e trabalha para fortalecer o desenvolvimento do agronegócio brasileiro.

    Com a prorrogação do prazo, as produtoras interessadas poderão reunir a documentação necessária com mais tranquilidade. Assim, a expectativa é ampliar o número de participantes e incentivar ainda mais o protagonismo feminino no campo.

  • Plataforma FieldView ganha velocidade e integração operacional

    Plataforma FieldView ganha velocidade e integração operacional

    A Bayer apresentou, na 31ª edição da Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), avanços na plataforma FieldView. A principal novidade é o novo hardware FieldView Drive 2.0. O dispositivo promete transferência de dados até 12 vezes mais rápida. A tecnologia amplia a integração com máquinas agrícolas e reforça a tomada de decisão no campo.

    No centro da estratégia está o FieldView, assistente digital que reúne dados de campo, imagens de satélite e mapas de produtividade. Além disso, a plataforma organiza informações por talhão. Com isso, o produtor ganha mais controle sobre as operações. O novo Drive 2.0 será acoplado ao maquinário. Dessa forma, coleta e envia dados automaticamente para o aplicativo.

    “Esse assistente digital da Bayer reúne dados de campo, imagens de satélite, previsões por talhão, mapas e ferramentas de análise de produtividade em uma plataforma simples e segura. A solução ajuda o agricultor a transformar dados em inteligência para a tomada de decisão ao longo da safra. Hoje, temos 31 milhões de hectares conectados ao FieldView. E dados de campo indicam que as propriedades que utilizam essa gestão digital apresentaram médias de produtividade 30% superiores no milho e 20% na soja em comparação com a média nacional da Conab”, afirma Abdalah Novaes, líder de Soluções Agrícolas Digitais da Bayer para a América Latina.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Integração com máquinas e ganhos operacionais

    A Bayer também ampliou a integração com fabricantes de máquinas agrícolas. A conexão permite enviar prescrições agronômicas diretamente aos equipamentos. Assim, elimina-se o uso de dispositivos físicos, como pen drives. Além disso, o processo reduz falhas operacionais.

    Entre as parcerias, está a John Deere. A tecnologia permite transferência sem fio de dados para o centro de operações das máquinas. Dessa maneira, o produtor ganha agilidade e precisão. A funcionalidade também facilita a importação de prescrições do Bayer Valora Milho.

    No campo das recomendações agronômicas, a empresa amplia soluções baseadas em dados. O Bayer Valora Milho já soma mais de 650 mil hectares inscritos para a safrinha 2026. Nesse contexto, produtores registraram ganhos médios de cinco sacas por hectare. A ferramenta orienta decisões sobre híbridos, sementes e nitrogênio.

    Outra solução é o FieldView Advisor. A ferramenta apresenta retorno positivo em cerca de 70% dos casos na soja. Além disso, compara variedades e gera recomendações personalizadas. O objetivo é otimizar o desempenho por talhão.

    O Bayer Directo Nematoide também integra o portfólio. A tecnologia permite aplicação localizada de nematicidas. Com isso, aumenta a eficiência no controle de pragas. Ao mesmo tempo, reduz o uso de insumos. Atualmente, cerca de 40% das áreas de soja no Brasil apresentam risco de danos econômicos por nematoides.

    Sustentabilidade e digitalização

    A estratégia digital também sustenta iniciativas ambientais. A plataforma PRO Carbono reúne mais de 3,1 milhões de hectares na América Latina. Além disso, envolve cerca de três mil agricultores. Segundo a Bayer, há aumento médio de 9% na estabilidade produtiva. A produtividade anual cresce, em média, 11%.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Por outro lado, a pegada de carbono diminui de forma relevante. A redução pode chegar a 50% na soja e 55% no milho. Esses dados consideram comparação com a média nacional.

    Outra frente é o Barter+. A solução utiliza dados históricos de produtividade. Dessa forma, apoia negociações de insumos. Além disso, amplia o poder de troca do produtor.

    De acordo com Abdalah Novaes, o desenvolvimento regional é um diferencial. “Nosso trabalho com o produtor começa a partir do mapeamento detalhado de necessidades e oportunidades, passa pelo desenvolvimento de planos de digitalização personalizados e segue com suporte contínuo de especialistas e capacitação das equipes das fazendas. É assim que garantimos agilidade na resposta às mudanças do setor e fazemos com que a tecnologia se converta em resultado real”, afirma.

  • Nova segurança do agro: robôs com câmeras patrulham lavouras milionárias

    Nova segurança do agro: robôs com câmeras patrulham lavouras milionárias

    A gigante farmacêutica e de ciências agrícolas Bayer implantou cães robóticos para vigiar suas plantações de milho no Havaí. Uma decisão que sintetiza, em imagem única, a contradição do sistema alimentar global em 2025: tecnologia militar a serviço de colheitas milionárias, enquanto a fome avança pelo mundo.

    A Bayer expandiu o uso de robótica na agricultura ao posicionar unidades “DroneDog” com inteligência artificial em suas operações de milho-semente no Havaí. Portanto, marcando uma transição da segurança tradicional para a vigilância autônoma baseada em dados. O sistema vem da empresa de tecnologia Asylon e resolve dois problemas práticos ao mesmo tempo. Manter patrulhas de segurança em 8.000 acres resulta em custos altíssimos, e a empresa enfrentava dificuldade em contratar pessoal suficiente, especialmente para rondas noturnas.

    O que é o DroneDog e como funciona

    Equipados com câmeras termais, câmeras eletro-ópticas, zoom de 20x e detecção de objetos por inteligência artificial, os robôs identificam anomalias em tempo real e alertam operadores por sistemas conectados à nuvem. Quando o DroneDog não está em missão de segurança, ele retorna à sua “DogHouse”, uma espécie de canil instalado no terreno da Bayer, onde recarrega as baterias para a próxima ronda.

    A operação funciona em duas frentes simultâneas. O equipamento se conecta à nuvem para operação remota e transmissão ao vivo. E pode ser monitorado pela equipe de segurança local, pelo Centro de Operações de Segurança do Havaí (HSOC) da Bayer e pelo Centro de Operações de Segurança Robótica da Asylon, ativo 24 horas por dia, 365 dias por ano.

    Os eventos de segurança reportados pelos operadores vão desde incêndios florestais próximos até javalis que danificam a propriedade após o horário de expediente.

    Por que a Bayer protege milho com tecnologia de nível militar

    A resposta está nos números. A Bayer opera sete instalações de cultivo no Havaí, totalizando mais de 8.000 acres, responsáveis por 90% das sementes de milho para ração que a empresa vende internacionalmente. Com custo médio de US$ 113,50 por acre, o investimento em milho supera US$ 900 mil apenas no insumo bruto, sem contar o valor no mercado internacional. A indústria do milho nos EUA gerou US$ 123 bilhões em receita somente em 2024.

    Diante do sucesso do primeiro projeto piloto no Havaí, a Bayer expandiu o uso do DroneDog para outras instalações nas ilhas e também na Califórnia.

    Crise alimentar como pano de fundo

    A adoção de robôs militarizados para proteger colheitas comerciais acontece num momento em que o sistema alimentar global enfrenta pressões sem precedentes recentes. A insegurança alimentar aguda e a desnutrição infantil aumentaram pelo sexto ano consecutivo em 2024, segundo o Relatório Global sobre Crises Alimentares 2025, elaborado com participação de FAO, WFP, Unicef, IFAD, Banco Mundial e ACNUR. A insegurança alimentar moderada ou grave já alcança mais de 2 bilhões de pessoas, concentradas em países de baixa e média renda.

    O conflito entre EUA e Irã adicionou uma nova camada de risco ao sistema. Cerca de 30% das exportações mundiais de fertilizantes passam diariamente pelo Estreito de Hormuz. E a paralisação dessa rota cria pressões intensas sobre preços e custos logísticos que chegam ao consumidor final.

    A FAO alertou que os próximos meses podem trazer alta nos preços globais de alimentos, queda nas safras, expansão da insegurança alimentar e reflexos graves sobre economias frágeis que já enfrentam inflação e déficits orçamentários.

    Máximo Torero, economista-chefe da FAO, resumiu o problema em declaração recente: os agricultores enfrentam um duplo choque. Fertilizantes mais caros e aumento nos custos de combustível que afetam toda a cadeia agrícola, da irrigação ao transporte.

    O paradoxo em números

    De um lado, colheitas comerciais com vigilância robótica de ponta e câmeras termais do tipo usado em drones militares. Do outro, a FAO e o WFP alertam que a janela para evitar que milhões de pessoas caiam em insegurança alimentar aguda “está se fechando rapidamente”, com 16 regiões do mundo em risco de emergências humanitárias de grande escala.

    O contraste não é apenas simbólico. Ele revela onde o capital e a tecnologia fluem quando a pressão sobre o sistema alimentar aumenta. Não para ampliar o acesso à comida, mas para proteger o valor das colheitas já existentes.

  • Nova biotecnologia promete redefinir o manejo da soja no Brasil

    Nova biotecnologia promete redefinir o manejo da soja no Brasil

    Uma nova biotecnologia na soja foi apresentada durante a 26ª Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque (RS). A inovação amplia a proteção contra lagartas e aumenta as opções de manejo de herbicidas. Ao mesmo tempo, busca elevar a produtividade e a sustentabilidade da cultura no Brasil.

    A tecnologia faz parte de uma nova geração de soluções para a agricultura tropical. Durante o evento, especialistas explicaram que o avanço combina genética, biotecnologia e novas estratégias de manejo. O objetivo é ajudar o produtor a enfrentar desafios cada vez mais complexos nas lavouras.

    A novidade integra a plataforma Intacta 5+, desenvolvida pela Bayer. Segundo a empresa, as primeiras variedades comerciais devem chegar ao mercado na safra 2027/28. No entanto, a liberação final ainda depende de aprovações regulatórias em países importadores de soja.

    Responsável pela apresentação da tecnologia, Mateus Benedeti afirmou que a evolução da biotecnologia acompanha a própria transformação da agricultura brasileira.

    “A história da biotecnologia na soja também é uma história de protagonismo do produtor brasileiro. Desde o início, o agricultor buscou tecnologias que permitissem produzir mais e com maior eficiência”, destacou.

    Nas últimas décadas, a adoção dessas tecnologias ajudou o Brasil a ampliar sua produtividade agrícola. Como resultado, o país se consolidou entre os maiores produtores e exportadores de soja do mundo.

    Proteção ampliada contra pragas e plantas daninhas

    A nova biotecnologia na soja incorpora cinco proteínas voltadas ao controle de lagartas que atacam a cultura. Dessa forma, o sistema amplia o espectro de proteção e fortalece o manejo integrado de pragas.

    Entre os principais alvos está a Elasmopalpus lignosellus, conhecida como elasmo. Essa lagarta ataca a planta ainda nas fases iniciais do desenvolvimento. Quando o ataque ocorre nesse estágio, a lavoura pode perder plantas inteiras e comprometer o potencial produtivo.

    Além da proteção contra insetos, a tecnologia permite tolerância a cinco herbicidas diferentes. Entre eles estão mesotriona, dicamba, glifosato, glufosinato e 2,4-D.

    Mateus Benedeti – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Na prática, essa combinação amplia as estratégias de controle de plantas daninhas. O produtor pode utilizar diferentes protocolos de manejo durante o ciclo da cultura. Assim, adapta o controle às condições de cada região produtora.

    Outro benefício está na preservação da eficiência da tecnologia ao longo do tempo. Quando o agricultor alterna mecanismos de ação, reduz a pressão de seleção sobre pragas e plantas daninhas.

    Integração entre genética e biotecnologia

    Outro destaque apresentado durante o lançamento foi o processo YieldBoost™. A metodologia foi desenvolvida no Brasil e busca acelerar a integração entre biotecnologia e genética das plantas.

    O sistema permite testar um número maior de materiais em campo. Com isso, os pesquisadores conseguem avaliar mais combinações genéticas em menos tempo.

    Segundo a empresa, o método permite analisar até 15 vezes mais materiais do que os processos tradicionais de melhoramento. Dessa forma, o desenvolvimento de novas variedades ocorre com maior velocidade e precisão.

    A estratégia também prioriza materiais adaptados às condições da agricultura tropical. Como resultado, as variedades tendem a apresentar maior estabilidade produtiva nas diferentes regiões do país.

    Caminho até o lançamento comercial

    A nova biotecnologia já recebeu aprovação regulatória no Brasil. Ainda assim, sua comercialização depende da autorização de mercados internacionais que importam soja brasileira.

    Por isso, os próximos anos serão dedicados à realização de testes em campo com produtores parceiros. Essas áreas permitirão avaliar o desempenho das variedades em diferentes ambientes produtivos.

    A expectativa é que, no momento do lançamento comercial, o mercado já conte com diversas variedades adaptadas às principais regiões produtoras.

    Para o setor agrícola, a chegada de novas biotecnologias representa um passo importante para o avanço da produtividade. Ao mesmo tempo, essas soluções ajudam o produtor a enfrentar desafios cada vez mais complexos no campo.

    Assim, a evolução da biotecnologia na soja continua a desempenhar um papel central no fortalecimento da agricultura brasileira.

  • Bayer fecha acordo bilionário sobre Roundup: o que muda para o agro

    Bayer fecha acordo bilionário sobre Roundup: o que muda para o agro

    A Bayer, por meio de sua controlada Monsanto, anunciou um acordo coletivo de até US$ 7,25 bilhões (cerca de R$ 38 bilhões) para resolver dezenas de milhares de processos nos Estados Unidos que acusam o herbicida Roundup de causar linfoma não Hodgkin em usuários. O pacote ainda precisa ser aprovado por um tribunal em St. Louis, Missouri. E foi apresentado como uma tentativa de “virar a página” após anos de litígios que afetaram fortemente o valor de mercado da companhia.

    Segundo a proposta, a indenização cobriria tanto casos atuais quanto futuras reivindicações de pessoas que tenham utilizado o produto até uma data de corte em 2026. Criando um fundo com pagamentos anuais decrescentes por até 21 anos. A Bayer afirma que o acordo busca dar previsibilidade financeira ao grupo. Além de reduzir a incerteza jurídica que paira sobre o negócio de glifosato nos EUA.

    Como funciona o acordo coletivo do Roundup

    O acordo foi estruturado como um programa nacional de compensação para usuários de Roundup diagnosticados com linfoma não Hodgkin. Sobretudo aplicadores residenciais, jardineiros, trabalhadores de manutenção e agricultores. A proposta prevê tabelas de pagamento com faixas de valores baseadas em critérios como tipo de câncer, idade, tempo de uso e intensidade de exposição ao herbicida.

    Os participantes poderão aderir ao programa ou optar por ficar de fora e seguir com ações individuais, preservando a possibilidade de buscar veredictos de júri em tribunais estaduais. A Bayer já havia fechado, em anos anteriores, acordos que somam cerca de US$ 11 bilhões para resolver aproximadamente 100 mil ações. E agora tenta encerrar um novo bloco de cerca de 67 mil processos pendentes com esse pacote de US$ 7,25 bilhões.

    Roundup, glifosato e a controvérsia sobre câncer

    O Roundup é um herbicida à base de glifosato, substância que se tornou pilar no manejo de plantas daninhas em sistemas com soja, milho e algodão tolerantes ao produto, além de ser amplamente usado em áreas não agrícolas. Em 2015, a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), vinculada à OMS, classificou o glifosato como “provavelmente carcinogênico para humanos” (grupo 2A), destacando evidências limitadas em humanos e suficientes em animais.

    Essa avaliação foi um gatilho importante para a onda de processos nos EUA, que acusam a Monsanto de falha em alertar adequadamente consumidores e trabalhadores sobre o possível risco de câncer. Por outro lado, agências reguladoras como a EPA, nos Estados Unidos, têm mantido a posição de que o uso de glifosato dentro das recomendações de rótulo não apresenta risco inaceitável à saúde. Portanto, criando um contraste entre avaliações de risco regulatórias e estudos independentes citados nos tribunais.

    Impactos para o agro: riscos, custos e oferta de glifosato

    Para a agricultura, o acordo não significa, ao menos por enquanto, o fim do Roundup ou do glifosato. Mas sinaliza que o risco jurídico dessa molécula passou a ser um fator estratégico no planejamento de médio e longo prazo. A Bayer já retirou o glifosato das formulações de Roundup para o mercado residencial nos EUA a partir de 2023, substituindo por outros ingredientes, em uma decisão explicitamente motivada por gestão de risco jurídico, não por nova evidência de segurança.

    No segmento agrícola, porém, o glifosato continua sendo uma das principais ferramentas de controle de plantas daninhas. E é peça-chave em sistemas de plantio direto e agricultura conservacionista. Analistas alertam que qualquer movimento da Bayer de reduzir a produção de glifosato poderia retirar até cerca de 40% da capacidade global. Assim, pressionando a oferta, aumentando a dependência de fabricantes asiáticos e elevando custos para produtores.

    O que o produtor brasileiro deve observar

    No Brasil, o glifosato segue autorizado, com regras específicas de registro, limites máximos de resíduos e classificações toxicológicas definidas por Anvisa e demais órgãos reguladores. Dados recentes mostram que produtos à base de glifosato continuam entre os defensivos com novas autorizações de registro. Inclusive em formulações de diferentes sais e marcas genéricas, reforçando a importância econômica do ingrediente para o agro brasileiro.

    Apesar de o acordo da Bayer estar focado no mercado dos EUA, ele tende a alimentar o debate global sobre segurança de herbicidas, transparência em rotulagem e responsabilidade das empresas no gerenciamento de risco. Para o produtor, pontos de atenção incluem:

    • acompanhar mudanças regulatórias,
    • diversificar estratégias de manejo de plantas daninhas (para reduzir dependência de uma única molécula),
    • cobrar clareza de informações de risco dos fornecedores
    • se atentar ao uso correto de EPIs e às recomendações de bula.
  • Bayer mira eficiência e segurança contra plantas daninhas

    Bayer mira eficiência e segurança contra plantas daninhas

    Durante a 38ª Show Rural Coopavel, em Cascavel (PR), a Bayer apresentou ao produtor rural brasileiro novas soluções em proteção de cultivos, sementes, biotecnologia e agricultura digital. As novidades foram detalhadas em uma roda de conversa com a imprensa, reforçando como a inovação tem papel decisivo no enfrentamento dos desafios do campo, especialmente no controle de plantas daninhas e doenças que afetam a produtividade da soja e do milho.

    Com o tema “A inovação que transforma o campo e traz resultados”, o encontro reuniu Rodrigo Nuernberg, líder da Unidade de Negócios Centro-Sul para Proteção de Cultivos da Bayer Brasil; Celso Batistella, diretor de Experiência do Cliente; e o produtor rural Rodolfo Camargo Pinto Filho, da Fazenda Gralha Azul, na região de Cascavel.

    Logo no início do debate, uma constatação foi unânime: quando o assunto é dificuldade na lavoura, as plantas daninhas seguem como a principal preocupação do produtor. “Se você perguntar para dez agricultores quais são os maiores problemas hoje, os dez vão responder que as plantas daninhas são prioridade no manejo da cultura”, afirmou Nuernberg.

    Plantas daninhas e doenças exigem manejo preciso

    Na rotina do campo, o desafio vai além do controle pontual. Segundo o produtor Rodolfo Camargo Pinto Filho, o sucesso da lavoura depende de planejamento e de um manejo bem estruturado, feito no tempo certo. “Manejo é muito importante. É preciso se programar muito bem para não perder o ‘time’. Doenças como o mofo-branco, por exemplo, preocupam bastante”, relatou.

    De acordo com ele, algumas doenças deixam uma espécie de “herança” no solo, comprometendo não apenas uma safra, mas também as seguintes. “Se não houver um manejo robusto, o problema se estende por vários anos, o que impacta diretamente a rentabilidade da propriedade”, alertou o produtor.

    Entre as principais plantas daninhas citadas estão a buva e o caruru, que afetam tanto a soja quanto o milho. No caso do milho, o uso de herbicidas pré-emergentes e pós-emergentes contribui não apenas para aquela cultura, mas também para o equilíbrio do sistema produtivo nas safras seguintes.

    A evolução da soja muda o jogo no campo

    Outro ponto destacado durante a conversa foi a própria evolução da soja ao longo dos anos. Para Rodolfo, a busca por altas produtividades trouxe novos desafios. “Hoje, a soja é como um bebê. Para ser produtiva, ela acabou ficando um pouco mais frágil. Por isso, o manejo de plantas daninhas e de doenças precisa ser muito mais robusto”, explicou.

    Segundo o produtor, uma lavoura pressionada por mato ou doenças não responde bem aos estímulos produtivos. “Ela não vai entregar resultado se estiver morrendo ou doente. O desafio é produzir mais com menos, e isso só acontece com manejo bem feito”, completou.

    Inovação como aliada do produtor

    Para apoiar o agricultor nesse cenário cada vez mais complexo, a Bayer mantém investimentos globais de cerca de 2,6 bilhões de euros por ano em Pesquisa e Desenvolvimento. No Brasil, a companhia prevê o lançamento de mais de 20 novas formulações até 2030.

    “O Brasil é um país continental, com regiões muito diferentes entre si e, em muitos casos, até três safras por ano. Isso exige soluções específicas e proximidade com o produtor para entender a realidade de cada área”, destacou Nuernberg.

    Entre as novidades apresentadas no evento está o Xtendimax 2, uma evolução da tecnologia à base de dicamba, indicada para aplicação em pós-emergência nas culturas de soja e algodão. A nova geração reduz significativamente os riscos de volatilidade e deriva, aumentando a segurança no manejo de plantas daninhas de folhas largas, como buva e caruru. O produto estará disponível para a safra 2026/2027.

    Outro destaque é o Convintro Duo, herbicida pré-emergente que combina um ativo inédito no Brasil, o diflufenicam, com o metribuzim, ampliando o espectro de controle logo no início do ciclo das plantas daninhas.

    Tecnologia, dados e sustentabilidade

    Além da proteção de cultivos, a Bayer reforçou sua estratégia em agricultura digital, com ferramentas que auxiliam o produtor na tomada de decisão, escolha de sementes e manejo por talhão. Programas como o Bayer Valora Milho e a plataforma Climate FieldView têm ajudado agricultores a ganhar produtividade com uso mais eficiente de insumos.

    No campo da sustentabilidade, o PRO Carbono se consolida como a maior plataforma de agricultura regenerativa da América Latina, reunindo mais de 3 milhões de hectares e 3 mil produtores. Nas áreas participantes, a adoção de práticas regenerativas resultou em aumento médio de 11% na produtividade anual e redução significativa da pegada de carbono.

    Ao combinar inovação, planejamento e manejo integrado, a Bayer reforça sua proposta de estar ao lado do produtor rural brasileiro. Em um cenário de margens apertadas e desafios crescentes, acertar o manejo no tempo certo segue sendo decisivo para garantir produtividade hoje e sustentabilidade nas próximas safras.