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  • Ranking global mostra disputa acirrada no setor de defensivos agrícolas

    Ranking global mostra disputa acirrada no setor de defensivos agrícolas

    Um levantamento inédito comparou as 20 maiores empresas de Crop Protection do mundo por receita em 2025, isolando o faturamento específico de proteção de cultivos de negócios como sementes, traits, nutrição e distribuição. A pesquisa é assinada por Rafael Gomes, consultor de Portfólio Agroquímico e especialista em mercado, suprimentos e posicionamento técnico, e foi publicada originalmente em seu perfil no LinkedIn.

    A Syngenta lidera o ranking com US$ 13,7 bilhões em receita de Crop Protection em 2025, separados do negócio de sementes da companhia. A Bayer aparece em segundo lugar, com aproximadamente US$ 10,78 bilhões, seguida pela BASF, com US$ 8,54 bilhões, e pela Corteva Agriscience, com US$ 7,50 bilhões. As quatro empresas formam o que Gomes chama de “maior bloco global” do setor.

    Por que comparar essas empresas não é simples

    Segundo Gomes, montar o ranking “parece simples até começar a abrir os números”. As companhias não seguem o mesmo padrão de divulgação. Algumas misturam defensivos com sementes e traits, outras incluem intermediários, nutrição, veterinária, distribuição ou negócios industriais no mesmo balanço. Há ainda empresas de capital fechado e exercícios fiscais distintos entre países.

    Para viabilizar a comparação, o consultor não utilizou a receita agrícola consolidada de cada grupo. Ele aplicou como régua a receita atribuível especificamente à proteção de cultivos e agroquímicos, excluindo negócios não comparáveis, e converteu todos os valores para dólar pelas taxas médias de 2025.

    O critério exigiu ajustes específicos para cada companhia. No caso da Bayer, por exemplo, Gomes separou dos €21,622 bilhões da divisão Crop Science apenas herbicidas (€5,279 bilhões), fungicidas (€2,888 bilhões) e inseticidas (€1,369 bilhões), totalizando €9,536 bilhões, cerca de US$ 10,78 bilhões, e deixou sementes e traits de fora da conta. A BASF passou por processo semelhante: dos €7,561 bilhões somados em fungicidas, herbicidas, inseticidas e tratamento de sementes, o consultor excluiu os €2,026 bilhões da divisão de Sementes e Traits.

    Já a ADAMA teve os US$ 321 milhões de Intermediates & Ingredients removidos do cálculo, restando US$ 3,73 bilhões estritamente em Crop Protection. No caso da UPL, Gomes considerou apenas a UPL Corp, plataforma global de proteção de cultivos do grupo, sem incluir os demais negócios agrícolas da companhia. Já a Sumitomo Chemical entrou no ranking pela abertura específica de Crop Protection Products, equivalente a ¥403,1 bilhões, cerca de US$ 2,69 bilhões.

    As posições mais disputadas e as ressalvas do ranking

    A partir da 9ª colocação, a comparação passou a exigir ainda mais cuidado metodológico. A Albaugh, na 9ª posição, aparece com asterisco por ser uma empresa privada. Sua colocação é uma estimativa baseada em vendas declaradas acima de US$ 2 bilhões e em referências de mercado, já que a companhia não divulga balanços públicos completos. A Sino-Agri Leading, na 13ª posição, recebeu observação própria pelo peso relevante que a distribuição tem em seu modelo de negócio.

    Entre as empresas chinesas, o desafio metodológico foi ainda maior. Gomes precisou separar technical, formulações, intermediários, distribuição e outros negócios químicos dentro de cada grupo. Usar a receita consolidada de companhias como Wynca e Xingfa, por exemplo, elevaria artificialmente suas posições no ranking.

    O avanço chinês entre a 10ª e a 20ª posição

    O dado mais expressivo do levantamento aparece na segunda metade da lista. Nove grupos chineses já ocupam posições entre a 10ª e a 20ª colocação do ranking global. Fazem parte dessa lista Nufarm (Austrália, 11ª), Yangnong Chemical (12ª), Sino-Agri Leading (13ª), Liben Crop Science (14ª), Fuhua Tongda (15ª), Lier Chemical (16ª), Wynca (17ª), Jiangsu Sevencontinent Green Chemical (18ª) e Xingfa (20ª), além da Rainbow Agro, que já figura na 10ª posição com US$ 2,13 bilhões.

    Segundo dados da CCPIA (associação chinesa do setor) citados no levantamento, ADAMA, Rainbow, Yangnong, Sino-Agri e Liben estão entre as cinco empresas chinesas com vendas de pesticidas acima de RMB 10 bilhões em 2025.

    Para Gomes, o movimento reflete uma mudança estrutural no setor. As companhias chinesas avançam “não apenas na fabricação de technical, mas também em formulações, registros, estruturas comerciais e presença internacional”. Ou seja, deixam de atuar apenas como fornecedoras de insumos básicos e passam a competir diretamente em mercados finais.

    Um ranking analítico, não uma comparação contábil auditada

    O próprio autor faz uma ressalva importante sobre a robustez das posições mais próximas entre si. Segundo Gomes, câmbio, período fiscal e escopo de receita podem alterar a ordem das empresas. Especialmente na faixa entre a 20ª e a 22ª posição, onde os faturamentos ficam muito próximos e a colocação pode mudar conforme o critério aplicado.

    Por isso, o consultor recomenda que o levantamento seja lido como um ranking analítico, construído com a melhor informação pública disponível, e não como uma comparação contábil auditada. As fontes utilizadas incluem relatórios anuais e financeiros, apresentações a investidores, divulgações corporativas, além de dados da CCPIA, AgroPages, CCM e S&P Global.

    Veja o ranking completo

    Infográfico crop protection
    Infográfico: Rafael Gomes
  • Congresso Andav bate recorde e reúne 18 mil pessoas em São Paulo

    Congresso Andav bate recorde e reúne 18 mil pessoas em São Paulo

    O 15º Congresso Andav encerrou nesta semana em São Paulo com números que confirmam o crescimento do evento. Ao longo de três dias, mais de 18 mil pessoas circularam pelo espaço, entre distribuidores de insumos agropecuários, representantes da indústria, especialistas e lideranças de diferentes elos da cadeia produtiva. Mais de 260 marcas expositoras participaram da edição, que também trouxe debates estratégicos sobre os rumos do agronegócio brasileiro.

    Vivian Lima, sócia e CEO da Zest Eventos, e Marcos Chaves, presidente do Conselho Diretor da Andav. Foto: FD Fotografia

    Para Vivian Lima, sócia e CEO da Zest Eventos, empresa que organiza o Congresso, os números comprovam a relevância crescente do encontro para o mercado. “O Congresso Andav é um evento que está crescendo. E isso só acontece graças aos profissionais do agronegócio, que estão aqui para trocar informações, adquirir conhecimento e fazer negócios”, afirmou a executiva.

    Empresas já garantem presença na edição de 2027

    A confiança do setor no evento já aparece nos números da próxima edição. O Congresso Andav 2027 acontecerá entre os dias 3 e 5 de agosto e, antes mesmo do encerramento da edição atual, 71% das empresas expositoras já haviam renovado a participação. Um resultado que superou a meta inicial de 70% estabelecida pela organização.

    “Isso mostra a confiança da indústria e das empresas da cadeia no Congresso Andav como palco de networking e geração de negócios”, destacou Vivian Lima.

    Programação aprofunda temas estratégicos para o setor

    Além da área de exposição e relacionamento, a plenária do Congresso reuniu especialistas para discutir temas que impactam diretamente a competitividade do agronegócio. A programação percorreu cenários econômicos, perspectivas para o setor, gestão, liderança, inovação, sustentabilidade, reforma tributária e novas tecnologias.

    O presidente do Conselho Diretor da Andav, Marcos Chaves, avaliou os três dias de evento. E destacou a diversidade dos assuntos discutidos. “Debatemos os cenários da agroeconomia e do futuro do setor, além de aprofundarmos temas como gestão, liderança e as tendências apresentadas por diversos especialistas para fortalecer o agronegócio brasileiro”, disse.

    Paulo Tiburcio, presidente executivo da Andav. Foto: FD Fotografia

    Já o presidente executivo da Andav, Paulo Tiburcio, ressaltou que a proximidade com o produtor rural representa um dos grandes diferenciais da distribuição. E que o relacionamento continua sendo fundamental para o setor. O executivo agradeceu o público presente durante os três dias de evento e reforçou a importância de equilibrar pragmatismo e visão de futuro no setor.

    Indústria avalia resultados positivos no relacionamento com revendas

    Representantes de grandes empresas do setor também comentaram os resultados da edição. Anderson Parra, gerente de acesso a revendas da BASF Soluções para Agricultura, considerou a exposição imprescindível para a companhia construir relacionamento com parceiros, fornecedores e clientes.

    Jeferson Oliveira, líder de distribuição da Bayer, destacou a capilaridade dos distribuidores como elemento fundamental para levar as tecnologias da companhia às diferentes regiões produtoras do país.

    Haroldo Yamanaka, diretor estratégico da GIROAgro e da Vivabio, apontou a proximidade com a rede de distribuição como um dos principais objetivos da participação das empresas no evento. “A importância de estarmos aqui próximo da distribuição do Brasil, entendendo o momento e os desafios dos clientes é uma oportunidade de relacionamento”, afirmou.

    Roberto Dib, diretor de marketing de clientes da Syngenta no Brasil, reafirmou a parceria da companhia com a distribuição de insumos agropecuários e classificou o evento como um ambiente propício para discutir desafios e oportunidades do setor.

    Negócios

    Oziel Ferreira, CEO do Grupo Ceres Investimentos, avaliou que as conversas ganharam qualidade e avançaram do ponto de vista dos negócios nesta edição. “O cliente vem, senta com a gente, mostra a situação e onde está a dor, e desenhamos uma estrutura para poder ajudá-lo”, explicou.

    Juliana Oliveira, head de Marketing e Comunicação da Ecoagro, descreveu o Congresso Andav como um espaço estratégico para a empresa se aproximar da cadeia de distribuição. E desenvolver soluções financeiras alinhadas às necessidades do setor.

    Brunna Santos, gerente de marketing da Aliare, classificou o evento como fundamental no calendário de oportunidades e negócios da companhia, funcionando como ponto de encontro com clientes, revendas e prospects.

    Carlos Baptista, diretor comercial da Biotrop, comentou o avanço da agricultura regenerativa e o papel estratégico que os distribuidores exercem para that as tecnologias biológicas ganhem espaço no campo, reforçando a importância da parceria com as revendas para os negócios da empresa.

    Eletrificação e etanol fecham a programação

    A mobilidade sustentável também ocupou espaço no último dia de evento. Na palestra de encerramento, o vice-presidente sênior e head de Comercial e Marketing da BYD, Alexandre Baldy, apresentou o potencial brasileiro para combinar eletrificação e biocombustíveis na construção de uma matriz de transporte de baixo carbono.

    Segundo o executivo, a diversidade de fontes renováveis do país,que inclui energia solar, eólica e hidrelétrica, além de etanol, biodiesel e biometano,coloca o Brasil em posição diferenciada na transição energética global.

    Baldy citou a tecnologia híbrida plug-in como uma das rotas de convergência entre eletrificação e etanol. E com potencial de expansão não apenas no Brasil, mas também em outros países com forte presença do biocombustível, como a Índia.

    “Temos uma matriz diversa de fontes renováveis. Podemos eletrificar valorizando o etanol, que é ativo estratégico competitivo para o futuro”, afirmou o executivo.

  • Hortitec traz novidades contra pragas e viroses do tomate

    Hortitec traz novidades contra pragas e viroses do tomate

    A BASF Soluções para Agricultura aproveitou a Hortitec 2026, realizada entre os dias 17 e 19 de junho, em Holambra (SP), para apresentar novas tecnologias voltadas ao cultivo de tomate. As soluções reúnem sementes, proteção de cultivos, biológicos, agricultura digital e ferramentas financeiras. O objetivo é ajudar os produtores a aumentar a produtividade e melhorar a rentabilidade das lavouras.

    O sistema produtivo de hortifrúti está entre as prioridades da empresa no Brasil. Além disso, a companhia mantém investimentos em culturas como soja, milho, algodão e arroz. Globalmente, a BASF investe cerca de 1 bilhão de euros por ano em pesquisa e desenvolvimento. No Brasil, estão previstos aproximadamente 30 lançamentos até 2035, incluindo novas moléculas, formulações, traits, sementes e ferramentas digitais.

    Entre as novidades apresentadas na feira, o destaque foi a ampliação do uso do inseticida Efficon para a cultura do tomate.O produto atua desde o início do ciclo da planta. Além disso, conta com o chamado “Efeito Freeze”, tecnologia que paralisa imediatamente os insetos. Dessa forma, interrompe o desenvolvimento das pragas e reduz a transmissão de doenças.

    Por sua vez, outra solução apresentada foi o Vinquo. O inseticida é desenvolvido a partir da molécula Inscalis e indicado para o controle de insetos sugadores. Entre eles estão a mosca-branca no tomate e o pulgão-verde na batata. Já o fungicida Mibelya utiliza a molécula Revysol. O produto auxilia no controle de doenças como o oídio e a septoriose no tomate. Também é indicado para o manejo da pinta-preta na batata.

    Genética e resistência no campo

    Além das soluções para proteção de cultivos, a marca Nunhems, divisão de sementes de frutas e hortaliças da BASF, também apresentou novidades durante a Hortitec. O portfólio é voltado ao aumento da produtividade e ao fortalecimento da resistência das plantas diante dos principais desafios fitossanitários.

    Nesse contexto, entre os destaques está o híbrido de tomate Strongton. A variedade combina alta produtividade com resistência a viroses transmitidas pela mosca-branca e pelos tripes. Além disso, oferece resistência ao vírus rugoso do tomate (ToBRFV).

    Já entre as soluções para enxertia, a empresa apresentou o porta-enxerto Enholder. A solução contribui para aumentar o vigor das plantas e melhorar a estabilidade produtiva. Da mesma forma, favorece o desempenho das lavouras em áreas com pressão de doenças de solo, nematoides e estresse hídrico.

    Segundo Golmar Beppler Neto, gerente de Vendas da BASF Brasil para a Nunhems, a feira representa uma oportunidade importante de aproximação com os produtores.

    “A Hortitec é um momento único para nós. É a maior feira da América Latina e a oportunidade de conectar as nossas soluções com os produtores, mostrando os benefícios que conseguimos trazer para toda a cadeia. Neste ano, trouxemos soluções voltadas ao tomate como principal mote do evento, com destaque para o Strongton, um híbrido que oferece mais segurança ao produtor”, afirmou.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Inovação para enfrentar os desafios da produção

    Por outro lado, para Katty Caroline Corrente, líder do sistema produtivo de hortifrúti, cana-de-açúcar e café da BASF Soluções para Agricultura, a Hortitec também é um momento estratégico para ouvir os agricultores.

    “A Hortitec é a feira mais importante da América Latina para o setor de horticultura. É um momento muito importante para reunir os horticultores, apresentar lançamentos, conversar com clientes e entender um pouco mais as dores que eles sentem no campo”, destacou.

    Além disso, de acordo com a executiva, este é o terceiro ano consecutivo em que a empresa leva inovações para a feira.

    “Estamos trazendo mais uma inovação, que é o Efficon para o manejo de pragas sugadoras. As inovações vêm justamente para ajudar o produtor a enfrentar os desafios do campo”, explicou.

    Por fim, Katty comentou o cenário econômico enfrentado pelos produtores de tomate e batata. Segundo ela, os preços das duas culturas passaram por um período de forte pressão ao longo deste ano. No entanto, o mercado já apresenta sinais de recuperação. Ainda assim, os produtores seguem atentos aos custos de produção.

    “Vivemos um momento muito difícil em termos de preço, com valores mais baixos para tomate e batata. Agora observamos uma ligeira recuperação. O produtor não pode deixar de investir em inovação, mas precisa ter resultados. Por isso, a BASF trabalha com soluções integradas que melhoram a produtividade e oferecem custo-benefício, permitindo que ele enxergue valor no manejo mesmo em períodos de baixa”, concluiu.

  • Aquisição da AgBiTech amplia portfólio biológico da BASF

    Aquisição da AgBiTech amplia portfólio biológico da BASF

    A BASF Soluções para Agricultura finalizou, em 31 de março, a aquisição da AgBiTech, multinacional especializada em soluções biológicas para o controle de pragas. A conclusão do negócio ocorreu após a aprovação de todas as instâncias regulatórias, incluindo o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) no Brasil e outras autoridades internacionais. O fechamento consolida o acordo firmado entre a BASF, o fundo de investimento Paine Schwartz Partners e demais acionistas em janeiro deste ano.

    A compra consolida um movimento estratégico da BASF para acelerar o crescimento e a adoção de tecnologias biológicas em escala global. Com destaque para o mercado brasileiro, um dos mais dinâmicos do mundo nesse segmento.

    Segundo a CropLife Brasil, a área tratada com bioinsumos no país aumentou mais de 28% em 2025, alcançando 194 milhões de hectares. O crescimento reforça o papel da AgBiTech, que construiu sólida presença no Brasil com soluções voltadas ao manejo biológico de pragas.

    “A aquisição da AgBiTech fortalece nossa posição em um mercado altamente atraente e complementa nosso portfólio com tecnologias biológicas inovadoras. Estamos confiantes de que essa integração trará valor aos agricultores e ampliará nossa atuação global”, destacou Livio Tedeschi, presidente global da BASF Soluções para Agricultura.

    História

    Fundada em 2000 em Fort Worth, Texas (EUA), a AgBiTech é pioneira no uso da tecnologia de Nucleopoliedrovírus (NPV), que utiliza vírus naturais para controlar lagartas em soja, milho e algodão. O portfólio e a expertise da empresa passam agora a integrar as soluções oferecidas pela BASF para o manejo sustentável de cultivos.

    Para Adriano Vilas-Boas, CEO da AgBiTech, a incorporação à BASF representa “um passo decisivo” para tornar o controle biológico mais acessível aos produtores em todo o mundo. “O alcance global e a estrutura de pesquisa da BASF ajudarão a potencializar o impacto de nossas tecnologias”, afirmou.

    Na visão de Sergi Vizoso, vice-presidente sênior da BASF Soluções para Agricultura na América Latina, o movimento reforça o compromisso da companhia com a sustentabilidade e a inovação. “Seguimos empenhados em apoiar os produtores na busca por lavouras mais produtivas e resilientes, oferecendo soluções que olham para todo o sistema produtivo”, explicou.

    Já Marcelo Batistela, vice-presidente da BASF Soluções para Agricultura no Brasil, destacou a relevância da operação para o país. “O Brasil lidera a adoção de novas tecnologias para o manejo integrado de pragas, e a incorporação da AgBiTech amplia nosso alcance nesse processo”, afirmou.

  • BASF reforça portfólio biológico com aquisição da AgBiTech

    BASF reforça portfólio biológico com aquisição da AgBiTech

    A BASF Soluções para Agricultura anunciou a aquisição da AgBiTech, empresa norte-americana especializada em controle biológico de pragas. O acordo com a firma de private equity Paine Schwartz Partners e outros acionistas prevê que a BASF assuma a propriedade total da companhia, incluindo portfólio, patentes, unidades de fabricação e centros de pesquisa e desenvolvimento.

    A conclusão do negócio está prevista para o primeiro semestre de 2026, ainda sujeita à aprovação das autoridades regulatórias. Os valores e termos financeiros do acordo não foram divulgados.

    Fundada em 2000, com sede em Fort Worth (Texas, EUA), a AgBiTech desenvolve soluções baseadas na tecnologia de Nucleopoliedrovírus (NPV),vírus naturais usados para o controle de insetos que atacam culturas agrícolas. A empresa atua no Brasil, Estados Unidos e Austrália, atendendo produtores de soja, milho, algodão e outros cultivos.

    Segundo Livio Tedeschi, presidente global da BASF Soluções para Agricultura, a compra reforça o foco da companhia em práticas agrícolas sustentáveis e inovadoras. “A AgBiTech tem um histórico sólido no desenvolvimento de soluções eficientes para o manejo de pragas. Essa experiência complementa nosso portfólio de BioSoluções e reforça nossa estratégia de uma agricultura mais sustentável e holística”, destacou o executivo.

    Brasil e a integração

    O vice-presidente sênior de Marketing Estratégico e Sustentabilidade Global da BASF, Marko Grozdanovic, afirma que o Brasil será um dos principais beneficiados com a integração. “O país é um dos mercados que mais cresce em proteção biológica de cultivos. Essa aquisição fortalece nossa posição como fornecedor de soluções integradas e sustentáveis”, afirmou.

    Na mesma linha, Sergi Vizoso-Sansano, vice-presidente sênior da BASF Soluções para Agricultura na América Latina, ressaltou a importância da tecnologia da AgBiTech para o campo brasileiro. “Os produtores enfrentam grandes desafios com lagartas que afetam a produtividade. A tecnologia da AgBiTech representa uma solução adicional e eficaz para o controle dessas pragas”, disse.

    Com a aquisição, a BASF amplia seu portfólio de soluções biológicas e reforça sua presença no segmento de proteção sustentável de cultivos, especialmente no Brasil — um dos mercados mais promissores para o setor.

  • Cercospora avança e pode reduzir produtividade da soja

    Cercospora avança e pode reduzir produtividade da soja

    Antes considerada uma ameaça secundária, a cercospora vem ganhando destaque entre as doenças foliares que mais impactam a produtividade da soja no Brasil. A mudança no perfil das cultivares, agora mais compactas e produtivas, aumentou a vulnerabilidade das plantas à perda de folhas e, consequentemente, à queda no rendimento. Segundo dados da Embrapa, a doença pode reduzir em até 20% a produtividade da lavoura.

    De evolução silenciosa, a cercospora inicia seu ataque nas folhas inferiores da planta, formando manchas arroxeadas que muitas vezes passam despercebidas por se assemelharem ao envelhecimento natural ou à deficiência nutricional. Quando os sintomas se tornam visíveis, o dano já costuma estar consolidado.

    Nova arquitetura das plantas aumenta o risco

    Com o avanço das cultivares mais densas e de ciclo precoce, cada folha passou a ser determinante para o potencial produtivo. “No passado, a desfolha era tolerada. Hoje, cada folha importa. E perder área foliar para a cercospora significa perder sacas por hectare”, destaca Patrícia Guerra, gerente sênior de Marketing Cultivo e Portfólio Soja da BASF Soluções para Agricultura.

    A especialista ressalta que a atenção tardia ao manejo é um dos principais fatores que agravam as perdas. Muitos produtores priorizam o controle de doenças mais conhecidas, como a ferrugem asiática e a mancha-alvo, permitindo que a cercospora avance de forma discreta e contínua.

    Infecção pode começar nas sementes

    Pesquisas da Embrapa Soja revelam que até 16% das sementes aparentemente saudáveis já carregam o fungo causador da doença. Isso significa que muitas lavouras iniciam o ciclo com a infecção pré-existente, o que reduz o vigor e o potencial de germinação, além de afetar a qualidade do grão. As lesões comprometem a fotossíntese e o enchimento dos grãos, resultando em sementes menores, mais leves e com menor teor de proteína e óleo.

    Além dos impactos diretos na produtividade, a mancha púrpura associada à cercospora compromete a aparência dos grãos e aumenta o percentual de descarte. Um problema que afeta tanto a comercialização quanto o uso das sementes na safra seguinte.

    Manejo antecipado é fundamental

    Para conter o avanço da cercospora, especialistas recomendam estratégias de manejo integral, que incluem:

    • Utilização de sementes sadias e tratadas.
    • Rotação de culturas com gramíneas.
    • Aplicação antecipada e combinada de fungicidas de diferentes grupos químicos.

    “Combinar produtos e aplicá-los de forma eficiente no momento certo é essencial para manter o controle da doença e preservar o potencial produtivo”, orienta Ana Claudia Ruschel Mochko, da Fundação MS.

    O manejo preventivo e o acompanhamento técnico tornam-se, portanto, medidas indispensáveis para garantir a sanidade e o rendimento das lavouras de soja. Especialmente em um cenário de aumento de pressão de doenças e mudanças no comportamento das cultivares.

  • Dia Nacional das Abelhas: estudos comprovam viabilidade da integração entre apicultura e sojicultura

    Dia Nacional das Abelhas: estudos comprovam viabilidade da integração entre apicultura e sojicultura

    Celebrado em 3 de outubro, o Dia Nacional das Abelhas ganha relevância especial diante de descobertas que comprovam o papel estratégico desses polinizadores na agricultura brasileira. Pesquisas realizadas pela BASF Soluções para Agricultura em parceria com a Embrapa demonstram que a presença de abelhas nas lavouras de soja pode elevar a produtividade em até 13%, resultado que redefine a relação entre apicultura e agricultura no país.

    Reconhecidas como agentes fundamentais para o equilíbrio dos ecossistemas, as abelhas são responsáveis pela polinização de aproximadamente 90% das plantas com flores do planeta, segundo dados da Embrapa. Contudo, sua importância vai muito além da produção de mel, impactando diretamente os resultados das lavouras brasileiras.

    Soja e abelhas: uma parceria produtiva

    Embora a soja não seja tradicionalmente considerada uma planta melífera, o estudo conduzido pela BASF em parceria com a Embrapa e o Senar revelou dados surpreendentes sobre os benefícios da presença de abelhas nessa cultura. A pesquisa demonstra que a integração entre sojicultura e apicultura não apenas é viável, mas altamente vantajosa para ambos os setores.

    Desde 2022, a parceria entre BASF e Embrapa se dedica a investigar essa convivência em diferentes regiões do Brasil. Um dos principais resultados foi a validação de um protocolo de Boas Práticas Agrícolas e Apícolas. Ele  orienta tanto produtores rurais quanto apicultores sobre como maximizar os ganhos dessa integração.

    Cartilha gratuita orienta produtores

    Como resultado prático da pesquisa, foi desenvolvida a cartilha “Boas práticas para integração entre apicultura e sojicultura”, disponível gratuitamente para download. O material reúne orientações essenciais sobre comunicação entre produtores, manejo adequado de colmeias e horários corretos para aplicação de defensivos agrícolas, promovendo uma coexistência harmoniosa entre as atividades.

    O apicultor gaúcho Aldo Machado vivenciou na prática os benefícios dessa integração. Com seus apiários posicionados no meio e no entorno de plantações de soja, ele registrou resultados expressivos. “Tivemos apiários que produziram mais de 50kg apenas na soja, o dobro da média nacional. Além disso, é um mel de excelente qualidade, de difícil cristalização, aromático e claro. Um mel perfeito para consumo”, relata Machado.

    O apicultor destaca que o diálogo entre agricultores e apicultores, aliado ao manejo correto de defensivos, beneficia ambas as partes. “É um negócio perfeito. Este ano estou direcionando mais abelhas para a soja do que para o eucalipto”, revela.

    Projeto amplia impacto no Rio Grande do Sul

    A iniciativa “Agricultura para um futuro positivo com a natureza”, promovida pela BASF, representa outro avanço significativo. O projeto reúne instituições como Fundação Solidaridad, GeoApis, Wheatley Young Partners e TEH&CO para implementar práticas agrícolas que gerem benefícios ambientais e comunitários.

    Iniciado em janeiro de 2024, o projeto conta com a participação de 18 produtores e 19 apicultores nos municípios de Machadinho, Gaurama e Áurea, no Rio Grande do Sul. Os resultados do primeiro ano indicam correlação positiva entre a densidade de abelhas e o aumento da produtividade. Confirmando a contribuição dos polinizadores para a produção de soja.

    Entre os fatores de sucesso estão a comunicação eficaz entre os envolvidos e a adoção de práticas sustentáveis como plantio direto, tecnologias adequadas de aplicação de defensivos, cultivo consorciado, integração de produtos biológicos, manejo integrado de pragas e tratamento de sementes.

    Compromisso com a sustentabilidade

    Camila Leonelli, gerente sênior de Estratégia de Sustentabilidade da BASF Soluções para Agricultura, ressalta que as áreas estudadas apresentaram grande população e diversidade de espécies de abelhas, além de ganhos em produtividade e rentabilidade. “Isso demonstra que a coexistência entre sojicultura e apicultura é viável e positiva quando o manejo correto é realizado. A integração entre agricultura e apicultura gera ganhos concretos para a produção e para o meio ambiente”, afirma.

    Maurício do Carmo Fernandes, gerente de Stewardship e Sustentabilidade da BASF, reforça que produzir mais e com qualidade utilizando menos recursos é um dos pilares da sustentabilidade. “É essencial encontrar maneiras efetivas de conservar os polinizadores. Eles contribuem não apenas para a produtividade agrícola, mas também para o equilíbrio dos nossos ecossistemas naturais”, destaca.

  • Nova biotecnologia promete acabar com praga que devasta plantações no Brasil

    Nova biotecnologia promete acabar com praga que devasta plantações no Brasil

    Uma parceria estratégica entre três gigantes do agronegócio mundial promete revolucionar o cultivo de soja no Brasil. BASF, Corteva Agriscience e M.S. Technologies anunciaram um acordo para lançar, até o final desta década, a primeira combinação comercial de biotecnologias capaz de combater efetivamente os nematoides, pragas microscópicas responsáveis por bilhões em perdas na agricultura brasileira.

    A inovação consiste na combinação do trait NRS (resistência a nematoides) desenvolvido pela BASF com as tecnologias já consolidadas Enlist E3® e Conkesta E3®. Esta solução biotecnológica inédita no setor oferece proteção simultânea contra nematoides, plantas daninhas e insetos-praga.

    Eficácia comprovada em sete anos de testes

    O trait NRS demonstrou resultados impressionantes durante seu desenvolvimento. Em mais de 160 testes de campo realizados ao longo de sete anos, a tecnologia apresentou mais de 90% de controle dos nematoides das lesões radiculares (Pratylenchus brachyurus) e dos nematoides do cisto da soja (Heterodera glycines).

    “Este novo trait disruptivo representa uma mudança de paradigma no controle de nematoides”, explica Adolfo Vitorio Ulbrich, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento de Sementes da BASF Soluções para Agricultura na América Latina. “Pela primeira vez, os agricultores brasileiros terão uma ferramenta biotecnológica comercial para combater essas pragas microscópicas de difícil controle.”

    Foto: Divulgação Basf

     

    A parceria permite que a tecnologia NRS seja integrada aos sistemas já estabelecidos no mercado. A soja Enlist E3 oferece tolerância a três tipos de herbicidas (2,4-D sal colina, glifosato e glufosinato), proporcionando maior flexibilidade no manejo de plantas daninhas resistentes.

    Já a tecnologia Conkesta E3 incorpora duas proteínas Bt (Cry1F e Cry1Ac) específicas para o controle das principais lagartas que atacam a cultura da soja. Uma solução desenvolvida especialmente para as necessidades da América Latina.

    Impacto econômico significativo

    Os nematoides representam uma das principais ameaças à produtividade da soja brasileira, causando perdas substanciais que afetam diretamente a economia do agronegócio nacional. O Brasil é o maior produtor mundial de soja, e qualquer avanço tecnológico que melhore a produtividade tem impacto global.

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    “Combinar nossa genética Enlist E3 e Conkesta E3 com o trait NRS da BASF representa uma mudança radical na proteção de valor para os produtores de soja da América do Sul”, destaca Joe Merschman, presidente da M.S. Technologies.

    Cronograma e perspectivas futuras

    As empresas estimam que as variedades comerciais contendo a nova tecnologia estarão disponíveis para os agricultores brasileiros até o final desta década ou início da próxima, dependendo das aprovações regulatórias e conclusão dos testes de campo finais.

    Soja atacada por nematoide / Foto: divulgação – Embrapa

    Christian Pflug, diretor de Licenciamento da Corteva para o Brasil e Paraguai, demonstra otimismo com a parceria. “Esta colaboração oferece aos produtores brasileiros uma nova ferramenta essencial para a proteção contra duas das pragas mais desafiadoras da soja.”

    A expansão para outros países sul-americanos também está sendo considerada pelas empresas, sinalizando o potencial de transformação regional da agricultura através desta inovação biotecnológica.

    Os termos financeiros do acordo não foram divulgados pelas empresas envolvidas na parceria.

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  • BASF apresenta tomate com resistência inédita e melancia adaptada ao consumidor na Hortitec 2025

    BASF apresenta tomate com resistência inédita e melancia adaptada ao consumidor na Hortitec 2025

    A BASF Soluções para Agricultura marcou presença na 30ª edição da Hortitec, em Holambra (SP), com uma proposta clara: unir inovação genética à sustentabilidade e à inteligência de mercado. Representada pela Nunhems, sua divisão de sementes de hortaliças, a empresa apresentou o Strongton, novo híbrido de tomate com resistência a múltiplas viroses, e reforçou a campanha da melancia Pingo Doce, uma fruta de menor porte pensada para atender ao consumidor moderno e conectar todos os elos da cadeia produtiva.

    Segundo Golmar Beppler, gerente de vendas da marca, a Hortitec é o evento mais estratégico do ano para a BASF no segmento hortifrúti. “É o momento em que conseguimos reunir nossas soluções e escutar, diretamente do produtor, os principais desafios enfrentados no campo. E isso nos orienta no desenvolvimento de tecnologias cada vez mais adaptadas às necessidades reais da lavoura”, afirmou.

    Golmar Beppler, Gerente de Vendas da Nunhems, marca de sementes e hortaliças da BASF – Foto: Agro em Campo/ Pedro H. Lopes

    Strongton: resistência genética para um futuro imprevisível

    Entre os destaques da BASF na feira está o Strongton, híbrido de tomate com pacote genético completo de resistências — incluindo ao vírus do rugoso do tomateiro, patógeno que ainda não chegou ao Brasil, mas já preocupa produtores de países como Argentina, México, Turquia e Espanha. A variedade também conta com resistência ao vira-cabeça e aos Gemini vírus, protegendo a lavoura desde o início do ciclo.

    “A gente percebe que o clima está ficando cada vez mais imprevisível, e queremos oferecer mais segurança ao nosso cliente produtor”, destacou Golmar. Segundo ele, além da parte aérea da planta, a BASF também investe em porta-enxertos que conferem resistência radicular, ampliando a proteção contra doenças de solo — um ponto crucial para manter o vigor e a produtividade da lavoura.

    Pingo Doce conecta campo, varejo e consumidor final

    A Pingo Doce, melancia de casca escura, formato reduzido (de 6 a 8 kg) e poucas sementes comestíveis, é outro case de inovação da BASF, com foco em conveniência e alto valor de mercado. “É uma solução que parte do campo, mas pensa no consumidor. A cadeia inteira se beneficia: produtor, distribuidor e varejo”, explicou Beppler.

    Pingo Doce é melancia de casca escura, formato reduzido (de 6 a 8 kg) e poucas sementes comestíveis – Foto: Agro em Campo/ Pedro H. Lopes

    Com alto teor de BRIX — indicador de doçura — e excelente aceitação comercial, a melancia vem sendo promovida como uma alternativa rentável ao modelo tradicional, que priorizava frutos de até 20 kg. “A Pingo Doce representa um reposicionamento no mercado, valorizando o quilo da fruta e oferecendo algo mais prático para o consumidor urbano”, completou.

    Portfólio químico reforça manejo contra viroses e doenças

    Além das sementes, a BASF também apresentou soluções químicas para o controle de pragas e doenças em hortifrúti. O inseticida Vinquo, com ingrediente ativo Inscalis, atua no manejo de pragas sugadoras, como a mosca-branca no tomate e o pulgão-verde na batata, ajudando a interromper o ciclo de viroses nas lavouras.

    No controle de doenças fúngicas, os fungicidas Mibelya e Melyra, ambos formulados com Revysol, foram reforçados como tecnologias com absorção rápida e ação adaptativa contra mutações de fungos. As soluções atendem cultivos como tomate, batata e citros, ampliando o leque de estratégias para a proteção fitossanitária com foco em produtividade e sustentabilidade.

    A BASF também adiantou que novas tecnologias estão sendo testadas no campo, especialmente voltadas ao combate ao greening na citricultura, uma das maiores preocupações dos produtores atualmente.

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  • Lavoro firma acordo de recuperação extrajudicial de R$ 2,5 bilhões

    Lavoro firma acordo de recuperação extrajudicial de R$ 2,5 bilhões

    A Lavoro, uma das maiores distribuidoras de insumos agrícolas do Brasil, protocolou na Justiça de São Paulo um acordo de recuperação extrajudicial para reestruturar cerca de R$ 2,5 bilhões em dívidas comerciais com fornecedores estratégicos. Isso inclui os gigantes do setor como BASF, FMC Agrícola e UPL Brasil. O plano ocorre após meses de negociações entre várias partes. E tem como objetivo garantir o fornecimento de insumos para as próximas safras, em meio a um cenário de inadimplência crescente no agronegócio nacional.

    O acordo de recuperação extrajudicial esta previsto na Lei nº 11.101/2005. E permite que a empresa renegocie condições de pagamento diretamente com parte dos credores, com posterior homologação judicial. No caso da Lavoro, os credores participantes receberão 100% do valor devido em cinco parcelas semestrais, de outubro de 2025 a setembro de 2027. A medida abrange apenas a operação de varejo agrícola no Brasil e a subsidiária Perterra, deixando de fora outras unidades da companhia e credores financeiros.

    A Lavoro ainda negocia separadamente cerca de R$ 1 bilhão em dívidas financeiras, incluindo R$ 420 milhões em Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), além de débitos com bancos como Itaú Unibanco, Banco do Brasil e Citi. A empresa também busca obter waiver dos detentores dos CRAs para evitar inadimplência nesses títulos.

    Impactos e contexto do agronegócio

    A reestruturação ocorre em um momento de forte pressão financeira no setor agropecuário brasileiro. O agronegócio enfrenta alta inadimplência, queda nos preços das commodities e restrição de crédito, fatores que levaram a um aumento expressivo nos pedidos de recuperação judicial em 2024 e 2025. Empresas concorrentes, como Agrogalaxy e Portal Agro, também recorreram à recuperação judicial recentemente.

    A Lavoro, apoiada pelo Pátria Investimentos, já adotou medidas de ajuste operacional, reduzindo 30% de suas lojas e sinalizando possíveis novos cortes para alinhar tamanho e eficiência ao plano de reestruturação. No segundo trimestre fiscal de 2025, a receita da companhia caiu 27% em relação ao mesmo período do ano anterior, impactada pela escassez de estoque e cancelamento de reservas, o que também afetou a receita de defensivos agrícolas. O lucro bruto consolidado recuou 28% na mesma base de comparação.

    Segundo o CEO Ruy Cunha, a recuperação extrajudicial foi escolhida por ser o instrumento que traz mais segurança para todas as partes envolvidas. Além de garantir a continuidade das operações e mitigar os efeitos da escassez de produtos no mercado. A expectativa é que o acordo permita à Lavoro atravessar o período de turbulência financeira, mantendo o abastecimento do setor. E assim, evitar impactos mais severos na cadeia produtiva do agronegócio.

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