A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) analisou os dados do PIB divulgados pelo IBGE nesta semana. Segundo a CNA, a agropecuária impulsionou o crescimento da economia brasileira no primeiro trimestre de 2025.
A atividade agropecuária cresceu 12,2% entre janeiro e março, frente ao último trimestre de 2024. Esse desempenho garantiu uma contribuição expressiva para a economia, que avançou 1,4% no mesmo período. Com isso, a participação da agropecuária no PIB total subiu de 6,7% para 7,4%. A CNA destacou que o resultado se deve principalmente à colheita de verão, com forte presença da soja e do milho.
De acordo com a entidade, o clima favorável e o investimento dos produtores foram determinantes para o bom desempenho do setor. Apesar do resultado positivo, a CNA fez um alerta. A próxima safra pode não manter o mesmo nível de investimento. O motivo seria o alto custo do financiamento produtivo e a instabilidade econômica e política global.
A Confederação reforçou a necessidade de políticas estruturantes. Defendeu crédito com juros compatíveis e mais instrumentos de gestão de risco. Essas medidas, segundo a entidade, garantem a continuidade da produção.
Outras considerações
No primeiro trimestre, o PIB brasileiro somou R$ 3,0 trilhões. Desse total, R$ 2,6 trilhões vieram do Valor Adicionado a preços básicos e R$ 431,1 bilhões dos Impostos sobre Produtos líquidos de Subsídios.
A agropecuária surpreendeu o mercado, inclusive a própria CNA, ao superar as expectativas. Ou seja, a safra recorde de grãos, estimada em 332,9 milhões de toneladas pela Conab, reforça o bom momento do setor.
A CNA reiterou que o crescimento agropecuário ajuda a manter alimentos acessíveis. Além disso, sustenta as exportações e fortalece a balança comercial.
Segundo a entidade, o desempenho do campo também movimenta outros setores. Indústria de insumos, transporte, comércio e serviços se beneficiam diretamente. Isso estimula o consumo em regiões agrícolas e dinamiza as economias locais. Por fim, a CNA enfatizou o papel estratégico do setor agropecuário. A atividade contribui para o crescimento regional e ajuda a reduzir desigualdades no interior do país.
O Paraná anunciou um investimento de R$ 5 bilhões para modernizar a agropecuária e promover a sustentabilidade no campo. O plano foi apresentado durante o 6º Fórum Brasileiro de ILPF, realizado na Expoingá, em Maringá, com a presença de 700 participantes, entre produtores rurais, autoridades e lideranças do setor.
O secretário de Agricultura do Paraná, Márcio Nunes, destacou que o estado está lançando o maior programa de conservação de solos e água do país, com foco no combate à erosão e no aumento da fertilidade do solo. “É um novo despertar para a sustentabilidade no campo”, afirmou.
Entre as ações previstas estão:
Aquisição de máquinas agrícolas para municípios;
Capacitação de 3 mil profissionais como “patrulheiros da sustentabilidade”;
Pavimentação de estradas rurais integradas ao sistema de conservação;
Fomento à produção sustentável, com apoio a mudas e insumos.
“Precisamos estar antenados com as mudanças globais. O Paraná está liderando essa transformação”, declarou Nunes.
ILPF: estratégia que multiplica produtividade
O presidente do Conselho da Cocamar, Luiz Lourenço, reforçou a importância do Sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) para aumentar a eficiência no campo. Enquanto a pecuária tradicional produz 4 arrobas por hectare, o ILPF já registra casos de 28 arrobas por hectare.
“Temos 18 milhões de hectares com ILPF no Paraná e potencial para expandir. É uma ferramenta valiosa para gerar mais renda e sustentabilidade”, afirmou Lourenço.
Benefícios do ILPF no Paraná
✅ Otimiza o uso da terra
✅ Aumenta a produtividade
✅ Diversifica a produção
✅ Reduz impactos climáticos
Brasília sedia nesta semana a 2ª reunião presencial do Grupo de Trabalho de Agricultura do BRICS. O evento segue até o dia 17 de abril e reúne representantes dos países do bloco, formado por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Indonésia, Egito, Etiópia, Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
O encontro é coordenado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com apoio do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA). A programação culmina com a reunião ministerial na quinta-feira (17), que contará com ministros e vice-ministros da Agricultura dos países-membros.
Temas estratégicos
Ao longo das discussões, os participantes buscam finalizar documentos estratégicos voltados à segurança alimentar, certificação eletrônica e sustentabilidade no campo. Entre os principais desafios em debate estão a fome, a degradação do solo e o uso racional de recursos naturais.
Durante a abertura, o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Luís Rua, destacou o espírito de cooperação entre os países. Segundo ele, os avanços nas reuniões preparatórias aproximaram os membros de um acordo sólido. “Estamos muito próximos de concluir a Declaração Ministerial. Um texto forte, baseado em prioridades comuns, que mostra como os países do BRICS podem liderar ações concretas contra a insegurança alimentar”, afirmou.
A minuta da declaração prevê o lançamento da Parceria do BRICS para a Restauração de Terras. A proposta será oficializada na reunião ministerial e apresentada na próxima Cúpula de Líderes do bloco, marcada para julho.
Principais ações
Foto: Divulgação – Mapa
A iniciativa pretende recuperar áreas degradadas, conservar solos e otimizar o uso da água. As ações devem se basear em ciência e financiamento inovador, com foco no Sul Global. Além disso, a parceria quer envolver governos, comunidades locais e o setor privado em soluções de longo prazo.
Ao mesmo tempo, outro ponto central é a conclusão do Plano de Ação 2025–2028. O documento guiará a cooperação agrícola do bloco nos próximos quatro anos. Entre os eixos prioritários estão: segurança alimentar, produção sustentável, inovação tecnológica, financiamento agrícola e comércio internacional.
As discussões também abordam como essas ações podem beneficiar diretamente quem vive no campo. Delegados tratam de estratégias para apoiar pequenos agricultores, mulheres rurais, pescadores artesanais e jovens do meio rural.
Os países analisam detalhes técnicos, métodos de implementação e mecanismos de monitoramento das propostas. A expectativa é que a reunião ministerial consolide os compromissos e fortaleça a atuação coordenada do bloco.
Neste ano, o Brasil ocupa a presidência rotativa do BRICS. Em geral, o país aposta no fortalecimento da agricultura como caminho para o desenvolvimento sustentável. Portanto, a proposta brasileira une crescimento econômico, inclusão social e conservação ambiental.
As mudanças climáticas representam um risco crescente para a produção agrícola no Brasil. Segundo um estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), cerca de 46% das doenças que afetam lavouras no país devem se tornar mais severas até o final deste século. O levantamento projeta impactos significativos sobre culturas estratégicas como arroz, milho, soja, café, cana-de-açúcar, hortaliças e frutas — pilares da economia agrícola nacional.
De acordo com os pesquisadores, o aumento das temperaturas médias e as alterações no regime de chuvas devem criar condições favoráveis à proliferação de fungos, vírus e vetores, exigindo uma reestruturação nos sistemas nacionais de monitoramento e controle fitossanitário.
Estudo abrange mais de 300 patossistemas agrícolas
O estudo conduzido pela Embrapa analisou 304 patossistemas — conjunto formado por uma planta hospedeira e o respectivo patógeno — relacionados a 32 das principais culturas agrícolas brasileiras. Os dados indicam que os fungos são os patógenos mais prevalentes, presentes em aproximadamente 80% dos casos avaliados.
Com a elevação da temperatura média podendo ultrapassar 4,5°C em determinadas regiões do país até 2100, doenças como a antracnose e o oídio tendem a se intensificar. Alterações no volume e distribuição das chuvas também devem influenciar diretamente a dinâmica dessas doenças.
“A previsão de doenças em um cenário de mudança climática é um desafio complexo que exige continuidade nas pesquisas e implementação de novas estratégias de adaptação”, afirma Francislene Angelotti, pesquisadora da Embrapa Semiárido. Ela ressalta a necessidade de investimentos para fortalecer a infraestrutura fitossanitária nacional.
Vetores e pragas também devem se multiplicar
As doenças transmitidas por vetores como pulgões, cochonilhas, tripes, moscas-brancas e ácaros também estão entre as maiores preocupações dos pesquisadores. O ciclo de vida desses insetos tende a se encurtar com o aumento do calor, o que resulta em populações maiores e mais ativas ao longo do ano.
Mudanças climáticas favorecem fungos patogênicos e vetores de doenças como pulgões e moscas-branca. Divulgação Embrapa
De acordo com Wagner Bettiol, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, o impacto será direto sobre culturas já vulneráveis a essas pragas, como batata, banana, tomate, citros e milho. “O aquecimento acelera o desenvolvimento dos insetos e prolonga sua longevidade, o que pode aumentar significativamente as infestações”, explica.
Eficiência dos defensivos pode cair
Além do aumento das doenças, as mudanças climáticas também podem comprometer a eficácia dos defensivos agrícolas. A absorção, o transporte e a degradação dos fungicidas nas plantas podem sofrer alterações sob novas condições climáticas. E isso exigirá adaptações nas estratégias de manejo.
Com a eficácia reduzida, pode haver a necessidade de aplicações mais frequentes, elevando os custos de produção e o risco ambiental. Esse cenário já impulsiona a busca por alternativas sustentáveis, como os agentes biológicos de controle — os biopesticidas.
Brasil lidera o mercado de biocontrole, mas precisa avançar
O Brasil é atualmente o maior produtor e consumidor de biopesticidas do mundo e possui a maior área agrícola sob controle biológico. Segundo a consultoria Research and Markets, o mercado global desses produtos deve atingir US$ 19,49 bilhões até 2030.
No entanto, especialistas apontam que ainda há um longo caminho a percorrer para adaptar esses bioinsumos às novas condições climáticas. “Precisamos desenvolver, com urgência, produtos biológicos capazes de aumentar a eficiência do uso de nitrogênio e reduzir o estresse das plantas”, defende Bettiol. Ele também destaca a necessidade de soluções para doenças estratégicas, como a ferrugem asiática da soja e a ferrugem do cafeeiro.
Adaptação exige monitoramento, cooperação e políticas públicas
Diante das projeções, pesquisadores recomendam uma resposta coordenada, que envolva ações como análise de risco, adaptação de sistemas agrícolas, fortalecimento da vigilância fitossanitária e ampliação de investimentos em ciência e inovação. O uso de sistemas de cultivo diversificados, a integração de tecnologias de manejo, o emprego de biopesticidas e a adoção de modelos preditivos de epidemias são medidas defendidas para o curto prazo.
“O enfrentamento desses desafios exige políticas públicas eficazes e a articulação entre agricultores, cientistas e governos para garantir segurança alimentar e sustentabilidade”, reforça Angelotti.
Diversidade agrícola amplia o desafio fitossanitário
A diversidade climática e agrícola do Brasil, que abrange desde culturas tropicais até temperadas, exige análises regionais detalhadas sobre os riscos fitossanitários em cenários futuros. Emília Hamada, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente, afirma que é essencial realizar estudos com base na distribuição espacial e temporal dos patógenos, incluindo experimentações de campo.
Ela destaca que os modelos climáticos indicam aumento da severidade de doenças fúngicas como antracnose e oídio. O que reforça a urgência na adoção de medidas preventivas e de adaptação em todas as regiões produtoras.
O estudo da Embrapa conclui que os efeitos das mudanças climáticas já estão sendo sentidos no campo. Com planejamento estratégico, incentivo à inovação e articulação entre ciência, governo e setor produtivo, o Brasil pode não apenas mitigar os impactos negativos. M-as também transformar os desafios em oportunidades para modernizar seu sistema de defesa vegetal e garantir a sustentabilidade da produção agrícola no futuro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) apresentou nesta semana, em sessão solene do Congresso Nacional, suas prioridades legislativas para 2024. A entidade listou 87 propostas em análise, das quais 16 são rejeitadas pelo setor. Entre os focos estão a defesa do direito de propriedade, tributação equilibrada, sustentabilidade e regulamentação trabalhista.
João Martins, presidente da CNA, destacou que a agenda visa proteger o setor de “obsessões regulatórias” e promover crescimento econômico. “Queremos equilibrar segurança jurídica com desenvolvimento”, afirmou. O deputado Pedro Lupion (PP-PR), líder da Frente Parlamentar da Agropecuária, alertou para “ameaças ao direito de propriedade” e criticou pressões do Executivo e do STF: “Tentam limitar nossa articulação política”.
A deputada Marussa Boldrin (MDB-GO) ressaltou o avanço do setor em práticas sustentáveis: “Priorizamos segurança alimentar, transição energética e responsabilidade social”. A declaração reforça o posicionamento do agro em alinhar produtividade a critérios ambientais.
Contrato de safrista: formalização sem perda de benefícios
Um dos projetos apoiados pela CNA é o PL 715/23, que regulamenta o contrato de trabalho por safra sem prejudicar acesso a benefícios sociais. Atualmente, trabalhadores rurais evitam a formalização por medo de perder auxílios como o Bolsa Família. Portanto, a proposta busca resolver o impasse.
No topo das rejeições está o PL 2604/24, que propõe revisão periódica dos índices de produtividade com base em dados do IBGE. A CNA argumenta que a mudança pode reclassificar propriedades produtivas como passíveis de desapropriação para reforma agrária, gerando insegurança jurídica.
Tributação: CNA acompanha reforma com cautela
A entidade apoia parcialmente a regulamentação da reforma tributária, mas exige garantias para evitar aumento da carga fiscal. Destaca atenção ao PL 1087/25, que eleva a isenção do Imposto de Renda, e à taxação do Imposto Seletivo, que pode impactar custos de insumos.
As propostas destacadas pela CNA devem influenciar debates no Congresso, principalmente em ano eleitoral. Enquanto o setor pressiona por segurança jurídica, críticos defendem que revisões de produtividade e tributações mais rigorosas são necessárias para equilibrar desenvolvimento e justiça social.
A conversão de florestas em pastagens e áreas agrícolas reduz os estoques de carbono (C) no solo, mas sistemas sustentáveis como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) podem reverter esse cenário. É o que revela um estudo de 39 anos conduzido por pesquisadores da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta) e da Embrapa Meio Ambiente, publicado com apoio da Fapesp e da Shell.
A pesquisa, realizada no Instituto de Zootecnia de Nova Odessa (SP), analisou a dinâmica do carbono em três cenários:
Conversão de Mata Atlântica para pastagem: aumento de C apenas na superfície (0-5 cm), sem ganhos em camadas mais profundas;
Pastagem para ILPF: estoques de C subiram até 1 metro de profundidade, com taxa de acúmulo de 5 toneladas por hectare/ano;
Pastagem para soja em plantio direto: manteve estoques de C, sem perdas ou ganhos significativos.
“Fragmentos de Mata Atlântica próximos a cidades, como os analisados, sofrem com incêndios e ação humana. A ILPF surge como alternativa para sequestrar CO2 e combater mudanças climáticas”, explica Rafaela Ferraz Molina, autora do estudo.
Agropecuária responde por 41,4% das emissões do setor no Brasil
O Brasil tem 33,5% do território ocupado por agropecuária, atividade responsável por 23,8% do PIB nacional em 2023. Porém, a mudança no uso da terra emite 41,4% do CO2 do setor, segundo o estudo. Dados do MapBiomas mostram que 84,1% das pastagens abertas entre 1985 e 2023 substituíram vegetação nativa.
“Pastagens degradadas perdem carbono, mas manejo correto e sistemas integrados recuperam esse potencial”, afirma Sandra Furlan, coorientadora da pesquisa e cientista da Embrapa.
Plantio direto e Plano ABC+: aliados da sustentabilidade
O plantio direto, que cobre 33 milhões de hectares no país, evita revolvimento do solo e preserva carbono. Já o Plano ABC+ (2021-2030) incentiva tecnologias de baixa emissão, como:
Recuperação de 30 milhões de hectares de pastagens degradadas até 2030;
Expansão de sistemas agroflorestais;
Adoção de ILPF em 4 milhões de hectares.
“Precisamos escalar práticas que equilibrem produção e conservação. A ILPF é um caminho”, reforça Waldssimiler Teixeira de Mattos, orientador do estudo.
Com a concentração de CO₂ na atmosfera em níveis recordes desde 1750, estratégias de sequestro são urgentes. “A ILPF aumenta a resiliência do agro frente a extremos climáticos e garante produtividade a longo prazo”, conclui Molina.
Manter a saúde das matrizes é crucial para o sucesso de uma estação de monta em uma fazenda de gado de corte. No entanto, mesmo com todos os cuidados, algumas fêmeas podem apresentar falhas reprodutivas, comprometendo a produtividade. Nesse contexto, o descarte dessas vacas é essencial para evitar perdas e aumentar a rentabilidade da propriedade.
Segundo o zootecnista Bruno Marson, da Connan, a seleção de matrizes para descarte geralmente ocorre após o diagnóstico de gestação, realizado por um médico-veterinário cerca de 30 dias após a inseminação artificial ou a saída dos touros da estação de monta. No entanto, antes de decidir pelo descarte, é importante considerar a categoria e o desempenho da vaca em anos anteriores, pois uma falha reprodutiva isolada não necessariamente indica baixa produtividade.
Fatores a considerar
A escolha para o descarte depende de vários critérios, incluindo:
Nível de produção: Vacas com baixa produtividade ou que não emprenham frequentemente devem ser avaliadas.
Perdas por doenças: Problemas como mastite crônica são indicativos de descarte.
Índices reprodutivos: Taxa de prenhez reduzida e alto intervalo entre partos são sinais de baixa eficiência reprodutiva.
Problemas físicos: Casos de problemas de cascos ou conformação de pernas e pés também são considerados.
Categorias de Fêmeas
A categoria das fêmeas influencia na decisão de descarte:
Novilhas: Se não emprenham após a primeira estação de monta, devem ser descartadas sem segunda chance.
Vacas multíparas: Podem merecer uma chance se for a primeira falha reprodutiva e tiverem histórico de desmamar bezerros pesados.
Vacas solteiras: Não devem receber outra chance, pois passaram um ano sem produzir bezerro.
Importância da reposição
A reposição anual de matrizes é crucial para manter a produtividade. Assim, a recomendação é que entre 20 a 30% das matrizes sejam repostas anualmente. Desta forma, evitando excesso de novilhas e primíparas nos anos subsequentes. Essa estratégia ajuda a melhorar o ganho genético do rebanho e a garantir uma fonte de renda ao produtor.
Portanto, odescarte criterioso de matrizes é uma ferramenta essencial para otimizar a produtividade e a rentabilidade de uma fazenda. Ao considerar fatores como desempenho reprodutivo, condição física e valor genético, os produtores podem tomar decisões informadas que beneficiem o rebanho e a propriedade como um todo.
Desde dezembro do ano passado, a Austrália acrescentou uma nova lista, a CSOL, com mais de 450 profissões em demanda no país, voltada para quem deseja ser patrocinado por empresas locais. O setor de agropecuária segue em destaque nessa lista de profissões qualificadas para a migração com novas ocupações sendo reconhecidas e incluídas. Essa atualização reflete a crescente demanda por profissões especializadas em diversas áreas do agronegócio, ampliando as oportunidades para quem deseja atuar na Austrália.
Anteriormente a Austrália dividia as profissões em três listas. A primeira era voltada para áreas rurais e regiões afastadas dos centros urbanos, que necessitavam de algumas profissões específicas. A segunda abrangia as profissões em demanda na Austrália como um todo, mas dentro de cada estado e a curto prazo. Já a terceira reunia as profissões de altíssima demanda, essenciais para o país a médio e longo prazo.
Com essa estrutura, era possível identificar quais profissionais tinham um caminho mais claro para a residência permanente, ou seja, a possibilidade de morar no país como residente permanente e, depois, tornar-se cidadão australiano. Agora, com a nova atualização na legislação, a Austrália ampliou as oportunidades para quem deseja trabalhar no país. Há uma grande necessidade de profissionais de diversas áreas, tornando este um ótimo momento importante para dar o próximo passo.
Possibilidades
Com as mudanças, há um leque ainda maior de possibilidades para aqueles que desejam construir uma carreira sólida e contribuir para o crescimento do agronegócio no país.
Michelle Helou, advogada e agente de migração referência na Austrália
Entre as profissões adicionadas no setor de agro na lista de demandas estão pesquisadores e técnicos focados em agricultura, aquicultura e manejo de recursos naturais. Isso incluí também cientistas especializados em pesquisa agropecuária, agrônomos, técnicos em agritech, além de especialistas em irrigação e manejo de árvores.
Outros cargos que estão com alta demanda são cientista de pesquisa agrícola, agronomista, técnico em zootecnia, técnico de irrigação, entomologista, entre outros. Essa expansão reforça a importância de inovação e sustentabilidade no setor.
Além das novas inclusões, algumas profissões já estavam previamente em alta demanda, como consultores e cientistas agrícolas, gestores florestais, veterinários, silvicultor, consultor agrícola, cientista agrícola. Isso mostra que a Austrália continua valorizando profissionais com expertise no desenvolvimento e gestão do setor agropecuário.
O Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio (RS), se prepara para sediar o Mundial Braford de 28 de abril a 4 de maio de 2025. Promovido pela Associação Brasileira de Hereford e Braford (ABHB), o evento reunirá criadores, técnicos e especialistas de diversos países para debater o futuro da produção de carne bovina.
O encontro visa discutir as oportunidades da raça Braford na pecuária global, com foco em sua eficiência produtiva, qualidade da carne e adaptabilidade. A programação inclui uma “Gira Técnica” em quatro criatórios gaúchos. Participantes de países como Austrália, Estados Unidos, Paraguai, Argentina e Uruguai marcarão presença.
Aldo José Tavares dos Santos, coordenador técnico da Gira, destaca a importância do evento para o intercâmbio de experiências e a cooperação internacional. “É uma oportunidade de trocar experiências e de fazer convívio com criadores do mundo inteiro”, afirma Santos.
O Mundial Braford servirá como um fórum para discussões sobre as demandas do mercado global e do consumidor. O evento também contará com a participação de instituições de pesquisa, universidades e entidades representativas do setor. As inscrições para o evento já estão abertas.
A expectativa é que o evento fortaleça a posição da raça Braford no cenário internacional e impulsione a produção sustentável de carne bovina. Além de palestras e painéis técnicos, a programação incluirá visitas a propriedades e intercâmbio de informações sobre genética, manejo e mercados.
A nelore Viatina-19 FIV Mara Móveis, avaliada em vinte e um milhões de reais, e considerada a segunda vaca mais cara do mundo, acaba de ganhar uma réplica geneticamente idêntica. O clone, nascido tres meses atras em Uberada, Minas Gerais, é fruto de dois anos de tentativas. Essa clonagem representa um marco par a pecuária de elite no país.
A operação foi realizada pela empresa Geneal, que devem a patente de clonagem bovina no Brasl. O procedimento custou cerda de 100 mil e abre caminho para multiplicar o potencial financeiro e genético de animais de alto valor
Por que clonar uma vaca milionária?
A resposta está na genética impecável de Viatina, descendente de pais campeões e dona de características como costela aberta, ossatura forte e aprumos perfeitos. Seus embriões são vendidos por valores milionários.
Com a clonagem, os criadores esperam dobrar a produção de descendentes, ampliando a comercialização de material genético e garantindo um “seguro” contra perdas acidentais
A técnica utilizada é a transferência nuclear de células somáticas, mesma usada na ovelha Dolly em 1996. Pesquisadores inseriram células da pele de Viatina em óvulos sem DNA e os estimularam com choques elétricos para simular a fecundação. O embrião resultante foi implantado em uma “barriga de aluguel”, mas o parto precisou ser realizado por cesariana, pois clones não rompem a bolsa amniótica naturalmente. O motivo da bolsa não romper a ciência ainda não decifrou completamente.
Desafios e riscos da clonagem
A taxa de sucesso é de apenas 4%, e os primeiros meses de vida do clone são críticos: muitos bezerros morrem por fragilidade. Por isso, a bezerra réplica de Viatina permanece sob monitoramento 24h em uma clínica especializada, com entrega prevista após quatro meses de vida. “É um processo complexo, mas essencial para perpetuar genéticas excepcionais”, explica Lorrany Martins, veterinária da Fazenda Napemo, uma das proprietárias de Viatina.
A clonagem bovina já produziu mais de 700 animais no Brasil desde 2001, impulsionando raças como nelore, gir e guzerá. A prática foi regulamentada em 2024 pela Lei 15.021, que exige registro público de clones e controle sanitário.