Tag: arroz

  • Mapa apreende 36 mil kg de arroz e feijão irregular

    Mapa apreende 36 mil kg de arroz e feijão irregular

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) realizou uma força-tarefa de fiscalização em estabelecimentos de beneficiamento e empacotamento de arroz, feijão e outros cereais no estado de São Paulo. A operação ocorreu por meio do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (Dipov), ligado à Secretaria de Defesa Agropecuária.

    arroz irregular em um galpão com profissional do MAPA
    Mapa realiza força-tarefa e identifica irregularidades em arroz e feijão no estado de São Paulo.

    As equipes atuaram nos municípios de Itu, Sorocaba, Campinas, Rio Claro, Cerquilho e Elias Fausto. Os fiscais verificaram a qualidade dos produtos, a rastreabilidade e o cumprimento das normas previstas na legislação brasileira.

    Durante a operação, auditores fiscais federais agropecuários analisaram documentos das empresas, origem dos produtos, condições das instalações e processos produtivos.

    Em Itu, Campinas e Sorocaba, a fiscalização apreendeu cerca de 30 mil quilos de feijão sem comprovação de origem e com falhas na rastreabilidade. Parte dos lotes apresentava insetos vivos, o que descumpre os padrões exigidos para comercialização.

    Já em Rio Claro, Elias Fausto e Cerquilho, os fiscais inspecionaram 139,1 mil quilos de arroz. A operação resultou na apreensão e inutilização de 24 bobinas de embalagens. Em um dos estabelecimentos, a equipe apreendeu 6 mil quilos de arroz por falta de registro no Mapa para a atividade de empacotamento.

    Ausência do processo obrigatório

    Os auditores também identificaram ausência do processo obrigatório de classificação dos grãos antes da embalagem, etapa essencial para garantir a qualidade do produto. Diante das irregularidades, uma empresa teve a produção suspensa de forma cautelar.

    A operação também incluiu a coleta de 20 amostras de produtos nacionais e importados. O material seguirá para análise laboratorial dentro dos programas oficiais de controle de qualidade e monitoramento de resíduos e contaminantes.

    Com a ação, o Mapa reforça a fiscalização sobre produtos vegetais, com foco na proteção do consumidor, na garantia da qualidade dos alimentos e na promoção da concorrência justa no setor.

  • Safra de grãos deve bater novo recorde no Brasil

    Safra de grãos deve bater novo recorde no Brasil

    A produção brasileira de grãos pode alcançar 358,6 milhões de toneladas na safra 2025/26. A projeção representa um novo recorde histórico. A estimativa foi divulgada nesta quinta-feira (11) pela Companhia Nacional de Abastecimento no 9º Levantamento da Safra de Grãos. O volume previsto supera em 1,8% o resultado da temporada anterior.

    Segundo a Companhia, o aumento corresponde a 6,4 milhões de toneladas. Além disso, a área cultivada deve atingir 83,5 milhões de hectares. A Conab atribui o desempenho ao avanço da área plantada e às condições climáticas favoráveis. Com isso, a produtividade média nacional deve alcançar 4.295 quilos por hectare.

    Soja lidera crescimento da produção

    A soja apresenta o maior avanço entre as culturas analisadas. A produção está estimada em 180,3 milhões de toneladas. O volume supera em 8,8 milhões de toneladas o resultado da safra passada. Além disso, a colheita está praticamente concluída.

    A Conab destaca o crescimento da área destinada à oleaginosa. O uso de tecnologia e o clima favorável também impulsionaram a produtividade.

    Milho registra alta e pode alcançar 140,5 milhões de toneladas

    O milho deve somar 140,5 milhões de toneladas nas três safras do ciclo 2025/26. A colheita da primeira safra alcança 87,7% da área cultivada. A produção dessa etapa deve atingir 29,3 milhões de toneladas.

    O resultado representa alta de 17,7% frente à temporada anterior. Além disso, a produtividade média cresceu 7,6%. A expectativa é de rendimento médio de 7.110 quilos por hectare. O índice estabelece novo recorde histórico para a primeira safra.

    Já a segunda safra está em fase inicial de colheita. A produção prevista chega a 107,9 milhões de toneladas. Na terceira safra, o plantio se aproxima do encerramento. A expectativa é colher 3,3 milhões de toneladas.

    Algodão e sorgo apresentam cenários distintos

    A produção de algodão deve atingir cerca de 4 milhões de toneladas. O volume representa queda de 2,5% sobre a safra anterior. Segundo a Conab, a redução ocorre devido à menor área semeada.

    Por outro lado, o sorgo deve registrar forte crescimento. A colheita está estimada em 7,62 milhões de toneladas. O resultado supera em 24,9% o volume obtido na temporada passada. O aumento corresponde a 1,5 milhão de toneladas.

    Arroz e feijão devem garantir abastecimento interno

    A colheita de arroz está praticamente finalizada. A produção prevista alcança 11,1 milhões de toneladas. O volume fica 13,2% abaixo do registrado na safra passada. A redução reflete a menor área destinada ao cereal.

    No caso do feijão, a produção total das três safras deve ficar próxima de 3 milhões de toneladas. O resultado representa leve recuo de 0,5% frente ao ciclo anterior. Ainda assim, a estimativa garante o abastecimento do mercado interno.

    Trigo terá menor área plantada

    Entre as culturas de inverno, o trigo segue com o plantio em andamento. A semeadura já alcança 45,3% da área prevista. A Companhia projeta redução da área destinada ao cereal. Por isso, a produção deve ficar em torno de 6,3 milhões de toneladas.

    Exportações e estoques ganham reforço

    A safra recorde de soja deve ampliar as exportações brasileiras. A expectativa é embarcar 116,1 milhões de toneladas. Além disso, o processamento da oleaginosa pode alcançar 61,58 milhões de toneladas.

    Com esse cenário, o estoque de passagem da soja deve atingir 9,2 milhões de toneladas. A Conab também revisou as projeções para o milho. Os estoques finais do grão podem chegar a 13,25 milhões de toneladas em janeiro de 2027. Já o estoque final de feijão foi atualizado para 288,5 mil toneladas até dezembro deste ano.

  • Exportações impulsionam preços do arroz no RS

    Exportações impulsionam preços do arroz no RS

    A demanda internacional tem sustentado a recuperação dos preços do arroz em casca no Rio Grande do Sul. O movimento ocorre devido ao avanço das exportações brasileiras e ao cenário favorável no mercado externo.

    Segundo pesquisadores do Cepea, a valorização dos indicadores internacionais e a alta do dólar aumentaram o interesse por lotes destinados à exportação. Como resultado, os preços registraram leve recuperação nas últimas semanas.

    No mercado interno, porém, a comercialização segue lenta. As dificuldades para vender arroz beneficiado reduzem a liquidez e limitam a participação dos agentes nas negociações. Ainda conforme o Cepea, a oferta restrita de arroz com rendimento de 56% de grãos inteiros também influencia o mercado. Tradicionalmente, esse produto atende à demanda externa.

    Além disso, exportadores intensificaram as compras para atender aos embarques. Com isso, aumentou a procura por lotes com rendimento de 58% de grãos inteiros. Esse cenário reforçou a demanda por arroz destinado à exportação e contribuiu para a elevação dos preços no mercado gaúcho.

  • Conab movimenta R$ 21 milhões em leilão de arroz e setor comemora

    Conab movimenta R$ 21 milhões em leilão de arroz e setor comemora

    A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) realizou nesta terça-feira (26) um leilão de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro) que negociou cerca de 119,7 mil toneladas de arroz em casca. A operação movimentou pouco mais de R$ 21 milhões em dois lotes comercializados. O volume representa parte das mais de 144 mil toneladas ofertadas.

    A Federarroz (Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul) avaliou o resultado como positivo. O presidente da entidade, Denis Dias Nunes, afirmou que o índice de comercialização ficou entre os melhores já registrados nesse tipo de leilão. Diferentes regiões produtoras do Estado participaram da operação.

    Ágio nas negociações

    Nunes destacou que a Zona Sul do Rio Grande do Sul apresentou ágio nas negociações. O cenário reflete a expectativa do setor em relação ao mecanismo como alternativa para garantir o escoamento da produção e o acesso ao prêmio. A Federarroz avalia que a ferramenta ajuda a reduzir estoques e melhora as condições de comercialização ao produtor.

    O dirigente também ressaltou a importância do Prêmio para Escoamento de Produto (PEP), mecanismo utilizado principalmente nas regiões da Campanha e da Depressão Central. “O prêmio permite que a indústria pague o preço mínimo ao produtor e depois seja remunerada pelo PEP. Isso ajuda a melhorar a remuneração em um momento em que o mercado interno ainda apresenta preços abaixo do ideal”, afirmou Nunes.

    Segundo o presidente da Federarroz, os mecanismos buscam reduzir os estoques elevados de arroz, principalmente no Rio Grande do Sul, maior produtor nacional, apesar das críticas sobre possível interferência na dinâmica do mercado interno. “O cenário atual exige medidas de apoio ao setor para garantir liquidez e evitar maiores perdas financeiras aos arrozeiros, diante da pressão dos preços no mercado interno”, concluiu.

  • Alagoas registra crescimento de 41% na produção de arroz em três anos

    Alagoas registra crescimento de 41% na produção de arroz em três anos

    A produtividade do arroz em casca no Baixo São Francisco saltou 41% em três anos, ultrapassando 24 mil toneladas em 2025, segundo dados do IBGE. O avanço está diretamente ligado ao Programa Alagoas Mais Arroz, um projeto da Seagri dentro do Planta Alagoas.

    Foto: Tatiane Bastos/Ascom Seagri

    O estado alcançou 19 mil toneladas na safra de 2024, com uma economia de 11% em apenas um ano. Nessa fase, a área colhida alcançou 2.691 hectares, com produtividade média de 8,47 toneladas por hectare.

    Municipíos como Igreja Nova, Porto Real do Colégio e Penedo lideram a produção, com os números mais altos em hectare. Em Igreja Nova, por exemplo, 12,5 mil toneladas foram colhidas, gera uma produtividade de 9,74 ton/ha.

    Ação estratégica

    Desde 2024, o Estadual tem investido em fiscais, maquinário e extensão rural para ampliar o alcance dos produtores. Em parceria com a Embrapa Arroz, a Seagri promove treinamentos para tecnificar a cultura, incluindo a escolha de sementes e técnicas de manejo rentáveis.

    “Na próxima etapa, vamos trazer a Embrapa para Goiás para trabalhar com arroz especial como o preto e o vermelho”, destacou o secretário Marcelo Melo. A iniciativa busca elevar o valor agregado do produto e incluir o arroz de sequeiro em Penedo.

    Resultados positivos para produtores

    Apesar de preços ruins no mercado nacional, os agricultores relatam que as capacitações permitiram aumentar a produtividade com menos insumos. Lindomar Bispo, de Igreja Nova, explicou: “Com as recomendações da Embrapa, aprendemos a plantar de forma mais estratégica. Isso ajudou a economizar recursos e aumentar a renda.”

    Lindomar Bispo, produtor. Foto: Tatiane Bastos/Ascom Seagri

    A região possui condições climáticas e de solo ideais para a cultura do arroz, segundo a Embrapa. Com 87 mil toneladas de consumo interno, o crescimento da produção não só fortalece a economia local, mas também melhora a segurança alimentar do estado.

  • Entenda o motivo da queda do preço do arroz

    Entenda o motivo da queda do preço do arroz

    Os preços do arroz em casca seguem em queda no Rio Grande do Sul. O mercado enfrenta baixa liquidez e negociações lentas. Segundo o Cepea, compradores atuam com cautela. Enquanto isso, produtores resistem aos preços menores.

    Além disso, a desvalorização do dólar frente ao real pressionou ainda mais as cotações internas. O cenário reduziu a competitividade brasileira no mercado externo. Com isso, a demanda internacional perdeu força nas últimas semanas. Antes, as exportações ajudavam a sustentar os preços domésticos.

    Ao mesmo tempo, novas projeções globais indicam mudanças importantes para o mercado mundial de arroz. Os dados foram divulgados pelo USDA. O órgão estima produção global de 537,9 milhões de toneladas na safra 2026/27. O volume representa queda de 0,9%.

    Por outro lado, o consumo mundial deve atingir recorde histórico. O USDA projeta demanda de 541,3 milhões de toneladas. O número representa avanço de 0,7% sobre a temporada anterior. Assim, o consumo deve superar a produção global.

    Diante desse cenário, os estoques mundiais tendem a diminuir na safra 2026/27. A previsão aponta recuo de 1,8%. Segundo o USDA, os estoques finais devem totalizar 192,7 milhões de toneladas. A relação estoque e consumo também deve cair. O índice deve ficar em 35,6% ao final da temporada. Na safra anterior, o percentual alcançou 36,5%.

    No Brasil, a Conab revisou levemente para baixo a estimativa da safra 2025/26. Entretanto, o órgão não detalhou novos volumes no levantamento divulgado.

  • Agropecuária de Rondônia deve movimentar R$ 30 bilhões em 2026

    Agropecuária de Rondônia deve movimentar R$ 30 bilhões em 2026

    A agropecuária de Rondônia deve gerar R$ 30,2 bilhões em 2026, queda de 1% frente ao resultado de 2025. Os dados são de projeção da área de socioeconomia da Embrapa Rondônia, com base nos preços médios dos 17 principais produtos do estado.

    Cinco culturas concentram 90,4% desse valor: bovinos, soja, café, milho e leite. Os bovinos lideram com folga. Sozinhos, respondem por 51,3% do Valor Bruto da Produção (VBP) estadual, com projeção de R$ 15,5 bilhões, alta de 5,1% sobre 2025.

    O VBP leva em conta os preços recebidos pelos produtores rurais, os dados de produção da Conab e do IBGE, e as pesquisas de preços da Conab e da Emater-RO, todos deflacionados pelo IGP-DI da Fundação Getúlio Vargas.

    Em alta

    Os maiores avanços projetados para 2026 estão na banana e na mandioca. A banana deve registrar crescimento de 19% no VBP, impulsionado pela combinação de produção 5,7% maior e preços 19,1% mais altos nos dois primeiros meses do ano. Já a mandioca avança 18,3%, apesar de uma safra 2% menor. O empurrão vem do aumento de 21,7% nos preços da mandioca de mesa, que representa 60% da produção estadual do produto.

    O preço da carne bovina sobe por dois fatores simultâneos: oferta reduzida de animais para abate e mercado externo aquecido. A tendência é que esse patamar se mantenha ao longo de 2026, sustentando o VBP do setor em R$ 15,5 bilhões. São R$ 747,7 milhões a mais do que em 2025.

    Arroz, cacau, leite e café recuam

    O cenário não é favorável para todos. O arroz sofre duplo golpe: preços em queda e volume de produção estimado em 94,2 mil toneladas na safra 2025/2026, metade do que se colheu na safra anterior. O resultado é uma queda abrupta no VBP do cereal, de R$ 334 milhões em 2025 para R$ 114,8 milhões em 2026.

    O cacau, que bateu recordes de preço em 2024/2025, vive o efeito contrário: a recuperação das lavouras africanas, principais produtoras mundiais da amêndoa, e a retração da demanda das indústrias chocolateiras derrubam o VBP de R$ 324,2 milhões para R$ 170,9 milhões.

    O café também recua 19,3%, pressionado pela maior oferta global do produto. O leite, por sua vez, enfrenta queda de 22,1% no VBP, reflexo de oferta elevada, demanda fraca e concorrência das importações de lácteos, especialmente de países do Mercosul.

    Imagem gerada por IA

    Apesar das quedas pontuais, o setor agropecuário rondoniense mantém trajetória positiva no longo prazo: nos últimos dez anos, o VBP cresceu em média 7,6% ao ano.

    Vale lembrar que o indicador é calculado mensalmente e pode variar ao longo do ano, conforme oscilações de preços e revisões nas estimativas de produção.

  • Arroz tem maior média de preço desde setembro; entenda

    Arroz tem maior média de preço desde setembro; entenda

    O mercado de arroz em casca no Rio Grande do Sul encerrou abril com baixa liquidez e negociações travadas. Os agentes mantêm cautela devido aos leilões de apoio à comercialização e às disparidades regionais de preços.

    Além disso, a demanda pontual por grãos de melhor qualidade não impulsiona o volume de negócios. Segundo o Cepea, o setor permanece em estágio intermediário no mercado.

    Os fundamentos indicam recomposição de preços no agregado, enquanto entraves de liquidez limitam o ritmo das negociações. As margens industriais baixas e as assimetrias regionais também restringem a evolução do mercado.

    Maior patamar desde setembro

    Ainda conforme o Cepea, a média de abril alcança R$ 62,66 por saca. Esse valor representa o maior patamar desde setembro de 2025.

    O indicador sinaliza que, apesar da lentidão no curto prazo, os preços do arroz seguem em trajetória de recomposição. O Cepea destaca que uma tendência altista mais firme depende do avanço no escoamento ao longo da cadeia. Além disso, o mercado precisa de maior convergência nas expectativas entre os agentes para ganhar ritmo.

  • Descubra como sementes “ouvem” a chuva antes de germinar

    Descubra como sementes “ouvem” a chuva antes de germinar

    Parece ficção científica, mas não é. O som da chuva pode funcionar como um sinal de alerta para sementes à espera de germinar, como indica o trabalho de pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos.

    A equipa do MIT realizou os seus testes com 8.000 sementes de arroz, que foram submersas em baldes pouco profundos com água. Algumas foram expostas ao som de gotejamento. Os investigadores variaram o tamanho e a altura de cada gota para simular chuvas ligeiras, moderadas e fortes.

    Conforme resultado, as sementes expostas ao som da queda das gotas germinaram de 30% a 40% mais rápido do que as que foram mantidas em silêncio. Não houve outra variável envolvida. Mesma temperatura, mesma umidade, mesma disponibilidade de água… a única diferença foi o estímulo sonoro.

    As sementes mais próximas da superfície conseguiam perceber melhor o som das gotas e crescer mais rapidamente, em comparação com as sementes mais submersas ou mais afastadas. Isso sugere que existe um mecanismo de triagem embutido na semente, capaz de distinguir posição e profundidade com base em vibração.

    A física por trás do que parece magia

    Quando uma gota de chuva atinge a água ou o solo, a pressão que ela provoca cria vibrações ou ondas de pressão, que se propagam e podem ser percebidas como som.

    Nicholas Makris, pesquisador do MIT e coautor do estudo, foi preciso na comparação: as ondas de pressão que chegam às sementes a poucos centímetros do ponto de impacto equivalem ao som que uma pessoa ouviria “a poucos metros de um motor a jato no ar.” Ou seja, não é um sinal fraco, mas uma perturbação intensa o suficiente para acionar respostas biológicas.

    As vibrações sonoras funcionam como um sinal ambiental que indica condições favoráveis para o crescimento. Do ponto de vista evolutivo, germinar logo após detectar chuva aumenta as chances de sobrevivência.

    O que são estatólitos

    As sementes não possuem órgãos sensoriais como ouvidos, mas contam com estruturas microscópicas chamadas estatólitos, responsáveis por perceber estímulos físicos. São organelas densas que se depositam no fundo das células, indicando à planta onde é “baixo” e onde é “cima”. É por isso que raízes crescem para baixo e brotos sobem, mesmo no escuro.

    A descoberta do MIT, no entanto, aponta que os estatólitos fazem mais do que isso. A pesquisa da equipe sugere que a energia das vibrações induzidas pela chuva interfere no funcionamento normal dos estatólitos. Sementes que respondem a essas vibrações provavelmente estão próximas da superfície, onde há umidade disponível, mas não tão profundas a ponto de os brotos emergentes não conseguirem alcançar a luz.

    O que a ciência ainda não sabe

    O estudo foi conduzido com arroz, uma cultura que germina tanto em solo quanto em água. Os pesquisadores reconhecem que os resultados não podem ser automaticamente extrapolados para todas as espécies. A partir dos resultados, os pesquisadores levantam a hipótese de que outros tipos de sementes com características semelhantes também possam responder ao som da chuva.

    Makris falou sobre o alcance da descoberta: “O que descobrimos é que as sementes e mudas das plantas fazem algo que aparentemente também é vantajoso para elas.” Assim como a audição humana evoluiu para servir à sobrevivência humana, esse mecanismo acústico nas sementes parece ter evoluído para o mesmo fim, dentro do contexto vegetal.

  • Caruncho no arroz faz mal? Veja o que acontece se você ingerir esse inseto

    Caruncho no arroz faz mal? Veja o que acontece se você ingerir esse inseto

    Você pega o pacote de arroz para cozinhar e encontra aquela farinha fina acumulada no fundo. Ou, pior ainda, avista pequenos insetos se movimentando entre os grãos. É uma cena familiar para boa parte das famílias brasileiras, e a reação imediata costuma ser jogar tudo fora com repulsa. Mas a situação é mais complexa do que parece, e a resposta para a pergunta que todo mundo já fez, “caruncho faz mal?”, depende de alguns fatores que vale conhecer antes de tomar qualquer decisão.

    De onde vem o caruncho e por que ele aparece nos grãos

    Antes de qualquer coisa, é preciso derrubar um equívoco comum: o caruncho não nasce necessariamente por descuido do consumidor. Segundo a agrônoma e professora Cristina Schetino Bastos, da Universidade de Brasília, o ciclo da infestação pode começar ainda na lavoura, durante a colheita, e seguir por todas as etapas, incluindo transporte, beneficiamento e armazenamento. Ou seja, o inseto pode chegar à despensa de casa dentro do próprio pacote lacrado.

    O nome “caruncho” é, na verdade, um termo genérico. A professora explica que ele designa popularmente mais de uma espécie de besouro que infesta produtos armazenados, com destaque para o Sitophilus zeamais, um besouro pequeno também conhecido como bicudo. Essa espécie é especialmente problemática porque tem alta capacidade de sobrevivência e consegue perfurar grãos intactos, o que dificulta o controle ao longo de toda a cadeia produtiva.

    Os insetos se associam principalmente a arroz, milho e trigo e, por consequência, a derivados como macarrão e farinhas. E as condições do ambiente doméstico podem acelerar a proliferação: umidade moderada e temperaturas favoráveis criam o cenário ideal para o desenvolvimento dos insetos, enquanto ambientes muito secos ou com temperaturas extremas dificultam sua sobrevivência.

    Freezer, recipientes de vidro e atenção à mistura de alimentos novos com antigos estão entre as medidas mais eficazes para manter caruncho longe — (Foto: Tomasz Klejdysz/Getty Imagens)

    Comer alimento com caruncho faz mal?

    Aqui está a resposta que a maioria das pessoas busca, e ela é menos alarmante do que o estômago sugere no momento do susto. De acordo com a nutricionista Fabiana Ximenes, o consumo acidental desses insetos geralmente não representa um risco grave à saúde. No entanto, podem ocorrer sintomas gastrointestinais leves como náuseas, desconforto abdominal e diarreia, especialmente em pessoas mais sensíveis ou com imunidade baixa.

    Um fator importante nessa equação é o preparo do alimento. O risco é maior quando o alimento contaminado é consumido cru, já que o cozimento tende a eliminar os insetos. Ainda assim, especialistas alertam que confiar apenas no cozimento não é a melhor estratégia. Sinais mais graves de deterioração do produto precisam ser observados antes de qualquer decisão de aproveitamento.

    Grãos empelotados, cheiro alterado e presença de teias indicam que o alimento deve ser descartado, independentemente de qualquer outra consideração. Nesses casos, o risco não está apenas nos insetos, mas no estado geral do produto, que pode ter sofrido contaminação por fungos ou bactérias associadas à infestação prolongada.

    Como evitar o caruncho em casa de forma simples e eficaz

    A boa notícia é que prevenir a infestação doméstica não exige grandes investimentos. Medidas simples de armazenamento reduzem drasticamente o risco de proliferação e protegem toda a despensa. Especialistas recomendam armazenar grãos em recipientes bem fechados, de preferência de vidro, evitar ambientes quentes e úmidos, não misturar alimentos novos com antigos e, quando possível, manter grãos no congelador por um período após a compra.

    Esse último ponto merece atenção especial. Colocar o pacote recém-comprado no freezer por alguns dias elimina eventuais ovos ou larvas que possam ter chegado junto com o produto, interrompendo o ciclo de reprodução antes mesmo que ele comece na despensa de casa.

    Além disso, vale inspecionar embalagens antes de comprar, evitar produtos com sinais de dano na embalagem e preferir compras em locais com bom giro de estoque. No campo e nas propriedades rurais, o controle é ainda mais relevante: a indústria utiliza técnicas como expurgo com gás para eliminar insetos, controle de temperatura e uso de atmosferas modificadas, mas isso não garante ausência total do caruncho no produto final.