Tag: agro em campo

  • Entenda por que a cannabis entrou oficialmente na pauta da pesquisa agrícola

    Entenda por que a cannabis entrou oficialmente na pauta da pesquisa agrícola

    É realidade: Embrapa ganha sinal verde da Anvisa para tratar cannabis sativa como cultura agro comum. Assim, a empresa foca em genética, manejo, rastreabilidade e produtividade, colocando o cânhamo industrial no mesmo patamar de soja ou milho. Por outro lado, com R$ 971 milhões movimentados anualmente em importações medicinais, o Brasil desperdiça uma cadeia produtiva própria.

    Autorização inédita impulsiona ciência agro

    A Anvisa liberou pesquisas exclusivas em janeiro de 2026, sem comercialização imediata. A partir daí, a Embrapa avança em três frentes principais: conservação genética, agronomia medicinal e pré-melhoramento de cânhamo para fibras e sementes. Além disso, produtos finais ficam restritos a outras instituições autorizadas.

    Italo Coelho, pioneiro em habeas corpus desde 2017, vê validação clara nesse movimento. “Isso precisa ser organizado institucionalmente”, afirma ele sobre a transição da judicialização para políticas públicas sólidas. Em contraste, países como China e Canadá já exportam em escala, enquanto o Brasil ainda importa conhecimento técnico.

    Produtos que diversificam o campo

    A cannabis sativa rende muito além do medicinal. Por exemplo, fibras dos caules viram têxteis resistentes, alimentos, cosméticos, bioindústria e remédios. Da mesma forma, o cânhamo (com THC <0,3%) produz bioplásticos e hempcrete sustentável para construção.

    As sementes, ricas em proteínas, alimentam rações animais, enquanto raízes recuperam solos degradados em 28 milhões de hectares de pastagens. No entanto, projeções mostram salto de 27 para 15 mil hectares cultivados assim que a regulação se consolidar. Assim, seu ciclo curto, baixo uso de água e sequestro de 15 t de CO2 por hectare ao ano a tornam aliada perfeita da bioeconomia.

    Potência global

    Regiões como o Nordeste e áreas de pastagens degradadas lideram a aptidão natural para o cultivo. Além disso, a Anvisa propõe resoluções para pesquisa, comercial medicinal e sandbox regulatório para associações, com vigência seis meses após publicação no DOU. Por outro lado, o STJ estende o prazo regulatório até 2026, dando fôlego ao setor.

    Eventos como a Expoagro Afubra 2026 já debatem cannabis como alternativa resiliente ao agro. Nesse contexto, Italo Coelho amplia sua agenda estratégica: “O Brasil possui vantagens competitivas no setor agrícola”.

    Tabu cede à economia agro

    O preconceito ainda trava avanços rápidos, mas os dados falam mais alto. Desta forma, a Embrapa estrutura a base científica necessária para cortar importações bilionárias. Assim, o Brasil decide seu caminho: cultura estratégica inovadora ou perda irreparável de mercado agro?

    “A cannabis já é uma realidade. O que falta é o Brasil decidir como vai se posicionar diante disso”, afirma Italo, advogado que antecipou o debate da cannabis no Brasil antes mesmo da regulação.

  • Como 18 dias sem chuva não derrubaram 135 sacas de soja

    Como 18 dias sem chuva não derrubaram 135 sacas de soja

    Enquanto a média nacional da soja no Brasil ronda cerca de 60 sacas por hectare, um grupo de produtores já está chegando a 90, 100 e até mais de 130 sacas por hectare. O que separa essas lavouras não é a semente, mas uma mudança radical na forma de pensar a calagem e a fertilidade do solo. O ponto central é um nutriente ainda pouco valorizado: o magnésio, analisado pela saturação na CTC em diferentes camadas do perfil

    O método que destrava a produtividade da soja (e o que você está ignorando no solo)

    O agrônomo Leandro Barcelos, por trás do recorde de 135,49 sacas por hectare da Agro Mallon no CESB 2025, defende que o limite produtivo da soja está menos na planta e mais na lógica herdada desde a década de 1990. A calagem tradicional foca em elevar o pH e o cálcio na camada de 0 a 20 cm, como se o solo fosse apenas um piso úmido.

    Barcelos propõe outro caminho: desenhar a arquitetura química do perfil do solo, com cálculo por saturação de magnésio na CTC nas camadas de 0–20 cm e 20–40 cm. Segundo ele, o foco quase exclusivo no cálcio mascara o fato de que o magnésio é o fator limitante em boa parte das fazendas. Solos tecnicamente “corrigidos” podem estar travando o sistema radicular por falta de equilíbrio entre cálcio e magnésio.

    Sem esse equilíbrio, a planta trava a clorofila e perde a capacidade de absorver fósforo, mesmo quando o nutriente é aplicado em doses altas. O produtor pode usar o melhor adubo do mercado, mas a porta de entrada da planta continua semi‑fechada.

    Magnésio na CTC: a porta de entrada

    A lógica de saturação de magnésio na CTC coloca o nutriente no centro da decisão de calagem. O carbonato de magnésio, por exemplo, tem maior dificuldade de dissociação que o do cálcio. Se o produtor não domina essa dinâmica, o investimento fica parado na superfície e não vira produtividade.

    Construir um perfil químico em profundidade elimina a “barreira invisível” que condena a soja a explorar só a superfície. Isso reflete diretamente na capacidade da planta de acessar água em camadas mais profundas. O resultado é um sistema radicular mais verticalizado, com raízes que descem até cerca de 1,5 metro, em vez de se espalharem apenas perto do solo.

    A planta sai da estaca zero com mais força, preparada para janelas de estresse hídrico. Barcelos compara com um produtor que investe fortunas em fertilizantes de última geração, mas deixa a porta de entrada da planta bloqueada. O resultado é lavoura morrendo de sede com água logo abaixo, porque o solo foi tratado como um depósito de insumos, não como um sistema biológico vivo.

    Como 18 dias de veranico não abateram 135 sacas/ha

    A prova de fogo do método veio na safra 2024/25, na Fazenda Santa Bárbara (Canoinhas/SC), unidade da Agro Mallon. O produtor Charles Adriano Breda colheu 135,49 sacas por hectare mesmo com 18 dias seguidos sem chuva. Para Barcelos, essa resiliência hídrica não é sorte e sim consequência direta da correção do perfil do solo.

    Com magnésio e cálcio equilibrados, a soja consegue aprofundar o sistema radicular e acessar o CAD em camadas de até 1,5 metro de profundidade. Esse comportamento vertical é o que sustenta a produtividade em períodos de estresse. Um ponto pouco explorado é a relação entre potássio e magnésio na CTC. Muitos produtores aumentam o K para ganhar peso de grão, mas sem magnésio adequado, ocorre inibição competitiva.

    Os nutrientes competem entre si e a planta perde produtividade. Essa combinação, aliada ao ajuste de calagem e adubação, fez a lavoura de Breda superar a média nacional de censo, em torno de 59 sacas por hectare, e a média auditada do CESB, próxima de 96 sacas por hectare. A fazenda se tornou campeã nacional de produtividade de soja sequeira.

    Histórias reais: de 60 para 90, 100 e mais

    A metodologia de “A Raiz da Solução” já é testada em dezenas de fazendas, com ganhos estruturais de produtividade mesmo em safra de clima apertado. No Cerrado Mineiro, o engenheiro agrônomo e produtor Eduardo Primon conta que o manejo focado em raiz e fisiologia elevou a média da fazenda de 70 para 90,5 sacas por hectare. Em áreas monitoradas, a lavoura chegou a 107 sacas por hectare.

    A estratégia passa por preparar a planta para o “embate” contra o clima ainda na fase de planejamento. O ajuste de fertilidade, calagem e profundidade do sistema radicular é feito antes do plantio. No Rio Grande do Sul, Márcio Natalli partiu de uma média de 60 sacas por hectare e chegou a 90 sacas graças ao investimento em construção do perfil do solo. Enquanto vizinhos sentiam o impacto do veranico, sua soja permanecia verde e a procurar água no fundo.

    Isso só é possível porque o sistema radicular atua onde o manejo comum não chega. Em Goiás, Francisco Luçardo também rompeu a barreira de 70 sacas, atingindo 100 sacas por hectare com ajuste nutricional profundo. A mensagem é a mesma: não basta colocar adubo; é preciso garantir que o solo esteja equilibrado em profundidade para que a planta absorva tudo o que é oferecido. O investimento vira saca, e saca vira lucro.

    Sair do “balcão” e virar engenheiro da própria lavoura

    Para Leandro Barcelos, o maior gargalo não é falta de tecnologia, e sim a dependência de pacotes prontos de revendedor. O produtor precisa parar de ficar na mão do balcão de vendas e de aceitar receitas que nem sempre a terra dele precisa. Lucratividade máxima só vem quando ele conquista independência técnica.

    Isso significa saber olhar para a análise de solo e decidir, com critério, o que vai aplicar, quando, qual fonte e em qual momento. É essa autonomia que sustenta a produtividade real, ajustada ao tempo e ao orçamento de cada fazenda. Parte dessa independência passa por capacitação técnica.

    Especialista em fertilidade do solo e fisiologia vegetal com mais de 40 anos de vivência no campo, Leandro Barcelos é o consultor agronômico por trás da conquista do último campeonato nacional de produtividade de soja do CESB 2025.

    Barcelos lança uma série gratuita de três aulas online, “As Verdades Ocultas para Colher Mais Soja”. Ela serve como porta de entrada para o evento presencial “ARDS Experience” e para o programa “A Raiz da Solução 2.0”. O objetivo é ajudar o produtor a construir um perfil de solo resiliente, atingir produtividades de três dígitos e respeitar sempre custo‑benefício e lucratividade.

  • O que o consumo de carne de burro na Argentina revela sobre situação do país

    O que o consumo de carne de burro na Argentina revela sobre situação do país

    A Argentina sempre foi o país do bife. Durante décadas, nenhuma outra nação no mundo consumiu tanta carne bovina per capita, e isso nunca foi só uma questão de dieta. Era identidade, orgulho e cultura. Hoje, porém, algo está mudando nos hábitos alimentares do país, e um projeto piloto na Patagônia escancara essa transformação de um jeito que nenhum indicador econômico consegue fazer com tanta clareza.

    Na cidade de Trelew, na província de Chubut, o produtor rural Julio Cittadini lançou o projeto “Burros Patagones” e passou a vender carne de burro em açougues e restaurantes locais. O resultado surpreendeu até ele. “O que colocamos à venda acabou em um dia. Em um dia e meio não restou nada”, relatou Cittadini. A iniciativa virou notícia nacional, gerou debate e acabou se tornando um termômetro involuntário da situação econômica argentina.

    Um projeto regional que ganhou proporção nacional

    A base da repercussão está em matérias de veículos argentinos como o Infobae e o Clarín, que abordaram uma iniciativa específica na Patagônia: a introdução da carne de burro como alternativa produtiva em regiões com dificuldades para manter a pecuária tradicional. Cittadini afirma que o projeto não foi concebido como resposta à atual situação econômica. Segundo ele, a iniciativa surgiu a partir das dificuldades enfrentadas pela pecuária e pela criação de ovelhas na região, devido ao clima rigoroso, ao relevo irregular e à presença de predadores.

    Ou seja, não se trata de um colapso generalizado da alimentação argentina. Mas o timing do projeto e a velocidade com que ele repercutiu revelam algo que vai além da Patagônia. A receptividade foi alta demais para ser ignorada, e o preço explica boa parte disso.

    O quilo da carne de burro é vendido por cerca de 7.500 pesos (cerca de R$ 27), enquanto a bovina pode chegar a 18 mil ou 19 mil pesos (R$ 65 ou R$ 69), quase três vezes mais. Nesse cenário, a escolha deixa de ser gastronômica e passa a ser matemática.

    O bife que virou item de luxo

    O aumento dos preços tornou a carne bovina um item de luxo no país, frustrando promessas de campanha de redução de valores e alterando profundamente os hábitos alimentares da população. Cortes comuns chegaram a ultrapassar 25 mil pesos por quilo, com alta superior a 10% em apenas um mês.

    A inflação acumulada de carnes e derivados na Argentina atingiu 55,1% em março, o maior nível desde abril de 2025. Na Grande Buenos Aires, o quilo da carne bovina registrou alta anual de 55%, chegando a 61,5% na região Noroeste, sendo o item com a maior alta no período.

    O açougueiro Gonzalo Moreira, de Buenos Aires, descreveu o impacto no dia a dia do seu negócio com uma objetividade desconcertante. “As pessoas deixaram a carne bovina, que caiu cerca de 20% nas compras, e passaram para o porco ou o frango. Um quilo de carne bovina custa entre 15 mil e 18 mil pesos. Já o porco fica entre 8 mil e 9 mil pesos”, disse. E completou: “A comida também começa a ser paga em parcelas. A gente vai reorganizando as vendas.”

    Uma identidade que se transforma aos poucos

    A mudança vai além do bolso. Ela mexe com algo muito mais profundo na cultura argentina. Há 60 anos, o consumo per capita de carne bovina chegava a 82 quilos por habitante, contra apenas 12 quilos somados de frango e suína. Hoje, o total de carnes consumidas gira em torno de 115 a 116 quilos por pessoa ao ano, sendo cerca de 51 quilos de frango, 45 quilos de bovina e entre 19 e 20 quilos de suína. O frango, há décadas considerado a alternativa popular, ultrapassou a carne bovina no consumo total. Uma virada histórica.

    Mais do que uma curiosidade gastronômica, o fenômeno expõe uma realidade clara: quando o bolso aperta, até tradições históricas entram em transformação. Até o próprio Milei reconheceu o problema publicamente. “Normalmente, os políticos fingem demência ou falam de outra coisa quando recebem um dado negativo. Mas como eu sou Milei e detesto a maneira como fazem política tradicional, e como odeio a inflação, e como este dado me gerou repulsa, vou falar sobre a inflação”, disse o presidente em evento com empresários.

    O que isso significa para o agronegócio regional

    Para o setor produtivo, o fenômeno tem ao menos dois lados. De um lado, sinaliza oportunidades em cadeias alternativas de proteína, tanto para a criação de burros quanto para a produção de frango e suíno, que crescem em participação no mercado argentino. Em regiões como a Patagônia, a criação de burros apresenta vantagens importantes pelo ambiente, e produtores locais apostam na expansão desse mercado, tanto pela demanda crescente quanto pelo potencial de desenvolvimento econômico em regiões áridas.

    Por outro lado, o enfraquecimento do consumo interno bovino é um sinal de alerta. A autorização para expandir a comercialização da carne de burro a nível nacional ainda depende da aprovação do Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar da Argentina. A cadeia ainda engatinha, e especialistas como Victor Tonelli apontam que o impacto produtivo atual é pontual. Mesmo assim, o debate que o tema abriu não vai embora tão cedo.

    O Banco Mundial prevê que a economia argentina crescerá 3,6% em 2026 e 3,7% em 2027, com uma das maiores expansões da região. Porém, trata-se de um crescimento desigual, como reconhecem os próprios economistas. E enquanto os números do PIB melhoram no papel, o argentino médio ainda está decidindo se consegue pagar pelo bife de sempre, ou se vai experimentar algo diferente.

  • Duas caras: Lagosta rara de duas cores é capturada por pescadores

    Duas caras: Lagosta rara de duas cores é capturada por pescadores

    No dia 16 de abril, a tripulação do barco pesqueiro Timothy Michael lançou as redes na costa de Cape Cod, em Massachusetts, como faz qualquer outro dia de trabalho. O que saiu d’água, porém, parou todo o convés. Os pescadores capturaram uma lagosta com coloração bilateral dividida, um fenômeno tão raro que ocorre em apenas 1 a cada 50 milhões desses crustáceos.

    O animal chama atenção à primeira vista. Uma linha exata separa duas colorações completamente distintas na carapaça, e os usuários das redes sociais já apelidaram o crustáceo de “algodão-doce”, por conta dos tons pastel que lembram o doce de feira. No caso desta lagosta específica, uma metade apresenta tons alaranjados e a outra, uma coloração mais escura.

    O animal pesa mais de 1,3 quilo e foi doado ao Woods Hole Science Aquarium, gerenciado pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA).

    Animal parece dividido ao meio por uma linha que separa as duas colorações. (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

    O que há de errado no DNA dela

    A resposta para o visual surpreendente está nos genes, mas a história começa antes mesmo do nascimento do animal. Julia Studley, bióloga do aquário, explica que a divisão ocorre quando dois ovos fertilizados, ainda não liberados pela fêmea, se fundem e um acaba absorvendo o outro. O resultado é uma lagosta que carrega dois conjuntos de informações genéticas e, portanto, duas instruções de pigmentação diferentes, uma para cada lado da carapaça.

    Esse fenômeno tem nome: quimerismo. Em vez de originar organismos gêmeos, ele gera um único indivíduo com células geneticamente diferentes. Na prática, cada metade do corpo obedece a um “manual” distinto para produzir cor.

    O mecanismo envolve a astaxantina, o pigmento responsável pela coloração do crustáceo. Dependendo de como as camadas desse pigmento se combinam, o animal pode exibir tons que vão do vermelho ao azul, passando por amarelo, roxo e marrom. Neste caso, cada lado escolheu um caminho diferente.

    Quando a genética vai além da cor

    A divisão não para na aparência. Em alguns casos, essa anomalia genética pode resultar em ginandromorfismo, quando o organismo é metade macho e metade fêmea. O fenômeno já foi documentado em aves, abelhas, borboletas, aranhas e outros invertebrados, mas em lagostas ele carrega uma camada extra de raridade.

    Richard Wahle, diretor do Instituto da Lagosta da Universidade do Maine, afirma que o fato de uma lagosta ser bicolor sugere que ela pode ser hermafrodita, com características anatômicas tanto de macho quanto de fêmea. A equipe do Woods Hole ainda vai investigar se esse é o caso do novo espécime.

    Sobreviver já é um feito

    Há outro dado que impressiona os especialistas além da raridade genética. Lagostas com coloração incomum geralmente não têm camuflagem suficiente para sobreviver por muito tempo. O fato de esta ter chegado a mais de um quilo e meio representa uma conquista por si só. Sem a proteção visual que a coloração padrão oferece, o animal fica exposto a predadores desde cedo. Chegar ao tamanho adulto já é, por si só, uma história de sorte.

    O aquário como destino certo

    A empresa que operava o barco decidiu não levar a lagosta ao mercado. O diretor de operações Dan Brandt disse que, quando algo raro chega nos canais da empresa, eles consideram parte de sua responsabilidade compartilhar com a comunidade em geral. “O Aquário de Ciências de Woods Hole era o lugar perfeito para esta lagosta sortuda.”

    A lagosta ainda não tem nome. A equipe pretende conhecer melhor a personalidade do animal antes de batizá-lo, considerando que lagostas podem viver até 100 anos. Há tempo de sobra para isso. O Woods Hole Science Aquarium passa por uma grande reforma e, quando reabrir no início de 2027, o animal será exibido ao público.

    Studley resume bem o que o crustáceo representa além do visual incomum: “Este animal não é apenas fascinante de observar, mas também serve como um grande lembrete de como os mecanismos genéticos são intrincados e de quanto devemos agradecer pela diversidade que vemos no mundo ao nosso redor.”

  • Da fazenda do pai à mansão de R$ 27 mi: Zé Felipe vende tudo e muda de vida aos 28 anos

    Da fazenda do pai à mansão de R$ 27 mi: Zé Felipe vende tudo e muda de vida aos 28 anos

    Zé Felipe completou 28 anos na última terça-feira, 21 de abril, e deu de presente para si mesmo uma decisão que poucos esperavam: colocou sua mansão à venda e vai morar de aluguel. O imóvel, batizado de Stairway House, está avaliado em R$ 27 milhões e fica no condomínio fechado Aldeia do Vale, em Goiânia, o mesmo onde Virgínia Fonseca, sua ex-esposa, também tem uma propriedade.

    O cantor é filho de Leonardo, um dos maiores nomes do sertanejo brasileiro e homem com raízes profundas no agronegócio goiano. A Fazenda Talismã, propriedade do pai, está localizada em Jussara, no noroeste de Goiás, ocupa 1.000 hectares e abriga mais de 5.000 cabeças de gado, com valor estimado em torno de R$ 60 milhões. O nome da propriedade é uma homenagem ao hit “Talismã”, um dos primeiros sucessos da dupla Leandro & Leonardo, lançado em 1990. Foi nesse ambiente, entre o campo e o palco, que Zé Felipe cresceu e construiu sua própria trajetória.

    Uma mansão que impressiona até pelo que tem dentro

    A propriedade que o cantor coloca no mercado não é modesta em nenhum detalhe. O terreno ocupa 3.430 m², com 1.380 m² de área construída. São seis suítes no total, sendo uma máster com closet, banheira e varandas privativas. A estrutura de lazer inclui home cinema, adega, spa e brinquedoteca, uma lista que diz bastante sobre o estilo de vida que a família manteve ali.

    O anúncio foi feito pelo especialista em imóveis de alto padrão Bruno Cesar, que divulgou todos os detalhes enquanto Zé Felipe ainda mora no local. Ou seja, a casa está à venda com o dono dentro, em uma contagem regressiva para a mudança.

    Cantor coloca mansão de luxo à venda em Goiânia enquanto pai mantém fazenda avaliada em R$ 60 milhões no interior do estado
    (Foto: Reprodução)

    Por que trocar R$ 27 milhões de imóvel por aluguel?

    A decisão chama atenção justamente por contrariar o senso comum. Para muita gente, vender uma mansão e ir morar de aluguel parece um passo atrás. Mas no mercado imobiliário de luxo, essa movimentação não é incomum. Significa, muitas vezes, liquidez, flexibilidade e liberdade para reinvestir o capital em outras frentes, seja em negócios, seja em novos projetos.

    No caso de Zé Felipe, ainda não há uma declaração pública explicando os motivos da decisão. O que se sabe é que o sertanejo planeja se mudar em breve para uma casa alugada, sem que o destino tenha sido revelado.

    O DNA do agronegócio que acompanha a família

    Enquanto o filho movimenta o mercado imobiliário urbano, o pai continua sendo um dos exemplos mais conhecidos de artista que une carreira artística e produção rural. Leonardo adquiriu a Fazenda Talismã por aproximadamente R$ 4,6 milhões, e o imóvel hoje está avaliado em mais de R$ 60 milhões. Com mais de 5.000 cabeças de gado, a criação, engorda e venda dos animais em leilões são as principais atividades econômicas do local, e a operação contribui significativamente para a economia da região noroeste de Goiás.

    “Tenho a maior satisfação de chegar lá e ver que isso lá foi tudo conquistado cantando”, disse Leonardo sobre a propriedade. Essa frase traduz bem o que a fazenda representa para ele: não apenas um ativo financeiro, mas a materialização de uma vida inteira de trabalho.

    Leonardo e família ostentam vida de luxo na fazenda. (Imagem: Redes Sociais)

    Goiás no centro do mapa do dinheiro e do campo

    A movimentação da família em Goiás, seja no urbano ou no rural, mostra um estado que cada vez mais aparece como polo de grandes fortunas e decisões de alto impacto. Goiânia abriga condomínios de alto padrão que atraem famílias de artistas e empresários do agronegócio. E o interior do estado, como Jussara, concentra propriedades rurais de escala expressiva que movimentam mercados de pecuária e geram empregos em regiões estratégicas.

    Zé Felipe cresce nesse contexto. Mesmo com uma trajetória mais ligada ao entretenimento do que à lida do campo, ele carrega um sobrenome que, no interior de Goiás, é sinônimo de terra, gado e sertanejo raiz.

  • Como uma vaca brasileira passou a valer mais que uma mansão em Nova York

    Como uma vaca brasileira passou a valer mais que uma mansão em Nova York

    Aos 8 meses de idade, ela já vencia todos os torneios em que entrava. Silvestre Coelho Filho, seu criador original, conta que, logo após o nascimento, já identificava na Viatina-19 um animal diferenciado pelo biotipo e pela beleza racial. O nome completo é Viatina-19 FIV Mara Móveis, e o sobrenome corporativo não surgiu por acaso: desde cedo, o animal indicava que se tornaria um ativo de alto valor, e não apenas gado.

    Em junho de 2023, compradores arremataram a vaca por R$ 21 milhões em Arandu, São Paulo, estabelecendo o recorde de vaca mais cara já vendida em leilão no mundo. Para dimensionar esse valor, o montante em dólares permitiria a compra de uma mansão com vista para o Central Park, em Nova York.

    Mas o dado mais relevante não está no preço. Ele revela a transformação em curso na pecuária de elite brasileira.

    Genética de milhões

    Viatina-19 vai além de uma vaca de aparência marcante. Na prática, ela funciona como um banco genético vivo, e seus proprietários conduzem o negócio com essa lógica. Eles lucram ao comercializar essa genética por meio da venda de prenhezes (embriões fertilizados implantados em receptoras) e de aspirações, que consistem na coleta direta de óvulos.

    Os números mostram a dimensão desse mercado. Em 2023, a genética de Viatina-19 gerou cerca de R$ 11,5 milhões em faturamento. Compradores chegam a pagar mais de R$ 1 milhão por uma filha do animal. Em maio daquele ano, um leilão beneficente vendeu uma prenhez por R$ 3 milhões e destinou toda a arrecadação às vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul.

    A vaca reúne características como adaptabilidade, longevidade reprodutiva e eficiência alimentar, o que a torna uma fonte valiosa para o melhoramento da raça Nelore. Por isso, o mercado mantém forte disposição para investir nesse tipo de genética.

    Por que o Nelore vale tanto?

    O caso da Viatina-19 não surgiu isoladamente. Ele reflete décadas de investimento genético no Brasil. Criadores trouxeram a raça Nelore da Índia no final do século XVIII, e hoje ela representa cerca de 85% do rebanho nacional. Ao longo do tempo, o país aprimorou o animal por meio de seleção criteriosa.

    O Nelore apresenta alta tolerância ao calor, resistência a doenças e excelente adaptação ao pastejo, características que garantem eficiência no clima tropical. Esse avanço resulta de seleção genética contínua, uso de biotecnologia reprodutiva e um mercado de leilões que determina o valor dos animais.

    Eventos como a ExpoZebu, em Uberaba, exibem os melhores exemplares e reforçam o padrão de excelência que o Brasil busca consolidar globalmente. Nesse contexto, a Viatina-19 representa o ápice desse sistema.

    Três donos, uma estratégia

    Três investidores adquiriram a vaca em leilões distintos e hoje compartilham sua propriedade. O animal vive na Fazenda Napemo, em Uberaba, Minas Gerais, onde uma equipe especializada cuida de sua saúde, alimentação e bem-estar.

    A rotina inclui óleo de girassol nas orelhas, espaço privativo, segurança 24 horas e banhos diários com xampu hipoalergênico. Esse nível de cuidado reflete o valor estratégico do animal.

    Para a criadora Paula Coelho, gestora do Nelore Mara Móveis, a vaca representa mais do que retorno financeiro. Segundo ela, o animal elevou o plantel a um patamar nacional e internacional. Silvestre Coelho Filho também destaca o impacto da genética: atualmente, criadores de todo o país buscam descendentes da Viatina-19, o que amplia sua presença nos principais plantéis.

    O avanço não se limita ao animal original. Pesquisadores já desenvolveram um clone da Viatina-19, inaugurando uma nova fase na pecuária de elite com o uso combinado de biotecnologia e seleção genética.

    A filha Dandha conquistou o título de campeã na categoria bezerra na Expozebu 2024. Outras descendentes, como Pietra e Karisma, também alcançaram altos valores de venda, o que confirma a valorização contínua da linhagem.

    Especialistas estimam que a vaca ainda terá entre 8 e 10 anos de vida reprodutiva. Esse horizonte indica que sua influência genética ainda deve crescer significativamente. Com isso, o Brasil consolida um novo padrão de valor na pecuária, no qual a genética se torna o principal ativo.

  • O que ninguém te contou: plantas podem memorizar a seca

    O que ninguém te contou: plantas podem memorizar a seca

    As plantas não apenas reagem ao ambiente. Na verdade, elas também aprendem com ele. Um estudo recente da Unesp mostra que plantas conseguem “memorizar” eventos estressantes e, dessa forma, ajustar suas respostas no futuro. Esse avanço, portanto, pode abrir novas estratégias para o agronegócio brasileiro.

    Além disso, a descoberta chega em um momento decisivo. Com o aumento de secas e ondas de calor, produtores buscam alternativas para manter produtividade e reduzir riscos no campo. Nesse contexto, entender como as plantas se adaptam se torna essencial.

    Como funciona a memória das plantas

    Embora não possuam sistema nervoso, as plantas desenvolveram mecanismos altamente sofisticados. Nesse sentido, elas registram experiências anteriores de estresse, como falta de água, e ajustam seu funcionamento.

    Por exemplo, pesquisas com sorgo mostram que plantas expostas a estresse hídrico recorrente apresentaram melhor desempenho fisiológico. Além disso, os estudos identificaram:

    • Maior eficiência fotossintética
    • Melhor conservação do sistema fotoquímico
    • Ajustes nas relações hídricas

    Como resultado, essas plantas conseguem sobreviver melhor em condições adversas. Ao mesmo tempo, elas mantêm níveis mais estáveis de produtividade.

    Outro ponto importante envolve os mecanismos antioxidantes. Durante o estresse, enzimas como SOD, CAT e APX entram em ação. Dessa forma, elas reduzem danos celulares e fortalecem a resistência da planta.

    Clima extremo acelera a necessidade de adaptação

    Atualmente, eventos climáticos extremos ocorrem com mais frequência. Por isso, estresses como seca, salinidade e calor intenso impactam diretamente a produção agrícola.

    Nesse cenário, a capacidade de adaptação rápida se torna um diferencial competitivo. Além disso, plantas que já passaram por estresse tendem a responder melhor quando enfrentam novas adversidades.

    Por outro lado, essas mesmas plantas também se recuperam mais rápido. Quando as condições melhoram, como no retorno das chuvas, elas retomam o crescimento com maior eficiência.

    Assim, o ciclo produtivo se torna mais estável, mesmo diante de variações climáticas.

    Impactos diretos para o agronegócio

    A descoberta não fica restrita ao campo científico. Pelo contrário, ela já aponta caminhos práticos para o produtor rural.

    Em primeiro lugar, programas de melhoramento genético podem priorizar plantas com maior capacidade de adaptação. Dessa forma, novas cultivares tendem a ser mais resistentes. Além disso, o manejo agrícola pode evoluir. Técnicas como irrigação controlada, por exemplo, podem estimular respostas adaptativas nas plantas.

    Outro benefício importante envolve a redução de perdas. Em períodos críticos, lavouras mais preparadas sofrem menos impacto.

    Ao mesmo tempo, produtores podem otimizar o uso de insumos. Como resultado, há maior eficiência no uso de água e nutrientes, o que reduz custos.

    Epigenética impulsiona a agricultura do futuro

    A chamada memória vegetal está ligada à epigenética. Ou seja, trata-se de mudanças na expressão dos genes sem alterar o DNA.

    Nesse sentido, a planta cria uma espécie de histórico biológico. Assim, ela consegue responder de forma mais rápida a novos estresses. Além disso, esse processo envolve diferentes níveis, como expressão gênica, produção de protéinas e ajustes metabólicos.

    Portanto, a epigenética se consolida como uma das áreas mais promissoras para inovação no agro.

    Oportunidade estratégica para o Brasil

    O Brasil pode se beneficiar diretamente dessa descoberta. Afinal, o país depende fortemente de culturas sensíveis ao clima, como soja, milho e cana-de-açúcar.

    Nesse cenário, lavouras mais resilientes aumentam a previsibilidade da produção. Além disso, reduzem riscos associados às mudanças climáticas. O setor ganha mais estabilidade econômica e ao mesmo tempo, o produtor se torna menos vulnerável a perdas inesperadas.

    Ciência que já começa a transformar o campo

    A ideia de que plantas aprendem com o ambiente deixa de ser apenas teoria. Na prática, ela já aponta caminhos concretos para o agronegócio.

    Assim, ao integrar ciência e manejo, o produtor ganha eficiência e segurança. Além disso, prepara sua lavoura para um cenário climático cada vez mais desafiador.

    Portanto, a memória vegetal pode se tornar uma aliada estratégica. E, nesse novo cenário, quem adotar essas práticas primeiro tende a sair na frente.

  • Gengibre ganha força no Brasil com nova política

    Gengibre ganha força no Brasil com nova política

    A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados aprovou o projeto que cria a Política Nacional de Incentivo à Produção de Gengibre de Qualidade. A proposta busca estruturar e fortalecer essa cadeia produtiva no Brasil, que ainda tem espaço relevante para crescimento. O texto agora segue para o Senado, etapa decisiva para que a medida se torne lei.

    Foco em qualidade e eficiência produtiva

    O projeto estabelece diretrizes claras para elevar o padrão do gengibre brasileiro. Entre os principais objetivos está melhorar a qualidade do produto ofertado ao mercado e aperfeiçoar os sistemas produtivos. Com isso, o setor pode ganhar competitividade, principalmente em mercados mais exigentes, tanto no Brasil quanto no exterior.

    Apoio direto ao produtor rural

    A proposta prevê instrumentos importantes para o desenvolvimento da atividade. Entre eles estão o acesso facilitado ao crédito rural, assistência técnica especializada e seguro agrícola. Essas medidas devem beneficiar principalmente pequenos produtores, cooperativas e agricultores familiares, que concentram boa parte da produção no país.

    Tecnologia e sustentabilidade como estratégias centrais

    O texto também incentiva a adoção de tecnologias em todas as etapas da cadeia, desde o plantio até o processamento. Ao mesmo tempo, reforça a necessidade de práticas sustentáveis, o que pode aumentar a eficiência produtiva e reduzir impactos ambientais. Essa combinação tende a elevar o nível técnico da produção nacional.

    Potencial de mercado e agregação de valor

    O gengibre apresenta demanda crescente, impulsionada pelo consumo interno e pelas exportações. No entanto, a falta de padronização ainda limita o acesso a mercados mais rentáveis. Com a nova política, produtores podem conquistar melhores preços e ampliar a participação no mercado.

    Além disso, o incentivo ao processamento abre espaço para produtos com maior valor agregado.

    Próximos passos e impacto no agronegócio

    O projeto ainda precisa da aprovação do Senado para entrar em vigor. Caso avance, a medida pode representar um marco para a diversificação do agronegócio brasileiro. A iniciativa fortalece uma cultura com potencial econômico e contribui para gerar renda, especialmente em regiões onde a produção já ocorre em pequena escala.

  • Aviões de R$ 100 milhões impressionam em feira do agronegócio

    Aviões de R$ 100 milhões impressionam em feira do agronegócio

    Um vídeo que mostra o pátio do Aeroporto Municipal General Leite de Castro, em Rio Verde, região sudoeste de Goiás, com cerca de 20 aviões impressionou pela quantidade de aeronaves e variedade de modelos. A alta na movimentação acontece durante a Tecnoshow, feira de tecnologia e agronegócio.

    “Cada avião mais bonito do que o outro, vou mostrar para vocês o pátio cheio. Que coisa linda ver a nossa cidade cheia de aviões para a Tecnoshow Comigo 2026”, disse Leonardo Lacraia, vereador da cidade.

    Entre os modelos que aparecem no pátio estão um Piper Aircraft 2010, que pode custar cerca de R$ 10 milhões, um Pilatus PC-12 NGX 2023, que chega até R$ 45 milhões.

    A cena, registrada durante um evento do setor, não apenas impressiona pelo espetáculo visual, mas também revela um movimento estratégico dentro do agro brasileiro: o avanço consistente da aviação agrícola.

    Evento ganha destaque e amplia visibilidade do agro

    No vídeo, diversas aeronaves aparecem voando em formação, criando um cenário incomum até mesmo para quem já frequenta grandes eventos do setor.

    Além disso, o público presente reagiu com entusiasmo, o que ajudou a impulsionar a repercussão nas redes sociais. Segundo relatos, o momento se tornou um dos mais comentados do evento, reforçando o papel das feiras como vitrines de tecnologia, inovação e networking no agronegócio.

    https://www.instagram.com/reel/DW6mYOCDXYS/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=MzRlODBiNWFlZA==

    Nesse sentido, a ação também cumpre uma função estratégica. Ao atrair atenção digital, o evento amplia seu alcance para além do público presencial, fortalecendo marcas, empresas e toda a cadeia produtiva envolvida.

    Aviação agrícola cresce e ganha protagonismo

    O espetáculo aéreo não ocorre por acaso. Nos últimos anos, a aviação agrícola ganhou espaço relevante no Brasil, impulsionada pela necessidade de maior eficiência nas lavouras.

    Atualmente, o país possui uma das maiores frotas de aviação agrícola do mundo. Segundo dados do setor, são mais de 2.500 aeronaves em operação, utilizadas principalmente na aplicação de defensivos, fertilizantes e sementes.

    Além disso, produtores buscam cada vez mais soluções que reduzam perdas e aumentem produtividade. Nesse cenário, a pulverização aérea se destaca por permitir cobertura rápida e uniforme, especialmente em grandes áreas.

    Impacto direto na produtividade e nos custos

    A presença da aviação agrícola nas feiras não tem apenas caráter promocional. Ela reflete uma mudança prática na gestão das propriedades rurais. Com o uso de aeronaves, o produtor consegue realizar aplicações em janelas curtas de tempo. Assim, ele evita perdas causadas por pragas ou condições climáticas adversas.

    Além disso, a tecnologia reduz o amassamento da lavoura, problema comum em aplicações terrestres. Dessa forma, a produtividade tende a aumentar, o que impacta diretamente a rentabilidade.

    Feiras agro como motor de negócios e inovação

    O episódio reforça um ponto central para o agronegócio brasileiro. As feiras deixaram de ser apenas espaços de exposição e passaram a atuar como verdadeiros hubs de negócios.

    Nesses eventos, empresas apresentam tecnologias, fecham contratos e fortalecem relações comerciais. Além disso, produtores têm acesso direto a soluções que podem transformar sua produção.

    Consequentemente, a repercussão de ações como a demonstração aérea contribui para valorizar todo o setor. Isso porque evidencia o nível tecnológico e a capacidade de inovação do agro nacional.

  • Tecnologia de grandes máquinas chega ao pequeno produtor

    Tecnologia de grandes máquinas chega ao pequeno produtor

    A tecnologia que antes era restrita a máquinas de grande porte começa a ganhar espaço também nas propriedades menores. Durante a 26ª Expodireto Cotrijal, realizada em Não-Me-Toque, no Rio Grande do Sul, a Massey Ferguson apresentou três novas séries de tratores que ampliam o acesso a recursos de agricultura de precisão para produtores de diferentes perfis.

    Os lançamentos incluem modelos voltados desde pequenas propriedades até operações de maior escala. Entre os destaques estão sistemas de piloto automático, telemetria e monitoramento remoto embarcados diretamente de fábrica, tecnologias que até poucos anos atrás estavam disponíveis apenas em máquinas de alta potência.

    Segundo a empresa, a estratégia é tornar os recursos digitais cada vez mais presentes no dia a dia da agricultura brasileira, independentemente do tamanho da propriedade.

    “Estamos lançando três séries novas de tratores aqui na Expodireto. A proposta é atender desde o pequeno produtor até operações maiores, com máquinas versáteis e tecnologia embarcada”, explica Eder Pinheiro, coordenador de marketing de produto tratores da marca.

    Novas séries ampliam acesso à tecnologia

    Entre as novidades apresentadas está a série MF 3700, voltada principalmente a produtores de menor escala. Os modelos possuem 75 e 85 cavalos de potência e foram projetados para atividades variadas no campo.

    Segundo Pinheiro, a proposta é oferecer uma máquina versátil, capaz de atender diferentes etapas do ciclo produtivo.

    “É um trator pensado no pequeno produtor que precisa de uma máquina mais versátil, um trator ‘faz tudo’, que ele vai utilizar desde o preparo de solo até o plantio e outras operações da propriedade”, afirma.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Os modelos podem contar com transmissões de 15 por 15 ou 30 por 15 marchas, oferecendo maior flexibilidade de uso conforme a necessidade da propriedade.

    Outro destaque da marca na feira é a nova série MF 5M, considerada um lançamento nacional apresentado pela primeira vez durante a Expodireto.

    Os tratores dessa linha possuem potências entre 105 e 145 cavalos e chegam ao mercado para substituir duas séries já consolidadas da fabricante: MF 5700 e MF 6700.

    De acordo com o coordenador da empresa, a nova geração mantém características que já eram bem avaliadas pelos produtores.

    “Mantivemos pontos que o agricultor já aprovava, como a transmissão 12×12 com reversão eletro-hidráulica. Uma novidade importante é o motor de quatro cilindros em um trator de 105 cavalos, que era uma demanda recorrente dos produtores”, destaca.

    Outro diferencial da série é a vazão hidráulica de até 100 litros por minuto, que permite operar diversos tipos de implementos agrícolas com maior eficiência.

    Além disso, os modelos já podem sair de fábrica equipados com piloto automático hidráulico, tecnologia que contribui para maior precisão nas operações agrícolas.

    Segundo a fabricante, o sistema ajuda a reduzir sobreposições de linhas de trabalho e melhora o rendimento operacional, além de favorecer a economia de combustível no dia a dia da propriedade.

    Série MF 6M mira operações mais exigentes

    A terceira linha apresentada na feira é a MF 6M, voltada a operações que demandam maior potência e robustez.

    Os modelos trabalham na faixa de 160 a 190 cavalos de potência e contam com motores de quatro cilindros e transmissão automática.

    De acordo com Pinheiro, o sistema permite maior eficiência durante o trabalho no campo.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    “A transmissão automática trabalha com três marchas e pode operar em rotação fixa. O trator identifica a melhor marcha para aquela condição de trabalho, o que também contribui para a economia de combustível”, explica.

    Com isso, a série atende propriedades que exigem maior capacidade operacional, como grandes áreas de cultivo ou atividades agrícolas intensivas.

    Tecnologia como tendência no campo

    O conjunto de lançamentos reforça uma tendência cada vez mais evidente no agronegócio: a ampliação do acesso às tecnologias de agricultura de precisão.

    Ao incorporar sistemas digitais e recursos de conectividade em máquinas de diferentes categorias, fabricantes buscam atender produtores de variados perfis, desde pequenas propriedades familiares até grandes operações agrícolas.

    Na avaliação da empresa, essa evolução tecnológica tende a impactar diretamente a produtividade e a eficiência das lavouras.

    A expectativa do setor é que, nos próximos anos, ferramentas como piloto automático, monitoramento remoto e análise de dados passem a fazer parte da rotina de um número cada vez maior de produtores brasileiros.